terça-feira, 12 de agosto de 2014

Milagres financeiros

Ao longo da história da humanidade tem havido, muito esporadicamente, o relato de acontecimentos que desafiam todas as explicações racionais que os nossos limitados cérebros conseguem formular. Tais acontecimentos, por serem tão extraordinários e raros, acabam por se tornar em marcos chave civilizacionais, à volta dos quais se constroem religiões ou mitos que intrigam gerações.

Pode-se chamar esses acontecimentos de milagres (no caso de homens e mulheres de fé) ou de lendas (no caso dos mais céticos), mas uma coisa é certa: a esmagadora maioria dos seres humanos que alguma vez respiraram o ar desta nossa atmosfera nunca teve a sorte de presenciar um destes eventos singulares.

Felizes de nós, que acompanhamos com atenção esse fenómeno que é o futebol português, por termos tido a oportunidade de testemunhar não um!, mas dois! milagres no espaço de poucos dias.


O 1º milagre


Vieira, que já tinha conseguido o milagre de vender Rodrigo e André Gomes a um misterioso fundo em janeiro passado por um valor inacreditável, alcançou aquilo que todos julgariam ser impossível: o presidente benfiquista suplantou-se a si próprio, ao vender três jovens jogadores com utilizações pouco significativas na equipa principal pela astronómica verba de €45M.

Na minha inocência, e atendendo ao facto de que já se tinha percebido que Jesus dificilmente lhes daria minutos significativos no onze, eu diria que se os três fossem vendidos por €10M já seria um bom negócio para o Benfica:
  • €5M por Bernardo pelo potencial, pois não deixa de ser um jogador de 20 anos que tem apenas 1 jogo na I Liga - num jogo a feijões contra o Porto na última jornada da época passada;
  • €3M por Cavaleiro, que já tem um ou outro jogo a doer no currículo, apesar de nunca ter impressionado;
  • €2M por Cancelo só para arredondar as contas, porque nunca mostrou nada que se visse até agora.

Mas não, parece que Vieira vendeu por €45M os três jogadores à Meriton, o fundo de Peter Lim. O mesmo Peter Lim que, nas últimas semanas, tem andado a tentar negociar o preço de Enzo Peréz, de forma a não ter que desembolsar a cláusula de rescisão. Ora relata-se que o bilionário oferece €25M pelo argentino, ora €27M, ou até €28M, mas não há forma de chegar aos €30M da cláusula que lhe garantem a contratação o jogador.

Curioso, portanto, que o mesmo homem que anda a regatear um par de milhões de euros pelo jogador mais influente do campeão nacional decida, num impulso gastador, sacar do livro de cheques e da Bic Cristal que tem no bolso da camisa para entregar a Vieira €45M por três promessas encarnadas que nada lhe poderão oferecer no curto e médio prazo.

Eu, que não sou um homem de fé, até acredito que exista um fundo de verdade nesta história: os direitos económicos dos três jogadores já não devem pertencer ao Benfica, pois esse rumor nem sequer é novo. Será possível que tenham sido integrados (mas não anunciados) na venda de Rodrigo e André Gomes? €45M pelos 5 jogadores, na altura em que essa venda foi concretizada, já seria um negócio com interesse para o fundo de Lim (e mesmo assim era dinheiro a mais, na minha opinião). 

É um caso que necessita claramente de esclarecimentos por parte dos responsáveis benfiquistas, apesar de me parecer que Vieira será homem para apregoar um monte de novos milagres na entrevista que dará na próxima quinta-feira ao canal do clube.


O 2º milagre

Após semanas de impasse, finalmente concretizou-se o negócio entre o Porto e o Manchester City por Mangala. Mas, para surpresa geral, o Porto não anunciou a venda por €40M, dos quais teria direito a 56,6% - que corresponderiam a cerca de €22M. Segundo o comunicado à CMVM, o Porto garantiu €30,5M pelos tais 56,6% do passe.

É de tal forma mágica esta venda, que fazendo as contas se chega à conclusão que os 100% do passe ficaram avaliados em quase €54M, ou seja, €4M acima da cláusula de rescisão de um jogador que acumulou erros e trapalhadas ao longo da última época.

Tivesse sido Vieira a desencantar este negócio, e Pinto da Costa não hesitaria em falar em milhões da treta.

Entretanto, surgiu na blogosfera uma outra teoria: que Pinto da Costa encostou a Doyen (detentora de 33,3% do passe) à parede e ameaçou não vender o francês, impedindo que o fundo conseguisse ter o retorno do investimento de €2,6M feito no jogador há três anos. Segundo fontes do blogue Tribunal do Dragão, o Manchester City pagou os pré-anunciados €40M, mas a Doyen cedeu ao Porto €8M dos €13,2M a que teria direito. Mesmo assim, segundo o blogue, a Doyen pode dar-se por satisfeita porque conseguiu receber o dobro daquilo que investiu na altura da contratação de Mangala ao Standard Liege.

Já disse que não sou um homem religioso, mas... por amor de Deus!, alguém acredita que um fundo cede a este tipo de pressões de um clube de futebol? Ainda por cima, de um clube que está muito mais pressionado para vender do que o próprio fundo?

Não nos esqueçamos que o Porto, para além de se preparar para reportar contas negativas (de um prejuízo de €20M, na melhor das hipóteses, não se safam) referentes a 2013/14, tem empréstimos de €30M para liquidar a curto prazo - empréstimos esses que se não fossem pagos implicariam a perda dos passes de Jackson e Mangala, que estavam dados como colateral. A Doyen poderia não recuperar o investimento já, mas o que aconteceria ao Porto se não vendesse Mangala? 

Seria muito mais catastrófico para o Porto não vender Mangala AGORA do que para a Doyen.

Eu até admito que a Doyen possa ter cedido direitos no valor de €8M ao Porto, mas não foi de certeza o idílico e fantástico negócio que querem fazer passar, por dois motivos essenciais:
  • O Porto tem uma posição negocial muito mais frágil do que a Doyen;
  • No mundo real não existem almoços grátis.

Bruno de Carvalho pode aprender com este exemplo. Temos 25% do passe de Rojo, a Doyen tem 75% por um investimento de cerca de €3M. Se alguém oferecer €20M por Rojo, podemos fazer a mesma chantagem com a Doyen, dizendo que eles só têm direito a €6M (para duplicarem o investimento) enquanto que nós ficamos com os restantes €14M (em vez dos €5M a que teríamos direito). Caso contrário Rojo não sai! -- como é evidente isto não faz qualquer sentido.

É melhor que os portistas fiquem a pensar no que a sua direção ofereceu à Doyen como contrapartida, caso a cedência de direitos da Doyen ao Porto seja mesmo verdade.

29 comentários :

  1. E voltou o artista do brunismo para nos iluminar

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    1. Para vos abrir os olhos, isso sem dúvida.

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  2. Entretanto temos um central que se recusou jogar pelos calimeros e nao ha por aqui nenhum post a comentar esse assunto... é melhor comentar as vendas e os negocios dos outros 2 adversarios e criticar vendas que se fossem os calimeros a fazer seriam negocios de genio mas como sao os outros ha sempre o que dizer!! o problema dos calimeros é que nunca vao fazer negocios deste genero porque primeiro nao tem a capacidade negocial que tem por exemplo o porto..e nao tem porque como estao aflitos de dinheiro os clubes que estao interessados em comprar jogadores sabem disso e depois podem dizer o que quiser, criticar o que quiser mas nao ha nos calimeros a arte negocial que ha no porto!!! ja sei, é so corruptos, é so negocios que no futuro serao a ruina do porto bla, bla, bla... a verdade é que mais uma epoca em que as vendas (e o proveito) que o porto fez cobre claramente os gastos que fez na construção desta nova equipa sendo certo que alguns nao sao nossos sao emprestados mas com opção de compra (tello + casemiro)..e isso é que vos doi na alma!!!
    enquanto isso vao criticando que o porto vai caminhando.
    assim se ilude os tolos....

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    1. Capacidade negocial!! deves comer gelados com a testa, deves...

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    2. Caro anónimo, as vendas cobrem os gastos das contratações, sem dúvida. Aguardemos para ver qual será a massa salarial que o Porto terá que gastar para suportar o novo salário de Jackson, mais as trutas vindas de Barcelona, Real e Atlético.

      Fico feliz por si, por acreditar que a capacidade negocial a este nível se resume a quem tem os mais lindos olhos das duas partes. Eu sou bastante mais cético e acho que quem tem vantagem negocial neste caso é a parte que tem menos urgência em vender.

      Quanto a Rojo, prometo-lhe uma coisa: se não jogar contra a Académica escreverei sobre isso - porque será um sinal inequívoco de que alguma coisa não estará bem. Até lá, é um jogador que jogou no sábado e ficou de fora no domingo, naquilo que pode perfeitamente ter sido uma opção técnica do treinador.

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    3. Um central que se recusou jogar pelos calímeros???

      Estás a falar do Rolando caro adepto fruteiro? O tal que ia ser o capitão? O tal que tem uma cortina de censura e de lápis azul (e branco) a abafar o caso?

      http://static.flickr.com/19/118121760_686bcbdf1f_m.jpg

      Veio no O'Nojo, foi?
      Foi na secção do Pato?

      Ahhhh, no dia que se conhecer o epílogo destas negociatas e a trama deste scy-fy de 3ª categoria carregado de CGI manhoso for desvendada, vai ser um fartote!

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    4. caro sar,
      provavelmente nao sabes mas eu explico como quem explica a um imbecil!!!
      o rolando esta em posição de invocar a lei webster para poder sair do porto e só ter que indeminizar o clube pelo valor dos ordenados que receberia ate ao final do contrato.
      a menos que, e isso é relevante ja que faz parte da lei webster e é levado em linha de conta pela uefa quando toma uma decisão, o clube tenha manifestado em contar com o jogador para a nova epoca. o que aconteceu como sabes porque referes isso no comentario! ora, nesse caso pode muito bem acontecer o que aconteceu quando o paulo assunção invocou a mesma lei para sair do porto! sabes o que aconteceu mais tarde imbecil??? o paulo asunção teve que indeminizar o porto em cerca de 3 milhoes de euros!!!
      antes de fazers comentarios, tenta informar te primeiro calimero imbecil!!!

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    5. Portanto confirmas que o rolando se recusa a jogar, renovar e quer mesmo forçar a saída.
      Eheheh

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    6. Caro anónimo, o Rolando só pode invocar a lei Webster nos 15 dias seguintes ao último jogo oficial do clube numa determinada época. Teria que o ter feito em maio, junho. Agora não pode.

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    7. Sar,,

      http://www.maisfutebol.iol.pt/liga/transferencias/sporting-marcos-rojo-nao-treina

      pelos vistos o rojo tb se recusou!!!!ahahaha

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  3. Já é a 2ª referência que vejo à "parte que tem menos urgência em vender". O que é que sabe das contas da Doyen? É que pressuponho que saiba alguma coisa, para estar a fazer a comparação...

    E sabe quem andou a fazer outros negócios incompreensíveis com o Porto? A Doyen que colocou comprou o Brahimi por menos do que o Porto pagou por ele. Será que ambos os negócios (ou tantos outros) estão relacionados? As mesmas partes, a mesma atividade, as mesmas pessoas, o mesmo interesse comum... não é possível!

    É sempre interessante ver o contorcionismo do guião brunista: os fundos são maus! E se não forem maus, são caros! Quando não tiverem os fundos, estão tramados! Vão ver, vão ver, estão tramados! Pode não ser agora, mas estão tramados. E se não conseguirmos fazer a mesma coisa, alto que há por aí crimes de certeza.

    Há uns que se dedicam a diabolizar os fundos de investimento. Outros que têm parcerias com os fundos. Qualquer das estratégias pode dar resultado no curto, médio ou longo prazo. Mas posts como este só mostram uma coisa: inveja por se ser capaz de fazer o que os outros são capazes. Um bocadinho mais de convicção no Bruno sff! O Messias só está à espera da melhor ocasião para fazer os seus milagres...

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    1. António, onde é que eu estou a dizer que os fundos são maus? Só estou a dizer que os fundos não são parvos...

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    2. Apesar de, como é evidente, preferir que o meu clube não faça negócios com fundos a ceder parcelas significativas de passes - na prática estão a empenhar o futuro do clube. Prefiro que o Sporting compre jogadores dentro das suas possibilidades - dessa forma está a valorizar jogadores para seu próprio proveito, e não para proveito de terceiros.

      Quer dizer: o Porto cede Brahimi à Doyen perdendo €1M na transação, a troco de uma cedência de €8M de Mangala? E quem garante à Doyen que o Porto não repetirá a brincadeira de "chantageá-los" quando chegar a altura de vender Brahimi? Perdoe-me a minha opinião, mas não faz nenhum sentido.

      O Porto vendeu Mangala. Fica com Jackson na mão para uma grande venda. Quem vai vender a seguir? Brahimi? Tello? Casemiro? Óliver? Onde vão buscar os €40M a €50M de mais-valias anuais que precisam de realizar?

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    3. O que não faz sentido é entender-se que os fundos não são parvos, mas os clubes serão.

      Admitindo a tese (que me parece por confirmar) que o Porto precisava de realizar 30 milhões no curto prazo e estava com a corda na garganta, qual poderia ser o interesse da Doyen em abdicar de parte da sua remuneração pelo Mangala? Seria melhor para o fundo manter o Porto - um clube que utiliza como veículo de investimento para a valorização dos seus activos (o que fez com sucesso no caso do Mangala) - livre de quaisquer dificuldades financeiras de curto prazo, ou colocar o Porto em risco de incumprimento? O que é mais racional: abdicar de 8M nesta transação, mas ainda assim assegurar uma boa remuneração, e procurar repertcutir esse valor numa futura transcção, ou mandar o Porto ao charco? E mandar o Porto ao charco faria o quê aos 5M acabados de investir no Brahimi (e falo apenas deste porque foi o último, há seguramente mais). O que é "ser parvo" neste contexto?

      Mais. Acha que o valor de um bom jogador não tem relação com a qualidade dos seus colegas de equipa? Um jogador vale sempre o mesmo, quer esteja integrado numa equipa de coxos ou numa equipa com outros bons jogadores?

      De facto, os fundos não são parvos. São como os acionistas. Ou podem ser como os associados. Pretendem apenas maximizar o seu retorno. E o retorno é maximizado em função da qualidade do desempenho desportivo. Como disse num comentário há algumas semanas, se tivesse dinheiro, era num clube como o Porto que o quereria investir, porque apresenta regularmente resultados nesse capítulo.

      Que ache que é melhor estratégia ter orçamentos limitados às receitas correntes e não ter qualquer recurso ao capital e ao saber-fazer de terceiros (porque os fundos não trazem apenas o dinheiro, trazem os jogadores também), é uma opinião que se pode respeitar. Eu não concordo, mas é uma questão de risco-recompensa e de estrutura de custos (por exemplo, na capacidade de fazer um recrutamento suficientemente ativo que se anticipe aos fundos).

      Mas nem é isso que se discute. O que se discute é "o relato de acontecimentos que desafiam todas as explicações racionais que os nossos limitados cérebros conseguem formular". Aqui está uma explicação bem simples. Não é preciso levar as coisas para um patamar metafísico.

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    4. António, a verdade é que não se tratando de acontecimentos do foro metafísico, a verdade é que a única comunicação oficial refere uma venda de €30,5M por 56% do passe. O clube não deu qualquer explicação adicional sobre os contornos do negócio.

      A questão da cedência de direitos da Doyen foi referido por um blogue criado recentemente, e que já tinha referido essa hipótese umas semanas antes - daí dar-lhe credibilidade, acredito que tenha mesmo uma fonte bem colocada.

      O mesmo blogue refere que foi uma grande vitória negocial de PdC. Lamento, mas sem conhecer as contrapartidas não podemos saber quem efetivamente saiu a ganhar.

      E no fundo tudo isto acaba por ir parar à falta de transparência que reina nos clubes. Negócios destes merecem explicações aos sócios. Não é o meu clube, é certo, mas se fosse não ficaria nada tranquilo.

      Um abraço.

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    5. Como é evidente e como em tudo na vida, a transparência tem um preço.

      Noto também que a transparência (que afinal já não é causa para um milagre) que se reclama é a regra no mundo dos negócios, em que os contratos são sempre considerados confidenciais pelas partes (nem é preciso ter alguma experiência de vida ou de negócios para dizer isto, basta recordar o adágio que "o segredo é a alma do negócio").

      Mas também não se percebe muito bem o que quer dizer com "transparência". Transparência para quem? Para o público em geral? Para o regulador do mercado de valores mobiliários? Para os acionistas? Para os associados? Como é bom de ver, há diferentes graus e níveis de transparência que podem ser reclamados. E mais, há diferentes graus de transparência que podem ser exigidos a uma administração - quer pelos acionistas ou pelos associados - que poderão balizar os termos dos negócios a ser realizados com os fundos. E depois cada um trata de si.

      Agora, isto cola mal é com a narrativa diabolizadora dos fundos. Se houver transparência os fundos já são bons? Se houver transparência, o clube não deixa de " valorizar jogadores para seu próprio proveito" e vez de os valorizar "para proveito de terceiros"? Em que ficamos?

      Ficamos no ponto em que se torna difícil de encaixar a realidade com o registo binário-brunista. E refiro-me a este registo porque há um pobrezinho aqui de baixo que acha que há "adeptos fanáticos dos fundos". Pessoas que preferem viver na escuridão e acreditar na epístola do Bruno aos pecadores, porque pensar pela própria cabeça dá muito trabalho (ter de lembrar o que o Bruno que dizia trazer consigo fundos russos nas eleições de 2011 ainda dá mais trabalho).

      É muito mais fácil ser do bem contra o mal. É muito mais fácil ser dos puros contra os criminosos. É muito mais fácil ser dos clubes do que dos fundos. É muito mais fácil ser pela transparência do que pelo segredo. É muito mais fácil ter fé do que pensar. E é muito mais fácil seguir religiosamente com a manada.

      Difícil é a realidade. E difícil é fazer com que o sucesso, desportivo ou financeiro, seja constante e não episódico.

      O que se vê neste post é o contrário do que o Bruno de Carvalho precisa. Precisa de quem pense no que os outros fazem, de bem e de menos bem, para exigir que ele possa fazer melhor no Sporting. Não precisa de referências exotéricas e exculpatórias. Para isso a narrativa do bem contra o mal já era suficiente. E curiosamente era esse o registo do antigamente, pelo menos no que à blogosfera "sportinguista" dizia respeito: olhava-se para os bons exemplos dos outros clubes com ambição de fazer melhor. Hoje parece que "fazer melhor" é "fazer diferente" e é evitar fazer o que outros fazem bem. Curiosas coincidências.

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    6. Mais uma vez: trabalhar com fundos é uma opção de cada clube. Não disse que trabalhar com fundos é mau, mas esperar que os fundos sejam uma entidade de beneficência também me parece ingenuidade. Eu prefiro que o meu clube não trabalhe com fundos.

      A falta de transparência tanto pode ser um escudo para proteger tentativas de ganhos negociais, como também tem espaço para albergar coisas bem mais obscuras.

      Normalmente os resultados só aparecem depois destas dinastias que se perpetuam no poder (seja no governo, seja em bancos, seja em clubes) saírem. Até lá, podem construir as narrativas que bem entenderem. Será o caso do Porto e Benfica? Descobriremos quando as atuais direções forem substituídas por outras não alinhadas.

      No Sporting, infelizmente para nós, foi tudo sendo empurrado para debaixo do tapete até ser impossível esconder mais.

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  4. Já existem adeptos de fundos de investimento???
    Já se sabia que havia clubes que na prática pertencem a fundos (nem que vendam 1000M€ de jogadores o passivo cresce sempre...), agora fundos com adeptos tão fanáticos que os defendem nas caixas de comentários da blogoesfera nunca tinha ouvido.

    Será o argumento do guião comissionista? Com certeza coisas do futebol moderno...

    SL

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  5. Se o Bruno não conseguir que o United nos dê 40M pelo Rojo, é um nabo. Já assim seria um negócio ruinoso, tendo em conta que um dos melhores jogadores do Mundial, onde foi vice-campeão seria vendido por um preço inferior a outro que foi lá servir de pino para os treinos. Desses 40M, ficaria a Doyen com 6M e nós com 34M, já que quem está pressionado para vender é a Doyen e ainda assim duplicam o investimento que fizeram.
    Não acha, Mestre?

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    1. No mínimo, Cafageste. A Doyen pagou €3M por Rojo, já deveria agradecer a todos os santinhos receber 6. O facto de ter comportado com 75% do risco durante 2 anos não tem valor nenhum, e têm a obrigação MORAL de nos ceder a maior parte dos direitos... :)

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  6. Não percebo tanta especulação em relação ao negócio de Mangala.

    Eis aqui a comunicação do FCPORTO SAD à CMVM:

    http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR51732.pdf

    O FCPORTO SAD transferiu os 56,67% do passe de Mangala por 30,5 M€.

    Toda a restante especulação é irrelevante no que diz respeito ao FCPORTO SAD.

    Quanto à relação FCPORTO SAD com a Doyen Sports já começou há vários anos e deverá continuar no futuro com bons negócios para ambos.

    O FCPORTO SAD é um bom cliente, que paga a tempo e horas e que dá boas garantias patrimoniais e extra-patrimoniais como a confiança de gerar bons negócios futuros.


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  7. Por alguma razão a Liga Inglesa não aceita fundos, lembro-me dos 100 milhões do Hulk que afinal ficou nos 20 milhões liquidos para o Porto, mas isso não interessa nada, enquanto a UEFA não impuser uma lei que impeça os fundos vai ser só lavagem dinheiro, enquanto nãu impedirem os clubes de emprestarem jogadores a clubes do mesmo escalão vamos sempre ter aquela impressão que um é beneficiado, etc... já disse que este ano o Porto vai ser campeão já comprou o titulo (senhores do apito controlados) o benfica em 2º lugar pacto entre os 2, e a tentativa de colocar o braga em 3º, devido ao investimento do empresário e do emprestimo do porto e benfica, o Sporting vai correr por fora mais 1 vez, tenho pena de viver num País assim em que se fecha os olhos ao que nos convém

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    1. "Por alguma razão a Liga Inglesa não aceita fundos"

      Obviamente não sei qual é a razão, portanto só podemos especular.

      Na minha opinião é porque são estúpidos: sujeitam os clubes a maior esforços financeiros pelos jogadores, sujeitam os clubes a poderem perder jogadores para outros clubes europeus com mais facilidade sendo que CR e Bale são os dois maiores exemplos. Sujeitam os clubes a maiores riscos de liquidez e tornam-se menos competitivos a nível desportivo.

      Em Itália, Espanha e Portugal a utilização de fundos tem facilitado a vida dos clubes, tanto ao nível financeiro como desportivo, aliás não é por acaso que vários clubes portugueses têm chegado a várias finais europeias na última década.



      Em Portugal, Espanha, Itália

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    2. "Obviamente não sei qual é a razão, portanto só podemos especular."
      Português errado: "obviamente não sei qual a razão, portanto só POSSO especular."

      Se não sabe, digo-lhe já: é pela falta de transparência e para evitar negócios corruptos (à la Porto).
      A partir do momento em que um jogador é "partilhado" por várias entidades, fica logo exposto a incentivos múltiplos, que nem sempre se alinham com a vontade do clube. O exemplo mais recente foi a utilização do Miguel Rosa contra os lamps, por parte do Belenenses.

      Agora que já sabe, já pode voltar a tentar responder, mas com lógica (e um minímo de inteligência se possível).

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    3. Obrigado pela correcção linguística.

      Entretanto

      A Premier League perdeu CR, Gareth Bale, Modric, Suarez, Xabi Alonso, Pique, Fabregas (que entretanto regressou), Vermaelen, David Luiz, Ashley Cole, Pepe Reina, Vidic, Tevez, Maicon, etc.

      e não consegue contratar:

      Messi, Iniesta, Hulk, Cavani, Zlatan, Lavezzi, Garay, Lucas Moura, Di Maria, Muller, Reus, Kroos, Lahm, Neuer, Alaba, Schweinsteiger, Lewandowski, Gotze, Falcao, Vidal, Guarin, Morata, Hamsik, etc.

      Uma verdadeira estupidez, diria mesmo estupidez acelerada.

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  8. resumindo
    a cabeça das gayvotas continua a inchar

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  9. Para quem não entende francês, basicamente o que o periódico diz é que o Sporting tem o balneário em polvorosa, que a situação com Slimani está extremada e que este dos dirigentes do Sporting já só quer que o deixem sair, tal como Rojo e William. A fonte, claro, é o Slimani, ou alguém próximo dele. E claro que tudo se resume a dinheiro, porque o Sporting está a pagar salários baixos para bons jogadores (já nem falo em craques, porque esses já nem chegam cá) e qualquer jogador que se destaque procura imediatamente a saída.

    Portanto Meste, nada disto me surpreende, e há mais situações, embora de jogadores que não podem forçar a saída, mas cujo mal estar se irá fazer sentir ao longo da época. Já tinha avisado que estava de pé atrás com esta época, porque a capacidade desta direcção está esgotada. Mas continue a falar nos outros clubes, que pode ser que distraia alguns sportinguistas.

    "En difficultés financières, au bord de la banqueroute, le club recrute pourtant à tour de bras ((Tanaka, Paulo Oliveira, Rosell, Slavchev, Gerlades, Rabia). Bruno de Carvalho a également investi sur Ryan Gauld (2.5 millions d'euros), Surnommé le « Messi écossais », c’est la douche pour Marco Silva, le nouveau coach l’a envoyé refaire ses gammes en équipe réserve. Débarqué d’Estoril, Marco Silva compte sur Islam Slimani et lui a clairement signifié en tête à tête. Sauf que son attaquant numéro 1 ne voit rien venir de la part de ses dirigeants ou alors la porte de sortie... Tout comme Rojo et William Carvalho qui s'annoncent comme d'autres dossiers très chauds. Si les Lions veulent mettre fin durablement à la bipolarisation du championnat (Porto/Benfica), il va falloir apaiser un vestiaire prêt à rugir."

    http://www.francefootball.fr/news/Sporting-slimani-ca-sent-le-divorce/489582

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    1. Vamos aguardar a convocatória para o jogo com a Académica. Para já parece-me ainda muita fumaça que se espalha facilmente à velocidade do som que a voz dos empresários produz. São jogadores com contrato. Só saem se o Sporting quiser. O resto é conversa.

      O Jackson também passou a época anterior a reclamar a sua venda e acabou por ser o melhor marcador.

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  10. Voltando aos fundos, explicando para um menino de 6 anos, imagina que tem um empresário (e já os há) que tem 60 jogadores, colocam em 4 clubes esses jogadores, na mesma liga, como empresário é dono dos jogadores tem os passes pode vender quando quizer os clubes nada podem fazer, podem aliás dizer a 10 jogadores para não treinarem e amuarem para favorecer outro clube, os seja o empresário pode resolver um campeonato e fazer e desfazer conforme quizer deixa de existir clubes, competição, por isso os Ingleses não aceitam fundos, em relação aos campeonatos Espanhóis, russos etc. que compram jogadores por 70, 80 100 milhões, a UEFA fez o que se chama na boas praticas a solidez financeira, senão os clubes vão falir assim como o futebol, se houvesse transparência nada disto era preciso mas como sabemos o que se diz hoje á CMVM amanhã é mentira e nada acontece siga para Bingo

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