domingo, 22 de dezembro de 2013

À falta de terrenos pesados, apareceu o pântano


À falta de terrenos pesados que iriam ser mais um teste ao líder do campeonato, apareceu o pântano. Teste não superado.


O Sporting entrou bem. Com dinâmica, a revelar facilidade em se aproximar da área do Nacional, que no entanto não se traduziram em muitas oportunidades de perigo pelo facto os jogadores não terem revelado um nível de execução à altura das ideias que demonstravam em campo.

A meio da primeira parte o jogo começou a mudar. Manuel Mota começou a exibir um critério impossível de compreender. Montero não salta a uma bola aérea, o adversário cai sem que Montero se tenha se quer baixado, falta contra o Sporting. Montero salta a uma bola, o adversário que a está a disputar baixa-se, desequilibrando o jogador do Sporting, não há falta. Lançamentos trocados. Fora-de-jogo inventado. Faltas por assinalar. Permissividade ao anti-jogo do Nacional. Foram tantos os casos, que a maior ovação da primeira parte aconteceu quando o árbitro finalmente assinalou uma falta contra o Nacional.

Nenhum destes erros foi grave, mas a soma deles foi o suficiente para destruir a dinâmica que o Sporting demonstrara até então, ao mesmo tempo que deu o sinal aos homens do Nacional que estavam na Happy Hour do anti-jogo e das entradas à margem da lei.

Não terminaria a primeira parte sem que Jefferson fosse atingido de forma violentíssima. O cartão vermelho parecia inevitável, mas Manuel Mota nem falta marcou. Para piorar, André Martins lesiona-se, obrigando Leonardo Jardim a colocar Slimani em campo ao intervalo.

A segunda parte foi uma continuação das dificuldades que o Sporting revelou na segunda metade da primeira parte. As ocasiões de golo conseguidas foram escassas, quase todas através de Slimani. O Nacional também foi extremamente perigoso, com quatro setas constantemente a procurarem explorar situações de contra-ataque.

Mas a segunda parte (e o jogo) fica marcado pelo golo anulado a Slimani. Já estava eu a festejar há vários segundos quando ouço ao meu lado que o árbitro tinha anulado o golo. Não quis acreditar. Ainda não quero acreditar. E o jogo acabou aqui.

É que depois disto era impossível os jogadores não sentirem a tão badalada pressão. Sentiram-na e bem. Esta pressão era bem visível e vestia de amarelo, com uma aura em tons de outras cores primárias.

É verdade que podemos apontar algumas falhas à equipa. A entrada de Mané e Wilson não mexeu com o jogo. Não percebo porque não se procurou jogar mais pelos flancos à procura do cruzamento para a área (foi assim que surgiram as melhores oportunidade do Sporting) em vez de se insistir em jogar pelo meio. Também foi visível alguma falta de concentração da nossa defesa em lances que podiam ter acabado em golos do Nacional.

Mas o que fica para a história é o empate num jogo em que o Sporting fez o suficiente para ganhar. Incluindo marcar um golo limpo a mais do que o adversário. E isto tudo apesar do pântano que só parecia dificultar os movimentos dos jogadores da casa.

P.S.: ao voltar do estádio vinha no carro a ouvir a Antena 1. Estavam cheios de pressa em acabar com a emissão, coisa que fizeram às 22h45, já tendo a informação de que o presidente do Sporting iria falar. Para dar algum programa que costuma passar a esse horário? Para dar alguma notícia de última hora? Não, foi para poderem passar umas músicas portuguesas até ao noticiário das 23h. Como tal, não transmitiram a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho, que curiosamente terminou às 23h em ponto.

P.S.2: vi há pouco a gravação do jogo, para poder rever os lances mais polémicos. A repetição do fora-de-jogo mal assinalado a Montero não teve direito à linha amarela que ajuda a dissipar as dúvidas. O lance da falta duríssima sobre Jefferson só teve direito a uma repetição, de uma câmara bem afastada. Árbitro e Sport TV pareceram bem coordenados.

10 comentários :

  1. "deu o sinal aos homens do Nacional que estavam na Happy Hour do anti-jogo e das entradas à margem da lei."

    Muito bom...

    Já agora, com o jogo de hoje como é que o Sporting ficará na Liga da Verdade do Rui Santos? Ainda dará para estar numa posição que permita o acesso à Europa?

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    1. Cantinho, vamos esperar pelo Rui Santos, mas para já as capas dos jornais já fazem os possíveis por ignorar o que se passou ontem. A indignação generalizada pelo penalty marcado contra o Belenenses parece ter-se evaporado. Um abraço.

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    2. Onde anda o "Pecado Original" apregoado no passado domingo?

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    3. Boa pergunta... se calhar é proibido falar de pecados originais na semana de Natal...

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  2. Já vi as capas dos jornais desportivos (através de uma aplicação, pois recuso-me sequer a dar-lhes visitas nos sites) e pude constatar o que previa... A jornada passada todos gritavam acerca do penalty mal assinalado a favor do SCP, hoje nenhuma referência pejorativa ao lance do Slimani. De facto já tardava estas manobras concertadas do sistema.

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    1. Luke, também já passei os olhos pelas capas dos jornais. Se não tivesse visto o jogo, ficaria a pensar que foi uma noite de futebol normal. O que é importante é que se fez história, porque estão os 3 empatados na liderança. Os três reis magos. Não há referência a tribunais, não há um dedo apontado a uma das arbitragens mais tendenciosas do ano. Tudo normal, portanto.

      Obrigado pelo comentário e um abraço.

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  3. Tenho andado afastado por ter sido recentemente operado a um hérnia inguinal. Hoje porém já me sinto com forças para gritar a minha revolta pelo aparecimento do Sistema,Polvo,ou como lhe quiserem chamar.Veio de mota,porque já vinha atrasado,e a onda verde ameaçava atingir proporções demasiado perigosas.Impressionante como se fala em critério largo dum assalariado do sistema...Para mim foi antes um critério bem apertado,e bem evidente,para impedir a fuga para a nossa vitória,condicionando SEMPRE os nossos jogadores.A coisa a partir dos vinte e tal minutos tornou-se de tal modo evidente,que eu comentei para a minha mulher: vais ver que daqui a nada começam os cartões para jogadores nossos.Meu dito meu feito, e ficou em 4 a 1 em benefício de quem usou toda a violência e artimanhas,com o beneplácito do talhante de Vila Flor.Resignados diremos nós que era de esperar que mais cedo,ou mais tarde nos fariam a cama!...E com a pseudo indignaçâo de um tripeiro( Tavares Teles) e um lampiurso(A,Figueiredo) ácerca do discurso do nosso presidente.Logo eles,uns modelos de pureza e dignidade,em directo na Rtp informação!!!Não há dúvida o Polvo está bem vivo e recomenda-se nesta versão bicéfala.E ainda querem que acreditemos que desejam que o nosso futebol seja credível !...BAH,deixem-me rir,mesmo que não tenha vontade. Boas Festas ,Mestre e um abraço.

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    1. Francisco, revolta é o único sentimento que podemos ter perante a vergonha que assistimos ontem. Esteve bem Bruno de Carvalho a apontar o dedo a quem manda realmente no futebol, porque a postura de aceitar passivamente as encomendas feitas a árbitros dos nossos jogos de nada nos servirá.

      O sucesso de Manuel Mota veio juntar-se aos que Duarte Gomes e Carlos Xistra já haviam conseguido. Bruno Esteves (no Sporting - Marítimo) e Jorge Sousa (no Gil Vicente - Sporting) bem tentaram, perdoando cartões vermelhos aos nossos adversários por agressões. Mas o que realmente a comunicação social acha que se deve condenar são os foras-de-jogo de Montero e o penalty fora-da-área.

      Esperemos que os jogadores, técnicos e direção consigam canalizar esta revolta para pôr a equipa a jogar cada vez melhor, porque está visto que precisamos de ser muito superiores ao Benfica e Porto para podermos ambicionar um dia voltar aos títulos.

      Francisco, ficam também os meus votos de uma recuperação rápida da cirurgia e um excelente Natal! Um abraço.

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  4. O meu primeiro comentário aqui só para demonstrar a minha indignação. É impossível anular aquele golo sem má fé. Curiosamente é daqueles árbitros com cara de irritante, como olegario e d. Gomes.... Vem aí mais um paixão. O benfas está a pó-los a rodar outra vez...

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    1. Caro Metralha, eu diria mesmo que considerando todos os erros cometidos, só pode ser má-fé. Não o encontrou a fazer um estágio sobre ladroagem consigo ou com algum dos seus irmãos? :)

      Obrigado pelo comentário e um abraço.

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