domingo, 30 de novembro de 2014

Blitzkrieg com fogo de tanque e morteiro

Nenhum sportinguista se terá sentido defraudado com a vontade de marcar com que a equipa entrou em campo. Foi notório que a mensagem de Marco Silva passou para os jogadores, e estes não pouparam esforços para resolver o jogo rapidamente. E fizeram o suficiente para isso, com exceção da malfadada eficácia finalizadora. Nos primeiros 20 minutos foram imensas as ocasiões de golo criadas, que incluiu duas bolas nos ferros, algumas más finalizações e um guarda-redes que teve algumas intervenções que adiaram a festa em Alvalade mais do que se esperaria.

O ritmo acabaria por abrandar, mas sempre com o Sporting a dominar completamente a partida, acabando por resolvê-la de rajada na segunda parte no espaço de um minuto com dois excelentes golos. A partir daí a equipa começou a gerir o esforço, mas nem por isso deixou de ter oportunidades para ampliar a vantagem, perante um adversário completamente inofensivo no ataque.

Uma vitória absolutamente indiscutível que apenas pecou por não ter a expressão em golos que merecia. Deviam ter sido mais, e não deviam ter demorado tanto tempo a aparecer.



Positivo

A importância de Fredy Mortero - Marco Silva disse na conferência de imprensa que a equipa deveria entrar com tudo para cima do adversário, e o treinador foi o primeiro a dar o sinal prático ao colocar o colombiano de início em simultâneo com Slimani. Aposta inteiramente ganha, pois Montero foi o principal dinamizador do ataque na melhor fase da equipa, recuando, recebendo entre linhas passes (sobretudo de William), distribuindo e apoiando Slimani. Montero acabaria também por ser Mortero, quando disparou um projetil de longa distância que aniquilou a oposição que ainda se organizava nas trincheiras após as linhas terem sido furadas pela primeira vez por um tanque argelino - repetindo a brincadeira que já tinha feito com o Paços.

O tanque argelino - começou mal ao não conseguir concretizar 3 oportunidades nos primeiros minutos (numa delas podia ter feito muito melhor), mas acabou por ser uma das figuras do jogo ao marcar o 1º golo com a canela e o 3º de cabeça. À ponta-de-lança.

As manobras flanqueadoras dos laterais - tanto Cédric como Jefferson fizeram excelentes exibições no apoio ao ataque. O brasileiro está a atravessar uma grande fase e mais uma vez foi decisivo ao assistir Slimani para o 1º golo com um cruzamento teleguiado, e quase marcou na 1ª parte através de um livre. Cédric esteve sempre muito ativo, com alguns bons cruzamentos e um excelente entendimento quer com Mané quer com Carrillo.

O sniper peruano - Carrillo substituiu Mané e, apesar de o peruano ter estado menos participativo que o português, foi tremendamente mais objetivo e perigoso. Várias excelentes iniciativas, das quais se destacam a assistência de morte que Capel desperdiçou incrivelmente e o excelente passe para o último golo de Slimani.

O spray para marcar a posição das barreiras - tardou a chegar a Portugal mas é um progresso que saúda.


Negativo

Ineficácia finalizadora - não é novidade nenhuma esta época (ainda na terça-feira tivemos um show de oportunidades falhadas contra o Maribor), e a história repetiu-se com o Setúbal. De destacar as três bolas nos ferros, uma das quais num falhanço de Capel à boca da baliza, que entrando dariam uma expressão mais adequada à diferença de produção das duas equipas.

Arbitragem demasiado permissiva - a arbitragem de Artur Soares Dias foi, num jogo fácil e com poucos lances de difícil juízo, péssima. No rescaldo da partida falar-se-á muito (e justificadamente) do livre marcado a 2 tempos por William que antecede o 1º golo, mas será lamentável se não se referir o critério incompreensivelmente permissivo que o árbitro utilizou. O Setúbal abusou das faltas e de contactos para além do que as regras permitem, e ficaram sem favor 10 a 15 faltas por assinalar. É ridículo que o Sporting tenha terminado com 17 faltas cometidas e o Setúbal apenas com 13. É ridículo que o Setúbal tenha apenas terminado o jogo com um amarelo. E é um desrespeito para com quem paga bilhete que se seja tão tolerante com as prolongadíssimas reposições de bola (pontapés de baliza e lançamentos laterais) e "lesões" sucessivas sem que se dê uma compensação minimamente adequada nos descontos.

Entrada no estádio na porta 3 - já com o Paços as coisas não correram bem, e esta noite foi ainda pior, pois as entradas pela porta 3 estiveram paradas durante muitos minutos devido a uma avaria nos torniquetes. Os stewards podiam continuar as revistas, e as pessoas poderiam esperar no interior que o problema dos torniquetes fosse resolvido, mas em vez disso, pararam as revistas e atrasou-se ainda mais todo o processo de entrada no estádio. Tudo isto levou a uma enorme concentração no exterior de pessoas impacientes por entrar, e consequentemente gerou muitos empurrões de quem vinha de trás, com a polícia na zona das revistas a não deixar passar ninguém. No meio havia muitas crianças. Qualquer dia as coisas poderão correr realmente mal.


Foi um regresso às vitórias no campeonato com uma exibição inteiramente convincente. A equipa levou a sério o adversário e se esta atitude se mantiver temos condições para reduzir o fosso para a liderança nas próximas jornadas.

sábado, 29 de novembro de 2014

Encarar o Setúbal como adversário de Champions

É normal que os índices de motivação e concentração no palco da Champions sejam incomparavelmente mais elevados que um jogo típico da liga portuguesa. A visibilidade internacional, o estimulo da competição propriamente dita e o ambiente envolvente devem mexer com qualquer grupo de jogadores que quer provar o seu valor defrontando os melhores. E nesse sentido, o comportamento do Sporting na principal prova mundial de clubes não tem defraudado as nossas expetativas.

Mas seria bom que se conseguisse transferir alguma da motivação adicional da Champions para as competições internas. Tem sido demasiado frequente o Sporting oferecer partes inteiras de avanço aos adversários, e não creio que as dificuldades sentidas se expliquem exclusivamente pelo melhor conhecimento que equipas nacionais têm dos nossos jogadores e sistema de jogo.

Parece indiscutível que tem havido uma certa displicência na abordagem inicial às partidas, que obriga depois a equipa a ter que procurar resolver jogos num espaço de tempo mais curto perante adversários galvanizados com o avançar do relógio, ao mesmo tempo que nos coloca a jeito para que erros graves de arbitragens possam ter influência decisiva no resultado.

A qualidade das ideias de jogo e dos jogadores são mais que suficientes para ultrapassar confortavelmente a maior parte dos adversários de consumo interno, mas não se pode dizer o mesmo do foco da equipa. A recuperação desse foco para os desafios da liga é o principal desafio de Marco Silva para logo. Entrar a todo gás para resolver o mais rapidamente possível. Temos qualidade para o conseguir, mas é preciso fazer pela vida.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Benfiquistas que gostariam de ter outro presidente: tirem o cavalinho da chuva

... porque no dia a seguir ao fim do seu mandato, os credores de Vieira vão bater-lhe imediatamente à porta. Foi assim com Vale e Azevedo, será assim com ele.

in publico.pt (LINK)

Estatutos blindados. Máquina de propaganda montada. Muito betão para mostrar. Mas apesar de tudo isto, Vieira sabe que precisa de apresentar resultados. No que depender dele, as contas do Benfica nunca serão saneadas, porque é preciso ter alguns resultados desportivos para mostrar. Vieira nunca mudará, fará tudo para se manter no poder - que é a única maneira que tem de evitar a derrocada dos seus negócios pessoais -, mesmo que isso implique a queda do Benfica. Mas isso não deverá ser um problema para o amigo e consócio de Pinto da Costa.

E é preciso ter descaramento para se queixar que a banca deu um tratamento privilegiado ao Sporting.

in sol.pt (LINK)

Template VieiraNoBalneárioApósFracasso.dotx

Na edição de ontem do Record, foi noticiado que Luís Filipe Vieira se deslocou ao balneário logo após a derrota com o Zenit:


A primeira coisa que reparei é que Vieira fez muita questão (mesmo) em estar presente nas horas más, como os bons presidentes fazem: Luís Filipe Vieira "fez questão de se deslocar ao balneário", e que também "fez questão de permanecer junto à saída do balneário a aguardar pela passagem dos jogadores". OK, já percebemos.

Para além disso, a jornalista Vanda Cipriano escreveu que Vieira "dirigiu, certamente, algumas palavras de ânimo aos futebolistas". Isto fez soar algumas campainhas num dos recantos do meu cérebro. É que ainda em fevereiro passado o Record, através do jornalista Nuno Pombo, na sequência do empate do Benfica em Barcelos contra o Gil Vicente, publicou a seguinte notícia:


A curiosa coincidência no uso de expressões idênticas como "ânimo" e o advérbio "certamente", por dois jornalistas diferentes, em circunstâncias em que não sabem ao certo o que se passou e apenas podem especular (daí o certamente), deve ter uma explicação simples: o Record dispõe de uma bateria de templates prontos a usar quando o Benfica tem um resultado menos positivo. É algo perfeitamente compreensível, pois nem sempre uma pessoa consegue criar textos inspiradores e motivacionais no meio da tristeza de uma derrota.

Recorrendo a expedientes menos lícitos conseguimos acesso ao template utilizado nas duas notícias. Aqui fica:




Faltas e cartões

Faltas sofridas / cartões mostrados aos adversários

Mantém-se um certo equilíbrio entre os grandes. Por cada 4,2 faltas que o Porto sofre há um cartão exibido aos adversários. O Sporting tem a média de um amarelo exibido aos adversários por cada 4,4 faltas que sofre. Os adversários do Benfica vêm um amarelo por cada 5 faltas que fazem sobre jogadores do Benfica.



Faltas cometidas / cartões mostrados

Mantém-se a disparidade entre os grandes. O Benfica continua a ser a equipa que menos cartões relativamente ao número de faltas que faz (só vê um cartão em cada 6,9 faltas). O Porto vê um cartão por cada 6,1 faltas que comete. O Sporting vê um cartão por cada 4,8 faltas cometidas, continuando no outro extremo desta tabela. Apesar de ser a 5ª equipa que menos faltas cometeu ao longo do campeonato, apenas 6 equipas viram mais cartões.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Jornalismo desportivo em Portugal: o copo vazio e o copo cheio

São poucas as coisas na vida que não podem ser encaradas de formas distintas. É perfeitamente possível que o mesmo facto possa ser abordado por uma via mais positiva ou por uma via mais negativa. Quando esses temas dizem respeito a um clube de futebol, é normal que os adeptos tentem encará-lo de uma forma mais construtiva e que os rivais o explorem de uma forma mais destrutiva. Quanto à comunicação social, espera-se que aborde preferencialmente os dois lados da questão, independentemente do nome do clube que se discute.

Vem isto a propósito da forma como o Record decidiu destacar a estreia de Daniel Podence pela equipa principal contra o Espinho:


O Record dedicou uma página inteira a este assunto. Concordo que o facto de alguns reforços do Sporting ainda não terem jogado tem interesse jornalístico, mas será que não seria também pertinente abordar a estreia de Podence pela vertente de mais um jogador da formação ter sido utilizado?

Será que referir que Podence é o 10º jogador da formação a ser utilizado esta época em jogos oficiais (depois de Rui Patrício, Cédric, Esgaio, William, Adrien, André Martins, João Mário, Carlos Mané e Nani) não tem também algum interesse jornalístico? 10 até é um número redondo... será que duas mãos cheias de jogadores não justificariam um espacinho na capa?.

A hipocrisia é tanto maior quando vemos que duas capas mais recentes do Record que destacam o Benfica, e que referem a temática formação e gestão do plantel, são abordadas de uma forma altamente elogiosa (no caso da formação) ou simplesmente neutra (no caso da gestão do plantel).

Para serem coerentes, não poderiam abordar pela ótica de o Benfica procurar contratar o 4º lateral esquerdo da época - depois de Djavan, Benito e Eliseu, que juntos custaram 5 ou 6 milhões?


Poderíamos também falar na quantidade de jogadores do Benfica que ainda não justificaram a sua contratação. Aos €5/6M gastos em laterais esquerdos que não convencem, ainda podemos juntar Samaris (€10M), Cristante (€6M), Bebé (€3M), Derley (€2,5M), César (€3M), Luís Felipe (€1M), Dawidowicz (€2M e só jogou pela equipa B) ou Victor Andrade (€3,5M e também só jogou pela equipa B). Quase €40M em reforços que não convencem Jesus, que nos jogos a doer prefere não apostar no banco que tem. Das contratações feitas sobram Júlio César, Talisca e Jonas.

Infelizmente a única coerência que se encontra é a necessidade cíclica de tecerem loas à gestão de Vieira. Pergunto: que mérito existe numa política de betão feita à base de sucessivos empréstimos bancários que nunca são amortizados? Qualquer pessoa com acesso a crédito ilimitado conseguiria fazê-lo. 


Já fizeram uma análise à evolução dos empréstimos bancários e obrigacionistas do Benfica ao longo dos últimos anos? A tendência tem sido apenas uma: dívida crescente, mesmo com as vendas milionárias que têm sido realizadas pelo clube.

Em alternativa, não poderiam referir a persistente falta de aposta nos jogadores da formação? O único jogador que o centro de estágios do Seixal produziu a ser utilizado esta época foi Gonçalo Guedes que, à imagem de Podence, também entrou como suplente num jogo da Taça de Portugal contra uma equipa de um escalão inferior. Mas aqui já se consegue vislumbrar um rosto da nova política.


Nada disto é novo. Esta fonte inesgotável de elogios a Vieira não são mais que reportagens requentadas que devem ser publicadas ao abrigo do protocolo que existe entre a Cofina e o Benfica. É que no ano passado tivemos que gramar com isto:



Uma mão cheia de nada, é o que é. As desculpas para a falta de aposta na formação já se esgotaram há muito. O centro de estágios do Seixal já existe há mais de 8 anos e desde então o investimento sucessivo em novas infraestruturas nunca abrandou.

Por muito que Vieira diga que a aposta da formação será uma realidade (há quanto tempo ouvimos isto?), enquanto Jesus lá estiver (e vai estar ainda durante mais alguns anos) o presidente não terá "nozes" para impôr a sua "visão". Dá muito jeito a Vieira ter alguém como Jesus à frente do futebol do clube (não só porque é competente, mas também porque não se importa de servir de saco de pancada quando as coisas correm mal), e nada deve aterrorizá-lo mais que se ver na necessidade de procurar outro treinador para a equipa.

Não estou a dizer que tudo é mau - para todos os efeitos o Benfica lidera o campeonato e os resultados das camadas jovens do Benfica são inquestionavelmente bons -, simplesmente quero dizer que também havia material suficiente para justificar uma abordagem de copo meio-vazio para os temas que mencionei, se o Record optasse por seguir uma linha coerente com a notícia de Podence. Resta saber por que motivo não o fez.

P.S.: o mesmo exercício das contratações que tardam em render poderia ser feito também para o Porto: Opare, Campaña, Otávio, Ricardo ainda não jogaram, enquanto que outros como Marcano, Jose Angel, Evandro, Aboubakar ou Andrés Fernandez tardam em impôr-se. Aqui a diferença é que ninguém sabe muito bem quanto é que eles custaram...

Vieira reforça poderes de Jesus no Benfica

... é que pelos vistos o treinador também passou a ser responsável pelas redes sociais do Benfica.



Outra particularidade não referida no texto é que o muro que aparece no fundo da fotografia tem incríveis semelhanças com a parte exterior do Estádio da Luz.

Rescaldo da eliminação do Benfica no Twitter





 



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nova campanha publicitária


Liga dos Campeões ou Liga Europa?

Numa altura em que faltam 90 minutos para o Sporting definir o seu futuro europeu, a única certa é que esse futuro... existirá. Até lá, é natural que se discuta sobre se será melhor para o Sporting continuar a sua carreira na Liga dos Campeões (onde a probabilidade de uma vida longa é diminuta) ou na Liga Europa (onde, com uma pontinha de sorte, poderemos chegar longe).

Olhando para os mais prováveis 1ºs classificados dos grupos que nos poderão calhar nos oitavos de final, temos: At. Madrid / Juventus, Real Madrid, Leverkusen, Dortmund, Bayern e PSG / Barcelona. O Porto e o Chelsea estão excluídos. Não é definitivamente um panorama simpático.

De qualquer forma, não tenho grandes dúvidas: tendo possibilidades de conseguirmos o apuramento na Liga dos Campeões, deveremos persegui-lo com todas as nossas forças.

Compreendo os argumentos de quem prefere seguir para a Liga Europa:

  • É uma competição à medida dos clubes portugueses, e em condições normais será possível chegar a uma fase muito adiantada da prova
  • Não apanharemos um dos tubarões europeus totalmente focado e motivado, o que é meio caminho andado para, num dia mau nosso, sofrermos uma derrota pesada (a eliminatória com o Bayern ainda não foi esquecida)

Mas olhemos para o que representa um apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões:
  • Entramos no grupo das 16 melhores equipas da Europa, com tudo o que de bom traz uma visibilidade desse nível
  • Representa o ultrapassar de um obstáculo que contribuirá para o crescimento e valorização dos nossos jogadores
  • O prémio monetário do apuramento para a 2ª fase é de €3,5M. Para se conseguir isso na Liga Europa teríamos que chegar à final (ou seja, implica passar 5 eliminatórias)
  • Uma prova de força indesmentível perante a legião de especialistas que tenta constantemente menorizar a competência desta equipa
  • O facto de a Liga Europa se jogar à quinta-feira e de ter mais eliminatórias prejudica-nos no campeonato em relação aos rivais que disputam a Liga dos Campeões (mais jogos, menos tempo de descanso e mais jogos às segundas-feiras)

Acima de tudo, parece-me que se queremos ser grandes como os maiores da Europa não poderemos estar a pensar antecipadamente nas desgraças que nos poderão acontecer se apanharmos uma equipa de outra galáxia. E até ver nem nos temos saído mal: muitos tinham a expetativa de que íamos ser esmagados pelo Chelsea, mas com um pouco de sorte e São Patrício sobrevivemos à carga inicial e acabámos por discutir o resultado até ao fim da partida. Falamos do mesmo Chelsea que está a dominar completamente a liga mais competitiva do mundo.

Chegar "lá" será uma proeza, estar "lá" será um prémio e não um castigo, já que nada nos foi dado nesta caminhada. O mesmo valor que nos permite estar na posição atual, apesar das muitas adversidades com que nos confrontámos, também estará presente em campo contra qualquer tubarão que nos possa aparecer pela frente. Tudo o que acontecer então, para o bem ou para o mal, será... futebol.

Looking on the bright side

All kneel for King Nani!




Exibição cintilante em noite de apagão

Depois do amargo empate conseguido na Eslovénia, em que um lance duplamente infeliz traiu uma exibição personalizada, o Sporting voltou a demonstrar uma superioridade evidente em relação ao Maribor. Não faltou o habitual tiro no pé, mas felizmente a produção ao longo dos 90 minutos foi mais que suficiente para evitar que tivesse efeitos tão nefastos como o da 1ª jornada. Uma exibição categórica numa partida em que tínhamos muito mais a perder do que a ganhar, coroada com um golo de antologia que ficará na memória de quem assistiu ao jogo.



Positivo

Nani de alta cilindrada - fez um jogo absolutamente magnífico. Se alguém ainda tinha dúvidas sobre se a cabeça do jogador está em Lisboa ou em Manchester, esta exibição é totalmente elucidativa. Participou nos três golos, mas aquele que marcou foi um hino à sua genialidade, deixando primeiro Cédric e o estádio inteiro à beira de um ataque de nervos, mas terminando com um enorme estrondo. Para além disso, foi uma máquina de criatividade e nunca se poupou no apoio à defesa. Ah, e esteve muito bem na flash interview.


Vendaval de oportunidades - a quantidade de ocasiões de golo que desperdiçámos pode ser visto como um aspeto negativo, pois poderíamos ter conseguido sem qualquer favor marcar 6 ou 7 golos, mas prefiro destacar a qualidade de jogo que o Sporting apresentou durante a maior parte dos 90 minutos. Nani foi a maior estrela, como já referi, mas também estiveram em muito bom nível João Mário, Slimani e Jefferson (não merecia o autogolo). Mané não teve uma exibição feliz mas esteve em dois golos, o que acaba por tornar a sua participação positiva. Carrillo, Montero e André Martins também entraram muito bem.

O equilíbrio de William - num jogo em que Adrien esteve mais discreto, William destacou-se pela forma como conseguiu secar uma grande parte das iniciativas ofensivas do Maribor. Muito participativo defensivamente, preciso no passe, fortíssimo nos duelos com os adversários, e ainda teve forças para uma grande jogada que só não acabou em golo devido a uma grande defesa do guarda-redes esloveno.

Oito portugueses no onze titular, sete dos quais da formação - Rui Patrício, Cédric, Paulo Oliveira, William, Adrien, João Mário, Nani e Mané. E André Martins entrou na segunda parte. Já que grande parte da comunicação social prefere continuar a ignorar estes números, cabe-nos a nós relembrá-los.


Negativo

O apagão - é uma daquelas coisas que não se conseguem prever, mas que se deve fazer os possíveis por evitar. Não sendo nada de inédito no futebol internacional, é algo que não é suposto acontecer no estádio de um clube como o Sporting, ainda mais numa competição desta visibilidade.

A oferta da praxe - mais uma vez acabámos por ser os nossos piores inimigos, pois fomos nós que reintroduzimos o Maribor na discussão da partida: primeiro com a atrapalhação mútua de Cédric e Paulo Oliveira que deixou o jogador do Maribor prosseguir pela esquerda, e depois a distração de Jefferson, sem ninguém nas costas, a colocar a bola na própria baliza. 

O eclipse coletivo após o apagão - a segunda parte começou com os holofotes de novo a funcionar, mas em contrapartida desapareceu o Sporting mandão na primeira parte. O Maribor controlou o primeiro terço da segunda parte, jogando demasiado perto da nossa área - controlo esse que apenas terminou quando Slimani voltou a repor a vantagem em 2 golos.

A arbitragem - critério estranho no benefício ao infrator, amarelos perdoados a jogadores do Maribor na primeira parte, um vermelho por mostrar a um jogador do Maribor por uma entrada violentíssima sobre Nani e um penálti por assinalar a favor do Sporting.


Depois de uma primeira volta em que acabámos com menos 3 pontos do que deveríamos, o Sporting soube aproveitar o fator casa para se reintrometer na discussão pelo apuramento para a fase seguinte. E fê-lo com brilhantismo, com exibições muito convincentes contra Schalke e Maribor. A equipa soube dar a volta ao profundo golpe que foi a derrota na Alemanha e neste momento depende apenas de si própria para confirmar o 2º lugar. Considerando a falta de sorte que tivemos na primeira volta, é uma reviravolta notável.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Garantir o 3º lugar com o pensamento no apuramento

Não tivesse havido aquele fatídico duplo erro na Eslovénia que transformou uma exibição positiva num resultado bastante amargo, e não estaríamos neste momento a fazer contas ao 3º lugar. A qualificação para a Liga Europa estaria garantido e a equipa poderia estar totalmente focada no apuramento para os oitavos de final.

Nada que no entanto mude os objetivos relativamente à partida de logo contra o Maribor. O Sporting tem que ganhar e tem bons motivos para confiar que isso pode acontecer. A equipa demonstrou ser superior na 1ª jornada, mas terá sempre que respeitar um adversário que se está a revelar bem mais rijo do que se esperaria inicialmente (tendo conseguido arrancar um empate em Gelsenkirchen e outro em casa com o Chelsea).

A perspetiva de uma boa casa, a motivação que um jogo destes proporciona, e a possibilidade de alcançar um dos objetivos a que nos propúnhamos no início da competição, deveriam ser motivos suficientes para que nenhum sportinguista deixasse de querer marcar presença no estádio - o ambiente nos jogos contra o Chelsea e Schalke foi algo de excecional, e mais logo promete não ser diferente.

Em relação ao onze, apostaria nestes jogadores...


... mas não ficaria surpreendido se Marco Silva decidisse lançar Montero ou Mané, pelas boas prestações que têm tido recentemente.

Jogo importantíssimo, preço dos bilhetes convidativo (desde €10 para sócios e €15 para não sócios) e aparentemente o tempo vai dar uma ajuda (não se prevê chuva). Hoje é dia para não se ficar em casa.

Jornalismo desportivo em Portugal: o rigor e a credibilidade

Não percebo: durante as últimas 3 semanas o tema mais debatido neste país (legionella e Sócrates à parte) tem sido a guerra aberta entre Nani e Bruno de Carvalho, e agora...


... Bruno de Carvalho quer comprar o passe de Nani?

Parece que querem fazer dos sportinguistas parvos.

Não vale a pena detalhar todos os obstáculos que podem impedir a concretização deste "sonho" (dos quais o salário, o plano de carreira do jogador, e o orçamento do Sporting serão os principais), mas não há dúvida que esta chamada de capa que cita uma notícia do tabloide Daily Star - estamos conversados quanto à sua credibilidade - é um belo exemplo de como se faz jornalismo desportivo em Portugal.

Aliás, o próprio jornal A Bola contradiz a sua própria capa ao escrever no interior:
"Segundo apurámos, essa tentativa, ou essa abordagem da administração verde e branca junto do colosso inglês, não ganhou ainda forma"

Portanto, sobra um suposto processo de intenções da administração do clube, baseado naquilo que um jornal inglês sem qualquer credibilidade noticiou. Confirmação através de fontes próprias é que nem vê-la, mas publique-se a notícia na 1ª página de qualquer forma. É caso para perguntar: quantas outras vezes o terão feito no passado recente?

Infelizmente esta falta de rigor é prática comum e transversal a toda a comunicação social desportiva. Não há matéria para encher 3 jornais desportivos diários e 5 canais televisivos, pelo que a alternativa é criar casos e alimentar novelas que ajudem a encher páginas e horas de comentário. A única novidade na "notícia" de A Bola de ontem é que se fosse verdade até seria agradável para os sportinguistas. Infelizmente estamos habituados a que a coisa funcione mais ao contrário.

Quando aparecem notícias bombásticas ou improváveis, sem que existam confirmações dos envolvidos, em que não haja matéria que vá para lá do tradicional "uma fonte próxima da direção confirmou" ou "o nosso jornal sabe que", não lhes devemos dar importância e muito menos ajudar a alimentá-las - não só devido à falta de qualidade de um jornalismo que funciona em modo linha de produção em massa, mas também porque é sabido que certos dirigentes do futebol português não têm problemas em utilizar jornalistas para mandar recados ou até plantar notícias falsas. E isto é tão válido para as boas notícias como para as más.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Conta-nos mais sobre o Benfica, Jorge Nuno...



Daqui a 3 semanas no Dragão, em vez de bolas de golfe vão chover ramos de flores...

P.S.: se a arbitragem prejudicar alguma das equipas (não interessa qual) vai ser tão divertido...

M*rdas que só mesmo connosco, nº 8: Santos de outras casas também fazem milagres

Qualquer jogador estrangeiro que chega a Alvalade deveria levar um curso intensivo para conhecer as particularidades do futebol português em geral, e do tratamento "privilegiado" que determinados árbitros dispensam ao Sporting em particular.

Quem alinha de verde e branco deveria saber que nunca pode facilitar: quando comete uma falta a menos de um metro da área está a convidar os homens do apito a assinalar penálti, quem mete o peito à bola arrisca-se a que um árbitro assistente "veja" antes um braço, e quem já tem um cartão amarelo deve pensar duas vezes antes de fazer uma falta pois a tolerância nos segundos amarelos não costuma abundar.

Mas não posso criticar a estrutura do Sporting por não se ter lembrado de instruir Labyad a evitar a situação que aconteceu num Sporting - Gil Vicente, na 4ª jornada da época de 2012/13:


Inadmissível a atitude do marroquino. É empurrado uma vez, e não reage. É empurrado uma segunda vez e... volta a não reagir! Vai à sua vida e... leva amarelo, que por acaso era o segundo, e vai para a rua. Toma lá que já aprendeste!

A surpresa que uma decisão destas poderá causar reduz-se significativamente quando nos apercebemos que o juiz da partida era Vasco Santos, o homem que nos ofereceu maravilhosas arbitragens como a do Olhanense - Benfica e V. Setúbal - Sporting da época passada, ou a do Estoril - Benfica deste ano. Santos de outra casa que vão fazendo milagres que os devotos fiéis agradecem.

É importante sentirmo-nos apreciados e amados


Percebe-se facilmente porque Pinto da Costa se sente mais apreciado e amado em Angola do que em Portugal:


Se visitasse a Somália até erguiam uma estátua em sua honra...

(obrigado, Brandão!)

domingo, 23 de novembro de 2014

À campeão!

Grande equipa, grande ambiente no pavilhão, grande vitória! #Estánahora de ir à Final Four!

Deixo os vídeos do golo e do emocionante final. Peço desculpa pela qualidade, mas o hardware não dá para mais... :)



P.S.: excelente a transmissão da Sporting TV, quer no pré-jogo quer na partida propriamente dita.

sábado, 22 de novembro de 2014

Festa da taça sem espinhos

Num jogo em que não eram esperadas grandes dificuldades, é justo que se diga que a alma dos jogadores do Sp. Espinho conseguiu disfarçar durante 60 minutos o enorme fosso que separa as duas equipas. O Sporting não entrou com grande determinação para resolver a eliminatória e teve dificuldades em furar a multidão que povoava o último terço do meio-campo espinhense.

Há no entanto que dizer que o Sporting controlou sempre completamente a partida, causando perigo sempre que o Sp. Espinho arriscava em subir um pouco mais no terreno, mas na primeira parte nunca conseguiu levar o Sp. Espinho às cordas. Na segunda parte, assim que as pernas do adversário começarem a fraquejar, o Sporting passou a fazer tudo o que quis, dispondo de inúmeras situações de golo. Aliás, a partir do 2-0, a resistência do Sp. Espinho esfumou-se definitivamente e a partir daí a única dúvida que existia era o número de golos com que a partida terminaria.

Boa jornada de taça, boa propaganda para o futebol, objetivo cumprido.



Positivo

A festa da taça - estádio cheio, público entusiasta que apoiou incansavelmente as duas equipas, um favorito que encarou o jogo de forma séria, e um underdog que se portou muito bem enquanto o resultado esteve em aberto e as pernas deixaram. 

Os golos - mesmo tratando-se de um adversário de uma divisão inferior, é sempre motivante para os nossos jogadores marcar e assistir - nomeadamente Capel (1G + 1A), João Mário (1G), Mané (2A), Montero (2G), Tanaka (1G) e Jonathan (1A). Destaque para o fantástico golo de Montero após passe delicioso de Mané. Outro grande momento foi o pontapé de bicicleta de Esgaio, mas infelizmente o golo foi (bem) anulado por fora-de-jogo.

Capel e André Martins na primeira parte - os primeiros 45 minutos não foram famosos, e foram poucos aqueles que se destacaram numa exibição coletiva um pouco trapalhona. Capel e André Martins foram os mais inconformados, com especial destaque para o segundo, que teve nos pés algumas das principais oportunidades de golo do Sporting.

Montero e Mané na segunda parte - com o fim da resistência do Sp. Espinho, de uma forma geral a equipa exibiu-se num patamar bem mais elevado. De todos, Montero e Carlos Mané foram os que mais se destacaram, em especial no lance do terceiro golo.

Noite de estreias - Marco Silva leu bem aquilo que os sportinguistas queriam ver em campo. Mal o jogo ficou resolvido lançou Tanaka (que se estreou a marcar), Podence (mais um menino de Alcochete a estrear-se pela equipa principal), e Esgaio (a jogar pela primeira vez como ala este ano na A). Nenhum dos três desiludiu, mostrando-se em bom plano - apesar de não se poder ignorar que entraram numa altura em que o Sp. Espinho já tinha atirado a toalha ao chão.


Negativo 

Primeira parte atabalhoada - os primeiros 45 minutos foram generalmente fracos. O Sporting apresentou um futebol pouco ligado, com muitos passes errados, e uma evidente falta de entrosamento entre muitos dos jogadores. Há algumas atenuantes que ajudam a explicar a fraca produção da equipa: estavam em campo poucos titulares habituais, o relvado não estava perfeito (certamente resultado da muita chuva que tem caído) e o Sp. Espinho jogava totalmente fechado atrás com uma enorme determinação. De qualquer forma, houve pouco Sporting para o que seria expectável, apesar do golo marcado e de um punhado de boas oportunidades mal finalizadas.

Algumas exibições descoloridas - apesar de ter marcado o 1º golo, João Mário pareceu-me o menos esforçado em campo. Jonathan esteve desastrado, em particular nos cruzamentos, mas em tudo o resto foram poucas as coisas que lhe saíram bem. Rosell falhou mais passes do que é normal, e contribuiu pouco ofensivamente. Miguel Lopes nunca virou a cara à luta, mas do ponto de vista ofensivo colaborou pouco. No geral, não se pode dizer que algum dos habituais suplentes tenha feito o suficiente para dificultar a vida de Marco Silva quando o treinador escolher os 11 que entrarão em campo contra o Maribor.


Um resultado esclarecedor num jogo tranquilo (à exceção de um susto no princípio da 2ª parte, em que o Sp. Espinho podia ter empatado), golos bonitos, caras novas, mais uma grande demonstração de força da onda verde transformaram público entusiasta, e mais uma eliminatória ultrapassada. Foi uma noite de sexta-feira bem passada.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Rotatividade com responsabilidade

Parece-me normal que Marco Silva aposte em jogadores menos utilizados para o jogo de logo com o Sp. Espinho. Depois da pausa das seleções, iniciaremos um novo ciclo intenso de jogos (começando já na terça para a Champions), pelo que me parece uma boa oportunidade para evitar um desgaste adicional das pedras mais utilizadas esta época.

Com todo o respeito que o Sp. Espinho merece, o facto é que são uma equipa que ocupa o último lugar da sua série do CNS, pelo que não me passa pela cabeça qualquer tipo de dificuldades se os jogadores escolhidos por Marco Silva entrarem focados em resolver o jogo rapidamente.

Há vários jogadores que me parecem que devem ser poupados, seja por terem sido utilizados sem poupanças nas seleções, seja pelo simples desgaste das deslocações a que foram sujeitos durante esta pausa das competições de clubes - falo concretamente de Rui Patrício, Cédric, Jonathan, William, Adrien, João Mário, Carrillo, Nani e Slimani. Provavelmente acrescentaria às poupanças o nome Paulo Oliveira, por ter estado lesionado.

Os jogadores que sobram do plantel principal fazem um onze relativamente óbvio, exceção feita no lugar de Adrien - onde gostaria de ver Wallyson.


Penso que este onze tem rodagem e entrosamento suficiente para evitar qualquer tipo de riscos na abordagem a uma eliminatória de uma competição que temos boas hipóteses de vencer.

Seria bom que, com o jogo já resolvido, pudesse haver minutos para Tanaka e, já agora, se houver a possibilidade de lançar Podence (que foi convocado) ou Gauld (não sei se foi) será perfeito.

Oooooh, que adoráveis!


O Sporting e os títulos nas camadas jovens

O jornal Sporting fez ontem um trabalho muito interessante sobre o estado atual da formação do clube, abordando os princípios que regem o trabalho diário da academia, e refletindo sobre algumas das razões que explicam as atuais dificuldades que as nossas camadas jovens estão a passar.

Não sou de maneira alguma um especialista na matéria, mas creio que existem dois fatores essenciais que contribuem para a nossa atual inquietação:
  • O hábito de conquista de títulos que se criou ao longo da última década, em que o Sporting dominou as competições jovens (entre 2003 e 2010 conquistámos 5 campeonatos de juniores, 4 campeonatos de juvenis e 5 campeonatos de iniciados), o que contrasta com os poucos títulos alcançados nos últimos quatro anos (apenas um campeonato de juniores e um de iniciados);
  • aumento de investimento e melhoria das condições dos rivais (Benfica, Porto, mas também Guimarães e Braga) que coincidiu com algum desinvestimento que existiu no Sporting (e cujo principal reflexo foi o definhar da rede de olheiros a nível nacional) - e ver a equipa de juniores do Benfica a fazer excelentes prestações internacionais não ajuda (há dois anos éramos nós que fazíamos excelentes campanhas na NexGen Series).

Sinceramente, aflige-me pouco ver que o Sporting conquista poucos títulos nas camadas jovens. A filosofia do Sporting sempre passou, acima de tudo, por formar jogadores que possam servir a equipa sénior. E isso reflete-se em dois aspetos que prejudicam a competitividade das nossas equipas jovens: redução do desenvolvimento físico dos jovens ao mínimo necessário, concentrando-se principalmente no desenvolvimento da vertente técnico/tática dos jogadores; e promovendo uma integração precoce dos jovens mais promissores no escalão imediatamente a seguir ou na equipa principal, onde têm um tipo de estímulos que adversários da mesma idade já não lhes podem oferecer.

Tirando a 1ª década do século XXI, o Sporting nunca foi um papão de títulos das camadas jovens. Figo e Cristiano Ronaldo ganharam 0 títulos de juniores e juvenis, e não foi por isso que deixaram de ser os monstros do futebol que o mundo inteiro se habituou a admirar. Nas décadas de 80 e 90 o Sporting ganhou apenas 3 campeonatos de juniores e 4 de juvenis.

Se Gonçalo Guedes é o fenómeno que os benfiquistas dizem que é, no Sporting já estaria a jogar na equipa principal em jogos a doer. Talvez não fossem muitos minutos, mas já teria sido utilizado várias vezes, e gradualmente o tempo de jogo iria sendo aumentado ao longo da época. E é isto que faz do Sporting o melhor clube formador em Portugal: cultura de formação, acreditar incondicionalmente nos melhores talentos da academia, não ter medo de apostar neles, mantendo a paciência e persistência dessa aposta, sabendo que dificilmente poderão ter um impacto significativo imediato. Cultura essa que existe não só ao nível da estrutura do clube, mas também dos adeptos. Não há nada que dê mais orgulho a um sportinguista do que ver um dos seus jovens a impôr-se na equipa principal. E esta cultura formadora é algo que não se pode comprar.

Para quem diga que Benfica e Porto não apostam nos seus jovens devido a uma exigência competitiva mais elevada, eu pergunto: não se arranjaria mesmo lugar para eles na rotação da equipa? Faz mais sentido e dá mais proveito darem antes minutos a jogadores como Bebé, Funes Mori, Benito, Campaña, Marcano ou José Angel?

Um dos posts que mais prazer me deu a escrever desde que comecei o blogue foi Cristiano Ronaldo: talento de geração espontânea ou produto da formação?, não só pelo tema em si - que é muito interessante - mas também por umas palavras de Aurélio Pereira que na altura transcrevi. Essas palavras explicam muito do que é a formação no Sporting, e ajudam a relativizar a falta de resultados recente das nossas camadas jovens:
"O Cristiano, depois de sair do Sporting, entrou no clube certo com o treinador certo. A formação que o Sporting lhe deu, que na minha opinião é a mais importante, ou seja, é o leite materno, é o desenvolvimento de todas as qualidades sem fazer asneiras, sem especialização precoce, ajustado ao seu físico, deixando o miúdo crescer, que infelizmente é aquilo que não se vê muitas vezes. E se nós olharmos para muitos craques brasileiros, carregados já de trabalho precoce, de vitaminas e não sei que mais, e quando chegam aqui à Europa têm uma carreira curta. O próprio Figo, e os jogadores que não são sujeitos a trabalhos forçados, têm uma longevidade totalmente diferente. O Figo fez uma carreira a um nível altamente elevado, sempre daquela bitola. Todos os jogadores da formação do Sporting mantêm níveis exibicionais exatamente porque a cultura não é fazer equipas, é fazer jogadores.


Quando o Boloni chamou o Ronaldo para fazer a pré-época, nós estávamos a disputar a fase final do campeonato nacional de juvenis, era para nós importante ganhar esse campeonato, estávamos em Junho. O que é que a formação do Sporting fez? OK, vais fazer a pré-época, não vais disputar os jogos que faltam do campeonato nacional, não te importes com isso. Foi com um programa específico para casa, descansar, para depois vir à pré-época perfeitamente seguro e tranquilo. Isto é que se chama formação. E o Sporting acabou por perder esse campeonato, mas ninguém se queixou. O Sporting não perdeu esse campeonato, o Sporting ganhou esse campeonato, porque ganhou um jogador.

E é nessa função, quando no ano passado perdemos o campeonato nacional de juniores, algumas pessoas podem ter ficado muito incomodadas, eu diria que nós ganhámos um campeonato nacional de juniores. E porquê? Porque tínhamos na primeira equipa o Bruma e o Eric. As pessoas têm que perder essa mentalidade de que é ganhando campeonatos que se trabalha bem. Não é assim."

A cultura da formação da academia não é fazer equipas, mas sim jogadores. Se for possível fazê-lo conquistando títulos nas camadas jovens, perfeito!, caso contrário, não é nenhum drama. É impossível que todos os nossos jovens venham a ser jogadores de primeira linha, mas se conseguirmos todos os anos promover um ou dois à equipa principal (diretamente dos juniores ou via equipa B), então é sinal que o trabalho está a ser bem feito.

Como é evidente, há coisas na formação do Sporting que certamente devem ser corrigidas e melhoradas. Mas não vamos cair no erro de pensar que a formação dos outros é melhor só porque têm melhores equipas e títulos nas camadas jovens. A formação não termina aos 18 anos. Pelo contrário, é partir desse momento que a fase mais difícil do desenvolvimento de um jogador começa. Os jovens formados no Benfica e Porto ao longo da última década que o digam.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Assim se elegem os melhores na liga portuguesa

in abola.pt

Não duvido que o puto tenha um enorme potencial, mas vamos lá a ver o que terá contribuído para a atribuição desta distinção: 




Estive a verificar os jogos disputados, e a participação do jogador foi a seguinte:

Benfica B 1 - Santa Clara - 1 (jogou 90 minutos, 0 golos, 0 assistências)
Feirense 2 - Benfica B 2 (jogou 70 minutos, 0 golos, 0 assistências)
Benfica B 2 - Farense 0 (não jogou)
Portimonense 2 - Benfica B 2 (jogou 90 minutos, 0 golos, 0 assistências)

Resumo: três jogos, três empates, 0 golos marcados, 0 assistências, jogador do mês. Um avançado. Está certo...

Tozé Marreco, o 2º classificado, marcou 4 golos em outubro.

Nada de estranho, portanto. Também já sabemos como vai acabar esta história: no final, o jogador do ano da II Liga será Enzo Pérez.

Basicamente é isto

in maisfutebol.pt

M*rdas que só mesmo connosco, nº 7: Uma questão de saliva

Costuma dizer-se que a justiça é cega, no sentido em que deve ser imparcial e não olhar para quem são as partes em disputa no momento em que se toma a decisão em julgamento.

Em Portugal, a justiça desportiva devia ser cega, mas não é. Faz-se de cega. Às vezes. Dependendo de quem são as partes afetadas. Uma coisa é certa: não é daltónica. Sabe distinguir bem as cores umas das outras.


Em janeiro de 2013 Insúa cuspiu num jogador do Rio Ave, num jogo para a Taça da Liga. O árbitro não se apercebeu deste facto durante o jogo, e o Conselho de Disciplina aplicou um sumaríssimo ao jogador argentino recorrendo às imagens televisivas, suspendendo o argentino por dois jogos.


Três meses mais tarde, em abril, Enzo Pérez cuspiu num jogador do Paços de Ferreira. Tal como no caso de Insúa, o árbitro não se apercebeu do que se passou no momento. No entanto, apesar de também existirem imagens do ato praticado, desta vez o Conselho de Disciplina optou por não instaurar um sumaríssimo ao jogador. Ou seja, não houve suspensão para o jogador, que assim pôde alinhar no encontro seguinte, que por acaso era contra o... Sporting (no famoso jogo arbitrado por João Capela).


Seis meses mais tarde, em outubro, Josué cuspiu num jogador do Arouca. Mais uma vez o árbitro também não se apercebeu do sucedido. Desta vez, o CD decidiu recuperar os sumaríssimos por cuspidelas com base nas imagens disponíveis e castigou Josué por um jogo. Assim, o médio foi obrigado a cumprir o castigo num jogo da Taça de Portugal contra o Trofense. Pode-se dizer que foi uma "sorte" não ter sido suspenso por dois jogos como Insúa. Se tivesse sido castigado com dois jogos, não poderia ser utilizado no jogo seguinte ao do Trofense, que por acaso era contra o... Sporting. E curiosamente Josué até marcou de penálti nesse jogo.

Para a justiça do futebol português, Insúa escarrou, Josué cuspiu e Enzo fez uma transfusão de saliva que pode ter salvo a vida ao jogador do Paços. Só faltou um louvor ao jogador do Benfica. Como se costuma dizer, todas as cuspidelas são iguais, mas há cuspidelas que são mais iguais que outras.

(obrigado, Feadin)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Nanivelas

Ponto 1

Nani podia ter contornado as perguntas dos jornalistas sobre o regresso em janeiro em Manchester. A forma mais fácil de o fazer teria sido simplesmente dizer que só falava sobre a seleção. 


Ponto 2

Nas últimas duas semanas Nani tem sido confrontado constantemente com perguntas incómodas - primeiro sobre as declarações de Bruno de Carvalho via Facebook, depois sobre a possibilidade de regresso a Manchester em janeiro. 

Na minha opinião, nenhuma das declarações públicas que fez foram absolutamente claras, permitindo todo o tipo de interpretações. Na realidade, todas elas foram uma espécie de "nem bem nem mal, antes pelo contrário", mas os nossos brilhantes jornalistas e comentadores, quais especialistas de numerologia cabalística, não desistem de tentar encontrar significados ocultos nas palavras do jogador que se enquadrem nas teorias que têm defendido nas últimas semanas.

Ouviram algum jornalista a perguntar a Enzo Perez (que também estava nesse mesmo estádio e terá passado também pela zona mista) se está a pensar em ir para o Valência em janeiro? O interesse jornalístico é óbvio, mas por algum motivo a comunicação social tem andado a evitar abordar os estados de alma do jogador argentino.


Ponto 3

Nani não pode em momento algum fechar a porta ao regresso a Manchester. Se vocês fossem dirigentes ou adeptos do clube onde Nani esteve nos últimos 6 anos, que lhe paga 100% dos €5M anuais de salário (vencimento que dificilmente algum outro clube lhe pagará no resto da carreira), com quem tem contrato para mais 3 anos, como se sentiriam se o jogador dissesse categoricamente que não pensa em voltar a Manchester para já?

A vida de Nani continuará em Manchester após o final desta época. Ele sabe disso, sabe que os adeptos lhe faziam a vida negra, sabe que a opinião sobre ele está a mudar gradualmente em Inglaterra, e sabe que quanto mais continuar a render no Sporting, melhores será o ambiente que o esperará em julho de 2015.


Ponto 4

Nani já disse por várias vezes (e acredito que foi sincero) que está muito feliz por estar de novo em Portugal, junto da família e do bebé. Envergando a camisola do Sporting, tirando o episódio do penálti contra o Arouca, tem sido de um profissionalismo inexcedível. A qualidade de jogo que lhe temos visto é um comprovativo de que se encontra moralizado e perfeitamente integrado no grupo de trabalho que encontrou em Alvalade. Durante os jogos, foram várias as vezes que o vi numa perfeita comunhão com o público, a puxar pelos adeptos, procurando que o ambiente nas bancadas seja ainda mais infernal. 

Como tal, acredito sinceramente que Nani está a gostar desta 2ª passagem pelo Sporting.


Ponto 5

Admito que exista algum desconforto entre os jogadores e o presidente por causa do episódio do Facebook. Muito possivelmente, terá sido isso que levou Nani a não evitar muitas das perguntas que lhe foram feitas. No entanto, não me parece que seja uma divisão irreconciliável. Há muito mais pontos a uni-los do que a separá-los, nomeadamente nos objetivos que há para atingir. Os jogadores estão habituados a viver com a crítica, e o presidente vai aprendendo com a experiência acumulada. 

Lição principal de tudo isto: Bruno de Carvalho tem que perceber que qualquer pontinha de polémica que deixe sair para a praça pública será explorada até à exaustão por uma comunicação social ávida por descredibilizá-lo.


Ponto 6

Segundo o que já foi dito por Bruno de Carvalho e pelo próprio Nani, no acordo entre o Sporting e o Manchester United não há nenhuma cláusula que permita a saída do jogador em janeiro. 

Não só me parece que Bruno de Carvalho nunca cederia nesta questão sem contrapartidas significativas, como também me parece que Nani sabe que tem muito mais a ganhar se regressar a Inglaterra apenas no princípio da próxima época. No Sporting está com boas hipóteses de prosseguir na Liga Europa e, quem sabe, apurar-se para os oitavos da Champions, e continua na disputa de vários títulos. No Manchester o ambiente está turbulento devido ao desapontante início de campeonato (a 13 pontos de um imparável Chelsea), e não estão a participar nas competições europeias.

Junte-se a isto a estabilidade emocional que o jogador conseguiu junto da sua família e no grupo de trabalho do Sporting, e parece-me absurdo que existam sportinguistas que considerem possível que Nani regresse a Inglaterra em janeiro. Para esse tipo de especulação infundada bem bastam os Hugos Gilbertos, os Paulos Sérgios e os Carlos Daniel da vida.

A estrelinha de Fernando Santos

Chamar de "estrelinha" à imensa vaca leiteira que acompanha Fernando Santos desde que decidiu seguir a carreira de selecionador (primeiro na Grécia e agora em Portugal) é provavelmente o understatement do ano. Terceiro jogo, terceira exibição sofrível, terceira vitória por 1-0, duas das quais ao cair do pano.

Portugal ganhou o jogo de ontem à Argentina nos descontos, numa jogada que nasce de um remate de Adrien à baliza que Éder bloqueou, desviando involuntariamente a bola para Quaresma, que estava isolado no flanco direito, que por sua vez cruzou para a finalização de cabeça na pequena área de um lateral esquerdo baixote que tinha entrado na segunda parte para substituir um colega lesionado, e que foi o único remate à baliza que fizemos durante os 90 minutos. Isto, meus senhores, não é definitivamente uma "estrelinha" qualquer.

Para ilustrar a verdadeira dimensão desta "estrelinha", socorri-me da seguinte imagem:


Não me entendam mal, não quero desvalorizar aquilo que Fernando Santos conseguiu. Falando apenas do que tenho visto com mais atenção (ou seja, desde que assumiu o cargo de selecionador português), Fernando Santos tem feito por merecer essa sorte. Recuperou vários jogadores ostracizados que ainda têm algo a oferecer, chama aqueles que parecem em melhores condições para servir a seleção e adapta o sistema de jogo em função do tipo de adversário que defronta, revelando uma boa dose de bom senso, que é sempre algo que se recomenda. A seleção joga mal, é certo, mas ganha - e isso não poderá ser minimizado.

Em relação ao jogo com a Argentina, não valeu o tempo que se perdeu em frente ao ecrã (imagino o sentimento das pessoas que pagaram 60 ou 80 euros para assistirem no estádio). A Argentina fez mais para marcar e o resultado acaba por ser lisonjeiro para Portugal.

Valeu pela vitória e, enquanto sportinguista, pela estreia de Adrien como internacional - que me faz lembrar aquelas situações de pessoas que são consideradas inocentes após cumprirem uma pena de prisão de 20 anos: é importante para o jogador e um alívio que tenha finalmente acontecido, mas não apaga de forma alguma a injustiça de que Adrien foi alvo ao longo do último ano.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

É um memofante para este senhor, fáxavor!

Ver Júlio César a provocar alemães faz-me temer pelo estado da sua memória ou da sua sanidade mental...



M*rdas que só mesmo connosco, nº 6: O apagão de Chaves

Chaves sempre funcionou como uma espécie de triângulo das bermudas do futebol português para o Sporting. Apesar de o clube não ser dos que têm mais participações na primeira divisão, são vários os acontecimentos bizarros que lá ocorreram envolvendo o Sporting.

Por exemplo, foi uma deslocação do Sporting a Chaves que esteve na origem da célebre frase da azia de Jorge Coroado. Em 1998/99, o árbitro reconheceu erros que influenciaram decisivamente o resultado, pois não assinalou dois penáltis a favor do Sporting e anulou um golo limpo a Beto, num jogo que terminaria empatado 2-2.

Noutro tipo de situações - e entrando no domínio do sobrenatural -, é impossível não arregalar os olhos perante a coincidência de o Sporting ter que ir jogar a Chaves quase sempre em meses com um clima mais adverso:

1985/86 - 19 de janeiro de 1986
1986/87 - 4 de janeiro de 1987
1987/88 - 17 de janeiro de 1988
1988/89 - 29 de janeiro de 1989
1989/90 - 29 de outubro de 1989
1990/91 - 14 de novembro de 1990
1991/92 - 17 de maio de 1992 (um jogo na primavera? que se terá passado no sorteio?)
1992/93 - 8 de novembro de 1992
1994/95 - 7 de janeiro de 1995
1995/96 Taça de Portugal - 2 de dezembro de 1995
1995/96 - 30 de dezembro de 1995 e 11 de janeiro de 1996
1996/97 - 20 de dezembro de 1996
1997/98 - 30 de janeiro de 1998
1998/99 - 23 de janeiro de 1999
2016/17 - 15 de janeiro de 2017 e 18 de janeiro de 2017 (*)

Em 16 ocasiões que o Sporting teve que realizar a longa deslocação a Chaves, 9 foram em janeiro, 3 em dezembro, 2 em novembro, 1 no final de outubro e 1 em maio (!).

Só por curiosidade (obrigado, Peyroteo), o Porto jogou 2 em setembro, 1 em outubro, 2 em dezembro, 2 em janeiro, 2 em fevereiro, 2 em abril e 2 em maio. O Benfica jogou 3 em outubro, 3 em novembro, 1 em dezembro, 2 em março, 3 em abril e 1 em maio. Uma distribuição de jogos bem mais simpática e equilibrada.

O cúmulo dos acontecimentos transcendentais deu-se na época de 1995/96, na célebre ocasião em que as luzes do estádio se apagaram a 2 minutos do fim, numa altura em que o Sporting pressionava o Chaves à procura da vitória.


O jogo foi interrompido e não foi possível reatá-lo no próprio dia. A FPF tomou então a iniciativa de o reagendar para 2 semanas depois, no dia 11 de janeiro de 1996, quinta-feira - por coincidência, 2 dias antes do Sporting - Porto referente à 18ª jornada.

Os 10 jogadores, treinador e presidente lá se meteram no autocarro para visitarem Chaves pela terceira vez no espaço de pouco mais de um mês. Juvenal Silvestre demonstraria pouco rigor no cumprimento dos dois minutos que restavam, dando 25 segundos de descontos que ficaram muito longe de compensar a demora nas reposições dos jogadores do Chaves. Em 2'25'' de jogo, o tempo útil foi de 50 segundos.

Fica a reportagem da RTP, que inclui a transmissão dos 2 minutos em falta, para quem quiser refrescar a memória.




* Dados referentes à época 2016/17 atualizados a 20 de dezembro de 2016

Força brutal

Bom vídeo dos Supporting. O álbum vai ser lançado no dia 28 de novembro no Paradise Garage. Os CDs vão estar à venda na Loja Verde em dias de jogo.



Pessoalmente gostaria que o cântico no estádio tivesse um ritmo mais lento, como na versão dos Supporting - mais fiel ao Fields of Athenry original. Ficaria ainda mais brutal.

E já agora... é "jogam à bola", e não "joguem à bola" :)

Gamebox 2


13 jogos, incluindo um de Champions com o Maribor e o derby com o Benfica, a partir de €55. Ou seja, pouco mais de €4 por jogo.

Para novos sócios que comprem logo a Gamebox 2 no mesmo momento é oferecida a 1ª quota.

O número de sócios do Benfica

O presidente do Bayern colocou recentemente em causa a veracidade do número de sócios que o Benfica alega ter:

in ojogo.pt

Não é nenhuma novidade para qualquer clube que estes números dependem muito da periodicidade com que fazem renovações da lista de sócios, retirando aqueles que deixaram de pagar as quotas. Por exemplo, no caso do Sporting, Bruno de Carvalho disse recentemente que o clube tem cerca de 110.000 sócios, dos quais apenas 59.000 têm as quotas em dia. A esses 59.000 sócios correspondem médias de assistência no estádio na casa dos 35.000 espectadores.

No caso do Benfica, os 235.000 são um número que não encontram qualquer tipo de correspondência na realidade em que o clube está inserido - um país de 10 milhões de pessoas (OK, há-de haver emigrantes que se mantém sócios, não duvido, mas serão assim tantos?) em que as dificuldades económicas fazem parte do quotidiano diário de muitas famílias há demasiados anos, e em que o número de espectadores no estádio raramente ultrapassa as 40.000 pessoas em jogos que não envolvem grandes ou títulos praticamente assegurados.

Quando falou na quantidade de sócios do Sporting, Bruno de Carvalho referiu-se a uma média de 8 euros por sócio pagante, já que existem categorias diferentes que pagam valores distintos. O Benfica tem uma diversidade de categorias parecida à do Sporting. Se fizéssemos o mesmo exercício para os 235.000 sócios do Benfica (assumindo o pagamento de 13 quotas mensais), as receitas anuais de quotizações andariam à volta de €24,5M.

O R&C de 2013/14 do Benfica não é totalmente elucidativo em relação às receitas de quotizações, pois esse período foi de transição na repartição desses valores entre SAD e clube. A 1 de julho de 2013 a SAD reduziu os direitos sobre as quotizações de 75% para 25%, mas todas as quotas referentes a períodos posteriores a 1 de julho que já tivessem sido cobradas ficaram na SAD. Ou seja, alguém que tenha pago em junho as quotas dos 13 meses seguintes, 75% do valor total ficou na SAD, mesmo que 11 meses correspondessem a 2013/14. Como tal, não é por aí que se poderão retirar conclusões definitivas.

De qualquer forma, em 2012/13 a SAD do Benfica teve receitas de €7,163M, que correspondem a 75% das quotas totais pagas pelos sócios.


A uma média de €8 mensais por sócio, com 13 quotas mensais, isto significaria que o Benfica teria à volta de 92.000 sócios pagantes.

Dando o devido desconto às contas de merceeiro que acabei de fazer, e mesmo que durante 2013/14 tenham havido novas adesões, parece-me um número bem mais ajustado à realidade nacional e à militância que o Benfica demonstra em períodos normais (que não de festa), mas definitivamente muito distante dos 235.000 que correspondem a um máximo à escala planetária e dão direito a um recorde no livro do Guiness.

Curiosamente, Vieira nunca divulgou publicamente os resultados da campanha Sócio Zero Euros. Seria interessante saber a quantidade de sócios angariados numa altura em que os resultados desportivos eram arrebatadores. Conhecendo a forma habitual de comportamento dos responsáveis benfiquistas, arrisco a dizer que se a iniciativa tivesse sido um êxito retumbante os números teriam sido divulgados de imediato.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 5: A Paixão de Bruno

Creio que estaremos todos de acordo em como arbitrar um jogo de futebol não será uma atividade fácil. Por vezes há lances críticos de difícil juízo, em que as movimentações de jogadores e bola podem complicar a tomada de decisão por parte do árbitro. Este tipo de erros merecem alguma compreensão por parte dos adeptos do clube prejudicado.

Outras vezes há jogos em que um caso muito polémico define uma partida. Situações daquelas em que todos no estádio percebem logo no momento que a equipa de arbitragem errou. Aquele tipo de enganos que são suficientemente graves para nos levar a questionar a boa fé e integridade do árbitro ou fiscal-de-linha que os cometem.

Mas depois ainda existe um outro nível: o de Bruno Paixão.



Época de 2003/04, 31ª jornada. Com apenas 4 jogos por disputar, o Porto segue na frente com 75 pontos, seguido do Sporting com 70 e do Benfica com 64. Nesse ano, apenas os dois primeiros classificados se apurariam para a Liga dos Campeões.

O Sporting deslocou-se ao Bessa, e acaba por sair derrotado por 2-1, num dos maiores assaltos à mão armada que alguma vez ocorreu num campo de futebol em Portugal.

Árbitro: Bruno Paixão, quem mais poderia ser?


Quatro (4) erros claríssimos, daqueles que isoladamente seriam motivo suficiente para pôr o árbitro na jarra durante umas boas semanas:

  • Penálti descarado de Paulo Turra sobre Liedson
  • Fora-de-jogo assinalado a Liedson ainda no meio-campo do Sporting (!)
  • Expulsão injusta de Rui Jorge (o vídeo não mostra, mas ao que se diz também o primeiro amarelo foi mal mostrado)
  • Pedro Barbosa expulso por tentar marcar um livre rapidamente quando o Sporting perdia e o jogo entrava em tempo de descontos

Valeu a pena que a paixão de Paixão tenha sido exposta publicamente desta forma tão evidente: o Benfica acabaria por conseguir terminar em 2º, com um ponto a mais do que o Sporting, e qualificar-se para a Liga dos Campeões.

Quanto a Bruno Paixão, continuou (e continua ainda hoje) a desvirtuar a verdade desportiva sem qualquer tipo de penalização. Parece que o crime compensa mesmo.