quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Mensagem de ano novo do presidente


Fica também o meu desejo de um excelente 2015 para os sportinguistas! Benfiquistas e portistas que coloquem as passas nas bocas alheias quando tocarem as 12 badaladas! E vejam lá se não se engasgam... :)

(brincadeiras à parte, bom ano para todos!)

A Escolha de Sofia

Com tanta coisa que se vai escrevendo sobre a novela Bruno de Carvalho / Marco Silva, é normal que se comecem a fazer todo o tipo de interpretações sobre o sentimento que os sportinguistas têm sobre o assunto. A crónica que Nuno Farinha escreveu ontem no Record, é um bom exemplo em como algumas dessas interpretações são, no mínimo, precipitadas:


Escreve Nuno Farinha que Marco Silva termina o ano como o novo herói dos adeptos do Sporting. Esta frase parece-me absurda. Marco Silva será herói para os sportinguistas quando conseguir trazer títulos. Para já tem a confiança da generalidade dos sportinguistas porque o trabalho realizado tem sido positivo e a qualidade do futebol praticado tem agradado. 

Mas gostava de perguntar a Nuno Farinha: porquê "novo herói"? O que mudou nas últimas semanas para ter alterado (segundo o jornalista) o status do treinador aos olhos dos sportinguistas? A única explicação razoável - por ter sido o único facto relevante das últimas semanas - é por Marco Silva ter afrontado o "déspota" Bruno de Carvalho. E se assim for, a expressão mais correta seria "o novo herói dos sportinguistas que não suportam o presidente" - o que me parece estar longe de representar uma maioria do universo verde e branco. 

Para além disso, é abusivo que Nuno Farinha conclua que a afluência ao Estádio de Alvalade seja um teste à popularidade de Marco Silva. É certo que só posso falar por mim, mas eu diria que os 25.000 sportinguistas regulares (dos 35.000 de média suponho que uns bons milhares sejam espectadores esporádicos e rotativos) irão assistir ao Sporting - Estoril para apoiarem... o Sporting - não é uma questão de apoio a Marco Silva ou a Bruno de Carvalho. Estarão lá no sábado como estiveram no primeiro jogo de Marco Silva como treinador do Sporting, ou no último jogo da época passada em que Marco Silva era o treinador da equipa adversária: para ver o Sporting jogar.

Sabendo que há barricadas anti e pró-Bruno de Carvalho e, consequentemente, pró e anti-Marco Silva, acredito que a grande maioria dos sportinguistas quer acima de tudo paz no clube. Quem gosta do trabalho realizado por Bruno de Carvalho e quem gosta do trabalho realizado por Marco Silva quer sobretudo que ambos encontrem uma plataforma de entendimento que lhes permita continuarem a trabalhar em benefício do Sporting.

O filme "A Escolha de Sofia" termina com uma das cenas mais fortes de que alguma vez me lembro ter visto num filme. A personagem de Meryl Streep é colocada numa posição em que (tal como o nome indica) tem que fazer uma escolha simplesmente impossível (qualquer uma das opções apresentadas é o maior horror que se possa imaginar) - e no entanto não tem alternativa senão fazer mesmo uma escolha. Salvaguardando as devidas distâncias, é mais ou menos o que querem que se passe aqui.

Esta tentativa recorrente que se vê nos media de tentar forçar os sportinguistas a tomar partido por um dos lados do conflito simplesmente não faz sentido. Temos duas pessoas jovens, no início das respetivas carreiras, comprovadamente competentes, com personalidades fortes, e que poderão oferecer muito ao clube se tiverem um ambiente propício ao desenvolvimento da sua atividade - o que inevitavelmente implicará cedências de ambas as partes, dentro das funções e responsabilidades que cabem a ambos. Porquê abdicar de um deles?

Eu não quero escolher lados. E não quero que me forcem a escolher um lado. Mas se tiver MESMO que fazer uma escolha, o que é que eu vejo em cada uma das opções?

1. Um presidente que ama o clube, que o salvou do desastre, e cuja ambição é servir o Sporting durante muitos e muitos anos

2. Um treinador que chegou há sete meses, indiscutivelmente promissor e competente, e que certamente ambicionará progredir na carreira tão depressa quanto lhe for possível

Quem é que eu escolheria, digam lá?

A ironia de tudo isto é que só o presidente tem poder para me forçar a ter que fazer esta escolha, e se ele me obrigasse a isso a minha opinião sobre ele acabaria por ficar inevitavelmente afetada... ou seja, nunca ninguém sairia vencedor numa situação destas. Nem Bruno de Carvalho, nem Marco Silva, nem eu, nem o Sporting.

P.S.: voltando ao texto de Nuno Farinha, dizer que desportivamente o jogo de segunda era um dos mais fáceis da temporada também me parece desadequado. Seria dos mais fáceis para gerir um eventual mau resultado, mas não dentro de campo: o adversário era de respeito e jogava em casa, e apresentámos um onze totalmente novo e que poucos treinos terá feito em conjunto. É favor de não se desvalorizar aquilo que foi alcançado dentro das quatro linhas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Finalmente!

Até que enfim que os jornalistas conseguiram encontrar alguém que dê força à posição de Bruno de Carvalho...


... porque se Carlos Barbosa (o vice-presidente de Godinho Lopes que saiu ao fim de alguns meses, e que nos deixou pérolas como a de que os adversários do Sporting seriam o Real Madrid e o Barcelona) critica, é seguramente porque alguma coisa está a ser bem feita pelo atual presidente.

Fora-de-jogo claríssimo


(via @mindoscp)

A noite dos understudies

Não, não foi uma exibição espetacular. O Guimarães foi sempre a equipa mais perigosa, dispôs de várias oportunidades para marcar e merecia seguramente outro resultado. Nada que não estejamos habituados nesta época, mas normalmente com os papéis invertidos. Interessante no entanto que vários comentadores já tenham começado a salientar a quebra de forma do Guimarães - livrem-nos de terem que admitir que os leões que subiram ao relvado do D. Afonso Henriques conseguiram uma proeza notável.

Alinhando com um conjunto de jogadores que é um misto de banco da equipa principal e de recrutas da equipa B, sem rotinas consolidadas e, em alguns casos, sem qualquer ritmo de jogo, a equipa fez o jogo que era possível contra o 3º classificado da Liga - que jogou praticamente com a equipa habitual - e soube compensar as evidentes limitações com uma enorme entrega e espírito de sacrifício.

Mais importante do que os três pontos conquistados para a Taça da Liga, fica a ideia de que há mesmo alguns jogadores que poderão ser alternativas válidas a curto prazo - nomeadamente em fevereiro quando o calendário começar a apertar.



Positivo



A pele ficou em campo - marcar pouco depois do início da partida é um estímulo importante, e os jogadores souberam tirar proveito desse fator; a equipa jogou serena e com grande entrega, não se desmontando quando mais pressionada pelo Guimarães, e nunca virando a cara à luta perante uma das equipas mais agressivas (no bom sentido) do campeonato. Fizeram por merecer a oportunidade que lhes foi dada.



André Geraldes - calhou-lhe a fava ao ter que, fora do seu flanco habitual, apanhar com Hernani pela frente, mas ganhou muitos mais duelos do que perdeu. Teve dificuldades quando Hernani conseguia embalar (quem não teria?), mas na maior parte das situações soube compensar a diferença de velocidade através de um bom posicionamento e tempo de corte. Ainda safou alguns lances bastante perigosos fechando no meio quando o ataque do Guimarães era conduzido pelo flanco oposto. Não teve grandes oportunidades de subir no terreno, à semelhança de toda a equipa.



Tobias Figueiredo - bem sei que as suas exibições na equipa B têm sido irregulares, mas estaria a mentir se não dissesse que Tobias me deu uma sensação de segurança bastante superior a Sarr. Fisicamente muito forte, saiu vencedor de quase todos os confrontos diretos, e demonstrou sempre grande concentração. Atendendo aos nossos problemas no centro da defesa, merece seguramente novas oportunidades.



Wallyson Mallmann - entrou a meio da segunda parte numa altura em que o Guimarães encostava o Sporting à área, e foi fundamental para sacudir essa pressão. Muito combativo defensivamente, teve bons pormenores com a bola nos pés ao sair para o ataque.



Ryan Gauld - teve dificuldades nos primeiros vinte minutos, mas começou a soltar-se com o passar do tempo. Teve alguns pormenores deliciosos que revelam uma visão de jogo e inteligência bastante interessantes. Fico com a sensação que pode render muito mais num jogo em que tenha mais tempo a bola nos pés e com curiosidade para vê-lo jogar com jogadores como Nani, João Mário ou Montero.



Marcelo Boeck - soube recuperar do jogo infeliz com o Vizela. Apesar de não ter feito nenhuma defesa vistosa, teve muito trabalho e esteve sempre muito seguro, principalmente nos cruzamentos.



Negativo


Sarr, Slavchev, Rosell - O francês definitivamente não consegue dar segurança: há sempre uma escorregadela, um domínio de bola imperfeito, um corte atabalhoado ou qualquer outra coisa que ameaça a estabilidade da equipa. Slavchev esteve muito pouco em jogo e mostrou por que motivo nunca tem sido opção. Rosell não esteve mal, mas esperava mais de alguém que é a primeira opção para substituir William Carvalho. Ao nível do passe deixou bastante a desejar.



Depois de uma semana infernal, todos percebiam que até um mau resultado na Taça da Liga poderia servir para incendiar ainda mais a situação do clube. Pelo menos não houve falta de esforço dos comentadores e repórteres de serviço para tentar atear fogo às acendalhas que tinham à mão. Bastou ouvir as palavras de Manuel Queiroz, que registou a poucos minutos do fim a falta de interação entre Bruno de Carvalho e Marco Silva (a sério, que tipo de interação era suposto haver?), ou uma flash interview que se borrifou completamente no jogo que tinha acabado de ser transmitido. Lamentamos que o programa de segunda à noite tenha saído estragado para muita gente...

O nosso Enzo

Aparentemente Paulo Sérgio esqueceu-se que estava em direto enquanto iniciava a conversa com António Tadeia sobre a saída de Enzo para o Valência...


A forma tendenciosa como se costuma referir aos jogadores do Sporting e Benfica na seleção não deixavam grandes dúvidas sobre as suas inclinações clubisticas, mas é sempre bom quando malta desta sai do armário...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Muito a ganhar, pouco a perder

Ao contrário do que muitos querem fazer crer, não faz sentido que o jogo de logo seja decisivo para a continuidade de Marco Silva. A Taça da Liga não é um objetivo para o Sporting, que há muito anunciou que não utilizará os seus principais jogadores, pelo que nenhum indicador negativo que sobressaia do jogo de logo poderá ser um indicador importante sobre o trabalho do treinador.

Ao contrário do que muitos querem fazer crer, não será o Sporting de Bruno de Carvalho que estará em teste mais logo. Em primeiro lugar, porque o Sporting não é de Bruno de Carvalho. Em segundo lugar, porque os jogadores contratados pela estrutura do Sporting (encabeçada por Bruno de Carvalho) - mesmo que à revelia dos desejos de Marco Silva - não vieram para fazerem uma equipa sozinhos. Ou seja, Slavchev, Tanaka, Rabia, Gauld, Geraldes e outros foram contratados para somar aos jogadores que já cá estavam.

Curioso no entanto que aqueles que consideram as contratações que ainda nada provaram e os jogadores da equipa B como o Sporting de Bruno de Carvalho acabem por ser os mesmos que dizem que o futebol de Nani, Montero, Slimani, Jefferson, Jonathan, William, Mané, João Mário e Paulo Oliveira já serão do Sporting de Marco Silva. É caso para perguntar se todas estas contratações e promoções que foram bem sucedidas durante a presidência de Bruno de Carvalho serão só obra do acaso ou mérito exclusivo do treinador.

Anda na moda dizer-se que a direção do Sporting está a haver um assassinato de carácter de Marco Silva, mas não é nada que não esteja a acontecer a Bruno de Carvalho desde que tomou posse. Mas isso daria pano para mangas, pelo que abordarei o tema noutra oportunidade.

Para logo, a meu ver, há pouco a perder: competição secundária, entrada em campo com jogadores pouco utilizados e que não estão habituados a jogar juntos (e muito menos a serem treinados por Marco Silva), num jogo fora contra uma das melhores equipas do campeonato. Mas há muito a ganhar: o treinador poderá descobrir jogadores que possam ser soluções, e quem sabe até se não poderemos fazer uma gracinha.

Da minha parte vou encarar esta partida como se um jogo de pré-época se tratasse. Sem grande sofrimento, mas com enorme curiosidade.


Anjos e demónios

O nível de ruído à volta do Sporting atingiu níveis insuportáveis que desafiam a sanidade mental de qualquer sportinguista, mas ontem entrou definitivamente no domínio da loucura. Foi um dia em que:
  • A Bola avançou com o nome de Carlos Azenha para treinador do Sporting...
  • ... o Record perguntou a Simão (jogador que teve um comportamento desprezível para com o clube que investiu fortemente nele e lhe proporcionou a carreira que teve) a opinião sobre o que será melhor para o futuro do Sporting; o jornal também auscultou os sentimentos de Manuel Cajuda e do Prof. Neca, figuras com uma ligação reconhecidamente profunda (not) ao Sporting...
  • ... e finalmente O Jogo cometeu a proeza de encontrar Izmailov nos confins do mundo e conseguiu mais uma revelação bombástica que acrescenta uma nova página ao extenso dossier que o jornal tem sobre a descredibilização de Bruno de Carvalho.

Recapitulando: uma notícia que só pode ser mentira, recolha de uma tonelada de depoimentos irrelevantes e, para terminar, uma acusação absurda vinda de um dos piores profissionais que o futebol português conheceu na sua história.

De qualquer forma, nenhuma destas intervenções teve o impacto da crónica que José Eduardo escreveu em A Bola no sábado, e que foi uma espécie de prolongamento da entrevista que concedeu à RTP Informação no dia anterior, no exterior do aeroporto de Lisboa.

Em primeiro lugar porque Bruno de Carvalho, ao referir o nome de José Eduardo na última declaração à Sporting TV, legitimou-o como uma espécie de spin doctor oficial do clube - nada que os presidentes dos outros clubes não tenham em abundância. Como tal, tudo o que José Eduardo escrever ou disser daqui para a frente será lido ou escutado com muito mais atenção.

Em segundo lugar porque o antigo jogador / comentador, que alega explicitamente ter acesso a várias pessoas com conhecimento privilegiado, referiu-se a Marco Silva de uma forma extremamente violenta.


Não tendo eu quaisquer connections especiais dentro do mundo sportinguista, não tenho argumentos para desmentir ou confirmar muitas das acusações que são feitas, mas em relação à argumentação que José Eduardo usa para denegrir a gestão de plantel feita por Marco Silva já me é possível dar uma opinião - porque vi todos os minutos de jogo do Sporting até ao momento e porque estou bastante atento ao dia-a-dia do clube.

José Eduardo acusou Marco Silva de ter visto Paulo Oliveira como última solução para o centro da defesa, depois de Maurício e Sarr. Certamente que não terá visto a pré-época, porque praticamente nenhum sportinguista contestou essa decisão na altura. E na realidade nem foi a última solução para Marco Silva, pois Rabia ainda não foi utilizado.

José Eduardo acusou Marco Silva de não recuperar devidamente William Carvalho, acrescentando "que é jogador de outro empresário". William tem sido titular indiscutível, e se é verdade que já poderia ter passado pelo banco, não é razoável achar que Marco Silva quer prejudicá-lo ao mantê-lo como titular. Pelo contrário, parece-me uma prova de confiança nas suas capacidades. E trazer a conversa do empresário para este tema é desonesto: Montero (que à semelhança de Marco Silva, também é agenciado por Carlos Gonçalves) tem sido sistematicamente preterido em relação a Slimani (que tem um empresário diferente).

De seguida, José Eduardo critica a não utilização de Esgaio contra o Espinho e Boavista, sabendo-se que seria ele a única opção para o jogo com o Chelsea. Aqui concordo com José Eduardo, mas não acredito que Marco Silva terá optado por Miguel Lopes de forma a comprometer as aspirações da equipa na Liga dos Campeões.

Diz que Adrien não tem tido descanso, apesar de ter sido poupado contra Espinho e Vizela.

E finalmente critica a falta de aposta dos jovens da equipa B. Por acaso Podence até foi utilizado, mas a verdade é que um plantel principal tão extenso torna difícil o recurso à equipa B. Já referi no passado que gostava de ver plantéis da equipa A e B mais curtos e mais próximos (com trocas mais frequentes), mas não é só o treinador que deve ser criticado pela estruturação de plantéis que foi feita.

Para além disso, José Eduardo esquece-se das coisas boas que Marco Silva tem conseguido fazer: a gestão de Jefferson (começou mal, perdeu a titularidade e regressou em grande forma), a aposta continuada em Paulo Oliveira a partir do momento em que mostrou capacidade para ser titular, o grande ano de Carrillo, o impacto imediato de João Mário, a coragem em apostar em Slimani e Carrillo em simultâneo, os minutos crescentes dados a Mané e, acima de tudo, os momentos de bom futebol que já nos proporcionou, nomeadamente nas grandes exibições contra Schalke e Porto. E muitos dos resultados negativos explicam-se por ineficácia da finalização e asneiras individuais na defesa (menos imputáveis ao treinador).

Não estou com isto a dizer que Marco Silva está isento de responsabilidades nos maus resultados, nem estou a dizer que não poderá ter tido comportamentos de falta de lealdade para com o clube noutros episódios - não tenho elementos para o confirmar ou desmentir. E não vejam este texto como uma tomada de posição a favor de Marco Silva, contra o presidente - limito-me a comentar o texto escrito por José Eduardo.

O problema é que, avaliando aquilo que é o do conhecimento público, José Eduardo exagera nos "pecados" desportivos de Marco Silva. Como tal é legítimo perguntar se José Eduardo não terá também exagerado nos pecados "extra-desportivos", os tais que o fazem ser o rosto de um polvo que quer asfixiar o Sporting.

José Eduardo pede a confiança dos sportinguistas, mas eu, descrente por natureza, não consigo deixar de olhar para o comentador com alguém que tem (ou já teve) relações de negócios com o clube e, como tal, não consigo vê-lo como uma pessoa totalmente independente. Até porque em todo este episódio, não vejo que outra figura terá ganho mais em mediatismo do que José Eduardo. Arrisco a dizer que assegurou a renovação da sua página em A Bola pelo menos por mais um par de anos, e vai começar a ser bem mais frequente a sua participação em debates televisivos.

Em resumo, não acredito nem em anjos nem em demónios. A verdade encontra-se sempre algures entre os dois extremos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Bruno "perdão" Prata

Há várias figuras que encarnam muito daquilo que um jornalista não deve ser. Para mim, Bruno Prata é claramente uma dessas figuras: para além de ter um poder oratório que rivaliza com a de qualquer estudante universitário no final de uma noite na semana da queima das fitas, já nem se esforça por disfarçar os seus ódios de estimação: ontem, na RTP Informação, no "especial" de hora e meia sobre o (não) despedimento de Marco Silva, era indisfarçável a satisfação com que falava na turbulência do Sporting.

Nada que surpreenda vindo de um jornalista que um dia, qual miúda adolescente que joga ao Verdade ou Consequência, aceitou o desafio de um colega no intervalo de um programa para chamar em direto chefe de claque a Bruno de Carvalho.

É para mim um mistério como alguém como Bruno Prata é tão solicitado pelos vários órgãos de comunicação social. Ao menos que de vez em quando aprendêssemos alguma coisa ao ouvi-lo, mas nem isso. Vendo bem, não é um mistério assim tão grande, já que estamos num país em que fazer-se um programa embriagado num canal público não é motivo suficiente para se ser afastado.

Vem isto a propósito de um novo vídeo onde temos a oportunidade de apreciar as qualidades oratórias de Bruno Prata, colocado pelo blogue Com quem é que joga o SportingLINK

Confundir Aloísio com Luisão não é fácil. Nem Afonso Martins com André Martins. Ou confundir Fábio Coentrão com um tal de "Abel" Coentrão. E sim, Bruno Prata é pago para isto... 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Media Frenzy

Notícia de abertura no Telejornal de ontem. Reparem no rodapé...


Via @dfreire e Fórum SCP.

A noite da RTP ainda nos reservaria um Zona Mista especial de uma hora e meia para debater a crise do Sporting, com Costinha, Nuno Dias, Bruno Prata e Rui Oliveira e Costa (o sóbrio, não o da semana passada).

Uma hora e meia e quatro comentadores  em estúdio para fazerem apreciações sobre um não despedimento.

Não sou ingénuo ao ponto de achar que o tema está encerrado (pelo contrário), mas não há dúvidas que a festa na CS já estava toda preparada...

Bruno de Carvalho desmente saída de Marco Silva

Há pouco na Sporting TV:



Algumas horas antes:




Focos de conflito entre Bruno de Carvalho e Marco Silva

Com o passar dos dias, têm sido motivo de conversa algumas eventuais causas do (aparentemente) irreconciliável conflito entre Bruno de Carvalho e Marco Silva. Apesar de ser tudo um exercício especulativo (enquanto nem um nem outro confirmarem o que está na base das dificuldades no relacionamento entre ambos), existem algumas que me parecem plausíveis - nomeadamente quatro. Vou abordar cada uma deles individualmente:


As críticas públicas de Bruno de Carvalho à equipa

Foram polémicas as declarações de Bruno de Carvalho via Facebook após a derrota em Guimarães, e voltaram a ser polémicas as críticas aos resultados do futebol no comunicado da semana passada.

Eu, pessoalmente, não gosto de reprimendas públicas. No entanto, o presidente tem que responder aos sócios e tem toda a legitimidade para o fazer se achar necessário. É agradável? Claro que não, e tem a agravante de colocar uma carga psicológica enorme sobre os jogadores. Curiosamente, a equipa respondeu bem em campo nos jogos imediatamente a seguir a ambos os comunicados (Schalke e Nacional).

Preferia claramente que Bruno de Carvalho não tivesse optado por este caminho. A lavagem de roupa suja deve ser feita preferencialmente longe de olhares indiscretos, principalmente quando existe uma legião de opinion makers a criticarem tudo o que o presidente do Sporting faz. E não foi surpresa nenhuma assistir a um total exagero nas reações na comunicação social, nomeadamente no aproveitamento que foi feito da frase 
"Quer a equipa principal quer a equipa B brindaram os sportinguistas com péssimas exibições que não dignificaram o nosso Clube e a nossa camisola."

Se eu digo que não fui inteligente num determinado momento, não estou a dizer que me considero uma pessoa pouco inteligente. A extrapolação que foi feita desta frase foi que os jogadores são indignos, o que demonstra má fé ou uma gritante incapacidade de interpretar um texto.

De qualquer forma, e apesar de criticas públicas e neste tom não serem novidade no futebol internacional, nacional ou mesmo no próprio clube, são situações que Bruno de Carvalho poderia facilmente ter evitado. Não só pela clima de turbulência que causou no clube e adeptos, mas também por ter colocado os jogadores na ingrata situação de terem que comentar as palavras do seu presidente (e mais uma vez as interpretações feitas pelos media foram claramente abusivas e especulativas).


Marco Silva não aposta em determinados jogadores do plantel principal e da equipa B

Neste caso o treinador merece o benefício da dúvida. É ele que lidera e que avalia os treinos, e é ele que tem que decidir quais os jogadores que estão mais aptos a interpretar a ideia de jogo que tem para a equipa. Bruno de Carvalho mencionou no comunicado de há uma semana o nome de João Mário como reforço deste ano - mas Leonardo Jardim também não viu nele material para ser útil à equipa principal (parece discutível agora, mas foi pacífico na altura). 

Todos estranhamos que Gauld e Slavchev ainda não tenham tido qualquer minutos de utilização (pelos valores e expetativas que rodearam a sua contratação), tal como a falta de oportunidades de alguns jogadores da equipa B que têm tido melhor comportamento (como Wallyson ou Iuri). Apesar disso, também é preciso considerar que temos um plantel principal muito extenso e, felizmente, as lesões não têm sido em grande número. 

De qualquer forma, Marco Silva não pode ficar melindrado pelo facto de a direção tentar impôr-lhe esta ideia. Basta olhar para o outro lado da 2ª circular e vemos o presidente a mandar recados insistentes ao seu treinador (que já vai na 5ª época) em como é importante apostar nos jovens da formação. Se a maior parte das pessoas (adeptos e comentadores) acham que Vieira tem o direito de querer ter um peso maior na formação do plantel, não faz sentido que achem que no caso do Sporting (por se tratar de Bruno de Carvalho) já se trata de uma ingerência inaceitável nas competências do treinador.

É normal que a direção tenha uma ideia para o plantel e tente vendê-la ao treinador, mas em última análise é ao treinador que cabe decidir quem utiliza.


Marco Silva não teve um comportamento solidário com a direção nos casos Rojo e Slimani

Pouco tempo antes da participação no Torneio Teresa Herrera, numa altura em que se falava com iminência da transferência de Rojo para o Manchester United, o empresário Carlos Gonçalves (que representa Marco Silva, Rojo, Maurício, Montero, Wilson Eduardo, Betinho e vários outros jogadores da equipa B e formação) pediu ao Sporting que Rojo não fosse utilizado nessa competição. Bruno de Carvalho recusou. No entanto, Marco Silva optou por utilizar o argentino em apenas 45 minutos (em 180 possíveis), sendo apenas o 16º jogador mais utilizado, a par de Marcelo Boeck, André Geraldes e Paulo Oliveira (todos os outros prováveis titulares foram bastante mais utilizados).

Para além disso, na conferência de imprensa que antecedeu a estreia do Sporting no campeonato contra a Académica, Marco Silva afirmou que Rojo e Slimani (suspensos pela direção por se recusarem a treinar) eram jogadores fundamentais e demarcou-se da decisão do afastamento dos jogadores:
O treinador do Sporting admitiu nesta quinta-feira que a suspensão interna de Marcos Rojo e Islam Slimani, além de afastar da equipa "atletas fundamentais", afectou o resto do plantel na semana em que se inicia a I Liga.
"Não foi uma semana fácil - não há que esconder isso. São casos que nunca é fácil de gerir, mas temos de estar preparados para isso. Afecta sempre um pouco: os jogadores não gostam, ninguém gosta e para mim, como líder desta equipa, também não é agradável", disse Marco Silva na conferência de imprensa de antevisão do jogo da jornada inaugural, no sábado, frente à Académica, em Coimbra.
"São decisões do Sporting. Dois dias depois de isso acontecer estive a elogiar os jogadores e não vou dizer agora que são decisões minhas. Não teve nada a ver comigo. A conversa que existiu [com os jogadores] foi possivelmente com o presidente ou com alguém da direcção", disse Marco Silva, referindo que são questões da direcção do Sporting e não técnicas.

Se no caso destas últimas declarações de Marco Silva até podemos tolerar a falta de sintonia com a direção (poderia desdramatizar a ausência dos jogadores, valorizar a participação dos seus substitutos, e simplesmente não comentar a questão disciplinar) por falta de experiência em situações delicadas com tanta visibilidade, já é mais difícil compreender o motivo que o levou a limitar tanto a utilização de Rojo no Teresa Herrera.


Marco Silva não foi consultado na escolha da maior parte dos jogadores 

Por princípio parece-me saudável que um treinador possa apontar a dedo cada um dos jogadores que pretende, mais do que o perfil pretendido. Mas como é evidente, para que tal aconteça, é necessário que: 

  • o clube considere que existem lacunas nos elementos da estrutura responsáveis pela deteção de jogadores; 
  • o clube tenha recursos financeiros para satisfazer os desejos do treinador; 
  • o treinador já tenha anos suficientes de casa ou uma carreira comprovadamente sólida para que lhe seja colocado esse poder na mão.

Olhando para o exemplo do Porto, alguém acredita que Vítor Pereira ou Paulo Fonseca tenham escolhido a dedo jogadores como Danilo, Alex Sandro, Reyes, Herrera ou Quintero? O paradigma mudou esta época com a chegada de Lopetegui, mas a regra dominante sempre foi o reduzido papel do treinador na construção do plantel - e nunca ninguém criticou esse facto.


Olhando para Marco Silva, sabemos que chegou ao Sporting vindo do Estoril, clube da Traffic (empresa que ganha a vida através da compra, valorização e venda de jogadores), e tenho imensas dúvidas que o treinador alguma vez tenha tido o poder de escolher os jogadores com quem trabalhou ao longo dos três anos em que liderou a equipa. A Traffic contrata jogadores em vários mercados (principalmente o brasileiro) e coloca-os nos clubes que detém para os valorizar e ganhar dinheiro - e certamente que não estarão minimamente dependentes das capacidades prospetivas dos treinadores dos seus clubes. Mais: certamente que farão pressão para alguns serem mais utilizados que outros.

Estar a defender Marco Silva por não poder escolher a maior parte dos jogadores com que trabalha (que é a postura de muitos dos comentadores que tenho ouvido) é uma hipocrisia. Marco Silva é um treinador altamente promissor, mas não tem um passado que lhe dê direito a amuar por não ter tido um papel decisivo na escolha do plantel, principalmente quando a estrutura do Sporting até teve um aproveitamento razoável das aquisições que fez na sua primeira época (Jefferson, Montero, Slimani, e mesmo Maurício tiveram um bom rendimento). A não ser, claro, que no momento da sua contratação alguém lhe tenha prometido que teria um papel ativo na escolha dos jogadores.


Irreconciliável?

Serão estes factos suficientes para justificar a impossibilidade de haver uma reconciliação entre Bruno de Carvalho e Marco Silva? Na minha opinião, não. É claro que se pode ter passado muito mais do que estes quatro pontos de discórdia, no calor da discussão podem ter sido dito coisas que não ajudaram à pacificação, mas gostaria que ambos os intervenientes considerassem o seguinte:

  • Bruno de Carvalho tem que compreender que nem todos podem ter o seu espírito irredutível perante a adversidade, e que o treinador e jogadores são profissionais que nunca colocarão as prioridades do Sporting acima de qualquer outra coisa (nomeadamente as suas carreiras);
  • Marco Silva tem que compreender que é um funcionário do clube e que está sujeito a cumprir ordens que vêm de cima - como qualquer outro profissional em qualquer atividade.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mensagem de boas festas do presidente


Não querendo de forma alguma tirar os holofotes da importante mensagem que o presidente da aldeia de Carnide quis mandar a todos, não posso perder a oportunidade para desejar um ótimo Natal a todos os que por aqui costumam passar, independentemente do clube que cada um apoia. Aproveitem estes dias para deixar o futebol um pouco de lado e apreciar os aspetos realmente importantes da vida que só esta quadra nos proporciona - como tentar adivinhar o tamanho de roupa de metade da família e não perder a paciência a embrulhar a infinidade de presentes que vamos oferecer. :)

Feliz Natal!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sobre as notícias insistentes da rotura entre presidente e treinador

Se é mentira, desmintam-nas publicamente. Se é verdade, sejam adultos e entendam-se.

Blackout: sentimento agridoce

Por uma questão de princípio não gosto de blackouts. A comunicação social tem o seu papel a desempenhar na sociedade, e quando um clube opta por deixar de falar aos jornais, televisões e rádios está automaticamente a cortar um elo de ligação com muitos dos seus sócios e adeptos.

Para além disso, muita desta turbulência mediática tem sido alimentada pelo próprio clube, e é normal que a comunicação social procure explorá-la.

No entanto, é indiscutível a má vontade que muitos desses órgãos de comunicação social têm para com o Sporting. A diferença de tratamento para com Benfica e Porto é gritante. Ainda no fim-de-semana passado Mané fez uma declaração simpática sobre Bruno de Carvalho e nenhum dos jornais o referiu na capa. Não tiveram no entanto problemas em alimentar ainda mais a novela sobre a discórdia entre treinador e presidente do Sporting. O jornal A Bola deu tanto destaque ao facto de a vitória do Benfica ter sido obtida em fora-de-jogo como aos erros defensivos (WTF?) que o Sporting cometeu contra o Nacional ("Leão sobreviveu a erros defensivos, falta de pontaria e expulsão de Adrien"), e optou por omitir as declarações em que Jorge Jesus refere que o público benfiquista enervou a equipa. E de O Jogo nem vale a pena falar, tão clara e óbvia é a sua orientação editorial.

Do ponto de vista do adepto sportinguista, a existência da Sporting TV faz com que o impacto de uma medida destas não seja tão gravosa quanto o seria há um ano atrás. De qualquer forma, faz com que o contraditório desapareça e isso nunca é uma situação positiva.

Não gostando de blackouts, não vou ficar particularmente incomodado por esta decisão da direção do Sporting. Muita da comunicação social merece-o totalmente. De qualquer forma não tenho dúvidas de que irão sobreviver, dado o imenso talento que têm demonstrado para inventar acontecimentos ao longo dos anos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Para quem não viu a figura de ROC no programa de ontem

Aqui fica um resumo: LINK (vídeo de Captomente, blogue Com quem é que joga o Sporting?)

Não há palavras. Será incompreensível que um canal público, que vive à custa dos impostos que todos nós pagamos, não o substitua de imediato.

É isto que nós queremos

Não tendo sido uma exibição de encher o olho, não deverá haver nenhum sportinguista minimamente colado à realidade que não tenha ficado satisfeito com a prestação dos nossos rapazes na noite de ontem. Todos gostamos que a equipa pratique um futebol vistoso do princípio ao fim das partidas, mas seria utópico pensar que isso poderia acontecer perante o nível exibicional recente da equipa, o turbilhão que entretanto se montou e um adversário reconhecidamente rijo (no bom e no mau sentido da palavra). O Sporting cerrou os dentes, foi à luta desde o apito inicial, soube sofrer para impôr o seu jogo e soube sofrer (sendo inteligente) quando se viu em desvantagem numérica para segurar o resultado, merecendo inteiramente o desfecho final. As vitórias ficam sempre bem mais perto quando não poupamos esforços para as alcançar.



Positivo

  • Atitude desde o apito inicial - as críticas apontadas à equipa ao longo da última semana tiveram uma resposta à altura por parte dos jogadores que entraram em campo na Choupana. Desta vez é indiscutível que tivemos equipa do princípio ao fim. O esclarecimento não foi o melhor nos primeiros trinta minutos, mas gradualmente os jogadores conseguiram perceber a melhor forma de ultrapassar o Nacional, e as oportunidades começaram a aparecer. A segunda parte foi de uma superioridade completa até à expulsão de Adrien, muito graças à agressividade demonstrada ao pressionar as saídas de bola do Nacional, que poucas vezes conseguiu chegar à nossa área - e quando o fez não criou perigo. A jogar com 10, a equipa manteve-se solidária e combativa. É isto que queremos. Sempre que o fizerem, as vitórias terão tendência para aparecer com bastante mais frequência, mesmo em dias de menor inspiração artística.´
  • Os últimos dez minutos de Carrillo - numa altura em que se impunha quebrar o ritmo do Nacional e deixar os minutos passar, o peruano foi extraordinariamente inteligente e soube queimar preciosos minutos encostado à linha e a esconder a bola dos dois ou três adversários que tinha nas costas. Um sinal inequívoco de maturidade de um jogador que mais uma vez demonstrou ser o nosso principal desequilibrador - ficaram na retina o passe para um remate de Slimani que saiu muito próximo do poste, e um remate para grande defesa de Gottardi.
  • Slimani todo-o-terreno - não marcando (e desperdiçando à boca da baliza uma inesperada oportunidade surgida de um ressalto de bola num jogador do Nacional) conseguiu fazer um grande jogo. Extremamente combativo, nunca desistindo de uma bola e sabendo segurar a bola à espera que os companheiros se aproximassem. Ah, e foi dele o remate que deu origem à defesa incompleta de Gottardi que Mané aproveitaria para fazer o golo da vitória.
  • O capitão a dar o exemplo - Rui Patrício teve pouco trabalho mas conseguiu duas defesas de grande nível: uma na primeira parte, num remate cruzado rasteiro que desviou com a ponta dos dedos, e perto do fim com uma saída temerária a evitar o remate de um adversário que apareceu isolado na sua cara. Nesta última deve ter ganho umas belas marcas, já que foi atingido com muita dureza pelo avançado do Nacional. Para Duarte Gomes foi tudo normal, e o jogo lá prosseguiu com o nosso guarda-redes a contorcer-se no chão. Ressentimentos antigos?

Negativo
  • Não aproveitar o contra-ataque para matar o jogo - dispusemos de várias situações de contra-ataque geradas pelo adiantamento do Nacional à procura do golo do empate e de recuperações de bola com pronto lançamento para os homens mais adiantados. Infelizmente, o aproveitamento dessas situações ficou muito abaixo daquilo que seria desejável. Podíamos ter arrumado com o jogo mas não o fizemos, ficando depois sujeitos a eventuais incidências que nos fossem desfavoráveis. E daí chegamos à...
  • Expulsão de Adrien - se um Rui Oliveira e Costa sóbrio decidisse fazer uma sondagem aos sportinguistas sobre se achavam que Adrien iria terminar a partida em campo, certamente que uma esmagadora maioria (onde me incluiria) responderia NÃO. Adrien tem as suas qualidades, mas com o avançar dos minutos não nos costuma impressionar pela sua clarividência em plena batalha pela conquista da bola. E atendendo à presença de Duarte Gomes, que normalmente não precisa de meia oportunidade para nos dificultar a vida, estavam criadas as condições para uma tempestade perfeita. Marco Silva devia ter lançado Rosell para o lugar de Adrien, e não apenas quando já estávamos reduzidos a dez elementos. Note-se no entanto que, apesar de Adrien ter estado mal ao não aliviar a bola quando teve oportunidade, a sua expulsão foi forçada: há falta mas não era para cartão.

Numa jornada em que tínhamos um adversário mais complicado que os nossos rivais, conseguimos não perder mais terreno e ainda aproveitámos para nos colarmos ao 3º classificado. Nada, nada mau. Segue-se um interregno de duas semanas que nos poderá devolver Jefferson e Nani para a difícil sequência Estoril / Braga / Rio Ave. Saibamos agora aproveitar a estabilidade que uma vitória como a de ontem pode proporcionar para lamber as feridas (ainda) abertas e arrancar com pujança para um novo ciclo de bom futebol.


domingo, 21 de dezembro de 2014

Excelentíssimos senhores da RTP:

Ao longo dos anos em que Rui Oliveira e Costa tem participado como comentador ligado ao meu clube poucas foram as vezes em que me senti devidamente representado. Isso até nem é particularmente relevante - as suas opiniões são em teoria tão válidas como a de qualquer outro sportinguista, por mais deslocadas da realidade que possam ser. O pior é que raramente defende o clube de forma competente, demonstrando um nível de desinformação e impreparação totalmente inadequado, e aí ficamo-nos todos a perguntar por que motivo a RTP, num universo tão amplo quanto o dos adeptos e associados sportinguistas, não consegue encontrar alguém melhor qualificado (nomeadamente quando tem dentro de casa alguém como Jaime Mourão-Ferreira, que nos habituou a fazer excelentes programas no Grandes Adeptos da Antena 1).

Mas certamente que a direção da RTP concordará que o mínimo que se pode exigir é que o senhor apareça sóbrio para um programa. 


Não tive oportunidade de ver o programa de hoje, mas foi confrangedor acompanhar a prestação de Rui Oliveira e Costa através das reações das redes sociais. Aparentemente o vídeo que aqui coloquei nem foi dos seus piores momentos.

Será inaceitável que não substituam este cavalheiro. Se quer fazer figuras tristes, que o faça na sua casa de copo não mão e sem que esteja de alguma forma a representar o Sporting Clube de Portugal.

Maxi não estava fora-de-jogo



Via @goncalomoreira
 

Pressão máxima

Há três dias atrás a situação não era simpática: atraso considerável para a liderança, quatro pontos de atraso para o 2º lugar e uma sequência de dois jogos com exibições pobres e resultados descoloridos que foram uma desilução para todo o universo sportinguista. Mesmo assim, ainda ia havendo alguma coisa a que nos podíamos agarrar: uma participação honrosa na Liga dos Campeões que nos permite continuar nas andanças europeias, continuidade numa Taça de Portugal cada vez com menos povoada com ameaças fortes à nossa progressão até ao tão desejado troféu, e a ideia de que se trata apenas de um ciclo menos positivo que em breve poderá ser quebrado com o regresso da equipa às boas exibições que caracterizaram os meses anteriores.

No entanto, após as declarações de Bruno de Carvalho, é inevitável que o jogo de logo seja disputado sobre um barril de pólvora com um fuso bem curto já ateado. As consequências de um mau resultado poderão ser devastadoras, e tornarão a semana dos sportinguistas num autêntico inferno, adivinhando-se uma semana de rejubilo para os Pratas, os Daniéis, os Goberns e os Rodolfos, entre tantos outros, e em que a especulação e a maledicência atingirão níveis absolutamente insuportáveis - e sempre atacando o lado mais sensacionalista possível, ou seja, uma eventual frágil posição do treinador.

Eu gosto de Marco Silva. É um treinador que não tem medo de assumir o risco, que procurou implementar um sistema de jogo mais arrojado e positivo que o de Leonardo Jardim - que já estava esgotado -, e acredito que é o homem certo no lugar certo. Como tal, será muito duro para mim (e creio que para a maioria dos sportinguistas) estar a ler e a ouvir repetidamente em como o seu lugar estará em causa ou em como já não há entendimento possível com o presidente - não sejamos ingénuos, quer seja ou não verdade, é isso que nos esperará ao longo da próxima semana.

Só há uma forma de atenuar o bombardeamento que nos espera, e isso será ganhando. Não ajuda ser num dos campos mais chatos que existem no nosso campeonato. O Nacional pode não estar a fazer uma carreira ao nível do que é habitual, mas Manuel Machado é um treinador que já nos causou vários amargos de boca no passado e que certamente procurará explorar as nossas debilidades sempre que tiver oportunidade.

Mas o resultado dependerá sobretudo da atitude com que os jogadores do Sporting entrarão em campo. Dando 45 minutos de avanço ao adversário, conforme tem sido demasiado comum, dificilmente a história acabará bem. O Nacional não nos vai deixar jogar à bola (adivinha-se uma arbitragem bastante permissiva do inenarrável Duarte Gomes), pelo que será fundamental compensarmos com uma concentração e espírito de sacrifício permanentes.

Qual dos Sportings entrará logo em campo? O macio e desinteressado, ou o aguerrido e motivado? Será inaceitável se não for o segundo.


sábado, 20 de dezembro de 2014

O problema das mensagens criptícas

Fazer declarações fortes sem destinatários perfeitamente claros é um erro que os nossos responsáveis deveriam evitar cometer, atendendo à "boa vontade" que a nossa Comunicação Social costuma reservar para temas polémicos que envolvem o nosso clube.

Escrevo isto na noite de sexta-feira, e ainda não sei o que aparecerá nas primeiras páginas do Correio da Manhã, do Diário de Notícias ou de qualquer um dos jornais desportivos nas edições de sábado, mas para abrir as hostilidades a RTP não foi nada meiga:


Não acredito que o destinatário fosse Marco Silva, mas o mote está dado: vai ser este o ângulo mais explorado porque é por aqui que os danos podem ser superiores.

Nada a que não estejamos já habituados. O problema é que, não matando, estas coisas não deixam de nos moer o juízo - e vão acumulando. Vai ser preciso muita resistência para superar todas estas provações.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

E entretanto, numa galáxia não muito distante...

in publico.pt

... a FIFA corta pela raiz a partilha de passes de jogadores, num processo que ganhou uma enorme visibilidade com o conflito entre o Sporting e a Doyen - a partir do qual a UEFA decidiu não adiar mais uma decisão e forçar a FIFA a fecharem um tema que já se arrastava há mais de seis anos.

O período de transição é afinal ainda mais apertado do que se pensaria inicialmente (falava-se em 3 anos). Os contratos atuais poderão ser cumpridos até ao fim, mas novos contratos estão limitados a um máximo de um ano. E a partir de maio de 2015 deixa-se definitivamente de se poder realizar transferências em que um fundo fica detentor de um passe.

Claro que os fundos irão tentar contornar esta restrição, provavelmente colocando-se exclusivamente num papel de financiador, mas há várias coisas que vão mudar:
  • Os clubes que recorrerem aos fundos enquanto financiadores terão sempre que declarar a totalidade dos valores transacionados (o valor dos passes de Brahimi e Aboubakar para o Porto em vez de ser €3,5M passaria para €16,5M - com o reflexo que isso tem nos custos anuais de amortização de passe), o que torna mais difícil contornar o Fair Play Financeiro.
  • Os valores financiados ficam registados no passivo do clube, à semelhança dos empréstimos bancários e obrigacionistas - ao contrário do que se passa agora, em que há apenas uma omissão do valor que os fundos colocaram, quer ao nível do ativo (valor dos passes) e do passivo (valor do passe pertencente a 3ºs).
  • Os fundos deixam de poder ser proprietários de tantos e tantos jovens jogadores (principalmente na América do Sul), e de lhes controlarem a carreira desde cedo - o que significa que os clubes deixarão de ter a concorrência dos fundos na deteção de jogadores com potencial.
  • Os clubes portugueses terão que ser mais criteriosos nas contratações. Fica mais difícil haver uma grande concentração de talento, é verdade, mas essa política é uma loucura para a realidade nacional pelos elevadíssimos custos salariais que isso implica. Basta olhar para o défice operacional que os grandes apresentam para perceber que esta estratégia não é minimamente sustentável. Gastar apenas aquilo que se tem é um princípio saudável que há muito foi esquecido. Arrisca-se demasiado no futebol português.

Em duas palavras: mais transparência. O que só pode ser uma coisa boa.

Só pode vir aí uma grande desgraça...

... porque honestamente perante o que é conhecido não vejo motivos para que Bruno de Carvalho tivesse necessidade de fazer este comunicado.

É certo e sabido que a sua presidência (mais o homem do que o trabalho realizado) está longe de gerar consenso no universo sportinguista, mas também não parece haver dúvidas que a esmagadora maioria dos sócios está com ele e reconhece o excelente trabalho que tem sido feito. 

Estar a dramatizar desta forma não é dar demasiado peso e relevo a quem não concorda com ele?

Assumir responsabilidades pelos resultados desportivos? Atendendo à diferença de condições que temos para os nossos rivais, vejo muito mais motivos para elogiar do que para criticar - mesmo considerando que as nossas chances para vencer o campeonato são neste momento muito reduzidas.

Aliás, fico mais com a impressão (bater na madeira) de que a todo o momento estará para rebentar uma notícia terrível para o clube que coloque em causa essa boa imagem que a generalidade dos sportinguistas tem do seu trabalho.

Não gosto nada de um comunicado desta natureza, que acaba por levanta muito mais questões do que aquelas a que responde. Será um pesado foco de instabilidade na mente dos sportinguistas nas próximas semanas. Falando por mim, gostaria de ser clarificado sobre o que estará realmente em causa o mais rapidamente possível.

Pensavam que já tinham visto de tudo no futebol português?

Não viram. Garanto-vos.

Página 51 do Regulamento de Competições da Liga para a época 2014/15:


Diz o bom senso que a Liga deveria fazer a devida correção daquilo que é, obviamente, uma cópia mal efetuada do regulamento da época anterior. No entanto, foi isto que todos os clubes aprovaram, e como vivemos em Portugal, país do "dolo sem intenção" onde o bom-senso não é tido nem achado, alguém se admiraria se os clubes que terminem em 17º e 18º decidam contestar uma eventual alteração a meio dos regulamentos - e ganhem a ação?

Einstein tinha razão: não há mesmo limites para a estupidez humana. Vamos ver se isto não acaba com a Liga do próximo ano a ser alargada para 20 clubes...

via Repórter Actual e @portadezanove

Balanço das arbitragens: 13ª jornada

Sporting 1-1 Moreirense (Jorge Ferreira)

35': João Pedro cabeceia a bola dentro da área e esta parece bater no braço de Miguel Lopes; o árbitro não assinala penálti - decisão errada, Miguel Lopes ataca o lance com os braços à frente e aumenta a mancha do corpo

48': Adrien cai na área ao cabecear para fora por contacto com um defesa do Moreirense, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, o contacto só se dá depois do cabeceamento ter sido efetuado

75': João Pedro cai por levar com a mão de Maurício na cara, o árbitro entendeu não haver agressão - decisão certa, há falta, mas não se trata de uma agressão

90'+2: Duvidas na posição de Montero no lance do golo - decisão certa, o avançado colombiano parte de posição legal

=: como o golo do Moreirense foi marcado na sequência do lance do penálti não assinalado (o corte de Miguel Lopes dá o canto de onde surge o golo), o erro acaba por não ter influência no resultado (precedente: penálti de Mangala no Benfica - Porto do ano passado, que é seguido de golo do Benfica)


Porto 0-2 Benfica (Jorge Sousa)

36': Há dúvidas sobre se o golo de Lima é marcado com ajuda da mão; o árbitro não viu nenhuma irregularidade - decisão certa, a bola parece ser jogada apenas com a cintura

77': Golo anulado a Jackson - decisão certa, o avançado do Porto domina a bola com a ajuda do braço após o remate de Casemiro

=: arbitragem sem influência no resultado



Estatísticas da jornada



Estatísticas acumuladas



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Links para jornadas anteriores

12ª J: Boavista - Sporting; Benfica - Belenenses; Académica - Porto: LINK
11ª J: Sporting - Setúbal; Académica - Benfica; Porto - Rio Ave: LINK
10ª J: Nacional - Benfica; Sporting - P. Ferreira; Estoril - Porto: LINK
9ª J: Benfica - Rio Ave; Guimarães - Sporting; Porto - Nacional: LINK
8ª J: Arouca - Porto; Sporting - Marítimo; Braga - Benfica: LINK
7ª J: Penafiel - Sporting; Porto - Braga; Benfica - Arouca: LINK
6ª J: Sporting - Porto; Estoril - Benfica: LINK
5ª J: Benfica - Moreirense; Gil Vicente - Sporting; Porto - Boavista: LINK
4ª J: Setúbal - Benfica; Sporting - Belenenses; Guimarães - Porto: LINK
3ª J: Porto - Moreirense; Benfica - Sporting: LINK
2ª J: Paços Ferreira - Porto; Sporting - Arouca; Boavista - Benfica: LINK
1ª J: Porto - Marítimo; Académica - Sporting; Benfica - Paços Ferreira: LINK

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Descubra as diferenças

Twitter do Sporting uns minutos após o penálti que deu origem ao 0-1:




Facebook do Benfica poucas horas antes do Benfica - Braga:



Deixem jogar o Benfica!


Sim, é verdade que o Braga usou e abusou das faltas duras no jogo com o Benfica para o campeonato - Rúben Micael devia ter sido expulso, há uma fotografia de um pé levantado sobre a cara de Talisca que arrepia só de olhar -, mas não se pode dizer propriamente que o Benfica se caracterize por ser uma equipa macia que costuma fugir aterrorizada do contacto físico.

Falamos de um clube que tem como uma das imagens de marca alinhar com jogadores que jogam inúmeras vezes para além do limite da agressividade que a lei estabelece num regime de quase-impunidade. Há anos que os adversários têm que preparar as suas canelas para as investidas de Maxi (totalizando uma única expulsão nos descontos em oito anos de Benfica), como durante muito tempo tiveram que desmagnetizar as maçãs do rosto perante a atração irresistível que exerciam aos cotovelos metálicos de Javi García. Até o talentoso Enzo não é rapaz que se costume encolher quando vê a bola perto dos pés de um adversário - este ano já devia ter sido expulso por duas vezes. Luisão tem fama de ser um jogador leal mas quando vai embalado não se coíbe de utilizar o seu metro e noventa e três e oitenta e cinco quilos para aproveitar para passar a ferro um adversário que esteja a disputar uma bola (diz que há um árbitro alemão que não ficou em muito bom estado). Ou mesmo Matic, jogador de classe mundial, que tinha momentos em que usava os pitons como se picaretas fossem (lembras-te, Bruma?). Começa também agora a despontar o talento de Samaris, que já demonstrou uma apetência para virar adversários do avesso (o Arouca e Jackson que o digam) sem que as consequências sejam particularmente penalizadoras para o Benfica. E ainda há Talisca, que naquele jeito desengonçado e aparentemente frágil, já deu umas valentes trancadas nos calcanhares de quem teve o azar de lhe aparecer pela frente, também sem qualquer punição.

As declarações de Jorge Jesus são normais - a maior parte dos treinadores fazem afirmações deste género para tentar condicionar a arbitragem (faz parte do futebol e os árbitros têm que estar preparados para isto) -, mas são um choradinho que vindo de quem vem só pode levar qualquer adepto de outro clube a encará-las com uma dose elevada sarcasmo. É descaramento puro e duro. Aliás, vindo do homem que disse "limpinho, limpinho" depois do maior assalto à mão armada que houve num campo de futebol em Portugal nas últimas décadas, não é nada que nos possa surpreender.

P.S.: Belo servicinho que o jornal A Bola fez em transformar tudo isto numa espécie de apelo desesperado de uma vítima indefesa. Estes também já nem disfarçam.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Salvou-se o resultado

Os semblantes carregados que se viram no final do jogo fazem justiça à miserável exibição que realizámos hoje. Se tivesse um espelho para me observar quando o árbitro apitou para o final da partida, certamente que não encontraria grandes diferenças entre a minha expressão e as de Bruno de Carvalho ou Marco Silva. E imagino que as de praticamente todos os sportinguistas que assistiram ao jogo. Foi má, demasiado má, a imagem que deixámos. Não há desculpas nem atenuantes para o facto de termos passado tantas dificuldades perante uma equipa do 3º escalão nacional, com a agravante de o 1º golo ter sido marcado através de um penálti inexistente. Salvou-se o resultado e a qualificação para os quartos de final, ficando a esperança que até lá a equipa consiga encontrar uma saída do labirinto anímico em que se deixou perder.


Positivo

A qualificação para os quartos de final - lá dizia a Scarlett O' Hara que amanhã será um novo dia.

Bolas paradas ofensivas - para além do penálti exemplarmente marcado por André Martins, muito bom o desvio de Paulo Oliveira no 2º golo na sequência de um livre e o oportunismo de Mané após desvio de Carrillo a partir de um canto. Temos tido um aproveitamento muito fraco deste tipo de lances, foi refrescante por uma vez termos resolvido um jogo desta forma.

Cédric - não é que tenha feito um grande jogo, mas foi dos mais inconformados. Gostei de o ver de novo em campo após as estranhas ausências contra Boavista e Moreirense. Tem que ser titular.


Negativo

Tudo o resto - incapacidade para trocar a bola com rapidez no meio-campo adversário e causar desequilíbrios, tremendas dificuldades em manter o Vizela longe da nossa área, a defesa incompleta de Marcelo que ofereceu o empate ao adversário, mais um golo sofrido a partir de um canto, falta de velocidade, atitude, concentração, enfim, uma noite para não repetir.


Apesar de tudo é preciso relembrar que esta fase negativa não é particularmente longa. A derrota com o Chelsea tem que ser encarada como natural, a que se seguiu uma sequência de dois jogos maus contra adversários acessíveis. Antes disso fizemos boas exibições contra Espinho, Maribor, Boavista e Setúbal. Como é evidente, isso pode não servir de grande consolação agora, mas é importante não cairmos em depressão como se estivéssemos num ciclo terrível de resultados e exibições à imagem daquilo por que passámos há dois anos. Apesar de tudo, são realidades bem diferentes.

Para já não comprometemos um dos objetivos mais importantes da época, o que num dia de tão pouca inspiração acaba por ser um luxo pouco frequente. Domingo a resposta da equipa terá que ser bem diferente.



Uma questão de respeito

A época 2014/15 ainda não chegou a meio, mas é indiscutível que até ao momento já nos proporcionou sensações muito diversas: a vingança conseguida em Alvalade contra o Schalke e a eliminação da Taça do Porto no Dragão foram provavelmente os momentos mais inspiradores; e no polo oposto colocaria o empate na Eslovénia, as derrotas em Gelsenkirchen e Guimarães e - o pior deles todos - o empate caseiro com o Moreirense.

Os resultados em casa do Maribor e do Schalke custaram-me muito por terem sido extremamente injustos e decididos ao cair do pano, mas depois de digerir os erros individuais e do árbitro que sentenciaram esses jogos ainda sobraram muitos pontos positivos para olharmos para o futuro com confiança. A derrota em Guimarães foi bastante amarga por causa dos números e da fraca exibição, mas a sorte do jogo esteve toda com o Guimarães (que se vê a ganhar por 2-0 sem pouco ter feito para isso) e mais pareceu um acidente de percurso naquilo que estava a ser na altura uma sequência de jogos bem conseguidos.

Mas ainda agora me custa pensar no empate com o Moreirense. A ausência de aplicação da equipa na primeira parte - que se colocou na ingrata e desconfortável posição de ter que virar o resultado -, a falta de discernimento da segunda parte e a inqualificável reação após o golo do empate (em vez de tentarem aproveitar todos os segundos disponíveis para chegar à vitória) foram um violento murro no estômago, não o posso negar. 

Está a ser difícil de esquecer porque a expetativa era a de reduzir o fosso para pelo menos um dos rivais da frente, nunca para ficar mais longe do 1º lugar. Foi um daqueles momentos em que nos ficamos a questionar se valerá a pena fazer tantos sacrifícios para apoiar os jogadores que envergam as nossas camisolas. Sim, sabemos que são profissionais, têm uma relação bastante mais desapaixonada pelo clube e que nunca sentirão as vitórias e as derrotas como quem está nas bancadas, mas há mínimos que temos que exigir - e o que se passou no domingo foi um desrespeito pelo clube e pelos adeptos.

Hoje jogamos com o Vizela para a Taça. Parece-me desnecessário referir a importância que esta competição poderá ter para nós esta época. Estamos a apenas 5 jogos de a conquistar, e temos que encarar autenticamente cada jogo como uma final - o que passa por nunca menosprezar a oposição, por mais modesta que possa parecer.

Compreendo e aceito que Marco Silva aproveite para fazer mudanças no onze. A diferença teórica entre ambas as equipas é evidente - quaisquer que sejam os jogadores que entrem em campo temos a obrigação de vencer confortavelmente - mas a única atitude aceitável dos jogadores escolhidos será darem tudo o que têm, do primeiro minuto até à vitória estar assegurada. Respeitem o adversário e respeitem-nos a nós. Depois do que (não) fizeram no domingo, devem-nos isso.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Liga Europa: recuperar a máxima de pensar jogo a jogo

in record.pt

A minha opinião sobre aquilo a que podemos aspirar na Liga Europa não mudou com o desapontante empate de ontem: é impensável que possamos ser considerados favoritos nesta competição.

Existe uma diferença de orçamentos demasiado grande entre o Sporting para muitas das equipas ainda em prova para podermos achar que o Sporting tem a obrigação de eliminar qualquer equipa que lhe apareça ao caminho. Como é evidente, 

O facto de o Benfica ter chegado à final nos últimos dois anos não significa que a prova se tenha tornado um passeio para qualquer equipa com ambições. O Benfica chegou à final nos últimos dois anos porque tinha um plantel com grande profundidade, capaz de suportar o desgaste acumulado de jogar consecutivamente de quatro em quatro dias.. 

É verdade que olhando para o leque de adversários, não vejo nenhum a quem não possamos vencer numa noite inspirada. Não há tubarões, não há missões impossíveis. A participação na Champions mostrou-nos que temos material para competir com qualquer uma das equipas que estão este ano na Liga Europa (continuando a ser urgente contratar em janeiro um central que dê outras garantias), mas fiquemo-nos por aí - será necessário uma conjugação muito feliz de fatores (nível de forma de elementos-chave, ausência de lesões, sorteios favoráveis, etc.) para conseguirmos chegar longe na competição.

Como tal, parece-me oportuno recuperar a máxima de pensar jogo a jogo, e logo veremos onde chegamos. Sem obrigações de espécie alguma.

Quanto ao sorteio, lá está: seria simpático que pudéssemos retardar lá mais para a frente o confronto com os adversários mais difíceis (que na minha opinião são, por ordem de dificuldade decrescente, Roma, Wolfsburgo, Sevilha e Liverpool). Uma visita à Dinamarca ou Suiça seria particularmente agradável.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Falta de estofo de campeão

Era aquele jogo em que não podíamos perder pontos. Era imperativo ganhar, não só para mostrar que havia capacidade de reagir à eliminação da Champions, mas também para aproveitarmos a ocasião para nos aproximarmos pelo menos de um dos rivais. Em vez de entrar para fazer o Moreirense pagar à fatura do insucesso de quarta-feira, decidimos mais uma vez oferecer uma parte do jogo e acabar a ter mais um resultado para virar. Não correu bem e mais uma vez fomos incapazes de concretizar a reviravolta - coisa que só conseguimos em casa com o Schalke. Nos outros jogos em que começámos a perder (Benfica, Belenenses, Chelsea 2x, Paços e Moreirense) não conseguimos somar os três pontos. Pelos vistos não queremos aprender com os erros do passado.

Positivo


A atitude na segunda parte - não sei o que Março Silva disse aos jogadores, mas a equipa regressou do balneário com outra vontade. Infelizmente não foi acompanhada pelo discernimento que se exigiria, mas não foi por falta de esforço nos segundos 45 minutos que deixámos de ganhar.


Negativo


Qualidade de jogo - a primeira parte foi constrangedora. A equipa não conseguia ligar jogo, sendo incapaz de fazer a bola circular com qualidade e acabando por apostar sobretudo no lançamento de bolas para o meio campo adversário - mérito pela pressão alta que o Moreirense fez até ao primeiro golo que não soubémos contornar. Carrillo e Mané estiveram desinspirados, os laterais raramente foram um fator de desequilíbrio - Jonathan foi mais uma vez um desastre nos cruzamentos -, os médios não conseguiram ser eficientes no transporte de bola e distribuição de jogo. Tudo isto embrulhado em défice de velocidade de execução e falta de discernimento no momento de finalizar.

O aproveitamento das bolas paradas - foram inúmeras as bolas paradas de que dispusémos (parei de contar aos 10 cantos), mas fomos sempre inofensivos. Nos livres foi igual. 

A reação mais ridícula a um golo marcado de que tenho memória - o Sporting finalmente consegue chegar ao empate. Ainda há uns minutos para jogar, o estádio pouco festeja e incentiva a equipa a procurar o segundo. Mas os jogadores... ficam a festejar, ninguém se lembra de ir buscar a bola. E Slimani volta a passo para o nosso meio-campo, dando-se o ridículo de os jogadores do Moreirense reiniciarem o jogo com o argelino ainda no meio-campo dos visitantes. Simplesmente inadmissível.


Com a vitória do Benfica no Dragão parece-me evidente que o melhor a que podemos aspirar é a luta pelo 2º lugar, mas para isso acontecer tem que haver mudanças radicais na abordagem aos jogos contra as equipas mais pequenas. Temos limitações bem conhecidas, mas a equipa tem respondido exemplarmente nos desafios de maior dificuldade. No entanto, isso de pouco nos serve em provas em que a regularidade é imprescindível. Há responsabilidades de Marco Silva, como é evidente, mas o problema é acima de tudo ao nível da mentalidade dos jogadores. Chamem-lhe estofo de campeão, respeito pelo adversário ou outra coisa qualquer que preferirem - refiro-me àquela qualidade intangível importantíssima para vencer jogos em dias em que a inspiração é menor.