sexta-feira, 6 de março de 2015

Mais sobre os R&C's: impacto das vendas de jogadores, divida bancária, tesouraria e VMOC's

Já fiz em posts anteriores breves análises aos custos com pessoal e aos proveitos operacionais de Sporting, Benfica e Porto. Vamos falar agora de outras questões importantes que foram reveladas pelos relatórios dos três clubes.


Dependência da venda de jogadores para obtenção de resultados positivos

O equilíbrio das contas dos três clubes varia de caso para caso, mas todos estão dependentes da realização de mais-valias das vendas de jogadores para apresentarem resultados positivos. É preciso lembrar que os valores de transferência que são anunciados não correspondem às mais-valias registadas contabilisticamente. Para quem quiser saber mais sobre como se calculam as mais-valias, ver AQUI.

As vendas reportadas pelos clubes no 1º semestre de 2014/15 foram as seguintes (entre parêntesis o valor da venda correspondente às percentagens de passe detidas pelos clubes):
  • Sporting: Rojo (16,9) e Dier (5); total das vendas: €21,9M; total das mais-valias: €20M
  • Benfica: Enzo (25), Markovic (12,5), Oblak (16), Cardozo (4), Mitrovic (1,2) e Djavan (1); total das vendas: €59,7M; total das mais-valias: €40,7M
  • Porto: Mangala (30,5) e Defour (6); total das vendas: €36,6M; total das mais-valias: €23,4M

Como é conhecido, o impacto da venda de Rojo está dependente da decisão do TAS no processo que nos opõe à Doyen. Isto significa que os resultados anuais ainda podem vir a ser influenciados negativamente por uma eventual decisão desfavorável ao Sporting.


Nota: em virtude da reestruturação financeira, o Sporting apresentou este semestre proveitos financeiros - ligeiramente abaixo dos €4M - que não se repetirão em exercícios futuros. Sem esses proveitos financeiros, o resultado líquido ficaria ligeiramente acima dos €20M.


Evolução do endividamento bancário e obrigacionista



No caso do Sporting, foi incorporada a dívida da SPM (estádio Alvalade XXI) na fusão com a SAD, mas a concretização da reestruturação reduziu significativamente o endividamento do clube - muito à custa das famosas VMOCs (que abordarei mais à frente). Ao contrário do que foi dito na blogosfera benfiquista, a totalidade dos ativos e passivos da SPM foram transferidos para a SAD.

O Porto também passou a considerar o estádio no âmbito do aumento de capital realizado, o que significa que neste semestre foi incluída a dívida bancária referente ao Dragão.

O Benfica demonstra uma tendência de redução da divida bancária - conseguiu-o pelo 2º semestre consecutivo.


Principais riscos

Benfica: o nível de endividamento bancário

Sim, é verdade que o Benfica reduziu em €10M a dívida bancária ao longo dos últimos 12 meses, mas parece pouco considerando as vendas imensas que realizou. Matic, Rodrigo, André Gomes, Garay, Enzo, Cardozo, Markovic, Oblak, Kardec, todos juntos valeram à volta de €150M. É certo que o clube teve que distribuir fatias não negligenciáveis das vendas por outros detentores de passes e comissionistas, mas não deixa de ser preocupante que não se tenha conseguido reduzir mais a dívida aos bancos. Se não o conseguiram ao longo destes 12 meses, quando o irão conseguir?


Porto: a gestão de tesouraria

Com um nível salarial elevadíssimo, com empréstimos bancários a vencer, e com um nível de aquisições de passe assinalável, o grande problema imediato do Porto será gerir a sua tesouraria de forma a não faltarem a nenhum compromisso. Se com os bancos é previsível que não venham a existir problemas - estendem-se os prazos dos empréstimos -, com os jogadores e clubes a margem é bem mais reduzida.

Em salários já se sabe que haverá pelo menos mais €36M para pagar ao longo do 2º semestre. Em relação ao valor a pagar e a receber pelas compras e vendas realizadas, vemos que a curto prazo (1 ano), o Porto tem...


... mais de €45M a pagar...


... e apenas €18,5M a receber.

Não será surpreendente se o Porto chegar a acordo de venda de alguns jogadores ainda com a época a decorrer. E em função destas necessidades evidentes, certamente que a sua posição negocial fica enfraquecida - os potenciais compradores estarão cientes da obrigação que o Porto tem em vender.

A outra questão tem a ver com o enorme desequilíbrio das contas operacionais. O Porto certamente que conseguirá resultados positivos graças à participação na Champions e às vendas de Danilo, Jackson, Mangala e Defour. E para o ano? Quem terão para realizar tamanhos encaixes, considerando que Oliver, Tello e Casemiro não são pertença do Porto e Brahimi é 80% da Doyen?


Sporting: as VMOC's

Já se sabia que o Sporting tinha conseguido corrigir o défice crónico anual que o colocou na delicada situação em que se encontra, e agora o panorama das contas do Sporting passou a ser bem mais desanuviado com a concretização da reestruturação financeira. Os capitais próprios (altamente negativos) voltaram ao verde, graças ao aumento de capital e à redução drástica do nível de endividamento.

No entanto, o aumento de capital e a redução do passivo devem-se sobretudo a uma operação que tem sido muito falada nos últimos tempos: a emissão de VMOC's.

As VMOC's, na prática, são uma espécie de conversão de dívida em capital social do clube com efeitos retardados. Ou seja, os bancos "perdoaram" €80M dos empréstimos que o Sporting tinha contraído, em troca de €80M de ações da SAD, sendo que essas ações só serão emitidas daqui a 12 anos. O Sporting já tinha VMOC's no valor total de €47M, ou seja, passa agora a ter €127M. Destes €127M, o Sporting só tem opção de compra de €44M.

Isto significa que, mesmo comprando os €44M dessas VMOC's, o Sporting (clube) deixará de ser acionista maioritário da SAD, o que é um cenário obviamente assustador. 

Apesar disso, não há nada que invalide que até 2026 (ano em que essas VMOC's serão convertidas em ações) não possam haver operações ou acordos no sentido de impedir que o clube perca a maioria da SAD. De qualquer forma, isso implicará sempre uma enorme disciplina orçamental e um percurso de sucesso crescente.

De qualquer forma, mesmo no pior cenário, o clube terá sempre controlo dos destinos da SAD. Isto devido a um pormaior muito importante: as categorias de ações.

Conforme está escrito no R&C, as VMOC's serão convertíveis em ações de categoria B:


Existem dois tipos de ações com direito a voto nas assembleias gerais da SAD do Sporting: as ações de categoria A e as ações de categoria B. Sobre as diferentes categorias de ações, os estatutos da SAD estabelecem o seguinte:


Artigo 6º (Categoria de acções)

1. As acções da sociedade são de duas categorias, a categoria A e a categoria B,possuindo as acções da categoria A os privilégios consignados na lei e nos presentesestatutos e sendo as da categoria B acções ordinárias.

2. São acções de categoria A as subscritas directamente pelo Sporting Clube de Portugale enquanto se mantiverem na sua titularidade; são acções de categoria B as restantes.

Artigo 7º(Direito de preferência nos aumentos de capital ) 

1. Nos aumentos de capital, a preferência que seja exercida pelo Sporting Clube dePortugal será satisfeita por acções da categoria A e a que seja exercida por outrasaccionistas por acções da categoria B, sendo igualmente de categoria B aquelas queforem subscritas fora do exercício de direito de preferência dos accionistas


Os artigos 6º e 7º significam que só o Sporting pode ter ações de categoria A. Continuemos:


Artigo 12º(Quórum de funcionamento das AG's) 

A Assembleia Geral não pode, em qualquer caso, funcionar nem deliberar, em primeiraconvocação, sem que esteja representada a totalidade das acções da categoria A.


O artigo 12º estabelece que não se podem realizar Assembleias Gerais da SAD sem que o Sporting (clube) esteja presente.


Artigo 13º(Limitação de contagem dos votos nas AG's) 

1. Não serão contados os votos emitidos por um accionista, por si ou através derepresentante, e correspondentes a acções da categoria B, que:a) excedam dez por cento da totalidade dos votos correspondentes às acções dacategoria B;


O artigo 13º limita os direitos de votos de acionistas com ações de categoria B até um máximo de 10%.


Artigo 14º(Deliberações das AG's) 

2. É necessária a unanimidade dos votos estatutariamente correspondentes às acções dacategoria A para se considerarem aprovadas as deliberações da Assembleia Geral,reunida em primeira ou segunda convocação, sobre as seguintes matérias: 
a) alienação ou oneração, a qualquer título, de bens que integrem o patrimónioimobiliário da sociedade; 
b) criação de novas categorias de acções; 
c) cisão, fusão, transformação ou dissolução da sociedade, aumento ou reduçãodo capital social, outras alterações dos estatutos e supressão ou limitação dodireito de preferência dos accionistas; 
(...)
e) eleição de membros dos órgãos sociais, salvo o disposto no nº 8 do Artº 392ºdo Código das Sociedades Comerciais; 
f) emissão de obrigações ou outros valores mobiliários, ou autorização para amesma, remição de acções preferenciais e amortização de acções; 


E finalmente, o artigo 14º, que diz que o Sporting (clube) tem poder de veto sobre todas as deliberações da SAD que envolvam alienação de património, aumentos de capital, criação de novas categorias de ações, e - o mais importante - a eleição dos órgãos sociais do clube (Direção, Conselho Fiscal e mesa de AG). A única coisa que o Sporting não pode impedir é que acionistas com mais de 10% tenham assento na Administração da SAD (o tal nº 8 do Artº 392º do CSC referido na alínea e).

Isto significa que o Sporting (clube) poderá fazer tudo aquilo que lhe aprouver sem considerar a opinião dos restantes acionistas? Claro que não. Terá sempre que haver diálogo entre as partes em situações de desacordo. No limite, os outros acionistas poderão conseguir bloquear determinadas decisões que possam dificultar o governo do clube. E para todos os efeitos, os bancos (que serão os principais acionistas de categoria B após o vencimento das VMOC's) têm sempre o poder de abrir ou fechar a torneira do dinheiro que permite que o clube continue a funcionar sem sobressaltos. 

É por isso fundamental manter o rumo responsável e competente dos últimos dois anos. Havendo sabedoria nas direções do Sporting ao longo dos próximos mandatos, será sempre o clube que estará no controlo dos destinos da SAD - com ou sem a maioria de capital. 

44 comentários :

  1. Boas,

    Apenas 2 reparos:

    E o beneficio que é dado ao SCP ao nível das taxas de juro de cerca de 10M/Ano face a SLB e fcp?

    Considerar a totalidade da verba da venda do Rojo para o SCP...

    sem estes 2 pormaiores, infelizmente, o SCP não conseguiria cumprir as regras do fair-play financeiro...

    Abraço

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    1. João, obrigado pela chamada de atenção do Rojo. Tinha a intenção de fazer referência, mas no meio de tanta coisa acabei por me esquecer. Já acrescentei a devida ressalva.

      Quanto aos juros, as coisas são o que são. Faz parte do acordo que o Sporting tem com a banca e é com isso que se tem que contar. É algo que dá uma vantagem ao Sporting, é claro. Também a Sagres quando decidiu fazer um contrato de longa duração com o Benfica e não renovar com o Sporting beneficiou um em desfavor do outro. Não vale a pena fazer contas ao que seria se a decisão tivesse sido outra.

      Um abraço.

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    2. É apresentarem uma reestruturação parecida à do Sporting aos credores e além desse benefício de 10M€/ano de juros (como chegou a este valor?) possivelmente ainda conseguem também o "benefício" de ter de reduzir os custos com pessoal para metade e proceder a despedimentos, ter que cumprir tectos salariais bem mais baixos, acolher um administrador delegado pela banca na SAD, etc.

      Estou curioso se também contempla como benefícios a isenção de taxas e construções ilegais patrocinados pela Câmara do Costa, o acordo com a mesma Câmara que lhes valeu 65M€ no âmbito do euro2004 ou o não cumprimento das contrapartidas acordadas com a Câmara do Seixal?
      Também considera benefícios um certo Clube ter o usofruto de um centro de estágios por pouco mais de 35.000€/ano ou explorar umas piscinas olímpicas por pouco mais de 2.000€/mês?

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    3. Caro,

      A taxa de juro reflecte uma exposição ao risco por parte da instituição bancária. Essa taxa de juro vantajosa ao Sporting surge DEPOIS da reestruturação definida e em prática. Ou seja, há um comprometimento do Sporting em cumprir as suas obrigações, entre outras reduzindo os encargos com pessoal e limitando os orçamentos para as suas equipas.

      Assim, os bancos sentem-se mais seguros a emprestar dinheiro a uma taxa de juro que reflecte esse risco diminuído. O João chama-lhe beneficio. Sim. Mas não foi a custo zero para o Sporting.

      Cabe ao Benfica e Porto fazer o mesmo. Apresentar e negociar um plano com os bancos de forma a assegurar dentro das possibilidades que o risco de não receber o dinheiro de volta é menor do que o actual.

      Se quisermos resumir: neste momento as taxas de juro diferentes praticadas nos 3 grandes reflecte a sua disciplina orçamental.

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    4. af, boa explicação quanto ao valor das taxas praticadas

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    5. O AF deu uma explicação simples e clara sobre a razão das taxas de juro serem mais baixas para o Sporting face aos seus rivais, mas que a maioria dos benfiquistas parece não querer perceber.

      Temos taxas de juro mais baixas porque estamos a cumprir o plano delineado pela restruturação financeira acordada com a banca e que nos impede de ter investimentos idênticos aos dos rivais.
      São disso exemplo os valores de aquisições de jogadores, na ordem dos 3 a 3,5 vezes menos e o pagamento de ordenados/custos com pessoal, também na ordem dos 2,5 a 3 vezes menos.

      A taxa de juro mais baixo significa menos armas para poder lutar contra os nossos rivais.
      Mas se o Orelhas tem tanta inveja das nossas taxas de juro, porque não experimenta ele fazer igual e renegociar?

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  2. Parece-me um pouco ilógico ou poderei eu ser inocente relativamente à política levada a cabo pelos bancos na questão dos juros.

    Quer-se dizer a taxa de juro de um empréstimo contraído num banco varia em função do risco,sendo o risco maior terá igualmente uma taxa de juro maior,sendo uma empresa em boa situação financeira então a taxa de juro será menor.

    Quer-se dizer então se uma empresa está numa situação financeira não ideal o banco cobra-lhe uma taxa de juro maior,não estará neste caso a contribuir para um maior asfixiamento da empresa em termos de capitais?,o banco não estará desta forma a contribuir para uma situação de incumprimento da empresa ?.O que ganha a banca com a possivel falência da empresa ?.

    Se alguém tiver um bocado de tempo poderá explicar-me esta situação que a sempre vi como "misteriosa".

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    1. King Lion, costuma-se dizer o seguinte: se deves 100.000€ a um banco e não tens como pagar, tens um problema; se deves um 100.000.000€ a um banco e não tens como pagar, então o banco tem um problema.

      O Sporting esteve muito próximo da falência. Se os bancos não abdicassem dos juros, o Sporting não conseguiria cumprir as suas obrigações e fecharia portas. Os bancos, perante a perspetiva de nada receberem ou de receberem menos, optaram pelo mal menor...

      Um abraço.

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  3. João Laranjeira

    Vai falar com a Nelinha Ferreira Leite que ela explica-te as questões dos benefícios !...

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    1. Ou com a EPUL no caso do estádio.

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    2. Bem, a EPUL já não existe. Agora é a CML que faz as poucas vergonhas.

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    3. Apenas referi elementos no post...

      Quando for a altura da construção do pavilhão e o SCP, e bem, pedir as mesmas isenções que o Glorioso está a pedir agora, com o mesmo argumento de ambos serem Instituições de Utilidade Pública, passarei por cá para saber se mantêm as mesmas opiniões...

      um abraço

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    4. Que fique registado que não fiz nenhum post sobre o pedido de isenção do Benfica à CML. Infelizmente temos os políticos que temos, os clubes limitam-se a explorar a falta de espinha deles.

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    5. MC,

      De acordo! Na minha opinião ambos os clubes dão um grande contributo para o País na promoção da actividade física da população em geral e dos jovens em particular. Não apenas os escalões de competição! Pelo que não me choca, que tenham alguns benefícios por parte da administração local ou central! O cidadão comum não tem estas benecesses, mas também não dá à sociedade o que estes Clubes dão! Como é óbvio o centro dos corruptos não entra nestes parâmetros! Abraço

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    6. A isencao desse imposto de que falam esta previsto na legislacao para edificios de utilidade publica e nessa perspectiva faz sentido o benfica ter a isencao, como o Sporting, quando ela chegar tambem a ter. Nao e nenhum "Favor".

      Agora o que se passou no seixal, o dinheiro que veio para o benfica na altura do euro 2004 e que nao foi igual ao que veio para o sporting, alias tenho ideia de que o benfica inicialmente tinha que pagar de pagar umas verbas valentes ccom os acessos e que depois acabou por nao pagar, fui eu e os constribuintes todos.

      Ja agora o comportamente da CML para com o sporting foi lastimavel, nao so nao nos queria pagar, tivemos de ir para tribunal, andamos a pagar juros sobre o montante que tivemos de pedir aos bancos e que, acho, nao fomos ressarcidos ...

      e acho que ha muito mais coisas...

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    7. Creio que os clubes que têm o estatuto de utilidade pública têm isenção sobre determinados tipos de construção - nomeadamente para a prática desportiva. A questão é que os valores em causa em que o Benfica pretende ter isenção referem-se também a espaços comerciais, como o museu, o edifício da Mediamarkt, um restaurante, etc..

      Ou seja, não é suposto haver isenção para esse tipo de superfícies.

      Existem muitas histórias mal contadas. A do centro do Olival é um caso gritante. Não conheço os pormenores do centro de estágios do Seixal para ter uma opinião formada, e honestamente desconheço o passado do Sporting em relação a episódios semelhantes.

      Gostava mesmo é que num país em que há crianças que vão para a escola sem comer nada, que não se andasse a perdoar coisas destas a clubes - independentemente de quais sejam. Os lucros dos clubes de futebol não têm que ser uma prioridade para o país, só para que os políticos possam ter o endorsement dos presidentes dos clubes na véspera das eleições.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. MdC

    "O artigo 12º significa que não se pode tomar decisões em Assembleias Gerais da SAD em que o Sporting (clube) esteja presente."

    Penso que há um pormaior que falta corrigir MdC : em vez de "em que o Sporting (clube) esteja presente " , será (sem )que o Sporting(clube) esteja presente",neste caso a falta de um S faz muita,mas mesmo muita diferença.

    Abraço

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    1. Obrigado, King Lion, é isso mesmo! A diferença que uma letrinha faz... :) Um abraço.

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  6. Mestre, mais um bom post e principalmente uma boa exposição deste tema que é sempre muito delicado. Os meus parabéns.
    Só queria acrescentar 2 notas que não fazendo parte, nem têm que fazer, do relatório de contas, vão ter muita importância num futuro próximo nas contas da SAD. A primeira é que foram adquiridas percentagens totais dos passes de muitos jogadores que pertenciam a fundos, hoje temos jogadores que pertencem 100% ao Sporting, ou seja, no caso de serem vendidos vamos encaixar 100% do valor transacionado. Deixamos de comprar jogadores sem participação de fundos, com certeza que vamos tirar proveitos com estás compras nos próximos relatórios de contas. A segunda nota, diz respeito ás despesas do clube, mais também penso ser importante mencionar, pois indiretamente também afetam as contas da SAD, e que é o facto de podemos contar a partir de época 2015/2016 com o nosso pavilhão, deixando de pagar despesas de deslocações e alugueres de pavilhões de todas as modalidades e escalões que necessitam de um pavilhão para treinar e jogar.

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    1. Carlos, em relação a essas 2 notas:

      1. Sem dúvida. O facto de o Sporting estar a recuperar parcelas de passes significativas é significativa para a sua sustentabilidade futura. Curiosamente o Porto está a caminhar no sentido inverso, valorizando jogadores que não são seus e dos quais não irá tirar proveitos futuros em vendas - que tem sido a principal fonte de receitas nos últimos anos.

      2. A questão do pavilhão é mais importante do ponto de vista desportivo do que financeiro. Como vantagens financeiras, teremos certamente assistências superiores e patrocínios adicionais. Mas como desvantagem, há os custos de manutenção do pavilhão. Se as vantagens e desvantagens se anularem, ou seja, se o pavilhão for auto-sustentável, já seria muito bom.

      Um abraço.

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  7. entretanto a marca já fala que o real Madrid assegurou o Danilo por 20 milhoes

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    1. Gostava de saber qual o valor real que entra para o cofre do clube. Um dia quando abrirem aquele cofre vai ser uma desgraça...falta pouca.

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    2. Riga, e parece que o As fala em 25 milhões. 25 milhões era bem vendido, atendendo a que falta pouco mais de 1 ano para terminar o contrato. 20 milhões é o mínimo aceitável, atendendo ao que Danilo custou...

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    3. Um jogador que custou 16M e que usufruiu no mínimo 3/4 M de ordenados e prémios neste período ser vendido por 20M não me parece grande negócio... Quanto muito chamar-lhe-ei redução de percas...

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    4. Um jogador que custou 16M e que usufruiu no mínimo 3/4 M de ordenados e prémios neste período ser vendido por 20M não me parece grande negócio... Quanto muito chamar-lhe-ei redução de percas...

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    5. António, o problema para o Porto é que o Danilo só tem mais um ano de contrato. Atendendo que foi um jogador muito caro, se não perderem dinheiro já não será mau.

      Mas uma coisa é verdade: o modelo de negócio do Porto não é compatível com vendas deste tipo, sem valorização.

      Um abraço.

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  8. Mdc, mas que contas são estas ? Já vi que que não percebe nada de análise de relatórios de contas. Sabe alguma coisa do Paulinho Cristovão? Estou com saudades dele.

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    1. "Estou com saudades dele" não admira que tenhas problemas ... aproveita agora para recuperar pode ser que saias finalmente da cadeira de rodas :)!

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    2. soberbo, não leias muitas coisas relacionadas com finanças porque ainda corres o risco de queimar o teu último neurónio.

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  9. Isto é serviço publico Sportinguista.

    Obrigado Mestre, mais uma vez.

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  10. Mestre a final este menino voltou atrás e ficou Matheus Pereira renovou até 2020 . Bom jogador!

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  11. Um excelente post. Parece-me que o FCP é quem poderá no futuro próximo vir a ter mais dificuldades de tesouraria. Agora, que o Sporting entrou num rumo sem retorno de saneamento de contas e gestao rigorosa é um facto. E tenho para mim que conseguirá ser competitivo se for consistente na sua política desportiva. Mas calculo que esse será outro post que farás, Mestre - uma antevisao do que poderá ser o plantel do Sporting para 2015-16, com as (aparentemente) inevitáveis saídas de Nani e William (e/ou Carrillo).

    Sobre Matheus Pereira, mais uma excelente notícia para o Sporting. Nao é "bonito" ter que assumir posicoes de forca com jogadores, mas o passado recente desta direccao mostra que esse caminho, afinal... resulta.

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    1. Petinga, sim, tenciono fazer um post desses mas lá mais para a frente. Obrigado e um abraço.

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  12. Ou seja, se percebi bem, o que incialmente me assustou, perda da maioria da SAD, na prática não significa nada, certo?
    Pois , o veto e as acções A, garantem que seja sempre o SCP A mandar, não é ?

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    1. Lourenço, o Sporting neste momento já não tem autonomia total para tomar decisões de livre vontade. O plano de reestruturação obriga-nos a restrições orçamentais e de política desportiva bastante pesadas - a gestão do clube só pode ser feita dentro dos limites que os bancos nos impuseram.

      Se perdermos a maioria das ações, temos meios para garantir que não haverá decisões a serem tomadas sem a concordância do SCP (clube). Mas por outro lado, teremos sempre que o fazer em concordância com os outros acionistas, sob pena de bloqueio da gestão.

      Ou seja, na prática, é aquilo que já vivemos hoje. Não sou um especialista na matéria, mas parece-me que pouco mudaria.

      Um abraço.

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    2. Recorde-se o que se escreveu à época da aprovação da reestruturação financeira pelos sócios em Junho de 2013:

      "Ainda para pagamento da dívida aos bancos, no âmbito da restruturação financeira, o Sporting obteve autorização para emitir 80 milhões de euros de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em acções (VMOC) a favor dos bancos, os quais terão uma maturidade de 12 anos.
      As VMOCS referem-se a dívidas de 24 milhões de euros ao BES e de 56 milhões de euros ao BCP. Se no final destes doze anos o Sporting não pagar a dívida de 80 milhões, as VMOC podem ser convertidas em ações e os bancos ficar com mais de 50 por cento da SAD leonino.
      Para já, e numa altura em que as VMOC de 2011 ameaçavam o controlo da SAD (os bancos podiam a qualquer altura convertê-las em ações e com isso garantir a maioria do capital social), Bruno de Carvalho garantiu que durante doze anos o clube mantém mais de 50 por cento da SAD."

      O acordo diz-nos que o Sporting tem 12 anos (começados em 2013), para resolver este problema de 80 milhões e recomprar as VMOCS para evitar que fique sem a maioria da SAD.

      Na prática, quando chegarmos a 2025, os bancos não vão querer controlar SAD nenhuma, querem é dinheiro, compromisso de pagamento e aí, a menos que tenhamos um Godinho ou algo pior à frente do clube, teremos sempre capacidade para renegociar este tema com os bancos.

      Até lá, é tentar ir reduzindo essa dívida de 80M€.
      Também na prática, trata-se de canalizar 8M€/ano para a recompra das VMOCS nos próximos 10 anos.
      Julgo que só ainda não se terá começado a fazer porque a Direcção, e bem, tratou de readquirir os passes dos jogadores do nosso plantel com o claro objectivo de gerar mais valias na venda de algum elemento do actual plantel.

      SL

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    3. Concordo, José. Os bancos não têm qualquer interesse em ficar com a maioria do capital de um clube de futebol. Terão interesse em negociar. Se por acaso não quiserem negociar, o Sporting tem sempre outra alternativa: antes de as VMOC's vencerem, o Sporting vota um aumento de capital que será inteiramente subscrito pelo clube com o dinheiro que entretanto for acumulado. Mas de certeza que os bancos verão com bons olhos a venda das VMOCs.

      Entretanto, acumular €8M ao ano não será fácil... se o conseguirmos fazer seria um ótimo sinal da recuperação do clube. Um abraço.

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  13. Tenho-te a dizer mestre, que foi das poucas vezes em que me interessei pelo processo financeiro do clube na íntegra. Já tinha ouvido falar das VMOC'S e já tinha essa tal ideia de que eram convertíveis em acções, mas nunca me tinha dado ao trabalho de ler um artigo por inteiro, até porque a maioria deles entra por caminhos demasiado complicados e confusos. Portanto, dou-te os parabéns pelo excelente trabalho em explicares isto de forma tão simples, ao ponto de pessoas como eu (que se interessam mais pelas 4 linhas) lerem e ficarem a perceber o que vai acontecer.

    Obrigado e continua o bom trabalho. Este é de longe o melhor blog que acompanho!

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    1. Obrigado, Jorge. Não sendo um tema que eu domine, procurei informar-me e conversar com outras pessoas que conhecem o tema melhor que eu, e estas foram as conclusões a que cheguei. Fico contente por ter ajudado outros que estavam numa situação semelhante à minha. :) Um abraço.

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    2. Já agora só um esclarecimento, que já tentei perceber em outro Post o Sporting tem Vmoc´s de 130 milhões convertíveis em acções mas a SAD vale 1/3 disto (posso estar redondamente enganado mas foi a informação que consegui encontrar). Como é que isto é possível ?
      Obrigado.

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    3. Tiago, é possível porque chegámos a um ponto em que éramos incapazes de pagar a nossa dívida, ou sequer os juros da dívida. Emitir as VMOCs foi uma forma que se encontrou de viabilizar o clube... Um abraço.

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