sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ouch

Classic Mourinho.

in maisfutebol.pt


Jesus e o top-10 dos treinadores

A FIFA revelou recentemente a lista de 10 treinadores candidatos à Bola de Ouro 2014:

  • Ancelotti (Real Madrid)
  • Conte (Juventus)
  • Guardiola (Bayern)
  • Klinsmann (EUA)
  • Low (Alemanha)
  • Mourinho (Chelsea)
  • Pellegrini (Manchester City)
  • Sabella (Argentina)
  • Simeone (Atletico Madrid)
  • Van Gaal (Holanda)


Seis treinadores de clubes (2 de Espanha, 1 da Alemanha, 2 de Inglaterra e 1 de Itália) e quatro selecionadores nacionais - o que é normal num ano de mundial.

Quem se sentiu injustiçado por não constar nesta lista foi Jorge Jesus.


Que Jesus se tem em muito boa consideração não é novidade para ninguém - afinal ainda há poucos meses afirmou sentir-se o melhor treinador do mundo. Tenho a opinião que Jesus se tem em demasiada boa conta, mas admito que o treinador tinha legítimas aspirações a fazer parte deste lote de nomeados.

A favor de Jesus está o facto de ter ganho, durante o ano de 2014, um total de 4 competições internas (Taça da Liga, Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça) num país que aparece no top 5 do ranking da UEFA. Foi à final da Liga Europa, tendo perdido apenas nos penáltis e inclusivamente eliminado a Juventus, cujo treinador é um dos 10 candidatos. O facto de ter conseguido manter-se em todas as competições (Champions à parte) até ao fim é algo que deveria ser levado em consideração, pois não é fácil para qualquer equipa - por muitos recursos que tenham.

Por outro lado, Jesus está a caminho de ser mais uma vez eliminado da Champions ainda na fase de grupos, apesar de o Benfica ter sido uma equipa de pote 1 nas duas últimas épocas (Benfica e Porto foram as únicas equipas do pote 1 a serem eliminadas na época passada).

A principal conclusão que se pode tirar é que a importância dada à Liga Portuguesa é bastante mais pequena daquilo que gostaríamos - e, na minha opinião, há motivos para isso. Temos um campeonato altamente desequilibrado e em que a diferença de recursos entre os clubes é abissal. No ano passado, perante o colapso do Porto, seria inadmissível (no sentido de intolerável :) ) Jesus não ganhar o campeonato com o plantel que tinha ao seu dispor.

Se Jesus quiser efetivamente provar que se trata de um dos melhores treinadores do mundo, vai ter que sair da sua zona de conforto e ir para uma liga mais competitiva.

Mas a realidade é que há mais escolhas discutíveis nesta lista da FIFA. Não está Jesus, mas está Conte, que ganhou o scudetto com 18 pontos de avanço sobre o 2º classificado, mas que também foi eliminado da Champions e não foi tão longe na Liga Europa. Mourinho não ganhou nada, tendo sido eliminado nas meias-finais da Champions pelo Atletico Madrid e em 3º na liga inglesa (ultrapassado pelo Liverpool de Brendan Rogers, que não foi nomeado). Unai Emery, que ganhou a Liga Europa com o improvável Sevilha, também ficou esquecido nesta lista.

E ao nível dos selecionadores está, na minha opinião, a maior injustiça de todas. Se Low, Sabella e Van Gaal são compreensíveis (os 3 primeiros da competição), não estar o treinador que fez isto...


... é incompreensível. Jorge Luis Pinto devia definitivamente fazer parte dos 10 melhores do ano de 2014.

No fundo temos: os quatro semi-finalistas da Champions (que incluem o campeão alemão e espanhol), o campeão de Itália, o campeão de Inglaterra, os três selecionadores melhor classificados no mundial... e Klinsmann (?!). Percebe-se que o que realmente a FIFA considera importante é a Champions, as 4 principais ligas europeias, o Mundial e... politiquices (piscadela de olho ao futebol dos EUA).

Em relação ao vencedor, na minha opinião só poderá sair do duo Simeone / Low - mas acho que o argentino merece mais.

Balanço das arbitragens: 8ª jornada

Arouca 0-5 Porto (Carlos Xistra)

2': Jackson cai na área após contacto com Nuno Coelho, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o defesa do Arouca derruba com a perna o avançado do Porto

55': Brahimi cai na área após contacto de Tinoco, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o defesa do Arouca empurra o argelino com os braços

=: apesar dos erros cometidos, a arbitragem não teve influência no resultado


Sporting 4-2 Marítimo (Manuel Oliveira)

90': Golo anulado a Capel por fora-de-jogo - decisão certa, o jogador estava em posição irregular no momento do passe de Nani

=: arbitragem sem influência no resultado


Braga 2-1 Benfica (Marco Ferreira)

33': Pardo cai na área após contacto com Eliseu, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o defesa benfiquista coloca a perna direita entre as pernas do jogador do Braga, contribuindo para a sua queda

55': Pardo cai na área após contacto com Lisandro, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, há de facto falta, mas o lance deveria ter sido interrompido imediatamente antes por fora-de-jogo

78': Rúben Micael acerta com o pé em riste em Jonas, o árbitro mostra o cartão amarelo - decisão errada, o jogador do Braga acerta com os pitons no adversário, devia ter visto o cartão vermelho

85': Eliseu cai na área após contacto com Custódio, o árbitro não assinala penálti - decisão certa, Eliseu atrapalhou-se com a bola, perdendo o seu controlo (a bola fica para trás) e acaba por chocar com Custódio

86': Gaitan cai na área embrulhado com André Pinto, o árbitro não assinala penálti - decisão errada, o jogador do Braga coloca os braços por cima de Gaitan, impedindo-o de se fazer ao lance

90': Sálvio faz um remate que vai contra Custódio, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, o jogador faz o corte com a perna, e não com o braço

=: um penálti não assinalado a favor do Braga quando o resultado era 1-1; uma expulsão perdoada ao Braga numa altura em que o resultado ainda era de 1-1; da mesma forma que o Braga foi impedido de chegar à vantagem mais cedo, também é verdade que acabou por marcar o 2º golo quando já devia estar com menos 1 jogador - e os dois erros acabam por se anular; sobra o penálti sobre Gaitan que daria o empate ao Benfica (X)



Estatísticas da jornada



Estatísticas acumuladas



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Links para jornadas anteriores

7ª J: Penafiel - Sporting; Porto - Braga; Benfica - Arouca: LINK
6ª J: Sporting - Porto; Estoril - Benfica: LINK
5ª J: Benfica - Moreirense; Gil Vicente - Sporting; Porto - Boavista: LINK
4ª J: Setúbal - Benfica; Sporting - Belenenses; Guimarães - Porto: LINK
3ª J: Porto - Moreirense; Benfica - Sporting: LINK
2ª J: Paços Ferreira - Porto; Sporting - Arouca; Boavista - Benfica: LINK
1ª J: Porto - Marítimo; Académica - Sporting; Benfica - Paços Ferreira: LINK

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O craque que não dispensa o ioga e a meditação

Artigo de Sérgio Pereira para o Maisfutebol sobre Nani. Vale a pena ler. (LINK)

A finalidade da aliança Benfica / Porto

No Dia Seguinte da passada 2ª feira houve três momentos particularmente interessantes. O primeiro foi protagonizado por Guilherme Aguiar que expôs o propósito da aliança supostamente contranatura de Porto e Benfica em torno da figura de Luís Duque.

Um pouco mais tarde, Rogério Alves dissertou sobre de que forma a definição da nova estrutura dirigente da Liga por Porto e Benfica poderá traduzir-se em efeitos práticos quando a bola está rolar dentro do relvado - apesar de ser um organismo esvaziado de poder, que foi transitando gradualmente para FPF ao longo dos último anos.


Em primeiro lugar, um comentário às declarações de Guilherme Aguiar. Não é novidade que parte do objetivo da bipolarização do futebol português é garantir uma fatia de receitas superior para Benfica e Porto num mercado publicitário que tem vindo a encolher nos últimos anos. O que não é tão comum é ouvir esta admissão da boca de um dos representantes do Porto mais alinhado com a direção do clube. Como é evidente, esta admissão não é inocente: é apenas uma forma de tentar convencer os sócios e adeptos benfiquistas de que terão muito a ganhar com esta aliança. 

Na realidade, os benefícios não se ficam apenas pelas receitas publicitárias. Na minha opinião, o verdadeiro prémio está noutros dois campos de batalha:
  • As receitas dos direitos televisivos, que num cenário de centralização causará uma batalha feroz pela fatia que caberá a cada clube;
  • O apuramento direto para a Liga dos Campeões, que com o ressurgimento do Sporting passou a ser um jogo de cadeiras com 3 participantes e em que apenas 2 encontram assento.

Fazer passar a ideia que não existe espaço para 3 grandes no país é também estar tacitamente a passar a ideia a agentes do futebol e patrocinadores que só vale a pena "estar" com dois deles. O tal fascínio pelo poder é algo real que tanto afeta conscientemente gente com menos escrúpulos como, inconscientemente, pessoas bem intencionadas que conhecem a podridão que os rodeia. Se assim não fosse, como se explicaria o facto de haver sempre tantos clubes a reboque do Porto apesar de tudo o que se sabe dos seus dirigentes?

No fundo, esta aliança é um casamento de conveniência entre dois clubes que preferem olhar para o saque adicional que poderão alcançar, do que para tudo aquilo que os separa. Pinto da Costa sabe que é fundamental para o Porto não ficar isolado na luta de poder entre os três grandes. Uma reconciliação com o Sporting é impossível, pelo que resta virar-se para o Benfica. No entanto, aquilo que poderia ser algo impensável face à inimizade declarada entre Benfica e Porto acaba não ser assim tão complicado, pois o facto de terem dois presidentes que são almas gémeas e farinha do mesmo saco é um enorme facilitador. 


Esta analogia que Paulo Garcia fez não é de facto nada má. A imagem do sorriso de Guilherme Aguiar vale muito mais do que mil palavras...

"Contra o Benfica nunca vêem, aqui vê logo"

                                                                                                                                                   
No Dia Seguinte da passada 2ª feira, Rui Gomes da Silva baralhou-se um pouco ao comentar um lance de penálti cometido sobre Jackson, aos 2' do Arouca - Porto, que o árbitro não assinalou.


A capacidade de lamentação benfiquista é de facto uma coisa digna de registo, atendendo ao que se tem passado nos relvados portugueses ao longo do último ano.

Pior que Rui Gomes da Silva, só mesmo Paulo Garcia - que como de costume atirou-se logo ao mar revolto em auxílio do paineleiro benfiquista que estava à deriva sem colete salva-vidas.

Não se tratou de sarcasmo. Rui Gomes da Silva limitou-se aquilo que é tão tradicional nele e Guilherme Aguiar. Negar o que não lhes convém, insistir na exaustão naquilo que lhes interessa, mesmo que as evidências os desmintam. Os assomos de honestidade na análise destes casos só surgem em situações em que a decisão de arbitragem não tem influência no resultado final.

Dá ideia que lhes custaria mais admitirem uma decisão de um penálti que não lhes convém do que arrancarem os quatro dentes do siso sem anestesia.

Acho que até consigo imaginar a conversa que seria se os paineleiros do Dia Seguinte fossem desafiados a comentar este caso de trânsito:


PG: Meus senhores, e em relação a este caso o que têm a dizer? Hoje começo por si, Rui.

RGS: Oh Paulo, o que é que posso dizer? Olhe, é o costume. O carro vermelho vai em grande velocidade quando é abalroado pelo camião azul e branco, e o polícia sinaleiro nem sequer apitou.

GA: Oh Rui, mas qual polícia sinaleiro? Não há polícia sinaleiro. O que há é a câmera de vigilância...

RGS: <silêncio> Claro que sei que não há polícia sinaleiro, então não haveria de saber?

PG: O Rui estava a ser sarcástico, não é Rui? Zé Guilherme, diga lá a sua opinião sobre este caso...

GA: Repare Paulo, não há forma de ter a certeza. A câmera de vigilância, no ângulo em que está, não tem condições para avaliar devidamente o embate entre os dois, pelo que a haver erro - e não estou a dizer que haja - é completamente compreensível. E olhe, olhe, repare que nem dá para ver se há algum sinal de STOP. Não se vê nenhum sinal de STOP nesta imagem, como é que o Rui pode vir dizer que o camião azul e branco é que foi o culpado?

RG: Oh Paulo, não consegue arranjar outro ângulo?

PG: Como sabe, Rui, temos grandes restrições nas imagens que podemos mostrar...

RGS: Ouça, é o costume nas transmissões que não são feitas pela BTV. Em caso de dúvida contra o camião azul e branco, nem uma repetição mostram.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Inadmissível

Bruno Prata será certamente um ser humano com muitas qualidades, mas não será propriamente um mestre no que toca à sua fluência oratória quando fala em português, e muito menos quando se aventura na pronunciação de palavras noutros idiomas ou de nomes de jogadores e treinadores de outros países. Ontem, no programa Grande Área, Bruno Prata revelou ao público que as suas dificuldades com línguas estrangeiras não se limitam à questão da pronunciação - estendendo-se também à compreensão do que é dito ou escrito:


Na realidade, não se tratou *apenas* de má compreensão. Bruno Prata disse que "há informações que a UEFA considerou inadmissível a forma como o Sporting protestou", como quem diz que a UEFA não só rejeitou as pretensões do Sporting, como também salientou a natureza totalmente inapropriada do protesto feito pelo clube. E rematou com adjetivando o protesto do Sporting de "risível".

"Inadmissível", em português, pode ter de facto várias interpretações:


Mas "inadmissible" no contexto em que a UEFA julgou o protesto do Sporting refere-se à impossibilidade de a argumentação ser considerada válida ou aceite. Aliás, nem existe outro tipo de interpretação possível do termo em inglês:


Ou seja, Bruno Prata (e outras pessoas ligadas a outros clubes) assumiram (por ignorância ou por malícia) o sentido mais forte (intolerável) do termo em português, mas na realidade essa interpretação não encontra correspondência na palavra em inglês.

O que é efetivamente inadmissível é ver um jornalista que não só foi incapaz de interpretar corretamente a natureza da decisão da UEFA, como ainda teve o desplante de construir uma mini-narrativa ("há informações que") para insinuar uma espécie de raspanete ou sermão público que a UEFA teria pregado ao Sporting. A esta atitude de Bruno Prata a palavra "inadmissível" adequa-se na perfeição.

A/C jornal O Jogo

Há pouco mais de um mês, o jornal O Jogo fez um trabalho de qualidade duvidosa, carregado de erros e omissões, que lhes serviu para concluírem que a predominância da academia do Sporting no panorama da formação de jogadores em Portugal é um mito.


No trabalho realizado pelo jornal, chegou-se à conclusão que os factos demonstram que o Porto é o grande clube formador do futebol nacional, pois tem 34 jogador formados no Olival a jogar na I Liga, contra 27 do Sporting. Curioso, no entanto, que para a contabilidade do Porto tenham entrado jogadores como Quiñones, que chegou a Portugal com 20 anos, enquanto que do lado do Sporting não foram incluídos atletas como William Carvalho (!), Ricardo Pereira, Carlos Martins, Fernando Ferreira ou Victor Golas. Isto para não falar que as conclusões retiradas por O Jogo se basearam apenas numa questão de quantidade, ignorando a qualidade média dos produtos de cada uma das academias.

O CIES divulgou ontem um novo estudo sobre os clubes que mais jogadores fornecem às 5 principais ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França) e, como seria de esperar, as academias desses próprios países predominam (é normal que jogadores formados num país permaneçam na sua maioria no mesmo país). Numa lista de 52 clubes formadores, apenas 4 são de países externos aos Big-5:


O Sporting é o 4º clube exterior aos países Big-5 nesta classificação, atrás de River Plate, Ajax e Boca Juniors, sendo o único clube português representado.

Seria curioso se tivessem incluído a liga portuguesa neste estudo. Basta ver que se acrescentassem ao universo dos Big-5 os clubes portugueses que estão presentes na Liga dos Campeões (Sporting, Benfica e Porto), o Sporting passaria a ter 24 jogadores formados - ou seja, seria suficiente para atingir o 6º lugar desta tabela. Se somássemos os clubes portugueses presentes na Liga Europa (Estoril e Rio Ave) passariam a 28 jogadores - dava para um 5º lugar isolado.

Veremos se isto dará direito a chamada de capa no jornal O Jogo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O Duque que virou Frade

                                                                                                                                                   

Na idade média era muito comum ver os segundos filhos de famílias nobres seguirem uma carreira eclesiástica, já que todas as propriedades e riquezas eram passadas para o filho varão de forma a não enfraquecer o poder da casa. O clero era uma classe com muito poder, e esses filhos dos nobres, sem perspetivas de terras ou títulos, acabavam por ter assim a sua oportunidade de contribuir para o reforço da força da família. Assim, era frequente que o nobre arranjasse forma de colocar o seu filho como auxiliar de bispos ou de qualquer outro mentor capaz de facilitar a subida do jovem na escada hierárquica da Igreja.

O que já não era tão comum, era que um desses filhos de nobres fosse para uma ordem que exigisse um voto de pobreza, como os franciscanos. Menos comum ainda era ver o próprio Duque decidir ele próprio passar a Frade.

Ontem assistimos a um desses raros casos na história da humanidade, neste caso tendo como mentores o "Papa" e o dono de uma "Catedral". É admirável ver um homem com fama de bon vivant ter a humildade e a coragem para renunciar a bens materiais nada negligenciáveis (nomeadamente um salário que andará à volta dos €10.000 mensais), satisfazendo-se com a alimentação espiritual proveniente da justiça da causa a que prometeu dedicar-se. 

Mais uma originalidade do futebol português. S. Francisco de Assis ficaria orgulhoso.

Afinal não acho mal


Fora o colorido das roupas a secar num estendal junto ao portão principal, a má impressão do chamado "Estádio da Avenida", em Espinho, começa logo à entrada.

Dali são visíveis os pedaços em falta do telhado de folha ondulada na zona de acesso à bancada, os corrimões quebrados e enferrujados e os muitos vidros partidos. O relvado, esse, é o mesmo desde 1983.

A degradação do Estádio Comendador Manuel de Oliveira Violas, casa do Sporting Clube de Espinho, é tal que há pouco mais de uma semana, consequência do mau tempo, o clube viu-se obrigado a vedar ao público a bancada poente por questões de segurança, ficando o estádio reduzido a uma das quatro bancadas.

As outras duas há muito que não vêem gente.

in jn.pt (obrigado, T1!)




Sendo assim, já cá não está quem falou...

Acho mal



A não ser que existam questões de segurança com o estádio do Sp. Espinho na base desta eventual mudança do recinto de jogo, não concordo com a decisão - mesmo considerando que Vila da Feira fica a menos de 20 kms de Espinho. Desvirtua o espírito da Taça de Portugal e favorece de forma inapropriada o clube mais forte.

Trampiões d' Ouro 2014

                                                                                                                                               
O dia de ontem foi, a todos os títulos, histórico para o futebol português em geral, e para os trampiões em particular. 

Como não poderia deixar de ser, a eleição do novo presidente da Liga arrebatou a maior parte das atenções mediáticas. Tal é o espírito de missão com que Luís Duque entra em funções, que a primeira medida que anunciou foi abdicar do vencimento a que teria direito. Tal generosidade só encontra comparação com o magro salário que auferiu enquanto administrador do Sporting (apenas €20.000 por mês), e com a simbólica indemnização de €300.000 que aceitou receber do Sporting ao ser afastado pela incompetência que demonstrou enquanto responsável máximo do futebol leonino.

Resta saber se Duque espera ser recompensado por outras vias, apesar de neste momento essas vias serem totalmente obscuras pois o novo presidente ainda não se dignou a divulgar as suas ideias para o organismo que lhe foi posto nas mãos - o jeito que um programa eleitoral poderia dar para esclarecer o público...

Outro momento significativo do dia foi a magnífica performance de Pinto da Costa a fazer de porta-voz dos seus camaradas benfiquistas, revelando que afinal o nome de Luís Duque não surgiu por iniciativa trampiónica, ao contrário do que havia sido dito por Tiago Ribeiro há uma semana.

Para finalizar, ficou reservada uma enorme surpresa que deverá ter causado arrepios de excitação em qualquer trampião que viva o quotidiano azul-grená com intensidade. Aproveitando a boleia dos Dragões d' Ouro, foi também realizada na noite passada uma outra cerimónia onde se viveu e respirou trampionismo, premiando e reconhecendo o esforço de muitas personalidades que tanto se esforçaram por carregar o estandarte deste digno e impoluto movimento:


Um esclarecimento sobre o funcionamento desta peculiar gala: apesar de tanto benfiquistas como portistas poderem propôr nomes de forma independente, os vencedores têm que ter a aprovação de ambos.

Foi um evento carregado de discursos de amor e dedicação ao trampionismo, intercalados por momentos de variedades que apresentaram duetos inesperados como António Manuel Ribeiro e Miguel Guedes, o Adepto Possuído e o Emplastro, ou Pedro Proença e Fernando Madureira. 

Para terminar a noite, foram finalmente anunciados os nomeados e os grandes vencedores da noite.


--- Dirigente do ano ---

Nomeados
António Salvador: pela obediência exibida ao não utilizar jogadores emprestados pelos clubes trampiões
Godinho Lopes: pela triunfante entrevista em vésperas de um Porto - Sporting
Herculano Lima: por ter visto intenção sem dolo no atraso de 3 minutos do Porto na Taça da Liga
Luís Filipe Vieira: pelos constantes ataques ao Sporting ("maior" passivo, "perdão" de dívida, BdC mentiroso)
Tiago Ribeiro: por ter dado uma cara nova aos velhos interesses da luta de poder na Liga
Vítor Pereira: por ter conseguido afastar com mestria a nomeação dos melhores árbitros dos jogos do Benfica
Vencedor: Luís Filipe Vieira

--- Árbitro do ano ---

Nomeados
João Capela
Manuel Mota
Vasco Santos
Jorge Sousa
Vencedor: João Capela


--- Jornalista do ano ---

Nomeados
André Viana
António Tadeia
António Varela
Bernardino Barros
Bruno Prata
Carlos Daniel
Carlos Machado
Diogo Matos
Fernando Guerra
Hugo Gilberto
João Querido Manha
Joaquim Rita
José Calado
José Manuel Delgado
José Manuel Ribeiro
Luís Freitas Lobo
Luís Pedro Sousa
Luís Sobral
Manuel Queiroz
Octávio Ribeiro
Paulo Garcia
Paulo Sérgio
Ribeiro Cristóvão
Ricardo Tavares
Rui Pedro Braz
Vítor Serpa
Vencedor: Ribeiro Cristóvão


--- Parceiro do ano ---

Nomeados
Jorge Mendes: pela incrível capacidade de enfiar barretes milionários a excêntricos árabes e asiáticos, ao mesmo tempo que não consegue vender nenhum dos muitos jogadores do Sporting que representa
Nélio Lucas: pelo altruísmo que revelou ao ceder €8M ao Porto do que a Doyen teria direito por Mangala, e pelo papel desempenhado no caso Rojo
Novo Banco: apesar de falido, continua a renegociar empréstimos sem exigir redução de custos a Benfica e Porto
Rui Pedro Soares: Dragão d'Ouro que empenhou os direitos económicos de meio plantel ao Benfica
Vencedor: Jorge Mendes e Novo Banco, ex-aequo

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Bruxedos & Superstições

                                                                                                                                                              
Escreveu o Cherba na sua Tasca que, após os dois golos do Marítimo, se viu obrigado a trocar de cadeira com o irmão para retomarem os lugares que tinham ocupado na primeira parte e, pelo sim pelo não, sentando-se de uma determinada forma para dar sorte.

Sou obrigado a confessar que também me vi forçado a sintonizar a estação de rádio que me acompanhou na primeira parte e que, estupidamente, decidi alterar ao intervalo. E também ganhei um hábito recente de pôr todos jogos do Sporting a gravar, quer veja os jogos no estádio ou em casa. É que apercebi-me depois do jogo com o Chelsea que esta época o Sporting venceu todos os jogos que eu gravei, e empatou ou perdeu todos aqueles que não gravei. A partir daí tenho não tenho falhado nenhuma gravação e a mezinha tem-se revelado bastante fiável - só não funcionou contra o Schalke, graças a uma feitiçaria russa que se revelou demasiado forte para os poderes sobrenaturais da minha box.

Considero-me um tipo racional e pouco dado a estas coisas, mas para quê arriscar quando a felicidade pode estar apenas a uma distância de um botão de um comando de televisão? Como se costuma dizer (e ainda ontem na pedreira se comprovou), que las hay, las hay



Um leão viciado em sofrimento

                                                                                                                                                        
Há muito que não me lembrava de passar um intervalo de um jogo a conversar de forma totalmente descontraída, como se a partida já tivesse terminado. Tanto eu como os meus companheiros de bancada encarávamos os segundos 45 minutos como uma espécie de pró-forma em que a única dúvida era quanto mais golos iríamos marcar.

Uma primeira parte bastante convincente permitiu acumular uma vantagem de 3 golos: começando com um autogolo de Bauer a cruzamento de Carrillo, seguido de um cruzamento fantástico de Nani lido e desviado de forma perfeita por João Mário, que se deixou deslizar até ao ponto onde a bola iria tocar no chão, e um invulgar (para o que tem sido tradicional nesta época) golo a partir de um canto - marcado por Paulo Oliveira, com nova assistência do suspeito do costume.

No entanto, um início de segunda parte desastroso poderia ter deixado tudo a perder. A equipa cometeu demasiados erros que foram aproveitados pelo Marítimo para relançar o jogo, funcionando como uma espécie de ice bucket challenge coletivo sobre os jogadores do Sporting e os adeptos presentes no estádio.

Valeu um golo fantástico de Montero para matar a ansiedade que tomou conta do estádio durante 10 minutos - que mais pareceram 10 horas -, e que veio pôr um pouco mais de justiça no resultado. No rest for the weary, lá diz o ditado anglo-saxónico.



Positivo

Aquela coisa que Nani joga - mais um grande jogo de alguém que nitidamente vive na sua própria realidade. Há a velocidade de raciocínio e execução do comum dos mortais, e depois há a velocidade de raciocínio e execução de Nani. Resultados práticos: duas assistências que acabaram em golo, mais um punhado de assistências que acabariam em golo se fosse outro Nani a finalizar, uma bola na barra e ainda outro remate que não ficou muito longe de fazer balançar as redes. Há o futebol e depois há aquela coisa que Nani joga. Gosto muito.

Omnipresença de Adrien e João Mário - dois batalhadores com muito futebol nos pés. Acabaram por ser decisivos: João Mário ao marcar o 2º golo e Adrien ao encontrar Montero para o golo que devolveu a tranquilidade a Alvalade. Adrien teve direito à ovação da noite, quando foi substituído a poucos minutos do fim. Mereceu-a.

O golo de Fredy - só por si justificou o preço do bilhete. Segundo golo consecutivo para o campeonato, o que é importantíssimo perante a ausência de Slimani. O colombiano não tem a mesma presença na frente de ataque que o argelino, mas aproveitou bem a oportunidade da titularidade.

Miguel Lopes, o reforço silencioso - foi bom ver finalmente Miguel Lopes regressar aos relvados. Entrou muito bem em jogo, e é uma mais-valia para Marco Silva dispor de alguém no banco ou em campo que a qualquer altura pode ser chamado para qualquer um dos corredores.

Muitas crianças nas bancadas - jogar às 18h é um convite para trazer as famílias à bola mas, no caso do Sporting, é uma raridade termos direito a jogos que não comecem às 20h ou mais tarde. Ontem as famílias corresponderam à chamada, e foi bom ouvir os cânticos que um conjunto de miúdos sentados duas filas atrás ia improvisando à medida das circunstâncias do jogo. Mar-ca Mon-te-ro! Mar-ca Mon-te-ro! ou De-fen-de, tu tu tu, de-fen-de! Seria bom termos mais jogos que não terminassem à hora das crianças estarem na cama.

Negativo

Descompressão e gestão do jogo não são a mesma coisa - a partir do 2-0 o Sporting pareceu abrandar um pouco o ritmo, o que se compreende atendendo ao facto de estar a cumprir o 3º jogo no espaço de uma semana, e que incluiu duas partidas altamente desgastantes. Mas não convém exagerar. A equipa começou a perder demasiados lances divididos, deu demasiado espaço ao Marítimo, agravado por momentos de desconcentração que acabaram por resultar em várias oportunidades junto à baliza de Rui Patrício. A displicência com que Carrillo falhou um golo um pouco antes do 4-2 foi provavelmente o caso mais gritante. Gerir vantagens é uma coisa boa, tirar férias com o adversário ainda em campo é que não pode ser.

Sub-Jonathan - não sei se terá alguma coisa a ver com a "mão" de Gelsenkirchen, mas poucas coisas saíram bem ao argentino - quer a defender quer a atacar. No entanto, foi pelo seu papel defensivo que acabou por ser destaque pela negativa: deixou Maazou fugir nas suas costas no lance do 3-1 (apesar de Rui Patrício ser o principal responsável), e estava completamente desposicionado (subiu demasiado no campo a perseguir a bola em posse do Marítimo) no 3-2. De resto, muitos passes errados e pouca ou nula acutilância ofensiva. Foi bem substituído por Marco Silva.

As bestas que lançam petardos - é incompreensível que após todas as (pesadas) multas que o Sporting tem que pagar, após os avisos da UEFA para uma eventual interdição do estádio ou fecho de determinadas bancadas, após os pedidos do clube para pararem com essa brincadeira, continuem a haver energúmenos a disparar petardos em TODOS os jogos. A esmagadora maioria dos sportinguistas desaprovou com uma monumental assobiadela. As câmeras de vigilância não podem ser usadas para identificar e expulsar esta malta?


Acabou por ser um bom domingo. A derrota do Benfica coloca-nos apenas a 3 pontos da liderança, e ainda há um Porto - Benfica por disputar na 1ª volta. Olho para o que o Sporting joga e não vejo mais ninguém em Portugal neste momento a conseguir fazer melhor. Segue-se uma prova de fogo em Guimarães. Na minha opinião não poderia vir em melhor altura.

domingo, 26 de outubro de 2014

E que tal, para variar, uma vitória tranquila em Alvalade?

                                                                                                                                                          
Depois de uma paragem de 20 dias o campeonato está de regresso, e com ele finalmente temos novo jogo em Alvalade. Apesar de a época já ter começado há quase dois meses e meio, a verdade é que ainda só tivemos direito a assistir a 4 jogos no nosso estádio, todos eles com histórias complicadas e com uma percentagem demasiado pequena de finais felizes.

O facto de termos apenas uma vitória registada em Alvalade não lança as sombras negras que uma estatística de 25% de sucessos à partida implica: não só os empates com Belenenses e Porto (e mesmo a derrota com o Chelsea) poderiam ter tido outros desfechos mais favoráveis, mas acima de tudo o crescimento exibicional e a personalidade que a equipa tem revelado lança uma boa dose de otimismo para os confrontos que se seguem.

E o que se segue é o Marítimo, que está apenas a um ponto do Sporting na classificação - motivo suficiente para olhar para os insulares com desconfiança. Não é difícil perceber o que nos espera mais logo: uma equipa que tentará fechar-se da melhor forma que conseguir, procurando qualquer oportunidade para mandar a bola para as costas da nossa defesa tentando tirar proveito da rapidez dos seus avançados.

Mesmo sabendo que Slimani estará ausente do jogo, não me passa pela cabeça outro resultado que não a vitória - assumindo, claro, que o Sporting demonstrar a mesma vontade de mandar no jogo desde o 1º minuto que vimos no Porto e na Alemanha. O Marítimo poderá ter as suas virtudes mas a organização defensiva não costuma ser uma delas, pelo que será certamente uma questão de tempo até a muralha ceder e as oportunidades de golo começarem a suceder-se.

A chave do jogo estará em duas questões: a intensidade com que o Sporting entrará em campo (depois de uma semana muito desgastante) e a capacidade de finalização. Se esses dois aspetos estiverem em linha com o que vimos contra Porto e Schalke, será claramente o jogo mais tranquilo em Alvalade até ao momento - e como seria bom termos a oportunidade de ver um jogo de uma forma um pouco mais relaxada. Se não... bem... lá estaremos para puxar pela equipa!


sábado, 25 de outubro de 2014

A vida de Bernardrian

Não sou o maior fã dos Monty Python, mas ri-me até às lágrimas com esta adaptação do filme A Vida de Brian: A vida de Bernardrian, no blogue O Rapaz de Verde e Branco.

(não recomendado a benfiquistas mais sensíveis) :)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Orçamento do Porto para 2014/15


O Porto prepara-se para apresentar o orçamento para a época de 2014/15. Ainda antes destes números terem sido divulgados, já era óbvio para todos que os dirigentes portistas decidiram fazer uma aposta muito forte para recuperar os êxitos desportivos a que habituaram os seus adeptos, mas agora o nível desse risco fica apresentado de uma forma mais clara.

Em primeiro lugar, saltam à vista os quase €71M que o Porto reserva para os custos com pessoal (vulgo orçamento). Em 2013/14, o Porto teve um orçamento de €49M, o que significa que estaremos perante um aumento de 45% nesta componente de custos. Note-se que nos custos com pessoal não estão incluídos custos com a aquisição de passes de jogadores. Falamos apenas de salários de dirigentes, treinadores, jogadores e outros funcionários.

O Sporting, por exemplo, prevê manter na época de 2014/15 os custos pessoal na ordem dos €25M (igual a 2013/14). Isto significa que o Porto terá um orçamento que se aproxima do triplo daquele de que o Sporting dispõe.

O crescimento galopante dos custos previstos pelo Porto não surpreendem. Por exemplo, ao que se diz Jackson passou a receber €4M brutos anuais quando renovou, o mesmo que Adrián. Outros atletas como Brahimi, Tello, Aboubakar, Marcano, Casemiro ou Oliver, provenientes de grandes equipas europeias ou de mercados que pagam muito bem, não deverão ser jogadores baratos. Junte-se a isso outros salários gordos como devem ser os de Quaresma, Danilo e Alex Sandro, e os de uma administração que, apesar de ter falhado todos os objetivos da época, continua a pagar-se e a premiar-se a peso de ouro, e não é difícil perceber como os custos salariais se poderão empilhar até aos €71M.


Há uma falácia na determinação dos resultados operacionais negativos de €25M. O Porto está a considerar no orçamento de 2014/15 o prémio de participação da Liga dos Campeões referentes a 2014/15 (normalmente contabilizam-no na época desportiva em que garantiram a qualificação, mas não o puderam fazer nas contas de 2013/14 porque não se classificaram diretamente) e 2015/16. Ou seja, na realidade o buraco operacional anual é de €33,5M.

Este orçamento prevê um resultado líquido de €541.000, mas para isso o Porto prevê gerar €66,5M em mais-valias de alienações de passe de jogadores - o que é um valor astronómico, mesmo considerando que as vendas já realizadas de Mangala e Defour serão contabilizadas em 2014/15.

Segundo Fernando Gomes, Mangala (vendido por €40M, €30,5M dos quais ficaram no clube - apesar de a sua percentagem de passe corresponder a apenas €22,6M - a Doyen terá abdicado de €7,9M) e Defour (vendido por €6M) geraram mais-valias de €25M, o que significa que faltará gerar "apenas" €41,5M de mais-valias.

Não será assim tão fácil. As mais-valias correspondem ao valor de venda subtraídos do valor contabilístico do passe, das comissões a intermediários e ao montante que cabe a outros detentores do passe do jogador, acabando por representar uma percentagem mais pequena do que normalmente se imagina.

Para terem uma noção, analisemos as vendas do Porto em 2013/14 e as mais-valias que representaram:
  • Atsu: venda de €3M, que correspondeu a €2M de mais-valias
  • Otamendi: venda de €12M, que correspondeu a €8M de mais-valias
  • Castro: venda de €2,1M, que correspondeu a €1,7M de mais-valias
  • Fernando: venda de €15M, que correspondeu a €5,3M de mais-valias (o jogador, empresário e o intermediário ficaram com 65% da transferência - normal, pois foi fruto de uma renovação feita numa altura em que o jogador já era dono do seu destino)
  • Iturbe: venda de €15M, que correspondeu a €4,7M de mais-valias

Ou seja, num total de €47M de vendas o Porto realizou apenas €21,6M de mais-valias. Neste momento, Jackson, Danilo e Alex Sandro são os únicos jogadores com mercado e cujo passe é detido maioritariamente pelo Porto. Depois de venderem estes, os jogadores de maior mercado que sobram servirão sobretudo para enriquecer terceiros. 

O que certamente não desaparecerá da vida do clube é o enorme desequilíbrio das contas operacionais e os pesados custos financeiros. Esses serão sempre detidos 100% pelo Porto.

Aumento galopante dos custos, um conjunto de jogadores que cada vez mais estão na posse de terceiros, previsões de receitas otimistas e que pressupõem um ano de grande sucesso desportivo - tudo isto numa conjuntura económica de estagnação e em que parceiros como a PT e antigo BES já iniciaram o seu processo de afastamento da indústria de futebol. Não digo que seja um all-in para este ano, mas olhando para um horizonte de três anos parece-me que os riscos que o Porto está a correr nunca foram tão grandes - e que em determinados pontos se equiparam ao que Godinho Lopes fez no Sporting. Se correr mal...

Pôr uma raposa a guardar o galinheiro

                                                                                                                                                             
Ontem, no programa 4x4x3, Alexandre Santos faz a certa altura a seguinte pergunta ao convidado José Eduardo:

AS - "De que forma pode e deve ser rentabilizada a Liga, que neste momento está com a corda na garganta?"

JE - "Como é que deve ser? Com gente competente."

AS - "Mas de que maneira?"

JE - "Para já, com um líder que não seja despesista."


Confesso que apenas tinha visto a escolha do ponto de vista político, mas realmente se refletirmos sobre as competências e qualidades do futuro presidente da Liga, a poupança e contenção financeira não serão certamente aquelas que aparecerão em primeiro lugar.

Numa altura em que a Liga não tem dinheiro para mandar cantar um cego, se calhar talvez fosse interessante encontrar alguém com um perfil ligeiramente diferente.

Desta vez se Duque quiser cheques, vai ter que suar as estopinhas para os arranjar.

Desconto de 50% nos bilhetes para o Sporting - Marítimo - apenas hoje

Quem quer ir ver o Sporting - Marítimo ao estádio tem a possibilidade de comprar bilhetes online com 50% de desconto.

Esta promoção só é válida durante esta sexta-feira.

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Os preços variam entre os €20 (Superior norte bancada A, e centrais bancada B) e os €30 (centrais bancada A). Com desconto ficarão €10 e €15 respetivamente.

Para ter direito ao desconto é preciso colocar a senha #DCN2014.

Fiz uma simulação para ver que passos são necessários dar (nunca fiz uma compra de bilhetes para os jogos através deste site):

1. Escolher o tipo de bilhete


2. Escolher quantidade e carregar em Comprar


3. Carregar em Ver carrinho (botão no canto superior direito do ecrã)

4. Colocar o código #DCN2014 no canto inferior esquerdo e carregar em Aplicar cupão


5. Quando o cupão é validado, aparece a mensagem Código de cupão aplicado com sucesso, mas o preço que aparece à direita continua a aparecer sem desconto. É mesmo suposto ser assim. Carregar em Finalizar a compra.


6. Agora sim, os valores já aparecem com o desconto incluído. Falta selecionar o meio de pagamento. Com cartão de crédito a compra fica finalizada no momento, com multibanco há 4 horas para se proceder ao pagamento via homebanking ou em qualquer caixa multibanco.


Depois de se carregar em Finalizar pedido serão pedidos os dados pessoais para efeitos de faturação, e também o endereço de e-mail para onde será enviado o PDF dos bilhetes adquiridos.

Nota: ao contrário da compra de bilhetes no site do Sporting, não vi aqui nenhuma possibilidade de escolher o setor, fila e lugares. Suponho que sejam determinados de forma automática - mas não posso ter a certeza, porque não fiz a simulação de compra até ao fim.

Jogadores ausentes por castigo contra os grandes, à entrada da 8ª jornada




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O protesto do Sporting na UEFA

                                                                                                                                                         
O Sporting anunciou ontem em comunicado que decidiu apresentar um protesto à UEFA pelo erro de arbitragem que ditou a nossa derrota na Alemanha. Hoje, através do Schalke, ficou a saber-se que o Sporting solicitou a repetição do jogo ou, em alternativa, a atribuição do prémio de €500.000 correspondente ao empate.

Convenhamos: as probabilidades deste protesto poder ter sucesso são infinitesimais. Só não digo que é uma missão impossível porque até admito que exista 0,001% de hipóteses de os dirigentes do Schalke terem um ataque fulminante de desportivismo e darem razão ao Sporting - mas no que depender da UEFA este processo estará certamente morto à nascença.

Até compreendo a política da UEFA em seguir o dogma de que as decisões dos árbitros durante uma partida são soberanas. Alterar o resultado ou mandar repetir um jogo por causa de um erro de arbitragem - por mais escandaloso que seja - seria abrir uma caixa de pandora cujos efeitos seriam impossíveis de prever. Que tipo de erros justificariam a repetição de um jogo? Onde se estabeleceriam as fronteiras para aqueles que não dariam direito a repetição?

Pode ser que a questão da aplicação da tecnologia no futebol seja reavivada por este acontecimento. A UEFA e a FIFA têm de facto muita margem para facilitar a vida aos árbitros e tornar o jogo muito mais transparente - bastando, por exemplo, olhar para o que se faz no rugby.

Há poucas semanas houve uma agressão durante a final da Rugby League (em Inglaterra) que foi resultou na expulsão do jogador que a cometeu. Todo o processo de decisão foi tomado da forma mais clara possível: os árbitros e o público assistiram em simultâneo às repetições nos ecrãs gigantes do estádio, e a conversa entre os árbitros foi transmitida em direto para que todos soubessem o que estava a ser decidido.

Vejam o vídeo, e reparem no clamor do público no momento em que a repetição mostra a dupla agressão pela primeira vez.


Não chego ao ponto de querer que no futebol os lances fossem passados em tempo real para todo o estádio - o acesso às imagens por parte de um elemento da equipa de arbitragem seria mais que suficiente -, mas é absurdo que na época em que vivemos não se tire mais proveito da tecnologia para ajudar os árbitros de futebol a tomarem as decisões certas.

De qualquer forma fez bem o Sporting em fazer um protesto formal de forma discreta. Não só porque o que aconteceu foi demasiado grave para que o clube não reagisse, mas também porque indiretamente acabou por dar uma maior visibilidade ao erro cometido pelo árbitro russo.

A hospitalidade portista já faz capas lá fora


A arte de bem receber

#SomosPorto                                                                                                                                 
Rescaldo do Porto - Ath. Bilbao:

in Mundo Deportivo

E no Twitter:


Não sei porquê, mas faz-me lembrar algo...

Vamos encher Alvalade


Compreendo que muitos sportinguistas resistam a deslocar-se ao estádio para ver a nossa equipa jogar ao vivo. É muito mais cómodo e barato ficar em casa a ver os jogos com a garantia de se ficar ao abrigo dos caprichos do boletim metereológico. Assim como assim, a assinatura da SportTV tem que se pagar na mesma, não se perde tempo no ir e vir do estádio nem se gasta gasóleo. Para aqueles que (ao contrário de mim) conseguem encher o bandulho enquanto vêm um jogo, até há a vantagem de poderem ter uma mesinha de apoio ao lado da poltrona para pousar a lata de cerveja e o pratinho com os snacks, que gradualmente se vão esvaziando pelo meio das teimas que se vão tirando através das múltiplas repetições dos lances mais duvidosos. E depois ainda há o bónus de se poder ouvir as "isentas" opiniões de uma legião de comentadores que começa a debitar sentenças quando os adeptos no estádio ainda estão a aplaudir a equipa, festejando a vitória ou reconhecendo o esforço que os jogadores deixaram em campo.

Compreendo completamente. Falo por experiência própria, porque durante um longo período de tempo da minha vida poucas vezes pus os pés no estádio.

Nos meus tempos de adolescente e estudante universitário era espectador assíduo nas partidas do velhinho Alvalade (benesses de quem tinha os pais que davam uma mesada suficiente para pagar as quotas e os bilhetes dos jogos), mas o final do curso, o início da carreira profissional e outras responsabilidades que passei a ter obrigaram-me a tomar opções - e deixar de pagar as quotas e reduzir drasticamente a presença no estádio foram certamente as que mais me custaram. 

Depois veio um ano a trabalhar no estrangeiro, anos consecutivos a trabalhar fora de Lisboa que cortavam o fim-de-semana ao meio (o final de domingo era para preparar a mala e fazer-me à estrada) e, claro, os filhos, foram toda uma sequência de circunstâncias que me levaram a adiar sucessivamente a decisão de voltar a ser uma presença assídua em Alvalade. Durante todos esses largos anos os jogos do Sporting que não vi devem-se poder contar com os dedos das mãos - com exceção do tempo passado no estrangeiro, pois na altura ainda não existiam os milagrosos streams da internet -, jogasse a equipa bem ou mal, mas quase sempre em casa, num café ou restaurante, ou num hotel. Ver um jogo no estádio era um acontecimento esporádico. 

Os constrangimentos financeiros que me levaram a deixar de ser sócio e ir assiduamente ao estádio felizmente há muito que estavam ultrapassados, mas o hábito é uma coisa realmente complicada de contrariar.

O clique que me fez voltar a querer fazer parte da vida do Sporting foram as últimas eleições. Durante anos assisti ao declínio progressivo do clube com enorme angústia, mas nunca me ocorreu que poderia ser parte da solução - voltando a ser sócio, podendo participar mais ativamente na vida do clube ao escolher os nossos líderes e contribuindo com a minha presença no estádio para apoiar os nossos jogadores. Durante os meses finais do mandato de Godinho Lopes, só houve uma coisa pior que o sentimento de ver o meu clube afundar-se a caminho da bancarrota: a constatação de que se isso se concretizasse eu não teria feito absolutamente nada para o evitar. Não poder votar nas últimas eleições foi algo que me incomodou profundamente. 

Poucos dias depois das eleições reinscrevi-me como sócio e aproveitei para juntar os meus filhos à família sportinguista. Na época 2013/14 finalmente comprei a gamebox e apenas perdi um jogo, por coincidir com o aniversário do meu filho mais novo. Este ano ainda não falhei nenhum, e no que depender de mim não tenciono falhar. E para o ano que vem certamente que poderão contar com a renovação da gamebox - e por aí adiante, desde que haja saúde e dinheiro para isso.

Não tenho por hábito escrever sobre mim porque é algo que não tem qualquer interesse para quem costuma vir aqui, mas achei que devia partilhar isto para dizer que não estou a ser minimamente irónico quando digo que percebo perfeitamente quem prefere ficar em casa do que ir ao estádio.

É com base na experiência que tive que peço a quem ainda não é presença regular em Alvalade que reconsidere, porque se decidir engrossar a legião de leões que fazem de cada jogo um ambiente extraordinário certamente não se arrependerá.

Uma presença de sportinguistas em massa, neste momento, poderá fazer decisivamente a diferença para as portas que se abrirão para o nosso clube num futuro próximo. Se um estádio cheio passasse a ser a regra, sem em vez dos típicos 35.000 / 40.000 passassem a ser 45.000 / 50.000, para além das receitas diretas e do apoio à equipa, já viram o sinal que isso mandaria para o país, para os patrocinadores e para os agentes do futebol? Tudo isto numa altura em que a equipa de futebol demonstra uma vitalidade gigantesca, em que a construção do pavilhão está cada vez mais perto de acontecer, e em que o Sporting Clube de Portugal, enquanto força eclética, está a tomar consciência dos erros cometidos no passado e quer despertar de um pesadelo que parecia não ter fim.

O clube tem feito os possíveis e os impossíveis para merecer a presença dos sportinguistas no estádio. Começando por uma direção que tem defendido (goste-se ou não do estilo) os interesses do clube de forma intransigente, ao mesmo tempo que concretizou de forma extraordinária o reequilíbrio das contas do clube através de uma gestão rigorosa. A frase fazer mais com menos não podia ser mais apropriada. Um treinador jovem e corajoso que foi capaz de pôr um grupo de jogadores a jogar à bola de uma forma que há muitos anos não via. Um conjunto de jovens jogadores talentosos e raçudos, com uma forte componente de elementos portugueses e da formação que nos dão uma identidade única a nível nacional - sim, porque nós agora podemos dizer que temos a espinha dorsal da seleção.

Não estou a querer dar lições de sportinguismo a ninguém porque não sou nitidamente a pessoa indicada para o fazer. Há por aí muita gente que dedicou muito mais tempo, dinheiro e energia ao clube do que eu. Mas é um apelo que vos faço, a bem do Sporting e a bem de quem me esteja a ler: se puderem, vão ao estádio no domingo. Se gostarem do que viram - não me refiro a resultados, refiro-me ao ambiente das bancadas e à atitude dos jogadores - voltem contra o Schalke. E por aí adiante. Passadas quatro ou cinco partidas ao vivo vão ver que assistir ao jogo no sofá saberá a muito pouco.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Show nas bancadas

                                                                                                                                                            
No domingo de manhã, a SportTV repetiu a transmissão do Porto - Sporting para a taça. Por algum motivo técnico que desconheço, a segunda parte foi transmitida sem as vozes dos comentadores - ouvindo-se apenas o som ambiente do estádio.

O blogue Com quem é que joga o Sporting colocou os últimos 15 minutos do jogo, em que é possível ouvir o show que veio dos sportinguistas presentes nas bancadas.

Vale a pena ouvir. Se tiverem interesse façam-no logo que possam, pois deve ser uma questão de tempo até o vídeo ser bloqueado.

Par de duques

                                                                                                                                                
A saída Mário Figueiredo é inevitável há muito
                                                                                                                                                           
Ponto prévio: independentemente das opiniões que vou dar sobre o processo de escolha de Luís Duque para o cargo de presidente da Liga e sobre as motivações de quem se lembrou de o convidar, não tenho dúvidas que Mário Figueiredo tem que ser afastado a bem do futebol português.

Sim, Mário Figueiredo afrontou os poderes instalados (Olivedesportos e Porto), mas fora isso o seu mandato foi caracterizado por um comportamento errático ao sabor dos apoios que julgava recolher no momento. Quem acabou por sofrer com isso foram as competições geridas pela Liga.

Mário Figueiredo não descansou enquanto não alargou o campeonato. Em 2012/13 chegou a propor a passagem para 18 clubes para 2013/14, que implicaria a alteração do esquema de promoções e relegações na própria época que estava em curso - proposta que acabou por ser chumbada na FPF. No ano seguinte, aproveitou a decisão do CJ que anulava a relegação do Boavista para concretizar os seus objetivos. A Liga tem agora 18 clubes, mas a competitividade não ganhou nada com esse alargamento. Entretanto também já tratou de expandir a II Liga para 24 clubes, o que é um completo absurdo financeiro e desportivo.

O facto de a Liga ter perdido praticamente todos os patrocínios (não só da Liga mas também da Taça da Liga) é outro ponto negativo, mas aí há duas atenuantes que Mário Figueiredo não podia controlar: a conjuntura económica e o ambiente de guerrilha que foi aberto por grande parte dos clubes a partir do momento em que os direitos da Olivedesportos foram colocados em causa.

Esse ambiente de guerrilha descredibilizou ainda mais o futebol e Mário Figueiredo deixou de ter quaisquer condições para continuar no cargo, sendo de lamentar os expedientes a que recorreu para tentar perpetuar-se no poder.

Resumindo, Mário Figueiredo foi um mau presidente da Liga e não gostei quando soube que o Sporting votou nele nas últimas eleições - mesmo considerando que era a única lista que foi a votos.


As motivações de Pinto da Costa

Parece-me óbvio que era do interesse do Porto afastar uma direção que lhe era hostil, não só por todos os inconvenientes práticos que Mário Figueiredo lhes causava em assuntos tratados pela Liga, mas também pela perda de face que é para Pinto da Costa não ter qualquer controlo num dos órgãos de poder do futebol português - mesmo que o poder real da Liga de Clubes seja atualmente bastante escasso.

Mas a motivação principal é, obviamente, a batalha que Mário Figueiredo estava a fazer contra a Olivedesportos, procurando anular os contratos em vigor de forma a poder renegociar de forma centralizada os direitos de televisivos. 

Seara era o nome inicialmente escolhido pelas boas relações que tem com a Olivedesportos, mas perante a sua recusa para encabeçar novamente uma lista, Duque acaba por ser the next best thing. Aliás, Duque e Seara são unha com carne. Ou carne com unha, talvez seja mais adequado. Não só são amigos de longa data, como também Duque foi vereador de Seara na Câmara de Sintra, e Seara foi adjunto de Duque durante a sua presidência da AF Lisboa.

Outra questão relacionada com a renegociação dos jogos que incomodava Pinto da Costa seria a intenção de Mário Figueiredo distribuir uma parcela maior das receitas pelos clubes mais pequenos.

O percurso de Pinto da Costa e Joaquim Oliveira tem sido feito de mão da dada na turva história recente do futebol português, pelo que não se é de surpreender esta atitude por parte do Porto.


As motivações de Vieira

Aqui é onde tudo fica mais confuso. A partir do momento que o Benfica avançou com a transmissão dos seus jogos, não parece que faça sentido que apoiem alguém que procure centralizar os direitos televisivos. A centralização implica que TODOS os jogos sejam vendidos em pacote a uma única cadeia, o que à partida significaria o fim da BTV.

Mas a verdade é que parece ser esse mesmo o objetivo do Benfica, pelo menos a julgar pelas palavras de Rui Gomes da Silva na segunda-feira passada:


Quando o vice-presidente do Benfica diz que Duque será um grande presidente da Liga se conseguir liderar um projeto de concentração de direitos televisivos, as intenções do Benfica ficam bastante mais claras.

Concentração implica um único operador. Perante isto há três hipóteses:
  • O Benfica quer comprar todos os direitos televisivos para a BTV - politicamente impossível, e o Benfica não tem a liquidez necessária para pagar antecipadamente a todos os outros clubes.
  • O Benfica está a preparar terreno para a entrada de um outro operador na disputa dos direitos - pouco provável, pois os relacionamentos políticos de Joaquim Oliveira impediriam um cenário desses (não esquecer que a banca entrou no capital da Controlinveste no âmbito da reestruturação financeira do grupo de Oliveira, e não irá financiar um potencial concorrente).
  • O Benfica chegou à conclusão que não é compensador continuar a deter os seus direitos televisivos e quererá que a BTV seja uma espécie de SportTV 6 (RGS fala em diferentes plataformas), incorporada no pacote SportTV.

Esta última hipótese parece-me bem mais provável, por três motivos:
  • A BTV, num ano de enorme sucesso desportivo, não teve lucro que compensasse a proposta de €22,2M / ano que a SportTV fez. Conseguiu chegar aos 300.000 assinantes apenas num mês em que recebeu Porto e Sporting, o que certamente terá levado a captado provisoriamente assinaturas de adeptos não-benfiquistas. 
  • Certamente que estará na mente dos dirigentes benfiquistas o que pode acontecer às receitas da BTV se a prestação desportiva não corresponder às expetativas dos seus adeptos.
  • Vantagens do ponto de vista de liquidez, pois o Benfica receberia antecipadamente o dinheiro dos direitos televisivos (em vez de receber à medida que os assinantes pagam) - numa altura em que o crédito bancário nunca esteve tão apertado.

A centralização dos direitos televisivos seria uma forma de Vieira poder acabar com o projeto de transmissão dos próprios jogos sem perder a face (pelo menos na cabeça dele - falamos do homem que tentou convencer o mundo de teve lucro na venda de Roberto), e incorporando a BTV na SportTV seria talvez uma forma de contornar a indexação dos contratos de Sporting e Porto ao que o Benfica receberá ao vender os seus direitos.

Outra conclusão que se tira, perante os almoços na Mealhada e os apertares de mão entre Vieira e Pinto da Costa, é que depois de longos anos a correr por fora, o presidente do Benfica sente-se finalmente confortável a vestir o fato do tal "sistema" que antes dizia combater.


O comportamento do Sporting no processo de escolha de Duque

Por norma não gosto de ver o meu clube a excluir-se da resolução de problemas que interessam a todos, mas a nomeação de Duque apenas vem dar razão à ausência do clube da reunião que determinou a sua escolha.

Benfica e Porto encontraram um ponto comum de entendimento e, mais do que discutir um programa que girasse em torno do interesse das competições, preocuparam-se apenas em encontrar um nome (escolhido secretamente pelos dois presidentes, tendo sido revelado aos outros clubes na própria reunião que o "elegeu") que erguesse o estandarte dos seus interesses. Para além disso, tem o bónus de ser uma figura envolvida num conflito judicial com o Sporting. O facto de Godinho Lopes ter sido contactado antes de Duque demonstra que a exclusão do Sporting de uma eventual solução era um ponto fundamental para Vieira e Pinto da Costa.

Esta escolha de Luís Duque por Benfica e Porto não é mais que um par de duques no póquer: uma mão demasiado fraca para ganhar que só pode iludir tolos.

Como tal, fez bem o Sporting em não cair no bluff dos rivais e demarcar-se desta escolha. Já existe demasiada gente a fazer figura de tolo à mesa.