quinta-feira, 10 de abril de 2014

O dinheiro de Elias

O destino do valor pago pelo Corinthians                                                                                  
Na edição de hoje do jornal Sporting vem um esclarecimento sobre o destino dos €4M pagos por Elias:

O Sporting vendeu ao Sport Clube Corinthians, 50% dos direitos económicos do jogador Elias, pelo montante de 4 milhões de euros. Do montante a receber desta transação (4 milhões de euros + 50% de venda futura) o Sporting terá que entregar metade destes valores ao fundo QFIL, ou seja, 2 milhões de euros (após recebimento efetivo), acrescidos de metade de 50% de uma venda futura (com mínimo de 1,85 milhões de euros). O Sporting permanece assim com o correspondente a 25% dos direitos económicos do jogador.

Na prática, isto significa que o Corinthians comprou 25% do passe ao Sporting e outros 25% ao fundo. Não é a situação ideal, mas é bem melhor que o pior cenário possível, ou seja, que o fundo ficasse com a quase totalidade dos €4M pagos por Elias.

O jornal Sporting também confirma a existência de uma cláusula de salvaguarda de €15M no caso de Elias ir para Porto ou Benfica, e que não existem quaisquer indemnizações a pagar pelo Sporting.

Conclui-se, portanto, que o fundo foi razoável ao ponto de assumir um risco de prejuízo considerável, pois será pouco provável que Elias alguma vez venha a render montantes significativos numa eventual venda futura. E isto são bons sinais quer em termos da questão das parcerias com os fundos, como também da capacidade negocial do Sporting, que optou por não ceder às primeiras ofertas, em que seria o clube a assumir a quase totalidade dos prejuízos.

Nada mau, portanto.

Fico satisfeito também por ver que a direção mantém a política de transparência a que nos tem habituado, revelando os detalhes das transações -- o que é sempre de saudar, principalmente quando vemos os nossos rivais a fazerem as suas compras e vendas com contornos nebulosos em que muita informação relevante é omitida ou manipulada.

4 comentários :

  1. "O Sporting permanece assim com o correspondente a 25% dos direitos económicos do jogador."

    Só discordo desta frase. Seria mais correta se fosse assim:

    "O Sporting permanece assim com o correspondente a 25% dos direitos económicos do jogador NUMA FUTURA TRANSFERÊNCIA."

    Pois se o Elias não sair de lá ou simplesmente deixarem acabar o contrato, nem o SCP nem o fundo recebem nada.

    Mas tirando este pequeno detalhe, acho que o negócio até acabou por ser bom.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mike, quando um clube detêm qualquer percentagem dos direitos económicos de um jogador, só tirará algum benefício no caso de uma eventual transferência. O mesmo é válido para qualquer jogador cujo passe seja detido na totalidade por um clube. Se o contrato acabar, o clube acaba por não ver nem um tostão. Um abraço.

      Eliminar
  2. Bom, afinal estava errado quando disse que o fundo neste negócio com o SCP tinha risco igual a zero. Compartilharam-se os prejuízos, ainda que de forma não equitativa, uma vez que o SCP assumiu todos os encargos do jogador durante o tempo que cá esteve e quando vendeu os 50% do Elias ao fundo, subavaliou o seu passe em prejuízo do SCP.

    De qualquer modo esta solução terá sido a melhor possível dadas as condicionantes.

    SL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sar, sim, o Sporting acabou por assumir um pouco mais os prejuízos, o que também é justo: durante os anos que Elias esteve vinculado ao Sporting, o clube podia tirar proveito desportivo do jogador. Se não o fez, a responsabilidade não é certamente do fundo.

      Mas felizmente que é um caso encerrado. É como dizes, não sendo o ideal, acaba por ser o melhor possível. Um abraço.

      Eliminar