quinta-feira, 22 de maio de 2014

Organização e estratégia

                                                                                                                                   
Noutros tempos, perante a hipótese da saída do treinador, seria quase certo que o Sporting entraria em estado de negação e provavelmente apenas cairia na realidade no momento em que o cheque fosse entregue na tesouraria do clube. Seguir-se-ia um longo processo de escolha do novo treinador, que provavelmente acabaria por ser um Lopetegui* ou um Vercauteren que nos deixaria imediatamente deprimidos. Agora vejo a melhor solução disponível (realista) no mercado a ser apresentada 24 horas depois de se consumar a saída do treinador -- tal como já tinha acontecido no ano passado.

Noutros anos, assistiríamos a uma saída atabalhoada de um treinador que prestou um bom serviço ao clube, e à apresentação envergonhada do seu substituto. Esta semana vimos uma despedida que honrou o excelente serviço que Leonardo Jardim prestou ao Sporting ao longo do último ano, e uma apresentação que não deixa dúvidas a Marco Silva que o passado é um assunto encerrado, e que é com ele e apenas com ele que iremos para a guerra daqui para a frente.

Noutros tempos, ficaria receoso ao ver entrar um treinador tão jovem e sem experiência profissional num clube da dimensão do Sporting. Agora vejo uma estrutura atenta, unida, e focada, que dará as melhores condições possíveis ao novo treinador de aplicar os seus conhecimentos e ideias, e que ao mesmo tempo será capaz de funcionar como um complemento à equipa técnica nos aspetos que forem necessários.

Noutros tempos, a direção ofereceria ao novo treinador um contrato de um ano com opção de mais um ano, que seria logo um sinal inicial de descrença nas suas capacidades. Agora vejo uma estrutura que sabe o que quer para o clube, que não tem medo em assumir as suas apostas, e que transmite uma enorme confiança ao novo treinador ao assinar um contrato de longa duração -- ideia que passará de imediato para os jogadores. Uma estrutura que percebeu que a estabilidade é um fator importantíssimo para conduzir o clube ao sucesso que todos desejamos.

Noutros tempos, seria certo ver vários dirigentes do clube a desdobrarem-se em entrevistas, de forma a procurarem amealhar créditos do trabalho feito e das perspetivas de sucessos futuros. Agora vejo uma direção que fala a uma única voz.

Como é evidente, tudo isto, só por si, não é garantia de nada. Mas é um sinal inequívoco de que o Sporting é, pela primeira vez em muitos anos, um clube organizado e que segue uma estratégia bem definida. E de uma coisa não haja dúvidas: a organização e estratégia não marcam golos, mas são essenciais para a conquista de campeonatos.

Vêm aí tempos muito bons para os sportinguistas.


* Não vejam isto como um insulto ao treinador do Porto. Lopetegui merece o benefício da dúvida antes de poder demonstrar a sua competência. Refiro-me apenas ao perfil pouco entusiasmante do treinador que o Porto escolheu -- que não tendo experiência de clubes de 1ª divisão ou do futebol português, e tendo uma carreira intermitente, está longe de ser um nome que entusiasme e dê confiança aos portistas.

2 comentários :

  1. "Como é evidente, tudo isto, só por si, não é garantia de nada. Mas é um sinal inequívoco de que o Sporting é, pela primeira vez em muitos anos, um clube organizado e que segue uma estratégia bem definida." Qual?

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    1. Privilegia a estabilidade. É gerido de dentro para fora. Demonstra e exige a todos um nível de empenho total para com o clube. Não entra em loucuras despesistas. Não entra em jogadas de empresários. Recompensas com base no desempenho. Não colocar o peso da recuperação totalmente nos ombros da academia. Não deixar de aproveitar o melhor que a academia tem para oferecer. Não ter medo em tomar decisões difíceis, e muito menos enfiar a cabeça na areia perante os contratempos.

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