quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O acessório e o essencial

Terminou mais uma angustiante fase de qualificação da seleção portuguesa. Já disse aqui tudo o que tinha para dizer em relação a falta de atitude que mais uma vez demonstrámos. Este grupo de jogadores pode estar longe da equipa de Figo e companhia, mas tinha a obrigação de terminar o grupo em primeiro pois tem melhores jogadores que a Rússia. Mas desde que Portugal se qualifique para a fase final do mundial, a qualidade demonstrada pela equipa na fase de qualificação é algo de acessório.

Continuo a acreditar que Paulo Bento tem o perfil certo para retirar o rendimento máximo dos jogadores que escolher para irem ao Brasil. E, uma vez estando na fase final, acredito que a seleção conseguirá um excelente desempenho. Se não apanharmos um Brasil, Espanha ou Alemanha logo nos oitavos de final ou nos quartos de final, poderemos fazer uma carreira memorável. E isso é o essencial. Ninguém gosta de ir a uma grande competição para ficar de fora ao fim de 3 jogos.

Acredito, portanto, que Paulo Bento é a pessoa indicada para ser o selecionador nacional.

Mas a falta de senso comum que tem demonstrado em determinadas decisões diminuem-lhe a margem de manobra, mesmo para o julgamento de pessoas que o defendem, como eu.

Não se percebe porque tirou Bruma de um jogo de qualificação dos Sub-21 para o sentar no banco no jogo com o Luxemburgo.

Não se percebe porque demorou 30 minutos após a expulsão do jogador do Luxemburgo para retirar Miguel Veloso e colocar um jogador mais ofensivo.

Não se percebe porque continua a apostar em jogadores que demonstram continuamente um rendimento fraquíssimo na seleção, como Hugo Almeida e Rúben Micael, e não dá oportunidades a outros jogadores com mais vontade de demonstrar o que valem, como Eder e André Martins.

Não se percebe porque fecha os olhos a jogadores num excelente momento de forma, como Danny, e prefere utilizar jogadores que pouco têm demonstrado nos últimos meses.

Não se percebe porque convocou 25 jogadores para estes dois jogos quando tem a tendência de utilizar sempre os mesmos, independentemente da qualidade demonstrada pelos seus preferidos.

Não se percebe porque não conseguiu motivar a equipa para procurar a vitória por 6-0. Estando a ganhar ao intervalo por 2-0, com mais um jogador, como é que não conseguiu passar essa mensagem? A Rússia poderia até nem perder o seu jogo, mas a seleção tinha a obrigação de fazer o suficiente para poder aproveitar um eventual deslize dos russos. E já agora por respeito ao público.

É que tudo isto, não sendo essencial, desgasta. Dois anos contínuos de desgaste, de exibições fracas e resultados abaixo do esperado fazem muitos danos à imagem do selecionador, e sobem a fasquia de exigência para a fase final.

Eu respeito as decisões que Paulo Bento toma nesta estranha gestão dos jogadores, em prol de ter um grupo mais unido. Mas isso reduz a tolerância dos apoiantes da seleção no caso de nem tudo correr bem quando for verdadeiramente a doer. Por isso Paulo Bento precisa de cumprir os mínimos na fase final do Mundial. E para mim os mínimos são os quartos de final. Independentemente de apanharmos ou não um grupo de morte e depois a Espanha nos oitavos. 

Se passarmos o play-off, claro.

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