terça-feira, 18 de março de 2014

No clássico da política desportiva vencemos com uma goleada

Não me tinha ocorrido, até ter lido o Pedro Correia no blogue És a Nossa Fé, que o Sporting apresentou sete jogadores da formação na equipa titular que entrou em campo contra o Porto: Rui Patrício, Cédric Soares, Eric Dier, William Carvalho, Adrien Silva, André Martins e Carlos Mané. E Wilson Eduardo ainda entrou na segunda parte, fazendo com que se tenham sido utilizados oito jogadores da casa.

Jogaram também outros jogadores adquiridos esta época por valores bastante reduzidos, como Jefferson, Slimani e Montero. 

Dos jogadores utilizados no domingo falta referir Rojo, Carrillo e Capel, adquiridos pela direção de Godinho Lopes.

O Porto, por sua vez, jogou com um jogador da sua formação: Abdoulaye.

Do ponto de vista da política desportiva, o facto de o Porto apenas ter tido um jogador da sua formação não é nada de criticável. No entanto é necessário referir que Abdoulaye, provavelmente o elo mais fraco da equipa azul e branca no jogo de domingo, ocupa um lugar que em teoria devia ser ocupado por Reyes, que custou €9M aos cofres portistas.

Das outras aquisições feitas para esta época, Herrera, (€9M por 80% do passe), Licá (€1,6M por 60%) e Ricardo (€1,7M por 80%) também não jogaram. Quintero (€5,8M por 50%) e Ghilas (€3,8M por 50%), entraram durante a segunda parte. Carlos Eduardo foi titular, mas não encontrei o valor da transferência.

Fonte: R&C FC Porto 2012/13

Fonte: R&C FC Porto 1º Semestre 2013/14

Somem-se as despesas nas contratações destes jogadores e já temos um valor superior ao orçamento do Sporting.

É evidente que os jogadores ainda poderão vir a ser importantes no futuro do Porto, mas acho estranho que os portistas não questionem os seus responsáveis do Porto pelo facto de as dezenas de milhões gastos no reforço da equipa de futebol terem tido um retorno perto de zero até ao momento.

No clássico da política desportiva o Sporting venceu com uma goleada.

6 comentários :

  1. Caro Mestre,

    É interessante contrastar factos sobre o futebol português, em especial no que respeita à formação, com aquilo que o "ar da bipolarização" das ondas hertzianas e da tinta das gráficas querem impor como matriz.

    Ontem, no programa Prós-e-Contras sob o tema "o que une os portugueses?", após a tratados os símbolos históricos, a dimensão económica e as indústrias culturais, a artista do dia (Fátima Campos Ferreira) chamou ao discurso Hermínio Loureiro. Coube a este discorrer sobre as valências e sucessos admiráveis do desporto português com destaque para o futebol. Chegou à conclusão que para os estrangeiros tinha havido três grandes levas de embaixadores agregados em torno de Eusébio, Figo e Ronaldo. Este último, sublinhou, confunde-se de facto com a própria concepção do "futebol português". Ora, como não podia deixar de ser, a artista de serviço refere "as academias", confundindo o rapto de Rute com a extremosa formação de jogadores. Esbocei o primeiro sorriso de desdém. Será agora que vão referir a excepcional contribuição do SCP para o futebol português, em particular para a "selecção". Nem pensar. Houve de tudo, elogio dos pijamas que a equipam, do euro2004, de mourinho e, pasme-se, de jorge mendes como símbolo do nosso empreendedorismo. Como esta alusão soou a forçada ficou no ar a ideia de que Hermínio não tinha cumprido suficientemente bem o papel de obliterar a instituição Sporting, mesmo se, enfatizou o facto de em Portugal não existir uma cultura futebolistica mas "de clubes", o mesmo é dizer, um clubismo exacerbado.
    Hermínio até me surpreendeu pelo tom comedido. Ora depois de apaziguada a tensão de um discurso que fala de uma "selecção mercenária" confundindo-a com a representação de um povo, éis que surge um tipo careca de meia idade que havia anteriormente falado detidamente sobre a indústria do fado. Não é que o palerma certamente afectado pela referência latente ao SCP diz completamente fora do contexto algo como: "eu também gosto de futebol, então quando joga o benfica o país parece que rejubila..." aguardou um ou dois segundos esperando uma reacção efusiva do público mas nada de assinalável sucedeu... O indivíduo só ganhou o desprezo de muitos por ter conspurcado um cordial, ainda que medíocre e redutor, momento de reflexão.
    Mesmo em gente aparentemente bem formada vemos este deslize bacoco que leva a confundir um país com um bairro, uma região ou, no caso do "religioso", com o povo. Mantenho a minha convicção, são poucos os adeptos do Sporting que eu trocaria por dois ou três do porto ou do benfica. É uma questão de classe.

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    1. zébicho, ora aí está um assunto muito interessante. Não costumo ver o prós e contras, mas assim que tiver oportunidade vou tentar ver esses momentos do programa. Infelizmente é mais que típica a falta de gratidão perante aquilo que o Sporting deu e dá a Portugal, e a constante tentativa de os outros se meterem de bicos de pés para se fazerem mais do que aquilo que realmente são.

      É um tema que definitivamente vale a pena desenvolver. Obrigado e um abraço.

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  2. Independentemente do resultado e da classificação, Porto e Sporting estão em patamares diferentes.

    Se o Porto compra jogadores que custam vários milhões é porque faz por isso, não deixando a formação de lado.

    O Sporting simplesmente não tem escolha.

    Em relação à formação, volto à questão que tinha formulado anteriormente: O que é a formação?

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    1. Luís Miguel, lamento discordar. mas de que tem servido a formação do Porto nos últimos 10 anos? Desde o Ricardo Carvalho que não me lembro de nenhum jogador relevante.

      O Porto podia não ter comprado o Carlos Eduardo, o Ricardo ou o Licá, guardando vagas no plantel para alguns jogadores que se tenham destacado nos júniores ou na equipa B (o Tozé, por exemplo).

      E é claro que o Sporting tem escolha. Podia contratar ainda mais jogadores na linha do Montero, Maurício, Jefferson ou Slimani. Para isso ainda há dinheiro.

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    2. Ricardo Costa que esteve nos títulos europeus com Mourinho, Bruno Alves campeão várias vezes, Postiga campeão e vencedor da Taça Uefa, Paulo Machado que rendeu directamente €3,5M, Hugo Almeida campeão várias vezes e que rendeu directamente €4,5 M, Hélder Barbosa campeão, Ivanildo campeão, Ricardo Silva campeão, Tonel, Candeias, João Ribeiro, Vieirinha campeão e que rendeu à volta de €0,5M, Bruno Gama, Steven Vitória, Bura, André Pinto, Ivo Pinto, NAC campeão, Ukra, Bruno Vale, Castro campeão, Atsu campeão e que rendeu €4M, Josué, etc, etc, etc, e isto só de memória, pois houve e há vários jogadores que nem mencionei.

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    3. Luís Miguel, de facto esqueci-me do Bruno Alves. Nenhum dos outros teve um papel minimamente relevante no Porto (era a isso que me referia). A maior parte dos que indicas não chegou a fazer 3 jogos seguidos...

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