terça-feira, 11 de março de 2014

Lutar em toda a parte e até ao fim

Muitos hão-de dizer, sobre a conferência de imprensa de ontem de Bruno de Carvalho, que a montanha pariu um rato. A essas pessoas, pergunto: o que esperavam que acontecesse?

Que Bruno de Carvalho declarasse guerra ao sistema? Já declarou há muito tempo. Infelizmente o Sporting mantém-se sozinho nessa luta e continua a ser penalizado por isso.

Que Bruno de Carvalho chamasse os bois pelos nomes? Chamou-os. Disse que quer Benfica quer Porto têm sido os beneficiados pelos roubos que nos têm feito, que os árbitros e dirigentes federativos são responsáveis por não estarmos na frente do campeonato, e que os ninguém faz nada para inverter esta pouca vergonha.

Que Bruno de Carvalho fizesse um discurso de tal forma eloquente que finalmente iluminasse a comunicação social, que continua a assobiar para o lado perante a mentira de campeonato que se está a jogar? Bem, isso de facto não fez, mas nem um Winston Churchill na sua melhor forma conseguiria despertar a consciência de quem não quer ser despertado. 

Se Winston Churchill tivesse como audiência gente com a coluna vertebral de quem ocupa as instâncias de poder do futebol e dos responsáveis pela comunicação social desportiva portuguesa quando, perante a iminente invasão alemã, procurou mobilizar o povo britânico com o seu famoso discurso...

"We shall go on to the end, we shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender"

... a Luftwaffe teria arrumado com a RAF numa questão de dias e a Alemanha acabaria por dominar a Europa sem grande dificuldade. Vítor Serpa, João Querido Manha e Octávio Ribeiro deleitar-se-iam a promover a propaganda nazi, José Manuel Ribeiro lideraria um movimento clandestino com o objetivo de levar ao poder uns fantoches de Estaline, e Luís Sobral encolheria os ombros e diria que a submissão de uns povos por outras nações fazem parte da história da humanidade e como tal é preciso saber viver com isso.

Mas, salvaguardando as devidas distâncias, foi esse o objetivo de Bruno de Carvalho nas declarações que fez ontem. Procurar mobilizar os sportinguistas e despertar as consciências de quem deveria lutar por uma competição limpa e justa e denunciar as evidentes distorções da verdade desportiva no futebol português.

À comunicação social, pedindo-lhes que façam o seu trabalho e relatem com objetividade os dois pesos e duas medidas que têm existido persistentemente nos últimos 30 anos.

Aos sportinguistas, pedindo-nos o esforço extra de lutar pelo Sporting para além do apoio direto nos estádios onde joga o nosso clube. Como podemos fazer isso? Não sei, mas posso mandar umas hipóteses para o ar.

Por exemplo, não poderão os políticos sportinguistas e outras figuras de destaque da sociedade civil telefonar diretamente para quem manda, e exigir que ponham mão na bandalheira em que se tornou a arbitragem? Ou apontar o dedo em eventos públicos ridicularizando quem nos prejudica constantemente? Por exemplo, numa palestra, numa conferência, mandando uma piada para desanuviar tendo como alvo as figuras sinistras do nosso futebol?

E a todos nós, porque não escrever aos patrocinadores da Liga (Zon e Sagres, por exemplo), perguntando-lhes se querem continuar a ver o seu nome associado a esta pouca vergonha de competição? Ou então simplesmente deixando de mostrar os sorrisos de circunstância quando nos cruzamos na rua ou nos empregos com gente como Vítor Pereira, Duarte Gomes, João Capela, Pedro Proença, Herculano Lima, e tantos outros, que não deveriam merecer mais do que o nosso profundo repúdio. 

Todos nós podemos tentar transportar um pouco da trampa profissional em que essas figuras fazem questão em chafurdar, também para a sua vida pessoal. Sem violências. Sem afetar as suas famílias ou a sua propriedade. Encher-lhes o dia com pequenas pitadas de desagradabilidade e de incómodo, que no fundo não é nada que se compare perante a quantidade de dias que já nos estragaram com a sua falta de profissionalismo e ética. Coisas pequenas, para que a sociedade comece a estigmatizá-los, como o faz com charlatões e vigaristas. No fundo, nada mais que dar-lhes o desprezo que fizeram por merecer.

6 comentários :

  1. "Vítor Serpa, João Querido Manha e Octávio Ribeiro deleitar-se-iam a promover a propaganda nazi, José Manuel Ribeiro lideraria um movimento clandestino com o objetivo de levar ao poder uns fantoches de Estaline, e Luís Sobral encolheria os ombros e diria que a submissão de uns povos por outras nações fazem parte da história da humanidade e como tal é preciso saber viver com isso."

    Excelente analogia. Muito bom!

    Como mudar isto? Depois de ver o vi em 30 anos neste futebol e, noutra óptica, ver um país que contínua a eleger Cavaco Silva, a dar votos a Portas, a ter revivalismos sobre o Estado Novo, achas que mudança será concretizada pelas mãos de quem tem responsabilidades maiores? Não! Só quando a Natureza cumprir o seu rumo (pois até os Papas não são imortais) é que isto pode mudar.

    Até lá, juntando às tuas propostas, creio que personalidades como Cristiano Ronaldo, Jorge Sampaio, Aurélio Pereira podem ter uma intervenção importante, dizendo a verdade em entrevistas e intervenções públicas entrando mesmo no campo da chantagem ("Porquê continuar a defender uma FPF que não defende os clubes e as competições de forma justa?"; Até quando é que jovens jogadores vão continuar a ver as suas carreiras hipotecadas e pouco valorizada porque foram alvo de mentira?; Porquê continuar a formar e educar jovens jogadores portugueses se depois não são considerados porque jogam no Sporting? Talvez seja tempo das selecções viverem de quem está sempre a vencer...")

    Quanto aos árbitros, no imediato, sempre, sempre desprezo e ignorar totalmente a sua presença, até de forma óbiva (não cumprimentando, nunca, quer no fim, quer no início de um jogo, quer num evento social onde se encontram). Quando questionados do porquê da atitude: "Porque TU já prejudicaste a minha carreira e, dessa forma, a vida pessoal, sem me dares nenhuma razão ou pedido, sincero de desculpas".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cantinho, e a verdade é que os árbitros estão muitas das vezes prontos a pedir desculpa quando uns dos outros são prejudicados. Quando é contra nós cerram fileiras, fazem greves, elogiam as arbitragens, apoiam-se mutuamente, escorre compreensão de todos os quadrantes perante o pobre árbitro que é humano.

      Há muita gente que tem um estatuto que lhes permite apontar o dedo. Infelizmente poucos se querem meter no futebol porque de facto é um meio que pode gerar tantas paixões quanto ódios, pelo que é compreensível que muitas figuras do nosso país prefiram não fazer comentários públicos sobre o assunto.

      Mas que o façam em privado. Não estão a pedir nada de ilegal, apenas que nos deixem ganhar dentro de campo quando fazemos o suficiente para isso.

      Eliminar
  2. no meio disto tudo uma dúvida permanece: onde anda o anterior paladino da luta pela verdade desportiva, entretido a fazer outro DVD? ou afinal a "verdade desportiva" que defendia já triunfou? É, parece que para alguns o fair-play é mesmo uma treta...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Laranjeira, infelizmente para alguns a verdade desportiva só interessa quando o seu clube não ganha. Veja-se agora o Benfica, com todos os atropelos à verdade desportiva que se conhecem: Miguel Rosa, jogadores emprestados que não jogam, empréstimos de dinheiro a outros clubes, e algumas vitórias arrancadas à base de arbitragens bem inclinadas.

      Eliminar
  3. Sao as pessoas que fazem o futebol nao as intituiçoes,o que se assiste no futebol tambem se assiste na nossa vida civil.
    Estamos rodeados de pessoas de má indole em todos os lados, por termos ca a troika ou la o que seja que nao deixamos de ser aquele povinho que vive na sombra da sua propria bananeira onde preocupaçoes nao existem deixando que este pais seja roubado.
    Nos ajudamo-nos???Nao!! E pq??Pq pensamos so com a nossa barriga,no futebol isso esta a acontecer á 30 anos e por mais estranho??? (pois deve ser deve) que pareça,o futebol tb ficou assim.
    Vejam as figuras do futebol e onde e que elas andavam,tudo misturado.
    Dou este exemplo para se ver o mal que foi feito no futebol,o sr major mesmo andando a rebentar tudo desde metros do porto,gondomar,boavistas e afins,tinha 14!!!! cargos/tachos,aconteceu alguma coisa ao mesmo???Nao!!!
    Como este existem muitos casos,uns com maior potencia como os casos dos do sr major e do sr pintinho,outros nem tanto,mas que vao dando para minar por completo aquilo que deveria ser um desporto isento e sem maroscas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade, caro anónimo. Muito do que se passa no futebol não é mais que um reflexo de muitos dos graves problemas que existem no nosso país, começando pela falta de ética de quem ocupa cargos de responsabilidade. Um abraço.

      Eliminar