domingo, 31 de janeiro de 2016

A punição a aplicar a Jorge Jesus

Jorge Jesus foi expulso pela segunda vez esta época. Curiosamente, a primeira expulsão aconteceu também contra a Académica, em Coimbra. Dessa vez foi apenas aplicada uma multa ao treinador.

Na época passada, Jorge Jesus também foi expulso duas vezes. A primeira no Bessa, à segunda jornada. A segunda em Moreira de Cónegos. Em nenhuma das ocasiões foi suspenso.


Vamos ver se o critério se mantém ou se, como em tantas outras coisas no futebol português, há dois pesos e duas medidas em função do emblema dos visados. Como os senhores do CD são o que são, já estou mentalizado para o pior.

(obrigado, T!)

Estragaram o guião do Cosme Machado Show


Escrevi isto há uns dias no Twitter, depois de ver o resumo do Famalicão - Porto, para a Taça da Liga (obrigado, Carlos). Cosme Machado é isto: errático, capaz das piores decisões possíveis e um especialista em estragar jogos de futebol. Já nos beneficiou esta época, quando não assinalou o penálti de Naldo contra o Arouca. Por outro lado, conseguiu não expulsar Lito Vidigal naquele episódio com Naldo nem viu um penálti sobre Slimani perto do fim.

Mas aquilo que aconteceu ontem é demasiado grave - foram demasiados erros -, para poder ser considerado apenas incompetência. E é uma tendência que tem vindo a ser progressivamente mais visível e persistente. Uns a serem empurrados para baixo, outros a terem o passaporte olímpico nos momentos de maior aperto. É perfeitamente evidente que os organismos que mandam no futebol português estão a fazer um cerco ao Sporting, e não é possível que se continue a pensar de que se trata apenas de casos isolados.

Ontem, em Alvalade, não se jogou futebol. Havia uma bola, 11 jogadores de cada lado, mas não foi um jogo de futebol. Como tal, não será de futebol - desta vez com toda a justificação - que se falará nos próximos dias. É uma pena que, por exemplo, um golão como o de Adrien não venha a ter o destaque que merece, mas é impossível que uma arbitragem destas não seja o centro da discussão sempre que se falar deste Sporting - Académica.



Positivo

Vitória, contra tudo e contra todos - ainda havia meia-hora para jogar quando Cosme Machado validou o segundo golo da Académica. Considerando que a Académica não é propriamente um adversário forte, em condições normais seria exigível que o Sporting conseguisse chegar à vitória. Mas perante um roubo destes, é normal que os jogadores tenham acusado o "golo" do empate. Sentir que está em campo um árbitro com uma missão daquelas, deve ser coisa para abalar a mais experiente das equipas. Apesar de Cosme, apesar de tudo o que se passou, o Sporting conseguiu reagrupar-se e arrancar para 15 minutos finais de intensidade muito elevada e marcar o golo que repôs a justiça no resultado.

Um grande reforço na lateral direita - depois de um início de época sofrível - que levou o Sporting a procurar em novembro uma alternativa para o lugar - João Pereira subiu imenso de rendimento e tem sido um dos melhores da equipa de há algum tempo para cá. Está um jogador consistente, dinâmico e muito concentrado, capaz de criar desequilíbrios de forma frequente pelo seu flanco. E até nos cruzamentos tem estado melhor: ontem fez um direitinho para Ruiz, numa das melhores oportunidades de golo na primeira parte, e outro para Montero fazer o 3-2.

Mais uma vez, Adrien - mais uma vez, um grande jogo do capitão, coroado com um golo portentoso. Aliás, o golo que marcou é um bom exemplo da sua omnipresença e capacidade técnica: nesse lance parecia um autêntico extremo esquerdo, tanto pelo seu posicionamento como pela forma como se desfez do seu adversário direto antes do remate.

Mané a ser decisivo - ficou na retina a recuperação de bola e o delicioso trabalho individual que antecedeu a assistência açucarada para Ruiz fazer o 2-1, mas também foi ele que fez o passe para Adrien marcar o golo do empate. De resto, não teve um jogo muito feliz, tendo perdido várias bolas nas suas tentativas de drible. De qualquer forma, são erros com que consigo viver caso continue a ser tão influente em jogadas de golo.

A entrada de Montero - em boa hora a ser lançado na segunda parte. Para além do golo, quase conseguiu a melhor assistência da sua carreira com aquele lançamento lateral longuíssimo a desmarcar Slimani.


Negativo

A atuação de Cosme Machado - o jogo disputou-se de noite, mas foi um autêntico roubo à luz do dia. Começou com o escandaloso empurrão a Mané, aos 12 minutos, que deveria ter dado penálti e vermelho para Hugo Seco. Continuou com o amarelo mostrado a Adrien - quantas vezes não se viu já um jogador tentar apressar a marcação de um livre, com o árbitro apenas a apitar para esperarar pela sua ordem? - que acabou por provocar a expulsão de Jesus. Na sequência dessa falta, Nuno Piloto fez uma falta dura sobre João Mário, que deveria ter sido punida com amarelo, independentemente de o lance ter prosseguido e dado golo. Fez vista grossa a uma entrada duríssima sobre Adrien no início da segunda parte, mas mostrou pouco depois um amarelo ridículo a Ewerton (sendo mais tarde benevolente numa falta do brasileiro que lhe poderia ter valido o segundo). E depois, claro, a incompreensível decisão de desautorizar o seu fiscal-de-linha, que tinha assinalado corretamente fora-de-jogo no 2º golo da Académica. Ainda teve tempo para expulsar Nelson e dar umas boas reprimendas ao banco do Sporting. Um autêntico desastre que, felizmente, acabou por não ter consequências no resultado. Este árbitro não pode voltar a arbitrar jogos do Sporting. Aliás, este árbitro não deveria voltar a arbitrar jogos, ponto.

A maldição dos centrais - mais uma vez tivemos problemas físicos no centro da defesa. Desta vez foi Naldo a ter que ser substituído prematuramente. Também William parece ter sido substituído por questões físicas.



Viveu-se uma noite revoltante em Alvalade, mas felizmente conseguimos vencer e manter a liderança isolada. Fico com curiosidade para saber se a nota de Cosme Machado será divulgada, e o quão negativa será essa nota.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Voltámos aos anos 90

Quando se vê um árbitro a desautorizar um fiscal-de-linha num lance de fora-de-jogo bem invalidado, não pode ser apenas incompetência. Veio-me à cabeça aquele golo que Donato Ramos anulou ao Benfica no Estádio das Antas. Hoje foi igual, apesar de todos sabermos que agora os cordelinhos são mexidos mais a sul. Aquilo a que estamos a assistir esta época equipara-se ao pior dos anos 90. O sistema está vivo, farfalhudo, e recomenda-se.


#DiaDeSporting: aprender com os erros cometidos

Se o Sporting quiser ser um bom estudante esta noite, não poderá repetir os erros cometidos no último teste realizado em Alvalade, contra o Tondela. Se voltarmos a entrar em campo sem fazermos nada para resolver o jogo, seguramente que o adversário não fará o obséquio de nos entregar os três pontos pelas lindas camisolas verdes e brancas que os nossos jogadores envergarão. Será, por isso, imperativo que a equipa procure a baliza do adversário a partir do primeiro minuto. A haver alguma gestão de esforço, que se faça com o resultado garantido. Até porque teremos a apitar o jogo o árbitro Cosme Machado que, não sendo um árbitro mal intencionado, é capaz de um momento para o outro retirar um coelho da cartola que pode afetar irreversivelmente o sentido da partida. Portanto, é proibido facilitar.

Já se sabia que Paulo Oliveira não pode alinhar hoje, por ter visto o 5º amarelo em Paços de Ferreira. Jefferson e Bruno César não fazem parte dos convocados, por lesão. Quem também ficou de fora foi Teo, provavelmente a tratar do seu regresso à América do Sul - que Diós assim o queira. Quatro baixas que, apesar de tudo, não retiram qualquer ponta de favoritismo ao Sporting. De qualquer forma, será sempre preciso demonstrar esse favoritismo dentro de campo.


Dez jogos é pouco para esta besta

Slimani pode apanhar entre um a dez jogos de suspensão, mas é pouco. Diogo Faro teve ontem a coragem de mostrar que o caos causado pelo argelino vai muito além da cotovelada dada a Samaris.

Balanço das arbitragens: 18ª e 19ª jornadas

Sporting 2-2 Tondela (Luís Ferreira)

29': Nathan Júnior cai na área após choque com Rui Patrício; o árbitro assinalou penálti - decisão errada, o jogador do Tondela já vai em desequilíbrio após tropeçar na relva e falhar o controlo da bola, Rui Patrício corta a bola, e o choque era inevitável

29': Na sequência desse lance, Rui Patrício é expulso - decisão errada

57': Após remate de Bryan Ruiz, Tikito corta a bola sobre a linha; o árbitro assinala inicialmente penálti por mão na bola, mas o árbitro assistente corrige a decisão - decisão certa, o corte é feito com a cabeça

=: erro duplamente penalizador ao assinalar um penálti e expulsando Rui Patrício (1)


Estoril 1-2 Benfica (Vasco Santos)

52': No golo de Mitroglou existiram algumas dúvidas sobre a legalidade da sua posição no momento do passe - decisão certa, o grego está em jogo

65': Dúvidas sobre se a bola atravessou a linha de golo da baliza do Estoril - as imagens não são elucidativas, pelo que não há forma de saber com certeza se deveria ter sido ou não golo do Benfica

=: arbitragem sem influência no resultado


Guimarães 1-0 Porto (Manuel Oliveira)

90+2': Aboubakar bate com o braço na bola, e vê o segundo amarelo - decisão errada, não parece haver um movimento propositado do jogador para cortar o lance

=: o erro aconteceu numa altura em que já era muito complicado chegar ao empate; como tal, considero que a arbitragem não teve influência no resultado



Paços Ferreira 1-3 Sporting (Artur Soares Dias)

31': Edson Farias disputa uma bola com Adrien dentro da área do Paços, o árbitro assinala mão de Adrien - decisão errada, duplo erro: o jogador do Paços toca primeiro a bola com a mão e depois empurra Adrien; penálti por assinalar a favor do Sporting


35': Diogo Jota cai na área após contacto com Naldo, o árbitro considerou simulação - decisão certa

=: apesar do erro, arbitragem sem influência no resultado



Benfica 3-1 Arouca (Manuel Mota)

12': A bola bate no braço de Lisandro Lopez dentro da área; o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o jogador do Benfica aborda o lance de braço aberto e acaba por intercetar a bola após toque de David Simão

=: penálti por assinalar a favor do Arouca quando o resultado era 1-0 (1X)



Porto 1-0 Marítimo (Jorge Ferreira)

22': Segundos antes do golo de André André, há um cruzamento sacudido por Salin, que atira a bola contra o braço aberto de Aboubakar; o árbitro não considerou mão na bola e deixou seguir - decisão certa, o braço de Aboubakar estava numa posição recuada e não era provável que a bola lhe embatesse no braço jogador, como tal deve ser considerado um lance casual

23': Maxi Pereira cai na área ao passar por Fernando Ferreira, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, há contacto, mas não parece ser suficiente para o derrubar, Maxi deixa-se cair

37': Maxi Pereira cai na área após empurrão de Patrick, o árbitro considerou simulação - decisão errada, existe um empurrão pelas costas ao jogador do Porto 

50': Maxi Pereira cai na área ao chocar com Romário Leiria, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, os dois jogadores dirigem-se para a bola e embatem ombro contra ombro

=: apesar do erro, arbitragem sem influência no resultado



Estatísticas da jornada



Estatísticas acumuladas



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Erros de arbitragem com o resultado em aberto agrupados por árbitro, desde 2013/14


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Boa noite!

Nota: aquilo que vão ver de seguida NÃO é montagem.


#PrayForGuedes


Afinal o Midas é outro

Dizem que Vieira tem o toque de Midas, mas aparentemente o verdadeiro Midas é Kia Joorabchian, o empresário que transformou 90 kgs de entulho Taarabtiano em ouro.

Segundo o contrato divulgado ontem pelo Football Leaks, o jogador marroquino irá receber, ao longo dos 5 anos de contrato...


... um total de 11,58 milhões de euros.

Para além disso, o empresário recebeu uma comissão de 1 milhão de euros pelos seus serviços.


Já se sabia que o Benfica tinha gasto 2,925 milhões de euros na aquisição do jogador, apesar de ter sido uma contratação a custo zero.


Ou seja, destes 2,925 milhões, 1 milhão de euros foram para o empresário. Provelmente os restantes 1,925 milhões terão sido pagos ao jogador, como prémio de assinatura (apesar de o R&C indicar que esses valores foram destinados para serviços de intermediação apenas, já que o efeito de atualização financeira é residual).

Isto significa que o Benfica estabeleceu um compromisso total de 14,505 milhões de euros com um jogador que era conhecido por ser um péssimo profissional.

Agora fiquei confuso: isto não é um erro daqueles que apenas dirigentes com pouca experiência, como Bruno de Carvalho, seriam capazes de cometer?


Vídeo-árbitro: mais um passo em direção ao futuro


Na partida disputada ontem entre o Feyenoord e o Heerenveen, a contar para liga holandesa, foi dado mais um passo na direção da implementação do vídeo-árbitro no futebol. A partida foi transmitida em direto através da internet, mas de um ângulo completamente novo: o do estúdio onde o vídeo-árbitro acompanhava o jogo.

O objetivo desta transmissão foi mostrar aos adeptos os meios que estão à disposição do vídeo-árbitro, no âmbito de mais um teste realizado pela KNVB (Federação Holandesa) - ainda sem comunicação entre o árbitro e o vídeo-árbitro -, no sentido de ter tudo o mais afinado possível para a Taça da Holanda do próximo ano, competição em que, pela primeira vez na história do futebol, será utilizado o recurso às repetições para decidir casos duvidosos.

De relembrar que a KNVB já tinha desenvolvido um estudo bastante completo, em que fez uma simulação em diferido daquilo que seria a atuação de um vídeo-árbitro em 45 partidas da liga holandesa. Os resultados foram extremamente interessantes e prometedores, e podem ser vistos aqui (LINK).

Voltando ao teste de ontem, podem ver, por exemplo, aos 1h38m25s do vídeo abaixo, a forma como o vídeo-árbitro e operador de imagem se coordenaram para observar um lance de cartão amarelo. Quem tiver paciência, pode encontrar bastantes outros exemplos ao longo do vídeo.



Em Portugal, ainda há poucos meses, muitos desvalorizavam a hipótese de implementação do vídeo-árbitro, incluindo pessoas com responsabilidades no futebol e na arbitragem. Felizmente que há lá fora quem realmente se preocupe com a transparência no futebol, porque no que dependesse de gente como Vítor Pereira ou Fernando Gomes, nem em 2050 se daria um passo para melhorar as condições de avaliação das equipas de arbitragem.

Capas que não fizeram história, nº 54: Igualdade de tratamento, segundo Vítor Serpa

No programa Quinta da Bola de ontem, o debate centrou-se exclusivamente nas polémicas da semana relacionadas com o Sporting: o desvio de Sá e Marega pelo Porto, e os três temas que foram destaque na capa do jornal do dia A Bola, que deixaram os sportinguistas verdes de raiva:


Dias Ferreira, um dos convidados, não perdeu tempo e começou de imediato a denunciar a forma parcial como a imprensa tenta alimentar as polémicas relacionadas com o Sporting. Perante as objeções de Vítor Serpa e José Manuel Delgado, Dias Ferreira foi particulamente certeiro ao apontar a ansiedade revelada por certos órgãos de comunicação social - nos quais incluiu o próprio jornal A Bola - em transformar o desvio de Sá e Marega numa tremenda derrota do Sporting.


Vale a pena ver o pequeno vídeo que se segue. Não só pela excelente intervenção de Dias Ferreira, mas também pela argumentação que Vítor Serpa usou para se defender a si e ao seu jornal:


Vítor Serpa perguntou: "Quando o Porto roubou aqueles jogadores todos ao Benfica, viu algum comportamento diferente do jornal em relação a isso? Não disse a mesma coisa que disse agora quando o Falcao vinha para o Benfica e o Porto o desviou?".

A resposta é simples: não. O jornal A Bola pode ter dado o mesmo destaque de capa quando o Porto desviou Falcao do Benfica, mas definitivamente não teve o mesmo comportamento, nem disse a mesma coisa.

É que em vez do eufórico "E VÃO QUATRO!... - Depois de Danilo e Suk, FC Porto 'rouba' Marega e José Sá ao Sporting", o que A Bola publicou foi isto:


"GANÂNCIA DE FALCAO ABRE A PORTA AO FC PORTO - Benfica recusou exigências de última hora". Aqui não houve roubos nem desvios, não houve um clube derrotado nem um clube vencedor. Houve apenas um jogador ganancioso que fez exigências de última hora, recusadas pelo Benfica. Só faltou dizer que o Benfica é que autorizou Falcao ir para o Porto.

Disse Vítor Serpa a Dias Ferreira: "Ainda bem que não é jornalista", acusando o dirigente sportinguista de ter memória seletiva. É preciso ter descaramento...

(obrigado, Tiago!)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Movimentações de mercado

Já está oficializada a contratação por empréstimo de Coates, central uruguaio do Sunderland, com opção de compra de €5M. Não tenho opinião formada sobre o jogador, mas compreendo o desejo de Jesus em contar com mais um central no plantel, considerando a lesão de Tobias e as dificuldades físicas que Ewerton tem demonstrado de forma persistente.


Perante a contratação do uruguaio, não vejo quaisquer vantagens desportivas no regresso antecipado de Rúben Semedo ao plantel. Rúben estava a jogar (e bem) como central no Setúbal, e agora vê-se completamente tapado para o que resta da época. Só consigo encontrar duas explicações: que a sua integração seja a pensar na posição de médio defensivo (Paulista tem estado sistematicamente indisponível por lesão), ou então como retaliação pela perda de Suk para o Porto.

Nos poucos dias que restam da janela de transferências, parece-me importante resolver a questão de Téo - um jogador que tem desiludido face ao rendimento que se espera à partidas de um titular da seleção colombiana. Se não quer ficar, é tentar recuperar o dinheiro investido nele e deixá-lo ir à sua vida. 

Resolvendo a questão Téo, passaria a haver mais margem para precaver uma mais-que-expectável suspensão de Slimani, contratando um jogador de características semelhantes. Teria, inclusivamente, a vantagem adicional de Jesus poder começar a trabalhá-lo no sentido de substituir Slimani já pensando na próxima época. Mais do que Diagne, dos jogadores de que se falou, aquele que me encheu as medidas foi mesmo Spalvis. Pelo que vi, parece justificar um esforço adicional para ser contratado já este mês.

Processos disciplinares à la carte

Confirmou-se ontem aquilo que já todos sabíamos que iria acontecer: a secção não profissional do Conselho de Disciplina da FPF decidiu instaurar um processo disciplinar a Slimani pela agressão a Samaris no dérbi para a Taça de Portugal.

Em primeiro lugar, que fique claro: Slimani agrediu Samaris e devia ter sido expulso nesse momento. No entanto, isso não justifica esta decisão absurda do CD. A queixa do Benfica devia ter sido prontamente arquivada, como o foram as várias queixas que o Sporting apresentou sobre várias agressões de jogadores benfiquistas nessa mesma partida (LINK e LINK).

E deveria ter sido arquivada porquê? Porque os regulamentos da FPF não prevêem a execução de sumaríssimos baseados em imagens de vídeo. Ao contrário do que se passa nos jogos da Liga, a secção não profissional do CD apenas se pode basear nos factos relatados no relatório do árbitro.

in JN, via @captomente

A decisão do CD é, portanto, duplamente aberrante. Não só decide de forma diferente situações idênticas referentes a uma mesma partida - decidindo instaurar um processo disciplinar a um jogador do Sporting por agressão a um jogador do Benfica, e arquivando a queixa das agressões de jogadores do Benfica a jogadores do Sporting -, como não existe enquadramento nos regulamentos que legitime a aceitação do vídeo apresentado pelo Benfica como prova.

Mas, infelizmente, esta não é a primeira demonstração de atroz incompetência (ou outra coisa que lhe queiram chamar) da secção não profissional do órgão presidido pelo Juiz Herculano Lima - o inventor do dolo sem intenção -, que é também composto pelo Vice-Presidente Manuel Saraiva e pelos vogais Vítor Carvalho, Jorge Amaral, Domingos Cordeiro, João Guimas e Leonel Gonçalves.

Fonte: fpf.pt

No dia 22 junho de 2012, o Sporting fez uma exposição dos incidentes ocorridos no jogo 3 da final de futsal com o Benfica, disputado três dias antes, que incluía acusações. a vários jogadores da equipa benfiquista, de injúrias e ofensas à integridade física - nomeadamente Ricardinho e César Paulo. O órgão competente para julgar este caso era, precisamente, a secção não profissional do CD.

O processo ficou em águas de bacalhau durante meses. No dia 1 de março de 2013, ou seja 9 meses depois, o CD decidiu colocar um processo disciplinar a Ricardinho e ilibar César Paulo. O Sporting recorreu para o CJ que, no dia 2 de maio de 2013, anulou a decisão e enviou o processo de volta ao CD para ser reapreciado.

Só no dia 11 de outubro de 2013, ou seja, mais de 5 meses depois, é que o CD reabriu o processo de averiguações, que se prolongaria mais uma vez de forma inacreditável no tempo. A 26 de setembro de 2014, o CD decidiu colocar processos disciplinares aos jogadores Ricardinho, César Paulo e Marcos Affini. E, finalmente, a 26 de junho de 2015, saiu o "veredicto": os três jogadores foram absolvidos porque as ofensas de que eram acusados já tinha prescrito. Inacreditável.

O Sporting recorreu para o CJ, que se declarou incompetente para apreciar o recurso, dirigindo-o no dia 24 de julho de 2015 para o recém-criado TAD (Tribunal Arbitral de Desporto).

O TAD iniciou o julgamento do caso no princípio de novembro e demorou apenas 20 dias a decidir. Obviamente, nada havia a fazer em relação à prescrição do prazo. Não obstante, o tribunal incluiu algumas observações no acórdão que são bastante claras: em como a atitude de Ricardinho foi altamente censurável e passível de se considerar crime de injúria, e que, em relação a César Paulo, ficou dado como provado o arremesso deliberado da bola contra a tribuna da equipa do SCP, procurando atingir dirigentes do SCP, incorrendo como tal numa infração disciplinar muito grave.

Recapitulando:
  • 19/06/2012 - Jogo 3 da final
  • 22/06/2012 - Exposição do Sporting junto do CD
  • 01/03/2013 - CD coloca processo disciplinar a Ricardinho e iliba César Paulo; Sporting recorre para o CJ
  • 02/05/2013 - CJ anula decisão e reenvia processo para o CD
  • 11/10/2013 - CD reabre processo
  • 26/09/2014 - CD coloca processos disciplinares a Ricardinho, César Paulo e Marcos Affini
  • 26/06/2015 - CD absolve os jogadores por prescrição das infrações

Foi, portanto, a incompetência / inércia / esquecimento seletivo da secção não profissional do CD que, deixando na gaveta o processo durante 3 anos e 4 dias (com um intervalo de apenas 2 meses pelo meio, em que o 1º recurso esteve do lado do CJ), fez com que os jogadores não tivessem sido punidos por atos que, comprovadamente, cometeram.

As pessoas que decidiram arquivar as queixas do Sporting e dar sequência às queixas do Benfica estão, portanto, apresentadas. Obviamente, ninguém ficará espantado se o processo disciplinar a Slimani for concluído a tempo de causar danos desportivos graves ao Sporting ainda esta época. Pelo menos servirá para tirar a dúvida se estaremos perante indivíduos incompetentes ou mal-intencionados. A data em que o castigo for conhecido assim o determinará.

(obrigado, ZFS!)

Adenda (12h45): o regulamento disciplinar da FPF foi alterado em junho de 2015, passando a admitir imagens como meio de prova nos processos julgados pela secção não profissional do CD. Ainda assim, continua a permanecer a questão do arquivamento da queixa das múltiplas agressões de jogadores do Benfica a jogadores do Sporting.

#ALínguaDoSlimani

Ver aqui (LINK).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

João Capela bem tentou...

... mas o Braga vai mesmo à Luz disputar o apuramento para a final da Taça da Liga. Mais uma arbitragem absolutamente escandalosa.


Paulo Fonseca falou em "lances que devem ser vistos, revistos e analisados". Aqui estão eles.
Publicado por Sporting Clube de Braga em Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Slimani v. Jonas

A propósito de uma sugestão deixada ontem pelo João na caixa de comentários, aqui fica a comparação dos golos marcados por Slimani e Jonas, em função dos adversários.


São dois grandes jogadores, estão a realizar excelentes épocas, a sua influência em campo não se limita aos golos que marcam, mas não me parece que existam grandes dúvidas sobre qual deles se tem destacado mais até ao momento.

Curiosidades

A Doyen pagou uma viagem em jato privado a Luís Filipe Vieira e outra à Promovalor (empresa de Luís Filipe Vieira). Revelado hoje no Football Leaks.


Rui Gomes da Silva e Pedro Guerra em sintonia. Mais uma vez.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Equação impossível

O Arouca - Sporting de há pouco foi um daqueles jogos carregado de dilemas sem solução, que só mesmo a Taça da Liga é capaz de nos dar. Por um lado, queremos ver a nossa equipa a ganhar. Por outro, não queremos que ninguém se lesione para não prejudicar as aspirações no campeonato. Por um lado, estamo-nos a borrifar para a competição em si. Por outro, não nos importamos de ter uma nova oportunidade para fazer uma reprise do Bailando perante os vencedores crónicos da Taça Lucílio. Por um lado, queremos existam sempre mais dias de Sporting. Por outro, não queremos que o calendário fique demasiado sobrecarregado em fevereiro.

Como tal, era, à partida, logicamente impossível chegarmos ao fim do jogo com um sentimento de satisfação pleno, independentemente do resultado e da definição do apuramento.

Mas mesmo perante este cenário sem qualquer happy ending à vista, a primeira parte foi demasiado má para ser verdade. Já vi jogos de solteiros contra casados mais interessantes que este. Pior, já joguei jogos de solteiros contra casados mais interessantes que este. Foi de tal forma aborrecido, que apenas consegui retirar dois aspetos positivos em relação aos primeiros 45 minutos: em primeiro lugar, o facto de eu só ter começado a ver o jogo a partir dos 20'; depois, a constatação de que, perante esta ausência de futebol, seria difícil a coisa não melhorar na segunda parte.

E a verdade é que a segunda parte lá conseguiu ser minimamente suportável. Mané, Gelson e Podence entraram com alguma vontade de jogar e conseguiram contagiar alguns dos seus companheiros. Algumas jogadas decentes, Montero a bater dois excelentes livres e num deles Zeegelaar estreou-se a marcar e a assegurar a vitória. E Jug fez bem o pouco que teve para fazer. Pena é que já não tenha mais jogos da Taça da Liga para se mostrar (see what I mean?).

Viagem no tempo

Numa era em que os benfiquistas ainda valiam mais que um euro (€55, para ser exato) e em que ainda celebravam o primeiro campeonato sob o comando de Luís Filipe Vieira, o presidente do Benfica deu uma deliciosa entrevista a Herman José que, infelizmente, acabou esquecida no tempo.

Com uma plateia repleta de elementos do Estado-Maior benfiquista - incluindo o motorista Zé, recentemente transformado numa celebridade devido ao caso da Porta 18 -, Vieira revisitou episódios da sua juventude, dos negócios que o ajudaram a enriquecer (aquela conversa das jantes com Herman José é magnífica), e de outros assuntos polémicos, como certos problemas com a justiça ou a sua amizade com Pinto da Costa.

Se há tesourinhos que vale a pena recordar, este é seguramente um deles.

Melhor marcador a nível mundial em 2016

Estatística interessante, que comprova o grande momento de forma que Slimani atravessa: é o jogador que mais golos marcou a nível mundial em 2016.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Jorge Jesus fala de "O Mundo Sabe Que"

Jorge Jesus e os jogadores deram motivos aos sportinguistas para aguardarem o jogo seguinte sempre com enorme expetativa. Os sportinguistas retribuíram com "O Mundo Sabe Que", um momento que só quem presenciou ao vivo no estádio consegue verdadeiramente compreender.

Declarações que passaram há pouco na Sporting TV, durante o lançamento do jogo de amanhã com o Arouca.


Ainda sobre a transferência de Marega para o Porto

A propósito do "roubo" ao Sporting de que muitos falam - referente à contratação de Marega pelo Porto -, talvez fosse bom ouvir as palavras que o empresário do jogador disse hoje à Antena 1.


Não tendo havido uma proposta por parte do Sporting, parece-me que fica claro que o interesse do clube em Marega nunca foi muito sério - se é que houve algum interesse real.

Também é engraçado ver como muitos benfiquistas celebraram este "roubo", como se uma vitória sua se tratasse - apesar de este "roubo" significar que o Benfica apenas receberá peaners pelos seus 25% de José Sá.

Entretanto, vão-se multiplicando as reações a estas contratações. A melhor, até ao momento, é a de José Marinho:

via Milhafre Orlando

O desvio de Sá e Marega para o Porto

Começando pelo óbvio: tenho a certeza que não terá havido um único sportinguista minimamente informado que, perante as capas sucessivas que o jornal O Jogo foi fazendo sobre as iminentes transferências de Sá e Marega para o Sporting, não suspeitasse que a história tinha grandes probabilidades de terminar com ambos os jogadores a assinarem pelo Porto.

22-jan-2016

23-jan-2016

24-jan-2016

25-jan-2016

Já todos sabemos que um dos hobbies preferidos da imprensa nacional é apresentar estes processos de transferências como vitórias para uns e derrotas para o Sporting. Juntando este interesse desmesurado do jornal O Jogo e a personalidade de Carlos Pereira, uma figura de coluna totalmente gelatinosa que parece retirar particular prazer em provocar o Sporting, não é de todo surpreendente este desfecho.

Até consigo conceber que o Sporting tenha estado interessado em José Sá. Temos na posição de segundo guarda-redes um problema por resolver, e Sá preenchia vários requisitos que fariam dele o suplente ideal de Rui Patrício: tem potencial para poder vir a ser o guarda-redes titular no futuro, após uma eventual saída de Patrício, e estava em final de contrato, o que colocaria o Sporting numa posição negocial vantajosa contra as habituais manobras de Carlos Pereira para inflacionar o preço.

Mas em relação a Marega, não consigo encontrar qualquer motivo especial que atraísse o interesse do Sporting. O jogador tanto pode fazer a posição de extremo como de ponta-de-lança. Não faria qualquer sentido contratá-lo para jogar extremo, pois tanto Gelson como Matheus já dão neste momento garantias de rendimento iguais ou superiores (para não falar na diferença de potencial), nem para ponta-de-lança, pois não é um jogador com um registo de golos minimamente interessante. Para além disso, é um jogador com um feitio complicado, que lhe valeu inclusivamente um afastamento temporário da equipa já esta época. E já nem entro pela questão do preço: ficaria perplexo se o Sporting pagasse €3,5M pelo jogador. Portanto, se o Sporting deu a entender estar interessado em Marega em algum momento, acredito que tenha sido apenas para desviar as atenções daqueles que serão os reais alvos do clube.

Os jogadores vão, portanto, para o Porto. É, à partida, uma boa notícia para os rivais. Marega vai disputar um lugar com Aboubakar, Suk, André Silva (PL) ou Brahimi, Corona e Varela (extremo). Em nenhuma das posições oferecerá competências que o Porto não tenha já no plantel, com a agravante de potencialmente ser mais um jogador a bloquear a afirmação de André Silva.

Em relação a José Sá... é mais um a juntar à legião de guarda-redes que o Porto tem sob contrato: Casillas, Helton, Fabiano, Gudiño, Andrés Fernandez, Ricardo, Bolat, Kadu, para além de outros 2 guarda-redes que já foram utilizados na equipa B esta época.

Isto é, obviamente, uma questão que apenas ao Porto diz respeito. Mas, enquanto sportinguista, fico satisfeito se continuarem a desperdiçar recursos (que são cada vez mais limitados) em jogadores pelos motivos errados: mais pelas alfinetadas do que pelas mais-valias que poderão trazer ao grupo de trabalho.

Com "derrotas" destas consigo viver perfeitamente.

P.S.: de tão previsível que tudo isto é, deve ser uma questão de tempo para Carlos Pereira aparecer a dizer que a proposta do Sporting era superior, mas que os jogadores preferiram o Porto.

P.S.2: para além de todos os motivos que já listei que desaconselhariam a contratação de Marega, o facto de o jogador ter ontem pedido ao seu (então) treinador para ser substituído, aos 30', obrigando-o a queimar uma substituição contra aquele que passaria a ser o seu novo clube poucas horas depois, é uma excelente prova do seu caráter.

Mais um penálti perdoado

Mais um penálti perdoado ao Benfica, no jogo de sábado contra o Arouca. Aconteceu aos 10' da primeira parte, numa altura que o Benfica vencia por 1-0. Podem ver o lance no vídeo abaixo. É visível na última repetição, por volta dos 25'':




Era um lance fácil de ajuizar pelo árbitro Manuel Mota? Não, não era. Não é daqueles penáltis óbvios, que saltam à vista de qualquer ângulo. Mas devia ter sido assinalado, pois Lisandro tem deliberadamente um braço levantado, acabando por intercetar irregularmente a trajetória da bola.

Com mais este caso, já vão seis penáltis por assinalar contra o Benfica em momentos do jogo em que o resultado ainda estava em aberto, e sete cartões vermelhos perdoados a jogadores encarnados

Recupero a lista:

Penálti de Luisão por assinalar contra o Estoril (o resultado era 0-0)

Penálti de Mitroglou por assinalar contra o Paços de Ferreira (o resultado era 0-0)

Segundo amarelo perdoado a André Almeida contra o Porto

Agressão de Samaris a Bryan Ruiz

Agressão de Fejsa a Adrien

Penálti de Jardel sobre Suk, com o resultado em 0-0 (LINK)

Simulação de penálti de Lisandro contra o Setúbal, quando já tinha um amarelo, com o resultado em 0-1

Cartão vermelho perdoado numa agressão de Eliseu contra o Guimarães, com o resultado em 0-0

Penálti de Fejsa sobre um jogador do Guimarães, com o resultado em 0-0 (LINK)

Penálti e expulsão perdoada a Lisandro contra o Guimarães, com o resultado em 0-0

Segundo amarelo perdoado a Jardel contra o Guimarães (LINK)

Penálti de Lisandro perdoado contra o Arouca, com o resultado em 1-0

domingo, 24 de janeiro de 2016

Se o ridículo matasse...

José Nuno Martins, diretor do Jornal Benfica, durante o intervalo do Benfica - Arouca.


(via @diogob22)

Descoberto o motivo dos desacatos na bancada das claques do Benfica

Um escândalo. O Conselho de Disciplina da FPF tem que pôr um fim a este terrorista.

(via ForumSCP)

O melhor ataque é a defesa

Ganhar ao Paços de Ferreira, na Mata Real, é uma tarefa sempre complicada para qualquer clube, havendo vontade na equipa da casa em complicar a vida ao adversário. Ganhar ao Paços de Ferreira, na Mata Real, é para o Sporting uma tarefa particularmente complicada: nas 10 épocas anteriores, só tínhamos vencido em 3 ocasiões. Ganhar ao Paços de Ferreira, na Mata Real, de uma forma tão afirmativa e categórica, com a liderança em causa, não pode deixar de ser visto como (mais) uma prova da tremenda qualidade que esta equipa tem. O Sporting conseguiu manter o Paços sempre no seu meio-campo, e apesar de estarmos a falar de um dos campos mais apertados da liga, a equipa conseguiu sempre criar os espaços necessários para ameaçar a baliza do pai de Diego Marafona.

Foram várias as oportunidades de golo iminente de que o Sporting dispôs, começando por um cabeceamento falhado de Ruiz de baliza aberta, passando por outras oportunidades de Naldo, Adrien, João Mário (à barra), e outras quase-oportunidades que ficaram a décimas de segundo de darem origem a um remate em posição privilegiada. Em resumo, uma vitória justíssima de uma equipa que conseguiu praticamente em todo o jogo secar aquele que é o 5º classificado do campeonato, no seu terreno.

E é esta constatação que, ao mesmo tempo, acaba por tornar ainda mais frustrante os pontos perdidos contra União e Boavista. Quando esta equipa entra em campo com intensidade total desde o princípio, quando não fica à espera que o resultado se faça sozinho, é difícil haver equipa que lhe resista.



Positivo

O melhor ataque é a defesa - no post do blogue premièretouche que traduzi há uns dias, está escrito que, neste Sporting, é impossível dissociar o processo ofensivo do processo defensivo. É uma grande verdade, como se pôde comprovar ontem no segundo e terceiro golo. Foi a intensa pressão e a rápida recuperação de bola que acabaram por estar na origem do 0-2 e do 1-3. Quando o Sporting sufoca os adversários quando estes têm a posse de bola, não está só a tapar os caminhos para a sua baliza. Está também em processo de criação de caminhos para a baliza adversária.


O coletivo que faz sobressair as individualidades - mais uma vez, as figuras do jogo foram os três jogadores que, na minha opinião, explodiram com o sistema de jogo implementado por Jorge Jesus: Adrien, João Mário e Slimani, por nenhuma ordem em particular. O argelino juntou mais uma assistência e dois golos à sua conta. João Mário está cada vez mais influente na manobra ofensiva da equipa, tendo feito as duas assistências para os golos de Slimani e semeando o pânico na área pacense em algumas outras ocasiões. Adrien foi mais uma vez o jogador omnipresente que tem sido nos últimos tempos. Hoje, é completamente impossível ter o melhor Sporting em campo sem estes três jogadores.

A reação de William - depois do mau jogo de Portimão, William fez uma exibição bastante positiva. Foi extremamente eficaz na destruição das tentativas de ataque do Paços, tendo ganho praticamente todos os duelos na sua zona de ação.

A onda verde - bancadas cheias na Mata Real, com apoio permanente e bem audível ao Sporting. Apesar dos dois maus resultados que antecederam a partida, foi mais uma grande demonstração de crença na equipa.

O amarelo a Paulo Oliveira - viu nos descontos o quinto cartão amarelo, que o deixa de fora da receção à Académica. Considerando a dificuldade teórica desse jogo em comparação com os que se seguirão, foi bem sacado.


Negativo

Aquele minuto de angústia - o Paços pouco fez para merecer marcar um golo. No entanto, aquela catapulta humana (de seu nome João Góis) que lá têm, conseguiu, com um lançamento lateral, aquilo que toda a equipa se mostrava incapaz de fazer em jogo corrido: colocar a bola na área de Patrício. Com mais dois toques de cabeça, reduziu o resultado para apenas um golo de diferença, causando a angústia de ver reaberto um jogo que parecia fechado. Felizmente foi uma angústia bem curta, graças à rápida reação da equipa.



Vitória indiscutível em jogo de alto risco que assegurou a manutenção da liderança, para desgosto de muito boa gente que já cantava de galo. Temos pena.

sábado, 23 de janeiro de 2016

#DiaDeSporting: O onze para Paços de Ferreira


Jogo de alto risco, não só pela dificuldade do adversário, mas também pelo mote dado por Vítor Pereira esta manhã no Record. Tem que ser encarado pelos jogadores como se de uma final se tratasse.

O comunicado do Benfica sobre o pagamento de Bernardo Silva

O Benfica emitiu ontem, durante a tarde, um comunicado a comentar o leak sobre o pagamento de Bernardo Silva:


Em primeiro lugar, não existe nenhuma instituição que se disponha a adiantar A TOTALIDADE do valor acordado sem receber algo em troca. Ou há uma comissão envolvida, ou há juros, ou até podem existir ambos os tipos de despesas. No fundo, ou estamos a falar de um empréstimo ou de uma operação de factoring. Olhando para o texto do comunicado, diria que estamos perante a segunda hipótese.

Adiante. Recuperando os prazos acordados para a transferência entre Benfica e Mónaco:


Os pagamentos estão divididos em três tranches: a primeira a 10 de julho de 2015, a segunda a 10 de dezembro de 2015, e a terceira a 10 de julho de 2016.

Olhando para o R&C do 3º trimestre de 2014/15 (referente a 31 de março de 2015), o saldo de clientes do Benfica (ou seja, as entidades que deviam dinheiro ao Benfica à data) era o seguinte:


Tudo certo. O prazo de pagamento ainda não tinha vencido, pelo que os 15,75M estavam em dívida. Olhemos agora para o R&C anual de 2014/15 (referente a 30 de junho de 2015):


Aqui, o Mónaco já não aparece na lista de clientes com saldo. Isto significa que o Benfica terá chegado a acordo com a XXIII Capital durante o 4º trimestre, ou seja, algures no tempo entre 1 de abril e 30 de junho.

Considerando que a primeira tranche só iria ocorrer em julho de 2015, deveria haver alguma indicação que o Benfica cedeu 15,75M de valores a receber futuros a uma terceira entidade. No entanto, olhando para o estado dos empréstimos (correntes e não correntes) a 30 de junho, no mesmo R&C, temos:



Não só não há nada na rubrica de Factoring, como também todos os empréstimos estão perfeitamente identificados, e não há referência a uma operação de 15,75 milhões realizada com a XXIII Capital. Aliás, a XXIII Capital não é referida em nenhuma das 156 páginas do R&C anual. No 3º trimestre de 2014/15 e no 1º semestre de 2015/16 também não é mencionada.

Não tenho conhecimentos para dizer se a opção por retirar os 15,75 milhões da rubrica de clientes e omitir o adiantamento da XXIII Capital é contabilisticamente correta. Mas parece-me muito, muito dinheiro, para não ser referido nem sequer como nota de rodapé num documento desta importância para uma empresa cotada em bolsa.

Por exemplo: o Porto, durante o 1º trimestre de 2015/16, fez uma operação semelhante: arranjou uma instituição que lhe adiantasse os valores a receber relativos a Danilo e Alex Sandro, as receitas da Champions da época e dos patrocínios. Como é óbvio, indicaram-no no seu relatório trimestral de forma detalhada na rubrica de Factoring:


Com o Sporting passa-se o mesmo. Antecipou os valores relativos aos direitos de televisão desta e da próxima época, e indicou-o no R&C.


Perante tudo isto, faltou ao Benfica esclarecer no comunicado:

1. Qual é a comissão / juro que a XXIII Capital (uma empresa que, ao que parece, cria produtos financeiros estruturados de alto risco com "ativos" como empréstimos feitos a clubes - de natureza até certo ponto equiparável aos tristemente célebres ativos tóxicos que precipitaram a crise do subprime) vai cobrar ao Benfica?

2. Por que motivo o Benfica omitiu a operação realizada com a XXIII Capital Limited nos seus R&C? Por que motivo não incluiu uma transação que, tomando como bom o comunicado do Benfica, envolve a avultada soma de 15,75 milhões?

3. Foram efetuados mais adiantamentos deste género, relativamente a outras transferências de jogadores já realizadas, como as de João Cancelo ou Ivan Cavaleiro, ou de transferências de jogadores ainda por realizar?

Por fim, seria bom que a CMVM, por uma vez na vida, se mostrasse curiosa com um assunto polémico relacionado com as contas do Benfica. Quando alguém omite uma operação desta dimensão, normalmente é porque quer esconder algo. Há demasiado dinheiro e pessoas envolvidas, incluindo uma auditora, para ser um simples caso de desatenção. Se isto não é motivo para a CMVM pedir esclarecimentos, então não sei o que será.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Finalmente pode-se falar *do jogo* nas conferências de imprensa do Sporting

Há poucos dias, a SIC mostrou em pleno Jornal da Noite uma peça em que destacava a intervenção do assessor de imprensa do Sporting, Diogo André, na escolha do jornalista que faria a pergunta seguinte, em função do tema que iria ser abordado.

A conclusão dessa reportagem foi que o assessor do Sporting pretendia que a pergunta se focasse sobre a arbitragem, e não sobre o jogo. Diogo André reagiria mais tarde, dizendo que o seu objetivo era precisamente o oposto. De qualquer forma, a peça da SIC já tinha sido emitida, e o veredicto foi que, em 4 perguntas, apenas 2 foram sobre o jogo e as outras 2 sobre a arbitragem. Não foi permitido aos jornalistas focarem-se mais sobre o jogo, como desejariam.

Pois bem, precisamente uma semana depois dessa conferência de imprensa, Jorge Jesus esteve em Alvalade a fazer o lançamento da partida de Paços de Ferreira. E, como seria de calcular, os jornalistas deixaram os assuntos polémicos de lado e concentraram-se no jogo propriamente dito. Como, por exemplo, nesta pergunta extremamente pertinente sobre a abordagem técnico-tática que Jesus pretende fazer em função do seu adversário de amanhã:


Assim é que é bonito. Não há nada que ponha um jornalista mais feliz do que poder falar de futebol com as pessoas que percebem do assunto.

Football Leaks: 1ª tranche do pagamento de Bernardo Silva NÃO foi para o Benfica

O Football Leaks revelou agora o contrato de transferência de Bernardo Silva do Benfica para o Mónaco, assinado a 19 de janeiro de 2015. Ficou acordado que o pagamento seria feito em três tranches iguais, de €5,25M, a primeira a 10 de julho desse ano:


Mas a 10 de julho, o banco enviou uma confirmação de transferência ao Mónaco em que diz: "Conforme as vossas instruções de 10/07/2015, transferiremos €5,25M em favor de XXIII CAPITAL LIMITED.


Ou seja, houve uma terceira entidade envolvida nesta transferência. Qual o papel dessa entidade? É uma financiadora com quem o Benfica terá feito um contrato de factoring sobre os valores a receber do Mónaco? Ou será mais do que isso? O que é facto é que não há qualquer referência à XXIII Capital Limited no R&C do Benfica de 2014/15 (relatório anual ou do 3º trimestre).

O que é certo é que o Benfica não recebeu nada da primeira tranche. Falta também saber quanto terá recebido o Benfica na segunda tranche, que foi paga no dia 10 de dezembro, e quanto receberão na terceira tranche.

Não está ao alcance de todos

A título de curiosidade, procurei sites que apresentassem as estatísticas de penáltis assinalados contra uma equipa e os cartões vermelhos mostrados nas várias ligas europeias. Para além da liga portuguesa, consegui encontrar dados referentes às ligas inglesa, francesa, italiana, espanhola, alemã, holandesa e escocesa.

Recolhi os dados dos cinco primeiros classificados de cada liga:
  • Portugal: Sporting, Benfica, Porto, Braga e Paços de Ferreira;
  • Inglaterra: Arsenal, Leicester, Manchester City, Tottenham e Manchester United;
  • França: PSG, Monaco, Angers, Nice e Saint-Étienne;
  • Itália: Nápoles, Juventus, Inter, Fiorentina e Roma;
  • Espanha: Atlético Madrid, Barcelona, Real Madrid, Villarreal e Celta de Vigo;
  • Holanda: Ajax, PSV, Feyenoord, Vitesse e NEC;
  • Escócia: Celtic, Aberdeen, Hearts, St. Johnstone e Ross County.

Agrupei estes 40 clubes em função da quantidade de cartões vermelhos vistos e penáltis assinalados contra ao longo da época. O resultado é o seguinte:



Apenas o Manchester City acompanha o Benfica na [capacidade / sorte / privilégio] (riscar o que não interessa) de ainda não ter sido punido nem com cartões vermelhos nem com penáltis contra. No entanto, há que considerar que o Manchester City participa numa liga que tem bastante menos expulsões: 

Inglaterra: 35 vermelhos em 220 jogos, correspondendo a 0,16 expulsões / jogo
Portugal: 61 vermelhos em 162 jogos, correspondendo a 0,37 expulsões / jogo

A probabilidade de haver um jogador expulso numa partida em Portugal é mais de 2 vezes superior do que haver um jogador expulso numa partida em Inglaterra - que é também comprovável pelo facto de 4 dos 5 primeiros classificados da Premier League ainda não terem tido qualquer cartão vermelho esta época. Ou seja, é mais normal que um clube em Inglaterra tenha poucas expulsões, quando comparado com um clube português.

Estendendo o raciocínio a todos os clubes destas 8 ligas, posso dizer que:
  • Portugal: 17 dos 18 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra
  • Inglaterra: 19 dos 20 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra
  • Alemanha: todos os 18 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra
  • Espanha: todos os 20 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra
  • Itália: todos os 20 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra
  • Holanda: todos os 18 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra
  • Escócia: todos os 12 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra 
  • França: todos os 20 clubes já tiveram ou expulsões ou penáltis assinalados contra

Ou seja, nestas 8 ligas, apenas 2 em 146 equipas ainda não tiveram nem expulsões nem penáltis assinalados contra. Pode-se dizer que falamos de um clube bastante exclusivo. Não está ao alcance de todos.

No caso do Manchester City não sei, mas a ausência de penáltis e expulsões a punir o Benfica não se deve, de certeza, a falta de oportunidades. Para reavivar as cabeças mais esquecidas, ficam aqui algumas situações em que os árbitros deveriam ter decidido de maneira diferente.

Penálti de Luisão por assinalar contra o Estoril (o resultado era 0-0)

Penálti de Mitroglou por assinalar contra o Paços de Ferreira (o resultado era 0-0)

Segundo amarelo perdoado a André Almeida contra o Porto

Agressão de Samaris a Bryan Ruiz

Agressão de Fejsa a Adrien

Penálti de Jardel sobre Suk, com o resultado em 0-0 (LINK)

Simulação de penálti de Lisandro contra o Setúbal, quando já tinha um amarelo, com o resultado em 0-1

Cartão vermelho perdoado numa agressão de Eliseu contra o Guimarães, com o resultado em 0-0

Penálti de Fejsa sobre um jogador do Guimarães, com o resultado em 0-0 (LINK)

Penálti e expulsão perdoada a Lisandro contra o Guimarães, com o resultado em 0-0

Segundo amarelo perdoado a Jardel (LINK)


Resumindo: cinco penáltis e sete vermelhos perdoados até agora. O quadro lá em cima ficaria com um aspeto um pouco diferente...

Adenda: em 6 jogos da Liga dos Campeões, o Benfica teve um penálti contra e um jogador expulso. Com árbitros portugueses provavelmente isso não se teria passado. (obrigado, @skhimji1!)