sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

É este o jornalismo que temos

É sabido que o Sporting está em blackout. Compreendo que os repórteres de serviço aproveitem a obrigatória flash interview com Marco Silva para tentar tirar nabos da púcara. Mas o que aconteceu na segunda-feira passada, no final do jogo com o Guimarães, não foi propriamente um exemplo de bom jornalismo:

1ª pergunta: <a TVI24 fez a ligação depois da 1ª pergunta já ter sido feita, mas pelas palavras de Marco Silva presume-se que teve a ver com aquilo que sentiu durante o jogo>

2ª pergunta: "A que se deveu todo esse distanciamento, essa introspecção?"

3ª pergunta: "Feita a análise detalhada do jogo, perguntava-lhe se tem todo o apoio de todos para continuar à frente do Sporting. É para os sportinguistas, sobretudo, nós hoje estávamos em direto à tarde e surgiu o presidente do núcleo de Braga, que representa muitos sportinguistas, que queria esclarecimentos, quer saber o que se passa afinal. O Marco Silva vai continuar, não vai continuar, tem o apoio do presidente?"

4ª pergunta: "Mas não me diz que tem o apoio do presidente..."

5ª pergunta: "Foi importante para si aquele apoio à saída do autocarro dos adeptos a gritarem o seu nome?"

6ª pergunta: "Registo apenas que de todos os apoios que disse não referiu a direção..."

7ª pergunta: "Ok, e esta noite deu-lhes uma alegria, o Marco Silva e os jogadores, porque conseguiram uma vitória importante..."

Cinco minutos de entrevista e apenas espaço para uma única pergunta sobre o jogo, já no final, para despachar, porque Rui Vitória já estava à espera ao lado há algum tempo. Com tudo isto, nem uma pergunta para sabermos se o treinador ficou satisfeito com os jogadores, e se com a impressão que ficou considera apostar em breve em algum deles em jogos de maior importância, se achou que a prestação de Tobias Figueiredo foi suficientemente boa para disputar a titularidade com Maurício - eu, como sportinguista, gostaria efetivamente de ouvir o treinador falar sobre isso naquele momento. 

É muito frequente vermos jornalistas nas suas colunas de opinião ou nas redes sociais a criticarem a importância desmedida de fatores extra-futebol, como a discussão exagerada de casos de arbitragem ou o excesso de visibilidade de dirigentes, lamentando a falta de destaque que se dá aos verdadeiros protagonistas (opções e ideias do treinador e a prestação dos jogadores).  Criticam - e bem - os blackouts porque os principais prejudicados são os adeptos, que ficam sem saber as opiniões dos treinadores e jogadores - lá está, os principais protagonistas - sobre o que se passa no clube. 

Sim, concerteza que se impunha que o repórter fizesse perguntas a Marco Silva sobre o problema com o presidente (apesar de os regulamentos dizerem explicitamente que as perguntas de uma flash interview terem que ser sobre o jogo e nada mais), mas deviam ter reservado algum espaço para o jogo e para as conclusões do treinador sobre o que se passou dentro de campo. Foi um excelente exemplo em como à primeira oportunidade os próprios jornalistas se borrifam nos "verdadeiros" protagonistas, preferindo fazer perguntas repetitivas à espera que o entrevistado se descaia e deixe sair algumas palavras de significado dúbio que poderão alimentar horas de aceso debate nos dias seguintes. 

O curioso é que agindo desta forma acabam por entrar em contradição consigo próprios e, indiretamente, dão razão a quem decide impôr blackouts

9 comentários :

  1. Outra vez o mesmo tema? O único tema do Sporting é a cs? A culpa é toda da cs? Num jogo com a equipa b, para uma competição sem interesse (visão sportinguista) com o tema da semana a tudo o que estava relacionado com a possível saída do ms queriam que a cs falasse do jogo? Ou do congresso pelo futuro do futebol? Tinham de perguntar do tema que era pertinente!

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    1. Precisamente, a competição não tem interesse mas o eventual aproveitamento dos jogadores que lá jogaram têm muito interesse. Bastava uma pergunta, o resto podia ser sobre o tema quente do momento.

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  2. Para quem se esqueceu foi o SCP que disse sempre que não ia respeitar a Taça da Liga este ano, agora davam jeito perguntas sobre o jogo? Porque os jornalistas não sabem qual é o único interesse jornalístico no SCP hoje. Muito bem esteve o treinador. Onde é que eu posso também ir lavar o cérebro para me sentir um grande Leão?

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  3. Sacanas dos jornalistas que puseram coisas no café do Bruno e por isso é que ele acordou com vontade de despedir o treinador, telefonou aos recadeiros para começarem a campanha de descredibilização do treinador e agora está a torcer por uma derrota com o Estoril para despedir o treinador. Isto não vai acabar bem e até o troca-figados já veio defender, perante as evidências, que o Bruno e o Marco se podem dar mal mas podemos continuar como se nada fosse.

    A esta gente é que está entregue o Sporting?

    Já agora este blogue também está ao serviço do Bruno e do Quintela, nesta estratégia de constante vitimização? Ou é só para ter mais audiência? Ou ambas?

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    1. Vítor, é o segundo comentário que o meu amigo aqui faz, e pela 2ª vez pergunta-me se estou ao serviço da direção. Fica o registo.

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  4. Nesta "novela" os jornalistas, parecem os menos culpados....e o JE voltou, como novos capítulos da "novela".

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    1. Pedro, os jornalistas não são culpados do que se está a passar, como é evidente. Um abraço.

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  5. Mestre. Eles estão a sair da toca... e mais não digo. Ja dei a minha opiniao sobre este assunto. Prefiro acreditar em quem realmente defende os superiores interesses do Sporting.
    A quem realmente gosta do Sporting. Nao alimentem mais isto... os media estao a fazer o trabalho deles. Com o tempo vamos ver quem é que realmente quer o bem do Sporting.

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