sábado, 8 de março de 2014

Capas que não fizeram história, nº 22: Celebrando o Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas em 1977, de forma a promover a consciencialização da luta por uma sociedade em que as mulheres tenham direito às mesmas oportunidades políticas, sociais e económicas que os homens, combatendo a discriminação e violações aos direitos humanos que infelizmente ainda afligem muitas mulheres em todo o mundo.

Todos os anos as Nações Unidas escolhem um tema particular que é focado neste dia. Por exemplo, em 2013 o tema escolhido foi a violência contra as mulheres. Este ano o tema selecionado foi "Igualdade para as mulheres é progresso para todos".

O jornal A Bola, ícone informativo e cultural da sociedade portuguesa, não poderia deixar de se associar a este dia e fez uma chamada de capa ao Dia Internacional da Mulher.

Haveria muito por onde se pegar para falar das mulheres no desporto. A primeira coisa que me viria à mente seria falar sobre o futebol feminino, cuja seleção nacional está atualmente a participar na Algarve Cup. Em alternativa, que tal falar das mulheres que são árbitras de futebol? Ou então ainda, por exemplo, um destaque especial às atletas que estão na Polónia a participar nos mundiais de pista coberta.

O jornal A Bola, no entanto, decidiu enveredar por outro caminho:


Não tenho nada contra as raparigas que em dia de jogo vão para o meio do campo abanar-se em trajes relativamente reduzidos para uma plateia maioritariamente masculina, mas será que esta é a forma adequada de aderir a um dia que pretende que as atenções se foquem na igualdade para as mulheres?

Não me parece.

Só faltou, em vez de colocarem o Iron Man Jorge Jesus em grande destaque na capa (que certamente será referida nesta rubrica daqui a uns tempos), recuperarem esta primeira página. A Bola é um jornal que indiscutivelmente valoriza o papel das mulheres na sociedade.

Outubro de 2013

A partir do momento em que A Bola decidiu converter-se numa publicação cor-de-rosa, não me espantaria que, na eventualidade de as vendas continuarem a cair, Vítor Serpa se lembrasse de recorrer a algo como as páginas 3 que celebrizaram alguns tabloides britânicos.

Definitivamente, olhando para o site de A Bola, onde existe um espaço com mulheres semi-nuas a passar em sequência, já esteve mais longe de acontecer.

Retirado hoje, 8 de Março, de abola.pt

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