terça-feira, 29 de outubro de 2013

Crime sem castigo

Não deve haver tolerância para situações em que indivíduos se deslocam a um evento desportivo com o objetivo de insultar e agredir outros.

As imagens que passaram nas televisões antes do início do Porto - Sporting mostraram-nos cenas lamentáveis, e merecem o repúdio de todos aqueles que prezam a ordem pública e que gostam de se deslocar ao estádio para assistir a um jogo de futebol sem terem que temer pela sua segurança.

Neste caso a confusão foi armada por um conjunto de cerca de 100 indivíduos que acabaram detidos e, segundo a PSP do Porto, são apoiantes do Sporting. No entanto, é preocupante que esta mesma PSP do Porto não atue com a mesma prontidão quando os agressores são membros das claques do clube anfitrião. Voltaram a existir casos neste fim-de-semana em que as claques e responsáveis do Porto fizeram o que quiseram na mais perfeita impunidade, perante a complacência das forças de segurança que têm como responsabilidade a proteção de todos aqueles que se deslocam ao estádio.

Não é preciso viajar muito no tempo para demonstrar a tolerância que a PSP do Porto demonstra em função das cores dos agressores. No final de Julho deste ano, o Celta de Vigo deslocou-se ao Dragão para um jogo particular. No dia seguinte, jornais insuspeitos da Galiza relataram o clima de terror que os adeptos do Celta viveram na deslocação à cidade do Porto. Aqui ficam algumas passagens:
En un compromiso para el que el celtismo se había movilizado de una forma sorprendente en pretemporada, y ante un equipo que algunos consideran «hermano», se encontraron con una actitud hostil por parte de la hinchada rival que les hizo «pasar mucho miedo». Para algunos, la cosa fue más allá, llegando a sufrir violencia física y verbal, así como robos.
«No disfrutamos del partido, ya era lo de menos. Queríamos salir de allí cuanto antes», dice sobre la que considera «la peor experiencia» de su vida en un campo de fútbol. Los problemas habían empezado ya al mediodía. «Los reventas nos amenazaron y no nos dejaban acceder a las taquillas», recuerda. Luego se refugiaron en un centro comercial. «Te mataban con la mirada. Nos sentíamos vigilados y vimos gente con labios rotos. Fue horroroso», lamenta.
«Fue todo una salvajada. Había gente con guantes de boxeo. Una batalla campal», dice Amador, de la Peña Jorge Otero. Él iba con sus hijos: «Si estoy solo y tengo que chupar dos bofetadas me preocupa menos, pero con los niños...», subraya. «Fue peor que un derbi en Coruña»

Não consta que alguém tenha sido detido pela PSP do Porto após os acontecimentos acima descritos.

Voltando ao jogo do último domingo, os episódios lamentáveis não se limitaram às agressões a adeptos. O comunicado divulgado pelo Sporting descreve outros acontecimentos que não surpreendem ninguém. É mais que evidente para todos que toda a estrutura do Porto (desde os dirigentes de topo até a quem vende bilhetes e limpa o chão, passando pelas empresas privadas de segurança e pelas claques) cerra fileiras para intimidar, insultar e agredir os dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos adversários. Adversários não, inimigos, porque trata-se de um clima de guerra aberta para quem tem que frequentar aquelas instalações. Isto é tão verdade para o futebol como para outras modalidades, contando sempre com uma atitude passiva da Polícia de Segurança Pública.

Quando Bruno de Carvalho referiu que esperava ser recebido de forma hostil, era precisamente a isto que se referia. E só alguém muito ingénuo é que pode acreditar que as declarações do presidente do Sporting foram a causa dos desacatos de domingo. Pelo contrário, as declarações do presidente do Sporting eram uma constatação lógica em função do historial de 30 anos destas práticas continuadas sempre que um rival visita o Estádio do Dragão, garantidamente sem quaisquer consequências para os agressores e provocadores.

Considero-me uma pessoa civilizada. Se em Alvalade algum portista se sentar ao meu lado, pode apoiar a sua equipa e festejar livremente pois, da parte que me toca, tem todo o direito de o fazer. Se eu vir outros sportinguistas a tentarem maltratar esse adepto, podem ter a certeza que o defenderei. Mas perante esta máfia que coloca constantemente em causa a integridade física e psicológica de terceiros, e refiro-me explicitamente aos dirigentes de topo e às claques do Porto, tudo o que lhes possa acontecer não será metade do que merecem. Em relação a esses energúmenos, a esses criminosos, chega de dar a outra face. Se algum tipo de justiça lhes for aplicada, mesmo que não seja a dos tribunais, não vai ser de mim que sairá algum lamento.

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