quinta-feira, 8 de maio de 2014

O castigo a City e PSG

                                                                                                                             
Nos últimos dias tem-se falado do castigo que a UEFA se prepara para dar a Manchester City e PSG pelas sucessivas violações das regras do Financial Fair Play. 

in maisfutebol.pt

Parece-me evidente que a UEFA nunca castigará um gigante europeu com a exclusão da Liga dos Campeões. Enquanto castigo, a multa é pesada mas parece-me que não servirá de dissuador a novos magnatas que queiram pegar em clubes com o objetivo de os conduzir para o topo da Europa. Para além disso, fica a ideia que na prática não faz mal gastarem rios de dinheiro, desde que a UEFA tenha direito à sua fatiazinha.

A questão de os clubes poderem inscrever 21 jogadores na Liga dos Campeões, 8 dos quais sendo da formação, aí sim, já vai doer aos castigados -- mas só vou acreditar nisso quando for anunciado oficialmente. É que a UEFA (e a FIFA) costuma ser muito zelosa na proteção das suas fontes de receita, e a existência destas super-equipas dá-lhes um jeitaço para transformar a Liga dos Campeões na competição épica que é a partir dos quartos-de-final.

6 comentários :

  1. Estranha é a fixação da UEFA pelos salários em vez dos dinheiros das transferências, embora talvez não seja. Afinal, qual seria o principal factor de atracção de um novo-rico para atrair jogadores? De certeza que não seria a história ou a dimensão (apesar do PSG mover bastantes adeptos) do clube. O único chamariz é, de facto, o salário, que permite aos PSGs e Citys desta vida atrair jogadores para campeonatos desinteressantes e clubes desinteressantes. Se esses clubes não tiverem possibilidades de atrair grandes jogadores por limitações na folha salarial muito do poderio e capacidade de investimento vai à vida, se bem que há sempre um escape: ou muito me engano, mas a capacidade salarial está mais ou menos indexada às receitas do clube, o que significa que vai haver muitos patrocinadores fantasma para contornar. A "luta" da UEFA, se de facto estiver a fazê-la, vai ser muito complicada e vai exigir muita legislação e muito papel para travar os sheikhs sedentos de glória e protagonismo.

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    1. Moreira, também me parece fácil contornar essas limitações. O dono do clube diz a uma ou mais das suas empresas para pagarem mais €100M de patrocínio, e está o assunto arrumado.

      A UEFA diz que está atenta a esse tipo de estratagemas de patrocínios, mas não me parece difícil a magnatas que possuem inúmeros negócios em todo o mundo não arranjarem esquemas para dar a volta à situação.

      Um abraço.

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  2. acho que para alem da multa, de baixar o numero de jogadores inscritos na champions, também estão proibidos de aumentar a massa salarial


    o malaga também la tinha um arabe e devido a isto do fair play financeiro ficaram 2 anos fora das competições europeias

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    1. Riga, no caso do Málaga o investidor disse que não colocava mais dinheiro no clube como protesto pela distribuição das receitas de TV na liga espanhola.

      A UEFA acabou por punir o Málaga principalmente por causa dos salários em atraso e das dívidas a outros clubes (coisa que não se passa no PSG e City).

      Ou seja, se o investidor continuasse a injetar dinheiro a punição teria sido mais leve, o que não faz sentido.

      Curiosamente se o Málaga tivesse tido acesso às competições europeias, o Sevilha não teria participado este ano.

      Um abraço.

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  3. Não existe "multa" por parte da UEFA, o que existe é uma retenção dos prémios de participação no valor da multa. Ou seja não existe dinheiro a sair, deixa é de entrar, o que não faz muita mossa nos orçamentos dos "petro-dolares".

    Tal como o Mestre de Cerimónias disse, para contornar o balancete basta fabricar patrocínios.

    O tecto salarial é impossível estabelecer devido às leis salariais vigentes em vários países. Enquanto a UEFA não se chegar à frente e criar um conjunto de regras a nível europeu (não sei se é possível) estarem a impor tectos salariais parece-me de todo inconcebível.

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    1. PTM, creio que neste caso é mesmo uma multa a pagar em três tranches anuais. A UEFA costuma reter os pagamentos a clubes que estão sob investigação (como o Sporting no ano passado).

      Concordo na questão do teto salarial. Seria uma boa solução, mas impraticável no futebol europeu. Funciona relativamente bem em ligas fechadas como os desportos profissionais americanos, onde mesmo assim têm algumas dificuldades para impor restrições.

      Na NBA permitem que os tetos salariais (cerca de $70M por equipa) sejam ultrapassados, mas quem ultrapassar tem que pagar uma luxury tax. Por cada dolar que ultrapassam, tem que pagar de multa outro dolar (ou mais, em função de determinados patamares) que é dado às restantes equipas da liga e que não ultrapassaram o teto salarial.

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