quarta-feira, 26 de março de 2014

A importância do 2º lugar

No passado mês de agosto poucos de nós sonhariam que fosse possível estarmos a ocupar o segundo lugar da classificação a seis jornadas do fim. Mesmo assim, as circunstâncias que nos levaram até este ponto podem fazer com que, para alguns sportinguistas, o segundo lugar possa saber a pouco -- considerando o facto de já termos sido líderes isolados no campeonato, e espoliados de preciosos pontos que nos colocariam numa situação ainda mais confortável, ao mesmo tempo que forçaria o líder da prova sentir o ar quente da respiração do leão a provocar-lhes arrepios na nuca.

No entanto, ainda há muitos jogos pela frente, e não tomo de maneira alguma o segundo lugar como garantido. Os cinco pontos de vantagem podem desaparecer muito rapidamente e necessitam de uma equipa concentrada e empenhada em cada uma das seis partidas que estão por disputar.

É importantíssimo que o Sporting consiga segurar este segundo lugar. Os benfiquistas mais embriagados pelo cheiro inebriante do título, e os portistas que se habituaram a tomarem por garantidas as vitórias no campeonato, certamente que olharão com desdém para adeptos que se sentem satisfeitos por serem os primeiros dos últimos. É um erro, porque o verdadeiro campeonato do Sporting não termina à 30ª jornada.

O verdadeiro campeonato do Sporting é um projeto multianual que tem o objetivo de devolver progressivamente as condições necessárias que permitam ao clube voltar a conquistar o campeonato nacional. E este segundo lugar poderá ser um degrau fundamental na ascensão que existe para fazer, por diversos motivos:

  • Os milhões da Liga dos Campeões - num clube com um orçamento apertadíssimo, os 8,6 milhões garantidos são um balão de oxigénio muito importante; não serão para estourar na totalidade em contratações e salários milionários, mas permitirão certamente um pouco mais de folga para suprir as carências do plantel para a próxima época, e ajustar os salários dos jogadores que superaram as expetativas este ano
  • O planeamento da próxima época - num ano de mundial, os melhores jogadores estarão em competição até finais de junho; ter que disputar um playoff de acesso à Liga dos Campeões significará um tempo de descanso reduzido para esses jogadores, que poderá ter reflexos negativos numa fase mais adiantada da época de 2014/15; para além disso, o 3º lugar implica que não se saiba se teremos ou não acesso aos milhões da LC, com todos os problemas de incerteza que isso provoca no momento em que se orçamenta a época
  • Crescimento emocional dos jogadores - o facto de o Sporting se intrometer entre os crónicos dois primeiros classificados dos últimos anos será uma injeção de confiança para o próximo ano
  • Pressiona despesismo megalómano de Porto e Benfica - o Braga já tinha ajudado a quebrar esse mito, mas Vieira e Pinto da Costa ficam ainda com menos argumentos para continuarem a alimentar o desastre orçamental dos seus clubes, insistindo nas contratações e salários milionários, e no desprezo pelos jovens jogadores da sua formação
  • Pode facilitar a permanência dos melhores jogadores para a próxima época - para além de o dinheiro da LC poder aliviar os problemas orçamentais, a participação nessa prova poderá ser um fator muito atrativo para manter satisfeitos os melhores jogadores da equipa; no caso particular de William Carvalho, talvez oferecendo-lhe o teto salarial (mantendo intacta a cláusula de rescisão) e perante a perspetiva de jogar na Liga dos Campeões, onde terá hipótese de se desenvolver ainda mais, seja possível convencê-lo a ficar satisfeito mais um ano em Alvalade apesar da cobiça anunciada de tubarões europeus -- e todos sabemos como isso seria importante

Na minha opinião devemos cobiçar o segundo lugar como se de um título nacional se tratasse, continuando a a equipa de forma incondicional e entusiástica. O sabor desse segundo lugar só não será tão intenso porque teremos o ruído de fundo da inevitável bazófia lampiã (que não confundo com os legítimos festejos dos benfiquistas equilibrados, que terão todo o direito de desfrutar do sucesso da sua equipa), incapaz de perceber que o tique-taque do relógio os aproxima sem dó nem piedade do momento inevitável em que o peso dos €320M de empréstimos bancários e obrigacionistas fará ceder toda aquela estrutura de luxo a que se habituaram, vergando-os ao choque com a mesmíssima realidade que tivemos de enfrentar há pouco mais de um ano.

Se conseguirmos o segundo lugar, lidar com esse ruído de fundo será bastante fácil. Basta desligar a televisão durante algumas horas e o pior já terá passado. No dia a seguir a festa esmoreceu, e nós estaremos um dia mais perto de ocupar o lugar que tanto ambicionamos, porque temos um rumo realista e coerente liderado por gente competente. Tique-taque-tique-taque.

33 comentários :

  1. Bom post. É exatamente o que eu penso. Até porque ficarmos em 3º significaria ter que jogar eliminatórias contra equipas GRANDES, já que o ranking do SCP está severamente afetado pela ausência nas competições europeias e pela prestação de treta do ano anterior.

    Aliás, esse ranking já vai tornar as coisas suficientemente dificeis na champions, pois iremos parar ao 4º pote (com muita sorte ao 3º). Pelo que a nossa luta na champions será ficar em 3º lugar no grupo para ir fazer pontos para a liga europa.

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    1. É verdade Mike, indo ao play-off arriscamo-nos a apanhar um tubarão. O nosso ranking talvez seja suficiente para o 3º pote, porque nos últimos anos chegámos na LE às meias-finais, oitavos e dezasseis-avos.

      De qualquer forma, se conseguirmos o apuramento para a LC, vejo como objetivos da nossa participação ganhar experiência, dinheiro e lutar para o 3º lugar para continuar na LE.

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  2. Mestre,

    Deixe-me dizer-lhe que é um prazer ler os seus posts.

    A continuidade do William Carvalho, a acontecer (o que eu desejo ardentemente), será, do meu ponto de vista, o factor verdadeiramente diferenciador da gestão de Bruno Carvalho.

    Eleve-se o salário do William até ao tecto estabelecido pelo clube, mas deve-se aumentar a cláusula de rescisão, uma vez que, se hoje já há quem ofereça 40 milhões, é bem possível oferecerem 60 milhões depois de um mundial e uma champions (isto não invalida um acordo de cavalheiros entre o Sporting e o William, deixando bem claro que o clube nunca lhe cortará as pernas na época seguinte).

    A capacidade de liderança de Bruno Carvalho será por mim avaliada pela sua capacidade ou não em segurar o William Carvalho, jogador que o ano passado estava no Cercle.

    O fcp depois de ganhar a liga europa segurou o deco e outros. No ano seguinte ganharam a champions.

    Com William o Sporting potencia o ganho desportivo e financeiro na próxima época.

    Rompermos com o passado passa, também, por acabarmos com vendas precoces e a preços de saldo (sim, 45 milhões é barato).

    Saudações Leoninas

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    1. Migas, também acho que será um desafio importante para BdC convencer William a ficar mais um ano. A única coisa com que não concordo é em achar que €45M seria barato -- na minha opinião seria uma venda sensacional. Um abraço.

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    2. Migas,

      €45M por um médio defensivo é algo nunca visto no futebol. Já seria uma venda astronomica. Esquece lá isso dos €60M.
      Se ninguém bater os €45M então é usar o William na champions e depois para o ano vendê-lo, mas se ele jogar no mundial e fizer bons jogos acho mesmo que arriscamos a não tê-lo cá para o ano.

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    3. Mestre e Mike,

      Ontem o Sporting encontrou um diamante.
      Ainda esta manhã começámos a poli-lo e durante o almoço já havia investidores a oferecerem-nos 45 milhões por ele.
      Ninguém sabe muito bem o valor deste diamante, mas todos têm a certeza de que se trata de uma preciosidade rara, elegante, de onde já emana um brilho poderoso.

      Para se apurar o verdadeiro valor do diamante seriam precisos 3 dias, mas já amanhã será possível fazer 2 testes após os quais o real valor do diamante começa a definir-se melhor.

      Que fazer? Vender o diamante esta tarde por 45 milhões ou esperar mais um dia?

      Eu sei, este diamante tem vontade própria, pelo que... há pouco mais de meia dúzia de anos, ainda novinho, soube escolher ser verde e não vermelho.

      PS - Se o William para o ano vestir de leão, comprarei pela primeira vez uma camisola do Sporting com o nome de um jogador nas costas.

      Abraço e saudações leoninas

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    4. foi o migas que ofereceu 45 milhões?

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    5. migas,

      Percebo o ponto que queres fazer.
      O que digo é que, SE ninguem pagar a clausula de rescisão, o William é-nos muito util para a nossa campanha na Champions/liga europa do proximo ano (sim, porque eu sou daqueles que pensa que não vamos passar a fase de grupos mas podemos ficar em 3º para passar para a liga europa).

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    6. Acho que estamos todos de acordo: se num ano o William se valorizou brutalmente, então ficando mais um ano depois de um mundial e na montra da LC poderá valorizar-se ainda mais. E, não menos importante, poderíamos contar com um jogador fabuloso na equipa durante mais um ano.

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    7. Anónimo,
      Se tivesse 500 milhões, garanto-lhe que diversificava 45 pelo William e mantinha-o mais 1 ano no Sporting. Retorno previsto num ano: entre 10 e 50%.
      Trata-se de "ler" o mercado. Se tão repentinamente a parada está assim tão alta, com os maiores colossos a concorrerem entre si para contarem com o William, imagine depois de um Mundial e de uma Champions.

      Mike,
      Eu percebi o que quis dizer e, com todo o respeito, não concordo. O Sporting deve, na minha opinião, fazer tudo o que está ao seu alcance para manter o William mais um ano, quer na óptica financeira quer desportiva. Daí defender a renovação imediata e correspondente subida da cláusula de rescisão.

      Eu penso e acredito que o Sporting pode passar a fase de grupos da champions (primeiro temos que lá chegar, o que também acredito que venha a acontecer).

      Não seria racional se retirasse a emoção e a paixão da minha "análise" para chegar a esta conclusão, pois se elas influenciam a performance dos jogadores e da equipa, que adepto seria eu se não acreditasse?

      Que presidente seria o Bruno Carvalho se não acreditasse? Eu sei que ele acredita, basta ver a forma como vive o jogo.

      Digamos que se trata de um modo de ver o futebol, em que a razão para mim só é razão se tiver paixão e emoção.

      Simplificando, no futebol (e não só, mas para o caso não interessa), quem retirar a emoção, a sensação e a paixão da sua análise/previsão/crença está a ser irracional.

      SL

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    8. Manter o William ou não, está dependente da flexibilidade que os credores derem ao Sporting quanto ao encaixe mínimo que deverá realizar no defeso, descontando as verbas da Champions.
      É preciso ver que há uma dívida para abater, e os credores perante a perspetiva de um encaixe de € 30 milhões ou mais com o William, poderão não estar muito virados para adiar essa venda. O que, infelizmente, me parece ser mais o caso..

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    9. É verdade Francisco, há essa vertente. Não são conhecidas todas as condições impostas pela banca no momento em que aceitaram a reestruturação financeira. Para além disso, 40% do passe de Willam é detido pelo fundo do BES, que pode impôr uma venda acima de um determinado valor -- caso contrário o Sporting é obrigado a entrar com o dinheiro para cobrir a parcela a que o fundo teria direito (dinheiro que infelizmente o Sporting não tem).

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  3. O mestre assim parece o Soares Franco.

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    1. Ahahah... quando coloquei aquele título já sabia que estava sujeito a um comentário desses. :)

      Nada disso, caro anónimo. São circunstâncias completamente diferentes. Nos anos de Soares Franco a distância do Sporting para o Porto era bastante inferior do que hoje são as diferenças de meios entre o Sporting e os rivais. Nos anos de Soares Franco, o Benfica estava à deriva, com mudanças sucessivas de treinador e ausência de rumo desportivo. Nos anos de Soares Franco o Sporting preocupava-se com a vertente financeira, mas tinha acesso frequente à Liga dos Campeões e a receitas bem superiores. Nos anos de Soares Franco não tinha havido uma direção anterior desastrosa que sugou os recursos do clube das épocas seguintes.

      Temos que ser realistas: hoje, perante o fosso orçamental e de poder no futebol, o 2º lugar é uma enorme vitória. No próximo ano já não poderá ser encarado como um feito tão grande, caso o bom trabalho se continue a manter. E no ano seguinte ainda menos.

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  4. Concordo o segundo lugar é essencial.

    Caso efectivamente haja uma proposta de 45 milhões por William é um valor exorbitante por um médio defensivo, devemos aceitar. No entanto palpita-me que as ofertas têm sido na ordem do trinta milhões com ofertas de jogadores. Dado que a bitola de médios defensivos têm sido os barretes Javi Garcia e Matic, sobretudo este último em que Mourinho não conseguiu convencer o Chelsea a dar mais de 25 milhões.

    No entanto sendo realista se entrarmos directamente na champions iremos com sorte para o pote 3 e na pior das hipoteses pote 4, claro que as hipoteses de qualificação serão muito reduzidas, pelo que devemos apostar no terceiro lugar. e numa grande carreira na liga Europa e no campeonato.

    Claro que teremos mais uma vez de apostar em jogadores do campeonato nacional com capacidade de projecção, vide Jefferson e apostar em médios do campeonato com qualidade sendo que o João Mario deve ser aposta séria em 2014/15.

    SL

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    1. Green Lantern, também me parece que só é possível ultrapassar os €30M se se gerar um hype tal que atraia efetivamente uma série de grandes clubes europeus, que se engalfinhem pela disputa do jogador. De outra forma só um clube como o Mónaco é que se chegaria à frente para bater a cláusula (o que na minha opinião seria um destino pouco condizente para a classe do nosso William).

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  5. "Pressiona despesismo megalómano de Porto e Benfica - o Braga já tinha ajudado a quebrar esse mito, mas Vieira e Pinto da Costa ficam ainda com menos argumentos para continuarem a alimentar o desastre orçamental dos seus clubes, insistindo nas contratações e salários milionários, e no desprezo pelos jovens jogadores da sua formação"

    Falso, basta ver que o 7º lugar da época passada do Sporting não pressionou no aumento do orçamento, nem em em contratações milionárias.

    Segundo a teoria de Mestre de Cerimónias, Estoril e outros pressionam o Sporting e por exemplo, levou a que o Sporting contratasse Jeferson em vez de utilizar Mica Pinto para lateral esquerdo.

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    1. Luís Miguel, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não defendo uma política exclusiva de jovens da formação.

      Deve haver equilíbrio quando se avaliam as lacunas de um plantel, percebendo onde os melhores jovens poderão ter espaço, e contratar para as outras posições, dentro dos objetivos desportivos que se pretendem para a equipa.

      No caso da lateral esquerda, o Sporting não tem jovens prontos a assumir a titularidade da equipa principal. E Jefferson custou €300.000 por 60% do passe (podendo adquirir mais 20% por outros €300.000). O Siqueira, por exemplo, tem uma cláusula de compra de €7M. O Alex Sandro custou €10M. Não seria possível ter comprado alguém por valores bastante inferiores, e com um rendimento desportivo um pouco mais baixo?

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    2. Podias continuar, por exemplo, o Real Madrid contratou o Gareth Bale por 100 milhões e estão no 3º lugar.

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    3. O Real Madrid é uma realidade diferente. Teve no ano passado cerca de €520M de receitas. E ainda vendeu o Ozil, Albiol, Higuain, Callejon e Leon por mais que o que custou o Bale.

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    4. O Bale não foi o único jogador a ser contratado e segunso o site transfermarkt o Real Madrid gastou mais em compras do que em vendas à volta de 43 milhões a mais.

      http://www.transfermarkt.co.uk/en/real-madrid/transfers/verein_418.html

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    5. Sim, mas neste caso o saldo negativo das compras e vendas do Real acabam por ser "peaners" para o orçamento deles... :)

      Já agora, o que estou a querer dizer é que não é obrigatório gastar rios de dinheiro para se ter sucesso desportivo. Que gastando muito menos é possível ter prestações a um nível ligeiramente mais baixo.

      Se o Porto em vez de Reyes e Herrera, tivesse contratado o Rúben Vezo e o Evandro (por absurdo) estaria muito pior? É claro que é difícil adivinhar se alguém vai ter sucesso quando é contratado, mas é a amplitude dessa incerteza que começa a tornar inaceitável o gasto dezenas de milhões em jogadores.

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    6. Obviamente que o mesmo tipo de raciocínio se pode fazer para toda e qualquer contratação de qualquer clube.

      Mas voltamos ao mesmo, o orçamento do Sporting simplesmente não irá ser aumentado, pelo menos, de forma significativa porque a banca não deixa e ainda teremos de esperar por uma decisão da UEFA em relação ao fair play financeiro pois o Sporting não cumpre o rácio custos com pessoal/ Proveitos (excluindo Proveitos de transferências) que é de 70%.

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    7. Luís Miguel, aquele link que uma vez colocaste dizia que esse rácio de 70% era relevante apenas para a UEFA decidir pedir documentação adicional aos clubes. O rácio em si não é impeditivo de nada.

      A única coisa que determina a exclusão de um clube é o prejuízo acumulado dos últimos anos.

      Mesmo que exista com a banca um determinado acordo para limitar o orçamento (e acredito que exista), certamente que haverá alguma liberdade para o ajustar em função das circunstâncias.

      Como escrevi no post, o aumento das receitas dará uma maior folga, mas não espero que seja usado inteiramente em contratações e aumentos salariais.

      Espero que o que for sobrando sirva para ir abatendo o passivo gradualmente, nomeadamente reduzindo o peso dos empréstimos nas contas do clube.

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    8. Não é só o prejuízo acumulado dos últimos anos, é preciso que não haja dívidas a jogadores e outros trabalhadores, ao fisco e a outros clubes.

      Quanto ao rácio em si, mais cedo ou mais tarde iremos verificar, pois não sei que mais informação a UEFA pode requerer que não esteja nos R&C e suas respectivas demonstrações financeiras.

      Só não saberemos como e quando a UEFA irá punir os clubes/sads com esse rácio superior a 70%, se com multa, se com congelamento de prémios, se com o não licenciamento para participação nas competições europeias.

      Aliás, foi para facilitar o cumprimento desse rácio e também para resolver um problema de imputação de custos aos respectivos beneficiários do serviço que o Porto criou o Porto - Serviços Partilhados que transferiu parte dos trabalhadores do Porto Sad para o Porto SP deixando de pagar os custos salariais e respectivos encargos sociais passando a pagar os serviços do Porto SP como qualquer outro FSE. Assim sendo, o Porto SP não entra na consolidação de contas de contas do Porto Sad mas sim do Porto clube.

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    9. Eu também não sei que mais pode a UEFA requerer, mas era o que estava lá escrito...

      Pelo último parágrafo que escreveste é que eu acredito que não poderão entrar por aí. Em grupos empresariais há sempre fee's que podem ser cobrados e modificar as aparências das contas das SAD's (nunca a nível consolidado).

      Depende do rigor que a UEFA quiser pôr no cumprimento das regras, mas não me parece que seja grande. Se fossem mesmo rigorosos, provavelmente seria uma razia.

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    10. Epá, vou tentar explicar isto da consolidação mas tens que ver se realmente percebes.

      O "Grupo Porto" faz a consolidação de contas e que engloba todo o UNIVERSO das contas. Engloba o Porto clube (com todas as modalidades amadoras, o Porto Serviços Partilhados e o Porto Sad que depois engloba todas as outras sociedades nomeadamente o Porto Comercial (93,5%), Porto Multimédia (70%), Porto Estádio (100%), Porto Seguro (90%), Porto Dragon Tour (93,5%) e Porto Média (98,78%).

      O Porto Sad (que é aquele que disputa as competições profissionais de futebol tanto a nível nacional como a nível internacional) também faz a consolidação de contas mas referente apenas aquilo que pertence ao Porto Sad, logo é esta consolidação que importa para a UEFA.

      No processo da criação do Porto Serviços Partilhados, o Porto Sad resolveu um problema transferindo algum pessoal para o Porto Serviços Partilhados deixando de pagar obviamente os salários e os encargos sociais e pagando apenas o serviço prestado (obviamente acrescido de Iva). Esta solução também serve para resolver o problema da imputação de custos a cada departamento que utilize os serviços do Porto Serviços Partilhados, por exemplo, se o Porto Sad precisa que se faça um trabalho de limpeza, manutenção, reparação, quem paga o serviço é o Porto Sad, mas se for alguma modalidade (que obviamente não pertence ao Porto Sad mas sim ao Porto clube) é a respectiva secção quem paga o serviço. Além disso, se alguma entidade externa (outros clubes ou seja lá quem for) precisar dos serviços do Porto Serviços Partilhados basta contratá-los.

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    11. A UEFA pede contas consolidadas? No caso do Real Madrid vai analisar as contas do andebol e do basket?

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    12. A UEFA pede as contas da entidade que disputa as competições europeias.

      A consolidação de contas faz-se por motivos legais e fiscais.

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    13. Eu percebo o que são contas consolidadas. O meu ponto é que poderão haver inúmeras formas de dar a volta às contas da SAD de forma a cumprir as regras de fair-play financeiro. Essa dos serviços partilhados é uma delas. Não analisando ao detalhe as origens dos custos e proveitos num âmbito alargado, será sempre um controlo superficial.

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    14. No Porto não há nada disso de se dar a volta, pois trata-se de solucionar um problema de imputação de custos (contabilidade analítica).

      Dar a volta é efectuar pseudo-vendas para se melhorar os resultados líquidos mas, mais cedo ou mais tarde, a verdade vem sempre à tona, pois se dantes era apenas um valor de 8,6 M€ com o Roberto, agora já atingiu os 45 M€ com o Rodrigo e o André Gomes.

      Nada disso é sustentável.

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    15. É uma forma de dar a volta se isso é feito de propósito para retirar custos de pessoal de uma empresa específica de forma que passem a aparecer na rubrica de FSE's.

      Mas concordo que não é uma coisa do calibre das vendas do Benfica! :)

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    16. Vamos lá a ver:

      Se os referidos trabalhadores trabalham para o futebol e também para as outras modalidades, porque é que eles teriam que estar vinculados ao Porto Sad, tendo esta que pagar a totalidade dos custos salariais e respectivos encargos?

      Ora, esta solução resolve o problema, por exemplo, se uma modalidade precisa dos seus serviços, basta requisitar e pagar os seus serviços, se for o futebol a precisar dos seus serviços é o Porto Sad quem paga pelos seus serviços.

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