terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nada a perder, tudo a ganhar

                                                                                                                                   
Antes de escrever sobre o embate de logo, deixem-me começar por saudar o regresso destes jogos a Alvalade. Foi uma espera demasiado longa, completamente desfasada da grandeza e da história do Sporting Clube de Portugal. É bom podermos voltar a receber em nossa casa outros grandes emblemas europeus.

À entrada para um jogo contra um adversário como o Chelsea, é impossível ignorar a diferença de meios que existe entre os dois clubes. Quem tem jogadores como Fabregas, Hazard, Schurrle, Óscar, Willian ou Diego Costa será sempre uma ameaça para qualquer equipa. Para piorar, Mourinho certamente que estará muito bem informado das nossas forças e fraquezas, pelo que na minha opinião o Sporting terá definitivamente que fazer alguns ajustes em relação ao jogo com o Porto. 

Em primeiro lugar, parece-me que terá que haver maior apoio aos laterais do que na sexta-feira passada. Jonathan Silva deu boas indicações em tarefas defensivas, mas não pôde fazer nada em situações de 2 contra 1 sem qualquer colega nas imediações para o ajudar. Nani não é o jogador mais adequado para este tipo de tarefa, que será particularmente recorrente com o adversário de logo. Talvez fizesse sentido apresentar um onze bastante mais cauteloso:


Não é vergonha nenhuma alinharmos de uma forma mais conservadora. Se entrarmos em campo para jogarmos olhos nos olhos, estaremos provavelmente a facilitar a vida ao Chelsea. É que nem o Chelsea é o Porto nem, seguramente, Mourinho é Lopetegui. Aliás, no banco adversário estará sentado um treinador que nunca teve quaisquer problemas de consciência em estacionar o autocarro quando a situação o justificava.

Não estou a dizer que o Sporting deva acampar junto à baliza durante todo o jogo. Não temos jogadores suficientemente consistentes para manter a frieza necessária quando a bola ronda a nossa área, mas parece-me sensato um trio de carraças que esteja preparado para lutar por cada metro de terreno no meio-campo e disponível para ajudar os colegas mais recuados. João Mário, Adrien e André Martins parecem-me os mais indicados para esta função, com a característica adicional de terem os três uma boa capacidade de passe para lançarem rapidamente o contra-ataque no momento da recuperação de bola.

Carrillo seria a arma a lançar na segunda parte, quando o desgaste já for superior. Slimani é importante para prender os centrais adversários e moer-lhes o juízo e as pernas, para além de ser uma mais-valia nas bolas paradas ofensivas e defensivas.

Vai ser um jogo complicadíssimo? Claro que sim, provavelmente o mais complicado nos últimos anos - provavelmente desde que jogámos com o Manchester City. Mas a história da competição tem exemplos suficientes de clubes com menos meios a conseguirem bater o pé aos tubarões. Aliás, como nós fomos capazes de o fazer contra os bilionários do City, que foram a jogo com Aguero, Dzeko, Silva, Balotelli, Nasri e Yaya Touré.

Concerteza que muito daquilo que o Sporting conseguirá fazer logo dependerá do espírito com que o Chelsea encare a partida. A meu ver, não poderemos contar com facilidades: os ingleses concederam um empate inesperado em casa na 1ª jornada e não vão querer arriscar mais pontos. De qualquer forma, cabe-nos a nós dificultar-lhes a tarefa. Saibamos estar à altura da ocasião e desfrutar da oportunidade de jogar contra os melhores do mundo, tendo consciência que a responsabilidade da vitória estará toda do outro lado, que não temos nada a perder, e tudo a ganhar.

A guerra dos fundos e o império contra-ataca

                                                                                                                                            
Shame on you, comentadores portugueses

No dia 14 de agosto, o Sporting anunciou a decisão de dar como anulado o contrato com a Doyen por Rojo. Foi o culminar de um processo que envolveu uma troca de acusações e ameaças entre clube e fundo, deixando a Doyen definitivamente de fora no negócio da venda do jogador argentino ao Manchester United.

As reações imediatas dos nossos comentadores foram as esperadas - assumiram praticamente todas as dores da Doyen, referindo que:

1. O Sporting não pode rasgar contratos sem consequências, chegando-se ao ponto de comparar esta situação com a de um cliente que chega a um banco e diz que rasga o contrato de empréstimo da casa;

2. Ao repudiar a Doyen e fundos semelhantes, o Sporting está a desperdiçar uma valiosa ferramenta que lhe permitiria tornar o seu plantel mais competitivo.

Em relação ao primeiro ponto, a comparação é infeliz. Um cliente pode chegar ao banco e dizer que o contrato fica sem efeito - desde que devolva o dinheiro que ainda está a dever e pague a penalização prevista no contrato. Se não pagar, fica sem a casa. Depois, porque num típico empréstimo para compra de casa, o banco limita-se a cobrar as prestações que estão contratualmente previstas, ou seja, não anda a exigir ao cliente que venda a casa ou que pague prestações mais elevadas do que o previsto. Se o cliente cumprir as suas obrigações não terá quaisquer problemas com o banco.

Acontece que o Sporting não era obrigado a vender Rojo. Tanto quanto se percebeu pela troca de comunicados, existiam cláusulas que obrigariam o Sporting a indemnizar a Doyen caso não vendesse Rojo ao fim de um determinado período, ou caso não aceitasse vender o jogador acima de uma determinada verba - mas no limite, vender ou não vender seria sempre uma opção que cabia ao Sporting tomar, tendo depois que viver com as consequências dessa decisão em função das cláusulas definidas contratualmente.

O Sporting explicou que deu como anulado o contrato porque a Doyen cometeu pressões indevidas para vender o jogador, algo que é proibido pela FIFA. Mas infelizmente, mais uma vez, foram pouquíssimos os comentadores que tentaram analisar o caso pela perspetiva do Sporting. É natural, pois trata-se de um hábito que a maior parte dos nossos experts enraizou há muito - desvalorizar qualquer iniciativa que o Sporting tome.

Bruno de Carvalho não se poupou a esforços para divulgar a posição do Sporting em relação a este caso e ao papel dos fundos em geral. Foi ouvido por órgãos de comunicação social de todo o mundo. Mas por cá, o que se continuava a ouvir era que Bruno de Carvalho, ao preferir "demonizar" os fundos, estava apenas a prejudicar os interesses do próprio clube - já que estaria a fechar a porta à "ajuda" dos fundos para tornar o plantel leonino mais competitivo.

Não estou a dizer que algumas das observações desses comentadores não tenham alguma razão de ser, mas foram poucos aqueles que se deram ao trabalho de tentar analisar aquilo que é realmente o cerne da questão. Felizmente que a imprensa internacional soube fazer a abordagem certa ao problema - nomeadamente colocando o enfoque na falta de transparência sobre a constituição dos fundos e os riscos que a indústria do futebol corre quando os clubes passam a ser reféns de entidades desconhecidas, que foram conquistando uma influência cada vez maior, e sem que se conheçam os nomes e os reais objetivos que se escondem atrás das fachadas criadas pelos Nélios Lucas da vida.

Cerca de 45 dias depois de o Sporting ter decidido anular o contrato por Rojo com a Doyen, a FIFA e a UEFA anunciaram a decisão de impedir a copropriedade de passes com jogadores. Não sou ingénuo ao ponto de pensar que foi o caso Rojo que forçou as entidades internacionais a tomar esta posição, mas é indesmentível que foi o Sporting que colocou este tema na atualidade internacional (bem mais do que por cá), acabando por ajudar a preparar o terreno para que a FIFA e UEFA concluíssem finalmente um processo de tomada de decisão que já se arrastava há sete anos.


O império contra-ataca

Ontem, Nélio Lucas deu uma entrevista à Bloomberg em reação à decisão da FIFA e da UEFA, procurando passar duas ideias fundamentais:

1. Acabar com os fundos é uma forma de proteger os clubes mais ricos;

2. A Doyen encontrará sempre uma forma de contornar as proibições que a FIFA e a UEFA imponham, através da criatividade dos seus advogados (!).

Em relação ao 1º ponto, há de facto uma questão fundamental de concorrência, mas não é essa. No caso do futebol português, não é pelos fundos que passaremos a conseguir competir com os tubarões europeus. Com ou sem fundos, não conseguiremos competir com eles. Eventualmente alguns atletas deixarão de vir para cá, é verdade, mas os clubes portugueses sempre tiveram bons jogadores mesmo sem a ajuda dos fundos.

Cada vez há mais jogadores de qualidade em todo o mundo. O número de ligas e clubes não anda a aumentar. Ou seja, continuarão a haver jogadores disponíveis para vir para Portugal. O Real Madrid, o Barcelona, o PSG, a Juventus, o Manchester City, o Manchester United, o Chelsea, o Arsenal e o Bayern não podem ter plantéis de 80 jogadores. Escolherão os melhores, e sobrará muita qualidade que se espalhará por outros clubes, em cascata, até chegarem a Portugal. E é também uma questão da prospeção dos clubes portugueses voltar a funcionar de forma independente dos interesses destes "parceiros".

A grande questão da concorrência é outra. A partir do momento em que um clube numa liga opta por trabalhar de forma muito aproximada com fundos, todos os seus rivais internos passam a ter um problema: ou ficam automaticamente numa posição de desvantagem, ou acabam por ter que seguir o mesmo caminho.

Quanto à questão da criatividade dos advogados, parece mais uma questão de bazófia de Nélio Lucas. Essas coisas não se anunciam, praticam-se. E colocar a FIFA e a UEFA de sobreaviso não me parece a estratégia mais prudente. Na Premier League conseguiu-se um sistema que aparentemente tem funcionado. Será que a UEFA não conseguirá implementar algo semelhante?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Recordar é viver

                                                                                                                                            
(bem lembrado, André!)


Fica portanto bem clara a opinião que Pinto da Costa tem de Lopetegui. Depois das críticas justas de Guimarães, ficou-lhe mal ao não reconhecer a justiça da expulsão do Maicon, e agora cai no ridículo por achar que isto...


... é penálti. Três jornadas consecutivas a lamentar-se, e só numa delas tem razões de queixa - em pouco mais de dois meses conseguiu perder toda a credibilidade na apreciação de jogos.

Já agora, esteve bem Marco Silva ao manter-se de fora desta conversa.

Afinal os zombies também falam

                                                                                                                                    
in record.pt

Uma figura que está associada ao pior período da história da arbitragem em Portugal, tantos e tão frequentes eram os escândalos a favorecer invariavelmente os mesmos, ainda se sente no direito de vir mandar umas bocas sobre o assunto. Que falta de descaramento.

Uma espécie de Tom Hagen (quem não souber quem é, procure na net) da estrutura de poder que contaminou o futebol português durante décadas.

Após a decisão tomada pelo CD na semana passada, o Apito Dourado pode ter sido definitivamente enterrado, mas o facto de as escutas serem dadas como inadmissíveis em tribunal não significa que aqueles factos não tenham acontecido. O facto dos processos serem anulados por tecnicalidades legais não apaga a podridão que esta gente espalhou pelo futebol português.

Podia colocar aqui uma escuta ou outra para a assinalar a ocasião, mas em homenagem ao legado do zombie prefiro recordar dois momentos que demonstrem aos mais novos o que era a arbitragem nos anos 90 (não, não são os 100 metros costas de José Pratas a fugir de Fernando Couto e Cª). Esqueçam as conversas em código da fruta e café com leite que vigorava já no século XXI. Nos anos 90 era mesmo tudo às claras.



Pode ser que em russo a gente se entenda melhor

                                                                                                                                       
Ao sair do estádio, foi com alguma surpresa que ouvi o Señor Lopatético fazer queixinhas sobre um erro gravíssimo cometido pelo árbitro - um suposto penálti cometido por Maurício dentro da área. Confesso que não percebi do lance que falava, pois não me lembrava de ter havido quaisquer protestos para penálti durante o jogo.

No estádio, a perceção que tive (e penso que da maioria das pessoas que assistiram ao jogo) é que Olegário Benquerença foi algo permissivo com faltas de jogadores do Porto, ou não as assinalando, ou não mostrando amarelos que se justificavam. Mas no calor do momento é normal que o filtro que temos nos dê uma ideia um pouco desviada da realidade. 

Quando cheguei a casa revi o jogo todo, e confirmei a ideia com que tinha ficado. O árbitro foi brando com os portistas em várias situações: só nos primeiros minutos lembro-me de uma falta de Jackson por trás sobre William, e o empurrão de Martins Indi a Slimani quando o argelino se tentava levantar, e que daria origem ao sururu que terminaria com um empurrão ao holandês - Slimani foi bem punido com amarelo, quem ache que é vermelho que veja o que Casemiro fez a um jogador do Guimarães duas jornadas antes. Jackson e Indi é que ficaram sem qualquer cartão. Mas houve mais.

Por outro lado, é preciso admitir que também houve alguns lances em que Benquerença foi benevolente para com jogadores do Sporting (Cédric podia ter visto o 1º amarelo mais cedo e Adrien pisou um adversário numa disputa de bola que merecia amarelo), mas em bastante menor número do que as situações em que os portistas foram favorecidos.

E o suposto penálti de Maurício é um caso claro de bola na mão. O brasileiro tem o braço na vertical a acompanhar o corpo e não está a aumentar o volume que ocupa - para além de ser impossível reagir num remate à queima a menos de um metro.

Mas, fora tudo isso, não tenho qualquer dúvida que o erro mais grave do árbitro em todo o jogo foi não expulsar Ricardo Quaresma por uma falta bárbara sobre Nani.

Para quem não viu, fica aqui um vídeo da jogada retirado de uma transmissão de um canal russo. A segunda repetição é perfeitamente clara. A tradução e legendagem do que diz o comentador é da minha inteira responsabilidade.

(o vídeo pode demorar um pouco a começar, é uma questão de esperarem alguns segundos)

Não sou propriamente fluente no idioma russo, do qual conheço apenas 5 palavras (Da - sim; Borscht - sopa; Pravda - verdade; Perestroika - mudança / reestruturação; e Glasnost - transparência) - os adeptos portistas provavelmente só conhecerão as 2 primeiras -, pelo que admito que a tradução que fiz não seja propriamente fiel ao que foi dito, mas qualquer pessoa - russa, portuguesa, malaia ou finlandesa - percebe que Quaresma devia ter sido expulso.

Quaresma pisou com os pitons o calcanhar esquerdo de Nani e varreu com violência a perna direita, sem qualquer intenção de jogar a bola. É um escândalo não ter sido expulso, porque o árbitro viu perfeitamente o que se passou.

O momento da varridela, com o árbitro bastante atento

A perderem por 1-0 e a jogarem com menos um durante 70 minutos - só com muita sorte e engenho conseguiriam chegar ao empate.

Primeiro a choradeira de Lopetegui, partilhada por muitos dos seus adeptos, depois a choradeira de Pinto da Costa (ninguém quer saber que tenha perdido milhões no BES - pelo menos a moradia de €5M que comprou na Foz ninguém lhe vai tirar) - e à hora que escrevo isto ainda não ouvi Miguel Guedes, mas imagino que João Gobern já lhe tenha emprestado um pacote de lenços de papel. É patético ver tanta lágrima e indignação quando na realidade só têm razões efetivas de queixa no jogo de Guimarães. Tudo o resto advém da falta da mama a que se habituaram durante anos a fio e, como se sabe, o desmame é sempre um processo complicado seja em que situação for.

sábado, 27 de setembro de 2014

Demonstração de classe

A maior injustiça que se pode fazer ao Sporting de Marco Silva é avaliar o trabalho que está a ser feito pelos resultados. 2 empates e 5 empates estão longe, muito longe, de traduzir a qualidade do futebol praticado, que já tinha sido de bom nível contra Belenenses, Maribor e Gil Vicente (em crescendo), e que conheceu o seu auge na primeira parte realizada contra o Porto. 

O empate sabe a pouco porque poderíamos ter resolvido o jogo ainda na primeira parte. Depois do golo madrugador, ainda tivemos um remate de João Mário para defesa muito difícil de Fabiano, um cabeceamento à frente da baliza do mesmo jogador que sai desviado e um remate de Nani em posição frontal à entrada na área após um slalom inacreditável de Carrillo. Com um pouco mais de felicidade, poderíamos ter transformado a partida de ontem num passeio.

Ao mesmo tempo, era notória a total incapacidade do Porto a sair com a bola jogável. Na primeira parte, os azuis e brancos limitaram-se a bombear jogo para um desamparado de Jackson, que foi sempre bem anulado por Maurício - muito bom jogo do Xerife.

Na segunda parte Lopetegui sacou do ás e da manilha para tentar inverter a situação, e a verdade é que o conseguiu: Óliver impressionou pela personalidade e talento (ninguém diria que tem 19 anos) e Tello foi para campo com o objetivo de expulsar os amarelados Cédric e Maurício - e bem o tentou com aquele mergulho ao passar pelo central, em vez de tentar seguir isolado para a baliza. O Porto passou a ter muito mais bola no pé, o Sporting pareceu acusar o esforço da primeira parte - as bolas divididas que na primeira parte eram todas nossas, passaram a ser conquistadas quase todas pelo Porto na segunda parte - e o Porto foi a equipa mais perigosa. O Sporting acabou por ter também uma grande oportunidade através de uma bomba a 116 kms/h de Capel que embateu violentamente na barra. 

O jogo terminaria com uma oportunidade flagrante de Tello (que parte em posição de fora-de-jogo) que lhes poderia ter dado a vitória, mas a verdade é que o Sporting foi de tal forma superior na primeira parte que uma derrota seria um castigo completamente imerecido.


Positivo

Primeira parte de luxo - foram impressionantes os primeiros 45 minutos do Sporting. Uma demonstração de personalidade, raça e vontade de vencer que encostou o adversário às cordas, tal era o sufoco da pressão alta que impedia que o Porto saísse a jogar, tendo sido inúmeras as recuperações de bola no meio-campo adversário - o golo de Nani surge a partir da interceção de um passe de Rúben Neves. Enormes as exibições de Carrillo, Nani, Slimani, João Mário, Adrien, e até já se viu algo parecido com o William do ano passado.

Aquela jogada de Carrillo - um momento sublime do nº 18 que merecia melhor finalização de Nani. Diz-se que Casemiro, Rúben Neves e Danilo ainda estão a esta hora à procura do peruano. Mas não foi só essa jogada. Carrilo fez uma primeira parte tremenda: a assistência para golo é dele, e ainda foi o autor do cruzamento teleguiado para o cabeceamento de João Mário - que devia ter acabado nas redes de Fabiano. Para além disso foi incansável no apoio à defesa e na pressão sobre os adversários. Foi substituído por Capel numa altura em que já estava esgotado.

As promessas de Jonathan - não consigo imaginar melhor estreia em Alvalade do que marcar um golo ao fim de 80 segundos num clássico. Só por isso, merece destaque. Mas a verdade é que parece ser um jogador realmente muito interessante. Uma carraça a defender, sempre em cima do adversário direto, rápido a reagir, e nunca virando a cara à batalha. A atacar parece gostar de pisar terrenos mais centrais, arrastando o lateral e abrindo uma avenida para o extremo aproveitar se não estiver devidamente acompanhado. Secou Quaresma e só passou por dificuldades perante algumas investidas de Tello, mais por falta de apoio do que por culpa própria. Não foi tão efetivo a cruzar quanto Jefferson, mas aquilo que promete oferecer encaixa-se que nem uma luva no dinamismo ofensivo que Marco Silva está a implementar.

Uma muralha chamada Rui Patrício - teve menos trabalho do que inicialmente seria previsível, mas respondeu de forma fabulosa nos lances em que teve que intervir. Primeiro ao tapar o caminho da baliza a um Jackson completamente isolado, e depois num voo épico que tirou o golo a um fantástico remate de Herrera. Está numa forma soberba o nosso capitão, e voltou a valer pontos.


Negativo

A inconsistência de Sarr - não há dúvida que a partida tinha um nível de dificuldade elevado, e na maior parte das vezes que foi chamado a intervir Sarr esteve bem, mas foram demasiadas as situações em que  o francês cometeu erros e hesitações que me deixaram extremamente intranquilo. Desde alguns passes que foram parar aos pés dos adversários, uma charutada em plena área totalmente na vertical que fez com que a bola fosse cair apenas uns metros ao lado, a forma como se deixou antecipar na área por Herrera - o mexicano estava no chão e foi mais rápido a levantar-se e a seguir com a bola perante a apatia do francês e, claro, o auto-golo marcado da quina da pequena área. Naquela zona do terreno a fiabilidade é uma característica fundamental, e Sarr parece demasiado propenso a cometer erros que não contribuem em nada para a tranquilidade à equipa e das bancadas.

Outra vez anjinhos - quando Casemiro se lesiona, Reyes começa de imediato a aquecer. A equipa médica do Porto entra em campo, e apercebem-se da gravidade da situação. A maca vem, mas Casemiro levanta-se e diz que vai sair pelo próprio pé. A maca abandona o relvado sem passageiro, e quando atravessa a linha lateral Casemiro atira-se novamente para o chão. Mais um bilhete, mais uma viagem, e lá volta a maca para dentro de campo. Casemiro é colocado cuidadosamente na liteira, sai de campo, e Reyes já está pronto para entrar. Uma encenação bem montada que permitiu ao Porto não jogar nem um segundo em inferioridade numérica. Uns minutos depois Maurício leva um golpe na cabeça. A equipa médica entra, avalia, e todos (médicos e jogador) abandonam o campo em passo de corrida para fazer o tratamento. Resultado: vários minutos fora de campo. Os casos de Casemiro e Maurício eram diferentes, mas havia forma de fazer parte do tratamento dentro do relvado. Manhas que podem fazer a diferença em embates como o de ontem.

A choraminguice de Lopetegui - o carácter das pessoas vê-se sobretudo nos momentos difíceis. Estar a queixar-se consecutivamente da arbitragem quando apenas tem razões de queixa num dos jogos é uma forma de disfarçar a cada vez mais que evidente falta de competência para gerir um plantel extremamente rico. Maurício não faz penálti - é um caso claro de bola na mão, num remate de calcanhar à queima, em que o central estava a um metro de Jackson e com o braço na vertical junto ao corpo. Se Lopetegui quer criticar a arbitragem, então que comente a pisadela e varridela por trás que Quaresma fez a Nani sem qualquer intenção de jogar a bola. E deixar Oliver e Tello no banco num jogo desta dimensão não é rotatividade do plantel - é pura idiotice. Lopatético.



Os sinais que o Sporting de Marco Silva está a dar são muito positivos, e deixam-me com grande confiança no futuro. Há muitos anos que não via a nossa equipa a jogar com tanta qualidade, e estamos ainda no princípio da época. Há jogadores que ainda estão num processo de integração que me leva a acreditar que ainda existe uma grande margem de progressão para esta equipa. Nani veio para somar, está a colocar o seu enorme talento ao serviço da equipa, Carrillo finalmente confirma tudo aquilo que prometia, e William parece estar a regressar ao nível da época passada. Três esteios que a jogar no seu melhor nos poderão transportar para um nível ainda superior.

Segue-se agora o Chelsea, num jogo em que a única responsabilidade que temos é deixar tudo em campo. 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A chave da pressão

                                                                                                                                      
Confesso que não sei bem o que esperar do Porto no jogo de logo. Que será um jogo muito difícil, não tenho dúvidas, mas ainda não consegui perceber o que vale o nosso adversário contra equipas que os defrontam de olhos nos olhos. A qualidade individual é indiscutível: Jackson é um monstro, Brahimi é espantoso com a bola nos pés, Danilo e Alex Sandro são excelentes laterais e um perigo vindo de trás, complementados por mais uma série de jogadores de grande qualidade, como Oliver ou Tello. Mas também me dá a ideia que se trata de um modelo de jogo demasiado romântico e pouco prático, com dificuldades em se adequar ao mundo real.

Com toda esta matéria-prima, é estranho que o Porto se limite quase sempre a explorar situações de 1 contra 1 nos flancos, esperando que a qualidade individual dos seus jogadores faça a diferença. Jogo pelo meio é algo que poucas vezes acontece, tornando-se num futebol relativamente previsível - mas que não deixa de ser muito perigoso devido à qualidade dos seus executantes.

No meio-campo, Lopetegui dispensa um varredor a la Fernando, preferindo colocar no miolo jogadores com boa técnica que saibam, acima de tudo, colocar a bola jogável a 30 metros. Ou seja, são jogadores cujas características os definem como homens de construção, e que até agora não tiveram grandes testes às suas aptidões defensivas perante um adversário que saiba também ter a bola em seu poder.

A pressão alta que o Porto faz (e bem) leva que invariavelmente os adversários com menor qualidade procurem despachar a bola de qualquer forma. São poucas as vezes que essas equipas conseguem sair a jogar, e normalmente quando o conseguem ficam em situações de inferioridade numérica que acaba por ser resolvida com facilidade pelos jogadores portistas mais recuados.

Estará aí a chave do jogo: na nossa capacidade de concentração nos momentos defensivos nos vários duelos que se irão disputar nas faixas laterais, e ao recuperar a bola teremos que saber arranjar linhas de passe que nos permitam sair com a bola jogável perante uma pressão fortíssima - e como seria importante que o William do ano passado aparecesse. Uma vez ultrapassada essa rede inicial, haverá bastante mais espaço para explorar contra uma oposição pouco testada (começando pela dupla de centrais, que nunca jogou junta).

Para logo, lançaria o seguinte onze.


Apostaria em Capel, porque sabe sair a jogar em espaços apertados, saca bastantes amarelos (que podem condicionar o adversário) e é incansável no apoio ao lateral. Deixaria Carrillo para ser lançado aos 60 minutos quando o desgaste já for mais elevado.

Não nos podemos esquecer que o Porto entrará em campo com uma pressão que poucos imaginariam possível há umas semanas atrás. Há um par de semanas eram campeões pré-anunciados, mas entretanto os seus adeptos descobriram que talvez não seja o passeio no parque que imaginavam. Num ano em que a folha salarial deve estar a bater recordes, e num dia em que o modelo de negócio adotado sofreu um rude golpe, os corredores do Dragão devem estar inundados de gente com crises de ansiedade perante a possibilidade de fracassarem também nesta época.

De resto, é sermos competentes dentro das quatro linhas: não inventando na defesa, mandando a bola para o mato quando for preciso, muita solidariedade nas coberturas, batalhar no meio-campo até à última gota de suor, e sabendo soltar o muito talento que temos quando as oportunidades aparecerem - tudo isto ao ritmo da banda sonora de apoio incondicional que as bancadas de Alvalade já habituaram quem veste de verde e branco (e que reserva sempre uma receção muito especial para estes fregueses).

A gargalhada do dia: mito abalado

Hoje é dia de Sporting - Porto e, curiosamente ou talvez não, O Jogo coloca na capa uma revelação bombástica sobre qual das formações dos dois clubes domina o panorama nacional.


Pela 32983445ª vez, a comunicação social tenta convencer-nos que a formação do Sporting, famosa em todo mundo, afinal já foi ultrapassada. A única diferença é que, ao contrário dos últimos tempos, em que tem sido a malta do Benfica made in Benfica a pôr-se em bicos de pés, agora é a vez dos nossos adversários de logo.

Vamos então ver o que argumentam os senhores, mais em concreto o jornalista André Viana, autor desta peça jornalística de primeira água:



OK, então os senhores de O Jogo dizem que a ideia de que o Sporting é o grande formador do futebol nacional não tem total correspondência com os factos, rematando com: "Na I Liga, por exemplo, a escola do FC Porto faz-se notar". Uma frase escrita num tom quase casual, como se O Jogo tivesse encontrado duas mãos cheias de exemplos de ligas por esse mundo fora mas que, por falta de espaço, optaram por analisar apenas o nosso campeonato.

Muito bem. Continuemos a analisar a argumentação do jornal. Digam-nos lá então porque é que dizem que a escola do FC Porto se faz notar mais que a do Sporting na I Liga.



OK, vamos então fazer de conta que William Carvalho (que não está incluído na lista) é da formação do Cercle Brugges, que Ricardo Pereira (esse mesmo, o do Porto, que já foi titular esta época na 2ª jornada) não esteve vários anos em Alcochete, tal como Victor Golas (Braga), Fernando Ferreira (Marítimo), Marco Matias (Nacional - será o Marco Martins que aparece na lista acima?) e Carlos Martins (Belenenses), e que Quiñones, que apenas chegou a Portugal com 20 anos, é *mesmo* da formação do Porto. Se Quiñones conta como formação, Carrillo, que chegou com 18 anos ao Sporting, não deveria entrar na lista?

E já agora, se colocam Zequinha na lista da formação do Porto (apesar de ter estado apenas 2 anos no clube), poderíamos colocar muitos outros que passaram pelo Sporting, como André Almeida (Benfica) ou Hélder Cabral (Setúbal). Mas não faz sentido considerar jogadores com tão poucos anos de casa como um produto de formação.

Mas, fora estas observações, é este o vosso argumento? Quantidade?

Se estamos numa onda de exercícios meio enviesados, proponho agora eu o meu: 'bora lá fazer duas equipas a representar cada uma das formações:


Note-se que respeitei a credível lista de O Jogo ao não incluir William Carvalho, e tentei colocar os melhores do Porto (dentro daqueles que conheço). Estive particularmente indeciso em quem colocar na baliza da formação do Porto: Rui Sacramento (um guarda-redes suplente do Arouca) ou Igor Rocha (outro guarda-redes suplente do Arouca). Escolhi Rui Sacramento, que esta época já foi utilizado num jogo da Taça da Liga.

Olhando para os onzes, seria sem dúvida uma partida muito interessante.

Nem tudo é mau para o Sporting, no entanto. Diz O Jogo que o Sporting aproveita melhor os produtos da sua formação, mas contrapondo logo de seguida em como os do Porto "interessam sobremaneira à concorrência interna dos dragões". Pudera: com a quantidade de presidentes amigalhaços e treinadores da casa que pululam nos clubes da I Liga, é normal que essas relações privilegiadas facilitem a colocação de jogadores portistas. 

Para além do domínio evidente da formação portista na I Liga, O Jogo destaca ainda um outro sinal de inversão: o Porto colocado 5 jogadores no campeonato europeu sub-19, contra apenas 4 do Sporting:


Eh lá! Mais um jogador que o Sporting? Que coisa impressionante. Mas... não seria de darem um destaque equivalente à última convocatória da seleção sub-21 em que foram convocados da formação do Sporting Ié, Esgaio, João Mário, Mané, Iuri e Ricardo Pereira (6 jogadores) contra Tozé, Rúben Neves, Sérgio Oliveira e Gonçalo Paciência (4 jogadores) e, porque não?, uma análise semelhante à seleção principal?

Estou a ser injusto. O Jogo até fala na seleção A en passant, dizendo que a convocatória para o jogo com a Albânia tem uma tendência pró-Sporting, mas em que começam por nos lembrar a auto-exclusão de Ricardo Carvalho e as pouco habituais ausências de Hélder Postiga e Hugo Almeida. 

Excelente trabalho jornalístico, sim senhor!

Fair Play Financeiro, Moutinho e Fundos

                                                                                                                                         
Investigação da UEFA ao Sporting no âmbito do Fair Play Financeiro

A UEFA divulgou ontem que abriu uma investigação formal às contas de vários clubes europeus, entre os quais o Sporting. A única consequência, para já, é que o clube terá que apresentar documentação adicional sobre a sua situação financeira.

Não é nada de novo, tratando-se de mais uma consequência dos anos financeiramente desastrosos que antecederam a tomada de posse da atual direção. O Sporting apresentou em 2010/11, 2011/12 e 2012/13 prejuízos que, no seu conjunto, rondaram os €134M (não consigo escrever isto sem começar a sentir uma revolta imensa). O Fair Play Financeiro diz que os prejuízos acumulados nas últimas três épocas não podem superar os €45M, pelo que era inevitável que a UEFA acabasse por acionar este processo de investigação.

Será uma situação que nos deva preocupar? Na minha opinião não em demasia. A UEFA tem vários níveis de penalização, mas o objetivo dessas penalizações é forçar os clubes a corrigirem as suas políticas de forma a gastarem valores abaixo das suas receitas. O que joga a favor do Sporting no diálogo que se fará com a UEFA?

  • Está aprovado um plano de reestruturação financeira com os credores, que inclui a entrada de novos acionistas
  • A concretização com sucesso de uma redução substancial dos custos, com especial ênfase no orçamento para o futebol
  • A apresentação de lucros no exercício de 2013/14

Estou certo que a UEFA não será insensível ao facto de o Sporting ter sabido reequilibrar as suas contas anuais.


A decisão do Tribunal Arbitral da Liga no caso Moutinho

Aquando da venda de Moutinho ao Porto (outra coisa que não consigo escrever sem ficar imediatamente com os ácidos do estômago aos saltos), o Sporting ficou com direito a 25% das mais-valias de uma futura venda.

O Porto comprou Moutinho por €11M, vendeu por €25M, pelo que o Sporting teria direito a 25% de €14M, ou seja, €3,5M.

No entanto, o Porto calculou a mais-valia a que o Sporting teria direito de uma forma contabilística, ou seja, retirando-lhe as despesas associadas à venda, nomeadamente o dízimo de Jorge Mendes (10% do total).

Ou seja, o Porto fazia (por alto) os seguintes cálculos: Mais-valia = €25M (venda) - €11M (compra) - €2,5M (comissões) = €11,5M, ficando o Sporting com direito a 25% deste valor, que é €2,875M. Menos €625.000 que o Sporting considerava ter direito.

Como é evidente, as alegações do Porto não fazem qualquer sentido do ponto de vista lógico. Se, por absurdo, o Porto decidisse pagar 30% de comissão a Alexandre Pinto da Costa por ter servido de cicerone aos representantes do Mónaco na noite portuense, o Sporting também teria que contribuir para esta despesa?

Mais importante que isso, é ainda o que (não) está escrito no contrato assinado entre Sporting e Porto. Não há, nesse contrato, nada que diga que o Sporting tenha que deduzir das suas mais-valias os valores referentes a despesas em que o Porto decide unilateralmente incorrer.

Por outro lado, o tribunal deu razão ao Porto no diferendo referente aos direitos de formação a que o Sporting teria direito, indicando que esse valor só se aplica se o próprio clube não estiver envolvido na transferência. 

O Sporting recorrerá na questão dos direitos de formação, assim como é previsível que o Porto vá recorrer da decisão das mais-valias.


Decisão da FIFA e UEFA sobre os fundos

Vários jornalistas estão a fazer circular o rumor de que a FIFA e a UEFA chegaram finalmente a acordo para iniciar de imediato um processo de transição que visa eliminar totalmente a participação de fundos em passes de jogadores no prazo de 3 anos, sendo que afirma que essa decisão será poderá ser anunciada publicamente ainda hoje.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

É tudo uma questão de saber como pedir

                                                                                                                                     
O Porto não aceitou entrar em campo de mãos dadas com crianças? Digam-lhes que os miúdos vão equipados desta forma e vão ver como mudarão de ideias num abrir e fechar de olhos...


Santos da casa não fazem milagres

                                                                                                                                    
Já tive oportunidade de escrever, mais do que uma vez, que acho que Fernando Santos não é a melhor opção para selecionador nacional. Não estou sequer a levar em consideração a sua atual suspensão - refiro-me apenas ao seu perfil. Existem outros treinadores livres que na minha opinião seriam mais adequados à tarefa que aí vem, apesar de reconhecer que não há nenhum que me pareça indiscutivelmente o homem ideal para o cargo.

Mas sinto-me efetivamente incomodado por esta escolha. Não por Fernando Santos em si, que é um treinador que me merece todo o respeito, mas pelo processo e pelo racional seguido por quem tinha a responsabilidade de tomar esta decisão.

Em primeiro lugar, que alminhas é que se lembram de contratar um treinador que APENAS SE PODERÁ SENTAR NO BANCO NA 2ª JORNADA DA FASE FINAL DO EUROPEU??!! Não estamos a falar de um clube, em que o treinador, através do contacto permanente com os jogadores nos treinos, tem a possibilidade de passar as suas ideias de forma efetiva ao grupo - e em que a ausência do banco em alguns jogos numa época longa acaba por não ter grande impacto. Esta suspensão de 8 jogos representará um período de 23 meses em que Fernando Santos estará a ver todos os jogos que realmente interessam a partir do camarote, não tendo a possibilidade de intervir na partida, ou sequer observar e sentir in loco a postura, empenho e reação dos jogadores nos jogos a doer. A sua influência limitar-se-á a um punhado de treinos, divididos por meia-dúzia de estágios, que me parecem insuficientes para vender de forma convincente as suas ideias ao grupo de trabalho.

Para piorar, JURO-VOS que pensava que a FPF, através dos canais a que tem acesso, já teria a informação que a suspensão de Fernando Santos seria reduzida. Foi uma esperança a que me agarrei, porque está nomeação é tão absurda que me levava a assumir que Fernando Gomes & Cª já saberiam algo que o público em geral desconhecia. Mas nem isso, pois no próprio dia em que Fernando Santos é apresentado, a FIFA confirmou os 8 jogos de suspensão do selecionador.

Ou seja, a única hipótese que Fernando Santos tem de estar no banco na 1ª jornada da fase de grupos do Euro 2016 é se ficarmos em 3º lugar no grupo e nos apurarmos via playoff.

Tudo isto faz-me lembrar a conversa de Gilberto Madail na altura em que Carlos Queiroz estava suspenso, ao afirmar que a ausência do selecionador não era um problema pois os jogadores tinham capacidade de jogarem em piloto automático. Dias mais tarde empatámos 4-4 com o Chipre e perdermos na Noruega por 1-0. É caso para dizer que a bússola devia estar com algum problema. O público pode deixar-se levar por estas conversas, mas será que os jogadores aceitarão ter um selecionador que não estará com eles no calor do jogo?

Não me entendam mal: estou apenas a questionar a decisão da FPF - que escolheu a saída mais fácil numa tentativa de agradar a todos os poderes do futebol nacional - e não o selecionador em si, que merece o benefício da dúvida e não tem seguramente a obrigação de inverter tudo o que de mau tem acontecido já nos jogos com a França e Dinamarca. Fernando Santos não é obrigado a fazer milagres - e não estando no banco, ainda menos.

Apesar desse benefício da dúvida, devo dizer que o novo selecionador deixou-me apreensivo em relação ao tema renovação da seleção:
"Não há bilhetes de identidade. Essas coisas, feitas por empurrão, não vão a lado nenhum. No Mundial a Grécia tinha um jogador com 35 anos e outro com 36, o Katsouranis e o Karagounis. Mas também 17 dos 23 jogadores foram lançados por mim. Era uma seleção que ia dos 18 aos 36 anos."
"É um processo aberto. Não gosto da palavra renovação, pois parece que os velhos vão para o lixo e os novos vão tomar conta disto. Vamos estar muito atentos ao percurso da formação. Não serei juiz dos treinadores da formação, mas vamos ter que partilhar ideias. Tanto faz ter 17 anos ou 35. Se tiver valor, vem."

Concordo que, do ponto de vista individual do jogadores selecionáveis, não se deve olhar para o BI. Os melhores deverão, por norma, ser sempre chamados - e só por aí Fernando Santos poderá trazer melhorias imediatas em relação a Paulo Bento. O problema é que isso não é suficiente, pois muitos dos que são os melhores hoje seguramente que, daqui a 4 anos (altura em que se disputa o Mundial 2018), estarão numa fase descendente das suas carreiras (se é que alguns deles não chegaram já a essa fase). Tudo isto significa que é imperativo que se comece a apostar já em alguns dos miúdos que começam a dar nas vistas nos seus clubes - pois são esses jovens que daqui a 4 anos serão a solução para a maior parte dos nossos problemas.

Jogadores como Marcos Lopes, Cédric, Rúben Neves, Carlos Mané, João Mário, Bernardo Silva, Ilori, Rúben Vezo ou Bruma deveriam começar a ser inseridos no grupo de trabalho o quanto antes. Alguns deles, se calhar, poderiam começar inclusivamente a serem lançados nos próximos compromissos internacionais. Numa fase de apuramento em que se podem qualificar até três seleções, é um desperdício não começarmos a preparar desde já o Mundial 2018. Se não o começarmos a fazer, estaremos a reduzir em grande medida as nossas hipóteses de qualificação para a Rússia, que terá muito menos espaço para as seleções europeias - e em que apenas as realmente boas terão lugar.

Se cabe ao selecionador escolher os jogadores em cada convocatória, cabe à Federação definir metas e orientações relativamente a um horizonte temporal mais longínquo. Esperemos que todos saibam fazer o seu trabalho na defesa dos melhores interesses de curto, médio e longo prazo da seleção. Se continuarmos a pensar apenas no próximo jogo, certamente que teremos grandes desilusões daqui a uns anos.

Lançando o tema do próximo post

Balanço das arbitragens: 5ª jornada

                                                                                                                                  
Benfica 3-1 Moreirense (Luís Ferreira)

22': Numa disputa de bola, Enzo Perez acerta com os pitons no peito de Alex, o árbitro não assinala falta - decisão errada, o jogador do Benfica devia ter sido expulso por se tratar de uma falta muito violenta, mesmo considerando que conseguiu jogar a bola momentos antes

57': Marcelo Oliveira vê o segundo amarelo após falta sobre Talisca - decisão certa, a falta inclusivamente mereceria cartão vermelho direto pois o jogador acerta de sola na canela de Talisca

66': Após um remate de Jardel, a bola bate no braço de Danielson; o árbitro não assinala penálti - decisão errada, apesar de ter havido um ressalto no corpo do próprio Danielson, o jogador não pode fazer-se à bola com o braço completamente estendido, pelo que devia ter sido assinalado penálti

82': Lima cai na área ao passar por Anilton, o árbitro assinala penálti - decisão certa, o joelho do jogador do Moreirense bate ao de leve no pé de Lima, que é o suficiente para desequilibrar o avançado

=: a não expulsão de Enzo aos 22', numa altura em que o resultado era de 0-1, é um erro com influência decisiva no resultado, pois a tarefa de recuperação do Benfica ficaria imensamente dificultada (2)


Gil Vicente 0-4 Sporting (Carlos Xistra)

7': Golo anulado a Maurício por carga sobre Adriano - decisão certa, Maurício toca no guarda-redes do Gil Vicente dentro da pequena área no momento da disputa de bola, pelo que há falta

64': Marwan cai na área após disputa de bola com Sarr, o árbitro mandou seguir - decisão errada, Sarr toca primeiro no pé do avançado do Gil e só depois joga a bola, pelo que deveria ter sido assinalado penálti

81': Luan bate com o braço no pescoço de Nani numa disputa de bola na área, o árbitro não assinala nada - decisão certa, há contacto, mas não parece ser propositado nem com intensidade suficiente para ser considerado faltoso

=: com o penálti não assinalado a favor do Gil Vicente, numa altura em que o resultado era de 0-2 e ainda faltavam mais de 25 minutos de jogo, é razoável assumir que o Gil Vicente teria ainda possibilidades de chegar ao empate (X2)


Porto 0-0 Boavista (Jorge Ferreira)

25': Maicon faz um carrinho, acertando com os pitons no tornozelo de Anderson, o árbitro expulsou o jogador - decisão certa, a entrada coloca em risco a integridade física do adversário, pelo que o cartão vermelho se justificava

=: arbitragem sem influência no resultado


Estatísticas da jornada



Estatísticas acumuladas



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Links para jornadas anteriores

4ª J: Setúbal - Benfica; Sporting - Belenenses; Guimarães - Porto: LINK
3ª J: Porto - Moreirense; Benfica - Sporting: LINK
2ª J: Paços Ferreira - Porto; Sporting - Arouca; Boavista - Benfica: LINK
1ª J: Porto - Marítimo; Académica - Sporting; Benfica - Paços Ferreira: LINK

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Uma vez Cofina...

... sempre Cofina.

in slbenfica.pt

Apoiar no estádio comprando bilhete através do Smartphone

                                                                                                                           
O leitor T1 chamou-me a atenção para o facto de que também é possível comprar bilhetes através da aplicação MeuSporting, disponível para Android e iOS.

O funcionamento é muito semelhante ao do site, mas este é um pouco mais intuitivo. Basta começar por fazer download da aplicação MeuSporting. Usando este meio de compra, os clientes Meo (penso que apenas do serviço de telemóvel), Moche e Uzo têm direito a 10% de de desconto.


Na aplicação, pode-se iniciar a compra carregando na secção Comprar.


À semelhança do site do Sporting, temos que nos identificar como sócios ou, em alternativa, indicar o nº de bilhetes que queremos adquirir com o preço para o público em geral.


A partir daqui é extremamente simples. Primeiro escolhendo a o lado da bancada através dos botões coloridos no fundo do ecrã...


... depois a bancada propriamente dita (A ou B)...


... e finalmente o setor.


Aqui, a aplicação propõe-nos logo uma fila e lugar, ao contrário do site, que só avança para a compra depois de escolhermos especificamente o lugar que queremos. Mas é possível também indicarmos exatamente o lugar que queremos, carregando no botão VER / ALTERAR LUGARES.

O preço também já aparece definido. Como o meu telemóvel não é Meo, Moche ou Uzo, não sei se o desconto é colocado automaticamente para os clientes dessas operadoras.


Como os ecrãs de telemóvel são pequenos, a aplicação mostra apenas parte do setor. É possível navegarmos pelo setor carregando no botão VER SECTOR.


Aqui podemos então escolher em que parte do setor queremos comprar bilhete. Carregamos no que pretendemos, e depois poderemos escolher um lugar específico.


Depois de confirmarmos os lugares, temos que introduzir o nosso nome, mail e nº telemóvel (à semelhança do site), e somos enviados para o ecrã em que escolhemos o método de pagamento.


É possível receber um PDF no mail, mas a própria aplicação guarda o bilhete propriamente dito, pelo que é possível entrar no estádio usando unicamente o telemóvel.

Apoiar no estádio comprando bilhete na internet

                                                                                                                                           
Ontem li o apelo feito pelo Leão de Plástico que, no seu estilo inconfundível, desafia todos os sportinguistas a irem ao estádio apoiar a equipa no importante desafio de sexta-feira. Como é evidente, não posso deixar de subscrever na totalidade o que escreveu o Javardeiro: é nestas ocasiões, em que defrontamos adversários de maior valor, que temos que nos unir à volta do Sporting. E a melhor forma de o fazer é marcando presença no estádio para os ajudarmos a conseguir aquilo que todos desejamos: a vitória.

Nesse sentido, quero deixar aqui também o meu contributo para ajudar quem está indeciso a tomar a decisão de ir a Alvalade na próxima sexta-feira, mais concretamente indicando todos os passos que são necessários para comprar o bilhete online.

Às 22h30 de terça-feira, hora em que escrevo este post, o ponto de situação da ocupação das bancadas é mais ou menos este:

Bancada A (mais perto do relvado)

  • Central poente - praticamente esgotada
  • Lateral poente - praticamente esgotada
  • Superior sul - esgotada
  • Central nascente - cerca de 75%
  • Lateral nascente - cerca de 75%
  • Superior norte - cerca de 75%

Bancada B (mais perto da cobertura)
  • Central poente - um pouco mais de 50%
  • Lateral poente - praticamente esgotada
  • Superior sul - esgotada
  • Central nascente - cerca de 50%
  • Lateral nascente - cerca de 50%
  • Superior norte - esgotada

Aqui fica a imagem de alguns dos setores com mais lugares disponíveis:

Setor A13 - Superior Norte: €20 sócios / €35 adeptos

Setor B03 - Central Poente: €25 sócios / €40 adeptos
Setor B31 - Central Nascente: €25 sócios / €40 adeptos

Para comprar bilhetes online, pode-se fazer através do site do clube, AQUI. São 6 os passos necessários para fazer a compra, e que não deve demorar mais que 10 minutos no total:

1º: Se for sócio, deve identificar o seu nº e carregar em ADICIONAR SÓCIO. Se não for sócio, deve colocar o nº de bilhetes a comprar no retangulo de baixo.


2º: De seguida aparece a imagem do estádio. 


Passe com o rato sobre as várias bancadas. Se existirem lugares disponíveis, o cursor do rato fica com a forma de mão. Se não existirem lugares à venda, o cursor do rato é uma seta.


3º: Ao carregar com o rato numa bancada com lugares disponíveis, aparecem de seguida os vários setores dessa bancada. No exemplo abaixo, carreguei na central B nascente:


Esta bancada está dividida nos setores B30, B31 e B32. Mais uma vez, a forma do cursor (em seta ou em mão) indica se o setor tem ou não lugares ainda disponíveis para venda.

4º. Escolhendo, por exemplo, o setor B32 obtemos a visualização das cadeiras ocupadas (a verde) e livres (a branco). Escolhi, a título de exemplo, o lugar 52 na fila 33 (assinalado a laranja). A partir do momento em que escolhemos um lugar, temos 10 minutos para concluir a compra (de forma a não ficar a bloquear o lugar a outras pessoas que possam querer comprar bilhete).


Para prosseguir a compra, carregar em CONTINUAR. 

5º: Depois é necessário preencher nome, morada, email e telemóvel.


Para passar aos dados de pagamento, carregue em CONTINUAR.

6º: Este é o último passo:


Nas opções de envio só se pode escolher PDF - o que significa que receberá por mail um documento que poderá imprimir, que serve como bilhete para entrar no estádio. Nos meios de pagamento pode optar por VISA ou multibanco. No caso de ser VISA o pagamento é efetuado de imediato. No caso de ser via multibanco, será dada no momento uma referência multibanco, e é necessário pagar no prazo de 4 horas, caso contrário a compra de bilhete é anulada automaticamente.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dona Lídia

                                                                                                                                     
Toma...


... e embrulha.


O princípio do fim dos fundos


O Guardian fez ontem um oportuno e interessante artigo em que aborda a crescente influência de Jorge Mendes no futebol mundial, apontando para os óbvios e preocupantes conflitos de interesse que decorrem da ação de um agente que, em vez de exercer a sua atividade com o objetivo de defender unicamente os interesses dos seus jogadores, usa a sua influência em negociações de transferências e renovações de contrato para se apoderar de parcelas dos passes dos atletas que representa. Queres renovar com o meu jogador? Então passa para cá parte do passe. Que sentido faz isto?

Como é evidente, quando Jorge Mendes passa a ser proprietário de parte dos direitos financeiros de um jogador, seja através da Gestifute ou através do fundo QFIL, não lhe interessará que esse jogador permaneça muito tempo no mesmo clube. O dinheiro faz-se movimentando jogadores, mesmo que isso não seja do interesse imediato do clube que detém os direitos desportivos. Olhe-se para Falcao, por exemplo. Do Porto para o Atlético, daí para o Mónaco, e agora em Manchester.

Hoje, o Guardian alarga o tema para a questão geral dos fundos de investimento, revelando num novo artigo que a UEFA planeia, já na próxima época, iniciar uma fase de transição para que os clubes tenham tempo de se readaptar e que levará, no final, à proibição de utilização nas competições europeias de jogadores que não sejam detidos na totalidade pelos clubes. 

Citando o secretário geral da UEFA, Gianni Infantino, o Guardian acaba por reduzir de forma notável o estado de promiscuidade e falta de transparência que a crescente influência dos fundos trouxe para o futebol - e em particular para a relação clube - jogadores:
"Ameaça a integridade das competições desportivas, causa danos à estabilidade contratual, perverte a relação de confiança que deve existir entre um jogador e o clube para quem trabalha, cria conflitos de interesses, significa que os jogadores têm menos controlo sobre o desenvolvimento das suas próprias carreiras, mantém os clubes num ciclo vicioso de dívida e dependência, e prejudica a imagem geral do futebol." 

Esta preocupação da UEFA não é nova e já vem do tempo em que Tevez e Mascherano foram para a Premier League através de um fundo de investimento - e que esteve na origem da proibição de jogadores detidos por terceiros na liga inglesa - mas parece que neste momento é apenas uma questão de tempo para que estas relações perigosas deixem de ter espaço para crescer nas competições internacionais.

É claro que em Portugal as mudanças serão muito mais difíceis de concretizar. Num país em que nem sequer se consegue implementar a utilização de um spray para se marcar as barreiras em livres, será utópico esperar que os responsáveis pelo nosso futebol tomem ações concretas para acompanhar esta evolução - em que se tentam acabar com coutadas como as de Jorge Mendes - ainda mais quando a proximidade entre o agente e muitas das figuras de topo do futebol nacional é inegável.

De qualquer forma, se a UEFA levar por diante a proibição nas competições internacionais, será uma machadada decisiva para acabar com esta questão dos fundos mesmo em Portugal:
  • não interessa aos clubes construírem plantéis em que parte dos jogadores são apenas para consumo interno;
  • não estou a ver que jogador com valor aceitará ser transferido para um clube português, sabendo que não poderá participar na Liga dos Campeões;
  • A liga portuguesa, por si só, não vale de muito enquanto plataforma de valorização, o que dificultará a capacidade de retorno rápido dos investimentos feitos pelos fundos.

É impossível desligar o episódio Sporting / Rojo / Doyen do que estamos agora a assistir. Não digo que seja um caso de causa-efeito imediato, mas foi a atitude disruptiva do Sporting que colocou definitivamente o papel dos fundos na ordem da agenda internacional, suportada depois pelo êxodo de estrelas do Mónaco contra a vontade da direção do clube francês.

Curioso que, em vez de tentarem perceber as razões que levaram o Sporting a anular o contrato com a Doyen, a maior parte dos nossos experts preferiu não compreender o que realmente estava em causa (por falta de inteligência ou falta de vontade) e optou por usar essa atitude como mais uma sentença condenatória de Bruno de Carvalho. Felizmente que lá fora souberam entender o cerne da questão.

Já chegou à imprensa estrangeira

                                                                                                                                       
É tão óbvia a forma comprometida com que os adeptos benfiquistas e a comunicação social vermelhusca assobiam para o lado enquanto vêm a sua equipa a ser levada ao colinho pelos amigos do apito, que até a imprensa estrangeira já dedica capas ao assunto...

in Sun Sport, ontem