sábado, 31 de outubro de 2015

#DiaDeSporting: Um novo tipo de teste

Agora que podemos dizer que o Sporting já teve um teste verdadeiramente difícil - já podemos, não podemos, Ribeiro Cristóvão? -, a equipa terá no jogo com o Estoril outro tipo de teste para superar: demonstrar que se sente confortável com a situação de líder isolado. A realidade com que nos passámos a confrontar desde o passado domingo é uma situação demasiado esporádica no passado recente do clube, e que já não sucedia desde a 1ª volta da época de Leonardo Jardim. Urge portanto transformar aquilo que é ainda esporádico em algo mais rotineiro.

Estou perfeitamente confiante que Jorge Jesus conseguirá transmitir aos jogadores tudo aquilo que não poderemos ser: nem uma equipa displicente ou com excesso de confiança após uma vitória arrasadora na casa de um rival, nem uma equipa ansiosa pelo facto de ser neste momento a equipa a abater. A atitude certa terá que estar no meio desses dois extremos: uma equipa que tem os níveis de autoconfiança adequados pelos bons resultados alcançados, mas sempre respeitando o Estoril, um adversário difícil que vendeu cara a derrota na Luz e no Dragão. Ambos os resultados foram enganadores - com o Benfica até poderiam ter saído com pontos caso a arbitragem não fosse tão penalizadora, com o Porto criaram grandes arrepios à defesa e conseguiram fazer um trabalho bastante razoável em anular o jogo ofensivo do Porto.

Jorge Jesus será forçado a fazer várias alterações no onze de hoje. Adrien está castigado por ter atingido os 5 amarelos, Aquilani lesionou-se na Luz e Naldo está em dúvida. A maior questão está no papel que será dado a João Mário. Face à indisponibilidade de Adrien e Aquilani, será que Jesus manterá um meio-campo mais musculado fazendo alinhar Bruno Paulista ao lado de William - mantendo João Mário na direita -, ou seá que volta a colocar João Mário no centro e entrega a faixa a um extremo puro? Apostaria mais na segunda hipótese. Em relação ao parceiro de Paulo Oliveira no centro da defesa, é quase certo que será Ewerton o escolhido caso se confirme a lesão de Naldo.

De resto, não há motivos para mexer numa equipa que tão boa conta deu do recado no dérbi de domingo.


Do lado do Estoril é de destacar a ausência por castigo de Leo Bonatini, a estrela da equipa nestas jornadas iniciais, que marcou 6 dos 11 golos em competições oficiais.

Para logo fica o desejo de uma casa cheia - que bom seria ter o estádio a abarrotar - e de um Sporting que se mostre confortável com a situação de líder isolado, capaz de praticar bom futebol e que, obviamente, tenha a capacidade de conquistar os três pontos que nos poderão deixar provisoriamente com cinco pontos de avanço sobre o Porto e oito pontos sobre o Benfica.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Vou falar bem de Rui Pedro Braz

Não sei se repararam, mas o blogue esteve offline durante alguns minutos no princípio desta tarde. Isto aconteceu porque a TVI tem andado ao longo da última semana a fazer um raide aos vídeos que tenho publicado. Apesar de eu ter contestado todas as ações de violação de copyright, a Google acabou por cancelar definitivamente a minha conta de Youtube e suspender temporariamente o blogue.


Para terem a noção do inabalável espírito de missão que a TVI tem, até invocaram direitos de copyright sobre um vídeo da RTP:


E sim, falamos da mesma TVI que não tem quaisquer problemas em usar vídeos do Youtube nos seus telejornais.


No hard feelings, TVI. E para demonstrar que não guardo qualquer tipo de rancor e que compreendo o motivo pelo qual fazem esta varridela de vídeos que criticam certos e determinados comentadores da vossa estação, vou dar o primeiro passo para promover a reconciliação entre nós, falando bem de Rui Pedro Braz.

Em finais de junho, quando se discutia o futuro de Sérgio Oliveira no Porto, Rui Pedro Braz fez a seguinte previsão:



Tenho que elogiar a incrível clarividência de Rui Pedro Braz. O tempo deu-lhe razão: vamos agora entrar em novembro e Sérgio Oliveira tem 0 minutos jogados com a camisola do Porto. O jovem médio alinhou em algumas partidas de pré-época, mas desde então Lopetegui ainda não lhe deu qualquer oportunidade em jogos oficiais. Vamos ouvir o resto da explicação de Rui Pedro Braz. Nunca é demais ouvirmos opiniões bem fundamentadas de gente que percebe muito de futebol.



Ah... então o Sérgio Oliveira não ia jogar no Porto porque Rui Pedro Braz acreditava que havia a possibilidade de alguém bater a cláusula de rescisão de 30 milhões... ahem... realmente não se percebe como ninguém não ofereceu 30 milhões por um jogador vindo do Paços de Ferreira e com esta "compleição física"...


Caiu o mito dos 14 milhões de benfiquistas

Pois é... a vontade de ir ao pote foi tão grande e tanto o excesso de confiança, que acabou por ser o próprio Benfica a dar o empurrão decisivo para que o mito dos 14 milhões de benfiquistas, que tanto se esforçou para criar, fosse definitivamente destruído.


O mito foi criado a 29 de abril de 2005 numa apresentação feita à comunicação social por responsáveis do clube. Nesse dia, em pleno estádio da Luz, foram divulgados os números que hoje são um dogma para qualquer benfiquista. No entanto, os dirigentes benfiquistas tiveram o cuidado de colocar uma espessa cortina de fumo sobre as fontes utilizadas para a obtenção desses resultados: não referindo qualquer obra ou estudo em concreto, atribuindo a responsabilidade a um(a) tal de Vox Populi - que no mundo das sondagens e estudos de opinião é um termo encontrado recorrentemente -, e envolvendo múltiplas entidades de forma que a confusão fique lançada sobre quem exatamente obteve que números.

O objetivo desta manobra parece claro: colocando uma única fonte, concreta e bem identificada, seria fácil chegar até ela e questionar os dados divulgados. Havendo várias fontes metidas ao barulho, algumas das quais oficiais, e não se entrando em grandes pormenores, todo o nebuloso arranjo ficava com um ar suficientemente robusto para não ser questionado por qualquer uma das entidades envolvidas no futuro mais imediato. Uma vez passados alguns anos, seria virtualmente impossível esclarecer a origem de tal número.

Para além disso, o momento da divulgação deste estudo não foi escolhido ao acaso. À semelhança da polémica mudança de estatutos que Vieira usou para blindar o acesso à presidência - votada em AG por cerca de 100 sócios 2 dias antes do jogo do título de 2009/10 -, também o mito dos 14 milhões de benfiquistas foi lançado numa altura em que as distrações no mundo do futebol eram mais que muitas. O Porto estava mergulhado no escândalo do Apito Dourado (poucos meses antes Pinto da Costa tinha fugido para Vigo para escapar à prisão), o Sporting estava concentrado na luta pelo campeonato e Taça UEFA, e o Benfica estava, a quatro jornadas do fim, numa posição privilegiadíssima para conquistar um campeonato ao fim de onze anos de jejum.

Resultado: não foi dada na altura grande importância à descoberta de 14 milhões de benfiquistas, com exceção de uma ou outra paródia pontual.


Os anos passaram e foram-se perdendo os (poucos) detalhes da rastreabilidade do estudo. Os 14 milhões transformaram-se numa espécie de lenda que passa de boca para boca, sem que alguém soubesse exatamente qual era a real origem desse número.

E assim continuou até que, há duas semanas, os advogados e dirigentes do Benfica meteram a pata na poça. Tanta foi a vontade de desestabilizar Jesus e o Sporting, que decidiram passar para a Sábado os detalhes do processo que irão interpor contra o treinador - incluindo a base da fundamentação da indemnização de 14 milhões de euros. Finalmente, ao fim de tantos anos, surgiram nomes. De um livro, de empresas concretas, de pessoas. O Benfica tinha acabado de especificar aquilo que nunca antes tinha sido especificado. Uns dias depois, Pedro Guerra, com a preparação zelosa que se lhe reconhece, fez no programa Prolongamento um longo e eloquente discurso laudatório das bases científicas do estudo, da credibilidade dos institutos públicos envolvidos, e da reconhecida competência dos coordenadores do projeto.


Uma vez havendo algo por onde pegar, a Sporting TV não perdeu tempo e encontrou um dos autores do estudo, Jorge de Sá, que não só afirmou categoricamente que o seu estudo não inclui qualquer capítulo sobre o número de benfiquistas existentes no mundo, como também disse de forma clara e inequívoca que os números apresentados pelo Benfica não têm qualquer base científica sólida.




Também Rui Oliveira e Costa, especialista em sondagens - e que não é pessoa para inventar conversas só para chatear rivais -, acrescentou no passado domingo alguns dados novos a toda esta questão.



Concluíndo: é impossível demonstrar quantos benfiquistas, sportinguistas, portistas ou vimaranenses existem pelo mundo fora. Os 14 milhões de benfiquistas são comprovadamente uma farsa criada pelos dirigentes benfiquistas, presumivelmente com o objetivo de inflacionar o valor da marca do clube. Da mesma forma que durante anos reclamaram ter um número de sócios inexistentes, ou da mesma forma que inflacionam o número de espectadores no estádio quando as assistências ficam aquém do desejável. Há que reconhecer que a mentira funcionou.

P.S.: perante o trabalho feito pela Sporting TV no esclarecimento do tema, não consigo compreender por que motivo José de Pina não confrontou Pedro Guerra com as palavras de Jorge de Sá - precisamente um dos autores que o próprio Guerra tinha usado na semana anterior para legitimar a existência de 14 milhões de benfiquistas. Pina tinha a papinha toda feita, só tinha que puxar dos talheres. Desperdiçar argumentos destes na altura em que as relações entre os dois clubes são o que são, foi de um amadorismo atroz. É não compreender o que os sportinguistas pensam e sentem. Alguém acredita que, se os papéis estivessem invertidos, algum paineleiro benfiquista deixaria de utilizar uma arma deste calibre? Esperava (e espero) mais de José de Pina. Gostava muito de o ver no Futebol de Perdição, mas tem que perceber que se quer defender convenientemente o Sporting, terá que se preparar bastante melhor daqui em diante.

Balanço das arbitragens: 8ª jornada

Benfica 0-3 Sporting (Carlos Xistra)

8': Luisão pede grande penalidade por agarrão de Bryan Ruiz, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, Bryan Ruiz agarra de forma continuada a camisola do adversário e pode ter prejudicado a abordagem de Luisão ao lance


42': Samaris faz uma falta sobre Bryan Ruiz e atinge-o com o braço, o árbitro não qualquer cartão (Samaris já tinha um amarelo) - decisão errada, no mínimo justificava o 2º amarelo e, eventualmente, até o vermelho direto


47': Fejsa agride Adrien, o árbitro mostrou-lhe amarelo - decisão errada, Fejsa devia ter sido expulso


50': Jonas bate com os cotovelos em William após ser agarrado pelo médio do Sporting, o árbitro mostrou amarelo - decisão certa, Jonas tem uma atitude incorreta, mas não se pode considerar agressão

81': Gaitán cai na área após contacto com Paulo Oliveira, o árbitro não considerou falta - decisão certa, Gaitán coloca a bola por uma zona onde tinha pouco espaço, Paulo Oliveira faz uma rotação normal para procurar disputar a bola e tem a posição ganha, acabando o argentino por embater contra o defesa


83': Mitroglou cai na área ao passar entre João Pereira e Paulo Oliveira, o árbitro considerou simulação - decisão certa, o jogador grego não sofre falta e tenta cavar o penálti

84': Slimani, já com amarelo, faz uma falta dura por trás sobre Gaitán; o árbitro considerou não haver motivo para mostrar cartão - decisão errada, Slimani devia ter visto o 2º amarelo


=: vários erros críticos, mas apenas um com o resultado ainda em aberto: o penálti sobre Luisão, numa altura em que o resultado ainda era 0-0; mesmo considerando a superioridade do Sporting no jogo, é legítimo considerar que o rumo do jogo poderia ter sido diferente caso o Benfica se adiantasse no marcador (1X2)


Porto 0-0 Braga (Artur Soares Dias)

60': Layun faz um cruzamento e a bola bate em Marcelo Goiano, havendo dúvida se terá havido lugar a penálti por mão na bola - decisão certa, a bola bate apenas na barriga do jogador do Braga

69': Stojiljkovic cai na área do Porto, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, não há qualquer falta de Marcano

=: arbitragem sem influência no resultado



Estatísticas da jornada



Estatísticas acumuladas



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Erros de arbitragem com o resultado em aberto agrupados por árbitro, desde 2013/14


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Há dias em que tudo corre pelo pior

Atentem na reação do indivíduo que atira o papel no preciso momento em que BdC o apanha... :)

(obrigado, @baavin!)




O caminho marítimo para Tondela



Recordemos Vasco da Gama, esse grande navegador que ficou conhecido por ter superado estoicamente aquelas tempestades ao largo da costa africana...

O copo 75% vazio de José Manuel Delgado

Vamos assumir por um momento que José Manuel Delgado escreveu o editorial de ontem sem segundas intenções. Vamos partir do princípio que a inspiração para este texto não partiu da imensa azia que lhe toma conta do organismo desde as 17h09 do último domingo. Vamos imaginar que o objetivo não é tentar conter os efeitos da injeção de motivação que o grande vencedor da jornada recebeu, ao mesmo tempo que procura amenizar os efeitos psicológicos negativos a quem está neste momento em pior situação.

Concordo totalmente que uma vitória na Luz para o campeonato - por muito categórica que seja - não é motivo para euforias. O Sporting vem de uma sequência muito positiva de quatro jogos em que venceu por números esclarecedores, mas há que considerar que foram disputados contra adversários de graus de dificuldade muito díspares. E também é verdade que a época ainda é curta e o Sporting nem sempre tem sido convincente nas exibições.

Mas daí a querer resumir o bom da época do Sporting às vitórias frente ao Benfica é de uma tremenda desonestidade intelectual, ainda mais se nos dermos ao trabalho de fazer uma análise idêntica à época que Benfica e Porto realizaram até agora.

Diz Delgado que o Benfica tem sido a alavanca do sucesso do Sporting, em virtude das duas vitórias alcançadas nos dérbis. Segundo o subdiretor do jornal A Bola, retirando-se da equação as vitórias ao Benfica sobram quatro pontos mal perdidos com Paços e Boavista, uma vitória positiva (vá lá...) em Vila do Conde, a eliminação da Liga dos Campeões, a derrota caseira com o Lokomotiv e o empate com o Besiktas. Realmente, visto assim, parece uma miséria franciscana, mas gostaria de saber quantas equipas irão ganhar à Luz e a Vila do Conde, e também gostaria de saber se os nossos rivais aguentariam incólumes a vergonhosa sequência de arbitragens que internamente nos prejudicaram nas primeiras cinco jornadas e externamente nos custaram o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Parece-me também que o empate que obtivemos fora frente ao líder do campeonato turco, recorrendo a diversas segundas linhas, não é propriamente um resultado que envergonhe ninguém. E convém não esquecer que ambas as vitórias frente ao Benfica foram categóricas, uma das quais até valeu um título.

E os nossos rivais? O Porto tem para mostrar uma vitória contra o sempre poderoso Chelsea - mas que atravessa uma fase muito complicada com a 15º posição na Premier League, onde conta com 5 derrotas em 10 jornadas, e uma eliminação recente da Taça da Liga - e outro triunfo sobre o Benfica (em casa). No entanto, já desperdiçaram 6 pontos contra Braga (em casa), Marítimo e Moreirense, e as exibições para consumo interno não têm sido propriamente agradáveis. Nem sequer se pode dizer que o calendário do Porto no campeonato tenha sido até agora mais exigente que o do Sporting. Os dois grandes desafios do Porto até hoje foram disputados no Dragão e saldaram-se numa vitória pela margem mínima sobre o Benfica - alcançada a poucos minutos do fim - e num empate a zeros com o Braga.

E o Benfica o que tem para mostrar? A vitória em Madrid, e pouco mais. Em oposição, foi derrotado duas vezes pelo Sporting e uma vez pelo Porto, perdeu com o Arouca em campo neutro, venceu de forma pouco convincente o Astana e perdeu na Turquia com o Galatasaray, que está a 4 pontos do líder Besiktas. Ou seja, em 5 jogos de dificuldade elevada (Sporting x2, Porto, Atlético e Galatasaray), venceu 1 e perdeu 4.

José Manuel Delgado começou o seu editorial escrevendo que, tirando ao Sporting os dois jogos com o Benfica, os resultados não são deslumbrantes. Verdade. Os sportinguistas não têm motivos para estar eufóricos. Concordo plenamente. Mas, para já, existem razões para os sportinguistas se sentirem confiantes e motivados perante a evolução que a equipa tem registado. Talvez tantas ou mais que os portistas - que começam a ficar resignados perante a estagnação da qualidade de jogo que Lopetegui apresenta, apesar das muitas soluções que tem no plantel -, e seguramente mais que os benfiquistas, por todos os motivos que se conhecem. Tudo poderá mudar repentinamente, mas a situação atual é favorável ao Sporting, por muito que Delgado tente destacar os episódios negativos que ocorreram ao clube ao longo destes três meses de competição.

Que raio!, se o Sporting está a fazer o melhor arranque de campeonato dos últimos 25 anos, talvez fosse de admitir que alguma coisa estará a ser bem feita para além das vitórias ao Benfica.


Os jornalistas e comentadores mais tendenciosos têm o hábito de fazer análises de copo meio cheio e copo meio vazio em função dos seus interesses pessoais. Delgado conseguiu ir ainda mais além e presenteou-nos com uma análise de tal forma toldada pela frustração com os resultados recentes, que nem sequer deu ao Sporting o direito ao seu copo meio vazio. Três quartos de copo vazio, quanto muito...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O vídeo que se impunha e que finalmente foi publicado

via NewAC21

Escamoteemos com Rui Pedro Braz


Duas considerações sobre estes 26 segundos de discurso brazado.

Em primeiro lugar: Bruno de Carvalho não colocou a arbitragem no centro da discussão. O que Bruno de Carvalho colocou no centro da discussão foi um clube que comprovadamente adquiriu o hábito de oferecer prendas que ultrapassam os limites estabelecidos pelos regulamentos aos árbitros dos jogos em casa. Se os árbitros nunca usufruiram dessas prendas - até agora ninguém se acusou -, então não têm absolutamente nada que temer e que se sentir pressionados pela revelação do Kit Cortesia.

Em segundo lugar: para um jornalista que costuma acusar determinadas pessoas de serem incendiárias e de usarem as arbitragens para escamotear os erros próprios, diria que não lhe fica lá muito bem dizer de forma tão contundente que o Benfica foi prejudicado por Carlos Xistra.

Mais: não me lembro da última vez em que algum jornalista (profissional que deveria manter uma postura isenta e sóbria) usou a expressão roubo em circunstâncias destas - um penálti que, concordando eu que existe e que pode ter tido influência no resultado, não é fácil de ver sem recurso a repetições, com tantos agarrões que existem em lances do género. Um vídeo-árbitro daria bastante jeito nesta situação.

Enfim. Suponho que seja uma infeliz coincidência o facto de Rui Pedro Braz ter usado uma expressão tão forte e desproporcionada como roubo precisamente num jogo em que o Benfica teve razões de queixa num lance crítico. Ou será que está a tentar escamotear alguma coisa?

(obrigado, @FDesempregado!)

E unum adverso pluribus

Diz Rui Vitória que é o novo lema do Benfica...

(obrigado, @nunovalinhas e T!)

O caminho de Rui Vitória

Até simpatizo com o Rui Vitória, acho que não merece ser o único responsabilizado pelo mau arranque da sua equipa, mas há por aí tanta coisa boa que vou mesmo que ter que dedicar mais um par de posts ao treinador do Benfica...

(obrigado, Pedro!, via A Bola não tem Pulmão)

Pelo que percebo deste discurso e por esta frase do Gonçalo Guedes...


... quando o Sporting foi buscar o Evandro Mota - o consultor motivacional brasileiro -, o Benfica  deve tê-lo substituído pelo Gustavo Santos.


(obrigado, @Vedrix7!)

A sério: não dá para inventar isto.

Mudança de fato

Acredito que quem vai ganhando o hábito de passar por este blogue o faça porque encontra algumas virtudes naquilo que aqui vai encontrando, mas seguramente que a qualidade do design NÃO é uma delas. Não percebo nada de design e não tenho quaisquer tipo de competências nessa área. Há mais de um ano em que sonho ter um fundo branco no blogue (no que é que eu estaria a pensar quando escolhi um fundo amarelo?), mas tenho sempre hesitado em dar esse pequeno passo - que para mim é um salto gigante. É que o hábito tem a sua força, suponho que todos estejam mais ou menos habituados à salganhada atual, e temia seriamente que a partir do momento em que me pusesse a mexer nos elementos a transformasse numa salganhada ainda maior e mais ridícula.

Ontem fui agradavelmente surpreendido por uma amável prenda de dois leões (que não conheço pessoalmente) que percebem realmente do assunto, e que se compadeceram de mim (ou se calhar já não aguentavam aceder a um blogue que feria a sua vista treinada) e ofereceram-me um banner e uma imagem de perfil que achei muito engraçadas e adequadas ao espírito do tasco, e que me dão a desculpa perfeita para concretizar o meu sonho antigo de ter um fundo branco.

Peço-vos por isso paciência se nos próximos dias a barafunda visual for ainda maior do que é costume - será sinal que estarei a fazer experiências com os elementos novos que serão introduzidos. Vou tentar ser tão rápido como o William é a desembaraçar-se da marcação e a entregar a bola jogável. 

Fica por isso aqui um profundo agradecimento aos meus dois inesperados beneméritos, mas aproveito a ocasião para agradecer também a todos aqueles que vão passando por aqui, e em particular a quem me tem dado dicas ou material para posts. Fica tudo muito mais fácil quando somos apoiados por uma imensidão de pares de olhos e ouvidos atentos a tudo o que se vai passando no futebol nacional.

O próximo post será publicado daqui a meia-hora. Um abraço!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Isto é que é sair com estilo...

... no final do Benfica - Sporting. Como é que ainda não tinha visto isto antes? :)

Encher Alvalade


Já estão à venda os bilhetes para o Sporting - Estoril, que será disputado no sábado às 20h45.


É pena que os preços dos bilhetes sejam tão elevados. Eu, que tenho uma gamebox, não ficaria nada melindrado se a direção colocasse os bilhetes a um preço bem mais acessível. E creio que a maior parte dos detentores de gameboxes pensará da mesma forma que eu. O que todos queremos é o estádio cheio. Há que incutir o hábito de ir ao estádio a muitos sportinguistas que preferem ficar em casa, e será uma oportunidade desperdiçada se não tivermos casa cheia por causa do preço dos bilhetes.

De qualquer forma, espero que todos aqueles que têm possibilidade financeiras para comprar bilhete, o façam. A liderança isolada será muito mais fácil de defender se tivermos 50.000 vozes a puxar pela equipa.

Resumo do Santa Clara 2 - 3 Sporting B


Começou a pré-campanha?

De um lado, Rui Gomes da Silva a criticar de forma bastante assertiva a atitude da estrutura do Benfica. Rui Gomes da Silva nunca escondeu a ambição de vir a ser presidente do Benfica, e se conseguir apresentar Marco Silva como trunfo eleitoral é bem capaz de dar luta a Luís Filipe Vieira, caso esta época acabe em desilusão aos benfiquistas. Resta saber se Rui Gomes da Silva se contentará com um lugar na administração da SAD na futura lista de Vieira, ou se irá até ao fim.


Do outro, a coincidência das perguntas colocadas por A Bola e Record sobre o desaproveitamento de determinados jogadores que não têm entrado nas contas de Rui Vitória.


A pergunta de A Bola é particularmente venenosa. Dois desses jogadores não foram sequer opção regular de Jorge Jesus. Taarabt tem os problemas de profissionalismo que se conhecem. Carcela disputa o lugar com Gonçalo Guedes, ou seja, o único jogador que a SAD tem para mostrar como bandeira da nova aposta na formação (Nelson Semedo não é da formação, jogou pela primeira vez de águia ao peito com quase 20 anos de idade). Jogasse Carcela, e a tal aposta na formação estaria novamente metida na gaveta, provando que o problema na aposta dos produtos do Seixal não estaria em Jorge Jesus.

Ou seja, a resposta à pergunta colocada pelo jornal A Bola parece-me óbvia. Pode-se acusar Rui Vitória de várias falhas, mas não do desaproveitamento daqueles quatro jogadores. No entanto, o próprio jornal sugere outra resposta no interior:


Vindo estas perguntas de quem vêm, diria que começou o sacudir do capote das responsabilidades da SAD. As eleições já estão aí ao virar da esquina.

P.S.: e ainda há isto:



O dérbi das premonições

Todo o material que está aqui foi registado antes do Benfica - Sporting.

A ação promocional realizada no dia anterior ao jogo --> resultado final



A coreografia no início do jogo --> resultado final



Foto de perfil da página de Facebook de Bryan Ruiz --> resultado final



As declarações de Rui Gomes da Silva no lançamento do jogo --> apoio dos adeptos com 3-0

(obrigado, Gonçalo!)


A movimentação de Jesus no banco --> adivinhando a direção dos objetos atirados

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Novo anúncio da BTV, versão 0.3

Imperdível. Ver aqui: LINK

Tenho que dar a mão à palmatória

Belíssima a coreografia que o Benfica fez antes do jogo de ontem. Tão boa, tão boa, que até acertou no resultado.


Notas soltas sobre o Benfica - Sporting


  • Para mim ficou bem demonstrada a importância de colocar a Liga Europa num patamar inferior ao das competições nacionais. Não quero dizer com isto que seria impossível o Sporting ganhar na Luz se tivesse utilizado o melhor onze contra o Skenderbeu, mas tenho dúvidas que conseguisse controlar o jogo durante toda a segunda parte da forma categórica que todos tiveram a oportunidade de ver. Jesus só se viu obrigado a fazer duas substituições: uma aos 78' (Adrien estava compreensivelmente cansado e já com um amarelo) e outra aos 85' (para a ovação do também amarelado Slimani, e para fazer o statement da aposta da formação com Gelson). Por outro lado, Ruiz e Teo, dois suspeitos do costume para saírem antecipadamente de campo por cansaço, aguentaram-se (e bem) durante os 90 minutos. A meu ver, a vitória de ontem começou a ser construída com a excelente gestão de plantel realizada na Taça de Portugal e Liga Europa.
  • A saída de Carrillo do lote dos jogadores disponíveis causou um óbvio problema, mas está visto que Jorge Jesus não perdeu o jeito de fazer aparecer os Manéis. Não só já começou a produção de dois grandes extremos para o futuro - Gelson e Matheus -, mas o principal destaque terá que ser dado à tal semi-adaptação de João Mário. Até agora está a ser um sucesso, e não só permite a Jesus apresentar uma equipa defensivamente mais sólida como também não tem comprometido do ponto de vista de volume de jogo ofensivo. Há menos João Mário do que Carrillo nas alas, do outro lado Ruiz também foge muito da linha, mas há mais espaço para os laterais aparecerem. Será uma estratégia para continuar a seguir contra equipas teoricamente mais fracas e que se fecharão no último terço de terreno? Diria que não, que com o Estoril regressará um extremo puro (até pela ausência de Adrien por castigo). Mas é muito positivo constatar que Jesus consegui montar dois planos A's, dando-lhe uma flexibilidade importante na escolha de soluções táticas em função das características do adversário.
  • Esteve bem Jorge Jesus a fazer referências simpáticas em relação aos adeptos do Benfica, apesar da receção hostil que teve. Jesus já tem demasiados anos disto para perceber que se trata de uma reação normal de quem vê um dos seus a passar para o outro lado da barricada, e fica sempre bem tratar com respeito os adeptos que o apoiaram durante a maior parte do seu percurso no clube da Luz. A campanha feita contra Jesus pelos dirigentes e máquina de comunicação encarnada é que é o verdadeiro "crime" em toda esta novela. Vieira não queria que Jesus continuasse no Benfica, mas queria controlar-lhe o destino. Este é o ponto fulcral, e tudo o resto - SMS, software, processo de 14 milhões - é folclore. Vieira não foi homem para assumir a sua escolha e preferiu armar-se em vítima. E passados 4 meses ainda não explicou devidamente o que o levou a tomar a decisão de trocar de treinador. 
  • Sem surpresa, ninguém ouviu uma palavra de Vieira após a derrota de ontem. A novidade é que desta vez nem Rui Costa falhou.
  • Não falando Vieira, podemos continuar a contar com os recados mandados via os avençados do costume. José Manuel Delgado não perdeu tempo, com este artigo de opinião inenarrável:

  • Ao contrário do que pessoas como José Manuel Delgado tentam fazer crer, Bruno de Carvalho não ataca clubes pelo puro prazer do conflito e provocação. Não se vai virar para o Porto, porque o Porto não lhe tem dado motivos para isso, coisa que não se pode dizer do Benfica. E Delgado esquece-se que vai haver outro dérbi para a Taça de Portugal daqui a um mês. Junte-se isso a assuntos que ainda não estão devidamente encerrados, como o Football Leaks, e parece-me claro que as antenas de Bruno de Carvalho continuarão (justificadamente) apontadas para o outro lado da segunda circular.

Confirmou-se: foi mesmo uma equipa contra 11 jogadores

Escrevi no lançamento da partida que estava confiante para o dérbi de ontem, mas tenho que admitir que nem nos meus melhores sonhos imaginava que o Sporting estaria a ganhar por 3-0 e com o jogo na mão ao fim de 36 minutos. Jesus parece ter feito muito bom uso do software que tem na sua cabeça e teve uma abordagem estratégica perfeita perante um adversário que tão bem conhece: foi um Sporting muito bem organizado, cínico e implacável que subiu ao relvado da Luz, e que mereceu inteiramente a felicidade de ter marcado nas primeiras ocasiões que construiu.

O Sporting poderia ter carregado de forma a ir à procura de um resultado verdadeiramente histórico? Podia, mas não teria sido a atitude mais inteligente. Para quê sacrificar a segurança para obtermos um quarto ou um quinto golo, quando estaríamos ao mesmo tempo a aumentar as hipóteses do adversário em marcar um golo que os poderia galvanizar para uma reviravolta que também seria histórica? Jesus nunca permitiu, e bem, que o Sporting corresse riscos desnecessários, já que quem tinha necessidade de os correr era a equipa em desvantagem. A segunda parte foi um hino ao (bom) controlo de um jogo de futebol, em que até poderíamos ter alargado a vantagem, e em que a única verdadeira oportunidade de golo do Benfica (e única defesa difícil de Rui Patrício em todos os 90 minutos) surgiu a partir de um momento displicente de um jogador do Sporting.

É certo que o balanço da exibição de duas equipas em confronto depende muito daquilo que a outra joga e deixa jogar, mas Rui Vitória acaba por ser um dos derrotados da noite: não só pelos números da derrota, não só pela incapacidade revelada pelo Benfica em diversas vertentes do jogo, mas sobretudo pelo ricochete das suas infelizes declarações de sábado. O Sporting apresentou efetivamente uma equipa, no sentido coletivo da palavra, e a avaliar pela reação de William Carvalho no final as palavras de Rui Vitória apenas serviram para espicaçar os nossos jogadores. O Benfica nunca conseguiu ser mais do que a soma das suas individualidades, com os setores a jogarem separados uns dos outros, jogadores entregues à sua sorte sem apoio, e uma evidente ausência de ideias a partir do momento em que se viu em desvantagem no resultado, o que até é surpreendente considerando que estavam em campo 8 jogadores que foram decisivos para a conquista do campeonato da época passada.

Do lado do Sporting acaba por ser ingrato tentar nomear os melhores jogadores em campo: destacaria Slimani, João Mário, Adrien, William e Paulo Oliveira, mas todos estiveram muito bem. Tirando um ou outro erro individual (Naldo, eu avisei-te para não facilitares naquele lance com o Jimenez!), não consigo apontar o dedo a qualquer aspeto de uma exibição pragmática que roçou a perfeição.



Positivo

Jesus, o grande vencedor da noite - por motivos óbvios, era inevitável que Jesus fosse a grande figura do jogo, independentemente do resultado e das incidências da partida. Mas na realidade acabou por merecer inteiramente esse estatuto não pelo lado da polémica, mas pela forma brilhante como preparou a equipa. Como exemplos poderemos referir o pressing do trio da frente que frequentemente isolou a linha defensiva do Benfica na primeira fase de construção, o total sucesso da semi-adaptação de João Mário para o lugar que era de Carrillo (alguém se lembrou do peruano durante a partida de ontem?), a ausência de espaço dado ao Benfica para aproveitar o contra-ataque, ou a eficácia com que Jonas foi anulado durante praticamente toda a partida. Todo o plano de jogo foi bem pensado pelo treinador e executado imaculadamente pelos jogadores. Na conferência de imprensa após o jogo, no seu estilo habitual, Jorge Jesus mencionou uma estatística que é tão indesmentível quanto elucidativa: enquanto foi treinador do Benfica, o Sporting ganhou apenas 1 jogo em 14; nesta nova fase da sua carreira, o Sporting ganhou 2 em 2. Contra factos não há argumentos.

A eficácia na concretização - aquele que tem sido um dos principais problemas do Sporting foi ontem um dos alicerces de uma vitória inesperadamente fácil. Tivemos a felicidade e talento para concretizar as três primeiras grandes ocasiões de que dispusémos, a primeira das quais com a sorte de um ressalto à mistura, e que interrompeu uma entrada forte em jogo do Benfica. Ajudou a equipa a estabilizar-se emocionalmente e a encarar o jogo com outro nível de confiança.

O apoio nas bancadas - como seria de esperar, foram muitos os momentos em que as vozes dos 3000 sportinguistas presentes abafavam os benfiquistas que preenchiam 95% do estádio. Mas também tenho que reconhecer aquele excelente momento a meio da segunda-parte protagonizado pelos adeptos da casa, que durante vários minutos apoiaram ruidosamente a sua equipa mesmo sabendo que o jogo estava perdido.

Calções pretos e meias listadas - que saudades que tinha!



Vitória expressiva na casa do rival com o bónus do empate do Porto que nos dá a liderança isolada e o melhor ataque do campeonato. Já vivi domingos piores. Há no entanto que não esquecer que estes três pontos valem tantos quanto os que estarão em disputa com o Estoril daqui a uma semana. Podemos e devemos saborear esta vitória, mas mantendo os pés bem assentes no chão. Tirando a Supertaça, ainda estamos muito longe de ganhar o quer que seja.

domingo, 25 de outubro de 2015

Enorme resposta no sítio onde tinha mesmo que ser dada

Enorme mentalidade competitiva, equipa taticamente perfeita e uma eficácia finalizadora arrasadora! Grande, grande vitória!

#DiaDeSporting: O jogo dos jogos


Não sei se esta boca de Rui Vitória foi uma tentativa falhada de mind game ou apenas uma observação deselegante em relação ao Sporting, mas a visão que eu (que assumo que não percebo nada disto, mas ainda assim tenho uma opinião) tenho do atual estado das duas equipas é praticamente o oposto daquilo que o treinador benfiquista disse.

Vejo o Benfica como uma equipa muito perigosa sobretudo graças aos três foras-de-série que tem no plantel - Jonas, Gaitán e Júlio César, dos quais os dois últimos estão num momento de forma sublime. Mas enquanto coletivo, não há muita coisa no Benfica que me assuste. Se o Sporting conseguir arranjar forma de anular Jonas e limitar os estragos de Gaitán (tenho esperanças que a meio da segunda parte se ressinta do esforço do jogo da Turquia e que vá desaparecendo gradualmente da partida), ficará muito próximo de trazer um resultado positivo da Luz. Para além das individualidades que referi, diria que o perigo do Benfica surgirá sobretudo a partir do aproveitamento de jogadas de contra-ataque e das bolas paradas ofensivas, aspetos do jogo em que são muito fortes.

Do lado do Sporting, não vejo uma dependência tão grande das individualidades para resolver jogos. Claro que ajuda imenso ter de volta esse monstro que é William Carvalho (que será o nosso único verdadeiro fora-de-série), mas os estragos que o Sporting costuma causar não só não dependem de nenhum jogador em particular - as trocas de jogadores têm sido frequentes sem que o rendimento da equipa oscile significativamente -, como também surgem diversas vezes a partir de erros que os nossos jogadores forçam o adversário a cometer.

E é precisamente nesse ponto que vejo as nossas maiores possibilidades para vencer logo: o Benfica não me parece uma equipa suficientemente organizada para controlar o Sporting, nem me parece uma equipa suficientemente consistente para ser imune a cometer daqueles erros que já nos valeram tantos golos e pontos nesta temporada.

Há um outro fator fundamental: as repercussões deste resultado poderão ditar muito do que será a época das duas equipas, pela positiva ou pela negativa. Nesse sentido o Sporting até tem um pouco menos de pressão em cima: uma eventual derrota deixar-nos-á a apenas três pontos do líder - caso o Porto ganhe o seu jogo -, o que não será nenhuma tragédia. Seguramente que o vencedor sairá com um enorme boost de moral, por tudo aquilo que tem sido o relacionamento entre as duas equipas desde que Jesus trocou de equipa. Mas uma derrota do Benfica em casa contra o seu antigo treinador, com a garantia de que fica pelo menos a 5 pontos do Sporting, é coisa para abalar os seus alicerces.

Parece-me que Jorge Jesus irá apostar na experiência, para um maior controlo emocional perante um ambiente que será extremamente hostil, e lançará Gelson, Matheus ou Mané (2 destes, talvez) a meio da segunda parte para aproveitar os espaços que entretanto começarão a surgir em virtude do desgaste natural de um jogo de intensidade máxima e - desejo meu - do cansaço adicional que muitos jogadores do Benfica poderão começar a sentir na sequência da exigente deslocação à Turquia.


Estou confiante. Diria que se se disputassem 10 jogos entre este Sporting e este Benfica, o Sporting ganharia 5 e dividiria os restantes 5 num número indeterminado de empates e vitórias para o Benfica. Mas como só haverá um jogo, 90 minutos em que tudo pode acontecer, será sempre um jogo de tripla.

Este é o jogo dos jogos. Fica o meu desejo de paz nas bancadas, espetáculo no relvado e ausência de casos de arbitragem. Que ganhe o melhor, e que o melhor seja o Sporting!

sábado, 24 de outubro de 2015

Dados adicionais sobre a entrevista de Marco Ferreira ao As

Segundo o que Marco Ferreira disse há pouco por telefone na CMTV, a entrevista ao As foi feita na passada segunda-feira, na sequência do escândalo que rebentou em Espanha sobre supostas pressões sobre um árbitro para beneficiar o Real Madrid contra o Barcelona. A entrevista apenas foi publicada hoje.

Para além disso, João Gabriel escreveu o seguinte no Twitter no princípio desta tarde:


Conforme escrevi no post anterior, o timing e o canal utilizado podem não ser inocentes, mas parece claro que o Sporting não teve nada a ver com o assunto.

As graves declarações de Marco Ferreira ao jornal As

São muito graves as declarações que Marco Ferreira fez hoje ao jornal espanhol As (ler AQUI). É evidente que o timing desta entrevista não é inocente, nem tão pouco o meio escolhido - o As tem sido usado várias vezes na guerra entre Benfica e Porto -, mas a FPF e a nossa comunicação social não podem de forma alguma continuar a ignorar algo que Marco Ferreira já tinha deixado a entender em julho de forma relativamente clara, e que agora afirma de uma forma totalmente direta.


Infelizmente, tudo isto poderia ter sido evitado se as entidades competentes e a comunicação social tivessem feito uma abordagem séria em tempo útil - para tentar apurar se as acusações de Marco Ferreira eram verdadeiras ou falsas. Uma vergonha para FPF, uma vergonha para a comunicação social que prefere não poupar esforços a "investigar" faits-divers como a (im)possibilidade de Nani regressar ao Manchester United antes de tempo em vez de abordar com profissionalismo temas incómodos que são efetivamente graves.

Sinceramente: não gostaria de estar na pele de Carlos Xistra neste fim-de-semana. Esta bomba rebentou nas mãos de Vítor Pereira, mas colocará mais do que nunca o árbitro do dérbi no meio do furacão. É o que dá as questões importantes serem sistematicamente varridas para debaixo do tapete na esperança que as pessoas deixem de reparar nelas.

(obrigado, Rodolfo!)

Os marretas falam sobre "Gerson" Martins

Ribeiro Cristóvão e Jorge Baptista falam sobre "Gerson" Martins, durante o lançamento do Sporting - Skenderbeu.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Remember the marreta


Mau: mas então era um teste a sério ou não era um teste a sério? Tanta preocupação pela euforia que uma vitória poderia causar...

Os marretas

Amigos, vem aí o 1º grande teste da temporada para o Sporting. Então e a Supertaça?, perguntam vocês. É uma questão pertinente, mas em vez de vos responder diretamente prefiro remeter as explicações para Ribeiro Cristóvão e Jorge Baptista.




Portanto, o jogo com o Benfica para a Supertaça não foi um grande teste para o Sporting porque:
  • O Sporting só esteve na Supertaça porque Marco Silva ganhou a Taça;
  • Foi um jogo no princípio da temporada e ainda não havia ritmo nenhum.

Podemos presumir então que se o treinador fosse Marco Silva o teste já seria a sério? Por acaso o sistema de jogo que o Sporting apresentou já não teve nada a ver com o de Marco Silva, mas suponho que isso seja um detalhe sem importância. E as 30.000 pessoas que lotaram o Estádio do Algarve pareciam de facto visivelmente incomodadas com a falta de ritmo... foram lá apenas para beber umas cervejas, porque o jogo era a feijões...

E ficámos também a saber que se o Sporting perder na Luz as coisas ficarão complicadas para o Sporting, isto apesar até ficarmos (provisoriamente) à frente do Benfica. Já o que poderá acontecer ao Benfica se perder no domingo permanece um mistério.

Enfim, se o ridículo matasse...

A rivalidade é saudável, a violência é intolerável

A rivalidade entre clubes é saudável e recomenda-se. Sempre que a nossa equipa ganha de forma convincente ficamos de barriga cheia, mas a satisfação total só existe quando o adversário que derrotamos é o nosso maior rival. O facto de termos do outro lado alguém que deseja uma derrota nossa tanto quanto nós desejamos a sua derrota é uma espécie de piri-piri do futebol. Nas quantidades certas torna tudo ainda mais saboroso, mas quando se exagera é coisa para estragar completamente o prato. Infelizmente, há pessoas que não percebem os limites do que é razoável.

Não será surpresa para quem costume ler este blogue que considero a atual direção do Benfica um cancro que faz muito mal ao futebol. A maior parte dos benfiquistas dirá o mesmo sobre a direção do Sporting. Nós achamos que temos a razão do nosso lado, eles acham que têm a razão do seu lado. Mas é um disparate que qualquer sportinguista ou benfiquista pense que resolve alguma coisa cometendo atos violentos contra os adeptos da outra equipa. Quando o fazem, estão apenas a causar danos irreparáveis aos agredidos, ao que resta da sua consciência, e ao seu próprio clube.

Um Sporting - Benfica ou um Benfica - Sporting é muito mais que um jogo de futebol, mas ao mesmo tempo é apenas um jogo de futebol. A única batalha que se deseja entre adeptos é a do apoio fervoroso às respetivas equipas. No final o vencedor terá como prémio poder divertir-se à custa dos amigos que torcem pelo clube adversário durante os dias que se seguirão. É assim que tem que ser, e é bom que possa continuar a ser assim.

Vem isto a propósito do oportuno post escrito ontem pelo Shadows no NGB. Infelizmente, no que toca a violência nos estádios e nas imediações, todos temos telhados de vidros. É irrelevante estarmos nestes dias a comparar a gravidade dos atos violentos que uns e outros cometeram no passado. Se isso servir como desculpa para o quer que seja, ficaremos muito mais próximos de fazer igual ou pior do que aquilo que acusamos os outros de terem feito.

A rivalidade entre clubes é saudável e recomenda-se. A violência é intolerável em qualquer circunstância.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Boas dores de cabeça para Jesus

Na primeira vitória desta época na Liga Europa, o Sporting teve uma exibição que alternou entre momentos empolgantes em que criou oportunidades de golo suficientes para conseguir uma goleada das antigas, e períodos de total apatia a lembrar um daqueles jogos de fim de temporada em que já não há nada em disputa. É claro que a goleada por 5-1 não pode ser dissociada do facto de ter sido o próprio Skenderbeu a carregar no botão de autodestruição, entregando os três pontos de bandeja com uma expulsão ridícula e cometendo dois penáltis perfeitamente desnecessários. Apesar das facilidades concedidas, nunca houve qualquer dúvida entre a diferença de nível entre o Sporting e o Skenderbeu. As segundas linhas gritaram "presente", e deram seguramente a Jorge Jesus bons motivos para questionar as ideias que tem na cabeça para o seu onze preferencial.



Positivo

O omnipresente Montero - um jogo em cheio do colombiano: sofreu os dois penáltis que estiveram na origem dos dois primeiros golos do Sporting, converteu o segundo, lançou Jonathan para o cruzamento para o 3-0, marcou o livre para a cabeça de Tobias no 4-0, esteve particularmente dinâmico na construção de jogo após a entrada de Slimani e ficou muito, muito perto de marcar pelo menos mais dois golos (um tirado em cima da linha por um defesa do Skenderbeu e outro numa bomba de fora da área). Foi o melhor jogador em campo.

Matheus with a bang - terceiro jogo pela equipa principal. No primeiro, contra o Besiktas, fez a assistência para o golo de Bryan Ruiz. Contra o Vilafranquense marcou os dois primeiros golos da equipa. Hoje voltou a bisar. Três jogos, quatro golos e uma assistência. Quem acompanha Matheus desde as camadas jovens não ficará de forma alguma surpreendido com a sua inevitável afirmação no plantel principal, mas estes números são efetivamente uma entrada com estrondo que supera as expectativas mais otimistas. Para além disso, parece estar com a cabeça muito bem arrumada, o que é meio caminho andado para conseguir concretizar o inacreditável potencial que tem.

Mané a puxar pela equipa - é preciso não esquecer que a exibição não foi equilibrada ao longo dos 90 minutos, tendo havido mesmo alguns momentos em que a apatia parecia generalizada. Nesse período, Carlos Mané foi quem mostrou mais iniciativa para agitar a partida, tendo conseguido uma exibição bastante consistente - mesmo não tendo marcado golos ou feito assistências.


Negativo

Os minutos que se seguiram à expulsão - o Sporting entrou bem no jogo, mesmo sem carregar muito conseguiu criar várias oportunidades de golo. Quando o jogador albanês foi expulso, seria de esperar que a equipa forçasse o andamento para resolver rapidamente a partida, mas foi precisamente o contrário que aconteceu: os jogadores levantaram quase todos o pé do acelerador e a qualidade de jogo caiu de forma impensável. O 1-0 acabou finalmente com o torpor instalado e a equipa foi gradualmente melhorando o nível exibicional.

O golo sofrido - 90 minutos, 5-0, canto a favor do Skenderbeu. Na área estavam 9 jogadores do Sporting, contra 4 do Skenderbeu. Bola batida para o segundo poste e o jogador albanês cabeceia completamente à vontade, perante a péssima abordagem de Ewerton. Uma falha de concentração sem consequências, mas que irrita por mais uma vez a equipa ter oferecido de forma completamente displicente um golo ao adversário.



Continuamos em terceiro lugar no grupo, mas está tudo em aberto. Há que vencer na Albânia para podermos atacar as duas últimas e decisivas jornadas de forma a assegurar o apuramento para a fase seguinte.

A conferência de imprensa de Jorge Jesus e Matheus Pereira




Ao princípio da tarde foram revelados os convocados: Jefferson, Paulo Oliveira, Adrien, João Mário, Teo e Ruiz ficaram de fora.

Fonte: zerozero.pt

President Nobre Guedes

Começo a compreender por que motivo o negócio Rojo foi assinado com cláusulas tão penalizadoras (ler AQUI) para o Sporting. A avaliar pelo que está escrito logo no princípio do contrato com a Doyen...


... a malta que conduziu o processo não lia mesmo aquilo que assinava. É que pelos vistos éramos representados pelo President Nobre Guedes, e pelo financial director Carlos Fonseca, que saiu do SAD para a SPM em 2011...

(obrigado, @baavin!)

#DiaDeSporting: Retomar as vitórias europeias com um olho no jogo de domingo

Não era preciso a confirmação de ontem de Jesus para perceber que, apesar de ser importante retomar as vitórias europeias, a equipa que será escolhida hoje estará profundamente relacionada com o onze que o treinador já terá na cabeça para colocar em campo na Luz.

A única dúvida que se coloca é: atendendo ao facto que as duas partidas estarão separadas por menos de 72 horas (o que é legal, atendendo que a regra das 72 horas apenas se aplica quando o jogo europeu é realizado fora de casa) deveremos poupar hoje de forma absoluta o onze que jogará domingo, ou aproveitamos para dar ritmo competitivo a um ou outro jogador que será titular no domingo mas que tenha poucos minutos nas pernas devido a lesões ou à falta de competição no período reservado às seleções e Taça?

Jorge Jesus afirmou que fará duas equipas, e compreende-se o motivo: no domingo poderemos esperar 90 minutos de intensidade máxima, pelo que é bem provável que o esforço despendido a meio da semana possa fazer a diferença num jogo equilibrado. O Benfica foi obrigado a um esforço considerável ontem devido a uma deslocação longa e a um adversário complicado. Será inteligente da nossa parte tentar tirar partido de um maior desgaste físico do Benfica, considerando que nem o nosso adversário de logo nos obrigará a colocar a carne toda no assador, nem a própria Liga Europa é suficientemente aliciante para a colocarmos ao mesmo nível de prioridade que o campeonato.

Entre lesionados e jogadores com demasiados minutos nas pernas, diria que Rui Patrício, Naldo, Bryan Ruiz e Teo Gutierrez estarão garantidamente de fora das contas de Jesus para logo. Jefferson e Slimani serão provavelmente dos jogadores a quem mais se exigirá no domingo, pelo que também deverão ser poupados. As maiores dúvidas estão no meio-campo: será que Jesus considera que o William já está no ponto, ou que ainda precisa de mais minutos? E qual o conjunto de médios que Jesus estará a considerar para lançar na Luz?

Atendendo ao jogo da Taça, diria que Jesus estará a pensar em alinhar no domingo com um trio no meio-campo formado por William, João Mário e Aquilani, e colocando na frente Bryan Ruiz, Teo Gutierrez e Slimani. Um onze mais experiente para suportar um ambiente que será certamente muito hostil, guardando as setas (Gelson, Mané ou Matheus) para o último terço da partida, altura em que haverá jogadores muito desgastados e existirá bastante mais espaço para jogar.

Considerando tudo isto, para o jogo de logo apostaria no seguinte onze:


Como é evidente, o jogo de logo é para ganhar e apesar das poupanças ninguém poderá dizer que este onze não terá capacidade para alcançar os três pontos. Para além disso, os jogadores terão todo o interesse em fazer uma boa exibição, pois os melhores ficarão muito próximos de serem os primeiros a saírem do banco no jogo contra o Benfica. E até é bem possível que, num ou noutro caso, uma grande exibição possa fazer Jesus repensar a ideia que tem para o onze de domingo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

BOMBA: Benfica aumenta valor da indemnização exigida ao Sporting

A alteração da indemnização foi determinada com base no último estudo publicado pela Vox Pop:

(via @NunoM_PT e ForumSCP)

Justificação de incompetente ou desculpa de cúmplice?

Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, emitiu ontem um comunicado de oito pontos onde afirmou que apenas teve conhecimento das ofertas do Kit Cortesia do Benfica aos árbitros quando Bruno de Carvalho o revelou publicamente na TVI24.

Num desses pontos, fez questão de desmentir explicitamente a capa do jornal O Jogo do dia 8 de outubro, onde foi acusado de saber da existência das prendas. Essa capa baseou-se nas declarações dadas ao jornal por Pedro Henriques, que confirmou o conteúdo do Kit Cortesia, indicou que o Benfica iniciou esta prática na Eusébio Cup da época anterior, e afirmou que tanto José Fontelas Gomes (presidente da APAF) como Vítor Pereira tinham conhecimento das ofertas.

Doze dias depois, tivemos finalmente direito a uma reação de do presidente do Conselho de Arbitragem. E a defesa usada é... a ignorância. Vítor Pereira não sabia das prendas. Nenhum dos restantes quatro membros da secção profissional do CA com quem Vítor Pereira falou sabia das prendas. Ou seja, ninguém sabia das prendas. Quer dizer, ninguém sabia das prendas a não ser as dezenas de equipas de arbitragem que ao longo do último ano apitaram partidas na Luz ou no Seixal e que hierarquicamente respondem a Vítor Pereira e aos restantes vogais do Conselho de Arbitragem.

Não há grande forma de Vítor Pereira se sair bem desta história. Ao negar o conhecimento das prendas coloca-se numa de duas situações: ou está a dizer a verdade e foi o último a saber, o que diz muito da sua capacidade enquanto líder; ou está a mentir, tendo tomado conhecimento da situação em tempo útil mas optando por não agir - ou por ter desvalorizado a gravidade da situação, ou por ter contribuído conscientemente para encobrir a existência do Kit Cortesia. 

A ignorância é invocada muitas vezes como justificação dos incompetentes quando cometem um erro, ou como defesa dos cúmplices quando são apanhados. Resta saber em qual destas duas categorias se encaixa Vítor Pereira. Quer num caso quer noutro, já não tem condições para continuar no cargo.

terça-feira, 20 de outubro de 2015