quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A auditoria de gestão

in sporting.pt

Acho muito bem que se faça a auditoria de gestão. Foi um assunto quase consensual durante a campanha eleitoral e por isso tem que ser levada até ao fim.

No entanto, há três coisas que não gosto neste planeamento:
  • Creio que faria mais sentido começar do mandato mais distante para o mandato mais recente, porque as decisões tomadas por uns estão muitas vezes ligadas a consequências de decisões tomadas pelos seus antecessores.
  • Durante um ano, de 3 em 3 meses, o Sporting estará nas bocas do mundo pelos piores motivos, pois as conclusões da auditoria serão reveladas no final de cada uma das fases. Vai ser um processo agonizante se os piores cenários se confirmarem.
  • A divulgação dos resultados da auditoria referente ao mandato de Godinho Lopes e à gestão imobiliária dos últimos 18 anos será feita em Março de 2014. É razoável assumir que será nesta fase em que mais decisões controversas serão encontradas. O pior é que isto vai coincidir com uma fase decisiva do campeonato (por exemplo, o Sporting recebe o Porto a 16 de Março) e não sabemos à partida se algumas das decisões controversas não envolverão, direta ou indiretamente, jogadores que ainda fazem parte do plantel.

Compreendo o princípio da divulgação imediata das conclusões da auditoria, mas parece-me mais sensato que estas fossem apresentadas de outra forma: as fases 1 e 2 em Junho de 2014, e as restantes no final da auditoria (Março de 2015).

No primeiro caso o campeonato já terminou e não se colocarão ameaças à estabilidade. No segundo, apesar de a época desportiva ainda estar em pleno curso, os objectos da auditoria estão suficientemente afastados no tempo para poderem provocar efeitos secundários relevantes na atividade corrente do clube.

E se os responsáveis ponderarem fazer a alteração das datas de apresentação dos resultados das diferentes fases, é melhor que o anunciem o quanto antes. Se o fizerem com a auditoria já a decorrer serão inevitáveis todo o tipo de especulações, que poderão ser ainda mais danosas para a estabilidade do clube.

A auditoria de gestão deve ter o benefício do Sporting como prioridade máxima. Transformá-la num circo que poderá ter consequências negativas na estabilidade do clube em alturas em que os campeonatos se decidem, será acima de tudo um tiro no próprio pé.

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