terça-feira, 31 de maio de 2016

O Sporting e o mercado: um beco sem saída

É interessante fazer uma análise comparativa aos artigos de opinião que José Manuel Delgado e Vítor Serpa escreveram, na sexta-feira e sábado passados, sobre as decisões que Benfica e Sporting têm que tomar este defeso em relação à venda ou manutenção dos seus jogadores com mais mercado.

É um facto que os clubes portugueses têm de vender para equilibrar as suas contas. Também é um facto que o futebol português não é a meta final de carreira a que aspiram os jogadores mais talentosos. Como tal, é normal que tanto os melhores jogadores do Sporting como os do Benfica tenham a ambição de progredirem para as ligas mais competitivas da Europa.

Neste momento, no que a decisões de mercado diz respeito, existe apenas uma diferença relevante entre Sporting e Benfica: teoricamente, o Benfica já fez as vendas necessárias para equilibrar as contas (Renato Sanches e Gaitán serão suficientes, considerando as receitas da Champions obtidas esta época), enquanto o Sporting ainda terá que vender pelo menos um jogador de primeira linha (Slimani? João Mário?). Em tudo o resto, as circunstâncias são iguais. 

No entanto, não será com essa ideia que um leitor do jornal A Bola ficará, após uma leitura atenta dos textos de Serpa e Delgado. Primeiro, na sexta-feira passada, Delgado, referindo-se ao Benfica, colocou o foco no equilíbrio que deve existir entre as consequências desportivas e financeiras que mais ou menos saídas de jogadores implicam.


----- INTERLÚDIO ----- 

É preciso algum esforço para uma pessoa se conseguir alhear deste exercício de bajulação vieirista com que Delgado presenteou os seus leitores. Só com muito boa vontade se pode usar o exemplo de Guedes como um caso de sucesso, quando, na realidade, foi utilizado apenas 38 minutos em TODA a 2ª volta do campeonato. O mesmo, até certo ponto, aplica-se a Nélson Semedo, que nunca se conseguiu impor após a lesão, apesar de a concorrência no plantel não ser propriamente forte. 

O argumento utilizado por Delgado em como o sucesso de Guedes e Semedo se comprova pelas suas internacionalizações A, apenas serve para expor o ridículo de algumas convocatórias e a via aberta que os jogadores de Mendes têm para chegar à seleção.

----- FIM DO INTERLÚDIO -----


Ou seja, parece-me que, no essencial - e floreados vieiristas à parte -, Delgado tem razão sobre a necessidade que o Benfica tem de vender e sobre a importância de existir um equilíbrio nas cedências que os clubes (genericamente falando) fazem ao mercado durante as janelas de transferências.

A questão é que, 24 horas depois, Vítor Serpa decidiu escrever sobre a mesma temática, mas aplicada a outro clube: o Sporting. E, não surpreendentemente, o tom do texto é bastante mais negro:


A forma como Serpa apresenta os vários cenários é coisa para deixar qualquer sportinguista à beira da depressão. Se o Sporting não vender, isso representa "um elevado esforço financeiro, com consequências perigosas para o futuro". Se o Sporting vender um par de jogadores de referência, então o risco financeiro desaparece, mas em contrapartida abre-se a Caixa de Pandora: os jogadores que permaneçam de leão ao peito mais uma época poderão ficar (usando expressões do próprio Serpa) perturbados, frustrados, injustiçados e, até, quem sabe, enraivecidos. Impávidos e serenos? Nem pensar!

Quem leia Vítor Serpa até deve ficar a pensar que este beco sem saída de mercado é um exclusivo do novo Sporting. Mas não é. E não é uma equação tão difícil de resolver quanto o diretor do jornal A Bola quer fazer crer. A carreira de um jogador não termina aos 23 ou 24 anos. É, sobretudo, uma questão de recompensar devidamente os melhores jogadores (aumentando-lhes o salário), integrando-os numa equipa competitiva e proporcionando a montra da Champions para se mostrarem. Benfica e Porto têm trabalhado assim de forma consistente (quantos anos foi Vieira aguentando Gaitán e Luisão no clube?), e no Sporting, felizmente, começa a haver condições para fazer o mesmo - basta olhar para a quantidade de renovações que têm sido feitas e para a qualidade que se tem visto dentro das quatro linhas.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Primeiro ensaio

Não cabe na cabeça de ninguém que Portugal não passe a fase de grupos do Euro 2016. É politicamente correto que se diga que já não existem adversários fáceis, mas mal de nós se não conseguirmos apurar-nos para os oitavos de final tendo como adversários a Islândia, Áustria e Húngria. Ou seja, em teoria, existirá tempo e um enquadramento competitivo ideal para ir consolidando rotinas e gerindo fisicamente a equipa ao longo dos seis jogos que garantidamente teremos que disputar entre 29 de maio e 22 de junho, de forma a chegarmos ao momento da verdade no melhor momento possível.

Como tal, considerando que o jogo de ontem foi o primeiro desses seis - com a agravante de se disputar ao fim de uma primeira semana de preparação realizada a meio gás, em função da ausência de praticamente metade do grupo de trabalho -, é totalmente prematuro extraírem-se grandes conclusões da vitória por 3-0 contra a Noruega.

O resultado foi melhor que a exibição. Tirando aquilo que se viu nos golos - o rasgo de génio de Quaresma, o livre indefensável de Raphael Guerreiro e a assistência de João Mário para a finalização do capitão (!) Eder -, não posso dizer que tenha ficado entusiasmado com o futebol que a seleção praticou. Foram poucas as situações de perigo criadas, devido à demasiada insistência nos cruzamentos para a área e à ausência de jogo interior capaz de desfazer a linha defensiva norueguesa, e a equipa chegou a passar por algumas dificuldades em manter a vantagem no marcador antes do livre de Guerreiro que nos deu o 2-0.

Muito trabalho pela frente para Fernando Santos, portanto. Mas, havendo competência, existem todas as condições para que a equipa esteja a jogar o triplo daqui a umas semanas. É claro que o selecionador também poderá ajudar-se a si próprio, se tomar as suas decisões de forma racional e sem ligar a determinados privilégios ou outras influências externas. Por exemplo: depois desta faceta revelada por Guerreiro, será que Fernando Santos o deixará bater outro livre daquela posição se Ronaldo - que tem as qualidades que todos conhecemos, mas é um marcador de livres muito ineficaz - estiver em campo?


P.S.: a adaptação da música de Abrunhosa a hino da seleção é simplesmente... péssima. Poupem-nos.

domingo, 29 de maio de 2016

Festejos de campeãs



Campeãs europeias!



A equipa feminina de atletismo do Sporting sagrou-se hoje, na Turquia, campeã europeia de clubes, após as seguintes classificações:

Salto à vara: Marta Onofre (1º)
Triplo salto: Patrícia Mamona (1º)
400m barreiras: Vera Barbosa (1º)
Lançamento do disco: Irina Rodrigues (1º)
100m: Lorene Bazolo (1º)
800m: Salomé Afonso (4º)
3000m: Sara Moreira (1º)
400m: Cátia Azevedo (2º)
Lançamento do dardo: Sílvia Cruz (4º)
3000m obstáculos: Sviatlana Kudzelich (1º)
4x100m: Olímpia Barbosa, Shaina Mags, Lorene Bazolo, Filipa Martins (3º)
Lançamento do martelo: Vânia Silva (4º)
Salto em altura: Anabela Neto (7º)
1500m: Sviatlana Kudzelich (2º)
Lançamento do peso: Jéssica Inchude (4º)
100m barreiras: Adja N'Diaye (3º)
200m: Lorene Bazolo (2º)
Salto em comprimento: Shaina Mags (3º)
5000m: Jéssica Augusto (1º)
4x400m: Salomé Afonso, Vera Barbosa, Cátia Azevedo, Andreia Crespo (1º)

Fica aqui o momento em que Jéssica Augusto assegurou o 1º lugar nos 5000 metros, e em que ficou praticamente assegurado o título europeu.


Parabéns, Leoas!


sábado, 28 de maio de 2016

Soltas sobre a final da Champions

  • Olhando para a forma como Ronaldo se arrastou em campo, já se está mesmo a ver que o filme do Euro 2016 será um remake do Mundial 2014: o nosso melhor jogador, e único que é capaz de fazer a diferença de forma consistente ao mais alto nível, está preso por arames. Acabou o tempo regulamentar a coxear e, para piorar, ainda teve que jogar um prolongamento. O sacrifício que fez foi recompensado, marcando o penálti decisivo. Mas já se está mesmo a ver as cenas dos próximos capítulos: vai-se falar muito num programa de recuperação do jogador, que o deixará de fora dos jogos de preparação da seleção, e quando chegar a hora da verdade... continuará preso por arames. Espero que esteja enganado. Bem precisamos dele.
  • Independentemente da exibição, é a terceira Champions conquistada por Ronaldo. Um currículo cada vez recheado de um dos maiores jogadores da história do futebol, por muito que isso custe a aceitar a muitas pessoas.
  • O golo de Sérgio Ramos foi marcado em fora-de-jogo. Tal como na final da Liga Europa, também na final da Champions houve um erro grave com influência no resultado. Como é possível que a FIFA e a UEFA tenham deixado arrastar durante tanto tempo a implementação das novas tecnologias no futebol?
  • A RTP, mais uma vez, conseguiu bater no fundo. Primeiro, ao decidirem colocar Bruno Prata a comentar o jogo (não há como ter um afilhado como o Mendes) e, depois, ao meterem os pés pelas mãos na transmissão, fazendo com que, numa boa parte do jogo, o som estivesse adiantado em relação à imagem - o primeiro golo foi comentado quando, na imagem, a bola ainda estava a ser desviada de cabeça por Bale.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Paulo Pereira Cristóvão condenado

O ex-vice presidente do Sporting foi condenado a 4 anos de prisão, com pena suspensa, pelo crime de denúncia caluniosa agravada.

Confirma-se, portanto, um dos episódios mais negros da história do clube, que não pode ser negado ou esquecido pelos sportinguistas. Se tentássemos passar uma esponja pelo assunto estaríamos, tacitamente, a legitimar ações semelhantes no futuro.

Apesar disso, não faz qualquer sentido equiparar - e vai haver quem o tente fazer - esta condenação de denúncia caluniosa a um caso de corrupção. Foi provado que Paulo Pereira Cristóvão mandou depositar €2.000 na conta de Cardinal para, logo a seguir, fazer a denúncia junto da FPF com o objetivo de afastar o fiscal-de-linha de um jogo do Sporting, não tendo havido qualquer tentativa de suborno do fiscal-de-linha para beneficiar o Sporting direta ou indiretamente. Quem afirmar o contrário é desonesto.

Apesar de tudo, a pressão feita na altura pelos sportinguistas para que Paulo Pereira Cristóvão se afastasse imediatamente do clube marca uma diferença pela positiva em relação a sócios e adeptos de outros clubes que, perante escutas que mostram dirigentes seus em inequívocos atos de corrupção ou tráfico de influências, são incapazes de os admitir e muito menos penalizar nas urnas os dirigentes envolvidos. Estamos em 2016 e os sócios desses clubes continuam e continuarão a reeleger esses dirigentes.

O grande desafio do defeso

Considerando que, este ano, os custos com pessoal do Sporting praticamente duplicaram em relação à época anterior, é muito pouco provável que a SAD esteja a equacionar um novo crescimento dos gastos com salários para 2016/17. Isto, no entanto, não quer dizer que não será possível reforçar a competitividade do plantel na próxima época: dependerá muito da capacidade que direção e equipa técnica tiverem de aplicar os recursos existentes de uma forma mais eficiente.

Segundo a edição de ontem do Record, a SAD quererá aliviar a folha salarial através da venda de jogadores que auferem vencimentos demasiado elevados para o rendimento desportivo que deram ao Sporting. Esses jogadores serão, mais concretamente, Naldo, Ewerton, Jefferson, Aquilani e Teo.

Ewerton e Jefferson são dois jogadores  de valia indiscutível, mas com problemas recorrentes de lesões que os tornam opções pouco fiáveis para as exigências de uma época inteira. A questão de Teo, Aquilani e Naldo é outra: são três dos atletas mais bem pagos do plantel e que, por isso, deveriam ter demonstrado uma influência superior na equipa ao longo da época.

A saída destes jogadores pode representar uma poupança em salários na ordem dos 10 milhões de euros. Ou seja, estamos a falar de mais de 20% dos gastos com pessoal num conjunto de jogadores que, com exceção de um, nem sequer são as primeiras opções para substituir os habituais titulares: Paulo Oliveira está à frente de Naldo e Ewerton na hierarquia dos centrais; Bruno César e Zeegelaar dividiram entre si praticamente todos os minutos da segunda volta na lateral esquerda; e Aquilani não foi opção na última jornada perante a ausência de Adrien, pois Jesus preferiu deslocar João Mário para o centro e colocar Gelson na direita.

O aumento de competitividade do plantel da próxima época dependerá, portanto, de dois fatores fundamentais. Por um lado, há que tentar evitar a saída dos jogadores mais influentes (que, na minha opinião, são Rui Patrício, Coates, William, Adrien, João Mário, Ruiz e Slimani) - o que, infelizmente, será difícil de conseguir a 100%, em função do mercado que os jogadores têm e das obrigações financeiras da SAD. Por outro, otimizar a utilização do orçamento existente. E, para isso, não bastará definir bem os elementos do plantel a dispensar: a parte mais difícil será não falhar na contratação de novos jogadores que efetivamente representem um aumento de qualidade em relação ao que tivemos esta época.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O programa de Fernando Gomes

Foi com alguma pompa e circunstância que Fernando Gomes, atual presidente da FPF e candidato único às próximas eleições, divulgou ontem o programa para o seu 2º mandato. Numa cerimónia realizada para esse efeito, anunciou 100 medidas a cumprir durante os próximos 4 anos, onde se incluem a utilização de vídeo-árbitro na Supertaça e nas eliminatórias finais da Taça de Portugal já em 2016/17, a publicação dos relatórios dos árbitros e um combate duro à corrupção.

Não há como discordar deste tipo de medidas / intenções, mas não deixo de ficar com a sensação que isto é pouco mais que fachada. Digo-o por dois motivos:

Em primeiro lugar, por causa do timing da apresentação do programa. Foi feita a 25 de maio, apenas 10 dias antes (!) da data das eleições. Supostamente, uma candidatura deveria ser avaliada em função do programa, pelo que (a meu ver) esta apresentação já deveria ter sido realizada há meses. Considerando que Fernando Gomes está em modo de pré-campanha há algum tempo, isto significa que:
  • Andou a recolher apoios para a sua candidatura sem um programa definido.
  • Houve quem lhe prometesse apoio sem saber que programa estava a apoiar.
  • É possível (conhecendo o futebol português, é uma possibilidade muito próxima da certeza) que o programa tenha sido parcialmente definido ou influenciado em função de compromissos assumidos pelo candidato de forma a garantir determinados apoios.

Em segundo lugar, porque dá a ideia que os pontos de destaque deste programa (a adoção das novas tecnologias, o combate anti-corrupção e a defesa da transparência) são motivados sobretudo por uma questão de imagem, e não pelas convicções do candidato. Será que Fernando Gomes tocaria no assunto corrupção se o Jogo Duplo não tivesse explodido há um par de semanas? Será que se mostraria tão entusiasta com as novas tecnologias se não fossem uma evolução inevitável por iniciativa do International Board?

Não me lembro de nenhuma frase forte de Fernando Gomes sobre o problema da corrupção no futebol antes do escândalo do Jogo Duplo. Assim como não me lembro de nenhuma proposta concreta (ou sequer uma declaração clara de apoio) que tenha feito em favor do aumento da transparência ou da utilização das novas tecnologias no futebol antes de o International Board se ter decidido pela sua aplicação. Em mais de quatro anos como presidente da FPF não lhe faltaram ocasiões para o fazer.

É, portanto, um programa de candidatura à imagem de Fernando Gomes: que se deixa ir com a corrente, reagindo aos acontecimentos e abraçando o inevitável. É aquilo que é possível quando a pessoa que está à frente de uma organização tem perfil de administrativo (mesmo que seja um administrativo competente) e não de líder.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Capas que não fizeram história, nº 54: E vão quatro!

Já se sabe que A Bola é um jornal com lealdades muito bem definidas. Dias de jogo à parte, a atenção da publicação liderada por Serpa, Delgado e Guerra costuma ser dividida entre Benfica, Benfica e Benfica. No caso de haver um slow news day para as bandas da Luz, lá acabam por pintar as capas de verde, só para desenjoar. Capas com o Porto, apenas quando o rei faz anos. 

Sim, capas com o Porto são uma autêntica raridade. Quando acontecem, normalmente é por uma de três razões: ou o assunto é absolutamente incontornável (como a troca de treinador, a participação na final da Taça de Portugal ou o rescaldo de clássicos), ou é para explorar as misérias do Porto, ou então serve para meter carvão noutra direção (que já se está mesmo a ver qual é).

Nos últimos meses, esta regra tem sido seguida religiosamente. Ora vejam as capas que A Bola fez sobre o Porto:

18 de maio: Porto tenta Jesus, que não só servia para desestabilizar o treinador e plantel do Porto a poucos dias da final da Taça, como também para meter carvão no Sporting

22 de abril: Declarações de Lopetegui: "Pinto da Costa agora dá-me pena"

8 de abril: Pinto da Costa envergonhado: "Batemos no fundo"

8 de fevereiro: Desnorte, sobre a derrota caseira do Porto com o Arouca, uma semana antes da ida à Luz

No entanto, de todas as capas que A Bola fez com o Porto em 2016, a mais deliciosa foi esta:

Janeiro de 2016

Há dois comentários que quero fazer em relação a isto.

Em primeiro lugar, o objetivo da capa: é evidente, pelo título escolhido e pelas imagens colocadas, que a mensagem mais importante a passar não era a contratação de Marega e Sá pelo Porto. O que se queria relevar era o facto de os jogadores terem sido desviados do Sporting, ou seja, ampliar tanto quanto possível o efeito da alfinetada. A utilização de Danilo nesta composição - cujo "roubo" tinha ocorrido 6 ou 7 meses antes - é a melhor prova disso. Carvão, portanto.

Pelos vistos, longe vão os tempos em que o roubo de jogadores, em vez de ser celebrado, era reportado pelo jornal A Bola com uma imensa azia.

Julho de 2009

O segundo comentário é em relação ao proveito que o roubo destes jogadores deu ao Porto. Danilo foi, indiscutivelmente, uma boa contratação. Mas os três reforços de inverno do Porto foram um retumbante fracasso. Não quer dizer que não tenham valor e que não possam vir no futuro a dar algum retorno desportivo e financeiro, mas é um castigo divino aos dirigentes que, no momento de definir o reforço do plantel, privilegiaram o efeito da alfinetada a um rival sobre a necessidade de fortalecer outros setores do plantel que estavam, visivelmente, mais necessitados.

Nem tudo se perde, no entanto: ganhámos (mais) uma capa ridícula que não ficou para a história e momentos de futebol puro para a posteridade. :)



(entretanto, Marega participou ontem num particular do Porto contra o Oliveira do Douro, e fechou a época da melhor forma)

Uma questão de transparência

A questão dos moldes da contratação de Bruno Paulista é um assunto que, na minha opinião, e a bem da transparência - que tem sido um ponto de honra desta direção -, deveria ser alvo de esclarecimentos adicionais aos sócios por quem manda no Sporting. As únicas coisas que se sabem ao certo é que veio por empréstimo do Caála, clube ligado a António Mosquito, e que se trata de uma "Cedência temporária com direito de preferência até 30.06.2021", segundo o quadro de transferências publicado pelo jornal Sporting em setembro. A minha interpretação, perante isto, é que não existe obrigatoriedade de compra, o que provavelmente significará que o jogador não continuará no Sporting. Mas será mesmo isso?

A forma como este negócio foi conduzido não deixa de representar uma incoerência em relação à política de contratações que o clube tem seguido, e legitima a existência de dúvidas sobre todas as suas implicações. Ou seja, até haver novos desenvolvimentos, a compra de Paulista continuará a ser usada pelos rivais como arma de arremesso contra o Sporting.

No entanto, em matéria de transparência, há quem tenha telhados mais envidraçados do que o Sporting. No caso do Benfica, por exemplo, as últimas semanas deram-nos cinco bons exemplos da aversão que existe à divulgação de informação relevante.


1. A componente variável da transferência de Renato Sanches

A comunicação social portuguesa noticiou, na altura em que a venda ao Bayern foi conhecida, que 25 dos 45 milhões seriam facilmente realizáveis: 5 milhões por cada 25 jogos feitos pelo jogador em cada uma das épocas de contrato. Isto empurraria os números da potencial venda para 60 milhões, visto que os restantes 20 milhões são quase impossíveis de alcançar. 

No entanto, na semana passada, o jornal Bild revelou que esses 45 milhões variáveis dividem-se da seguinte forma: 5 serão pagos quando Renato Sanches cumprir 25 internacionalizações (muito provável); 10 dependem da sua nomeação para o XI mundial do ano (muito difícil); outros 10 para a nomeação se o jogador conseguir chegar à lista final de 3 nomeados para a Bola de Ouro; e mais 20 se vencer a Bola de Ouro. Ou seja, quase de certeza que o Benfica receberá um total de 40 milhões de euros pela venda do jogador.

40 milhões não deixa de ser uma venda fabulosa, em função do que o jogador mostrou até agora, mas convenhamos que existe uma diferença enorme entre uma versão e outra. E mesmo dando de barato que a credibilidade do Bild não é propriamente fantástica, fica a dúvida: por que razão o Benfica não divulgou o detalhe das componentes variáveis do negócio? E por que razão a CMVM não demonstra mais curiosidade? É que não se está a falar de trocos...


2. Quanto custarão e quem detém os restantes 50% do passe de Jimenez?

Com a venda de Gaitán ao Atlético Madrid, volta-se a especular sobre se o Benfica irá adquirir os 50% de Jimenez que ainda não possui, e por que valor o fará. De quem são esses 50%? O que se diz é que pertencem a Jorge Mendes. Considerando que a partilha de passes com agentes e fundos é proibida para transferências posteriores a 1 de maio, não seria de esclarecer quem detém o resto do passe do jogador mexicano?


3. Os direitos desportivos de Ederson

Perante notícias do interesse de clubes estrangeiros em Ederson, descobriu-se agora que o Benfica apenas tem 50% do passe do jogador. O relatório e contas da SAD é omisso em relação a isso: não existe qualquer referência à percentagem de passe detida pelo Benfica (e, já agora, de muitos dos jogadores do plantel que chegaram por um custo relativamente reduzido).

Curioso, também, que se diga que o Rio Ave irá vender a Jorge Mendes parte dos outros 50%... isto apesar de isso ser proibido desde 1 de maio de 2015...


4. Os direitos sobre uma futura venda de Jardel

Ao que se diz, o Benfica tem 100% dos direitos desportivos do jogador, mas a Traffic (antiga proprietária do passe de Jardel) terá direito a 50% do valor de uma futura venda. Para além disso, também o Olhanense terá direito a uma parcela. Mais uma vez, não há qualquer referência a isso nas contas do Benfica.


5. Os direitos sobre uma futura venda de Lindelof

O antigo clube de Lindelof terá a receber 20% de uma venda futura do jogador. O facto em si não é nada de estranho - é normal os clubes vendedores procurem assegurar este tipo de direitos -, mas, mais uma vez, o R&C do Benfica nada refere.


E também há quem diga que o presidente de uma SAD de um clube lisboeta da I Liga terá também direito a parte de uma futura venda de Lindelof.


A pergunta que qualquer pessoa poderá colocar é: perante as omissões existentes nas contas benfiquistas, existirão outros jogadores cujos direitos sobre futuras vendas estejam partilhados com terceiros, tal como Ederson, Jardel e Lindelof? 

No R&C do Sporting todas estas situações se encontram discriminadas: quer as percentagens de passes detidas pelo Sporting, quer os direitos que terceiros terão sobre vendas futuras dos atletas.


Esta preocupação com a informação dada aos sócios e adeptos é um dos fatores que mais aprecio na direção de Bruno de Carvalho. Sabemos com o que podemos contar e dá-nos ferramentas para avaliarmos o trabalho que vai sendo feito. Este nível de partilha de informação com os sócios é também, na minha opinião, um comprovativo de confiança em como as decisões são tomadas nos melhores interesses do Sporting Clube de Portugal. Que o caso de Paulista se esclareça nos próximos meses ou que, na pior das hipóteses, continue a ser a exceção que confirma a regra.

P.S.: não esquecer que o Benfica também tem o seu caso Paulista. Segundo o que divulgou a TVI24 na altura da sua transferência para a Luz, Samaris também chegou a Portugal através de António Mosquito.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Quem disse isto? (resposta)

Parabéns a quem optou pela hipótese A. Foi mesmo Rui Vitória, na entrevista de hoje, em resposta à pergunta sobre se o Benfica poderá ser o Leicester da Champions. 


O "Mas não vou entrar por aí" denuncia-o... Marco Silva também usava essa expressão muitas vezes para iniciar as suas respostas a perguntas polémicas, mas efetivamente esquivava-se a maior parte das vezes a entrar nelas. Outros há que gostam de ter o proveito, mas não a fama.

Quem disse isto?

Estas declarações foram proferidas por alguém que, esta época, treinou uma das quatro principais equipas portuguesas. Alterei de forma muito ligeira uma das frases para não "denunciar" o seu autor.

Quem disse isto?

É importante lutar porque temos capacidade para lá estar. Tivemos dois jogos em que não tivemos sucesso, mas por pormenores. Um ou dois erros objetivos de arbitragem, como os que aconteceram, podem fazer toda a diferença. Mas não vou entrar por aí.

As hipóteses são:

A) Rui Vitória
B) Jorge Jesus
C) Julen Lopetegui
D) José Peseiro
E) Paulo Fonseca


Deixem o vosso palpite. A resposta será dada às 17h.

Exercício hipotético

Vamos imaginar uma situação hipotética: existem dois clubes (chamemos-lhes A e B), de países diferentes, mas que têm um relacionamento altamente privilegiado - seja pelo relacionamento pessoal entre elementos das duas direções, seja por terem ambos uma ligação muito próxima com um poderoso agente e intermediário do mundo do futebol, seja pelo extenso histórico de transferências de jogadores que realizaram entre si ao longo da última década.

Vamos também fazer de conta que a situação financeira desses clubes não é propriamente famosa. A competitividade e o desejo de interromperem as hegemonias existentes nos respetivos campeonatos, levou-os a arriscarem tudo o que podem e não podem, investindo no limite das suas possibilidades e aumentando sistematicamente o nível de endividamento bancário e obrigacionista.

Para além da pressão da banca, cada vez menos tolerante para gastos em excesso desses clubes - apesar das consecutivas promessas feitas em contrário -, o Fair Play Financeiro é também um problema que tem que ser  ultrapassado.

Felizmente, alguém teve uma ideia brilhante.

O clube A, menos pressionado que o amigo clube B, compra ao clube B um jogador por €25M.

Por sua vez, o clube B compra ao clube A um jogador por €20M.

Há quem diga que os jogadores não valem nem de perto nem de longe esses valores, mas isso é pouco importante. Os clubes A e B conseguirão encontrar quem convença o público de que os montantes das transferências são justos. Os argumentos poderão variar, mas em último caso diz-se que são jogadores de enormíssimo potencial.

Continuando, o que se passará será o seguinte:

1. O clube A e o clube B fazem encontro de contas. O clube A pagará apenas €5M ao clube B, numa data que seja conveniente para ambos.

2. O clube A e o clube B podem registar de imediato o lucro das respetivas vendas. Vamos supor que o clube A declara uma mais-valia de €15M, e o clube B declara uma mais-valia de €21M. Um negócio da China, considerando que os jogadores valiam bem menos que isso. 

3. O clube A e o clube B também têm de registar os custos das aquisições. Mas há uma diferença fundamental: a compra de jogadores é considerada como um investimento, o que significa que o valor "gasto" nas aquisições é transformado num ativo do clube, que será amortizado (ou seja, o custo será reconhecido nas contas) de forma parcial e uniforme ao longo do contrato do jogador.

Ambos os jogadores assinaram por 5 anos. Isto significa que o clube A irá ter um custo de apenas €5M por ano à conta desse jogador (que lhe custou €25M), enquanto o clube B irá registar um custo de €4M por ano (pois o jogador custou €20M).

4. Ou seja, nesta permuta de jogadores, o clube A fica com:
  • Um ativo superior (aumenta €25M pela aquisição do jogador ao clube B e diminui pelo valor ainda não amortizado do jogador vendido ao clube B)
  • Um proveito de €15M pela mais-valia alcançada na venda que fez ao clube B
  • Registará no final do ano um custo de €5M pela amortização da parcela correspondente ao 1º ano de contrato do jogador

5. Por seu lado, o clube B fica com:
  • Um ativo superior (aumenta em €20M pela aquisição do jogador ao clube A e diminui pelo valor ainda não amortizado do jogador vendido ao clube A)
  • Um proveito de €21M pela mais-valia alcançada na venda que fez ao clube A
  • Registará no final do ano um custo de €4M pela amortização da parcela correspondente ao 1º ano de contrato do jogador


Agora imaginem que, para além do clube A e do clube B, existem outros clubes que participam numa espécie de rede de transferências inflacionadas de jogadores. A curto prazo todos saem a ganhar: o risco de darem prejuízo no imediato passa a ser quase nulo. Os ativos (e também os passivos) aumentam, e isso faz com que o peso do endividamento bancário, quando comparado com as receitas e os ativos, pareça inferior. Assim os dirigentes desses clubes já terão mais facilidade em dizer: "sim, eu tenho uma dívida bancária grande, mas é perfeitamente comportável em função dos meus ativos e das minhas receitas". 

Claro que, repetindo-se a brincadeira demasiadas vezes, os valores das aquisições por amortizar começam a acumular-se, formando uma espécie de bolha pouco recomendável... o que obrigará a vender ainda mais inflacionado nos anos seguintes. E, claro, também obrigará a fazer, pelo meio, vendas reais - daquelas que efetivamente movimentam dinheiro -, para taparem o buraco que entretanto se vai aprofundando. Há também outro risco: as pessoas poderão acabar por estranhar a existência de tantas vendas sem aparente necessidade, pois olham para as contas e estas até parecem ser bastante saudáveis...

Recordo que isto é tudo hipotético. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Não se vê isto todos os dias

Não se vê isto todos os dias: Rui Gomes da Silva escreveu um post em que não há como discordar.


Rescaldo da final da Taça de Portugal





O artigo do El Mundo sobre as investigações às transferências do Valência

Finanças atrás do Valência


A Agência Tributária prepara um relatório pedido pela Anticorrupção sobre as contratações de Lim


A Agência Tributária abriu uma investigação sobre o Valência CF e há várias semanas que revê, sobretudo, aspetos fiscais das contratações realizadas durante a gestão do magnata Peter Lim, maior acionista do clube. A iniciativa das finanças acontece a pedido da Fiscalidade Anticorrupção, que tem abertas, desde o passado mês de março, diligências de investigação penal, segundo confirmaram ao El Mundo fontes conhecedoras do caso.

A Fiscalidade decidiu agora aceitar investigar parte dos argumentos que faziam parte de uma denúncia genérica apresentada pelo ex-vice presidente do Valência, Miguel Zorio. Essa denúncia inicial, muito pouco consistente, referia a existência de "presumíveis delitos económicos" que, no seu juízo, teriam sido cometidos por Lim em conluio com o conhecido agente Jorge Mendes e o ex-presidente Amadeo Salvo, referentes tanto à compra das ações do clube como ao mercado de contratações.

O primeiro pedido, por supostos delitos de gestão danosa, corrupção na condução de negócios e apropriação indevida, foi arquivada praticamente de imediato pela Fiscalidade Provincial, ao não encontrar quaisquer motivos na denúncia. Isso sucedeu no mês de outubro do ano passado.

Essas diligências iniciais centraram-se sobretudo em supostas irregularidades no processo de aquisição de ações. O Ministério Público não detetou nada de ilícito a esse respeito. No entanto, agora decidiu-se que a Agência Tributária deverá fazer um relatório preliminar sobre a forma como o Valência realizou algumas das suas últimas contratações, em que intervieram sociedades radicadas fora de Espanha. É essa engenharia financeira que está a ser analisada.

No Valência CF, cuja direção se encontra estes dias em Singapura, espera-se que a denúncia acabe também arquivada. Em todo o caso, o clube alega que não recebeu qualquer notificação oficial da AEAT ou da Fiscalidade Anticorrupção. Tal como o representante legal da Meriton em Espanha.

A investigação está todavia numa fase muito embrionária e é prematuro retirarem-se conclusões. O que é significativo é que a Anticorrupção recebeu nova documentação e desta vez acabou por decidir iniciar as investigações que, em princípio, partirão das teses desenvolvidas por Zorlo, que em setembro de 2015 pôs em marcha a Marea Valencianista como plataforma de oposição a Lim e de fiscalização da Meriton Holding e da Meriton Capital, as duas principais empresas que Lim usou para a compra de ações e para as transferências de jogadores.

A teoria de Zorlo é que, com a autorização de Lim, Mendes realizou as contratações do clube com preços inflacionados e incluindo comissões cujo valor se desconhece.

Miguel Zorlo é uma personagem com uma ligação ao clube já bem conhecida. Dele se recorda a divulgação juntamente com Soriano a venda do velho Mestalla, algo que nunca se veio a concretizar. Também esteve ligado ao caso Nóos, tendo participado como assessor de comunicação da candidatura de Valência aos Jogos Europeus.

Na Fiscalidade, evitam dar detalhes sobre uma investigação que se pretende que seja conduzida com cautela, dado o impacto que qualquer decisão pode ter sobre a imagem do Valencia CF, em especial num momento em que se levantam suspeitas sobre muitos assuntos ligados ao futebol, grande estrelas incluídas.


Contratações de Lim debaixo da sombra de Mendes


A primeira aparição de Peter Lim em Espanha após ter sido tornada pública a sua oferta de compra do Valencia aconteceu no Vicente Calderón, e com um escudeiro de luxo: o superagente Jorge Mendes. Amigos pessoais, o português transformou-se em assessor do magnata de Singapura, aconselhando-o na compra de direitos de jogadores para o seu fundo de investimento: Meriton Capital Ltd. O mercado português tem sido um bom local de recrutamento.


A primeira compra de Lim foi em janeiro de 2014, de dois jogadores do Benfica que acabaram vestindo a camisola do Valencia: Rodrigo e André Gomes. Pelo primeiro, a Meriton Capital pagou 30 milhões ao clube português, dos quais foram declarados à CMVM um lucro de 13, enquanto que 17 se destinaram a pagamentos a terceiros e comissões. No caso de Gomes, a sua contratação fez-se por 15, dos quais apenas 9,5 ficaram nos cofres do Benfica. Em ambas as operações, Mendes participou ativamente como agente.

Nesse mesmo verão, os dois foram cedidos ao Valência, já propriedade de Lim, e em junho de 2015 passaram a ser propriedade do clube por contrapartida do mesmo valor pago pela Meriton. Nesse novelo de direitos económicos, desportivos e comissões, é onde pode estar o foco das finanças.

O Valência, já sem a mediação do fundo de Lim, comprou também ao Benfica, na temporada passada, Enzo Perez, por 25 milhões, e João Cancelo por 15, e as comissões pagas pelo clube lisboeta chegaram aos 25%. Ambas as contratações foram mediadas por Jorge Mendes.


Compra de direitos

A figura do agente de Cristiano aparece também nas contratações de Negredo, Abdennour, Santi Mina e Bakkali, estes dois últimos de quem é representante. Como na de Danilo Barbosa, cujos direitos económicos eram divididos com o Sp. Braga e o presidente do Mónaco, Dimitri Rybolovlev, com quem negociou a venda de Abdennour por 25 milhões.

Noutra das contratações, de Aderlan Santos, os 10 milhões de transferência foram metade para o Sp. Braga e a outra metade para a empresa MNM, de Fernando Meira, ex-futebolista que tinha Mendes como agente.

É nesta teia que as finanças procuram pontas soltas.

domingo, 22 de maio de 2016

Soltas sobre a final da Taça de Portugal

  • A partir do momento em que o Porto chegou ao empate, nunca pensei que o Braga chegasse aos penáltis. Depois do 1-2, a equipa de Paulo Fonseca estava nitidamente intranquila, e adivinhava-se o empate a todo o momento. Nestas situações o fator psicológico conta muito, e notava-se o fantasma da final do ano passado a pairar sobre os jogadores do Braga. Se o Porto arriscasse no prolongamento e mantivesse a urgência de marcar um golo, não acredito que o desfecho tivesse sido o mesmo.
  • Há que dizer que este Braga pouco fez para ganhar o jogo. Os dois golos que marcou foram autênticas ofertas. De resto, uma quase confrangedora incapacidade de sair a jogar, confirmando que estão muito longe daquilo que jogavam até há um par de meses. Mais do que ter sido o Braga a ganhar, foi o Porto a perder esta final.
  • É fácil falar nestas coisas no final, mas a utilização de Hélton não fazia grande sentido, logo à partida. Não só pela escassa utilização ao longo da época, mas sobretudo porque se mostrou muito irregular - capaz do melhor e do pior - nas oportunidades que lhe deram. É verdade que Casillas também não foi um poço de regularidade, mas numa final têm que ir (sempre) os melhores lá para dentro. Se não for assim, um treinador sujeita-se a que coisas destas aconteçam.
  • Por falar em Casillas, pode não valer (na minha opinião) os 5 milhões que recebe anualmente, mas há que admirá-lo pelo profissionalismo demonstrado e pelo compromisso com a equipa. Ao contrário do que se poderia esperar - em função do que se dizia dele no Real -, em Portugal não mostrou quaisquer tiques de estrela. A forma como festejou o 2-2 (apesar de ter ficado no banco) e procurou moralizar Hélton deve tê-lo feito subir vários pontos na consideração de muita gente.
    • É incrível como o Porto conseguiu desbaratar o maior orçamento da história do futebol português. Apesar de tanto dinheiro gasto em contratações, o plantel ficou desequilibrado e coxo em posições fundamentais. As mudanças efetuadas em janeiro ainda agravaram mais a situação. É o que dá contratar-se só para dar uma alfinetada num dos rivais. Mas desta vez foi o alfinetado que se ficou a rir. Os 6 ou 7 milhões gastos em Marega, Suk e Sá chegavam e sobravam para contratar um central de categoria, o que provavelmente seria suficiente para evitar vários dos amargos de boca que sentiram na segunda metade da época - incluindo na final de hoje. E já nem entro na forma como se decidiu dispensar Lopetegui sem ter um plano alternativo bem definido. Uma gestão desastrosa, quase tão má como a forma como Godinho Lopes planeou e conduziu a época de 2012/13.
    • Desde que a parceria com a Doyen se intensificou, o Porto ganhou zero. Uma coisa não é consequência direta da outra, mas também não lhe é completamente alheia.
    • E que dizer da atitude de Pinto da Costa, a ignorar deliberadamente José Peseiro?

    • Não faz grande sentido criticar-se Fernando Santos por não ter convocado André Silva para o Europeu. Com meia-dúzia de jogos pela equipa principal e um golo marcado no momento em que os 23 foram divulgados, é perfeitamente compreensível que o selecionador não sentisse confiança suficiente para o incluir na convocatória. Mesmo tendo marcado dois golos hoje, continua a ser (em teoria) curto para chegar à seleção A. Poderia fazer sentido numa ótica de preparar o futuro, à semelhança da ida de Nélson Oliveira ao Euro 2012, mas todos sabemos como isso correu. Claro que, perante a ida de Eder, qualquer outro nome parece fazer bastante sentido...



    O reverso da vitória

    Com a devida vénia ao Mister do Café, isto é demasiado bom para não ser partilhado:

    sábado, 21 de maio de 2016

    Parabéns, miúdos!

    Portugal é campeão europeu na categoria sub-17, ao vencer na final a Espanha em penáltis. Parabéns (em particular aos quatro sportinguistas: Luís Maximiliano, Thierry Correia, Miguel Luís e Rafael Leão), miúdos!





    Se é amor, declara-o

    A campanha "Se é amor, declara-o"  recebeu 2 prémios no Festival do Clube de Criativos de Portugal, que se juntam aos outros 5 pela campanha "É quase a mesma coisa, mas não é". Muito bom.

    Balanço de 2015/16: Avançados



    Islam Slimani: ***          2014/15: ***     2013/14: **

    O argelino atingiu um nível que seria impensável há dois anos. A prova viva de que a determinação e espírito de sacrifício podem compensar, em grande parte, as limitações técnicas com que se nasce. Acabou a época com 31 golos marcados, dos quais apenas 2 foram de penálti, e picou o pontou por 9 ocasiões a Benfica, Porto e Braga. Um ponta-de-lança que foi um pesadelo para todas as defesas que defrontou, independentemente de serem equipas de topo ou do fundo da tabela. Uma das grandes figuras do Sporting 2015/16. Provavelmente será transferido. Vai deixar saudades.


    Teo Gutiérrez: *

    Dois terços de época para esquecer, terminando, no entanto, em bom nível, ao marcar 8 golos nos últimos 8 jogos. Apesar dos 15 golos que marcou, a prestação de Teo foi, na minha opinião, insuficiente. Falamos de um jogador que, sendo o mais bem pago do plantel, esteve longe de corresponder às expetativas da sua contratação. Não só pelo que (não) jogou em grande parte da temporada, mas também por causa das rábulas da sua estadia prolongada na Colômbia e da pressão que fez para sair. Ainda agora a época acabou, e já há notícas de que Teo está a pedir para sair. Se for verdade, é fazer-lhe a vontade perante uma proposta minimamente interessante.



    Fredy Montero: *          2014/15: **     2013/14: **

    Ninguém nega que Montero tem uma capacidade técnica acima da média, mas fica complicado entregar um lugar no onze a um jogador tão pouco regular. Marcou 3 golos decisivos (Nacional, Braga e Académica) que valeram 3 importantes vitórias, mas foram bastante mais os jogos em que pouco acrescentou em campo. Considerando a sua situação no plantel e as necessidades financeiras do clube, compreende-se a sua venda.


    Junya Tanaka: *          2014/15: *

    Apesar de bom profissional e de ser um grande marcador de livres, o japonês não é jogador com nível suficiente para o Sporting. Não sendo bem ponta-de-lança, não sendo bem extremo, não sendo bem médio ofensivo, ficava complicado encaixá-lo onde quer que fosse.


    Hernán Barcos: *

    Provavelmente, a única contratação do mercado de inverno que não acrescentou nada ao plantel. Contra ele jogava o facto de estar há mais de dois meses sem competição. Jesus foi-lhe dando minutos de forma inconstante, mas nunca correspondeu. Ficaram mais na memória os lances em que se atrapalhou do que qualquer outra coisa que tenha feito com qualidade. Tenho muitas dúvidas que seja o jogador de que precisamos para substituir Slimani. Em função da conjuntura negativa em que chegou ao Sporting, talvez mereça a oportunidade de se mostrar na pré-época, mas não acredito que isso chegue a acontecer.


    Bryan Ruiz: ***

    Sobre Ruiz já escrevi tudo aqui (LINK). 


    Carlos Mané: *          2014/15: **     2013/14: **

    Não foi ainda a época de explosão de Mané, que poucas vezes conseguiu aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas. É natural que, após 3 anos na equipa principal, se levantem dúvidas sobre se conseguirá alguma vez afirmar-se como solução de primeira linha para um clube com o Sporting. Considerando as notícias que davam interesse de clubes alemães na janela de transferências de inverno, o mais provável é que seja cedido. 


    Gelson Martins: **          

    A sua inclusão no grupo de trabalho foi, provavelmente, a maior surpresa no início da época. Um jogador com capacidade para desequilibrar graças à sua velocidade e capacidade de drible, revelou no entanto dificuldades iniciais no momento de definir. Com o avançar da época, foram visíveis os progressos quer ao nível da decisão, quer no à-vontade para jogar em espaços interiores. Um projeto de jogador que, para já, está no bom caminho. Tem tudo para explodir em 2016/17.


    Matheus Pereira: *

    Um craque em potência. Esteve bem na generalidade dos jogos em que participou, mas acabou por ter direito a menos minutos do que Gelson, o que, confesso, me surpreendeu, pois via em Matheus maiores probabilidades de afirmação. Dúvida para a próxima época: manter no plantel, jogando menos, ou emprestar a um clube de I Liga para ganhar experiência? Se a opção for a segunda, 80% dos clubes vão esfolar-se para poderem contar com ele.

    sexta-feira, 20 de maio de 2016

    É quase a mesma coisa, mas não é

    Grande vídeo sobre a já de si excelente campanha que o Sporting fez contra a contrafação, que venceu cinco prémios no Festival do Clube dos Criativos de Portugal. Vejam, vale a pena.

    Um possível reforço para o meio-campo

    Partindo do princípio que Bruno Paulista é uma carta fora do baralho para a próxima época, parece-me que João Palhinha tem excelentes argumentos para disputar um lugar no plantel. Aqui fica uma pequena amostra do que Palhinha fez esta época no Moreirense.

    Balanço de 2015/16: Médios



    William Carvalho: **          2014/15: **     2013/14: ***

    A temporada não podia ter começado de pior forma para William. Ao apresentar-se nos trabalhos de pré-época, foi detetada uma fissura de esforço - contraída ao serviço da seleção sub-21 -, que o fez perder toda a fase de preparação e as primeiras seis semanas de competição. Regressou em outubro, mas pareceu estar sempre um nível abaixo dos restantes companheiros, e revelando dificuldades em adaptar-se ao que Jorge Jesus pretendia dele. Felizmente foi subindo gradualmente de forma, e terminou a época num nível altíssimo.


    Bruno Paulista: -

    O principal mistério de 2015/16, tanto no processo de contratação como, depois, na forma como desapareceu das opções de Jesus. Foi um pedido expresso do treinador, acabando por vir para Portugal através de um estranho empréstimo do Recreativo de Caála - naquele que é o episódio menos transparente da gestão de Bruno de Carvalho. Depois de um início de temporada em que esteve afetado por várias pequenas lesões, acabou por ser utilizado com frequência durante cerca de 3 semanas, deixando boas indicações. Acabou por se lesionar novamente no início de novembro, e nunca mais apareceu nos convocados. A sua permanência no plantel é altamente improvável, mas teremos que esperar pelas próximas semanas para perceber exatamente qual é o seu contexto dentro do clube.



    Adrien Silva: ***          2014/15: **     2013/14: ***

    Uma das figuras da época. Jesus atribuiu-lhe a braçadeira de capitão, e Adrien soube assumir o papel com distinção, não só pelo (muito) que jogou, mas também enquanto líder do grupo de trabalho. Nota-se que sente o clube de forma intensa, e é um exemplo dentro e fora do relvado. A evolução que registou foi tremenda, subindo significativamente o seu nível de jogo - em particular naquele que era um dos seus pontos fracos: o critério com a bola nos pés e a propensão para perdas de bolas comprometedoras.


    Alberto Aquilani: *

    Veio para o Sporting para disputar um lugar no onze com Adrien e João Mário. Nos primeiros meses da época foi dividindo minutos, com vários jogos a titular, mas a falta de intensidade que foi demonstrando acabou por relegá-lo para um papel secundário. A classe que tem é indiscutível, mas duvido que continue para o ano: é um jogador com um salário demasiado alto para o peso que tem no plantel.


    João Mário: ***          2014/15: **

    É difícil encontrar adjetivos que façam justiça à época de João Mário. Foi um dos jogadores mais influentes da equipa, um camaleão tático capaz de vestir diferentes fatos no mesmo jogo, mas sempre tendo desempenhos de enorme qualidade. É uma maravilha a forma como conduz a bola, de cabeça levantada, avaliando as várias opções que tem para dar sequência à jogada, e a capacidade que tem de pôr em prática aquilo que idealiza. Se melhorar a finalização, pode tornar-se num jogador de top mundial.  


    André Martins: *          2014/15: *     2013/14: **

    Ficou no plantel a cumprir o último ano de contrato. Sendo claro que seria sempre uma opção de última linha, fez-se justiça a um jogador com muitos anos de casa e que teve sempre um comportamento irrepreensível. Dentro de campo, pouco ou nada acrescentou - mas também era difícil exigir mais, considerando as raras vezes que foi utilizado. Que seja feliz no resto da sua carreira.


    Bruno César: **          

    Contratado ao Estoril em novembro, foi preparado pela equipa técnica para ser uma opção logo que abrisse a janela de transferências de inverno. A estreia foi de sonho, com dois golos e uma assistência em Setúbal. O brilhantismo revelado nessa partida esbateu-se um pouco, mas foi sempre um jogador útil, que acrescentou profundidade ao plantel. Jesus acabou por adaptá-lo a defesa esquerdo, com sucesso: contra equipas mais fechadas, aquilo que oferece ofensivamente ultrapassa largamente as carências defensivas que tem. Veio para ficar.

    quinta-feira, 19 de maio de 2016

    Jorge Jesus no Porto, é tão limpinho como eu me chamar Rui

    Jesus até 2018/19

    Uma excelente notícia. Não só porque põe um ponto final em todas as especulações que pudessem subsistir em relação à continuidade de Jorge Jesus no Sporting, mas também porque é uma inequívoca demonstração de confiança do clube no seu trabalho. Por além disso, fica provado que, apesar de terem personalidades bem vincadas, presidente e treinador sabem trabalhar em conjunto em prol dos interesses do Sporting, ao contrário do que a comunicação social sempre tentou fazer crer.


    Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


    Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

    Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


    Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

    Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


    Azbe Jug: -

    Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


    João Pereira: **

    O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


    Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

    No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


    Ezequiel Schelotto: **

    Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


    Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

    Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


    Jonathan Silva: *          2014/15: *

    Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


    Marvin Zeegelaar: *

    Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


    Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

    Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


    Naldo: **

    Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


    Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

    Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


    Ewerton: *          2014/15: ***

    Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


    Sebastián Coates: ***

    Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


    Rúben Semedo: ***

    Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

    quarta-feira, 18 de maio de 2016

    Medalha para Alexis Santos

    Alexis Santos, nadador do Sporting, de 22 anos, conquistou há pouco a medalha de bronze nos europeus de natação, que estão a realizar-se em Londres. A primeira medalha em natação de piscina longa para Portugal desde 1980. Parabéns, Alexis!

    via Grande Artista e Goleador

    "É com esta gente que eu tenho de caminhar"

    Jorge Jesus, há pouco, em declarações à Sporting TV, deixa claro que continuará a ser o treinador do Sporting em 2016/17.

    Jesus abre a porta?

    Havendo a conjugação certa de uma série de fatores, não acho que seja impossível que Jorge Jesus possa abandonar o Sporting para ir para o Porto, como tanto se tem falado nos últimos tempos. Custa-me ainda menos a acreditar que o Porto esteja interessadíssimo na sua contratação, e que tenha já, inclusivamente, entrado em contacto com o treinador ou com os seus representantes para uma eventual transferência.

    Não nos vamos iludir: a questão do sportinguismo de Jesus é irrelevante para o caso. É, acima de tudo, um profissional do futebol que tem os seus objetivos de carreira, e que procurará sempre os melhores projetos e contratos que conseguir arranjar. A questão da forma como foi recebido e acarinhado pelos adeptos em Alvalade poderá ter o seu peso, claro, mas será sempre um fator secundário no momento de tomar uma decisão.

    O facto de Jorge Jesus não se deixar influenciar pelo coração ao ditar o rumo da sua carreira tem, portanto, um risco associado: havendo alguém a acenar com um projeto mais aliciante e pondo na mesa os 10 milhões para a rescisão, o Sporting não poderá fazer nada para o segurar. Por outro lado, o facto de Jorge Jesus não se deixar influenciar pelo coração ao ditar o rumo da sua carreira é, também, uma garantia para o Sporting, pois não há neste momento muitos clubes na Europa que poderão apresentar, em simultâneo, melhor contrato e melhor projeto capazes de convencer Jorge Jesus. E não acredito que, neste momento, o Porto faça parte desse grupo restrito.

    Jesus ficou a dois pontos de ser campeão no Sporting. Assumindo que a maior parte dos jogadores-chave do atual plantel se manterá (não acredito que saiam mais do que dois titulares) e que chegarão reforços para as posições mais carenciadas, terá ainda melhores hipóteses de vencer na próxima época. Optando por mudar-se para o Porto, teria outro tipo de problemas que não encontraria no Sporting: um plantel mais necessitado de reforços, contas mais desequilibradas que obrigarão a vender vários jogadores titulares (e ainda sem a certeza de ter Champions na próxima época), e uma estrutura dividida que não lhe garante a autonomia com que gosta de trabalhar.

    Até acredito que o Porto tenha capacidade para reunir as larguíssimas dezenas de milhões de euros de que necessitaria para arranjar um contrato e um projeto suficientemente aliciantes para tirar Jesus do Sporting. Para tal, seria necessário que a Meo antecipasse uma larga fatia das receitas do contrato que começa em 2018, ou que aparecesse algum investidor abastado. Mas não vejo o que Jesus tem a ganhar em sair para o Porto. Saindo agora, não teria mais garantias de sucesso do que tem no Sporting (o poder mora noutro lado). E tendo o azar de as coisas lhe correrem mal no Dragão, ficaria com as portas dos grandes todas fechadas. Em contrapartida, mantendo-se no Sporting, correndo as coisas bem ou mal nos anos que se seguirão, a opção Porto manter-se-á sempre em aberto.

    Daí achar que aquilo que O Jogo noticiou ontem...


    ... não faz grande sentido. Aliás, os argumentos utilizados roçam o absurdo.

    Dizem que o técnico não aceita perder João Mário, mas falamos de Jesus, o mesmo treinador que, durante 6 anos, viu Vieira retirar-lhe os seus melhores jogadores em quase todas as janelas de transferências. E dizem que o treinador está desiludido com a passividade no ataque às contratações, usando no interior do jornal (isto é mesmo verdade) os exemplos de Sá e Marega (!!!). Quanto à comunicação, não me parece que só por si seja um deal-breaker.

    Quando vi a primeira página de ontem do jornal O Jogo, tive imediatamente que abrir a janela para deixar sair a imensa poeira de carvão que se levantou. Nada de novo: desde que Jesus assinou pelo Sporting, o passatempo preferido da imprensa e comentadores tem sido inventar motivos de discórdia entre treinador e presidente. Vale a pena relembrar o primeiro carvão a ser metido há pouco menos de um ano: Jesus ia vetar a presença de Bruno de Carvalho no banco de suplentes. Olhando agora à distância, tem a sua graça, não tem?

    Neste momento, mantenho todos os cenários em aberto: que Jesus está mesmo interessado em ir para o Porto, que Jesus está a usar o interesse do Porto para renegociar as suas condições com o Sporting, que Jesus está satisfeito em Alvalade e totalmente focado no nosso projeto. Não conheço as suas motivações, mas confio que a decisão que tomará para o seu futuro imediato terá uma base maioritariamente racional. E, nesse sentido, parece-me que o cenário mais provável é aquele em que Jesus continua como treinador do Sporting em 2016/17.

    terça-feira, 17 de maio de 2016

    Foi assim que a RR anunciou os 23 de Fernando Santos para o Euro 2016

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    Os 23 para o Euro 2016


    Uma convocatória dentro daquilo que se esperava. Quatro jogadores do Sporting na convocatória: Rui Patrício, William, Adrien e João Mário. Bernardo Silva ficou de fora por não estar em condições físicas, entrando Renato Sanches para o seu lugar.

    Jesus valeu os 5 milhões?

    Agora que a época terminou, podemos finalmente fazer o balanço da época de Jorge Jesus enquanto treinador do Sporting, e debatermos se se justificou a sua contratação. E, em particular, se o técnico justificou o salário de €5M que aufere em Alvalade.

    É legítimo que se diga que a conquista de um único título (Supertaça) é proeza curta para um treinador que recebe um salário incomparavelmente superior a qualquer outro treinador em Portugal. Para além disso, também se pode argumentar que o mérito de o Sporting ter lutado pelo título até ao fim não pode ser atribuído apenas a Jesus, considerando que o orçamento para o futebol praticamente duplicou. Será que Jesus teria conseguido, com o plantel que Marco Silva tinha ao seu dispor, chegar à última jornada com hipóteses de ser campeão? Provavelmente, não.

    Mas também podemos colocar as perguntas de outra forma: que outro treinador (realisticamente ao alcance de um clube português) conseguiria, com o mesmo plantel que foi dado a Jesus, disputar o título até ao fim, com a mesma qualidade que todos pudemos observar? Eu, sinceramente, não me lembro de nenhum.

    O Sporting pode ter duplicado os gastos salariais em relação ao ano passado, mas isso não quer dizer que o plantel seja duas vezes melhor. Uma boa fatia desse dinheiro foi aplicada em renovações com jogadores que já estavam no clube ou em contratações para colmatar saídas de titulares no último defeso. Ainda assim, apesar deste aumento, o Sporting continuou a ter um orçamento inferior (marginalmente) em relação ao do Benfica e (significativamente) ao do Porto. Como tal, não me parece que faça sentido dizer-se que o Sporting tinha obrigação de ser campeão, tendo apenas o 3º maior orçamento da I Liga, e ainda mais quando o ponto de partida era uma época em que andou sempre distante do topo da classificação. Obrigação de lutar para ser campeão, sim; obrigação de ser campeão, não.

    Jesus pegou no plantel que herdou, adicionou-lhe algumas peças, e construiu uma equipa à sua imagem que bateu largamente o recorde de pontuação do clube: 86 pontos, mais 8 que o anterior máximo. Goal average de +58 (na época anterior foi de +38), muito superior a qualquer outra época do clube no futebol moderno - para vermos uma marca desta dimensão, teríamos que recuar ao tempo dos 5 violinos. E, claro, futebol de qualidade, como há muito não víamos praticar em Alvalade.

    Para além disso, existe a questão do retorno financeiro que o trabalho treinador poderá proporcionar em termos de vendas. Slimani, João Mário e Adrien foram, provavelmente, os três casos mais óbvios de valorização, mas também Rui Patrício e, no final da época, William Carvalho, cresceram com Jesus. Para não falar no lançamento de Rúben Semedo e Gelson Martins. Veremos no defeso as vendas que o clube fechará.

    Voltando à pergunta inicial: Jesus valeu os 5 milhões? Sem a conquista do campeonato, não consigo responder de forma afirmativa com total convicção. Mas se me perguntarem se vale a pena investir novos 5 milhões em Jesus no ataque à próxima época, aí respondo sem quaisquer hesitações: sim, pois estaremos muito mais perto de ganhar com Jesus do que sem Jesus.