quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Outra visão sobre Eusébio e o Panteão

Já escrevi que tenho a opinião que Eusébio merece a homenagem nacional de ter direito a repousar no Panteão. No entanto, sei que muitas pessoas não concordam, achando que se tratou acima de tudo uma personalidade ligada ao Benfica e, como tal, não suficientemente consensual para esta distinção.

O blog Reflexão Portista, que costumo seguir, publicou um texto em que se opõe à colocação dos restos mortais de Eusébio no Panteão. Usa argumentos perfeitamente válidos, nomeadamente a ausência de êxitos continuados da seleção numa altura em que havia uma base de jogadores suficientemente boa para ter estado em variadíssimas finais europeias de clubes, e também aponta com muita razão para o aproveitamento dos partidos políticos de toda esta situação.

Fica aqui o link para o artigo. Como já referi, é uma opinião diferente da minha, mas é um ponto de vista interessante e bem fundamentado que enriquece o debate sobre a questão. E é uma questão que deve ser debatida, e ser mais do que uma mera formalidade processual que começa e acaba numa votação unânime por parte do parlamento só porque os partidos políticos não querem ficar fora da carroça da popularidade de Eusébio e amealhar um punhado de votos à conta disso.

4 comentários :

  1. Caro Mestre de Cerimónias, nesta questão estou mais inclinado para a posição defendida pela Reflexão Portista.

    Porquanto a maioria dos feitos de Eusébio são atingidos com a camisola do Benfica. Além de que reduzir toda a grande geração futebolistas portuguesesa da decada de sessenta ao Eusébio como tem sido feito revela uma falta de memória e humildade extraordinária.

    Por exemplo Coluna foi um grande médio, o nosso Hilário que marcou Péle no jogo com o Brasil também foi um defesa extraordinário.

    Então Ronaldo merece o Panteão e muito mais dado que com ele já fomos a uma final de um Europeu, uma meia final do euro 2012, uma meia final do mundial de 2006 entre outras honras.

    SL

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    1. Green Lantern, acho essa linha de raciocínio perfeitamente legítima. Eu vejo os feitos de Eusébio como heróicos de um ponto de vista nacional, mas é uma interpretação subjetiva, pelo que compreendo quem não pense da mesma forma que eu.

      E é verdade que as pessoas se esqueceram tão facilmente dos outros jogadores da década de 60. Tanto que a primeira Taça dos Campeões (em 1961) é ganha ainda sem o Eusébio, que só jogaria pelo Benfica na época seguinte. Se Águas, Coluna, José Augusto e outros conseguiram formar a melhor equipa da Europa sem Eusébio, é porque havia ali muito valor. Estaria o Eusébio assim tão acima dos seus colegas que conseguiram ser campeões europeus sem a sua participação?

      O José Águas marcou 11 golos em 7 jogos nessa campanha. No ano seguinte, em que voltaram a ser campeões europeus, Águas marcou 6 golos e Eusébio 5.

      Um abraço.

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    2. Não sou nenhum expert em história do Benfica mas gosto do fenomeno do futebol e de facto esse Benfica dos anos sessenta era uma grande equipa com grandes jogadores. Pelo que sempre me fez confusão o esquecimento de figuras como José Águas, Torres, Coluna e até Mário Simões.

      Só Eusébio teve direito a uma estátua. Ora, mesmo estando de fora acho que deveriam ter feito como o Man United que tem as suas grandes figuras dos anos sessenta imortalizadas como Law, Charlton e Best.

      Mesmo em Alvalade sei que o dinheiro não abunda mas em vez de uma estatua do leão gostava de ver os 5 violinos imortalizados em estátua.

      SL







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    3. Sim, os 5 violinos. Felizmente a nossa história soube fazer-lhes justiça de uma forma bem mais abrangente e menos individualista.

      Também gostava que houvesse um monumento para relembrar esse momento da história do clube, mas com uma ressalva. Não podíamos fazer isso sem fazer o mesmo a outras figuras da história do clube como Carlos Lopes, Livramento ou Joaquim Agostinho.

      Se há algo que o Sporting tem que Porto e Benfica não têm, são referências mundiais noutros desportos, e é precisamente aí que reside a nossa diferença enquanto clube desportivo.

      Talvez quando a situação financeira do Sporting esteja melhor se possa pensar nisso. Um abraço.

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