sábado, 23 de novembro de 2013

Uma nova fórmula vencedora

O Porto é um clube onde se trabalha bem em todos os aspetos que possam ter influência no sucesso da equipa.

Um desses aspetos é a contratação de jogadores, em que o Porto é um modelo para toda a Europa. O velho continente fica de boca aberta perante a capacidade dos portistas descobrirem jogadores desconhecidos, comprando mais ou menos barato e vendendo por dezenas de milhões passados uns anos.

in marca.com

Por exemplo, o Porto foi pioneiro no filão colombiano. Primeiro com Guarín em 2008, Falcao em 2009, James em 2010, Jackson em 2011 e Quintero em 2013, com o aproveitamento que se conhece.

Com 5 anos de atraso, o Sporting lá percebeu o bem que se trabalha no Porto e foi buscar Montero, com os resultados que temos testemunhado.

A fórmula colombiana do Porto seguiu-se a uma outra fórmula que foi explorada durante anos por Pinto da Costa e seus pares: o filão argentino.

O filão argentino teve o seu início na sequência da época desastrosa de 2004/05, que veio na ressaca das conquistas de Mourinho. Meia equipa campeã europeia foi vendida e o Benfica de Trapattoni acabou por ganhar o campeonato sem saber ler nem escrever.

Com as contratações bem sucedidas, no princípio de 2005/06, de Lucho González e Lisandro Lopez (o bom, não me refiro a defesas centrais que fizeram escala em Lisboa), o Porto retomou a hegemonia do futebol português que perdera brevemente no ano anterior.

A partir daí, a sagacidade dos dirigentes do Porto levou-os, nos anos que se seguiram, a concretizar uma série de outras contratações na Argentina. Ficará na história do Porto o legado deixado pelos ilustres argentinos que foram chegando ao clube, como Lucas Mareque (2006), Ernesto Farías (2007), Mariano González (2007), Mario Bolatti (2007), Nelson Benitez (2008), Tomás Costa (2008), Andrés Madrid (2008), Sebastien Prediger (2009), Fernando Belluschi (2009), Diego Valeri (2009), e que terminou com Otamendi (2010) e Iturbe (2011). Cerca de €30M foram gastos nestes 12 jogadores, com todo o proveito desportivo e financeiro que sabemos que o Porto daí retirou. Otamendi parece um pouco deslocado nesta lista, mas só custou €4M.

Mais recentemente, o departamento de futebol do Porto, sempre à frente dos outros, descobriu um novo filão. No mercado de inverno de 2011/12, o Porto recuperou Lucho González, que se veio a revelar uma peça fundamental para a conquista do campeonato desse ano.

A inteligência prática dos responsáveis do Porto gerou um novo paradigma: a contratação em Janeiro de jogadores experientes, com conhecimento do clube e/ou do campeonato português, a custo zero, pode dar um contributo decisivo para colmatar falhas no plantel, e sem desequilibrar as contas.

Daí que, no mercado de inverno de 2012/13, o Porto tenha tirado dois coelhos da cartola que deixaram o futebol português rendido à astucia dos dirigentes azuis e brancos. Liedson e Izmailov foram jogadas de mestre que tantos dividendos trouxeram ao Porto, e que simultaneamente tiveram o mérito de expor a péssima forma como se trabalha no Sporting.

Para já não passam de rumores insistentes, mas não espanta que se fale agora no regresso de Ricardo Quaresma ao Porto. O Harry Potter parece ser o extremo desejado para uma posição que nem Ricardo nem Licá nem Josué nem Varela nem Kelvin conseguem preencher. Isto apesar de Quaresma não jogar desde Maio, de ter sido operado ao joelho em Junho, e de ter tido a última época de sucesso em 2008. Quaresma promete ser o próximo número de magia da mais fantástica e infalível estrutura de futebol que a Europa já conheceu.

A confirmar-se, trabalha-se bem no Porto.

4 comentários :

  1. "Ficará na história do Porto o legado deixado pelos ilustres argentinos que foram chegando ao clube, como Lucas Mareque (2006), Ernesto Farías (2007), Mariano González (2007), Mario Bolatti (2007), Nelson Benitez (2008), Tomás Costa (2008), Andrés Madrid (2008), Sebastien Prediger (2009), Fernando Belluschi (2009), Diego Valeri (2009), e que terminou com Otamendi (2010) e Iturbe (2011). Cerca de €30M foram gastos nestes 12 jogadores, com todo o proveito desportivo e financeiro que sabemos que o Porto daí retirou. Otamendi parece um pouco deslocado nesta lista, mas só custou €4M."

    e assim se atira areia para os olhos das pessoas..gastam-se 30 milhões (ou mais) nestas amostras de jogadores e ainda se diz que pelo dragão se trabalha bem...não fosse o "sistema" estar implementado e queria ver essa gestão ;)

    já para não falar nos últimos 3 meses de salários pagos pelo jorge mendes aos jogadores do porto no final da época passada, os jogadoresdas modalidades a pedirem dinheiro para comer ou ainda fecharem-se modalidades com a desculpa do orçamento para o futebol...realmente trabalha-se bem para os lados do norte...e a palavra gestão aplica-se que é uma maravilha lo0ol...uma equipa que ganha tanto e mesmo assim tem problemas de tesouraria..fantástico

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    1. Pedro Jorge, é isso mesmo. É indiscutível que o Porto tem dirigentes que percebem muito de futebol, com Pinto da Costa à cabeça. Acertam em muitas contratações, é um facto. Mas falham mais do que acertam. Na minha opinião não justificam a aura de infalibilidade que meio mundo lhes dá.

      E concordo consigo na questão do sistema. Um clube como o Sporting tem pago sistematicamente nos últimos 30 anos as falhas da sua gestão. O Porto não tem esse problema, há sempre alguma coisa que os ampara quando as coisas começam a ameaçar descambar por falta de competência. E lá continuam a ganhar, a valorizar os jogadores e a aproveitar as receitas da Liga dos Campeões.

      Mesmo assim os resultados financeiros deste ano do Porto foram deliciosos. Apresentarem €20M de lucro num exercício em que venderam Hulk, Álvaro Pereira, James e Moutinho por €120M e em que foram aos oitavos de final da Champions parece não causar estranheza a ninguém.

      Obrigado pelo comentário e um abraço.

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  2. Daí que, no mercado de inverno de 2012/13, o Porto tenha tirado dois coelhos da cartola que deixaram o futebol português rendido à astucia dos dirigentes azuis e brancos. Liedson e Izmailov foram jogadas de mestre que tantos dividendos trouxeram ao Porto, e que simultaneamente tiveram o mérito de expor a péssima forma como se trabalha no Sporting.
    QUEM ESCREVEU ISTO DEVIA ESTAR COM UMA BEBEDEIRA DAQUELAS. MESMO ESTÚPIDO SEM SABER O QUE DIZ.

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    1. Caro anónimo, posso assegurar-lhe que a minha taxa de álcool no sangue era de 0.0 no momento em que escrevi este texto. Em relação ao meu nível de estupidez não posso contrariá-lo, porque se trata de uma apreciação subjetiva e a sua opinião é tão válida quanto a minha.

      Não consigo avaliar os motivos que estão por detrás da sua crítica: se não percebeu a ironia subjacente ao texto peço-lhe que o volte a ler -- o objetivo é mostrar que a estrutura do Porto, apesar de indiscutivelmente competente, não é infalível e comete um enorme número de erros que vão sendo ignorados pela opinião pública. O estilo com que o fiz pode de facto levar a más interpretações porque pode não ser muito evidente o raciocínio invertido que utilizei.

      Se o caro anónimo percebeu a ironia do texto e acredita que a estrutura do Porto é infalível, espero que continue a aplaudir contratações como as de Reyes e Herrera, onde o Porto gastou €20M (praticamente o orçamento do Sporting para este ano) sem conseguir compensar as saídas de Moutinho e James. Dinheiro mal gasto nos meus adversários vale quase tanto quanto o dinheiro bem gasto no meu clube.

      De qualquer forma, convido-o a fazer os seus comentários sempre que entender, mas se não concordar comigo peço-lhe que exponha os seus argumentos sem partir imediatamente para o insulto. É muito mais interessante assim.

      Cumprimentos.

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