segunda-feira, 17 de março de 2014

A sorte grande e a terminação

in O Jogo

Diz O Jogo na edição de hoje que os clubes de topo de Inglaterra continuam muito atentos a William, Fernando e Mangala. Se viram o mesmo jogo que eu, devem ter saído do estádio com três sentimentos bem diferentes em relação a cada um dos jogadores.

Os emissários desses clubes, e também a parcela do país azul e vermelha que assistiu ao jogo de ontem, devem ter descoberto definitivamente quem é William Carvalho. O jovem sportinguista fez mais um jogo extraordinário, e começa a ser complicado encontrar adjetivos para qualificar tudo aquilo que William põe em campo.

Quando vejo William a abordar um lance, fico automaticamente mais calmo. Sei que o adversário que conduz a bola ou irá perdê-la, ou terá que dar meia volta e entregá-la para trás, para um local onde o nosso nº 14 não esteja -- a omnipresença é um dos poucos dons que William não possui.

Mas também com bola, William demonstra enorme qualidade. Os adversários bem tentam tirar-lhe o esférico, mas parece que William tem um magneto nas botas que lhe permite conduzi-la por onde bem entende. Entrega-a bem, não para os pés do destinatário, mas colocando-a no espaço, de forma a sugerir a movimentação a tomar pelo colega. Faz isso não só nas famigeradas lateralizações que Luís Freitas Lobo usou para rotulá-lo de forma absurda, como também verticalmente, em que o passe para André Martins que daria origem ao golo foi um excelente exemplo. E ainda sabe progredir em posse quando é caso para isso.

Foi interessante vê-lo frente a frente com Fernando. Sinceramente não vejo onde é que Fernando é tão melhor que William. O jogador do Porto recupera bolas de forma extremamente competente, sem dúvida, mas com bola está a milhas da qualidade de William. Com bola, ou... lateralizava, ou perdia a bola. Para além do descontrolo emocional que demonstrou no incidente que provocou a sua justíssima expulsão.

Não quero estar a tirar conclusões sobre o valor de Fernando, já que o jogador pode estar a passar uma por fase menos positiva, mas por outro lado dá-me vontade de rir quando me lembro de uma ode que José Manuel Ribeiro, diretor de O Jogo, fez a Fernando nas vésperas do Sporting - Porto para a Taça da Liga, há menos de três meses.


O que me parece é que, infelizmente, não teremos William no Sporting por muito mais tempo. Aproveitemos enquanto pudermos. Os tubarões do futebol europeu não perdem tempo quando descobrem um fenómeno deste calibre. Quanto a Fernando, diz-se que também vai sair no final da época -- ao fim de seis épocas completas no Porto.

Já falei na sorte grande, falta falar na terminação. Se existir algum clube europeu que ainda esteja a considerar pagar dezenas de milhões de euros por Mangala depois das asneiras sucessivas que o jogador tem feito esta época, então o mundo está completamente doido.

4 comentários :

  1. Esta dupla de centrais do FCPorto é assustadora.
    Já Rojo e Dier foram quase perfeitos. Então Rojo esteve magnifico.
    Quanto à propaganda é o costume, têm que encher espaço nas paginas dos jornais.

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    1. É verdade, aquilo foi uma tremideira. Rojo e Dier, tirando umas distrações nas trocas de bolas na primeira parte, estiveram excelentes. Aliás, este Rojo já não tem nada a ver com o central que no ano passado se fartava de oferecer golos aos adversários. Está a ficar um grande central.

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  2. Actualmente em Portugal, e dificilmente na Europa, existe jogador tão bom, tão completo no binómio destruir/construir jogo. É um fora de série. O Fernando é taco a taco com o William a destruir jogo, mas muito inferior a construir. W. Carvalho só deve sair pela cláusula 45 milhões!

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    1. Não sei se os interessados chegarão à cláusula, mas será provavelmente a melhor venda da história do Sporting. Como seria importante o Sporting recuperar os 40% do passe que estão no fundo...

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