terça-feira, 13 de agosto de 2013

Contratos e maus tratos

Onyewu, Pranjic, Bojinov, Boulahrouz e agora Labyad. Jogadores que ganham demasiado para o que justificam em campo. Do outro lado está um clube que não tem dinheiro para qualquer tipo de luxo, obrigado a reduzir o orçamento para valores historicamente baixos. Sem vontade de reduzir o salário, os jogadores e seus agentes são incapazes de encontrar um clube que esteja disposto a pagar vencimentos milionários pelo retorno desportivo que provavelmente receberão em troca.

O Sporting entretanto encosta-os à equipa B, acreditando que orgulho dos jogadores e a perspetiva de uma carreira estagnada os faça concluir que o dinheiro não é tudo na vida. Também se compreende esta atitude, afinal soluções como a de Elias, em que o Sporting paga parte de vencimento a troca de nada, não fazem sentido absolutamente nenhum.

Isto, porém, não é a história completa, porque do outro lado estão profissionais, alguns dos quais sempre tiveram uma atitude irrepreensível no Sporting. Onyewu, por exemplo. Depois de uma má pré-temporada que praticamente o condenou junto dos adeptos sportinguistas, acabou por ser um dos esteios da defesa de 2011/12. Estranhamente foi despachado no princípio da época seguinte, mas manteve sempre uma postura de lealdade com o clube e os adeptos nas suas mensagens nas redes sociais. Este ano foi dispensado dos trabalhos de pré-época. Aparentemente teve uma intervenção cirúrgica à revelia do departamento médico do clube, que vai ser usada como motivo de rescisão do contrato.

Labyad é outro caso que faz confusão. O jovem jogador era uma promessa do PSV em final de contrato. Deve ter tido inúmeras propostas e acabou por escolher o Sporting, onde não teve uma época feliz – como 95% do plantel. Se Labyad tivesse optado pelo Benfica poderia ter tido uma época de sonho como emprestado no Coruña, no Granada ou no Espanyol. A pré-época deste ano também correu mal e lá foi parar com os costados à equipa B.

Não serão apenas os jogadores que sofrerão com esta novela. O nome do clube ficará manchado pelo tratamento em massa a jogadores indesejados, e certamente que nos próximos anos potenciais contratações pensarão duas vezes antes de assinar com o clube. Afinal, ninguém apontou uma pistola à cabeça de Godinho Lopes para que estes jogadores fossem contratados.

Onyewu e a sua equipa de advogados na negociação com Godinho Lopes

O tutor de Boulahrouz acompanhou todo o processo da transferência para o Sporting

Os sportinguistas que acham que o clube está a ter um comportamento correto, devido ao facto de os jogadores não justificarem em campo os vencimentos milionários que auferem, pensem assim: o que achariam se a PT, o BES ou a Super Bock cancelassem os contratos de patrocínio devido à vergonhosa prestação desportiva do clube na época passada? Afinal, a visibilidade e prestígio que as marcas obtiveram do patrocínio não foram certamente as que imaginavam no momento da assinatura.

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