quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tendências tribunalescas

Para matar uma curiosidade que tinha, estive a fazer um pequeno tratamento estatístico às opiniões de Jorge Coroado, Pedro Henriques e José Leirós no espaço Tribunal O Jogo.

Usei como universo as análises dos últimos 30 jogos (ou seja, todos os que foram publicados pelo blog Conversas da Bola), correspondendo a um total de 126 lances.

O objetivo desta análise é muito simples, procurando responder a duas questões: 

1º Qual a percentagem de ocasiões em que os antigos árbitros "decidiram" a favor de Benfica, Porto e Sporting nos lances analisados?

2º Qual o grau de concordância de Coroado, Henrique e Leirós com a decisão dos árbitros das partidas analisadas?

Note-se que não há aqui qualquer julgamento da minha parte sobre se os árbitros dos jogos e os juízes do Tribunal O Jogo têm ou não razão na sua apreciação, nem tão pouco qualquer exercício meu para determinar qual dos três tem mais vezes razão. Limito-me a constatar se as opiniões de Coroado, Henriques e Leirós foram ou não a favor do Benfica, Porto e Sporting, e se concordaram ou não com a decisão do árbitro.

Vamos então aos resultados.


Exemplos de como se devem ler os quadros acima: 
  • em 60% dos lances analisados em jogos do Benfica, Coroado decidiria a favor do Benfica; 
  • em 61% dos lances analisados em jogos do Porto, José Leirós decidiria a favor do Porto; 
  • em 54% dos lances analisados em jogos do Sporting, Pedro Henriques decidiria a favor do Sporting;
  • em 65% de todos os lances, José Leirós concordou com a decisão do árbitro.

Constatações:
  • há uma certa harmonia no que toca aos casos do Benfica, entre 53% e 60%;
  • nos lances do Porto existe uma enorme disparidade: Coroado apitaria apenas 39% das vezes a favor do Porto, em oposição a Leirós, que daria razão aos portistas em 61% das ocasiões;
  • nos lances do Sporting verifica-se o contrário: Coroado apitaria a favor do Sporting em 62% dos lances, contra os 46% de Leirós;
  • Pedro Henriques parece, sempre que possível, dar o benefício da dúvida aos árbitros, pois está de acordo com eles em 70% das situações analisadas; Coroado parece ser do contra: concorda com a decisão do árbitro em menos de metade dos lances.
Agrupando os resultados em função do árbitro:


  • Coroado parece ser bastante mais compreensivo com os clubes de Lisboa; em oposição, não parece ser muito solidário com os árbitros e demonstra alguns anti-corpos em relação ao Porto;
  • Pedro Henriques, que tem sempre uma postura muito pedagógica nas suas análises, seja na TVI seja em O Jogo, parece sempre procurar um ponto de convergência com a decisão do árbitro;
  • Leirós parece ser o homem do norte; é o único que aparenta ser mais compreensivo com as dores do Porto, tendo pouca simpatia com o ponto de vista sportinguista.
Como escrevi no princípio, não estou a tirar daqui nenhumas conclusões, pois não estou a levar em conta se a opinião dos ex-árbitros é correta ou não. É apenas uma constatação das suas opiniões. Mas a verdade é que:

1. Não fiquei surpreendido com os resultados, estão em linha com a ideia que tinha dos três ex-árbitros;
2. É incrível a disparidade de opiniões que três ex-árbitros conseguem ter na análise dos mesmos lances, sem a pressão do tempo para decidirem e com inúmeras repetições para poderem dar a sua opinião.

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