domingo, 13 de outubro de 2013

A polémica das escolhas

É impossível que um selecionador faça escolhas que não sejam contestadas por determinados segmentos da opinião pública. Os adeptos dos clubes, que olham apaixonadamente para os seus jogadores como os melhores do mundo, gostam naturalmente que eles sejam escolhidos para o restrito lote que vai representar o país nas competições internacionais.

Daí ser natural também que exista sempre alguma contestação a alguns dos jogadores escolhidos. Sempre foi assim e sempre continuará a ser.

E eu incluo-me na lista dos contestatários. Enquanto sportinguista que não perde nenhum jogo da sua equipa, seja ao vivo estádio (nos jogos em casa) ou pela televisão (nos jogos fora), custa-me ver Paulo Bento preferir André Almeida a Cédric, Rúben Micael a Adrien, e Josué a André Martins. Custa perceber que perante a indisponibilidade de Raúl Meireles, Paulo Bento opte por Custódio. Pior ainda, a explicação que Paulo Bento deu para a opção por Custódio deixou muito a desejar. Custódio não é de todo um jogador parecido com Meireles, pelo menos na minha opinião, que vale o que vale.

Por isso é fácil criticar Paulo Bento, ainda mais na sequência de um resultado negativo. Mas gostaria de recordar que neste momento andamos a discutir segundas e terceiras escolhas. A titularidade de André Almeida ou Cédric só se discute porque João Pereira, Miguel Lopes e até Sílvio estão indisponíveis. Rúben Micael foi titular porque Meireles se lesionou.

Num passado não tão distante, algumas das escolhas dos selecionadores foram bem mais polémicas. Queiroz decidiu deixar João Moutinho de fora do Mundial da África do Sul, que teve direito à sua própria teoria da conspiração de estar ligado à desvalorização do médio de forma a facilitar a transferência para o Porto. Rui Patrício, na altura já titular do Sporting, ficou de fora e foram convocados Eduardo (que esteve muito bem), Beto e Daniel Fernandes (quem?). Colocou Pepe, um dos melhores centrais do mundo, a trinco (Scolari também já o tinha feito), e preferiu Ricardo Costa a defesa direito no jogo em que fomos eliminados com a Espanha. E poderíamos arranjar certamente outras decisões discutíveis.

Em 2004, Scolari teimou em não utilizar a espinha dorsal do Porto que tinha acabado de ganhar a Liga dos Campeões um mês antes. Os resultados nos jogos de preparação foram quase sempre sofríveis e só depois da derrota no jogo de abertura do Europeu com a Grécia é que Scolari deu a mão à palmatória.

Tirou Rui Jorge, Fernando Couto e Rui Costa, e colocou Nuno Valente, Ricardo Carvalho e Deco. A seleção passou a jogar no onze com Paulo Ferreira, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche e Deco. Depois da vitória no segundo jogo ainda tirou Simão e colocou Cristiano Ronaldo, e só aí ficou definido o onze que conseguiu o melhor resultado internacional da nossa história.

Paulo Bento é teimoso, conservador e tem certamente as suas limitações. Mas antes de o condenarem comparem a matéria-prima que ele tem à disposição com a que os seus antecessores tiveram. E comparem o nível de decisões polémicas que andamos a discutir agora, com as que aconteceram nos tempos de Queiroz e Scolari.

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