sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capas que não fizeram história, nº 18: Barrete bem enfiado

Dezembro de 2010

Salta à vista o barrete bem enfiado na capa desta edição natalícia do jornal O Jogo. Não me refiro ao gorro do Pai Natal colocado no logotipo da publicação, mas sim à categórica afirmação do presidente Pinto da Costa sobre a permanência de Villas-Boas no clube por mais de dois anos.

Justiça seja feita ao decano dirigente, ninguém (nem mesmo ele) poderia adivinhar o estrondoso sucesso do Porto nessa época, que tornou o jovem treinador irresistível para clubes com folhas salariais mais generosas, relativizando o encanto da sua cadeira de sonho. 

Mesmo assim, Pinto da Costa até conseguiria minimizar os danos da saída repentina de Villas-Boas, roubando-lhe o adjunto e fazendo dele um treinador de sucesso durante os dois anos que se seguiram.

Outros tempos...

Este também enlouqueceu de vez

É uma convocatória que roça o surreal.


Percebo porque Rui Patrício terá ficado de fora. Paulo Bento deve querer observar os outros guarda-redes para decidir quem acompanha o jogador no Sporting para aquela posição no mundial. Mas já não percebo porque todos os outros titulares são chamados.

Não compreendo a insistência em Josué, que tem estado em má forma no Porto.

Não compreendo a aposta em Ivan Cavaleiro, que simplesmente pouco tem jogado ao mais alto nível.

A participação de Ivan Cavaleiro na I Liga nos últimos 4 meses
Fonte: zerozero.pt

A chamada de Rafa parece-me justa. Não compreendo no entanto o motivo de Edinho ser chamado, agora que está desterrado num desconhecido clube turco.

Custa-me ver Adrien, que tem feito uma época de grande nível, ficar de fora e ver Josué e Rúben Amorim a serem chamados.

E é um crime Cédric não ser convocado. Neste momento já é melhor jogador que João Pereira e Miguel Lopes.

Fica difícil suportar esta má vontade de Paulo Bento para com os jogadores do Sporting. Por outro lado, vemos jogadores como André Almeida e André Gomes a serem imediatamente convocados quando conseguem jogar 15 minutos pelo Benfica. Fica mesmo, mesmo difícil aturar estas atitudes do selecionador nacional.

Enlouqueceram de vez

Consigo compreender o delírio benfiquista pelo golo de Gaitan. Não tanto pela beleza estética do lance, mas pela originalidade da execução. Não sei se foi ou não propositado, mas admito que sim, já que Gaitan é de facto um jogador com imenso talento. Por isso também consigo compreender a capa do Record de hoje.


Mas já me preocupa um pouco o estado de excitação descontrolada que se vive na redação do jornal A Bola. O jornal de Vítor Serpa e José Manuel Delgado preferiu apontar os holofotes noutra direção:


Magia de Markovic? Pura classe? Sérvio fecha as contas com grande golo? Só para confirmar, estão a falar disto, certo?


É melhor que se comecem a acalmar. Se continuarem assim alguma coisa vai ceder: ou o coração ou a bexiga. Pelo sim pelo não, comecem a abastecer a redação de material deste tipo. Estão mesmo a precisar.


Ontem fui do Porto desde pequenino

Fiquei muito satisfeito com o resultado do Porto ontem. Genuinamente satisfeito. 

Relaxem, não fui tomado por qualquer sentimento patriota que leva muitos a torcer por todos os portugueses em prova. Se fosse esse o critério, seria obrigado a torcer pelo Valência, a equipa em prova com mais habituais titulares portugueses. Nem tão pouco foi pelos pontos que o Porto poderá amealhar para o ranking de países da UEFA. 

Torci pelo apuramento do Porto porque assim seguir-se-ão dois jogos muito exigentes contra o Nápoles, que irão puxar ainda mais pelo físico de jogadores chave que já andam bastante desgastados, como Danilo, Alex Sandro, Fernando e mesmo Jackson. Tirando o duo do meio-campo que joga à frente (ou ao lado) de Fernando, e do companheiro de Mangala no centro da defesa, têm sido sempre os mesmos a alinharem de início, seja no campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga ou nas competições europeias. 

O calendário do Porto em Março é o seguinte:

Fonte: zerozero.pt

Será um mês com jogos consecutivos ao fim-de-semana e a meio da semana em que o Porto não poderá poupar ninguém, com a agravante de, ao jogar para a Liga Europa, ter um tempo muito reduzido de descanso para o jogo seguinte no campeonato. Só há um buraco no calendário sem jogos, entre 2 e 9 de Março, porque irão haver jogos das seleções. Jackson lá terá que fazer mais um passeio transatlântico para jogar no dia 5 contra a Tunísia.

Mas não foi só por isso que fiquei satisfeito pelo apuramento do Porto. Para além do desgaste, há também o importante bónus de Paulo Fonseca ganhar algum tempo para respirar. Pelo menos até domingo.

Em relação ao Benfica o apuramento foi mais que natural. Jesus fez contra o PAOK uma rotação inteligente nas posições dos jogadores mais utilizados do meio-campo e ataque, mas duvido que faça o mesmo contra o Tottenham. Não só Jesus já mudou o discurso em relação aos objetivos da Liga Europa (já fala na final) e não acredito que não caia na tentação de meter a carne toda no assador. Não só vai jogar num grande palco (e todos sabemos como Jesus anseia por grandes palcos), como o nível do adversário exigirá o melhor que o Benfica pode apresentar.

No dia 13 descobriremos se o campeonato é realmente a primeira prioridade do Benfica ou se, como no ano passado, o objetivo será mesmo ganhar tudo. Tenho a sensação que daqui para a frente, Jesus só poupará na Taça da Liga. Nos outros jogos, tirando uma ou outra mudança pontual, serão sempre os mesmos a jogar. Espero que com o mesmo resultado final dos anos anteriores.

Balanço das arbitragens: 20ª jornada

Benfica 1-0 Guimarães (Nuno Almeida)
40' - Há dúvidas em relação à posição de Markovic no lance do golo - decisão certa, o jogador do Benfica está em posição regular no momento do passe de Rodrigo
45' - Addy faz falta sobre Markovic num lance de contra-ataque, o árbitro optou por não mostrar-lhe o segundo amarelo - decisão certa, aceita-se a decisão por se tratar apenas de uma obstrução; para além disso Addy tinha acabado de ver o amarelo há pouco mais que um minuto
=: arbitragem sem influência no resultado

Porto 0-1 Estoril (Vasco Santos)
77' - Mangala derruba Evandro na área, o árbitro assinala penalty - decisão certa, Mangala toca de facto em Evandro
77' - Mangala é expulso na sequência da falta para penalty - decisão certa, o jogador do Estoril estava isolado, numa jogada de perigo iminente
=: arbitragem sem influência no resultado

Rio Ave 1-2 Sporting (Jorge Ferreira)
Não existiram situações duvidosas de erros críticos de arbitragem.


Resumo da jornada



Acumulado da época




Classificação



Jogos com arbitragens com influência no resultado


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Capas que não fizeram história, nº 17: O talismã

O Rio Ave - Sporting foi um jogo complicado. À medida que o tempo ia avançando e a equipa tardava em conseguir pegar no jogo, a minha confiança na vitória ia minguando cada vez mais. No entanto, houve um momento no jogo em que a minha fé renasceu. 

Não, não foi com o golo do empate de Slimani. Foi importante, mas eu continuava algo descrente. O que me fez voltar a ter uma grande confiança na vitória foi quando o repórter de campo disse, com o resultado ainda em 1-1, que Roderick se preparava para entrar no Rio Ave.

Da última vez que Roderick entrou com o resultado em 1-1, todos sabemos como correu para o clube que o jogador representava na altura.

E o que é facto é que o talismã funcionou. De forma tão eficaz que o Sporting marcou o 2º golo ainda com o jovem jogador a preparar-se para entrar.

Recordei-me também desta capa, que mostra à distância de 4 anos a forma brilhante como o Benfica prepara e promove os seus talentos da formação, recusando inclusivamente propostas dos colossos europeus que fazem fila à porta do Seixal à espera de ver qual será a próxima pérola a ser apresentada ao mundo do futebol.

Outubro de 2009

Lixo de jornal e de gente que lá trabalha



Carlos Mané é um jovem jogador que provavelmente estará a atravessar o melhor período da sua vida. Nasceu com talento, mas teve que trabalhar muito para conseguir chegar à primeira equipa do Sporting, ultrapassando ou aprendendo a lidar com as muitas adversidades que a vida lhe colocou no seu caminho.

Segundo o Correio da Manhã, o pai do jogador está em fuga à justiça por ser um líder de um grupo que traficava droga, sendo argumento suficiente para colocar uma fotografia de Carlos Mané com uma manchete a toda a largura da página.

Não interessa que o jogador não se relacione com o seu pai há anos, nem o facto de isto não ser um acontecimento novo, já que pelos vistos o pai de Mané está em fuga há um ano.

O que interessa, para o Correio da Manhã, é usar o nome e a imagem de outros para fabricar notícias. Não interessa se é de facto notícia, nem tão pouco interessa se é assunto do foro privado da pessoa cuja vida estão a expor. 

Infelizmente é uma situação muito comum nesta publicação, que vive recorrentemente da calúnia, da manipulação de factos e do sensacionalismo para vender mais. E infelizmente há muita gente que vai na cantiga e continua a comprar.

Lixo de jornal e lixo de gente que lá trabalha.

Pelos vistos é contagioso


Argumentos de candidatos

Esta primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões mostrou um conjunto de jogos que promete transformar a luta pelo principal título mundial de clubes numa das mais espetaculares de que há memória.

São vários os candidatos assumidos. É um luxo para todos nós podermos ver em competição várias super-equipas com uma concentração de talento e vontade de triunfar inigualável na história do futebol.








quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O fim de ciclo e a soma das partes

É cada vez mais frequente ler e ouvir a expressão "fim de ciclo" associada ao Porto e à sua direção, nomeadamente a Pinto da Costa.

É evidente que ninguém pode adivinhar o futuro, pelo que benfiquistas e sportinguistas desejarão que, de facto, estejamos a assistir ao declínio do Porto enquanto clube hegemónico durante as últimas três décadas, enquanto que os portistas poderão argumentar que é uma conversa já batida que surge sempre que os resultados desportivos do Porto estão abaixo do esperado.

Sendo sportinguista, obviamente que desejo se trate mesmo do fim de ciclo de Pinto da Costa, não só porque o presidente do Porto confunde-se com o sucesso do clube, mas principalmente por considerá-lo um cancro para a verdade desportiva. Para mim, o lugar de Pinto da Costa é atrás das grades, e não no camarote presidencial de um clube grande, e só é possível num país como o nosso em que a justiça é uma bandalheira.

Voltando à questão do fim de ciclo, mais que wishful thinking, na minha opinião existem vários indicadores que me levam a acreditar que esta crise do Porto é real e bem mais grave do que querem fazer passar.


A idade de Pinto da Costa

O episódio do internamento de Pinto da Costa, que supostamente era de rotina, no final do ano passado, que depois acabou por prolongar-se durante bastante mais tempo que o previsto, é um sinal que o estado de saúde do presidente do Porto não é o melhor, o que não é de estranhar atendendo à sua idade. 

O facto de Pinto da Costa ter revelado que escreveu 4 cartas na eventualidade de a operação a que se submeteu em 2012 não correr bem, mostra que o próprio está consciente que não durará para sempre. Para além disso, pessoas com 76 anos já não estão no auge das suas capacidades físicas ou mentais, por muito extraordinárias que possam ter sido anos antes. É a lei da vida.


A sucessão: movimentações dos presidenciáveis e o vazio que se seguirá

Um regime presidencialista como o de Pinto da Costa depende muito, como é evidente, das qualidades do seu líder. O presidente do Porto é um homem extremamente inteligente e carismático, e saberá certamente rodear-se de pessoas competentes. Mas uma coisa é ser-se competente debaixo da asa de um líder incontestado, e outra é ser-se líder. É impossível que exista na estrutura alguém com as mesmas capacidades de Pinto da Costa, pois incompatibilizar-se-iam ao fim de pouco tempo. E o sucessor terá sempre uma herança muito pesada para suportar, pois ao mínimo insucesso serão inevitáveis as comparações com Pinto da Costa.

Não quer dizer que não existam muitos interessados para o lugar. António Oliveira há meses que fala como uma espécie de presidente-sombra, Antero Henrique promoveu uma reunião entre os Super Dragões e os capitães da equipa na própria noite da derrota com a Académica que cheira a operação de charme, e Alexandre Pinto da Costa aparece cada vez mais ao lado do pai e a ser a figura principal em alguns dos negócios do clube, como na contratação de Quaresma. E haverão certamente outros que estão na sombra que esperarão pela marcação de eleições para colocar a cabeça de fora. 


Falta de mão no balneário

Não é normal haver tantos sinais de descontentamento no balneário do Porto. E vermos tantos casos na gestão do plantel também são estranhos. Ontem, Kelvin e Fabiano declararam publicamente o seu descontentamento por jogarem pouco. Iturbe veio de imediato a dar apoio público a Kelvin. 

Jackson faz declarações recorrentes sobre a sua vontade em ir para campeonatos mais competitivos. Fernando recusou renovar durante muito tempo, apesar de o seu empresário ser um homem de confiança de Pinto da Costa, e só assinou num período em que já era livre para se comprometer com qualquer outro clube a troco de um prémio de assinatura exorbitante, o que leva a perguntar em que condições terá concordado em assinar por mais uns anos com o Porto -- o salário deve ser milionário, deve ter ficado com uma percentagem substancial do passe, e devem ter ficado acertadas condições de desvinculação que facilitem a sua saída. 

Ainda há Defour, que via redes sociais ou via empresário, vai lembrando que quer jogar para ir ao mundial, e os bem conhecidos casos de Izmailov e Fucile. 

Há uns anos seria impossível que tantos casos em simultâneo acontecessem.


O processo de escolha do treinador

Paulo Fonseca não é a primeira aposta falhada de Pinto da Costa, mas o processo que levou à sua contratação foi inédito. Tanto quanto me pareceu, o Porto esperou que o Benfica definisse o dossier Jorge Jesus para decidir o que fazer. Se Jesus não renovasse, provavelmente iria parar ao Dragão. Se renovasse, o potencial interesse do Porto iria obrigar o Benfica a abrir os cordões à bolsa -- como acabou por se verificar.

Vieira demorou tempo a decidir, e quem ficou também pendurado à espera da resolução do caso foi o treinador bicampeão nacional, que perdeu apenas um jogo em duas épocas. Vítor Pereira, como é evidente, estaria interessado em continuar, mas ao ver que não era definitivamente a primeira opção de Pinto da Costa, cansou-se de esperar e bateu com a porta.

Pinto da Costa pareceu sempre mais interessado em dar uma valente alfinetada no rival do que em arrumar a sua casa o mais rapidamente possível de forma a poder preparar a época atempadamente.


Política viciada de contratações

À imagem do que se passou com o treinador, a política do Porto nas contratações também não parece estar focada exclusivamente em aspetos desportivos. Se puder dar uma alfinetada nos rivais, tanto melhor. 

Ghilas foi contratado porque o Porto precisava de um substituto para Jackson, mas o motivo principal da sua aquisição foi impedir que o argelino fosse parar ao Sporting -- caso contrário o Porto nunca daria quase €4M por metade do passe.

Já no ano passado, no mercado de inverno, foram contratar Izmailov e Liedson, que pouco ou nada acrescentaram à equipa, mas que causaram um impacto psicológico profundo na auto-estima dos portistas e na depressão dos sportinguistas. Foi por um acaso de sorte que o Porto não sofreu as consequências destas más apostas.

Para além disso, o Porto parece andar a ganhar vícios de novo-rico ao contratar jogadores por valores muito avultados. Depois de Danilo e Alex Sandro, o Porto gastou milhões com Reyes e Herrera, desvirtuando o modelo de negócio em que apostaram com tanto sucesso, comprando relativamente barato para vender caro. Gastando tantos milhões em tão poucos jogadores, acabam por sobrar posições com poucas ou nenhumas alternativas aos titulares, como é o caso dos laterais. Danilo e Alex Sandro, que são dois dos principais desequilibradores do plantel, não têm descanso, e a equipa já está a sofrer as consequências desse desgaste.


Outros casos de navegação à vista

A estranha venda de Otamendi, a saída do titular indiscutível Lucho para as arábias, o regresso de Abdoulaye que encostou de imediato Maicon para o banco de suplentes e o vai-não-vai de Mangala e Fernando para o Manchester City, são outros casos estranhos que indicam que não tem havido planeamento desportivo competente.

A saída de Angelino Ferreira, por divergências com o resto da administração, e a entrada do ex-presidente da Câmara do Porto Fernando Gomes, é outro sinal de que nem tudo vai bem. Não vejo nenhum portista que se sinta tranquilo em relação a esta troca na administração.


A novela à porta do estádio

Tentando colocar-me na cabeça de Pinto da Costa, o único motivo que vejo para que o presidente do Porto se tenha dirigido para a porta do estádio para dizer por onde os jogadores deveriam sair, é dar um sinal público de que é ele que ainda manda no clube.

Podia ter telefonado ao responsável da PSP do seu gabinete. Podia ter mandado um dirigente intermédio para impedir os jogadores de saírem conforme a PSP estava a indicar.

Mas não, preferiu descer, acompanhado de uma série de administradores e dirigentes de topo, bem à vista das câmaras da televisão. Manteve-se durante largos minutos a falar ao telemóvel a uma distância curta dos jornalistas, a repreender sabe-se lá quem. Depois fez uma conferência de imprensa improvisada para falar indignadamente sobre o facto de a PSP querer alterar sentidos de tráfego de trânsito, para depois explodir perante uma pergunta natural do único jornalista que teve coragem para perguntar aquilo que todos queriam saber.

Toda esta novela não foi para desviar as atenções dos resultados da equipa de futebol. A mim parece-me que Pinto da Costa quis apenas e só para dar um sinal público de que é ele que ainda manda no clube, o que implica que existe uma luta de poder no clube.


A soma das partes

Todos estes casos que referi podem não ter muito peso individualmente, mas convenhamos que são já demasiadas situações a acontecer em simultâneo. Creio que é legítimo questionar se neste caso o todo não será já maior que a soma das partes.

Aguardemos pelos próximos capítulos.

O fã incondicional, o desorientado e um momento de lucidez

Houve vários momentos deprimentes no programa Dia Seguinte da passada segunda-feira, mas vou destacar os três que me parecem mais tristes:


O fã incondicional


"Eu devo dizer que a intervenção de Jorge Nuno Pinto da Costa ontem, quando vem cá fora, é do grande mestre. Enfim, um dos melhores presidentes de futebol (...) mas estou a dizer isto sem cinismo, palavra de honra, que eu estive a ver e disse 'que grande presidente' ". - Rui Oliveira e Costa. Que tristeza.


O desorientado


Guilherme Aguiar está habituado a tentar desmontar teorias da conspiração que os outros fazem contra o seu clube. Nota-se, no entanto, que não tem jeito para o papel inverso, ou seja, o de fabricar teorias da conspiração. É falta de prática, mas é também um sinal dos tempos, já que no passado não tinha que se preocupar muito com este tipo de coisas.

Um momento de lucidez


"Você que pertence a um clube que está a tentar pôr a cabeça fora de água, (...) como este programa é muito visto, pode ser que os adeptos do Sporting, que eu acho que não se devem influenciar muito por si (...)" - Guilherme Aguiar, dirigindo-se a Rui Oliveira e Costa.

Guilherme Aguiar tem estado muito tenso, stressado e desorientado, mas a verdade é que teve aqui um raro momento de lucidez. Serão mesmo poucos os sportinguistas que se deixam influenciar por Rui Oliveira e Costa. 

No entanto, incomoda-me esta recorrente falta de respeito que quer Guilherme Aguiar, quer Rui Gomes da Silva, têm revelado pelo paineleiro sportinguista. RGS fazendo piadas sobre os bitaites técnico-táticos de ROC, GA mais direto, só lhe faltando chamar ROC de burro. Chega a ser angustiante assistir a esta humilhação pública a que um consócio meu é alvo.

Toma lá de calcanhar

Link para o vídeo, do canal de youtube Sporting Fans

Golo marcado por Carlos Mané na NextGen contra o Liverpool. Tivesse sido marcado por um jovem a envergar outras cores, e não faltariam a partir daí chamadas de primeira página de certos jornais ao jogador.

Os meus agradecimentos ao leitor Mike Portugal pelo link.

€890

Fonte: página de facebook do Belenenses

€890 foi o valor recebido pelo Belenenses na venda de bilhetes de sócio no jogo com a Académica, correspondentes a 178 bilhetes a €5 cada. Nesse jogo, a assistência oficial foi de 2066 espetadores.

No resto da época, tirando o jogo com o Porto, os números não são muito diferentes.

Como é possível que os clubes sejam sustentáveis com uma massa adepta tão reduzida? Não se trata obviamente de um problema exclusivo do Belenenses, mas ver estes números colocados na página oficial de um clube não deixa de ser chocante.

É evidente para todos que a liga portuguesa não tem condições para ter 16 equipas. Com uma liga mais restrita, jogada em 2 fases (12 clubes) ou a 4 voltas (10 clubes), multiplicar-se-iam os jogos de grande interesse, haveria uma maior concentração de talento, e seria uma consequência natural que o futebol ganhasse público e valor publicitário.

No entanto, o que se discute por cá é se não se deve alargar a liga para 18 clubes. Que tristeza.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Mário Coluna

Estive um dia inteiro desligado do mundo e só agora soube da morte de Mário Coluna. Nunca tive oportunidade de o ver jogar, mas não tenho dúvidas que nos deixou um grande senhor, não só pelos triunfos que conseguiu, mas também pela postura discreta que sempre teve e que não o impediu de conquistar o respeito de companheiros, adversários e público. Ficam as minhas condolências à família e, claro, a todos os benfiquistas.

Mais uma capelada

No último domingo, João Capela foi o árbitro do Marítimo - Belenenses. Mais uma vez esteve em grande ao decidir expulsar o jogador Duarte Machado, do Belenenses, na sequência deste lance:


Curiosamente ou talvez não, Duarte Machado irá cumprir o castigo no jogo contra o Benfica, na próxima jornada. Isto três semanas depois de João Capela ter mostrado um cartão vermelho forçadíssimo a César Peixoto, que assim não pôde jogar contra o Porto.

Bipolarização, a quanto obrigas.

Jovens promessas: adenda ao post de ontem

O leitor Tugarão relembrou-me, a propósito do post que escrevi ontem sobre os jovens árbitros que se andam a acotovelar para mostrarem serviço a quem manda no futebol português, que Luís Ferreira, o árbitro do Ac. Viseu - Benfica B, já tinha brilhado a favor dos encarnados no Sporting B 1-3 Benfica B da época passada. 

Quem não se lembrar pode rever aqui a inacreditável arbitragem de Luís Ferreira, que expulsou de forma absurda dois jogadores do Sporting.


Foi precisamente na sequência desta arbitragem que Bruno de Carvalho, que na altura estava a cumprir os seus primeiros dias de mandato, fez a famosa declaração dos "pássaros":
"Houve aqui um bando de pássaros a sobrevoar o jogo todo e temos de os afastar. O futebol é para os jogadores e não para um bando de pássaros, temos muito trabalho para fazer e também temos de resolver os problemas dos pássaros. Eu não comento arbitragens, mas sim pássaros" 

Mais recentemente arbitrou também o Sporting B 0-1 Penafiel, em que o golo dos forasteiros foi marcado através de um penalty muito contestado pelos nossos jogadores. Luís Ferreira mostrou também cartões vermelhos a Wallyson (aos 45') e a Riquicho (aos 76'). Infelizmente não encontrei imagens disponíveis para poder verificar se as decisões do árbitro foram ou não acertadas. 

Definitivamente, Luís Ferreira é um nome que não convém esquecer, pois é árbitro de 1ª categoria desde 2012, e deve ser uma questão de tempo até que o ponham a arbitrar jogos dos grandes.

Conversa de café

Quero começar por dizer que acho o Contragolpe um bom programa. Apesar de existirem algumas figuras com quem simpatizo pouco, é composto por pessoas informadas, que não fingem não compreender os meandros obscuros do futebol português, e que não têm problemas em confrontar as opiniões dos outros quando não concordam com elas. Tudo isso gera uma dinâmica interessante que prende a atenção de quem assiste ao programa.

No entanto, o Contragolpe abusa de algo que eu não aprecio muito: de gente que gosta de falar de forma demasiado categórica, como se fossem donos absolutos da verdade. Como por exemplo, se passou no programa do último domingo:



Rui Pedro Braz afirma categoricamente que o Estoril é muito melhor que o Eintracht Frankfurt, para marcar uma posição em como o resultado do Porto para a Liga Europa foi mau. 
"Mas o Eintracht Frankfurt com o Estoril em dez jogos se calhar não ganhava um, calma lá! Queres comparar este Estoril com o Eintracht Frankfurt? [EP: É melhor o Estoril?] Mas muito melhor! (...) [O Frankfurt na liga portuguesa] Não estava no quarto lugar, nem pensar!"

Note-se que não quero colocar em causa a competência com que se trabalha no Estoril. Mesmo tendo perdido Jefferson, Carlos Eduardo, Licá, Steven Vitória e Luís Leal após a excelente campanha da época passada, a carreira da equipa neste ano continua a ser notável e é indiscutível que Marco Silva e a direção do Estoril estão a fazer um trabalho extraordinário.

Voltando à afirmação de Rui Pedro Braz, acho estranho que faça uma afirmação destas considerando apenas a prestação de ambas as equipas contra o Porto no espaço de alguns dias. Não acredito que tenha visto muitos jogos do Eintracht Frankfurt antes da passada quinta-feira. Depois, parece-me precipitado desvalorizar a força de uma equipa da Bundesliga a ponto de dizer que é muito pior que qualquer clube português que não seja um dos grandes.

É um estratagema demasiado comum nos tempos que correm. Comentadores que dão as suas doutas opiniões, polémicas ou não, com um ar decidido e segurança na voz, sobre algo que sabem que não pode ser verificado, mas que trazem audiências e que os ajudam a fazer nome.

Nunca poderemos saber com certeza se o Estoril 2013/14 é ou não muito melhor que o Frankfurt 2013/14. Nem um joguinho irão fazer entre si, quanto mais dez. Mas por acaso até existe um indicador que nos mostra um pouco como se poderia dar o Estoril no campeonato alemão. Rui Pedro Braz provavelmente não se lembrou que o Estoril teve no seu grupo da Liga Europa uma equipa alemã, com quem jogou por duas vezes há poucos meses.


Dois empates...


... com o atual penúltimo classificado da Bundesliga. 

Lá está, não prova nada sobre a relação de forças entre o Estoril e o Frankfurt, mas talvez seja suficiente para demonstrar que a afirmação de Rui Pedro Braz é, no mínimo, contestável.

Numa conversa de café ou num blogue (como este) aceita-se que se mandem postas de pescada destas. Num programa de televisão que se pretende vender como sério, já não.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Falta aí um asterisco #18

in abola.pt
* a não ser que se possam marcar golos em fora-de-jogo.

Asterisco em falta apanhado pelo leitor Cantinho do Morais.

Jovens promessas

Mais um trio de arbitragem jeitoso para juntar a tantos outros que por aí andam. Este final de jogo do Académico de Viseu - Benfica B deixa água na boca para futuras atuações ao mais alto nível.

É liderado por Luís Ferreira, e já apitou alguns jogos da I Liga este ano. Junta-se a Hélder Malheiro (o da mão de Lolo e que expulsou 6 jogadores no Sporting B - Leixões) no apetitoso lote de jovens promessas de arbitragem para o futuro.


A Câmara do Porto tem que pôr mão nisto

Já estávamos habituados a arrumadores de carros que fazem riscos nas viaturas quando não recebem a moedinha. Agora, ver os arrumadores a não deixarem os condutores sair já me parece ser uma situação demasiado grave.


Será uma medida do novo administrador da SAD para o pelouro financeiro para tentar diversificar as fontes de receita do clube?

À atenção dos serviços técnicos da Polícia Judiciária

A qualidade de som das outras escutas era bem melhor.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Uma noite invulgar


Depois de ver o Porto - Estoril e toda esta novela à porta do estádio, não sei o que me surpreende mais:

a) Que exista um árbitro português (da AF Porto!) que tenha a coragem de assinalar um penalty contra o Porto e expulsar o jogador que fez a falta, a poucos minutos do fim e com o resultado a zeros

b) Que os administradores da SAD do Porto se tenham exposto desta forma tão pouco controlada à vista de toda a gente

c) Que exista um jornalista que se atreve a insistir em fazer perguntas incómodas

d) Que Rui Cerqueira não tenha desatado a dar biqueiros nas pernas desse mesmo jornalista

e) Que Pinto da Costa tenha protagonizado publicamente um momento "agarrem-me senão desfaço-o em pedacinhos"

f) Que o jornalista que foi alvo da fúria de Pinto da Costa ainda não tenha pedido aos marshalls americanos que lhe dêem uma nova identidade, para sua segurança

À atenção da Zon e da Meo

in record.pt

Vejam lá se garantem cobertura de televisão por cabo na rua do rapaz, por favor...

Fonte: zerozero.pt

Eu quero ver a turma de Alvalade a rematar

Eu queeeeeero ver... a turma de Alvalade a rematar.

Porque sem se rematar não se vence. Eu compreendo a questão de se jogar com "critério", de querer transformar uma situação de perigo relativo numa situação de maior perigo, e daí para uma situação de perigo iminente, mas convém não exagerar. É que esta noite a bola ou era mal passada, ou havia uma hesitação que dava o tempo suficiente para o defesa adversário meter o pé ou recolocar-se, e lá acabava a equipa invariavelmente por perder a bola.

Durante os primeiros 60 minutos, lembrei-me várias vezes do Sporting do ano passado. Ver o ponta-de-lança cair para o meio-campo para poder tocar na bola, para depois não haver ninguém lá na frente para a receber, é um filme já conhecido que normalmente não acaba bem. E insistir em jogadores que estão claramente a atravessar um mau momento (Wilson e André Martins) e noutro que ainda parece estar a adaptar-se a uma nova realidade (Heldon), é estar a dar uma grande parte do jogo aos adversários que se contentam em não perder.

É justo no entanto referir que o Rio Ave também raramente criou oportunidades de perigo. Teve uma única grande ocasião de golo durante todo o jogo quando Maurício, primeiro, e Rui Patrício, logo a seguir, evitaram aquilo que parecia ser um golo certo. O próprio golo do Rio Ave nasceu de uma perda escusada de bola de Jefferson, que deu origem a um cruzamento que ressaltou fortuitamente em Maurício, traindo Rui Patrício. Fez lembrar a derrota do ano passado por 2-1, em que os dois golos do Rio Ave surgiram de ressaltos que desviaram a trajetória da bola.

Felizmente, hoje a equipa teve argumentos para contrariar a besta negra que tem sido o Rio Ave nos últimos tempos e a maldição dos ressaltos de bola que nos afligem naquele estádio. Foi com a entrada de Slimani em jogo em que a equipa finalmente decidiu mandar o "critério" às malvas e deixar que a necessidade da reviravolta favorecesse a espontaneidade, o assumir do risco no remate sem perder tempo a pensar se não haverá um colega melhor colocado, fazendo, no fundo, aquilo que se pedia há mais tempo: colocar a bola no meio da área de modo a proporcionar oportunidades de golo aos homens mais adiantados.

Começou com Heldon a rematar prontamente após uma perda de bola de um defesa do Rio Ave, seguiu-se logo Montero a rematar de longe após uma excelente iniciativa de William Carvalho e, aos 70 minutos, Jefferson a fazer uma excelente investida pela esquerda e enviando um drone que sobrevoou a área e foi aterrar na cabeça de Slimani, que não perdoou e empatou a partida. 


A equipa não abrandou. Pressionou incansavelmente o adversário para recuperar a bola rapidamente e colocá-la lá na frente. Poucos minutos depois houve mais um cabeceamento de Slimani na direção da baliza, mas desta vez Ederson segurou. A equipa percebia que tinha que alimentar os seus avançados, mesmo que não fosse na melhor das condições. Sucederam-se cruzamentos, cantos, forçando o Rio Ave a procurar desfazer-se da bola de qualquer forma. E aos 85 minutos, em mais um cruzamento de Carrillo para a área, Rodriguez afasta de cabeça para a quina da área, Cédric, Carrillo e Montero foram à luta pela bola como se disso dependessem as suas vidas, recuperaram-na, Carrillo volta a meter a bola na área encontrando Carlos Mané, que sem pedir autorização a ninguém puxou o gatilho e disparou, fazendo um golo fantástico. Estava feita a reviravolta e também o resultado final.

Correu-nos muito bem este jogo. O Sporting jogou mal durante 2/3 da partida e apenas fez pela vida nos últimos 30 minutos. Leonardo Jardim mexeu bem no jogo, foi evidente para todos que o Rio Ave rebentou fisicamente e animicamente após o empate, e a vitória acaba por ser justa, mas na minha opinião corremos demasiados riscos ao não procurar a área desde o princípio. É que temos recursos suficientes para resolver jogos mesmo quando o "critério" não é o melhor. É preciso é dar-lhes oportunidades para isso.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Jogo de combate

Qualquer jogo em que o estado do relvado seja deplorável, como certamente será o caso do campo em que o Sporting jogará hoje, faz com que a diferença de qualidade entre os jogadores das duas equipas se reduza significativamente.

Mais do que um jogo de futebol, logo teremos oportunidade de assistir a um combate, em que vencerá quem tiver mais vontade e mais pernas, que certamente irão pesando mais à medida que o terreno for ficando mais pesado.

Felizmente, o Sporting tem sabido adaptar-se a estas circunstâncias. Por exemplo, contra o Gil Vicente, em que o árbitro permitiu variadíssimas entradas violentas sem que houvesse punição adequada (com exceção de uma rasteira violentíssima sobre William mesmo à sua frente). Ou, mais recentemente, com o Arouca, em que a equipa deu a reviravolta no resultado apesar do tenebroso estado do terreno naquele dia.

Temos muitos jogadores que atravessam um momento de forma longe do ideal, mas o que vamos precisar esta noite é de onze leões que corram, saltem e lutem mais do que o adversário. Se isso acontecer, e se não existirem outros fatores externos a condicionar a nossa equipa, certamente que conquistaremos os três pontos.

Espero também que os sportinguistas do Norte, e os que costumam acompanhar o clube para todo o lado, inclinem mais uma vez o ambiente para o nosso lado, como tão bem têm feito ao longo de toda a época. As ondas verdes que invadiram Coimbra, Faro / Loulé, Braga, Guimarães, Barcelos, Arouca e Penafiel também contribuíram para a excelente carreira que o Sporting tem conseguido fora de casa. Aliás, as vitórias que o Sporting tem conseguido fora de casa têm começado precisamente nesse extraordinário apoio.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O PAOK - Benfica nas capas de jornais

Apesar de apenas se ter jogado ontem um único PAOK - Benfica, há capas para todos os gostos.


A capa aziada (O Jogo)



A capa eufórica (Correio da Manhã)



A capa lacónica (Jornal de Notícias)



A capa sóbria (Diário de Notícias)



A capa de desprezo (Record)



A capa épica (A Bola)



É engraçado como jornalistas profissionais conseguem ver coisas tão diferentes no mesmo jogo. Enquanto uns vêm uma equipa que marcou golo na primeira vez que foi com perigo à baliza do adversário, outros vêm uma exibição de luxo que transformou um presumível inferno num simples passeio pelo parque.

Curiosamente, nem uma referência ao golo ilegal que deu a vitória ao Benfica. Não tenho nada contra, mas ainda não me esqueci desta capa com que o jornal A Bola nos presenteou há não muito tempo.


Há erros que são pecado e erros que se podem ignorar, não é Serpa e Delgado?

Os jogos no Dragão vão passar a ser à porta fechada?

in maisfutebol.pt

O acórdão

O Conselho de Disciplina entendeu que o atraso do Porto aconteceu com o objetivo de prejudicar o Sporting é um facto não provado. Como tal, multou o Porto em €383 e não com a derrota no jogo.

Ninguém fica surpreendido com esta decisão. Neste país só mesmo com uma confissão assinada pelos próprios prevaricadores é que é possível condenar-se alguém em tribunal que tenha acesso a um apoio jurídico decente.

Espero que o Sporting recorra da decisão. Quando o Conselho de Justiça confirmar a decisão do Conselho de Disciplina, espero que o Sporting cumpra a promessa feita de alinhar sempre com o mínimo de jogadores possível da equipa principal.

Dei também uma vista de olhos pelo acórdão, para perceber as fundamentações de quem decidiu. Em primeiro lugar, pareceu-me que a interpretação da existência de dolo é inteiramente subjetiva. Suponho que seja sempre, pois nunca será possível estabelecer com 100% de certeza o que leva alguém a tomar uma determinada decisão.

O que vem escrito no acórdão é isto: 

(Nota: nº 1 refere-se ao atraso sem dolo que é punido com multa, o nº 2 refere-se ao atraso com dolo que é punido com derrota derrota)



Ou seja, segundo a minha interpretação, o CD baseia a sua decisão em dois pontos essenciais:

1. Consideram que não foi provado que existiu dolo -- que na minha opinião é uma apreciação inteiramente subjetiva;

2. Para sustentar de forma mais objetiva a sua decisão, dizem que nem sequer os pressupostos para a multa estão todos cumpridos, suportando-se no facto de os jogos da 2ª (e penúltima) jornada na Taça da Liga terem sido disputados em horários diferentes, conforme também vem escrito no acórdão.


A Taça da Liga é uma competição mista (conforme a própria defesa do Porto reconhece no mesmo acórdão), pelo que me parece estranho que o CD estenda uma norma que se destina a regular competições que se disputam por pontos, nomeadamente o campeonato, que tem 30 jornadas.

Para além disso, outro dos motivos que leva o CD a acreditar que o Porto não teve intenção em prejudicar o Sporting, é este:

Acórdão do CD, no ponto Fundamentação de Direito

Ou seja, aqui a Taça de Liga já não é uma competição por pontos. 

Para além disso espanta-me que o CD utilize como fundamentação de direito a apreciação de que a Taça da Liga não é extremamente importante.

Não sou jurista e não tenho capacidade para entender se este acórdão e a decisão do CD fazem sentido ou não. Mas percebo o suficiente de chico-espertice para perceber que se não fossem estes argumentos, o CD faria por arranjar outros que lhes servissem de pseudo-fundamentação para não atribuir a derrota do jogo ao Porto. Seria apenas uma questão de testar os limites da imaginação.

Balanço das arbitragens: 19ª jornada

Paços Ferreira 0-2 Benfica (Duarte Gomes)
12' - Lima cai na área após disputa de bola com Flávio Boaventura, o árbitro não assinalou nada - decisão certa, o jogador do Paços corta a bola
44' - Flávio Boaventura faz falta por trás sobre Lima, o árbitro não mostrou 2º amarelo - decisão certa, a falta não é suficientemente dura para justificar o cartão
=: arbitragem sem influência no resultado

Gil Vicente 1-2 Porto (Paulo Baptista)
15' - Quaresma faz uma entrada por trás a Luís Martins, o árbitro mostra cartão amarelo - decisão certa, aceita-se a decisão, apesar de existirem situações idênticas em que os árbitros mostram vermelho
52' - Varela cai na área, o árbitro não assinala penalty - decisão errada, Adriano toca com o joelho esquerdo no pé direito de Varela, ficou um penalty por assinalar
=: apesar do erro, a arbitragem acabou por não ter influência no resultado

Sporting 1-0 Olhanense (Hugo Miguel)
28' - O árbitro anula golo a Montero por fora-de-jogo - decisão errada, Montero está em jogo; existem outros jogadores do Sporting em fora-de-jogo, mas não interferem na jogada
=: apesar do erro, a arbitragem acabou por não ter influência no resultado


Resumo da jornada



Acumulado da época



Classificação



Jogos com arbitragens com influência no resultado


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Renúncias

Na edição de hoje de O Jogo:

Contactado por O Jogo, Angelino Ferreira confirmou apenas que a decisão de renuncia os cargos que ocupava em todas as sociedades que fazem parte do universo do grupo FC Porto foi sua. "Saio por divergências na estratégia de gestão da sociedade", referiu, sem querer alongar-se em mais comentários. Há quatro anos, refira-se, Fernando Gomes, atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, abandonava a gestão financeira da SAD azul e branca com o mesmo argumento.


E eu a pensar que tudo eram rosas com contas consolidadas e €20M de lucro na época passada.

Bruno Prata dixit (edição Bundesliga)

Gosto muito de ouvir as análises a equipas e jogadores estrangeiros de Bruno Prata. Não tanto pela vertente técnico-tática, mas mais pela capacidade que o comentador da RTP revela a pronunciar nomes oriundos de outros países. 

No Grande Área de terça-feira fez-se o lançamento dos jogos da Liga Europa desta semana, e calhou a Bruno Prata fazer um comentário ao onze provável do adversário do Porto.

Se já é um deleite ouvir Bruno Prata falar sobre Bernard, James Rodriguez, Ancelotti e Laurent Blanc (link aqui), imaginem o que será uma análise aos jogadores do Eintracht Frankfurt. Que luxo.


Na defesa não deve estar o brasileiro Énderson Bamba, que saiu lesionado frente ao Dortmun (...) mas esta equipa por outro lado já foi ganhar a Liverkusen, é bom atentar a essa circunstância.


Não jogando a central Marcos Russ (Marco Russ), que era o central titular e que provavelmente vai funcionar como médio defensivo no lugar de Schervelo (Schwegler), deverá jogar Madlung, um jogador que rescindiu com o Wolfsvurg.


Sendo a base o 4-4-2, por vezes joga em 4-2-3-1 como aconteceu frente ao Dortme.


Do lado contrário, atendendo à má prestação de Tobias Weis, é muito possível que este fique de fora, este jogador que chegou emprestado pelo Hoffenheinh.


O melhor marcador desta equipa é Elexender Mayer (Alexander Meier).



Quem quiser ver os 3 minutos com a análise completa pode fazê-lo no vídeo seguinte.


A independência dos paineleiros

Miguel Guedes é um homem que faz questão de afirmar com alguma frequência que é totalmente independente, que as suas opiniões são inteiramente livres e que de nenhuma forma são condicionadas pela cartilha portista. 

Só acredita nisso quem quiser.

Este episódio passou-se há cerca de um ano, mas na minha opinião é um caso exemplar em como o Porto utiliza todos os canais disponíveis para passar a sua mensagem.


Faz todo o sentido: Miguel Guedes quis saber se Izmailov se escreve com I ou com Y, e dirigiu-se a alguém do clube (certamente ao departamento de estudos eslavos do FCP) para obter esse esclarecimento. Só quem em vez de obter a resposta através de chamada telefónica ou de SMS, teve direito a uma fotocópia a cores do passaporte do jogador para poder exibi-lo a todos que o vêm no programa de televisão.

Como é evidente não há nenhum crime nisto, mas para mim é um sinal evidente de que o Porto utiliza este tipo de programas para construir e suportar as narrativas que mais lhes convêm, principalmente através de Miguel Guedes e Guilherme Aguiar.

Guilherme Aguiar que, por exemplo, no Dia Seguinte de 20 de Janeiro apresentou-se no programa munido de um exemplar do R&C consolidado do Porto, e desafiou RGS e ROC a apresentarem as contas consolidadas dos seus clubes. Não podia ter sido mais a propósito, pois no dia imediatamente a seguir o Porto emitiu este comunicado:

Fonte: fcporto.pt

Melhor coordenação era impossível.

Prefiro que os comentadores sportinguistas se mantenham independentes da direção, mas alguns deles precisam de ganhar consciência de que andam a defrontar gente bem preparada e instruída pelo seu clube a fim de passarem para o público a mensagem pretendida da forma mais eficaz possível. No mínimo, seria bom que começassem a preparar-se um pouco melhor para cada um dos programas.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Capas que não fizeram história, nº 16: Taça entornada

Fevereiro de 2009

Toda a gente já percebeu que a Taça da Liga é o parente pobre das competições nacionais, já que é usada como arma de arremesso por toda os clubes para marcar posições sobre as guerras e guerrinhas em que estão envolvidos.

O declínio desta competição, para muitos, começou com a polémica arbitragem de Lucílio Baptista na final da 2ª edição, em que o Benfica acabou por vencer o Sporting.

Mas a verdade é que antes disso a competição já tinha sido vítima das birras de certos e determinados clubes. E para quem ache que a questão dos 3 minutos de atraso do Porto é mesquinha, veja bem a polémica que motivou a capa que coloquei em cima.

Em 2008/09 o formato da competição era diferente. Antes das meias-finais existia uma fase de 3 grupos de 4 equipas, em que se apuravam os vencedores de cada grupo (que foram Porto, Sporting e Benfica), e o melhor 2º classificado. 

Fonte: zerozero.pt
Segundo os regulamentos, que indicavam como critério de desempate em caso de igualdade pontual o goal average e depois o número de golos marcados, o melhor 2º classificado deveria ser o Guimarães. Certo? Segundo o Belenenses, não. É que os azuis do Restelo interpretaram o conceito de goal average de uma forma inovadora: traduzindo à letra, não se refere à diferença de golos marcados e sofridos, mas sim à divisão de golos marcados por golos sofridos.

Ou seja, segundo o Belenenses o seu goal average seria de 2 (2 a dividir por 1), enquanto que o do Guimarães seria 1,5 (3 a dividir por 2), e como tal deveria ser o Belenenses a ficar em 2º e seguir para as meias-finais.

O processo seguiu os trâmites do costume e a Liga decidiu a favor do Guimarães. O Belenenses apresentou recurso da decisão ao CJ e, dias depois, interpôs um 2º recurso ao CJ sobre a ação da Liga. Este 2º recurso baralhou o CJ que acabou por demorar mais tempo do que devia para marcar a reunião para decidir o caso, o que colocou em causa a realização da meia-final entre o Benfica e o melhor 2º classificado, que estava marcada para 4 de Fevereiro, tal como o Sporting - Porto (a outra meia-final).

O problema é que 4 dias depois das meias-finais da Taça da Liga havia um Porto - Benfica para o campeonato. Vendo que o jogo do Benfica estava em risco de não se realizar, o Porto ameaçou não comparecer nas meias-finais para não ficar com menos descanso que o Benfica para o jogo do campeonato.

Entretanto o CJ marcou uma reunião para dia 3 de Fevereiro. Aí foi a vez do Benfica ameaçar não comparecer no dia 4, pois não tinha condições para se preparar, já que só conheceria o adversário no dia antes.

No meio disto tudo a Unicer, patrocinadora da competição, só queria que a polémica se resolvesse. Ainda alguém se surpreende que a Taça da Liga não consiga angariar nenhum patrocinador nos dias que correm?

Como proceder em relação a Maurício?

in abola.pt

Não é aceitável que um jogador profissional se envolva em episódios destes com uma época a decorrer. Independentemente de no dia seguinte o jogador estar de folga ou não, trata-se de um comportamento irresponsável que compromete o trabalho que a equipa técnica e o próprio jogador realizam diariamente de forma a atingir o maior rendimento possível em cada jogo.

Nem é tanto pela taxa de álcool no sangue. Basta beber um ou dois copos com a barriga mais vazia e chegamos a esse nível. O que me incomoda mais é que Maurício não tenha pensado que uma noitada realizada a 300 quilómetros de Lisboa é algo de inaceitável num jogador profissional.

É inevitável que se recupere o caso de Rúben Semedo, que perante uma infração da mesma natureza (apanhado de madrugada pela polícia) foi afastado da equipa principal. No entanto, tratam-se de casos que não são de todo comparáveis no que diz respeito à gravidade dos atos cometidos.

Maurício foi apanhado com uma taxa de álcool no sangue que é punível com uma coima. Rúben Semedo foi apanhado a conduzir sem carta, que constitui um crime cuja pena poderia ir até aos dois anos de prisão. No limite, poderia acabar com a carreira do jogador.

Parece-me, portanto, que estamos a falar de coisas completamente diferentes. Existe um regulamento interno que define a conduta que os jogadores que pertencem aos quadros do clube. O que espero é que as punições previstas nesse regulamento interno sejam executadas. Se estiver definido que o jogador deva ser afastado temporariamente da equipa principal, que assim seja, mesmo considerando que Rojo não poderá jogar contra o Rio Ave.

Podem dizer que estaremos a dar um tiro no pé, e que assim o clube está a ser penalizado duplamente. Pode ser verdade, mas creio que serão maiores os danos se os responsáveis do Sporting condescenderem com uma atitude repreensível de um jogador.

Bruno de Carvalho tem tido uma postura inflexível em situações em que os interesses do clube estão a ser lesados, como aconteceu com Bruma, Labyad, Bojinov ou Elias, só para dar alguns casos. Essa persistência pode, a curto prazo, dificultar a vida ao próprio clube, mas a médio / longo prazo contribuirá para que esse tipo de casos deixem de acontecer, por serem conhecidas as consequências a que estarão sujeitos. Na minha opinião, essa postura da direção deve manter-se, por muito que possa custar ao clube no imediato.