sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Atestado de incompetência

É normal ouvir nos dias que correm os treinadores a salientarem a importância do processo de treino e do trabalho diário feito com os jogadores.

Parece-me algo que faz sentido. O treino permite aperfeiçoar o comportamento de um jogador dentro de campo, seja em função do adversário, seja em função das decisões tomadas pelos companheiros de equipa.

Muito deste trabalho é feito na pré-época, mas também com a época em andamento, sempre que a carga de jogos semanal assim o permitir.

É por isso que não compreendo muito bem o motivo pelo qual muitos jogadores adquiridos no mercado de inverno são lançados de imediato pelos treinadores.

Aceita-se se estivermos a falar de um jogador com ritmo de jogo e com uma qualidade muito superior à das outras alternativas que já existiam no plantel. No entanto, é raro que em Janeiro os clubes portugueses se consigam reforçar com jogadores dessa qualidade.

Lembro-me, no Sporting, de ver Renato Neto ser lançado por Domingos a 7 de Janeiro contra o Porto, poucos dias depois de ter regressado do empréstimo ao Cercle, ou de Cristiano, que 4 dias depois de ser apresentado como reforço já era utilizado para o campeonato por Paulo Sérgio no jogo em que Liedson se despediu. Curiosamente nem Renato Neto nem Cristiano jogariam muito mais vezes pelo Sporting.

Como é evidente, este comportamento não é exclusivo do Sporting. Paulo Fonseca chegou a convocar Quaresma para a Taça e afirmou que o sentia em condições de dar o seu contributo ao Porto. Num jogo com o Atlético até me parece razoável que Quaresma fosse utilizado, mesmo atendendo que não fazia um treino de conjunto há mais de 6 meses. É um jogo teoricamente fácil e que pode ser aproveitado para dar ritmo competitivo ao jogador.

Por questões burocráticas o jogador não pôde ser utilizado, e não foi possível avaliar o estado de Quaresma em competição. Será que Paulo Fonseca o irá utilizar com o Benfica? Se sim, estará a passar um atestado de incompetência aos jogadores que deixar de fora.

Considerar que jogadores como Licá, Quintero, Ricardo, Kelvin ou Josué, após meses de treinos a assimilar as ideias do treinador, estão menos aptos para contribuir para o sucesso do Porto do que um jogador que há 3 anos que não joga ao mais alto nível e que só fez meia dúzia de treinos desde que chegou ao clube, deve ser uma realidade particularmente dura de suportar para quem ficar de fora.

E, na verdade, também não abona muito a favor do treinador que os orienta há meses, mas que mesmo assim toma a decisão de pôr em campo num jogo importantíssimo um jogador que mal conhece.

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