sábado, 7 de setembro de 2013

Clube do regime ou presidente do regime?

Achei muito interessante um artigo de opinião escrito por Pedro Santos Guerreiro para o Record. Podem lê-lo aqui na íntegra, mas queria destacar o seguinte:
Já na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo. Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro. Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu.

Estes desenvolvimentos mostram que o Sporting afinou e está a ser financeiramente disciplinado; que o Benfica não tem medo do risco e assume mais dívida; e que o BES ou não aprendeu nada ou está com carências afetivas depois da hecatombe do Sporting.

Ao cortar o financiamento incondicional ao Sporting, os bancos forçaram o clube a mudar de vida muito rapidamente. Mas não foi pela catastrófica liderança do clube ou pelos desastrosos resultados desportivos e financeiros que os bancos fecharam a torneira do pilim. Foi porque o candidato da sua preferência não ganhou as eleições. Ricciardi levou a peito a desfeita que os sócios do Sporting lhe fizeram ao eleger Bruno de Carvalho, e o BES trocou a fatiota de enfermeiro pela de guarda prisional.

Após semanas de indefinição e de negociações que estiveram à beira da rutura, lá se chegou a um acordo. A torneira voltou a abrir mas a conta-gotas, e perante condições muito exigentes que obrigaram o clube a reduzir drasticamente o seu orçamento.

Há um grande mérito da presidência de Godinho Lopes. A cura a que o Sporting está agora submetido até parece indolor porque a fasquia desportiva nunca esteve tão baixa. Usando mais a cabeça e menos a carteira, esta direção deixa antever resultados bem acima do que conseguiram Godinho Lopes e Luís Duque com a técnica do cheque e da vassoura.

A estratégia que Luís Filipe Vieira está hoje a usar parece ser semelhante à de Godinho Lopes. Não há dinheiro, mas investe mais para fortalecer a equipa, com a esperança que os resultados melhorem e consequentemente as receitas. Alto risco, alta recompensa. No caso do Sporting vimos como acabou.

Luís Filipe Vieira ainda está no princípio do mandato para que foi eleito, mas está em vias de arranjar mais uma forma de manter o Benfica como seu refém. Em 2010, poucos dias antes de o Benfica se sagrar campeão nacional, numa AG com a presença de cerca de 100 sócios, foram feitas alterações muito discutíveis aos estatutos:
  • um candidato a presidente deve ter um mínimo de 25 anos de sócio após os 18, ou seja, com 43 anos -- Rui Costa, por exemplo, não se podia candidatar às eleições passadas, e Moniz e Veiga, na altura os maiores opositores de Vieira, também deixaram de se poder candidatar
  • as Casas do Benfica terem direito a 50 votos e as filiais e delegações a 20 votos -- como se os sócios pertencentes a essas casas não tivessem os seus próprios votos individuais
  • alteração da duração de mandato de 3 para 4 anos
  • deixou de haver número limite de reeleições
Podemos somar a estas o lobby da banca. Nas próximas eleições os benfiquistas podem contar com alguém ligado ao BES a lançar o medo perante a perspetiva de outro candidato que não Vieira vencer as eleições.



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