terça-feira, 30 de junho de 2015

Morremos na praia

Depois de uma fase de qualificação fantástica e de uma fase final extremamente competente com momentos de brilhantismo, acabámos por morrer na praia caindo novamente nos penáltis - tal como os sub-20 há umas semanas atrás. Fica no entanto a certeza que temos um conjunto de jogadores que poderão ainda dar muito ao futebol português no futuro - alguns deles seguramente já a partir de setembro -, bastando que haja confiança dos clubes para apostarem neles.

Paulo Oliveira, Tiago Ilori, William Carvalho, João Mário e Bernardo Silva podem já ser úteis a Fernando Santos - alguns até podem perfeitamente ser titulares na seleção principal. Será incompreensível se Sá não for titular indiscutível do Marítimo, Sérgio Oliveira merece uma oportunidade séria no Porto e Raphael Guerreiro não ficará no Lorient muito mais tempo. 

Quanto a Sir William, espero que como castigo fique mais uma época em Alvalade, com um aumento salarial considerável, para aprender a marcar penáltis com Adrien, Montero, Jefferson, Tanaka e João Mário.

Força, rapazes!


Um desafio para Rui Pedro Braz

Agora que estamos no defeso, a TVI24 substituiu o programa Contragolpe por outro chamado Mais Transferências, nome que não deixa grandes dúvidas em relação aos temas debatidos: análise das movimentações de mercado de jogadores, sejam elas reais ou virtuais, suportadas em comunicados oficiais ou simples rumores. 

Tratando-se então de um programa de transferências de jogadores, nada como iniciar o debate analisando a transferência de Godinho Lopes do Sócios do Sporting CP para o FC Sócios Expulsos. Justifica-se esta polémica venda do Sporting? Tem a palavra Rui Pedro Braz:


Começou bem. Dar como primeiro exemplo de más decisões de Bruno de Carvalho a venda de Daniel Carriço que, só por acaso, até foi vendido durante o mandato de Godinho Lopes, é um belo cartão de visita para a qualidade da análise que foi preparada e apresentada aos espectadores do programa. 

Depois seguiu para a venda de Arias - jogador que ganhava um salário exageradamente alto para o seu rendimento desportivo, que tinha passado uma época a jogar na II Liga - e não foi Bruno de Carvalho que o colocou no Sporting B, pois foi relegado durante a presidência de Godinho Lopes - e dificilmente poderia ser vendido por valores significativos. Como é evidente, numa época em que o clube foi forçado a cortar custos de forma radical perante o sério risco de ter que ABRIR FALÊNCIA, compreende-se a opção de vender - mesmo que por valores baixos - um jogador com um salário elevado que oferecia poucas garantias de poder devolver um rendimento desportivo proporcional.

E finalmente Shikabala. Este sim, indiscutivelmente um mau negócio de Bruno de Carvalho, que custou... €180.000. Estamos a falar num valor na casa das poucas centenas de milhares de euros, que - todos concordarão - estão um pouco distantes do buraco de €115.000.000 (cento e quinze milhões de Euros) que a gestão de Godinho Lopes ofereceu ao Grupo Sporting graças à sua competência, boa vontade e defesa intransigente dos interesses do clube.

Portanto, por cada Euro desbaratado por Bruno de Carvalho em Shikabala, Godinho Lopes queimou... 639.

Não sei se Rui Pedro Braz é casado, mas sugiro-lhe o seguinte exercício: um dia compre uma televisão LED de marca branca para colocar no quarto no valor de 200 Euros (aproximadamente o equivalente doméstico a 1 Shikabala para uma família de classe média) e avalie a reação da esposa. Se o relacionamento estiver a atravessar uma fase positiva, certamente que se mostrará compreensiva com o investimento. No dia seguinte, vá ao mercado negro comprar uma televisão, um leitor bluray e um sistema de som, tudo topo-de-gama da Bang & Olufsen, e mobília de designers de prestígio a condizer para enquadrar os novos equipamentos, pelo valor total de 127.800 Euros (o equivalente doméstico da gestão de Godinho Lopes). Depois de levar as coisas para casa e instalá-las, apercebe-se que NADA FUNCIONA. Dê a notícia à sua mulher e diga-me como foi a reação...

Condições necessárias para vencer um campeonato segundo Fernando Seara

Falava-se de treinadores no Prolongamento de ontem, quando Sousa Martins pergunta a Fernando Seara se Rui Vitória terá as condições necessárias para conseguir vencer o campeonato.

Vejam a resposta de Seara, e no que se foi lembrar para começar a sua intervenção. E chamo a atenção para os tiques nervosos do representante benfiquista enquanto Dias Ferreira o confrontava pelo que tinha acabado de dizer...


(obrigado, @VeDrIx7!)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Advogado de classe económica

Paulo Gonçalves, advogado do Benfica a tempo inteiro e testemunha da Doyen em part-time, parece tão aziado com a decisão de aprovar o sorteio dos árbitros como na ocasião em que ofereceram um lugar em primeira classe a Bruno de Carvalho e o deixaram a ele na económica...


Nuno Farinha e o ajuste de contas por Bernardo e Derlis

Na noite do sábado passado, algumas horas depois de a seleção sub-21 ter conseguido de forma notável o apuramento para a final do europeu, jogava-se o Brasil - Paraguai para os quartos-de-final da Copa América. Subitamente, o Twitter iluminou-se perante um comentário de um dos subdiretores do jornal Record:


Muito oportuno este tweet de Nuno Farinha, que curiosamente se encontra perfeitamente alinhado com a nova narrativa que a máquina de propaganda benfiquista anda a tentar vender. O mérito do bicampeonato deve-se mais à estrutura do que a Jesus e os jogadores valorizados pelo treinador são afinal uma consequência natural da sua qualidade intrínseca, estando agora na moda os jornalistas relembram-se detalhadamente de todos os jogadores em que Jesus não quis apostar ou que não conseguiu valorizar. Os bons jogadores são contratados graças a um departamento de prospeção de excelência, os maus são indicados por Jorge Jesus.

Bernardo Silva ou Derlis são de facto dois exemplos de talento desperdiçado pelo Benfica, mas será que foi Jesus o único responsável? É verdade ou mentira que Bernardo Silva já era falado para ser vendido em pacote com Cavaleiro e Cancelo em fevereiro de 2014, na sequência da milionária venda de Rodrigo e André Gomes? Será que a estrutura benfiquista teria assim tanta vontade que Jesus apostasse fortemente num jogador que provavelmente já estaria hipotecado? Não há forma de o saber, pelo que não é possível ilibar Jesus desse pecado. Quanto a Derlis...

in Correio da Manhã, 21 de fevereiro de 2015

É certo que se trata do Correio da Manhã, mas é um facto que Derlis nem sequer chegou a ter oportunidade de jogar no Benfica B - foi direto dos juniores do Benfica para o estrangeiro. Será que foi mesmo Jesus a sentenciar a sua saída do clube? Não me parece.

Enfim, não estou a dizer que Jesus é o treinador perfeito. Tem seguramente muitos defeitos, vários dos quais já foram aqui abordados repetidamente, mas será que são assim tantos? Parece-me mais provável estarmos a assistir a um exercício de contorcionismo intelectual de gente que preza mais a construção de uma boa história do que ser coerente com as opiniões dadas no passado.

Não quero dizer com isto que seja proibido a alguém mudar de opinião. Mas uma coisa é corrigir as ideias que temos sobre determinado assunto sem esquecer o que está para trás, outra é passar no espaço de dois meses de isto...

20 de julho de 2014

... para isto:

in Record, 13 de setembro de 2014

Ou seja, no espaço de 50 dias, Talisca passou de uma banalidade indicada por Jesus para uma raridade indicada por gente anónima...

Como é evidente, esta postura de Nuno Farinha perante o novo treinador do Sporting não é um caso isolado - e, é justo dizer-se, no caso de Nuno Farinha é algo que já vem de trás. É normal, atendendo aos anticorpos que a postura de Jesus causa em muitos que lidam mais de perto com ele. Mas basta fazer um zapping diário pelos canais informativos para perceber que algo mudou: malhar no Jesus é hoje uma atividade que saiu finalmente da clandestinidade e pode ser praticada livremente sem medo de quaisquer tipos de represálias.

Deve estar para breve novo discurso sobre a espinha dorsal da seleção

He's back!


Capas que não fizeram história, nº 50: 35 milhões limpinhos

9 de junho de 2015

Há menos de 20 dias, o mundo pintado a cor-de-rosa e azul em que vive o jornal O Jogo acordava com a notícia de que o Porto iria encaixar 35 milhões limpinhos de percentagens de vendas cedidas a terceiros, comissões e outras despesas pela venda do craque Jackson Martinez. Palavras de Henrique Pompeo, empresário do jogador, que assim anunciava a quebra de uma tradição tão portista de pagamento de generosas comissões aos diversos intervenientes no processo de uma transferência - independentemente de serem os compradores ou os vendedores.

Estranhei de imediato estas palavras, pois lembrava-me de que no R&C do final de 2013/14 o Porto anunciou o seguinte: 

Fonte: R&C da Porto, SAD, do exercício de 2013/14

Portanto, ou houve na capa de O Jogo algum erro de interpretação das palavras do agente, ou o jornal anda a tentar enganar o seu público. Nunca vi nenhum agente de jogador que abdicasse das suas comissões ou, pior, de um direito conquistado num processo de renovação que, neste caso, valeria 1,75M.

Relembro que esta capa de O Jogo aconteceu um dia depois de Galliani e Nélio Lucas se terem deslocado ao Porto negociar a transferência de Jackson.

Entretanto o negócio com o Milan abortou. O Porto queria Jackson no Milan, mas aparentemente Jackson não quer ir para Itália, preferindo o Atlético Madrid. Entretanto o Milan contratou Bacca ao Sevilha por 25M, o que significa que essa porta se fechou, deixando o Porto com um problema nas mãos: um jogador publicamente descontente e zero clubes dispostos a bater a cláusula a pronto.

E para compor o ramalhete, no passado sábado o empresário disse as seguintes palavras:

(obrigado @captomente)

Foi um choque para mim, que na minha ingenuidade acreditava que decorria no Porto a era do capitalismo romântico, em que fundos, clubes e agentes vivem para servir o clube de Pinto da Costa - preocupando-se mais com a posição negocial do Porto do que com os seus próprios interesses.

É claro que o spin habitual já começou nos comentários dos nossos experts: Henrique Pompeo é um bandido oportunista que está a tratar mal o clube, que é a vítima no meio desta novela. Aliás, à semelhança do que se diz de Paco Casal, o empresário de Maxi Pereira. O único empresário honesto que existe para a CS portuguesa deve ser mesmo Catió Baldé.

Não sabei que combinações foram feitas entre Jackson e o Porto há um ano, mas lembro-me que Jackson não era obrigado a renovar e poderia sair hoje a custo zero. O Porto baixou-lhe a cláusula de rescisão e deu uma percentagem da venda ao agente, num sinal indicativo de que era o jogador que tinha a vantagem negocial. Duvido que Jackson alguma vez tenha acordado que seria o Porto a escolher-lhe o clube de destino.

Enfim, o que se pode concluir de tudo isto é que a palavra do Papa já não é o que era...


Vindo do homem que convenceu um dia Futre a ir para o Atlético de Madrid com as famosas palavras "O carro é muito bonito, não é Paulinho?" sobre o Porsche amarelo que lhe queriam oferecer, estamos perante mais um bom exemplo de que, definitivamente, o tempo não volta para trás.

domingo, 28 de junho de 2015

Dia de desmistificações

Não pude comparecer na AG mas tenho acompanhado através dos relatos de sócios nos vários espaços sportinguistas e redes sociais. O meu agradecimento em particular ao Lourenço (não sei se é o mesmo Lourenço que comenta aqui) e ao Vasco Mendes, que o têm feito detalhadamente na Tasca do Cherba, e ao Miguel Graça (@felyduw) que, via Twitter, colocou as fotos que estão em baixo.

Estou certo que mais pormenores serão conhecidos amanhã, mas por aquilo que já se sabe não há qualquer dúvida que cai em definitivo o mito da dinastia roquetista. O Sporting foi conduzido durante quase duas décadas por gente que nunca colocou o Sporting no topo das prioridades, e o resultado está à vista:



Quase acabaram com o clube.

Pelo meio ainda houve lugar para uma nova surpresa: uma quebra de contrato da GALP desenterrada pela auditoria que os antigos dirigentes esconderam e que se preparava agora para explodir nas mãos dos dirigentes atuais - e que pode envolver o pagamento de mais de 5 milhões de euros. Pelo que percebi, Fernando Gomes (atual administrador da SAD do Porto e ex-administrador da GALP) está metido ao barulho, bem como um antigo dirigente do próprio Sporting. Será um assunto que certamente será notícia nos próximos dias.

Outro mito que caiu foi o das eleições antecipadas. Ao contrário dos rumores que andaram a circular, o mandato desta direção será para levar até ao fim. Ainda bem que é assim.

Mas outra conclusão que se pode tirar de tudo isto é que nós, os sócios e adeptos sportinguistas, também falhámos ao não fazer o escrutínio que se impunha do trabalho das nossas direções. Presumimos que colocavam os interesses do clube em primeiro lugar, aceitámos tudo sem questionar. Acredito que o movimento que forçou a demissão da direção de Godinho Lopes representou um virar de página no envolvimento dos sócios na vida do clube. Tenho a opinião, com base nas muitas impressões que vou trocando com muitos outros sportinguistas, de que existe de facto uma consciencialização diferente pelos assuntos do clube, bem para lá do que está diretamente relacionado com futebol. Saibamos manter esse espírito crítico para ajudarmos também a direção a manter-se no rumo que defende os melhores interesses do clube. Um escrutínio diário, com memória do passado recente e distante, sem conclusões precipitadas nem preconceitos. Se o fizermos, dificilmente voltaremos a passar por uma situação tão aflitiva como a de 2013.

sábado, 27 de junho de 2015

Auf wiedersehen


Não há palavras que cheguem para descrever o incrível percurso desta equipa. Falta uma vitória para conquistarem o título de maior relevo ao nível de seleções da história do futebol português.

Eu diria que...

... o Mónaco precisa tanto do Ivan Cavaleiro e do Hélder Costa como eu preciso de uma carga de porrada, mas pelos vistos...


... um vai ser já vendido pela chapa-15M do costume e o outro emprestado com aquilo que os especialistas denominam de "Há p'ra lá umas cláusulas" que culminará com a venda em definitivo por 15M em janeiro ou maio de 2016.

Para facilitar a perceção da escala desta transação, podemos dizer que

Ivan Cavaleiro = 1,7 x Guido Carrillo

Sim, falamos do mesmo clube do qual se disse há uns dias que estava disposto a dar uns fabulosos 32M por William e Adrien. 

Siga que não há aqui nada para ver. Lavadinho, lavadinho.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Angelino Ferreira e o estado das finanças do futebol português

Vale a pena ouvir o que Angelino Ferreira, ex-administrador da SAD do Porto para a área financeira, disse ontem sobre o estado das finanças do futebol português - e dos grandes em particular - no Quinta da Bola de ontem.

Deixou também uma curta e interessante explicação sobre o que são verdadeiramente os fundos de investimento - que pode ser que sirva para abrir os olhos a muita gente, visto que são palavras que vêm de uma figura insuspeita em relação ao tema.




Balanço de 2014/15: Bruno de Carvalho



Nota: neste balanço não vou levar em consideração o caso Rojo, já que a decisão de anular os contratos com a Doyen poderá variar entre o genial e o desastroso em função do veredito do TAS. 


Numa pincelada grossa, diria que o ano de Bruno de Carvalho foi tremendamente positivo em questões não diretamente relacionadas com o futebol, mas teve um problema grave no que ao futebol diz respeito.

Começando pelo problema grave: a questão Marco Silva. Não há forma de o presidente sair ileso desta novela: se Marco Silva teve um comportamento dentro dos limites daquilo que é razoável esperar em termos de lealdade com a direção e o clube, então a ação de Bruno de Carvalho seria absolutamente lamentável; se, por outro lado, Marco Silva é culpado de tudo aquilo de que é acusado, então Bruno de Carvalho teria falhado redondamente na avaliação do carácter do treinador com quem se comprometeu para um contrato de quatro anos.

Uma coisa é certa: Bruno de Carvalho parece-me uma pessoa bem mais racional do que aquilo que a comunicação social tenta fazer passar, e não consigo conceber que a rutura com o treinador se tenha devido apenas a uma questão de inveja pela partilha dos holofotes. O que se pode questionar é o método encontrado: optando primeiro por mandar recados através de um comunicado e uns dias depois através de José Eduardo. Uma vez pública a polémica, o resto da época foi um suplício para todos os sportinguistas. Valeu o bom senso de apenas partir para o despedimento no final da época, colocando os objetivos da equipa de futebol ainda em aberto no topo das prioridades.

Já que falamos na comunicação, eis outro problema. Não gostei das críticas públicas à equipa principal e equipa B naquele fim-de-semana trágico das derrotas por 3-0 em Guimarães e por 5-0 na Tapadinha. Não tenho dúvidas de que o conteúdo foi empolado - tentou-se dar um peso excessivo às palavras do post de Facebook -, mas toda a polémica teria sido evitada se a crítica tivesse sido feita em privado. Já agora, a utilização de uma página semipessoal do Facebook como canal de comunicação também me parece estranha, havendo tantos outros meios do clube ao dispor do presidente. A contratação da equipa de assessoria de comunicação pareceu-me bastante positiva e deu frutos visíveis no relacionamento com a comunicação social - utilizando-a também em nosso proveito. Mesmo assim continuaram-se a cometer erros: achei perfeitamente dispensáveis as declarações de Bruno de Carvalho no Estoril Open - não tanto pelo que disse, mais por ter dado um mau exemplo aos jogadores ao aceitar falar aos jornalistas -, bem como a críptica conferência de imprensa realizada a duas semanas do final da época (em que deu também o divertido sermão sobre Belfodil).

Finalmente, para terminar os pontos negativos, é preciso referir o pouco acerto nas contratações do defeso passado. Apenas Paulo Oliveira e Nani pegaram de estaca. Jonathan, Tanaka e Rosell foram úteis a espaços, enquanto que Sarr, Slavchev, Geraldes e Rabia parecem erros de casting. Gauld e Sacko foram contratações a pensar no futuro, pelo que não é justo avaliar pelo que (não) jogaram esta época. E ainda preciso quem me explique a necessidade de contratar Gazela.

É no entanto justo referir que o empréstimo de Nani foi uma jogada tão genial quanto imprevisível, e representou um upgrade significativo à qualidade das soluções à disposição de Marco Silva - para não falar no impacto no moral dos sportinguistas e na venda de gameboxes e camisolas.

Passando agora para assuntos não diretamente ligados ao futebol, o trabalho de Bruno de Carvalho foi, a meu ver, notável.

Começo pela sequência dada ao saneamento das contas do clube: mais um ano em que o orçamento foi cumprido à risca, apresentação de lucros significativos (mesmo que o caso Rojo tenha um desfecho totalmente desfavorável), conclusão do importantíssimo processo de reestruturação financeira, recuperação de uma percentagem significativa de passes de jogadores que estavam na mão da Holdimo ou do Sporting Portugal Fund, e um sucesso absoluto no processo levantado pela UEFA a propósito da infração das regras do Fair Play Financeiro.

Em dois anos e meio conseguiu-se sair de uma situação de pré-falência para uma posição estável e controlada. Para tal foram necessários enormes sacrifícios e um rigor total, mas isso não impediu que se conseguisse melhorar significativamente o desempenho desportivo. Fez-se muito mais com muito menos.

Outro aspeto positivo é que com Bruno de Carvalho sabemos que os interesses do clube são defendidos até às últimas consequências. Esta direção não compra a resolução de problemas com dinheiro a partir do momento que considera que a razão está do seu lado. Foi assim com Bruma, foi assim com a Doyen, foi assim com a Somague, foi assim com Marco Silva. Algumas destas situações não são nada agradáveis de seguir, mas esta direção prefere tomar o caminho que melhor defende o Sporting em vez do mais fácil.

Finalmente, a cruzada contra os fundos. No início a maior parte via em Bruno de Carvalho um Dom Quixote que investia contra moinhos de vento. Ridicularizaram-no. Mas depois veio a entrevista com a BBC. E depois reuniões com altos dirigentes da UEFA. Inesperadamente a UEFA afirma publicamente a necessidade de terminar com os fundos, e consegue forçar a FIFA a tomar uma atitude. Primeiro pensava-se que os fundos seriam proibidos depois de um período de 3 anos, mas a decisão foi categórica e não deu mais de 6 meses para o seu fim. Muitos ficaram chocados. Vimos Jorge Mendes a espumar de raiva ao falar do Sporting. Vimos os fundos a fazerem um seminário ridículo com os seus patéticos aliados, perante a indiferença do universo do futebol. O resto da história é conhecida. A cruzada ainda está longe de terminar, mas já ninguém tira a este Dom Quixote o mérito de ter sido fundamental para a demonstração de que afinal os moinhos de vento eram mesmo um exército de gigantes real que urgia liquidar. O mundo está convencido. Já só falta convencer Portugal.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ondas de festejo

Só recentemente vi os vídeos que os LionHearts fizeram da final da Taça, da série Nós Vamos à Bola. Para quem não conhece, é um grupo de sportinguistas que leva uma câmara para o estádio, filma os jogos, e depois edita num vídeo de duração de cerca de 10 minutos. É um trabalho que resulta muito bem porque passa de forma fiel e genuína aquilo que todos vivemos nas bancadas, sem os especialistas da CS a debitarem opiniões, sem repetições, apenas emoção. Antes faziam-no em todos os jogos em Alvalade (e em alguns fora), agora limitam-se apenas aos mais importantes.

Para o final da Taça fizeram 2 vídeos, um dedicado aos 90 minutos regulamentares, o outro aos penáltis e festejos.

O que achei mais curioso nestes vídeos em particular foi a (não filmagem) do 2-2 de Montero. A câmara está desviada ligeiramente para o lado e acaba por não mostrar o golo a ser marcado. Mas ouve-se bem o ambiente no estádio. E há ali um espaço de poucos décimos de segundo em que se percebem 3 vagas de festejo: o 1º na bancada sul (do lado da baliza onde o golo foi marcado, onde eu estava), depois uma outra vaga (que suponho ser da central) e finalmente all hell breaks loose na bancada norte, onde estavam a maioria dos nossos adeptos.

O facto de as bancadas serem baixas e estarem muito afastadas do campo complicava a quem estava numa superior a tarefa de ver o que se passava na baliza oposta. E fica a sensação que muitos dos que estavam na bancada norte terão percebido que era golo mais pelos festejos da bancada sul e dos jogadores do que por terem visto a bola dentro da baliza...

Enfim, detalhes de um momento de grande felicidade que ainda hoje, quase um mês volvido, continua a mexer comigo.

Se tiverem oportunidade coloquem os auscultadores e vejam a partir dos 11m20s do 1º vídeo que coloquei. O golo é marcado precisamente aos 11m36s.



Balanço de 2014/15: Marco Silva


É complicado escrever sobre a época de Marco Silva. Do ponto de vista puramente desportivo revelou um potencial tremendo: a forma personalizada com que o Sporting jogou contra os adversários mais poderosos que defrontou é um sinal inequívoco que Marco Silva sabe preparar muito bem a sua equipa. Os dois jogos com o Benfica, o jogo em Alvalade com o Porto e no Dragão para a Taça e as excelentes exibições contra o Schalke, Wolfsburgo e Chelsea são prova disso. A única vez em que isso não aconteceu foi na derrota por 3-0 no Dragão, mas ficou a ideia que se deveu mais a quebra física e psicológica dos jogadores após sofrerem o primeiro golo do que por uma abordagem tática deficiente - nos primeiros 30 minutos a resposta da equipa até tinha sido bastante positiva.

No entanto, Marco Silva demonstrou dificuldades no trabalho de focar os jogadores nos jogos do campeonato em períodos de alternância com as competições europeias. Como consequência desperdiçámos demasiados pontos contra equipas mais fracas durante o primeiro terço da competição. Essas falhas acabaram por afastar prematuramente o Sporting da luta pelo título. 

De registar também a irregularidade exibicional da equipa. Na primeira metade da época tivemos oportunidade de assistir a um futebol muito atrativo, mas progressivamente a qualidade das exibições foi decaindo. Na segunda volta a equipa limitou-se a jogar essencialmente pelas faixas, apostando insistentemente nos cruzamentos (mesmo quando Slimani não jogava) e arriscando pouco na construção interior. Como resultado, o futebol passou a ser menos apelativo, se bem que em contrapartida a equipa desperdiçou menos pontos. Parece-me no entanto que a melhoria dos resultados se deveu sobretudo à estabilização da defesa, à melhor forma de William e à falta de compromissos europeus, e menos pela redução dos riscos corridos.

Como ponto alto da época, há que registar o fim do jejum de 7 anos com a conquista da Taça. O percurso não foi imaculado - aquela eliminatória a duas mãos com o Nacional esteve muito perto de terminar num desastre, bem como a paupérrima exibição frente ao Vizela -, mas acabou por ser inteiramente merecido face à magnífica exibição no Dragão e às circunstâncias épicas em que virámos o resultado contra o Braga no Jamor - com muita sorte à mistura, é certo, mas a sorte também se faz por merecer.

O ponto mais negativo do percurso de Marco Silva no Sporting foi mesmo a forma como não se demonstrou solidário com a direção em determinados momentos e a falta de alinhamento com a estratégia do clube. Baseio estas afirmações em factos públicos e comprovados: as suas palavras sobre o afastamento de Rojo e Slimani por questões disciplinares foram totalmente desapropriadas, as indiretas enviadas a Bruno de Carvalho em conferências de imprensa, e a enorme resistência revelada na abertura do plantel aos jogadores da equipa B.

Concluindo: falando exclusivamente no aspeto desportivo, a época foi bastante positiva mas não imaculada, e acredito que se Marco Silva continuasse no Sporting iria evoluir muito - e já na próxima época - em função da experiência ganha ao longo de 2014/15.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Começou a feira dos jogadores semi-usados

Ainda está a pré-época por iniciar, mas já foi dado o pontapé de saída para os empréstimos de jogadores.


Com o Tondela a ser treinado pelo amigo Paneira, é de esperar que os empréstimos de jogadores do Benfica não se fiquem por aqui.

O União da Madeira de Norton de Matos também certamente fará fila para receber alguns dos excedentários do entreposto.

Guimarães e Rio Ave, depois das transações feitas nas últimas semanas, não ficarão a chuchar no dedo.

Isto para além dos já habituais clientes Belenenses e Paços de Ferreira, claro. E o amigo Carlos Pereira seguramente que tentará fazer valer a sua amizade com o presidente para encaminhar alguns craques para o Marítimo.

Lá mais para o Norte podemos esperar o mesmo. As contratações já começaram em força, em particular para as posições do meio-campo: Danilo Pereira, Sérgio Oliveira e André André juntam-se a Evandro, Herrera, Rúben Neves e Quintero e aos regressados excedentários (Izmailov, Carlos Eduardo, Josué, Otávio, Pedro Moreira ou Tiago Rodrigues) e aos muitos produtos da formação que continuam a circular ad eternum por outros clubes. Nas restantes posições não também não faltarão jogadores para colocar (como Ghilas, Abdoulaye, Licá, Kayembe, Quiñones, Caballero, Opare, Varela, Sami, Djalma ou Kleber). 

Agora que já está regulamentado que os emprestados não podem jogar e tendo-se estabelecido um limite absurdamente elevado para a quantidade de jogadores cedidos, isto vai ser uma festa. Teremos 15 clubes que jogarão no máximo da sua força contra 16 adversários e coxo contra 1. Uma bela forma de defender a verdade desportiva. Obrigado, Liga!

Reação ao equipamento alternativo do Porto



Balanço de 2014/15: Avançados



Fredy Montero (**)

Época intermitente em que acabou por conseguir uma média de golos interessante. Confirmou-se que não é homem para ser o ponta-de-lança num sistema de 4-3-3, por gostar de participar demasiado na construção e menos na finalização. Promete encaixar bem melhor num eventual sistema 4-4-2 de Jorge Jesus, onde a sua inteligência e capacidade de remate de meia-distância serão seguramente mais-valias melhor aproveitadas.


Islam Slimani (***)

A época começou da pior forma com a birra que o afastou do onze nas primeiras duas jornadas. Depois de resolvido esse assunto esteve em excelente plano. Podem apontar-lhe vários defeitos, mas mesmo estando numa fase mais desinspirada consegue ser sempre útil à equipa. Um autêntico mouro de trabalho que nunca dá um lance por perdido e desgasta as defesas adversárias, e que está sempre disponível para recuar no apoio à construção e disparar de imediato na direção da área para finalizar. A conquista da Taça de Portugal deveu-se muito à sua raça e vontade. Não fosse a longa lesão contraída na CAN e poderia ter tido números fantásticos.


Junya Tanaka (*)

Tirando aquele golo em Braga, não conseguiu deixar a sua marca. O facto de ter tido uma utilização irregular não ajudou, mas a verdade é que não é o ponta-de-lança (que não é a sua posição, na realidade) de que o Sporting precisa, apesar do seu bom pontapé. Mesmo assim é justo referir que conseguiu uma boa média de golos.


André Carrillo (***)

Ao fim de 3 épocas no Sporting, esta foi a da total afirmação do peruano. Conseguiu finalmente aliar a genialidade à regularidade, e foi confortavelmente o líder das assistências. Se renovar será um enorme reforço para a próxima temporada.


Nani (**)

A sua vinda para o Sporting foi a grande surpresa da época e não demorou muito tempo para corresponder às nossas melhores expetativas. Conseguiu ser o principal desequilibrador da equipa mais pela forma como pensava o jogo do que pela explosividade das ações, elevando claramente o patamar exibicional coletivo para outro nível. Passeou classe até à sua lesão no Bessa. Infelizmente, o Nani que regressou algumas semanas depois não foi o mesmo. Apesar de ter conseguido marcar a diferença em vários jogos, esteve muito longe do brilhantismo que revelou antes. De qualquer forma deixará saudades.

 
Carlos Mané (**)

Apesar de não ter tido a evolução que se esperava do ponto de vista exibicional, Mané teve números muito interessantes (9 golos e 4 assistências). Parece atravessar uma fase de indefinição em relação à posição que deve ocupar em campo, mas justifica que se continue a apostar nele. Teve o seu momento mais alto ao marcar o golo do empate na Choupana, na 1ª mão das meias-finais da Taça, numa altura em que jogávamos em inferioridade numérica, abrindo-nos as portas para as finais. E na final da Taça esteve também em muito bom nível desempenhando um papel mais defensivo.



Diego Capel (*)

Mais uma época dececionante. O salário elevado que aufere aconselha que se encontre outro clube para prosseguir a carreira. 

Heldon (-)

Fez a primeira jornada como titular mas teve uma exibição desastrada que o retirou das opções de Marco Silva. Pode ser um jogador muito útil para equipas que procurem explorar o contra-ataque, mas não encaixa bem em equipas obrigadas a jogar contra adversários muito fechados.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O desespero leva a tristes figuras


in maisfutebol.pt

Pensava que já tinha visto de tudo, mas nunca imaginei que as ligas portuguesa e espanhola tivessem a distinta lata de acusarem quem quer que seja de conflito de interesses. 

Aparentemente estamos a falar do funcionário da Comissão Europeia que colocou a queixa sobre a questão da partilha de passes. Conflito de interesses? Por ter feito um mestrado patrocinado pela UEFA e por ter feito uma tese que enquadra a proibição dos TPO na lei da União Europeia? Pelo menos demonstra que estudou o assunto. O facto de acreditar nos méritos da queixa não é conflito de interesses absolutamente nenhum.

Se me dissessem que era um assalariado da UEFA a julgar o processo ou a produzir a legislação da proibição dos TPO, bem, aí teria que lhes dar razão. Agora, isto é apenas uma associação muito forçada de quem já esgotou todas as outras possibilidades e está nitidamente a entrar em desespero.

Mas já que estamos a falar deste tema, não deixa de ser estranho este prestável ativismo da liga portuguesa. Se a Liga tivesse sido mandatada pelos clubes para apoiar ativamente os fundos, ainda se compreenderia. Mas não é isso que acontece: a Liga está apenas a fazer um frete a Jorge Mendes, Porto e Benfica, sem levar em consideração a opinião de todos os outros clubes que a compõem. Isto para mim representa um conflito de interesses bem mais grave do que aquele que a Liga acusa o funcionário da Comissão Europeia.

Balanço de 2014/15: Médios



William Carvalho (**)

Uma época em crescendo. William desiludiu ao apresentar-se durante a primeira metade da época bastantes furos abaixo das exibições explosivas que protagonizou em 2013/14. Começou de forma péssima com uma expulsão em Coimbra que poderá ter custado dois pontos ao clube, e prosseguiu durante alguns meses a não conseguir pouco mais que exibições desinspiradas. Com o aproximar do final da primeira volta foi elevando o nível e voltou a ser Sir William durante a segunda volta. 


Adrien (**)

Uma época em sentido inverso à de William. Teve uma primeira volta de bom nível, apesar de nunca ter conseguido igual o incrível rendimento que apresentou na época anterior. Nunca foi poupado e acabou por pagar a fatura do esforço no período de Fevereiro / Março. A partir daí Marco Silva geriu a sua utilização com maiores cuidados e foi recuperando a forma. Globalmente uma época positiva.


João Mário (**)

Uma das revelações da época. Entrou ao intervalo do jogo com o Maribor na Eslovénia e não mais largou o lugar. Mesmo jogando mais adiantado daquilo que será a sua posição ideal, ofereceu um dinamismo bastante superior à equipa. Falta-lhe sobretudo remate de meia distância e de maior eficácia a finalizar dentro da área para ser o jogador de que necessitamos para aquela posição.


André Martins (*)

Começou por ser titular mas perdeu o lugar para João Mário e desapareceu durante meses das opções de Marco Silva. No final da época voltou a ser utilizado para fazer descansar Adrien. Fez alguns jogos competentes, mas nenhum que se destacasse a ponto de justificar a reconquista de estatuto de titular.

Uri Rosell (*)

Tapado por William, não conseguiu ser convincente nas oportunidades de que dispôs. É competente nas tarefas defensivas mas pouco útil na construção, pois o seu estilo de recebe e passa curto é muito limitado contra equipas fechadas. Duvido que tenha lugar no plantel da próxima época.

Slavchev (-)

Erro de casting ou caso extremo de inadaptação a um novo país e clube? Ou os dois em simultâneo? O dinheiro que foi gasto na sua contratação impõe que seja novamente incluído no plantel do próximo ano.

Shikabala (-)

Missing in action. Um ponto positivo: o facto de ter optado por desaparecer de Portugal pelo menos poupou-nos a cenas de prima donna ao ficar de fora dos convocados. Por outro lado, expôs de forma inequívoca o enorme tiro ao lado que foi a sua contratação, mesmo tendo apenas custado €180.000.

Ryan Gauld (-)

Oportunidades a menos para aquilo que prometia. Poderia ter sido útil numa ótica de rotatividade em alturas de maior concentração de jogos.

Wallyson Mallmann (-)

Ler o que foi escrito em relação a Ryan Gauld.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Um cheirinho da irresponsabilidade que quase acabou com o Sporting

A propósito da derrapagem orçamental que a construção do Alvalade XXI teve, é isto que Rui Oliveira e Costa tem a dizer:


"75%? Só o CCB foi o dobro. Obras de Câmaras Municipais acima de 100% é mato."

É inconcebível que ainda existam sportinguistas que falem com este nível de leviandade dos muitos milhões de euros que foram esbanjados ao longo das últimas décadas pelo clube, ou que desculpabilizem uma derrapagem de 75% na construção de uma infraestrutura tão dispendiosa como o estádio (ou na realidade, do quer que seja) com o facto de que nas obras públicas ser "normal" registarem-se desvios ainda superiores.

Rui Oliveira e Costa não é responsável pelo que se passou, mas pelo histórico das suas opiniões, relacionamentos e estilo, podemos identificar na sua figura muito daquilo que foi o dirigismo do Sporting desde a formação da SAD até ao mandato de Godinho Lopes. Uma preocupação excessiva com o saber estar que contrasta com a total falta de rigor e exigência de quem sempre se recusou a descer do pedestal para defender os interesses do Sporting Clube de Portugal. Os resultados deste desleixo são conhecidos e por pouco que não condenaram o Sporting a um destino idêntico ao do Parma, que há poucas horas declarou falência e irá competir na próxima época nos escalões amadores.

Decisões como a que foi tomada relativamente à Somague e à construção do pavilhão merecerão sempre o meu apoio. Os interesses do Sporting têm que ser defendidos contra quem quer aproveitar-se para enriquecer à nossa conta. Parcerias sim, relações cliente-fornecedor sim, parasitismos nem pensar. O argumento de que é assim em todo o lado não é desculpa para nada. Infelizmente foi por isso que o país acabou no atual estado de dependência externa. 

Os orçamentos são para se cumprir, ponto. E não é demais elogiar a atual direção pela forma rigorosa como tem gerido o clube desde que tomou posse. Se a classe política que liderou o país nas últimas décadas fosse tão rigorosa como a equipa de Bruno de Carvalho seguramente que o país estaria numa situação bem melhor do que aquela em que se encontra hoje.

Sugestão para o próximo conselho de presidentes da Liga

Com tantos estádios às moscas, que tal a Liga contratar a TVI24 para tomar conta das instalações sonoras dos estádios para tentar criar um ambiente mais entusiasta à volta do campo?

Vejam bem o trabalhinho que fizeram no resumo do Portugal - Itália de ontem, em comparação com os incompetentes da RTP que deixaram ficar o som ambiente verdadeiro...


Já agora, para quem não viu o jogo, aqui fica o resumo com o bónus de um empolgante público virtual que entoava cânticos e vibrava com as oportunidades de golo das duas equipas.




Balanço de 2014/15: GRs e Defesas



Rui Patrício (***)

Mais uma época em grande. Apesar de um outro ou momento infeliz (no qual se destaca o jogo de Belém), foi um ano recheado de exibições fantásticas. O seu ponto fraco continuam a ser as hesitações nos cruzamentos, mas em contrapartida provou vezes sem conta ser dos melhores do mundo em situações de um contra um. O início de época foi tremendo, destacando-se a exibição de antologia em Alvalade com o Chelsea, o penálti defendido no Dragão para a Taça e, claro, a épica série de penáltis na final da Taça em que se transformou numa espécie de Adamastor para os jogadores do Braga, mesmo coxeando.


Marcelo Boeck (*)

Mais um ano ingrato para o suplente de um dos guarda-redes mais disponíveis do campeonato português. Fez 8 jogos (o da última jornada do campeonato, 3 da Taça de Portugal e 4 da Taça da Liga). Infelizmente o seu jogo mais marcante da época acaba por ser a noite insegura na eliminatória da Taça de Portugal contra o Vizela. A avaliar pela contratação de um guarda-redes esloveno, parece aproximar-se do fim a passagem de Marcelo pelo Sporting.

Cédric (**)

Se do ponto de vista defensivo continuou a evolução que já tinha registado com Leonardo Jardim, pareceu regredir do ponto de vista ofensivo. Menos desequilibrador e acima de tudo muito mais ineficiente nos cruzamentos, que já foram a sua imagem de marca. Época regular que felizmente não ficou marcada de forma negativa pela prematura expulsão na final da Taça.

Miguel Lopes (**)

Foi provavelmente o suplente perfeito. Merece respeito por ter abdicado de parte do vencimento para ser integrado no plantel principal. Esperou pela sua oportunidade e quando a teve agarrou-a com unhas e dentes, fazendo exibições bastante positivas, destacando-se a magnífica exibição em casa contra o Guimarães em que participou ativamente em 3 dos 4 golos. Diferenciou-se de Cédric pela forma como explora o espaço interior para causar desequilíbrios, tornando-se mais imprevisível para os adversários.

Jefferson (**)

À semelhança do que aconteceu em 2013/14, foi mais uma época de altos e baixos. Começou muito mal, chegando inclusivamente a perder a titularidade para Jonathan. Pareceu espicaçado e voltou em grande nível, tornando-se num dos principais municiadores dos pontas-de-lança. Borrou completamente a pintura ao ter o episódio de indisciplina com Bruno de Carvalho. O final da época foi algo penoso em virtude do desgaste acumulado.


Jonathan (*)

Época irregular. Começou da melhor forma possível. Estreou-se em Barcelos com uma vitória por 4-0 e na jornada seguinte ao fim de 2 minutos no seu primeiro jogo em Alvalade já tinha marcado um golo ao Porto. Infelizmente o seu nível exibicional decresceu com o tempo, ao qual não terá sido alheio o facto de ter participado em ambas as (pesadas) derrotas para o campeonato - acabando por ser um dos sacrificados pelo treinador nas duas ocasiões. Jogador raçudo que se sente muito confortável em zonas mais interiores, promete explodir na próxima época. Há que lembrar que tem apenas 20 anos.


Ricardo Esgaio (*)

Inesperadamente foi titular logo na 3ª jornada na Luz devido à lesão de Cédric e manteve-se no onze a na jornada seguinte. Apesar dos dois empates, Esgaio cumpriu. Teve mais tarde um desafio de fogo contra o Chelsea e aí as coisas não lhe correram bem, provocando um penálti logo a abrir. No entanto, há que dizer que Marco Silva não lhe facilitou a vida: podia perfeitamente tê-lo lançado na partida anterior com o Boavista para ganhar ritmo e entrosamento com os colegas. No mercado de inverno foi emprestado à Académica.

Maurício (*)

Depois de uma época em que surpreendeu positivamente (não esquecer que vinha da segunda divisão), esperava-se que fosse o esteio da defesa após a saída de Rojo. Puro engano. Pareceu acusar em demasia a responsabilidade e acabou por contribuir para a instabilidade defensiva da equipa com erros em excesso. A Liga dos Campeões correu-lhe de forma desastrosa: fez a rosca que esteve na origem do empate dos eslovenos ao cair do pano, saiu ensanguentado em casa com o Chelsea após choque violento com Diego Costa, e foi expulso de forma completamente desnecessária pouco depois dos 30 minutos em Gelsenkirchen numa altura em que ganhávamos por 1-0. Transferido no mercado de inverno para a Lazio.

Sarr (*)

Inesperadamente, em virtude de uma série de acontecimentos encadeados, acabou por ser titular logo no princípio da época. Numa fase inicial não comprometeu mas rapidamente os erros começaram a acumular-se. Sei que ainda é novo mas tenho muitas dúvidas que alguma vez possa vir a ser jogador para o Sporting. Tecnicamente não me parece dos piores, mas tem quebras de concentração inexplicáveis e não consegue fazer uso do seu 1m96 e 90 Kgs para se impor perante os adversários - nem sequer no jogo aéreo.

Paulo Oliveira (***)

Depois de uma pré-época dececionante parecia condenado a ser 5ª opção - ou seja, provavelmente nem teria ficado no plantel caso Rojo e Dier se tivessem mantido no Sporting. Mas as mexidas aconteceram e acabou por ficar como 3ª opção atrás de Maurício e Sarr. Teve um primeiro teste de fogo ao entrar contra o Chelsea a substituir o lesionado Maurício e surpreendeu pela positiva. A mim convenceu-me nesse momento e a Marco Silva também, porque a partir daí Paulo Oliveira passou a ser titular e de semana a semana foi solidificando o seu estatuto até ser absolutamente indiscutível. Chegou também à seleção A e está a fazer para já uma prova extraordinária no Europeu Sub-21. Não parece, mas Paulo Oliveira tem apenas 23 anos.

Tobias Figueiredo (**)

Depois de uma primeira metade de época errática na equipa B, teve a sua oportunidade quando Maurício saiu para a Lazio e Marco Silva se viu sem outras opções credíveis para o centro da defesa. Mas Tobias fez por merecer essa oportunidade. Fez uma exibição imperial na Taça da Liga em Guimarães e foi logo de seguida titular em Espinho para a Taça de Portugal. Passou a ser titular na 17ª jornada e convenceu tudo e todos ao entender-se de forma perfeita com Paulo Oliveira. Não tremeu perante adversários de enorme dificuldade como o Benfica ou o Wolfsburgo. Teve uma exibição infeliz no Dragão e pareceu ressentir-se disso, já que a partir daí a segurança já não foi a mesma e cometeu vários deslizes - incluindo dois que lhe valeram o cartão vermelho direto ainda na primeira parte. Perdeu a titularidade para Ewerton. Para 2015/16: 3º central (onde seguramente terá oportunidade de fazer mais de 20 jogos) ou roda noutra equipa da I Liga? Eis a questão.

Ewerton (***)

Um caso paradigmático do que é chegar, ver e vencer. Chegou em janeiro vindo de uma lesão prolongada e sem ritmo de jogo. Teve a sua oportunidade ao entrar para tapar o lugar do expulso Tobias, com o Penafiel, e não mais largou o lugar. É um central muito completo, mas impressiona sobretudo pela serenidade e pela capacidade de jogo aéreo. Seguramente que não há ninguém que pense que o €1,5M da cláusula de opção de compra a pagar ao Anzhi será dinheiro mal gasto.

Rabia (-)

Chegou tarde e lesionado, o que não terá ajudado nada à sua adaptação. Só em novembro começou a jogar, e não convenceu nem na equipa B nem na Taça da Liga, cometendo muitos erros. Mais para o final da época começou a jogar com mais regularidade e a ter prestações mais interessantes. Se isso será suficiente para fazer parte do plantel principal, não sei.

André Geraldes (-)

Uma contratação que pareceu um equívoco. A pré-temporada correu-lhe mal e acabou por ser aposta apenas na Taça da Liga - e sempre como defesa esquerdo, que não é a sua melhor posição. Mesmo assim fez um excelente jogo em Guimarães, colocando a dúvida se não mereceria mais oportunidades. Não me parece que fique connosco na próxima época.

domingo, 21 de junho de 2015

A verdadeira história

Sei que não sou ninguém para estar a ensinar os jornalistas a fazer o seu trabalho. Tratam-se de pessoas que andaram anos a estudar em cursos de comunicação social, que desde que iniciaram a sua carreira profissional convivem numa base diária com colegas mais experientes que, por sua vez, beberam da sabedoria daqueles que os antecederam, e como tal conselhos vindos de um indivíduo como eu valem zero.

Mas depois de ter lido ontem estas notícias do Maisfutebol e O Jogo - e em particular as partes marcadas a amarelo...


(obrigado, Sar)

... espero sinceramente que não deixem de ir atrás das respostas das importantes perguntas que se levantam:

Que fundo de investimento é esse?

Quem são as pessoas que estão por trás desse fundo?

Quando foram vendidos esses 70% ao fundo? Antes ou depois da proibição de partilhas de passes de jogadores? A avaliar pelas notícias que têm sido divulgadas ao longo das últimas semanas, parece ter sido depois.

Enquanto interessado na novela da transferência de Danilo e dos múltiplos twists and turns que já aconteceram, não me chega que escrevam en passant algo que revela a existência de um fundo a agir como se a proibição dos TPO não existisse. A história deixou de ser sobre onde irá Danilo jogar na próxima época, mas sim sobre quem está envolvido nesta transferência. Pormenores precisam-se.

sábado, 20 de junho de 2015

Sorteio de árbitros, limitação de empréstimos, redução da II Liga e o relvado do Boavista

Várias decisões de relevo foram tomadas ontem no conselho de presidentes da Liga, aqui ficam algumas observações sobre quatro delas:

Sorteio dos árbitros

A partir do momento em que um Conselho de Arbitragem nomeia um árbitro que está em último lugar na classificado para a final da Taça de Portugal, está tudo dito em relação à competência (ou boa-fé) da equipa de Vítor Pereira. O problema é que as nomeações polémicas não terminariam com o afastamento de Vítor Pereira e dos restantes elementos do CA. Rapidamente seriam colocados nos seus lugares outros dirigentes demasiado prestáveis para determinados clubes. O problema está mais a montante, ou seja, em quem tem poder para preencher as posições do CA: os presidentes das associações - como Nuno Lobo ou Lourenço Pinto - e em última análise aqueles que os patrocinam - Vieira e Pinto da Costa.

Não consigo ver o sorteio como uma medida boa, é apenas um mal menor perante a falta de transparência e coerência das nomeações. De qualquer forma o sorteio ainda está longe de ser uma realidade, pois ainda será discutido na especialidade pelos clubes e, no fim, terá que passar pela AG da FPF.

É sabido que Porto e Benfica se opuseram ao sorteio (surprise, surprise), pelo que podemos esperar que as próximas semanas estejam repletas de promessas para ajudar a mudar as ideias de certos presidentes de clubes. Isto não vai ficar por aqui.


Limitação de empréstimos

Péssimas notícias nesta frente de batalha. O facto de se impedir a utilização de emprestados contra os clubes de origem não é mais que uma forma de legalizar aquilo que Porto e Benfica já faziam. Moralmente, o correto era permitir que as equipas se pudessem apresentar na máxima força em TODOS os jogos.

Mas o mais ridículo foi a limitação de 3 jogadores emprestados de um clube para outro emblema da mesma divisão. Isto significa que no limite um clube grande poderá emprestar 45 jogadores. Era preciso uma medida de alcance bastante superior, mas faltou interesse para o fazer.

Atendendo aos camiões de jogadores que Benfica e Porto já contrataram, esperem um recorde de empréstimos na próxima época.


Redução da II Liga

Foi decidido que a partir de 2016/17 a II Liga passará a ter 22 clubes, no lugar dos atuais 24. Continuam a ser demasiados, assim como continuam a ser demasiados os 18 clubes da I Liga.


Relvado do Boavista

E de um momento para o outro decidiram forçar o Boavista a colocar um relvado natural. Concordo com a medida, pois dava-lhes uma vantagem competitiva em relação aos outros clubes que lutavam pela permanência. Mas devia ter sido dado mais tempo ao Boavista para efetuar a mudança. À semelhança da redução da II Liga, deveriam ter estendido o prazo até 2016/17.

Aproveitando a boleia da troca de relvado do Bessa, deixo aqui a minha primeira previsão para o sorteio do calendário da liga de 2015/16: o Porto vai visitar o Boavista nas 4 primeiras jornadas da competição.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A História Oficial


Uma dúvida: estes 1.750 são em euros ou em euros da treta? Se for a segunda hipótese até sou menino para comprar.

O pior em campo


Sim, para o jornal A Bola, o pior em campo (não é um dos piores, é mesmo o pior) dos 14 jogadores portugueses que jogaram ontem contra a Inglaterra, foi William Carvalho. A Bola considera mesmo que os 8 minutos de Rúben Neves e os 14 minutos de Carlos Mané foram mais impressionantes que os 93 de William Carvalho.

Acompanhei via Twitter o deslumbramento que William causou nos adeptos ingleses no final da tarde de ontem. É bom que se gere este hype à volta dele, mas sinceramente pareceu-me exagerado em função da sua prestação em campo: William não jogou sequer a 60% do que consegue fazer. Mas não me pareceu que tenha feito um mau jogo, já que respondeu de forma competente ao que o jogo estava a dar. Simplesmente não foi Sir William. E definitivamente não foi o pior jogador português em campo.

Mas enfim, é a minha simples opinião de adepto, se calhar é melhor deixar isto das avaliações de jogadores para quem realmente percebe da poda...


in bbc.co.uk

Agora é que fiquei confuso...

Confesso que não estava à espera de ouvir estas palavras da boca de Pedro Guerra, ditas ontem à noite na CM TV:



Novamente a conversa dos juros. É intolerável que uns sejam obrigados a pagar e outros não, diz Pedro Guerra. Falemos então dos juros.

Nos R&C dos 3 grandes referentes ao 3º trimestre de 2014/15, podemos ver que os juros pagos são:
  • Sporting: €3,2M
  • Benfica: €14,5M
  • Porto: €13,1M

Vamos esquecer o facto de que agora a dívida bancária do Sporting é significativamente inferior à do Porto e, sobretudo, do Benfica. Trata-se de um fenómeno recente causado pela reestruturação financeira. Projetando o último trimestre para termos um balanço anual, é previsível que o Sporting pague menos €15M que os rivais em juros. De facto, é um valor significativo.

Convém no entanto recordar que para usufruir desta benesse anual de juros, o Sporting foi obrigado a fazer cortes orçamentais que ultrapassam em muito o valor dos juros que está a poupar. Ou seja: não pagamos juros, mas também não podemos usar esse valor para aumentarmos o nosso nível de competitividade.

Mas o que realmente me faz confusão nas palavras de Pedro Guerra é a afirmação: "as condições não são iguais, por isso é que o Benfica e o Porto são obrigados a vender os seus melhores jogadores".

Pensava que estávamos a falar do Benfica, o clube que tem um patrocínio milionário com a Emirates, que tem centenas de milhares de sócios, que tem de longe a marca mais valiosa do futebol português, que todos os meses bate novos recordes de assinaturas da BTV e que vende trutas do cubo mágico precisamente com preço de etiqueta de 15 milhões...

----- INTERLÚDIO -----

Foi falado no princípio da noite de ontem que o Atlético Madrid vendeu Mandzukic à Juventus por 15M (podendo chegar aos 18M) - ou seja, igual a 1 João Cancelo mais trocos - e Miranda ao Inter Milão por 15M - ou seja, igual a 1 Ivan Cavaleiro. 

Ou seja, numa noite o Atlético vende 2 titulares e encaixa 30M. Isso significa que já poderão contratar Talisca pelos 25M que se falam nos círculos benfiquistas! E ainda lhes sobram 5M, quem sabe se não poderão investir em 33% dos direitos económicos de Ivan Cavaleiro. Génios!

----- FIM DO INTERLÚDIO -----

Só a venda de Cancelo (creio que Pedro Guerra concordará comigo em como o lateral não se trata de um dos melhores jogadores do Benfica) chega para anular a desvantagem dos juros. Somem-lhe os 25M de Enzo, os 15M de Bernardo Silva, os futuros 30 ou 40M de Gaitan, os 16M de Oblak, os 3M de Garay, os 30M de Rodrigo, os 15M de André Gomes, os 5M de Cardozo, os 12,5M de Markovic, os 25M de Matic, entre outras vendas... de certeza que o vosso problema está nos 15M de juros que o Sporting paga a menos que o Benfica?

A não ser que...

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Obrigado e boa sorte, Cédric!


Há mesmo imagens que valem mais que mil palavras

Foto: Record (via @miguelcpaiva)

Arrepiante

"Arrepiante" é o sentimento mais forte que me ocorre ao olhar para a classificação dos árbitros em 2014/15. E não é "arrepiante" num sentido bom.

in Record (obrigado, Belfodil)

Jorge Sousa em 1º parece-me indiscutível. 

Agora: Artur Soares Dias em 2º? Relembremos algumas arbitragens que fez ao longo da época:

  • Académica - Sporting (1ª J): 1 penálti por assinalar a favor da Académica, 1 penálti por assinalar a favor do Sporting
  • Estoril - Porto (10ª J): 1 penálti por assinalar a favor do Estoril, 1 penálti por assinalar a favor do Porto
  • Sporting - Estoril (15ª J): 1 penálti por assinalar a favor do Sporting, 1 vermelho por mostrar a um jogador do Estoril nessa mesma falta
  • Penafiel - Porto (17ª J): os 3 golos do Porto foram muito contestados, na minha opinião (que vale o que vale já que a posição das câmaras não facilitam a clarificação das jogadas), houve 2 golos que deviam ter sido anulados - num deles não há dúvida absolutamente nenhuma
  • Benfica - Braga (25ª J): 1 penálti por assinalar a favor do Benfica
  • Guimarães - Benfica (33ª J): 1 golo mal anulado ao Benfica, 1 penálti por assinalar a favor do Benfica


Parecem-me erros a mais para justificar um 2º lugar na classificação. E estes foram apenas os erros em jogos em que entraram os grandes - que são os que registo. Sabe-se lá que erros poderá ter cometido noutros jogos.

Continuando. Como é que Olegário Benquerença, que fez a pior arbitragem de toda a época no Porto - Rio Ave (em que cometeu 5 erros críticos a favor do Porto com o resultado em aberto), para além de uma má arbitragem no Sporting - Porto, e uma expulsão inacreditável de Ewerton no Setúbal - Sporting, fica em 3º?

Depois João Capela, Manuel Mota e Bruno Paixão. Não discuto a classificação de Manuel Mota. Pelo menos a avaliar pelos jogos dos grandes que arbitrou, esteve em bom plano. 

Quanto a Bruno Paixão e João Capela, ambos cometeram erros graves em 2 jogos que favoreceram claramente o Benfica: Paixão ao invalidar um golo limpo ao Nacional, que daria o empate, e ao marcar um penálti inexistente a favor do Benfica em Paços de Ferreira; Capela anulou um golo limpo ao Setúbal que daria o empate e validou um golo irregular que deu a vitória sobre o Paços de Ferreira.

Isto não é, obviamente, uma análise completa. Não faço ideia da qualidade das arbitragens de todos os árbitros em todos os jogos. Mas que cheira que determinados árbitros estão a ser puxados para cima e outros empurrados para baixo, lá isso cheira. Aliás, tresanda...

A despromoção de Marco Ferreira

in zerozero.pt

Que Marco Ferreira teve uma época pouco feliz, já todos tinham percebido. Esteve seguramente muito longe da qualidade que revelou na época de 2014/15, em que foi na minha opinião o melhor árbitro da época. Mas nunca calculei que fosse suficiente para descer de categoria, atendendo ao calibre de outros árbitros como Bruno Paixão, João Capela ou Olegário Benquerença, que tiveram (mais uma vez) uma época tenebrosa.

Mas a despromoção não é o único problema de Marco Ferreira, que foi acusado de tentar condicionar um observador da Liga para não incluir no relatório um erro grave que cometeu no Setúbal - Porto.

in rr.pt

Se o facto de ter ficado em último lugar na classificação se deve exclusivamente às más prestações dentro das quatro linhas ao longo da época, então podemos todos concluir que o árbitro não estava numa forma compatível com um jogo com a importância de uma final da Taça.

Se o facto de ter ficado em último lugar na classificação se deve também ao caso com o observador - ou seja, se o Conselho de Arbitragem leva a sério as acusações que foram feitas a Marco Ferreira -, parece-me óbvio que o árbitro não tinhas condições psicológicas para poder apitar um jogo com a importância de uma final da Taça.

Todos vimos o que aconteceu. Uma dualidade de critérios gritante que só não influenciou o resultado final porque o Sporting conseguiu uma reviravolta milagrosa. 

À luz de tudo isto, seria interessante que Vítor Pereira explicasse o motivo pelo qual nomeou Marco Ferreira para o final da Taça. Conforme escreveu o blogue A Insustentável Leveza de Liedson neste TEXTO, se é para termos nomeações sem qualquer sentido ou critério, mais vale implementar de uma vez por todas o sorteio sem restrições.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Perguntas a Carlos Daniel

Ficámos hoje a saber que Carlos Daniel será uma das testemunhas de Marco Silva no processo que o nosso ex-treinador colocou a José Eduardo, a par de outras figuras do futebol português como Rui Patrício, Tiago Ribeiro (futuro ex-presidente do Estoril), Fernando Santos, Joaquim Evangelista (presidente do sindicato de jogadores) ou Carlos Gonçalves (o Sr. Proeleven), ou ainda outras mais improváveis como Nicolau Santos.

Não sei que tipo de testemunho irá dar Carlos Daniel sobre o tema em questão, mas espero que o juiz equipe a sala de tribunal com cadeiras confortáveis: imagino que o jornalista se alongue durante horas a falar sobre os méritos de Marco Silva, que como sabemos é "a melhor coisa que aconteceu em termos de treinadores portugueses desde José Mourinho".

Enfim, é pena que continue a comentar assuntos relacionados com treinadores do Sporting sem sequer anunciar o facto de ser testemunha de Marco Silva. Mas pelo menos é menos mau que vermos Pedro Sousa a continuar a comentar a vida do Sporting sendo em simultâneo testemunha da Doyen contra o clube. 

Entretanto, a RTP avançou com uma iniciativa louvável em permitir que os admiradores de Carlos Daniel lhe coloquem perguntas via Facebook


É normal que, sendo Carlos Daniel um dos mais respeitados e versáteis jornalistas portugueses da atualidade, o grande público tenha interesse em abordá-lo diretamente. E a quantidade de interessados não defraudou as expetativas. E com perguntas bem pertinentes... aqui ficam algumas delas: