quinta-feira, 31 de julho de 2014

A venda de Dier: embuste noticioso ou história inspirada em factos reais?

                                                                                                                                                  
Desde o final da tarde de ontem que se sucedem as notícias sobre uma mais que provável saída de Eric Dier para o Tottenham por €5M. A transação faz o pleno nas capas dos jornais (apesar de o Record falar apenas em interesse do clube inglês e não como um facto consumado), e até o Maisfutebol, que normalmente não é muito dado a noticiar meros rumores de transferências de jogadores, publicou ontem uma notícia que coloca o inglês com um pé fora de Alvalade (e continua a colocá-la ao princípio da tarde de hoje com um destaque considerável).



Haverá algum fundo de verdade nestas manchetes ou estaremos perante mais um boato sem fundamento, tão comum na silly season futebolística?

Bruno de Carvalho disse ontem, na sequência de perguntas colocadas por jornalistas sobre possíveis ofertas por Rojo e William, que "não há propostas por jogadores do Sporting". Pode não haver nenhuma proposta séria em cima da mesa, mas duvido que numa altura destas o Sporting não esteja envolvido em negociações com outros clubes para vender jogadores do plantel. 

O Sporting precisa de vender. Dier é um jogador de enorme potencial, está a 2 anos do final do contrato, o processo de renovação parece estar estagnado, é internacional sub-21 inglês, pelo que me parece normal que existam clubes interessados no jogador e que estas notícias tenham um fundo de verdade.

Espero no entanto que a venda do inglês não se concretize. Nem vou falar nos números referidos: €5M parece-me um valor ridiculamente baixo. Qualquer clube da Premier League, e até alguns do escalão abaixo, têm meios financeiros para cobrir a cláusula de rescisão de €20M. A meu ver, se esta venda se concretizar por €5M será um negócio ruinoso, ao nível da venda de Garay ao Zenit.

O Sporting tem primeiro que esgotar todas as hipóteses de renovação com Eric Dier. É um jogador da casa, com carácter, querido pelos adeptos, e que pode vir a ser um dos melhores centrais que alguma vez tivemos. Faltam dois anos para o contrato terminar, pelo que o Sporting não tem que se sentir pressionado para abrir mão dele tão cedo.

Até acredito que a direção do Sporting esteja a negociar Dier, mas nunca por estes valores. Depois de conseguirem fechar as vendas de Bruma e Ilori por montantes superiores em circunstâncias bem mais desfavoráveis, seria um passo atrás na credibilização negocial do clube estar a oferecer o inglês por uma verba tão reduzida - a não ser que exista alguma cláusula no contrato que preveja uma saída do jogador a preço de saldo para Inglaterra.

Dier em Inglaterra por €5M? Ver para crer.

A César o que é de Garay

                                                                                                                                         

É jovem, tem potencial, está a adaptar-se a um país novo, a um clube novo, a um treinador novo e a colegas novos... aceito e compreendo isso tudo. Mas será que se o mesmo se passasse com um jogador de qualquer outro clube português, não seria olhado de imediato com uma enorme desconfiança pelos especialistas da nossa praça? Lembram-se do que se dizia de Maurício - também proveniente da segunda divisão brasileira - há um ano atrás, apesar de ter bons desempenhos durante os jogos de preparação?

Mas não, temos que ouvir e ler 1001 atenuantes para os erros que César vai cometendo. Afinal, estamos na presença do novo David Luiz (falo do bom David Luiz, quando ainda equipava de vermelho, considerado pelos nossos jornalistas como um fantástico central - curiosamente, agora alguns desses mesmos jornalistas já acham que é pouco mais do que um cepo), e é importante que o processo de metamorfose de César num craque de nível mundial não seja perturbado por coisas menores como responsabilidades diretas em golos adversários.

(créditos ao blogue Com quem é que joga o Sporting?, por quem soube deste comentário)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O que pode correr mal na época do Porto?


Num ano em que o Sporting irá manter uma política de forte contenção orçamental (assumo que ainda serão vendidos jogadores por verbas que cobrirão os gastos em contratações) e em que o Benfica está em processo de desmantelamento de uma equipa de grande qualidade, o Porto tem-se destacado dos rivais ao realizar um grande número de contratações sonantes por montantes consideráveis - mesmo considerando o forte patrocínio de Jorge Mendes e outros fundos.

São bastantes os comentadores que, perante esta demonstração de fulgor financeiro dos ex-campeões, a par da sangria que vai havendo para os lados da Luz, e do Sporting que não deixa de ser o Sporting - e como tal, colocado num patamar abaixo em relação aos seus rivais -, não hesitam em colocar o Porto como principal favorito na corrida ao título. Pelo menos era assim até ao jogo de apresentação com o Saint-Étienne.

Concordo que se os planos correrem da forma que os seus dirigentes desejam, o Porto poderá ser a equipa melhor colocada à partida. No entanto, tenho as minhas dúvidas sobre a política de rotura com o passado que o Porto optou por seguir - já as tinha antes do empate a 0 do último domingo, pelo que não foi esse resultado que me moldou a opinião. Olho para a forma como o plantel do Porto se está a formar e vejo uma série de decisões de risco que poderão causar bastantes problemas ao longo da época que agora começa.


Parece que poucos comentadores repararam, mas o futebol portista está no meio de uma GRANDE revolução

Para além de terem contratado um novo treinador, são grandes as alterações do plantel do Porto relativamente ao ano passado. Comparando com o início da época passada, Helton (faz parte do plantel, mas dificilmente será utilizado), Otamendi, Mangala, Fernando, Lucho, Defour e Varela não farão parte da equipa. Ainda não se percebeu se Jackson continua ou não. Só aqui estão 8 dos jogadores mais importantes na conquista do campeonato em 2012/13 (some-se as saídas de Moutinho e James há um ano). Isto significa que dos 12 jogadores mais utilizados nessa temporada já só sobram Danilo e Alex Sandro. 

Uma das imagens de marca do Porto, que é contar com jogadores habituados a somar títulos, está portanto muito enfraquecida. Adrián, Óliver e Tello já foram campeões em Espanha, mas desempenharam um papel secundário.

O Benfica mantém o treinador, o Sporting mantém (até ver) todos os jogadores. O Porto nem uma coisa nem outra.


Lopetegui não tem experiência de clubes e de campeonato português

Lopetegui pode ser muito metódico, um estudioso do futebol, e extremamente competente em diversos aspetos relevantes para a profissão que tem, mas há algo que ninguém pode negar que lhe falta: experiência de treino em clubes.

Todos sabemos que existe uma diferença significativa entre:
- liderar um grupo de jogadores jovens que num dia podem ser chamados para a seleção e noutro podem ficar de fora das convocatórias, e 
- liderar um grupo de jogadores seniores, que não podem ser despachados de um dia para o outro, muitos dos quais com egos e empresários que podem desestabilizar o ambiente no balneário. 

E, claro, há os adeptos: a pressão diária de trabalhar num clube em que todos estão habituados a vencer títulos atrás de títulos, e que ao fim de 2 jogos sem ganhar entram em parafuso, é completamente diferente de fazer de dois em dois anos umas competições num país estrangeiro em escalões que poucas paixões despertam. Os assobios que a equipa ouviu no final do jogo com o Saint-Étienne são um bom indicador para que Lopetegui saiba o que lhe espera se o sucesso não for imediato.

Há outra questão importante: Lopetegui é espanhol e, como sabemos, é muito comum aos treinadores estrangeiros que vêm trabalhar para um grande português subestimarem as equipas mais pequenas. Normalmente estão mais habituados a competições em que os clubes mais fracos têm algum pudor em colocar constantemente 11 jogadores atrás da linha da bola, a marcarem implacavelmente os jogadores mais talentosos, e usando e abusando de expedientes que quebrem o ritmo de jogo do primeiro ao último minuto.


O playoff da Champions

É pouco provável que aconteça, mas se o Porto não se qualificar para a fase de grupos da Champions será um golpe profundo no moral dos jogadores (que se querem valorizar e perdem a maior montra de todas) e dos adeptos. Condicionará de forma extremamente negativa o resto da época.


As fraturas na estrutura

O conflito aberto entre Antero Henriques e Alexandre Pinto da Costa promete continuar em 2014/15, em que cada um procurará capitalizar os fracassos das apostas do outro. Não é de excluir que um ou outro possam procurar usar a sua influência para benefício dos seus protegidos no plantel, podendo contribuir para um eventual envenenamento do bom ambiente no balneário.


Divisões no plantel (os espanhóis e os outros), Quaresma e a situação de Jackson

O treinador está a trazer jogadores em quem confia. Outros jogadores que aspiravam à titularidade poderão não achar piada ao facto de serem relegados para o banco. Por exemplo, será que Fabiano, que poucas semanas antes da lesão de Hélton queixava-se de não ter oportunidades para jogar, reagirá bem se Lopetegui entregar a baliza a um guarda-redes desconhecido que vem do Osasuna?

Com a chegada de Tello e Brahimi, que espaço no onze sobra para Quaresma? Sabe-se que o jogador tem um feitio pouco compatível com o estatuto de suplente.

E finalmente, Jackson. Na minha opinião é um dos melhores jogadores do nosso campeonato (se não mesmo o melhor), mas é sabido que quer dar o salto para outra liga. Se ficar, qual será o seu nível de motivação?


Equipa macia e pouco dada ao choque, com falta de alternativas para um estilo de jogo mais físico

Olhando para o plantel em geral, vejo demasiados artistas e poucos operários. Dos operários do ano passado, Defour não foi apresentado e Fernando foi embora, sobrando apenas Herrera. Veio Casemiro, que apesar de ser trinco é considerado pelos especialistas como um jogador com mais apetência para construir jogo do que para varrer os ataques adversários. E ainda há Carlos Eduardo, Quaresma, Evandro, Quintero, Óliver, Brahimi, Tello e Adrián - mas nenhum deles é um jogador fisicamente poderoso. O único com essas características é Jackson.

Em teoria, uma equipa recheada de jogadores talentosos tem melhores hipóteses de vencer jogos, mas vai haver situações em que a inspiração coletiva vai tirar um dia de folga, e outras em que os terrenos são de tal forma pesados que são impróprios para se jogar pelo chão. Nesses casos daria jeito ter jogadores com outras características - coisa que este Porto parece pouco preocupado em recrutar. Nesse sentido não compreendo a dispensa de Ghilas, que oferece uma disponibilidade física ao ataque que apenas Jackson consegue superar.


A pressão financeira em janeiro de 2015

O Porto é um clube que tem custos gigantescos, e necessita de mais-valias substanciais na venda de jogadores para conseguir equilibrar as suas contas. 

Ainda não são conhecidas as contas finais de 2013/14, mas muito provavelmente o Porto terá prejuízos à volta dos €20M, pois:
a) no final do 3º trimestre o clube apresentou €38M de prejuízo
b) a esse valor, deve-se somar o prejuízo operacional do 4º trimestre, que deverá andar à volta dos dos €7-8M
c) descontar as mais-valias das vendas de Iturbe (o Porto recebe €7M), Castro (€2M) e Fernando (€15M - será que o Porto vai receber todo o valor da transferência? não acredito mas vou assumir que sim para esta simulação)

A venda de Mangala já fará parte das contas de 2014/15. Se a transferência for feita por €40M, o Porto receberá €22,4M (pois possui 56% do passe) que não será suficiente para cobrir o prejuízo do 1º semestre. Em janeiro, em função do enorme investimento que o Porto está a fazer (entre as contratações milionárias de Adrián e Martins Indi e os salário presumivelmente altos de todos os jogadores que vieram de Espanha), é normal que haja pressão para vender.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Mitos benfiquistas

A relação com os bancos, a Fly Emirates e a Benfica TV                                                               
Na caixa de comentários do post que escrevi ontem sobre os empréstimos que o BES concedeu aos três grandes, alguns leitores benfiquistas contestaram uma frase minha (também num comentário): "Lá por o Sporting ter uma situação de capitais próprios muito preocupante (apesarem de passarem a ser positivos após a reestruturação) isso torna a situação do Benfica menos grave?". Interpretaram que eu queria dizer que a situação do Benfica não é menos grave quanto a do Sporting, mas não era esse o objetivo da frase.

Para que não hajam dúvidas em relação ao que penso: assumindo que as contas apresentadas pelo Benfica traduzem efetivamente a realidade do clube, é evidente que a situação do Sporting é bastante pior (pelo menos enquanto a reestruturação não se concretizar).

O que eu queria dizer com aquela frase em itálico é o seguinte: lá por o Sporting estar numa situação preocupante, que atingiu o limite ao não ser capaz de cumprir as obrigações com os bancos, tanto no pagamento de juros como na amortização dos empréstimos, não quer dizer que o Benfica seja um bom cliente para os bancos. Não é por o Sporting viver uma situação pior que faz com que a do Benfica passe a ser boa.

Um bom cliente para os bancos é aquele que tem património superior aos montantes emprestados (ou seja, que o banco consiga liquidar para reaver o dinheiro emprestado em caso de incumprimento), que paga a tempo e horas, e que gradualmente vai amortizando a sua dívida.

Ora, o Benfica cumpre apenas um destes requisitos. Sim, tem pago a tempo e horas, mas como? Contraindo sucessivamente novos empréstimos para pagar os que vencem. Pior, os novos empréstimos vão sendo de montante progressivamente mais elevado para cobrir os juros e outras necessidades de tesouraria mais urgentes.

(*) Incorporação da Sociedade Benfica Estádio no perímetro de consolidação do grupo

Para além disso, o Benfica não tem património que cubra os mais de €300M de dívida bancária e obrigacionista - o que é que o banco iria fazer com um estádio, com um centro de estágios no Seixal, com um museu, ou com uma barreira de vidro à volta da estátua do Eusébio?.

Portanto, o Benfica provará ser bom cliente quando começar a conseguir pagar efetivamente os empréstimos que contraiu. A venda em massa de jogadores parece ser um bom sinal nesse sentido, mas vamos primeiro ver quanto sobra depois de os fundos, empresários e outros comissionistas deitarem a mão à sua fatia dos milhões que têm sido anunciados.

Mas já que estou a falar sobre o mito que Vieira construiu sobre a boa situação financeira do clube, aproveito para falar de outras duas questões que o mundo benfiquista não parece estar a avaliar devidamente.


Tragam os carrinhos de mão para transportarmos os sacos de dinheiro: vem aí a Fly Emirates!

O mundo benfiquista entrou em êxtase perante a notícia da assinatura de um contrato entre o clube e a Fly Emirates para o patrocínio das camisolas das camadas jovens do Benfica. Tal arrebatamento não decorre propriamente pelo acordo que foi ontem divulgado (cujos montantes são desconhecidos), mas acima de tudo porque entreabre a porta para um contrato para patrocínio das camisolas da equipa principal já a partir de 2015/16.

Quem tenha lido as opiniões benfiquistas na blogosfera durante as últimas 24 horas, sabe que os nossos amigos vermelhos já estão a sonhar com a chuva de notas que começará a cair sobre o Estádio da Luz a partir do próximo ano, que nem lã de vidro em dia de derby. 


Mas a sério, quais são as vossas expetativas? Quantas dezenas de milhões acham que vão receber?

Pensam que vão receber sequer perto dos $39M / ano (ou seja, €29M) que o Real Madrid recebe pelo patrocínio da mesma Fly Emirates? 

Os maiores patrocínios atuais de clubes futebol - Fonte: forbes.com

Acreditam que a companhia aérea vai pagar uma verba astronómica ao Benfica para promover o seu único voo diário que sai de Portugal, às 14h25, do Aeroporto da Portela? Isto num país de 10 milhões de tesos que nos próximos anos dificilmente serão um mercado interessante para destinos asiáticos? Admito que os donos da Fly Emirates possam ter um certo nível de excentricidade, mas de certeza que não são parvos. 

"Ah, mas a marca Benfica patati patatá e os 14 milhões de benfiquistas espalhados em todo o mundo patati patatá". A sério, acreditam mesmo nisso? Acham mesmo que são 6 milhões cá e 8 milhões lá fora? Onde estão os 6 milhões quando só enchem estádios quando os títulos estão à mão de semear? Já nem falo do ridículo dos 8 milhões: já viram a sondagem absurda que vos levou a determinar esses números?

"Ah, mas a visibilidade que o Benfica tem lá fora patati patatá um dos clubes mais prestigiados da Europa patati patatá". Pois, claro... Concedo que as duas últimas duas épocas foram muito boas e que a carreira na Liga Europa tenha aumentado essa visibilidade, mas esqueçam: não há nenhum clube português que rivalize, em termos de visibilidade mediática, com os grandes espanhóis, ingleses, alemães, franceses ou italianos. Se o Benfica fosse aquilo que vocês pensam que é, não estaríamos a assistir ao êxodo dos vossos melhores jogadores. Pensam que foi só por dinheiro que eles saíram? Claro que não, vão para campeonatos em que os clubes do fundo da tabela faturam duas ou três vezes mais em direitos televisivos que a Benfica TV - e porquê? porque têm, sim, isso, verdadeira visibilidade mundial.

A Fly Emirates há-de melhorar o contrato anual em relação ao da PT, é claro. Mas não pensem que vão ficar com todos os problemas financeiros resolvidos de um dia para o outro.

in record.pt (outubro de 2012)


O retumbante e inquestionável sucesso financeiro da Benfica TV

Domingos Soares Oliveira divulgou recentemente alguns números globais sobre o desempenho anual do canal benfiquista:

in rr.pt

Mais uma vez vemos a direção benfiquista a praticar o seu desporto preferido: brincar com os números e esconder a realidade.

No mês de Janeiro atingiram os 300 mil subscritores (em mês de Benfica - Porto e Benfica - Sporting). Quantos têm agora, num mês de férias e em que a pré-época do Benfica não entusiasma? Domingos Soares Oliveira tem os números, porque não os partilha?

Tiveram receitas de €30M, e quando não cuidavam das transmissões recebiam €7,5M. Porque está a misturar batatas com cenouras? Receitas é algo muito diferente de lucro. Para comparar lucro teriam que:

1. Retirar aos €30M os custos de funcionamento (DSO disse no passado que os custos anuais deveriam rondar os €9M)
2.  Retirar aos €21M aquilo que a Benfica TV já gerava em receitas antes de passar a canal premium

Como é evidente, financeiramente a aposta da Benfica TV não compensou a melhor oferta da Sport TV, mas isso não invalida que tenha sido globalmente uma aposta ganha. Já o escrevi no passado, na minha opinião (de sportinguista e rival) a transmissão dos jogos foi uma boa decisão. O que se verifica é que mesmo assim os dirigentes benfiquistas preferem omitir a pequena parte que não lhes interessa. Nem assim os infalíveis da direção conseguem divulgar números claros e transparentes para os seus sócios e adeptos.

Um cavalheiro em campo

Homenagem a Maxi Pereira                                                                                                              
Nunca é demais homenagearmos jogadores que são verdadeiros cavalheiros em campo e que fazem questão em ter uma postura sempre exemplar.


 Retirado do canal de Youtube Adjunto d' Alvalade

A primeira derrota

                                                                                                                                        
E ao sexto jogo de preparação o Sporting conheceu o sabor da derrota. Não vou fazer qualquer comentário à forma como o jogo decorreu porque, à semelhança do que aconteceu com as restantes partidas realizadas durante o estágio na Holanda, não tive oportunidade de o ver com total atenção.

Mesmo nos jogos a feijões é sempre melhor ganhar do que perder. Jogos na pré-temporada não dão pontos, mas as vitórias dão alento, mobilizam os adeptos à volta da equipa, sobem o nível de expectativas para a época que se está a iniciar - e isso é muito importante para vender gameboxes.

Mas se temos que perder e cometer erros, este é o momento certo para isso acontecer. Também nas derrotas devemos tirar o melhor partido da situação, ou seja, analisar o que correu mal e corrigir comportamentos individuais e coletivos para reduzir as probabilidades de serem repetidos no futuro.

Não é só nas outras equipas que existem treinadores atentos a todos os pormenores. Marco Silva pode não ter uma torre para filmar os treinos para corrigir comportamentos dos jogadores durante os alongamentos ou nas rabias, pode não ser um catedrático da tática para quem o futebol é uma ciência, mas não tenho dúvidas que saberá, pelo menos tão bem quanto os outros, identificar o que correu menos bem e que pode ser melhorado de forma a tornar a equipa mais competitiva em função daquilo que observou ontem.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Motivos para BESespero?

Os compromissos dos grandes com o BES                                                                                           
Já muitos especialistas de assuntos relacionados com a banca e finanças se pronunciaram sobre a possibilidade do atual estado tumultuoso do BES poder vir a ter um impacto na vida dos clubes de futebol, em particular dos três grandes. A generalidade desses especialistas joga pelo seguro e afirma que vai depender sobretudo da estratégia seguida pela nova administração do banco, mas que muito provavelmente diminuirão as facilidades que os clubes terão em financiar-se.

Para um leigo na matéria como eu, estas opiniões parecem fazer todo o sentido. O BES sofreu um enorme choque de credibilidade (que é o ativo número 1 de um banco) e é normal que procure fazer tudo para inverter a situação. Ou seja, querendo o BES recuperar a sua credibilidade, é compreensível que decida deixar de alimentar incondicionalmente os caprichos dos clubes de futebol, especialistas em apresentar consecutivamente resultados negativos que se em capitais próprios cada vez mais negativos. 


Sporting

O acordo que o Sporting tem com BCP e BES prevê, para além da dispensa de pagamento de juros, que o clube não tenha que pagar dívida a curto prazo. Assumo que esses compromissos estejam blindados contratualmente e que nenhuma das partes poderá alterar as condições acordadas unilateralmente.

O Sporting tem também um empréstimo obrigacionista contraído em 2011, de €20M, a vencer em novembro de 2014. Desconheço se a direção tenciona emitir um novo empréstimo obrigacionista para o pagar, e qual o nível de participação do BES na subscrição destas obrigações.

É por isso que espero que o Sporting cumpra integralmente aquilo que acordou com a banca, para não dar quaisquer pretextos para que os bancos possam redefinir aquilo que ficou estabelecido em março de 2013. É por isso que estranho que continuemos a contratar sem que realizemos vendas que no mínimo cubram os valores que já gastámos em reforços. Os jogadores que têm chegado a Alvalade são todos baratinhos, mas de milhão em milhão...

Assumindo que o Sporting continuará a cumprir o seu lado do acordo, a situação parece controlada pois já foram concretizadas reformas profundas que colocaram o clube a viver com orçamentos muito inferiores aos que tinha no passado.


Benfica

Segundo o R&C consolidado, o Benfica tem os seguintes empréstimos bancários feitos ao BES:

  • Um de €64,3M, renovado automaticamente em cada trimestre
  • Um de €5M em factoring, que corresponde a uma antecipação de receitas da venda de David Luiz, que será regularizado com o banco quando o Chelsea pagar a última tranches da transferência
  • Um de €2,2M relativo ao estádio, que vence em fevereiro de 2015
  • Um de €56,7M, também relativo ao estádio, que vence em 2024

Suponho que não exista grande risco por aqui. Os prazos e as taxas de juros estão acordadas, e desde que o Benfica vá cumprindo os pagamentos não há nada a temer.

O grande problema estará nos empréstimos obrigacionistas que o Benfica terá que pagar até ao final do ano:
  • €35M em outubro (desconheço taxa de juro)
  • €50M em dezembro + cerca de €3M em juros (empréstimo contraído em dezembro de 2013, com taxa de juro 5,85% + Euribor 3M)

Até aqui a estratégia tem passado pela emissão de novos empréstimos para cobrir os que vencem, somando-lhe alguns melhores para pagar despesas correntes. Nada impedirá o Benfica de o fazer novamente, mas o problema é que o BES tem sido o principal subscritor das obrigações emitidas pelo Benfica.

in economico.sapo.pt

Ou seja, metade do empréstimo obrigacionista que vence em outubro e a totalidade (!) do que vence em dezembro terão que ser pagos ao BES. Será que o banco estará disposto a continuar a assumir este papel? Na pior das hipóteses não, o que explicaria as vendas sucessivas do Benfica. Mas mesmo sendo este o cenário, há um lado positivo na história para o Benfica: a divida bancária e obrigacionista irá cair significativamente (cerca de 25%), e as contas ficarão mais saudáveis. Sofrerá a competitividade da equipa, habituada a material de primeira qualidade.


Porto


Também o Porto tem alguns empréstimos do BES a vencer em breve, nomeadamente um de €10M em agosto e outro de €30M em outubro. Caso o Porto venda Mangala e Jackson, os valores recebidos serão utilizados para liquidar o empréstimo de €30M. 

Em junho venceu um empréstimo obrigacionista de €10M, que o Porto resolveu emitindo um novo empréstimo obrigacionista de €15M. Junte-se um outro empréstimo obrigacionista de €30M que vencerá em maio de 2015. Resta saber se o BES também participou ativamente na subscrição destas obrigações, à semelhança do que fez com o Benfica.

Note-se que neste conjunto de empréstimos não estão incluídos os relativos ao estádio e ao Porto clube.

De qualquer forma, o Porto parece ser, dos grandes, aquele que atualmente apresenta menor dependência do BES.

Diz que Jesus quer usar Bebé como extremo

                                                                                                                                                        
(obrigado, João!)

Futebol de Perdição

Estreou na última sexta-feira, na Sporting TV, o programa Futebol de Perdição. Moderado por Diogo Beja (animador das Manhãs da 3), o programa conta com a participação de José de Pina (representante sportinguista do Sacanas sem Lei), Vasco Duarte (o Falâncio dos Homens da Luta) e Diogo Faro (comediante que confesso que não conhecia), que comentam os últimos acontecimentos do nosso futebol. Aldo Lima também aparece no genérico mas não participou no 1º programa.

Foram 50 minutos bem passados a falar do Sporting e a malhar saudavelmente nos nossos rivais, em que tanto se comentam de forma mais séria as opções de Marco Silva e os golos de Tanaka, como mais a brincar os motivos que terão levado Lopetegui a construir a sua torre no Olival ou mesmo os efusivos festejos de Luís Felipe ao conseguir fazer um corte para canto na final da Taça de Honra.

Imaginem o programa Dia Seguinte, mas ao contrário: em vez de ter um moderador e três comentadores que se levam demasiado a sério e que passam o programa a ridicularizar o Sporting e a elogiar Benfica e Porto, temos em Futebol de Portugal quatro sportinguistas que falam de forma descontraída de tudo aquilo que os nossos rivais evitam abordar (o que de bom o Sporting faz e o que de mal eles fazem).

Prestações individuais:
  • José de Pina foi o Adrien do programa, já está em grande forma e foi o motor da equipa 
  • Vasco Duarte foi Carrillo (o bom), muito em jogo, com uma grande assistência para golo ao referir-se a Pina como "o Seara do Sporting" e um golo de bandeira ao cantar um comovente hino a Talisca, a nova estrela do Benfica
  • Diogo Faro foi Slavchev, mais escondido do jogo, claramente em fase de adaptação, mas revelou potencial e podemos esperar uma subida de rendimento à medida que for participando em mais programas
  • Diogo Beja foi Rosell, grande leitura de jogo e grande precisão de passe a colocar a bola nos pés dos colegas 

Para quem não viu o programa, aqui fica o vídeo disponibilizado pela Cortina Verde (que tive conhecimento através do Sporting com Filtro). Vale bem a pena.

domingo, 27 de julho de 2014

Entreposto

                                                                                                                                        
Vieira, em agosto de 2013:

"Fariña é um jogador que estava referenciado, é um jogador de grande potencial. O Baniyas fez uma proposta irrecusável ao Benfica. Foi uma operação estratégica para o Benfica. Amortizámos cerca de 40 por cento do investimento no jogador. O Dubai é uma região de grande interesse para o Benfica."

Há pouco:

in record.pt


Será que o Coruña amortiza os restantes 60%? É claro que não. E mesmo que amortizasse nunca justificaria o negócio, a não ser que o Benfica pretenda passar a ser também um fundo cujo objetivo é investir em jogadores para os colocar noutros clubes.

Outras contas curiosas: Djavan + Benito + Eliseu = €5,5M. Mais €1,5M e dava para acionar a opção de compra do Siqueira...

sábado, 26 de julho de 2014

Dangerous Liaisons

Amizades pouco recomendáveis                                                                                            

Capa do JN de 25 de julho de 2014

Excerto de reportagem do Expresso sobre os aliados e inimigos de Ricardo Salgado, de 24 de julho de 2014

Acionistas da Benfica SAD, retirado do R&C do 1º semestre 2013/14

Esclarecimento prévio: José Conceição Guilherme é um empresário de construção civil, velho amigo e sócio de Vieira, que já foi alvo de várias investigações da PJ por ligações suspeitas com variadíssimos políticos. Segundo o livro "O Último Banqueiro" (sobre a ascensão e queda de Ricardo Salgado, de Maria João Babo e Maria João Gago - não é brincadeira, os nomes das autoras são mesmo estes) José Guilherme aconselhava-se frequentemente junto de Ricardo Salgado. O empresário terá dado a Ricardo Salgado um presente de 14 milhões de euros, supostamente como agradecimento pelos conselhos que o banqueiro lhe deu para apostar no mercado angolano e não no leste da europa. Juntamente com o conselho o banqueiro terá também indicado os contactos de que José Guilherme necessitaria para maximizar as hipóteses de sucesso do seu investimento. Ricas amizades.

Via @TheRocker_ 

Continuo agora com um excerto de um texto de Pedro Santos Guerreiro, escrito em setembro do ano passado, pouco tempo depois de Luís Filipe Vieira ter anunciado o melhor plantel dos últimos 30 anos para tentar conseguir chegar à final da Liga dos Campeões:
Já na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo. Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro. Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu.

Estes desenvolvimentos mostram que o Sporting afinou e está a ser financeiramente disciplinado; que o Benfica não tem medo do risco e assume mais dívida; e que o BES ou não aprendeu nada ou está com carências afetivas depois da hecatombe do Sporting.

Não quero dizer com isto que o propósito do triângulo amoroso Luís Filipe Vieira - José Guilherme - Ricardo Salgado seria a ajuda do BES ao Benfica para além daquilo que seria razoável. Não sou ingénuo ao ponto de pensar que empresários deste nível arrisquem relacionamentos e ligações passíveis de levantar suspeitas com o objetivo primordial de ajudar um clube de futebol. Isto são homens de negócios que se encontram na lista dos mais ricos em Portugal, e como é evidente os principais beneficiários neste tipo de amizades são os negócios pessoais dos envolvidos e as respetivas contas bancárias.

Mas mesmo estando os negócios pessoais no centro deste relacionamento, será descabido pensar que o Benfica tenha beneficiado de facilidades anormais no acesso ao crédito do BES como um efeito secundário destas amizades?

O facto de o BES passar a ser liderado por uma nova administração, cuja primeira responsabilidade é restaurar a credibilidade da instituição, implica que o banco deixará de amparar o Benfica da forma generosa como o tem feito até aqui. Isto não quer dizer que o BES vá cortar de forma radical o apoio ao Benfica (que seria uma irresponsabilidade e não ajudaria a credibilizar o banco), mas certamente que haverá uma mudança de atitude do banco em relação ao clube. O mais provável é que o BES deixe de financiar o clube da forma incondicional que tem sido a regra até agora, impondo determinadas obrigações em termos de equilíbrio de contas ao Benfica que nunca aconteceram no passado.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Sporting na apresentação do Boavista

No dia 2 de agosto, o Sporting vai jogar no Bessa na partida de apresentação do Boavista aos sócios. Segundo o jornal O Jogo, os dirigentes axadrezados explicaram que a presença do Sporting se deve às excelentes relações institucionais entre os dois clubes.


Não tenho nada contra o clube em si, mas fiquei agoniado com esta notícia pois o presidente do Boavista chama-se João Loureiro, que abandonou o clube depois de o deixar na miséria, e regressou quando lhe começou a cheirar o regresso à primeira liga e aos milhões de indemnização que a FPF provavelmente lhes terá que pagar.


O Boavista regressa à principal competição do nosso futebol não por se ter provado a sua inocência no apito dourado, mas por manobras administrativas que anularam a decisão do Conselho de Justiça que condenou Porto e Boavista em 2008. O clube não devia ter ainda lugar no escalão principal porque não o conquistou dentro das quatro linhas. João Loureiro é um corrupto que não tem e nunca terá lugar no futebol português.


Esta simpatia do Sporting para com o Boavista não devia ter acontecido. Prefiro caminhar sozinho do que ter aliados destes.

Quaresma e Fabiano não vão perder o jogo de apresentação do Porto

                                                                                                                                           

Frangos e mergulhos na área garantidos!

O lateral nervoso e o central tranquilo

Apreciação de Record sobre Geraldes e César                                                                                    
O leitor Rui Pedro chamou-me a atenção para a forma como o jornal Record avaliou ontem dois reforços de Sporting e Benfica.

Todos estaremos de acordo em como André Geraldes não tem tido um começo de pré-época auspicioso. Ainda é cedo para tirar juízos definitivos, mas até agora ainda não conseguiu justificar a contratação, cometendo alguns erros que em jogos a doer seriam bastante graves. No jogo de quarta, esteve diretamente ligado a um dos golos sofridos. O Record deu uma avaliação ao jogador que me parece ser justa:


Está nervoso e teve um erro de principiante. De acordo.

No mesmo dia, o Benfica perdeu por 2-1 com o Marselha, sofrendo ambos os golos em que César foi batido pelos adversários. Junte-se a estas infelicidades do defesa brasileiro contratado por €3M o lance do golo de André Martins para a Taça de Honra, em que César deixou o jogador do Sporting sozinho à boca da baliza (não podia ser Luís Felipe a fazer-lhe a cobertura, porque tinha Capel nas costas), preferindo ficar a meio caminho e falhando a interceção da bola cruzada por Carrillo. Sobre um jogador que, em dois jogos, está ligado aos três golos adversários, o que tem o Record a dizer?


É um central tranquilo, indicando ser boa opção para formar dupla com Luisão. Os erros explicam-se por ainda estar em fase de adaptação. Está certo...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Craque

                                                                                                                                                                 
Grande momento de Luís Felipe, ontem, no Marselha - Benfica...

Retirado da página de facebook Passe do Maestro

A renovação de Fokobo

                                                                                                                                     
Confesso que fiquei surpreendido pela notícia que o Sporting renovou contrato com Fokobo. O contrato do camaronês já tinha terminado em junho, e parecia mais ou menos inevitável a saída do jogador após um longo impasse nas negociações. Na época passada, o camaronês foi opção regular até janeiro na equipa B mas deixou de ser opção - presume-se que o afastamento se deve à recusa em estender a ligação ao clube.

Olhando concretamente para este braço de ferro entre Fokobo e o Sporting, não se pode dizer que alguém tenha saído diretamente vencedor. O clube encostou Fokobo durante meio ano, não podendo tirar proveito desportivo dele e, pior, atrasando a evolução do jogador numa altura da carreira em que uma utilização contínua é fundamental. 

No entanto, numa perspetiva de médio / longo prazo esta renovação é um sinal muito positivo para evitar outras situações idênticas no futuro. Como é evidente, parto do princípio que o Sporting não cedeu às pretensões iniciais do jogador e propôs um contrato dentro da política salarial praticada os restantes jovens da academia.

Não quero dizer com isto que ache que as condições propostas aos jogadores formados pelo clube sejam rígidas. Cada caso é um caso e a política salarial deve prever exceções para jogadores com potencial e talento extraordinário, mas como é evidente dentro de limites razoáveis. Os jogadores têm que compreender que ainda não são um produto acabado, que num prazo relativamente curto poderão ver os seus vencimentos substancialmente aumentados, e que o clube que mais probabilidades lhes dará para lá chegarem é precisamente o Sporting. Mantenha o clube a coerência no rumo e certamente que as situações de rotura com jovens da academia acabarão por ser cada vez menos.

Daí ser, a meu ver, particularmente importante a decisão de se levar uma série de jovens da equipa B para o estágio da Holanda. É fácil perceber que existirão sempre muitos clubes que a qualquer altura podem propor salários muito superiores aos nossos jovens, pelo que o Sporting não pode menosprezar a importância de os manter motivados, fazendo-os saber que a qualquer momento pode chegar a sua oportunidade para subir ao plantel principal - na prática, aquilo que o Sporting sempre soube fazer, que faz parte da nossa cultura, e que nos distingue dos restantes clubes em Portugal.

O dilema Slimani

Deve o #SportingCP mantê-lo no plantel ou vendê-lo?                                                       
A contratação de Islam Slimani foi de certeza uma das apostas mais certeiras que a direção do Sporting fez na época passada. Contratado a um desconhecido clube argelino por 300 mil euros, correspondentes a 80% do passe, o jogador teve inicialmente poucas oportunidades para jogar face ao começo fulgurante de época de Fredy Montero, mas acabou por conseguir impôr-se no onze, acabando por ser um elemento decisivo na obtenção do objetivo de apuramento direto para a Champions.

in Jornal Sporting

No entanto, foram os golos que marcou no mundial que o catapultaram para a lista de desejos de muitos clubes europeus. Fala-se que o Sporting está disposto a deixar Slimani sair mediante um pagamento de €10M. Se uma oferta destas se concretizar, suponho que a decisão de vender ou não Slimani será bastante complicada.

Vejo com preocupação a possível saída do argelino. Arranjar um jogador com as suas características não é fácil, e a verdade é que Slimani já demonstrou ser uma arma importantíssima contra equipas que se sabem fechar bem. Resolveu-nos vários jogos que pareciam totalmente bloqueados, graças sobretudo ao seu impressionante poder físico e ao excelente jogo de cabeça - características que nem Montero nem Tanaka têm.

Por outro lado, o tipo de jogo de Slimani condiciona a forma de jogar do resto da equipa. Com um Montero em forma em campo, a capacidade coletiva ofensiva do Sporting é superior do que com Slimani, pelo que em condições normais o lugar normal do argelino será no banco, para ser lançado a 30 minutos do fim quando a bola teimar em não entrar na baliza adversária. 

Isto traz dois problemas. O primeiro é que não me parece que Slimani aceite de bom grado ser suplente (atendendo à sua personalidade, é mais que provável que o jogador pense que merece outro estatuto após a visibilidade que conquistou no mundial), o que poderá ser um problema do ponto de vista motivacional. O segundo é que dificilmente Slimani se valorizará mais do que isto (a não ser que desate a marcar golos na Champions), pelo que do ponto de vista financeiro faz todo sentido vendê-lo agora - o que também pode significar definitivamente a manutenção de Rojo e William no plantel. Não nos podemos esquecer que o Sporting ainda vai ter que vender alguém para equilibrar o saldo das transferências deste defeso.

Sim, eu sei que Rojo pode ser mais fácil de substituir do que Slimani (Dier está no ponto), mas não nos podemos esquecer que Rojo nunca renderá muito dinheiro ao clube (em virtude dos 25% do passe que o Sporting detém).

Resumindo, confesso que não sei mesmo o que desejar neste caso. Olhando para dentro do campo, não tenho dúvidas que é importantíssimo que Slimani continue, pois tem qualidades que mais ninguém no plantel oferece. E na minha opinião o Sporting não deveria vender ninguém sem tirar rendimento desportivo durante um período mínimo de 2 ou 3 anos. A estabilidade é um valor essencial. O problema é que vivemos tempos em que a questão financeira é também uma prioridade, e é bem provável que daqui a um ano o Sporting não o consiga vender pelos mesmos valores que agora poderá amealhar. Ainda bem que não sou eu que tenho que tomar esta decisão.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hábitos antigos custam a morrer

O corropio de laterais esquerdos no Benfica                                                                           
Na minha opinião o Sporting necessita de um defesa esquerdo que seja um concorrente real para a posição, de forma que Jefferson tenha competição a sério. Vão passando as semanas e reforço nem vê-lo.

No entanto, olhamos para o outro lado da segunda circular e vemos que os defesas esquerdos se multiplicam a um ritmo alucinante. Primeiro Djavan, depois Benito, e parece que agora é a vez de Eliseu. E já nem vale a pena falar de Sílvio, que vem, depois vai, depois volta, depois dizem-lhe para ir outra vez, passado um dia volta a ter autorização para regressar - e que se vai mantendo numa espécie de terra de ninguém entre dois plantéis de equipas de futebol.

Será que o plano de Vieira e Jesus passa por açambarcar todos os defesas esquerdos do planeta (menos os bons, claro) para que o Sporting não se possa reforçar? Ou aquilo é simplesmente um fetiche por canhotos que precisa urgentemente de acompanhamento psiquiátrico? É que nos últimos 5 anos o Benfica já deve ter contratado cerca de 327 jogadores só para aquela posição.

A verdade é que ao fim de 15 dias de trabalho os reforços já começam a deixar de o ser. Deve ser algum tipo de recorde. Os senhores do Guiness estarão atentos?

in abola.pt

P.S.: agora mais a sério, será que Vieira tem andado atento ao trabalho que Jorge Mendes tem feito para fortalecer Porto e Braga? E agora põe nas mãos de Salvador um jogador que certamente será de grande utilidade para Sérgio Conceição, que foi seu treinador na Académica na época passada?

Saídas

Sobre as vendas / empréstimos de Wilson, Salomão e Zezinho                                              
O inevitável emagrecimento do plantel às ordens de Marco Silva começou há alguns dias e tem decorrido a um ritmo elevado. Já me tinha referido à saída de Rinaudo, que faz todo sentido em função da escassa utilização que muito provavelmente teria caso permanecesse em Alvalade e do alto vencimento que aufere. Vou dedicar agora algumas palavras às saídas mais recentes.

Wilson Eduardo: depois do que vimos nos dois jogos particulares em que participou, fica a sensação de que poderíamos voltar a ter um Wilson extremamente útil se se confirmar a ideia de Marco Silva de aproximar os extremos à área. Wilson Eduardo não é o mais talentoso dos nossos jogadores, mas todos estamos de acordo que dá a ideia de poder render muito mais jogando numa posição um pouco mais interior. Não me esqueço do bom início de época que fez com Leonardo Jardim, do profissionalismo que sempre demonstrou quando não era opção regular, e do comportamento inatacável enquanto foi colocado a rodar noutros clubes. A saída para Zagreb parece ser uma boa oportunidade para o jogador, e os termos do acordo são bastante interessantes para o clube, pelo que lhe desejo sinceramente que tudo corra como deseja nesta aventura croata. Wilson merece-o.

Diogo Salomão: é um jogador que há muito se percebeu que não tem lugar no plantel do Sporting. O empréstimo por mais um ano ao Deportivo é uma boa solução, já que o clube fica livre de encargos até ao final da época. Continuo é sem perceber o porquê de o Sporting ter renovado o contrato com Diogo Salomão por 5 anos no início da época passada. De qualquer forma, desejo-lhe que tenha muito mais sorte do que no ano passado.

Zezinho: emprestado por um ano ao AEL Limassol, ficando o clube cipriota com opção de compra do passe por €1M. Os jogos que Zezinho fez com Jesualdo Ferreira foram de bom nível, e era um dos jogadores em quem depositava mais expetativas. Atendendo aos contornos desta cedência, é evidente que a estrutura do Sporting não tem a mesma ideia do atleta. Não consigo perceber o motivo, tal como não consegui perceber o desterro a que o jogador foi sujeito no ano passado num clube do fundo da tabela do campeonato grego.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Calado trabalha na SIC Notícias?

                                                                                                                   
A avaliar pelo resumo que a SIC Notícias fez do Sporting - Benfica, é bem possível que o canal tenha pedido a Calado para escrever o texto das incidências mais importantes da partida.


Não sei se é percetível no vídeo que gravei, mas há uma coincidência engraçada: na pausa que a jornalista fez na repetição do golo de André Martins, pode-se ouvir em fundo Calado a falar da sorte que o Sporting teve a marcar o golo.

(créditos a @andrerodpt por se ter apercebido da "qualidade" do resumo)

A convocatória para o estágio da Holanda

                                                                                                                                              
Foi ontem conhecida a lista de jogadores que Marco Silva levará para o estágio na Holanda. São 31 atletas no total, numa convocatória que foi aberta de forma algo surpreendente a um grande número de jogadores da equipa B, que terão oportunidade de se mostrar ao treinador. Quem sabe se não ficará algum no plantel principal?

Se a presença de Luís Ribeiro já era aguardada (apesar de ser pouco significativa por se tratar do 3º guarda-redes), o mesmo já não se pode dizer de Stojkovic, Tobias, Wallyson, Chaby, Esgaio e Iuri. É uma surpresa que me agrada muito, e na minha opinião particularmente justa no caso de Ricardo Esgaio.

Não creio que Tobias tenha grandes hipóteses de ficar no plantel principal: as contratações de Paulo Oliveira e (ao que se diz) Rabia retiram-lhe qualquer espaço para ter oportunidade de jogar este ano, mesmo que Rojo venha a ser vendido. Também Wallyson e Chaby parecem ter pouco espaço para se afirmar no meio-campo perante a concorrência de Adrien e Slavchev (no caso do brasileiro), André Martins e João Mário (no caso do português). No entanto, Esgaio e Iuri (ou mesmo Chaby, que também pode fazer a posição) podem perfeitamente fazer parte do plantel (não todos, como é evidente) atendendo ao rendimento que temos visto nos extremos da equipa principal. O empréstimo de Wilson Eduardo, o fraco rendimento de Héldon e a possível saída de Capel abrem espaço para mais um ou dois extremos que se juntem a Carrillo e Mané no plantel principal. Não referi Shikabala nesta lista porque há alguma coisa que definitivamente não está bem em relação ao egípcio - e que a birra no final da Taça de Honra não ajuda certamente a resolver.

O principal a reter é que qualquer um destes jovens jogadores pode ter muito a ganhar com este estágio. Mesmo sem espaço para se imporem no imediato no plantel principal, poderão demonstrar aos responsáveis do futebol do Sporting que já exigem desafios superiores ao que uma equipa B pode proporcionar, "obrigando" o clube a procurar-lhes colocação numa equipa da primeira liga.

No sentido oposto, fica a confirmação de que há alguns jogadores que definitivamente parecem estar fora dos planos de Marco Silva por questões técnicas (Vítor, Cissé) ou financeiras (Miguel Lopes e Viola). Rúben Semedo e Mica também não foram convocados, mas têm ainda um percurso a fazer no Sporting.

Sem Mica ou Miguel Lopes, fica a certeza de que precisamos de contratar um lateral esquerdo para fazer concorrência a Jefferson. Mesmo que Rojo fique, tem que jogar a central - porque é o melhor que temos. Pode ter sido considerado o melhor LE do mundial, mas não é o jogador que precisamos para ter na faixa quando a época será feita sobretudo contra equipas que estarão sempre fechadas no seu meio-campo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Sporting só aposta na formação devido às dificuldades financeiras?

                                                                                                                           
Por aqui vê-se que não. Tem sido uma aposta sistemática, que não está diretamente ligado às restrições orçamentais. É acima de tudo uma questão de identidade e cultura que sempre existiu no clube.

Fonte: @iDesporto

Cabe na cabeça de alguém pensar que ao longo dos últimos dez anos as formações de Porto e Benfica não conseguiram produzir jogadores com qualidade para serem apostas regulares no plantel principal? Certamente que os tiveram, simplesmente não tiveram vontade nem paciência para transformar jogadores com potencial num produto acabado.

Quando conseguirmos colocar neste quadro uma estrelinha verde mantendo esta política será um orgulho redobrado.

Nota: há um erro no gráfico - o campeão em 2008/09 foi o Porto e 2009/10 foi o Benfica.

A transmissão da BTV do Sporting - Benfica

                                                                                                                                      
Não sou nem de perto nem de longe um espectador assíduo da Benfica TV. Até hoje assisti a pouquíssimos jogos transmitidos pelo canal e, tanto quanto me lembro, os comentadores desses jogos foram sempre a dupla Hélder Conduto / Toni, pelo que ainda não tinha tido a oportunidade de ouvir nem Valdemar Duarte nem Calado.

Em relação a Valdemar Duarte, sempre gostei de o ouvir na RR, TSF e TVI. Antes de ter sido contratado pela Benfica TV nunca me apercebi das suas preferências clubistas. Ontem, ao serviço da Benfica TV, pareceu-me que fez um bom trabalho - não totalmente isento, mas num nível perfeitamente aceitável atendendo à matriz do canal. Até dispensou, aqui e ali, elogios a ações de jogadores do Sporting.

Devo dizer que preferia ouvir um jogo narrado pela dupla Valdemar Duarte / Toni do que pela esmagadora maioria dos comentadores que os restantes canais têm.

Agora, se a ideia da mudança de nome de Benfica TV para BTV é para tentar fazer cair a imagem de um canal associado a um clube, é melhor que arranjem alguém menos faccioso e lambe-botista que o Calado para comentar os jogos. Foi um festival de disparates, exageros e distorções da realidade que chegam a ser confrangedores até para mim, que não sou benfiquista.

A minha caladesque preferida foi disparada por volta dos 93 minutos e 20 segundos de jogo (a 40 segundos do final dos descontos, portanto), em que disse qualquer coisa parecida com isto: 

"O Sporting não está a conseguir assentar jogo porque o Benfica está a pressionar muito alto."

Repito, isto foi dito a 40 segundos do fim, quando o Sporting já só estava preocupado em afastar a bola para o mais longe possível da sua área para queimar tempo, enquanto que o Benfica arriscava tudo para tentar chegar à igualdade.

No quadro de honra fica também outra observação que fez a cerca de 5 / 10 minutos do final, em que disse que o Benfica estava a fazer tudo bem e que era uma questão de tempo até conseguir marcar golo - quando era evidente que o Sporting tinha o jogo controlado e até acabou por dispôr de melhores ocasiões para dilatar a vantagem.

Patético.

Na flash interview tudo decorreu de uma forma muito profissional.

Para o fim ficou reservada uma surpresa desagradável: é triste e um sinal de pequenez que não tenham mostrado a entrega do troféu. Se tivesse sido o Benfica a ganhar fariam o mesmo? É que sendo responsáveis pela transmissão de toda a competição, não deviam interromper a emissão antes desse momento. Estão a defraudar as expetativas dos 2 ou 3 clientes sportinguistas que assinaram o canal por não conseguirem encontrar um stream decente (não foi o meu caso, consegui ver o jogo num stream muito bom). Salvaguardando as devidas distâncias, acham que seria normal se a televisão brasileira não mostrasse a entrega das medalhas à Holanda após terem derrotado o Brasil no jogo para definição do 3º e 4º classificado do mundial?

Mais do que um simples treino

                                                                                                                           
Digam o que disserem, um jogo entre Sporting e Benfica, mesmo que seja na pré-época e com parte dos jogadores indisponíveis, não é um jogo qualquer. Isso foi mais que evidente pelas bancadas bem compostas e pelo empenho que ambas as equipas colocaram em campo.

O Sporting alinhou na máxima força (faltando apenas os jogadores que estiveram no mundial), apresentando-se com uma equipa muito semelhante à da época passada. A vitória foi indiscutível, já que o Sporting dominou a maior parte da partida, e o resultado acaba por pecar por escasso já que tivemos bastante mais ocasiões para marcar que o nosso adversário.


Grande partida de Adrien (para mim o melhor em campo), com muito bons jogos de Dier, Rosell, André Martins, João Mário e Carrillo. Capel esteve muito ativo, mas acabou quase sempre por dar má sequência aos muitos espaços que conseguia obter através em velocidade, quer através do seu poder de drible, quer através de boas combinações com os companheiros.

O Benfica jogou com muitas caras novas, mas é preciso dizer que dos jogadores disponíveis que serão crónicos titulares apenas Luisão e Sálvio ficaram de fora - os outros que não jogaram são os que ainda estão de férias por terem participado no mundial (situação que também afetou o Sporting). Como é evidente, tantas caras novas partem em desvantagem quando jogam contra uma equipa que na sua maioria joga junta há um ano. Na minha opinião, estranho seria se não vencêssemos.

Fica no entanto uma sincera palavra de satisfação por ver o Benfica a dar oportunidades a jovens da sua formação. Espero que seja para manter no futuro - o futebol português agradece.

Como é evidente, não podemos tirar grandes conclusões sobre aquilo que cada uma das equipas valerá quando a época arrancar. Ainda só se trabalha há quinze dias e falta mais de um mês para o mercado encerrar. Se é verdade que Jesus tem muito trabalho pela frente, fruto de uma renovação forçada do plantel, também é normal que Marco Silva ainda esteja nas etapas iniciais no processo de colocar a equipa a jogar à sua imagem.

Para terminar, gostava que me explicassem quem elegeu Talisca como o melhor jogador do torneio. Deve ter feito um jogo fenomenal contra o Estoril, porque no de ontem esteve longe de ser o melhor em campo. E já agora, espero que Nuno Lobo e a Associação de Futebol de Lisboa dêem indicações ao canal responsável pela transmissão em direto da competição que para a próxima mostrem a entrega do troféu aos vencedores (no próximo post escreverei sobre a transmissão da Benfica TV - perdão, BTV).

Ah, é verdade: apesar de o resultado num jogo destes pouco interessar, a vitória acaba por ter um sabor bem agradável à conta de coisas como esta...


domingo, 20 de julho de 2014

Obrigado e boa sorte, Fito!

                                                                                                                                                  

Apesar de ser evidente que perdeu espaço no plantel perante a ascensão meteórica de William Carvalho e a contratação prometedora de Uri Rosell, fico com pena de ver partir Fito Rinaudo.

Profissional exemplar, é daqueles que deixa tudo em campo, mas jogando sempre sem maldade, acabando por ganhar fama de jogador demasiado duro que na minha opinião nunca justificou, mas que o condicionava aos olhos dos árbitros. Se envergasse outras cores teria certamente passado por Portugal sem ter visto um único cartão vermelho e com bastante menos cartões amarelos. A única ocasião em que foi expulso, em Guimarães, não o justificava minimamente.

Na sua primeira época foi dos nossos jogadores mais importantes, e ficou a sensação que a sua lesão num jogo da Liga Europa que o afastaria dos relvados durante meses acabou por ser um dos fatores mais decisivos para a súbita quebra de rendimento de uma equipa que, após um começo tristemente célebre em que foi espoliada de 7 pontos por erros de arbitragem, estava a recuperar terreno aos rivais de uma forma impressionante.

Diz-se que o valor da transferência é de €3M, mas segundo o R&C de 2012/13 o Sporting só detém 35% do passe do atleta. Os "ganhos" deverão ficar limitados ao milhão de euros a que o clube terá direito mais a poupança no vencimento do jogador que, aparentemente, seria dos mais bem pagos do plantel.

Obrigado e boa sorte, Fito!

sábado, 19 de julho de 2014

Ideias muito interessantes


Apesar de Marco Silva ter optado por um onze que se assemelhou muito à equipa-tipo de Leonardo Jardim (apenas Patrício, Rojo e William não jogaram, por motivos óbvios), perceberam-se algumas diferenças no posicionamento dos jogadores em campo.

  • Quando o Sporting recupera a bola, ambos os laterais sobem de imediato. Um dos médios desce para a linha dos centrais para iniciar a construção (normalmente Rosell, mas também Adrien e, mais esporadicamente, André Martins o fizeram), ficando arrumados numa espécie de 3-5-2.
  • A atacar (podia escrever "Em organização ofensiva", mas soaria demasiado pomposo para os meus limitados conhecimentos táticos), apenas os laterais estão encostados à linha, enquanto que Carrillo e Wilson Eduardo ocuparam uma posição mais interior. 
  • Enquanto que na época passada o ataque do Sporting viva essencialmente das combinações nos flancos entre Adrien / Jefferson / Extremo Esquerdo ou André Martins / Cédric / Extremo Direito, desta vez vimos Adrien e André Martins a jogar numa posição central, e os desequilíbrios pelos flancos ficavam a cargo das combinações entre lateral (Cédric e Jefferson) e extremo (Carrillo ou Wilson).
  • André Martins pareceu jogar durante muito tempo ao lado de Montero, vindo menos vezes atrás em atividades defensivas do que com Leonardo Jardim. Pelo contrário, quer Carrillo quer Wilson tiveram uma participação defensiva bastante assinalável.

O que me parece é que a ideia de Marco Silva passa por ter uma equipa mais imprevisível a construir, e com mais elementos a participarem em simultâneo no processo ofensivo (raios!, não consegui evitar). Com Adrien ou Rosell a transportarem a bola para o meio campo adversário, ficam com várias opções de passe: Montero e André Martins pelo meio (qualquer um recua uns passos para poder receber a bola), e Wilson e Carrillo mais próximos, com os laterais prontos a arrancarem. Wilson e Carrillo também servem de apoio mais próximo no caso de a bola chegar a Montero ou Martins. Ou seja, os adversários terão mais dificuldade em perceber por onde vai a bola seguir, obrigando-os a esticarem-se a toda a largura do terreno.

Fica a incógnita sobre se a equipa não ficará mais vulnerável a contra-ataques adversários. De qualquer forma, à partida agrada-me esta ideia mais ambiciosa de jogo de Marco Silva. Vamos ver se esta ideia é para manter (partindo do princípio que percebi corretamente as intenções do nosso treinador).

Escrevo isto enquanto a Sporting TV transmite a 2ª parte do Sporting - Belenenses, pelo que não vou fazer considerações sobre o que se passou durante os segundos 45 minutos. Em relação à primeira parte, acho que foi muito positiva. Exibição em crescendo. Inicialmente a equipa pareceu um pouco atabalhoada e com dificuldades de chegar à área adversária, mas com o decorrer da partida os jogadores pareceram entender-se melhor e conseguiram vários lances de perigo.

Grandes golos de Wilson Eduardo e André Martins (há quanto tempo não marcávamos de livre direto?). Este Wilson tem lugar no plantel, e a posição mais interior favorece-o. O único reforço que jogou na primeira parte foi Rosell, e pareceu-me um jogo muito positivo. Garra a defender, muito bom toque de bola e qualidade de passe.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Cláusulas de salvaguarda

Sobre a hipótese de Insúa rumar ao Benfica                                                                          

in record.pt

Tem sido uma moda recente os grandes incluírem nos contratos de venda de atletas cláusulas de salvaguarda que obrigam os seus rivais a pagarem-lhes um montante considerável no caso de esses jogadores acabarem por regressar a Portugal.

Honestamente não sei qual a eficácia destas cláusulas de salvaguarda, mas caso Insúa venha a ser jogador do Benfica espero que a direção do Sporting faça tudo para receber os €10M estipulados.

Para mim, as facilidades concedidas ao Benfica esgotaram-se quando não complicámos o adiamento do derby da lã de vidro - aí acho que a direção esteve bem, mesmo que fosse quase certo que o Benfica não teria a mesma compreensão se isso tivesse ocorrido em Alvalade. 

As atitudes que Vieira teve entretanto para com o Sporting não merecem qualquer tipo de simpatia e tolerância adicional. Querem Insúa? Então paguem os €10M.