terça-feira, 19 de agosto de 2014

Reminder para Sábado: Carrillo é um dos nossos

A dolorosa forma como concedemos o golo do empate frente à Académica parece ter materializado os receios que bastantes sportinguistas tinham sobre a (falta de) competitividade do plantel. Ao longo destes dois dias foram várias as reações explicitamente negativas sobre aquilo a que esta equipa poderá ambicionar, o que é um sinal de evidente intranquilidade numa fatia nada desprezável dos sócios e adeptos do Sporting.

Não me entendam mal, cada um sente os sucessos e insucessos à sua maneira, e apesar de ter gostado dos sinais que a equipa deu no sábado, não tenho legitimidade para dizer que quem não partilha do meu ponto de vista está errado.

Também não tenho dúvidas que a esmagadora maioria dos adeptos mais pessimistas que comparecerão em Alvalade no próximo sábado não deixará de apoiar intensamente a equipa do princípio ao fim do jogo, mas há uma coisa que me preocupa genuinamente: a reação da assistência à prestação de André Carrillo.

Se todos estamos de acordo em relação ao talento puro do peruano, o mesmo não se pode dizer em relação à paciência que resta para responder de forma construtiva a lances menos conseguidos pelo jogador. Quem esteve no estádio no último jogo oficial da época passada lembrar-se-á certamente da monumental vaia que Carrillo ouviu ao ser substituído a poucos minutos do intervalo. Eu, garantidamente, não o esquecerei tão cedo - foi provavelmente o momento mais baixo de todos aqueles que vivi em Alvalade na época passada.

Carrillo até podia ser o pior jogador que alguma vez envergou a camisola verde e branca (e sabemos que está longe de o ser), mas nada justifica que o público sportinguista humilhe um dos seus daquela forma. Que se dediquem vaias destas aos Moutinhos, Hugos Vieiras, Sabrosas, ou dirigentes de clubes visitantes que nos desrespeitaram e prejudicaram deliberadamente no passado, é uma coisa totalmente compreensível. Fazê-lo a um jogador nosso só porque tarda em concretizar o enorme potencial que tem é absolutamente lamentável.


No jogo de sábado em Coimbra, Carrillo esteve diretamente ligado ao golo do empate. No entanto, foi também o jogador em campo que mais fez para trazer os três pontos para casa: jogou, fez jogar, criou lances mágicos e não regateou esforços para recuar em apoio à defesa. Aliás, neste último capítulo, já tinha ficado visível durante a pré-época o esforço de Carrillo para corrigir um dos maiores defeitos que se lhe apontava: o alheamento do jogo quando não tinha a bola nos pés.

O peruano parece estar com vontade para concretizar as expetativas que temos depositadas nele há vários anos, mas nós também temos o nosso papel a cumprir. No sábado, se as coisas não lhe correrem bem no início do jogo, no mínimo temos que o apoiar como a qualquer um dos outros dez que estejam em campo. Num mundo ideal, todos deviam reconhecer o esforço que Carrillo está a fazer por se tornar melhor jogador - recompensando-o com apoio mesmo quando a finta não sai ou quando o remate se desvia do alvo.

Mas se não conseguirem ter estômago para aplaudir uma ou outra asneira que Carrillo possa fazer, POR FAVOR, guardem os assobios e as críticas para o final dos 90 minutos. O miúdo não merece ser julgado e condenado em pleno jogo e o Sporting agradece.

P.S.: durante toda a segunda-feira foram inúmeros os rumores e notícias que dão como certo regresso de Nani ao Sporting. Não me considero uma pessoa pessimista, mas quando a esmola é grande tenho o hábito de desconfiar. Nani seria indiscutivelmente uma grande contratação (mesmo por empréstimo, e mesmo considerando que tem estado longe do seu melhor nos últimos 2 anos) para uma posição em que temos carências evidentes. Mas infelizmente ganha €5M / ano, €20M por Rojo (cuja saída é inevitável) já é muito dinheiro, e pode haver quem ainda tente interferir nas negociações para o afastar de Alvalade, se forem verdadeiras as notícias do interesse do Sporting. E ainda há a dúvida do papel que a Doyen poderá ter em todo este processo.

Não quero fazer o papel de profeta da desgraça, mas devemos ser prudentes em relação a este tipo de notícias. Caso contrário, a alegria que a concretização da sua chegada geraria pode transformar-se em depressão caso um dos muitos possíveis entraves seja impossível de ultrapassar.

(acabei de escrever este texto às 23h30 de segunda, pelo que este comentário já poderá estar desatualizado quando o post for publicado)

4 comentários :

  1. Quando fui a Alvalade nunca assobiei o Sporting também não gosto de coros histéricos ou apupos gerais à nossa equipa mas se se limitarem a jogarem 30 minutos é normal haver reacções por parte da bancada.

    O Carrillo faz-me lembrar o Nani tanto no modo de jogar futebol como nas reacções que provocava nas bancadas !....

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  2. Não tenho dúvidas que, apesar do erro, Carrillo deu tudo no jogo contra a Académica.

    Talento à parte, é essa a percepção que faltava.

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  3. Sábado estarei, como sempre, na bancada. Não assobiarei Carrillo, como nunca (ou quase nunca, pois não sou santo) assobio jogadores do SCP. Tentarei, como sempre, apoiar a equipa e todos os jogadores, Mas, para tudo, há limites. O que Carrillo fez na primeira parte do último jogo do ano passado, esse sim foi "o momento mais baixo de todos aqueles que vivi em Alvalade na época passada", não certamente a monumental vaia que acompanhou a sua saída de campo, mais do que adequada à vergonhosa "exibição" do jogador. Se um profissional de futebol não tem condições psicológicas para jogar, não entra em campo. Se não tem condições para, depois de meia-hora a jogar ZERO, ser vaiado quando sai, deve mudar de profissão. Se, depois de 38' minutos como os de Carrillo contra o Estoril, os Sportinguistas não o vaiassem até ficarem sem fôlego, não tinham qualquer nível de exigência. Findos esses "memoráveis" 38' minutos, as estatísticas do Carrillo, eram, em 3 épocas e 74 jogos na Liga, 5 golos e 12 assistências (Transfermarkt.de). Apesar destes números "impressionantes", esta época começou com 90% dos Sportinguistas, INCLUINDO EU, a achar, uma vez mais, que o André Carrillo era o nosso melhor argumento ofensivo e que, no ataque, ele era indiscutível. E durante 90' do jogo contra a Académica, ele correspondeu às expectativas: ainda que sem continuidade, ele foi, sem dúvida, o mais perigoso e entusiasmante jogador do SCP, ultrapassou quase sempre os adversário, cruzou muitas vezes (raramente bem) e até marcou um golo. E depois veio o minuto 91, e ele estava "cansado" e na sua "área", pelo que, coitadinho, se aceita que tenha passado a bola ao avançado da outra equipa em vez de mandar um bico para onde estava virado, como faria qualquer infantil. Tudo bem, ninguém assume que o rapaz é incapaz de se manter concentrado durante o tempo que está em campo; que, umas vezes, ele entra em campo a pensar noutra coisa qualquer, e que, outras vezes, a meio do jogo, ele começa a pensar noutra coisa qualquer. Ninguém assume porque estamos na 1.ª jornada. Vamos ver se no fim da 2.ª ainda estamos nessa fase. Peço desculpa, mas eu já não estou. Mas prometo ficar sossegadinho. PS: todos sabemos que, na bancada, há maluquinhos que, sem razão aparente, embirram com um determinado jogador. O Carrillo tem, desde sempre, a atenção de alguns desses cromos, como o Nani também tinha. Mas acabam aí as semelhanças entre ambos: ao fim de 2 épocas, em que levou o SCP às costas, o Nani foi vendido ao Man United por €25M, no Carrillo, ao fim de 3, ninguém pega. Se querem paralelos com o Carrillo, é mais adequado o Simon Vukcevic, esse génio incompreendido e eterna promessa, que hoje alinha no Levadiakos. JPT SL!

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  4. Carrillo, se mantiver o nível de jogo que apresentou na 1ª jornada, já é um ótimo reforço.
    Não esquecer que ele ainda tem 23 anos e que, até aos 25, pode (e deve) evoluir bastante. Estou esperançado que o nível de maturidade do jogador também suba com a idade.

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