terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O Sporting e o mercado

Não é surpreendente que o Sporting tenha acabado por ter um papel tão pouco ativo na janela de transferências de inverno. Sabendo-se que o rigor financeiro é uma prioridade para esta direção, a liberdade de movimentos estaria diretamente dependente das saídas de jogadores do atual plantel de forma a não comprometer o cumprimento do magro orçamento que temos para esta época.

Neste sentido, a colocação de Capel e Miguel Lopes (jogadores demasiado caros para o contributo desportivo que têm dado) noutros clubes poderiam representar uma folga importante para a folha salarial do Sporting a ponto de se poder ambicionar um empréstimo de um jogador com outros argumentos. Infelizmente isso não foi possível, e o leque de opções de mercado para o Sporting manteve-se demasiado fechado.

Desportivamente, as contratações de janeiro costumam ser mais um salto de fé do que uma aposta totalmente convicta. Quem tem pouco dinheiro para gastar só pode correr atrás de sobras de outros clubes que, por um motivo ou por outro, não se conseguiram impôr na primeira metade da temporada. É bem sabido que transferências no mercado de inverno que transformam positivamente o rendimento de uma equipa - como aquelas que nos trouxeram André Cruz, César Prates e Mbo Mpenza em 2000 - são a exceção e não a regra.

Portanto, entre gastar algum dinheiro num jogador que dificilmente faria a diferença e não gastar de todo, prefiro a segunda opção. Mas é um facto indesmentível que com a saída de Maurício ficamos com menos alternativas no eixo da defesa enquanto Ewerton não estiver recuperado - sendo que a data de regresso é uma incógnita. No ano passado dizia-se que Shikabala precisava de 1 ou 2 meses para ficar apto, mas acabou por ser convocado apenas no último par de jornadas. Esperemos que as coisas corram melhor com o central brasileiro (falo do ponto de vista físico, já que a questão do profissionalismo entre o brasileiro e o egípcio não é de todo equiparável).

Neste momento Paulo Oliveira é incontestavelmente dono de um dos lugares, e Tobias tem tido um rendimento dentro das expetativas para a sua idade. E se houver algum azar pontual (suspensão ou lesão ligeira), Rabia e Sarr até podem chegar para as encomendas (dependendo do adversário que nos calhar nesse momento). No entanto, é preciso termos consciência que a rede de segurança é neste momento demasiado frágil para o caso de surgir uma lesão prolongada ou um abaixamento súbito de forma de algum dos titulares.

Falou-se também na hipótese de contratar outro ponta-de-lança. A meu ver já era uma necessidade discutível quando Slimani abalou para a CAN. O argelino não ficaria ausente assim tantos jogos, e Montero e Tanaka asseguravam profundidade suficiente para a posição nesse período, mesmo tendo características diferentes. E a verdade é que os dois cumpriram plenamente o seu papel, ajudando ativamente ao desempenho 100% vitorioso da equipa enquanto Slimani esteve ao serviço da seleção. E com o regresso de Rúbio deixou de fazer sentido qualquer tipo de investimento nesta posição - seria impossível conseguirmos contratar melhor que uma 3ª ou 4ª opção).

18 comentários :

  1. Relembro que em relação a Miguel Lopes o que vai acabar por acontecer é que o SCP vai deixar terminar o seu contrato, para não ter que pagar nada ao FCP.

    Em relação ao Capel, tenho pena que não o consigam vender. Imagino que seja outro que vai terminar o seu contrato no SCP mas por não ter ninguém que lhe pegue.

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    1. Mike, no caso do Miguel Lopes só seria de considerar um empréstimo. A venda está fora de questão... :) Um abraço.

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    2. Acho que ainda temos que aguentar mais 2 anos de contrato com o homem, não é?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Acho que é até 2018. Vejam só!!!
    Esse negócio com o Porto deve entrar para a história como dos piores negocios de sempre do Sporting.
    O gajo estava em fim de contrato, e ainda vamos dar contrapartidas ao Porto pelo negocio.
    É de facto fantástico!
    E não satisfeitos com isso, ainda lhe dão um contrato ao nivel dos mais bem pagos do plantel.
    Ás vezes penso mesmo, era só incompetência?


    "Em final de contrato com o FC Porto e livre para assinar por qualquer outro clube, Miguel Lopes tem em mãos um contrato no valor de 5,5 milhões de euros (um milhão/época) válido até junho de 2018. Jesualdo Ferreira, que o contratou para o FC Porto, foi decisivo na persuasão do jogador, assegurando-lhe a titularidade e melhores condições para regressar à seleção nacional.
    O salário de Miguel Lopes será praticamente o mesmo de Izmailov, uma vez que Godinho Lopes estabeleceu, aquando da chegada a Alvalade, um teto salarial de 1,2 milhões de euros/ano, na altura tendo como referência o salário de Anderson Polga, que era o mais bem pago do plantel."

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    1. Fico doente de ler isso, J... é verdade que também mandámos um barrete para o Porto, mas as condições em que o fizemos são tão más...

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    2. Mas olha que mesmo para esse "barreto" houve outra decisão de gestão fantástica:
      "Marat Izmailov renovou contrato com o Sporting até 2015, estendendo por mais duas temporadas a ligação com o clube de Alvalade que terminava em 2013"
      :-)

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    3. Isso é um talento incrível do Izmailov. Antes de ser emprestado para o Azerbaijão conseguiu que o Porto lhe renovasse o contrato até ao verão de 2016. :)

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  4. Confesso que tenho alguma apreensão por não se ter ido buscar o central que se impunha, uma raposa velha (um André Cruz II) que entrasse de imediato com o P.Oliveira, agora só os jogadores livres, e aqui lembro-me do Marchena (sim, o que jogou no Carnide), que até há pouco tempo estava sem clube, não sei se essa condição se mantém, mesmo velho (tem uns 35 ou 36) seria uma escolha que iria conferir solidez a uma defesa demasiado verde (sem 2º sentido)

    A dupla que temos tem largo futuro à frente (no SCP e na selecção, que os da A estão a ficar veteranos) e chegará para 80% dos jogos que teremos pela frente esta temporada, mas é demasiado inexperiente, e vai haver mais "casas" provocadas pela falta de manha.

    Abraço

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    1. Antónis, a questão aqui é o equilíbrio entre o dinheiro que há e o impacto imediato do reforço, o que não é nada fácil de conseguir.

      No caso do Marchena, tenho muitas dúvidas. Tem 35 anos e não tem clube desde o verão...

      Mas concordo, ainda haveremos de sofrer grandes arrepios por causa da falta de experiência da nossa defesa. É um calvário que teremos que passar, mas gradualmente as coisas irão melhorar. Espero eu. :)

      Um abraço.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Pois, mas um gajo sem clube não há-de custar um preço que o SCP n possa pagar, e a matreirice que poderia trazer faz muita falta - é que nem o resto da defesa é experiente

      O Marchena tem 35 (fui ver ao zerozero), isso não é problema, basta ver os centrais do campeonato italiano que jogam aos 40 sem problemas, ou o nosso R. Carvalho que deve estar a bater os 37 - estar sem clube desde o verão será problema se não tem estado a trabalhar regularmente, se n tiver lesionado 2 ou 3 jogos na "B" e recuperava o ritmo

      Mas podia ser esse ou outro veterano, esse é sabido ser "batido", estar sem clube e conhece o nosso campeonato.

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    4. Eu sei lá quanto custaria, desde que ouvi dizer que o Ricardo Costa queria 800.000 euros por 5 meses, já não digo nada. :)

      Fora de brincadeiras, percebo a ideia e concordo com ela. 35 anos não é uma certidão de óbito para a carreira de um central. Mais importante que a idade é o nível futebolístico que apresentou nos últimos anos: seria suficiente para uma equipa como a nossa?

      Um abraço.

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    5. Já agora, outra nota: não entendo o ostracismo do Nuno Reis

      É inferior ao Rabia ou ao Sarr? Do que eu vi dos 3, de forma alguma

      Se é preciso um bom central, se há um de qualidade nos quadros, porque carga de agua nunca teve uma oportunidade na equipa principal, quando Sarr se "borra" repetidamente cada vez que entra no 11, e dá "casas" consecutivamente?

      Tenho presente o mundial de sub-20 de há uns anos atrás: belíssimo central, peca apenas por não ser muito alto, mas o que não falta na história são bons centrais com pouca altura (Ayala, Baresi, Cannavaro, o nosso Luisinho, Gamarra, Otamendi,Puyol, etc.)

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  5. Hoje é em dia um clube sem uma defesa sólida muito difícilmente é campeão.A formação das equipas vais de trás para a frente.Um clube com tanta tradição como o Sporting já deveria ter aprendido essa lição .Uma defesa forte faz uma equipa mais forte,uma equipa pode ter os melhores avançados do mundo mas senão tiver uma defesa forte nada ganha.

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    1. Concordo, King Lion. Como se costuma dizer, os ataques ganham jogos e as defesas ganham campeonatos. Um abraço.

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