domingo, 16 de fevereiro de 2014

Meia resposta

Vou começar por tirar o elefante do meio da sala: o Sporting jogou muito mal na segunda parte. Chegou a ser confrangedor ver os nossos jogadores fazerem uma enorme quantidade de asneiras perante uma das piores equipas do campeonato. Os últimos minutos acabaram por ser angustiantes, não tanto pelo perigo que o adversário causou (o lance mais perigoso foi um ressalto de bola que passou perto da baliza), mas pela tradicional fatalidade que faz questão de surgir em jogos que não soubemos (ou não nos deixaram) matar a tempo e horas.

Após o apito final, senti um misto de alívio e irritação. Mesmo assim fiquei incrédulo, enquanto descia as escadarias do estádio já com o auricular do rádio no ouvido, ao ouvir Nuno Matos, da Antena 1, dizer que foi melhor o resultado que a exibição. Melhor o resultado que a exibição? Absurdo. Ou Nuno Matos deixou-se ir por um cliché sem pensar, olhando apenas para os últimos 5 minutos de jogo, ou não viu o mesmo jogo que eu.

O Sporting, no conjunto dos 90 minutos, foi indiscutivelmente a melhor a equipa, e na primeira parte jogou bem. Não entrou com a intensidade que todos desejaríamos, mas fez o suficiente para encostar o Olhanense à sua área e construir alguns lances de perigo. O golo de Mané, aos 14 minutos, chegou com naturalidade e creio que não havia ninguém, dos 30.000 sportinguistas presentes (boa casa), que não esperasse que o resultado se iria avolumar caso a produção do Sporting se mantivesse.


E manteve-se. Mesmo sem deslumbrar, o resto da primeira parte foi de sentido único e Montero até marcou de cabeça na sequência de um livre, mas o auxiliar de Hugo Miguel viu um fora-de-jogo inexistente. Eu, da minha posição no estádio, sem necessitar de repetições, não tive dúvidas absolutamente nenhumas que o golo tinha sido legal.

Fonte: @iDesporto
Junte-se a este lance uma série de faltas absurdas assinaladas perto da área do Sporting (uma das quais acabou por provocar uma reação de Rojo que lhe valeu o amarelo), e podemos concluir que tivemos mais uma arbitragem muito pobrezinha que desta vez, felizmente, acabou por não ter influência no resultado.

Destaco pela positiva Montero, que esteve muito bem mas não precisa de ter tanta cerimónia para rematar, William Carvalho e Adrien, bem secundados por Cédric e Jefferson. Carrillo entrou bem no jogo e teve um remate ao poste que poderia ter sido um golo estrondoso.

Infelizmente a segunda parte revelou um Sporting nervoso e precipitado. Mané, que na primeira parte tinha estado bem, ligou o complicador, Heldon não se viu, Wilson Eduardo esteve muito trapalhão, e André Martins esteve muito mal a entregar a bola. Não sei a que se deveu a péssima exibição da segunda parte, mas parece evidente que os níveis de confiança de muitos jogadores estão bastante baixos. E como é evidente, os assobios que se ouviram em alguns momentos definitivamente não ajudam os jogadores, que têm melhor consciência do que ninguém que as coisas não lhes estavam a correr nada bem.

O Sporting acabou por desperdiçar uma boa oportunidade para responder categoricamente ao mau jogo da Luz. É certo que se o golo de Montero não tivesse sido invalidado, o Sporting teria condições para realizar um jogo tranquilo e certamente que mais golos apareceriam -- e todos sairíamos do estádio com uma sensação bem menos amarga.

Pode-se dizer que a equipa deu meia resposta, que foi suficiente para levar os três pontos. E isso era o fundamental.

18 comentários :

  1. Uma nota para o orelhudo que relatou na Rádio Antena 1:

    o Carrilho tem um excelente remate, forte em boa dose mas bem colocado que foi ao Ferro e daria um excelente golo.

    No minuto seguinte o Olhanense criou um oportunidade, que efectivamente podia ter dado em golo, se bem que a bola não ia forte, passa a um metro e o Patrício estava lá a acompanhar.

    Diz o orelhudo todo triste que se perdeu a maior oportunidade do jogo.
    Então a bola ao Ferro do Carrilho não é maior?

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    1. Completamente, Peyroteo. A melhor oportunidade de golo da segunda parte foi a bola do Carrillo. Acho que ele sobrevalorizou o pouco que o Olhanense fez, que foi muito pouco. O Sporting fez o suficiente para conseguir uma vitória tranquila.

      Um abraço.

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  2. Com estes comentadores estamos entregue à bicharada. No lance do penalty, o comentador da Sport TV, diz o seguinte: "Não é penalty, porque a bola bateu no braço, se o braço não estivesse ali, a bola batia no tronco" É simplesmente inacreditável. Um abraço.

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    1. F. Pais, a minha posição no estádio era boa nesse lance, e fiquei com 99% de certeza que o braço não estava colado ao corpo. Ao chegar a casa vi uma repetição do lance mas já não fiquei com o mesmo nível de certeza. No entanto, o ângulo dessa repetição não era tão favorável quanto a minha visão no estádio.

      Preciso de ver mais umas repetições para tirar as teimas. :)

      Um abraço.

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  3. registo o condicionamento à equipa ao não validar o segundo golo, todo o tipo de faltas merdosas assinaladas contra nós ( não sei o que o treinador dirá ao jogadores em relação a isto mas não deve ser fácil ser jogador do sporting; cada vez que se aproximam dos adversários eles caem e o arbitro marca falta).
    penalti clarissimo no lance do jeferson. estamos condenados a estas palhaçadas até ao fim podem ter certeza.
    por ultimo o andré martins não é jogador para ser titular quase indiscutivel no Sporting. Quem jogar nessa posição tem que fazer a diferença e o andré é fraco nesse aspecto.

    S.L.
    Sporting Sempre

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    1. Manuel António, já começa a ser uma regra: qualquer queda de um adversário ao mais ínfimo contacto nas imediações da nossa área leva que o fiscal-de-linha ou o árbitro marquem de imediato falta contra o Sporting. Felizmente que a nossa defesa tem sido bastante sólida neste tipo de lances, caso contrário essas pseudo-faltas poderiam ter causado mossas bem maiores.

      Concordo que a nossa maior lacuna é precisamente na posição do André Martins. O problema é que neste momento também não temos alternativas. Pode ser que o Shikabala possa oferecer mais alguma coisa, mas não há de ser solução nas próximas semanas. Ainda por cima lesionou-se com uma entrada dura de um jogador do Tondela no jogo de hoje do Sporting B, ao fim de 20 minutos. Parece que nesse tempo deu boas indicações, incluindo uma jogada em que fez um passe para um colega que foi derrubado na área. O árbitro marcou penalty mas o Esgaio acabou por falhar. Espero que a lesão não seja grave.

      Obrigado pelo comentário e um abraço.

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  4. A arbitragem foi o costume: mais um golo (mal) anulado em Alvalade (e já vão 2), mais uma mão na bola do adversário não marcada em Alvalade (e já vão 4) e cada vez que um jogador do Sporting soprava e o adversário caía era falta. Em relação aos comentários da Antena 1 que o Mestre de Cerimónias e o Peyroteo referem evidenciam o porquê de muita gente lhe chamar a rádio Benfica. Curiosamente é a rádio que oiço com mais frequência, excepto a parte desportiva. SL

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    1. Caro anónimo, vão-se acumulando. Os jogos em Alvalade este ano têm sido uma miséria em termos de arbitragens. Só num punhado de jogos não existiram erros gritantes com o jogo em aberto (Arouca, Setúbal e Paços). Todos os outros (Benfica, Rio Ave, Marítimo, Nacional, Académica e Olhanense) tiveram erros graves que influenciaram o resultado final ou, no caso do Marítimo, só não influenciaram porque o Sporting mesmo assim conseguiu dar a volta.

      Obrigado pelo comentário e um abraço.

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  5. Eu vejo os jogos na Sport TV mas com o som da rádio.

    Antes ouvia a TSF, mas aquela criatura João Ricardo Pateiro, com aquelas canções após os golos, obrigou-me a mudar para a Antena 1. Ultra Pimba.

    Mas vou ter que mudar outra vez.
    É este palhaço vermelho + o Joaquim Ritta, outro parcial.

    O João Ricardo Pateiro é um gajo muito fraquito que se lembrou (para ficar conhecido) de inventar um estilo e umas cantilenas a ver se entra na história como um Perestrelo entrou!

    "As bandeiras de novo desfraldadas ao vento!"
    "Comigo Ripa na Rapaqueca"
    "Eu te amo Sporting".

    RIP

    Ainda sou do tempo dos relatos de Artur Agostinho e dos comentários de Alves dos Santos: o comentador que o pais inteiro consagrou.
    Bem como Ribeiro Cristovão a chefe da RR.

    Eram Leões e muito isentos. Coisa que não é habitual.

    Mas mais tarde na TSF tivemos bons anos com o Fernando Ribeiro, Jorge Perestrelo e Severino a repórter de campo.
    Olha ai oh Severa, dizia o Jorge LOL

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    1. Peyroteo, não sou do tempo dos relatos do Artur Agostinho, mas cresci a ouvir os relatos do Jorge Perestrelo e do Fernando Correia.

      Chegava inclusivamente a gravar relatos deles dos grandes jogos.

      O ripa na rapaqueca, que é que é isso ó meu, até eu com a minha barriguinha faturava, cantar o hino quando Portugal faz o 3-2 contra o México no prolongamento do mundial sub-20 de 1991, ter-se recusado a relatar o Porto - Real Madrid quando o Real faz o 0-2 ("já não relato mais esta m*rda") quando ainda estava na Comercial e, claro, o "Eu te amo Sporting"... que saudades.

      O Nuno Matos tenta imitar o estilo de Perestrelo mas não soa tão espontâneo. Mas gosto de o ouvir, a ao Alexandre Afonso também, tal como o Pedro Sousa (antes de ter saído da RR), Valdemar Duarte ou Paulo Cintrão.

      Também não gosto nada daquela mania das cantigas do João Ricardo Pateiro. É irritante, mas deve haver quem gosta porque fez dele o principal relator de jogos da TSF.

      Um abraço.

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    2. Eu também gostaria de ver a Sport TV com o som do rádio, mas o relato na rádio não tem uns segundos de avanço sobre o que se vê na TV?

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    3. Não sei a tua idade, mas olha que ali em 83, 84, 85, 86 o Artur Agostinho e o Alves dos Santos ainda relatavam / comentavam.

      Classe!

      Alves dos Santos era o oposto de Alfredo Farinha (parcial).

      O Aurélio Márcio apesar de vermelho era um comentador com grande classe também e com uma voz e tom históricos e cultos.

      A narração dele de coisas antigas era deliciosa, a final do Europeu de 1964 entre a Espanha Fascista e URSS comunista é deliciosa

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    4. Nasci em 1975, nessa altura já ouvia um relato ou outro mas ainda não ligava a quem o fazia.

      Do Aurélio Márcio e o Alfredo Farinha lembro-me apenas de crónicas no jornal A Bola, mas acima de tudo dos comentários que faziam para a SIC já depois de se reformarem -- só viam vermelho à frente... :)

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  6. Soube a pouco o 1-0 mas contou 3 pontos.

    1-0 que devia ser 2-0 a meio da 1ª parte e aposto que não sendo MAL anulado o 2-0, ao intervalo já devia estar uns 3-0 e no final uns 5-0.
    Dava perfeitamente para isso.

    Assim como o destino podia arranjar mais um empate "Fidelidade".

    Rio Ave, Nacional, Académica, Estoril.

    Recordo o penalty que abriu o marcador no FCP - Paços da outra semana, e dois lances ontem onde não se marca para o Sporting!
    É triste aquela frase: "os grandes são beneficiados".
    Mas há um que paga as facturas aos outros dois.
    É uma tristeza.

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    1. Muito deve estar arrependido o Leonardo Jardim de ter dito que os grandes são mais beneficiados no final do Sporting - Rio Ave...

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    2. Ele disse isso porque se lembrou de Braga (na altura de braço dado com o FCP).

      Lembro-me de se comentar em TV e jornais, e também net, que o Braga estava bem ao não falar de arbitragens... depois quando tiveram que falar foi o que se viu LOL.

      Leo Garden lembrou-se disso com com o Rio Ave em Alvalade e da receita em Braga: ficar calado mesmo que prejudicado num jogo, para ser beneficiado nos outros "29". ;)

      Só que agora está no Sporting, e aqui estamos no clube que os apitadores têm como hostil: lá vamos apitar quem não nos dá nada e se puderem nos entalam / caçam / denunciam / fazem queixas.

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    3. Já existiram outros testemunhos de como a vida é diferente quando se chega ao Sporting depois de se passar por certos e determinados clubes do norte. Creio que o Rui Jorge foi um deles, ao falar na diferença de respeito que sentia da parte dos árbitros quando alinhava de azul e branco.

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