segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Paineleiros: Trio de Ataque

Desde que começou a pré-época, no princípio de Julho, já tivemos oportunidade de ver, ouvir e ler todo o tipo de análises aos plantéis de Porto, Benfica e Sporting. Os treinadores, os jogadores, os dirigentes, os empresários, os advogados dos empresários, os jornalistas recrutados pelos canais de televisão dos clubes, enfim, nada escapa ao escrutínio dos comentadores encartados e não encartados da nossa praça.

Como gosto que todos os artistas sejam reconhecidos pelo que contribuem para a sociedade, encontrei uma lacuna: ninguém analisa os paineleiros. E acho mal. Por isso, vou fazer uma série de posts sobre essas personalidades. Para mim, o paineleiro ideal é aquele que:


Fala de forma entusiasmada e apaixonada do seu clube


Independência dos dirigentes do clube, no passado e no presente, diz aquilo que pensa quando as coisas correm mal, sem seguir a cartilha de qualquer facção do clube

Manda veneno aos adversários de forma oportuna e implacável


Tem memória, recorda factos que os adversários gostariam que fossem esquecidos


Mantém uma postura que dignifica o clube que representa


Nota final



Vou começar por fazer um comentários aos paineleiros do Trio de Ataque, com avaliações de 1 a 5 nos parâmetros acima mencionados. O total é a média ponderada dessas avaliações, e aparece a amarelo.


Miguel Guedes / Trio de Ataque (RTP Informação) / Grandes Adeptos (Antena 1)

Músico e advogado, este jovem paineleiro raramente perde a pose. Mais analítico que impulsivo, vai sempre bem preparado, com a lista de benefícios de arbitragem dos adversários na ponta da língua. Ocasionalmente, discorda da posição da direção do seu clube, mas apenas em temas menores. Sempre se declarou totalmente independente, mas algumas informações com que de vez em quando nos presenteia (como por exemplo uma fotocópia do passaporte de Izma(I/Y)lov para demonstrar que se escreve com Y), fazem-me duvidar que isso seja verdade. Fala sempre com grande vontade que aconteçam os sucessos internacionais do Benfica e o regresso de um Sporting forte, mas o azedume com que falou nas 8 ou 9 bolas ao poste da baliza do Benfica na Liga Europa e o gozo de alguns percalços do Sporting leva-o a revelar um nível de hipocrisia que provavelmente não desejaria. No entanto, os portistas devem sentir-se bem representados.



Jorge Gabriel / Trio de Ataque (RTP Informação)

É mais complicado falar, porque vi-o pela primeira vez ontem, apesar de ter experiência anterior como paineleiro. A primeira impressão que me deixou é que fala como se tivesse um teleponto à frente, fruto certamente da sua imensa experiência profissional como apresentador de televisão. Isso tem um lado positivo, que é dizer tudo aquilo que quer e como quer. Por outro lado, quando o ouço, o meu cérebro tende logo a desligar porque pensa que está a ver o Praça da Alegria. Pareceu também querer ser muito politicamente correto, para não ofender nenhum dos espetadores dos outros programas que apresenta. Quando falou em Roberto e nos fundos, rapidamente complementou que isso não é um problema só do Benfica, mas também de Porto e Sporting. Não, Jorge. Se queres ser bonzinho com toda a gente, dedica-te apenas ao Verão Total. Casos como o de Roberto não há mais nenhum à face da Terra, por isso os sportinguistas não vão compreender como se desperdiça uma oportunidade destas para alfinetar o rival bem lá no fundo, a tocar na medula óssea.



João Gobern / Trio de Ataque (RTP Informação)

João Gobern é uma figura com quem já simpatizava, das crónicas que faz (ou fazia, já não ouço há uns anos) nas manhãs da Antena 1. Depois começou a ser um interveniente do Zona Mista como comentador isento, até que o apanharam em direto a cerrar um punho a festejar um golo do Benfica muito perto do final, enquanto falava outro interveniente do programa. Foi crucificado, muito injustamente, na minha opinião. O homem não tem culpa que tenham feito um plano de todo o estúdio no preciso momento em que o Benfica ganhava um jogo arrancado a ferros. Qualquer mortal que tenha uma preferência clubística teria feito o mesmo. Foi dispensado do programa (o que não é uma coisa má porque o programa era péssimo) e entrou no Trio de Ataque uns tempos mais tarde para substituir Júlio Machado Vaz -- já vou falar nisso mais daqui a pouco. Gobern é um paineleiro que passa despercebido, paineleiramente falando. Não é carne nem é peixe. De vez em quando tem posturas de uma elevação que surpreendem pela positiva, noutras manda umas alfinetadas completamente despropositadas que não têm nada a ver com o que se está a falar. Foi posto no Trio de Ataque para compensar a injustiça do Zona Mista, mas não tem propriamente queda para este tipo de programas.



No futuro farei posts sobre os restantes programas que sigo ou já segui em algum momento do passado: O Dia Seguinte (SIC Notícias), Prolongamento (TVI24) e Grandes Adeptos (Antena 1). Para terminar, duas menções honrosas relativas ao passado do Trio de Ataque.


Júlio Machado Vaz

Este tipo de programas não são para ser levados a sério. Normalmente ouço-os enquanto trabalho (em vez de estar a ouvir música vou ouvindo o programa). É entretenimento e nada mais do que isso. E dá jeito para arranjarmos argumentos para discutirmos questões clubísticas com os amigos. Estão lá uns tipos que mandam umas bojardas, a malta passa o tempo, e acabou-se.

Júlio Machado Vaz estava claramente no sítio errado quando participou no Trio de Ataque. Era de outro planeta. Um caso em que conseguia colocar tanta inteligência, humor e classe no programa, elevando-o para outra fasquia enquanto falava. Júlio Machado Vaz não tem perfil de paineleiro -- é demasiado inteligente e íntegro. Foi afastado de forma incompreensível (ou talvez não). Ainda bem para ele.


Rui Moreira

Ficámos a saber que não gosta de autos de fé. No século XV as pessoas também não gostavam mas eram homenzinhos para ficar até ao fim.

Rui Moreira numa pertinente intervenção no programa Trio de Ataque


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