quinta-feira, 30 de junho de 2016

O voo de Patrício



O onze contra a Polónia

Duas alterações em relação ao jogo com a Croácia: Eliseu no lugar de Raphaël Guerreiro, e Renato Sanches no lugar de André Gomes. Força, rapazes!


Questões para o jogo com a Polónia

Segundo o que diz a imprensa de hoje, as exibições de Cédric, Fonte e Adrien frente à Croácia terão convencido Fernando Santos, e deverão manter-se como titulares contra a Polónia. Cédric esteve muito bem defensivamente, anulando Perisic - provavelmente o jogador croata que esteve em maior destaque na fase de grupos -, Adrien fez um bom trabalho a limitar a ação de Modric, e Fonte parece estar melhor apto para enfrentar um avançado forte como Lewandowski. No caso do central, há também que considerar que Ricardo Carvalho poderá ter mais dificuldades em jogar um eventual prolongamento.

Considerando que não será pelo facto de o adversário se chamar Polónia que Fernando Santos decidirá correr qualquer tipo de riscos no momento de escolher o onze inicial, o mais provável é que o selecionador mantenha o 4-4-2. Nani e Ronaldo parecem indiscutíveis, pelo que as dúvidas principais acabam por estar no quarteto do meio-campo.

William deve levar vantagem sobre Danilo. Presumindo então que Adrien também se mantém, restam dois lugares por preencher, a serem disputados por João Mário, André Gomes, Renato Sanches e João Moutinho. Se fosse pelo rendimento demonstrado em campo, João Mário e Renato Sanches seriam as escolhas mais óbvias. Mas será que Fernando Santos abdicará da capacidade de agitar o jogo que Renato tem quando entra na segunda parte? E será que Renato conseguirá ter o mesmo impacto no jogo alinhando de início, sem o desgaste acumulado dos adversários de que tem beneficiado enquanto suplente utilizado?

Questões para serem respondidas daqui a três horas.

O calendário da pré-época

Dez jogos num período inferior a um mês, com um grau de dificuldade claramente nivelado por cima. Quatro adversários de Champions (Monaco, Lyon, Villarreal, PSV), dois habituados a essas andanças (Zenit e Wolfsburgo), e ainda o 4º classificado do campeonato francês (Nice) e o 10º da liga espanhola (Bétis).


Não sei até que ponto não seria bom ter alguns mais alguns testes contra equipas especializadas em meter o autocarro, mas uma coisa é certa: não será por falta de dificuldade dos jogos de pré-época que Jorge Jesus deixará de conseguir identificar os jogadores melhor preparados para enfrentar uma época longa e recheada de desafios, em que será necessário manter um nível de desempenho elevadíssimo nas várias frentes em que estaremos envolvidos.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Já se treina em Alcochete

... e Daniel Podence fez isto.

A dica da semana de João Gabriel

"Outro exemplo? O número de sócios dos três clubes. Outra das ladainhas do presidente do Sporting. Mas porque é que os jornalistas não consultam os relatórios e contas das SAD dos três grandes e comparam o que é que os sócios, a nível de quotização, representam para os três clubes? E veriam a diferença que há entre os três" - João Gabriel, na entrevista publicada hoje pelo Record.

Belo conselho dado aos jornalistas.

Considerando que a SAD do Sporting não recebe qualquer valor de quotizações desde julho de 2013 (pois o dinheiro das quotas é canalizado na totalidade para o clube), seria bom que explicasse como os jornalistas poderão ver essa informação no relatório e contas. Mais, João Gabriel tem a obrigação de saber que o Benfica também tomou, na época passada, a mesma decisão de canalizar a totalidade das quotizações para o clube - o que significa que o relatório e contas da SAD benfiquista também deixou de incluir essa informação (os valores que ainda aparecem são resíduos da fase de transição).

Por outro lado, é pena que não se tenha lembrado de fazer esse exercício enquanto apregoava aos quatro ventos o facto de o seu clube ser "o maior do mundo", quando bastaria olhar para o valor das quotizações para perceber que o número real de associados sempre esteve muito, muito longe dos 270.000 que chegaram a anunciar.



Saiu do Benfica, mas o gosto pela desinformação continua intacto.

P.S.: João Gabriel também disse o seguinte: "Mas os jornalistas também amplificam declarações que não deviam ter relevância. Por outro lado, os jornalistas não se podem limitar a ser correias transmissoras, sem espírito crítico.". Vindo de quem vem, esta é candidata a piada do ano.

A política de empréstimos

O Sporting anunciou ontem o empréstimo de Tobias Figueiredo ao Nacional da Madeira. Creio que ninguém discordará da oportunidade da cedência do jovem central. Tobias está numa fase em que necessita de jogar com frequência para acumular a experiência que lhe falta para poder ser titular no Sporting. Dificilmente o conseguiria continuando em Alvalade, pelo que o destino encontrado acaba por ser uma boa solução.

O empréstimo de Tobias junta-se, portanto, ao de Francisco Geraldes ao Moreirense. Apesar de Miguel Leal ter saído do clube, o novo treinador, Pepa, parece ser um sucessor à altura, com capacidade para tirar proveito das características do talentoso médio - fundamental para que o seu ano em Moreira de Cónegos possa ser tão bem sucedido como os de Iuri Medeiros e João Palhinha.

Partindo do princípio que os acordos de empréstimo do Sporting incluem cláusulas que encorajam a utilização dos jogadores, faz todo o sentido que sejam colocados na I Liga todos os atletas que não tenham espaço no plantel principal, que não tenham salários excessivamente elevados e que necessitem desafios superiores aos que uma equipa B pode dar. Como tal, é bastante provável que, do grupo de jovens como Palhinha, Podence, Gauld, Domingos Duarte, Ponde, Chaby, Wallyson e Riquicho (estes últimos dois se estiverem recuperados), alguns acabem também por ser emprestados a outros emblemas da I Liga. O mesmo se aplica a jogadores excedentários como Cissé, Zezinho, Rosell ou André Geraldes.

Há muito que o empréstimo de jogadores tem, para Benfica e Porto, uma função que vai muito para além da simples gestão de plantel e desenvolvimento de jogadores. O Sporting deve fazer o mesmo. Não digo que cheguemos ao ponto de contratar apenas para emprestar, como fazem os rivais - isso é uma subversão daquilo que deve ser um clube de futebol -, mas é algo que deve ser explorado de forma mais estratégica: é uma ferramenta para construir um bom relacionamento com outros clubes, ao mesmo tempo que os tornamos mais fortes contra os nossos rivais e menos fortes contra nós. A partir do momento que o (absurdo) regulamento da Liga para esta matéria o permite, devemos aproveitá-lo tão bem quando pudermos - tal como fazem Benfica e Porto.

Espero, por isso, que o Sporting dê primazia a clubes com quem tem melhor relacionamento ou com quem acredite que possa construir boas relações, mas tendo sempre em consideração o interesse dos jogadores. Quanto a Tobias Figueiredo, é verdade que custa sempre ver um jogador do Sporting ser emprestado ao clube de Rui Alves, mas, citando aquilo que disse recentemente um certo presidente de um clube português:


terça-feira, 28 de junho de 2016

Gamebox renovada



A Gamebox inclui o jogo de apresentação (dia 23 de julho, vs. Lyon), o torneio 5 Violinos (dia 30 de julho, vs. Wolfsburgo), todos os jogos da Liga, a fase de grupos da Liga dos Campeões, e 2 (caso seja paga a pronto) ou 1 (a prestações) bilhete(s) gratuitos para usar durante os jogos da Liga, com execeção do 1º e último jogo em Alvalade e dos jogos contra Benfica e Porto.

A fase 1 de venda de Gameboxes (renovação de lugares) estende-se até dia 10 de julho. A fase 2 (venda livre de lugares disponíveis) inicia-se dia 12 de julho.

Aqui fica a tabela de preços. O link para comprar / renovar a Gamebox é este: LINK.


A song of Ice on fire

O mais famoso comentador do Euro, em delírio no final: "Podem abandonar a Europa! Podem ir para onde quiserem!"

Festejos de jogadores e público no final

Islândia contra Inglaterra

No comments


A reação do plantel de Gales à derrota de Inglaterra

Ex-presidente da Federação Islandesa e Ex-Primeira Dama Islandesa festejam dançando no relvado. Se o Marcelo descobre...


Um comentador inglês com um discurso de enorme confiança, no momento em que a Islândia marca o 2º golo




segunda-feira, 27 de junho de 2016

O pesadelo de Modric

Reações ao Portugal - Croácia na imprensa internacional. Grandes elogios à atuação de Adrien, com bastante destaque dado também a William.

in Marca (via @captomente)

in As (via @captomente)
in As (via @captomente)




Não sei quem fez isto (obrigado, Filipe), mas merece ser visto... :)


E para terminar, "Ontem jogou a Academia":

in Marca (via @captomente)

Estatísticas comparativas dos jogadores da seleção

Estatísticas comparativas dos jogadores portugueses, por posição. Os dados foram retirados do site squawka.com, e referem-se a médias por 90 minutos (o que significa que o fator de tempo de utilização em campo é anulado, ou seja, um jogador não é prejudicado por ter sido menos utilizado).

Os números nunca contam toda a história de um jogo ou da prestação individual dos jogadores, pois não levam em consideração a qualidade e dificuldade das ações, mas não deixam de ter algum interesse. Aqui ficam.


Defesas direitos
Estatísticas: oportunidades criadas / passes para a frente / dribles conseguidos / desarmes / % duelos ganhos / interceções / erros defensivos

Defesas esquerdos
Estatísticas: oportunidades criadas / passes para a frente / dribles conseguidos / desarmes / % duelos ganhos / interceções / erros defensivos

Defesas centrais
Estatísticas: desarmes / % duelos aéreos ganhos / % duelos ganhos / interceções / bloqueios / alívios / erros defensivos

Médios Defensivos
Estatísticas: oportunidades criadas / passes para a frente / dribles conseguidos / desarmes conseguidos /  duelos aéreos ganhos / interceções

Médios Centro
Estatísticas: assistências / oportunidades criadas / nº passes / dribles conseguidos / desarmes conseguidos /  duelos ganhos / interceções

Avançados
Estatísticas: golos marcados / acerto no remate / assistências / oportunidades criadas / dribles conseguidos / % dribles conseguidos / interceções

domingo, 26 de junho de 2016

Sporting é campeão nacional de Juvenis


Parabéns pela conquista!

1º golo: trabalho de Daniel Bragança para golo de Elves Baldé.


2º golo: jogada iniciada por Daniel Bragança e concluída por Rafael Leão.


3º golo, que selou o título, nos descontos, por Nuno Moreira, e a festa no relvado.

Vamos lá, miúdos!

Hoje às 11h, a equipa de juvenis disputa a última jornada do campeonato nacional frente ao Braga. Basta um empate para se sagrar campeã.

Para quem não viu, aqui fica o resumo da vitória frente ao Benfica, na última quarta-feira.


De empate em empate até à vitória final?

108 minutos. O entediante jogo entre Portugal e Croácia mantinha-se numa espécie de guerra de trincheiras, com nenhuma equipa a arriscar, com receio que a ousadia acabasse por ser a oportunidade de que o opositor esperava. Adivinhavam-se os penáltis, tal era a incapacidade de ambos os ataques em se superarem às defesas adversárias. Fernando Santos decide fazer mais uma substituição: coloca Danilo Pereira, médio de características defensivas - o que significa que estará, sobretudo, preocupado em não sofrer um golo. O paradoxo desta substituição está na saída de Adrien. Mesmo desgastado, o médio sportinguista é um dos mais competentes marcadores de penáltis da seleção portuguesa, onde não abundam especialistas.

116 minutos. Apesar da substituição preventiva de Fernando Santos, a Croácia começava a ter um ascendente inédito na partida, chegando com muito mais facilidade à área portuguesa. Perisic consegue entrar na área e, junto à linha de fundo, faz um cruzamento que atravessa a pequena área, sem que Kalinic conseguisse encostar para o fundo das redes. Pjaca recupera junto à bandeirola de canto e ganha o lançamento. Entrega a bola a Modric e recebe-a de volta, cruza para a área e Perisic cabeceia ao poste, com Patrício a dar logo de seguida uma palmada na bola para impedir que entrasse na baliza. A Croácia recupera de imediato o esférico, ainda dentro da área portuguesa, e continua a pressionar. Strinic tenta furar pela esquerda, mas deixa-se desarmar junto à linha lateral por Quaresma, que dá um pequeno toque para Ronaldo, que por sua vez coloca rapidamente no corredor central em Renato. Renato atravessa o círculo central com a bola controlada. Tem Ronaldo na direita e Nani na esquerda, mas não solta em profundidade. Prefere aproximar-se da área, com Nani e Ronaldo já a abrandarem em virtude da reorganização da defesa croata. Renato protege a bola de um adversário que já está em cima dele e mete em Nani, perto da quina da área. Nani faz um passe cirúrgico a rasgar a defesa (ou teria sido um remate, que acabou por sair frouxo e desviado da baliza?) que, caprichosamente, evita dois croatas nas imediações e encontra Ronaldo. O capitão remata de primeira, mas não suficientemente desviado de Subasic, que consegue defender de forma incompleta. A bola ressalta, fazendo um pequeno balão, no ângulo, velocidade e altura certas para que Quaresma, que vinha em sprint desde a recuperação de bola, tivesse apenas que a encostar para o fundo das redes.

1-0, eliminatória resolvida, Portugal segue em frente no Euro 2016, com mais um empate ao fim dos 90 minutos, sem ter corrido quaisquer riscos, sem ter feito, mais uma vez, um bom jogo, sem ter, novamente, merecido a boa fortuna que lhe sorriu.

Fernando Santos tem atenuantes importantes, começando no valor do adversário (que, recorde-se, sem Modric e Mandzukic, chegou para vencer a Espanha), e acabando no facto de ter tido pouco mais de 72 horas para recuperar fisicamente a equipa, com duas longas viagens pelo meio. A gestão física terá sido, aliás, o principal motivo que o levou a mexer no onze. Raphael Guerreiro recuperou da lesão e voltou a ser dono da lateral esquerda, Adrien substituiu Moutinho, José Fonte substituiu o veteraníssimo Ricardo Carvalho, e Cédric rendeu Vieirinha. Quatro alterações que, diga-se, foram todas bem sucedidas, assim como a estratégia montada para este jogo. 

O meio-campo, não tendo estado brilhante ofensivamente (muito longe disso), cumpriu com distinção a tarefa de secar o ponto forte dos croatas, apesar de William / Adrien / João Mário / André Gomes (Renato Sanches) estarem em desvantagem numérica face a Badelj / Modric / Rakitic / Perisic / Brozovic. Falhou no municiamento de Nani e Ronaldo - que raras vezes receberam a bola em condições -, por haver pouca vontade de arriscar (Adrien tinha ordens claras de nunca largar Modric, por exemplo), mas também porque os croatas souberam anular as nossas tentativas de construção, com uma pressão constante a todo o campo. Como consequência deste impasse, foram raras as oportunidades de golo, e os dois guarda-redes foram pouco mais que espectadores com vista privilegiada para onde se desenrolava a ação. Adivinhava-se que venceria aquele que marcasse primeiro. Felizmente calhou-nos a nós.

Imagino as dores de cabeça que Fernando Santos terá para escolher o onze que jogará contra a Polónia na próxima quinta-feira. Na realidade, não deveria ter grandes dúvidas, porque o onze mais competente que montou até agora foi o que jogou ontem. Após quatro jogos, já deve ter dado para perceber quais os jogadores que lhe dão as melhores soluções. Uma ou outra alteração, em função da condição física e forma dos atletas, deveria ser suficiente. Esperemos que não caia na tentação de voltar a apostar em jogadores que estão nitidamente fora de forma.

Temos aqui uma oportunidade história para chegarmos à final. Sem querer desrespeitar a Polónia, Gales e a Bélgica / Hungria, não é nada comum termos oposição deste nível numa fase tão adiantada da competição. Ao vencermos a Croácia, ultrapassámos a nossa meia-final. Falta-nos ser bem sucedidos contra adversários de oitavos e de quartos. Nada é garantido, como é evidente. Mas se chegámos até aqui com tão fraca qualidade de jogo, imagine-se se começarmos a jogar ao nível do que estes jogadores sabem.

A corrida de Quaresma para o golo de Portugal

sábado, 25 de junho de 2016

O onze contra a Croácia

Várias alterações, com a entrada de Cédric, Guerreiro, Fonte e Adrien, para os lugares de Vieirinha, Eliseu, Ricardo Carvalho e Moutinho, muito provavelmente relacionado com o facto de ter havido apenas dois dias para recuperar desde o último jogo.


Uma questão de fé e de tomates

Fernando Santos tem recorrido frequentemente à palavra , quando questionado sobre aquilo que poderemos esperar da seleção no Euro 2016. Ontem, na conferência de imprensa, explicou o motivo da sua fé, atribuindo-a à crença que tem nos seus jogadores.

Percebo a ideia e partilho-a parcialmente. Depois de ver o que Nani, Cristiano, Quaresma e João Mário fizeram contra a Hungria, também tenho fé que os jogadores tenham passado a ter mais fé nas suas capacidades e nas dos colegas. Afinal, não é todos os dias que se recupera três vezes de uma desvantagem. E tenho fé que procurarão jogar de forma a que o todo seja superior à soma das partes, coisa que, até agora, raramente aconteceu. Se conseguirmos mais momentos como o do segundo golo contra a Hungria, estaremos mais perto do sucesso.



Mas também gostava de poder dizer que tenho fé no selecionador, em como tomará hoje as decisões certas para defrontarmos com êxito o adversário mais difícil que nos calhará em todos os jogos que disputaremos (com exceção da final, se lá chegarmos). Infelizmente, aqui a fé já não é tanta.

Ao fim de 3 jogos de preparação e 3 jogos a doer, não se notam melhorias no jogo português. Não inspira nenhuma confiança o facto de termos sido tão macios defensivamente contra a Hungria. É verdade que os húngaros foram tremendamente eficazes e tiveram sorte na forma como marcaram os três golos, mas fomos nós que nos colocámos a jeito para os sofrer, tal como já tinha acontecido no golo que a Islândia nos marcou. Logo, contra a Croácia, terá que haver muito mais concentração nos momentos defensivos, caso contrário Modric, Rakitic, Perisic e companhia não terão contemplações.

Chegamos, portanto, à questão dos tomates.


Fernando Santos não pode ter receio em mudar o que tem de ser mudado. Na realidade, não tem muito a perder: o pior que pode acontecer é não melhorar (sinceramente, pior exibição do que a da primeira parte contra a Hungria, com os jogadores que temos, é impossível), o melhor que pode acontecer é encontrar novas soluções, qualificar-se, e ganhar uma equipa que possa tirar o máximo partido das qualidades dos nossos jogadores.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Bota "curioso" nisso

in Mais Futebol

O Mónaco anunciou ontem que Ivan Cavaleiro e Hélder Costa não farão parte do plantel na próxima temporada. 


Curioso / Mónaco / Benfica / Jorge Mendes: um aglomerado de palavras e nomes que registam uma enorme probabilidade de aparecerem em conjunto num texto. Aliás, curioso é que a palavra "curioso" só seja colocada uma vez nesta notícia.

É curioso, de facto, que o Mónaco - que tinha a opção da compra de Hélder Costa por €15,7M - tenha, há menos de um mês, acordado com o Benfica o prolongamento do empréstimo do jogador até ao final de 2016/17, e agora o dispense.

Já era curioso o facto de o Mónaco se ter interessado por Hélder Costa, que na época anterior registou 0 jogos como titular e 6 como suplente utilizado nos meses que passou em Corunha. Mesmo assim, há que dizer que Hélder Costa teve uma utilização aceitável no principado: foi titular por 15 vezes no campeonato francês, somando um total de 1.309 minutos, 3 golos e 2 assistências.

O mesmo já não se pode dizer de Ivan Cavaleiro: somou apenas 508 minutos na liga francesa, com apenas 1 golo marcado (na última jornada). É justo que se diga que Ivan Cavaleiro esteve lesionado uma boa parte da época, mas não foi por isso que deixou de ser um titular indiscutível na equipa de Leonardo Jardim: nos 10 jogos que antecederam a lesão, fez parte do onze inicial em apenas 3 ocasiões.

O mais curioso em relação a Ivan Cavaleiro é, obviamente, o facto de o Mónaco ter achado, no verão passado, que o jogador valia 15 milhões (Yuans, anyone?), apesar de nada no seu rendimento passado ou no potencial demonstrado justificar tal verba. Assim como não faz grande sentido que um clube desista, ao fim de um ano, de um investimento tão avultado, não dando sequer hipóteses ao jogador (que tem apenas 22 anos) de fazer a pré-temporada com o plantel.

E estou curioso para ver em que clube(s) irão jogar este ano.

Desde o princípio que há coisas que não encaixam, e continuam sem encaixar. Tudo muito curioso, de facto.

O projeto de futebol feminino do Sporting

Entrevista realizada na semana passada a Raquel Sampaio, diretora do futebol feminino do Sporting, onde se ficam a conhecer alguns pormenores sobre o recém-criado projeto. Vale a pena ver.

Haja alguém insatisfeito com os empates

É bom ver que alguns jogadores se sentiram frustrados com o empate de quarta, ao contrário do selecionador. Nos descontos, Renato Sanches ainda ia tentando pressionar os húngaros que trocavam a bola junto à sua área, apesar das indicações contrárias que vinham do banco. E logo após o apito final, foram percetíveis outros sinais de insatisfação, suponho que relacionados com a falta de ambição demonstrada por Fernando Santos.


Mais uma vez, há que registar o facto de a Comunicação Social ter ignorado estes gestos. Em Espanha, de certeza que teriam sido debatidos de forma exaustiva. Por cá, parece que vai imperando uma qualquer espécie de pacto entre jornalistas e FPF, que impõe o silêncio quando os temas são incómodos.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Análise de Nuno Farinha ao estado psicológico de Ronaldo

Ontem, na CMTV, antes do Portugal - Hungria.


Agora imaginem se Ronaldo tivesse o equilíbrio necessário e desejável... provavelmente empataríamos 6-6, com 4 golos e 2 assistências do capitão.

Eu compreendo que Nuno Farinha, enquanto subdiretor de um jornal do grupo Cofina e habitual comentador na CMTV, se sinta na obrigação de vestir a camisola e defender a sua dama num momento destes. Mas também legitima que perguntemos se, por exemplo, a descaradíssima campanha que tem feito a favor de Renato Sanches reflete efetivamente a sua opinião, ou se serve apenas (tal como nesta questão de Ronaldo) de meio de transmissão de uma narrativa escrita por terceiros.

(obrigado, João Francisco Oliveira!)

Análise da BBC ao Portugal - Hungria

Interessante, como sempre, a conversa e análise que estes senhores fizeram ontem, ao intervalo e no final do Portugal - Hungria. De tudo o que foi dito, destaco estas palavras de Thierry Henry:

«Eu não percebo por que motivo, no entanto, Portugal não tentou ganhar este jogo. Viram no final, Ronaldo a falar com João Mário dizendo "Porque é que não tentámos ganhar o jogo?"... foi esquisito."»

Apurados à tangente. E agora, Fernando?

Apesar de ter apanhado um grupo muito acessível, Portugal apurou-se para a fase seguinte à tangente, sem qualquer brilho. We get to live another day e renova-se a esperança naquilo que poderemos fazer no resto da competição, com a expetativa de que Fernando Santos verá finalmente a luz. A luz, diga-se, já era suficientemente intensa antes da partida com a Hungria para que não escapassem ao selecionador alguns equívocos em que incorreu nas duas primeiras jornadas, mas após o jogo de ontem já nem sequer pode fingir que não os vê. Fernando Santos terá que mexer no onze contra a Croácia.

Insistir no 4-4-2 losango poderia fazer sentido se Moutinho e André Gomes estivessem na sua melhor forma. Ora, Moutinho está muito longe daquilo que já o vimos produzir, e André Gomes, apesar de ter estado a um nível satisfatório nas duas primeiras jornadas, não produz o suficiente para compensar o que perdemos ao ter João Mário amarrado num flanco e William com poucas opções de passe.

O melhor Portugal desta fase de qualificação foi aquele que jogou ontem após as duas primeiras substituições, ou seja, após as entradas de Renato  Sanches e Ricardo Quaresma. Não tanto pelo que ambos os jogadores produziram, mas principalmente pela arrumação que implicou no meio-campo. Com dois extremos em campo, João Mário passou a dispor de uma liberdade que Fernando Santos ainda não lhe tinha dado, e o rendimento da seleção aumentou de imediato. William deixou de ter que se preocupar em não atropelar Moutinho quando tinha a bola nos pés, e passou a ter bastantes mais opções de passe - não só porque João Mário, mais livre, se passou a dar muito mais ao jogo, mas também por ter Renato Sanches em movimentações constantes para criar linhas de passe.

Em relação a Renato Sanches, apesar de não ter feito um jogo brilhante, teve o mérito de ajudar a dinamizar o jogo e torná-lo mais incontrolável, com os aspetos bons e maus que isso implica. Quando Renato não tem a bola e esta está na posse de Portugal, coloca-se sempre muito perto do portador, disponibilizando-se para a receber. Tanto o faz no centro do terreno - a área em que é mais natural que esteja posicionado - como nos flancos. Se a ânsia de estar em todo o lado facilita o trabalho de quem tem a bola, também acaba por deixar, em muitos momentos, um vazio imenso que os adversários podem explorar se recuperarem o esférico. Nas suas incursões com bola, Renato também tanto pode gerar situações de desequilíbrio no meio-campo adversário, como pode perder a bola e comprometer o equilíbrio defensivo da própria equipa - se com a Hungria isso já foi visível, imaginem contra um meio que tenha Modric, Rakitic e Perisic.

No cômputo geral, a seleção ganhou com a entrada de Renato Sanches. Não me parece que o jovem jogador esteja pronto para ser titular - principalmente numa fase a eliminar e em que os adversários serão teoricamente mais difíceis -, mas é um recurso muito interessante para ser lançado na segunda parte de um jogo, numa altura em que já exista algum desgaste acumulado, se houver necessidade de agitar as águas. Para entrar de início, Adrien confere maior equilíbrio à equipa - sobretudo pela sua reação à perda de bola -, e ao mesmo tempo tem o dinamismo necessário para apoiar os companheiros no ataque. Não tendo a mesma velocidade que Sanches, também não expõe a equipa a tantas situações de risco. Para não falar no conhecimento mútuo que existe entre si e William, João Mário e Nani.

Isto, claro, só faz sentido se Fernando Santos largar o malfadado 4-4-2 losango. Infelizmente, não sei se o selecionador terá tamanho nível de ousadia. A forma como abdicou de procurar a vitória, dando ordens à seleção para abrandar o ritmo quando ainda havia muito tempo para jogar - numa altura em que convinha a Portugal procurar o golo da vitória - é preocupante. A substituição de Nani por Danilo, encostando novamente João Mário ao flanco, foi uma espécie de atirar de toalha ao chão na procura do golo. Achar, naquelas circunstâncias, que é melhor ter um pássaro na mão do que dois a voar, não é pragmatismo, é apenas falta de coragem. Mas alguma coisa terá que mudar. Adrien e Rafa estão a ser totalmente desaproveitados e nunca funcionarão em losango. Por outro lado, os últimos dois jogos mostraram ser desaconselhável a utilização de Quaresma num ataque a dois. E os laterais (com exceção de Raphael Guerreiro) não têm chegado para as exigências que o losango exige deles nos respetivos flancos. 

Perante o que temos visto, parece-me que teríamos a ganhar se jogássemos de início com:


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Não merecemos a sorte que tivemos

Fernando Santos não tem mãos para isto. Errou no onze, foi obrigado a arriscar na segunda parte e, felizmente, a coisa correu-lhe bem. Quando podia ir à procura do 1º lugar, mandou sinais para dentro de campo para segurar o resultado, mesmo que isso significasse o 2º lugar que nos colocaria na metade dos tubarões. Deixou nas mãos de terceiros o nosso destino, e por acaso o destino foi amigo com o golo da Islândia nos descontos (mesmo considerando que a Croácia é mais forte que a Inglaterra).

Passámos sem ganhar nenhum jogo num grupo fraquíssimo. Espero que ninguém na FPF ache que existe qualquer motivo para festejos. Há muito para melhorar se queremos passar a Croácia. O jogo é já no próximo sábado.

O onze contra a Hungria


Fico desiludido (mas não surpreendido) por Fernando Santos continuar a insistir em certos jogadores e em ignorar outros, mas espero que o jogo lhe venha a dar razão. Bamos lá cambada!

P.S.: os quatro jogadores da Hungria amarelados não vão ser utilizados.

"Uma oportunidade única"

Maravilhoso. <3



Bom prenúncio para logo, Ronaldo parece estar com pontaria.

Sacando da calculadora

Sei que não se deve colocar a carroça à frente dos bois, mas é impossível ignorar o emparelhamento que se está a formar para a fase a eliminar do Euro 2016:


Se Portugal ficar em 1º ou em 3º lugar do grupo F, ficará na metade esquerda deste quadro. Nessa eventualidade, fica garantido que apenas poderemos encontrar Alemanha, Itália, Espanha, França e Inglaterra na final. Depois de uma fase de grupos com uma oposição de nível acessível, seria impossível encontrar melhor conjunto de potenciais adversários numa fase tão adiantada da competição. 

Quem segue este blogue há algum tempo, sabe que admiro (e invejo) imensamente a estrelinha de Fernando Santos enquanto selecionador. Se a máxima que diz que ter sorte dá muito trabalho, então de certeza que não existe no mundo homem mais esforçado do que Fernando Santos. Recuperando a imagem que fiz no link que deixei acima:

Níveis de estrelinha no futebol

Se já era grave não conseguirmos o apuramento com este grupo, a estrada até à final que se estendeu à nossa frente é uma oportunidade que simplesmente não podemos desperdiçar. E, como se esta conjugação de fatores não fosse suficiente, dá-se o caso de a Hungria já estar apurada (pelo que poderá, eventualmente, poupar jogadores em risco de castigo, o que facilitaria mais a nossa tarefa), e ainda pode dar-se o caso de irmos parar à metade boa da fase a eliminar mesmo não ganhando à Hungria, já que o 3º lugar do nosso grupo também nos colocará nessa parte do quadro (e o mais provável é que, ganhando, fiquemos em 1º, e empatando, fiquemos em 3º).

Se Portugal ficar em (ganhando à Hungria por mais golos do que a Islândia ganhe à Áustria), defrontará o 2º classificado do grupo E (Bélgica, Suécia ou Irlanda). 

Se Portugal ficar em , defrontará a Inglaterra

Se Portugal ficar em (empatando com a Hungria e se, havendo também empate no Islândia - Áustria, Portugal não marcar mais golos que a Islândia), defrontará a Croácia

A estrelinha está bem viva e recomenda-se. Falta sermos minimamente competentes para a aproveitar.

terça-feira, 21 de junho de 2016

O Guardiola dos comentadores


e


pelo blogue Com quem joga o Sporting?

E já que falamos em lateralizações, recomendo também a leitura do post William, Danilo, Moutinho e as lateralizações, do blogue A bola não tem pulmão.

Ser ou não ser Ronaldo, eis a questão

É fatal como o destino: quando há jogo em que Ronaldo não resolve e em que Portugal obtém um resultado aquém das expetativas, aparecem de imediato os haters a questionar o nível do capitão da seleção. E falhando Ronaldo um penálti que poderia ter dado a vitória na partida e uma provável qualificação para a fase seguinte, pode-se dizer que saiu o jackpot a essas pessoas.

Em primeiro lugar, há que dizer que existem razões válidas para se criticar o capitão da seleção. A política instalada na seleção de Ronaldo über alles seca uma boa parte do potencial dos restantes jogadores. Montam-se táticas que favoreçam as características de Ronaldo (o que é compreensível, até certo ponto), Ronaldo é o marcador de penáltis (que também se compreende), Ronaldo é o marcador de livres (o que já não é compreensível), e Ronaldo seria, provavelmente, o marcador de cantos se isso fosse, de alguma forma, uma estatística importante capaz de contribuir para prémios individuais. Ronaldo não tem um discurso adequado nos maus momentos, raramente protegendo o coletivo e chegando algumas vezes a individualizar responsáveis, o que é uma atitude que fica particularmente mal num capitão. Ronaldo tem um tratamento privilegiado em relação aos outros colegas: escolhe os estágios e os jogos em que participa e pode, ao que se diz, levar staff próprio para os trabalhos da seleção. 

Mas Ronaldo não é o principal responsável por isto. Estas benesses apenas acontecem porque toda a estrutura da FPF o permite. Quem critica Ronaldo não pode isentar de responsabilidades aqueles que deveriam controlar o poder de um jogador no grupo de trabalho para além do razoável. Ao contrário do que seria normal, é a própria estrutura liderada por Fernando Gomes que alimenta este culto a Ronaldo (ah, o jeito que dá o dinheiro dos contratos publicitários e dos cachets de amigáveis), com a complacência (e até colaboração) da maior parte da comunicação social.

Perguntou-se a Fernando Santos, na última conferência de imprensa, por que razão continua Ronaldo a marcar livres quando existem outras opções com taxa de eficácia muito superior. O selecionador fugiu à pergunta e limitou-se a dizer que Ronaldo continuará a marcá-los. Parece-me que é um tema que merece ser explorado, mas a generalidade dos jornalistas prefere não insistir no tema, por saberem que isso iria desaguar em questões bem mais incómodas.

Mas a verdade é que Ronaldo é, neste momento, o único jogador de topo do nosso futebol. Não lhe dão tolerância para render pouco. Não tem quem resolva de forma consistente na sua ausência. É o jogador mais internacional de sempre de Portugal, o que significa que já dedicou mais tempo à seleção do que qualquer outro atleta. É o recordista de golos marcados pela seleção. Tem duas meias-finais e uma final em competições internacionais, mais do que qualquer outro jogador português. É, provavelmente (não gosto de entrar nestas comparações), o melhor jogador português de todos os tempos. Por tudo isto, merece o respeito que muita gente não lhe tem dado nos últimos dias.

É pena, efetivamente, que o próprio Ronaldo não tome a iniciativa de se pôr no mesmo patamar dos seus colegas. Se colocasse o seu imenso talento ao serviço da equipa - em vez de esperar que o (mais limitado) talento da equipa o sirva a ele -, se a equipa se habituasse a não ter que viver de Ronaldo para ter sucesso, e se as convocatórias e titularidades fossem atribuídos em função do mérito dos jogadores e da sua utilidade para a seleção, de certeza que não estaríamos numa posição tão frágil ao fim da 2ª jornada da fase de grupos.

sábado, 18 de junho de 2016

Campanhas

O dia de ontem foi extremamente proveitoso para perceber até onde vai a falta de noção de certas pessoas ou, em alternativa, o seu nível de hipocrisia. Deixo em aberto essas duas hipóteses, em função da consciência (ou falta dela) que têm daquilo que escrevem.

Tivemos, por exemplo, o subdiretor de um jornal a lamentar a campanha que tem havido contra Renato Sanches. Segundo esta corrente de pensamento, quem não concorda com a titularidade do jovem médio no Euro 2016, fá-lo apenas por uma questão de clubismo. E chegámos ao ponto de ver certas pessoas, alinhadas em geral com o raciocínio desse subdiretor, a puxarem da carta do racismo (!) para categorizar aqueles que discordam deles.

É verdade que têm existido (muitos) excessos na forma como se tem criticado Renato Sanches, mas aposto que esses excessos surgem sobretudo como reação à também mais-que-excessiva campanha a favor do jogador. Que, relembre-se, foi a primeira das duas a aparecer.

Quando alguém - como o tal subdiretor de jornal, ponta-de-lança da mais vasta e descarada promoção na comunicação social de um jogador na história do futebol português - começa a dizer que Renato Sanches é o melhor jogador da liga ao fim de uma dúzia de jogos, ou que devia ser titular na seleção, não está também a fazer campanha? E ao fazer campanha a favor de Renato, não estará, indiretamente, a fazer campanha contra quem tem legítimas aspirações de ser considerado nessas discussões?

Como, por exemplo, Adrien Silva. Fez uma época tremenda ao serviço do Sporting, tendo sido, efetivamente, o melhor 8 da liga portuguesa. Tanto em influência, rendimento e regularidade. Nenhum 8 apresentou os seus números. Alguém duvida que se Adrien equipasse de vermelho e branco e fosse agenciado por Jorge Mendes, seria titular de caras neste europeu, na sua posição preferencial, com a benção de grande parte da comunicação social?

Mais: alguém viu uma campanha por Gelson como se fez com Guedes? Alguém viu uma campanha por Rúben Semedo como a que se viu com Nelson Semedo?  Até Ivan Cavaleiro foi internacional ao fim de um par de jogos como titular do Benfica, e poucos na comunicação social acharam estranho.

Com ou sem Renato, com ou sem Adrien, com ou sem William, com ou sem João Mário, a campanha que realmente interessa é a da seleção portuguesa no Euro. Parece que Fernando Santos vai regressar (e ainda bem) ao 4-3-3, sinal que se apercebeu que o losango não se adequa às melhores características dos nossos jogadores. Esperemos que o resultado de logo seja positivo: não por Fernando Santos, não pela FPF, não por Jorge Mendes, não pela comunicação social, não pelos sportinguistas nem pelos benfiquistas, mas sim porque, supostamente, é um país inteiro que está a ser representado. Pena que haja muita gente com responsabilidade que não tenha o mesmo entendimento, começando pelos dirigentes federativos que cedem aos interesses de empresários e aos extremistas da comunicação social - sim, porque há mais extremismos para além do dos adeptos.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

The show must go on

Pior do que ver o sofrível jogo português contra a Islândia, foi ter de ler e suportar, no dia seguinte, a forma ligeira como a maior parte da comunicação social o relativizou. 

Não digo que seja caso para se estar já a pedir a cabeça de Fernando Santos, mas mete impressão ouvir certos especialistas a malharem em determinados jogadores sem fazerem um apontamento sequer ao selecionador pela escolha e distribuição das peças em campo. João Mário esteve vários furos abaixo do que se esperaria? Sim, mas será que se pode exigir que renda o normal quando é colocado numa posição que nunca fez na vida? Moutinho voltou a desiludir? Sim, mas aqui a palavra-chave é voltou. O improvável seria haver uma exibição ao nível do Moutinho que jogava no Sporting e no Porto.

Outro exemplo: colocar, como se colocou, o foco na quantidade de remates feitos pela seleção, é estar a tentar fazer um filme diferente do que foi a realidade. Dos 26 ou 27 remates, quantos tinham efetivamente uma elevada probabilidade de dar em golo? Poucos, sendo que, desses poucos, dois foram cabeceamentos de Nani. Repito, cabeceamentos de Nani

Que Fernando Santos tente vender o seu peixe, procurando convencer-nos de que a equipa se exibiu num nível "médio/alto", e que "o futebol é assim", é normal. O que não é normal é que a Comunicação Social se dispense de fazer o devido contraditório ao selecionador, e de pedir explicações pelo conservadorismo das suas opções num jogo que era para ganhar de caras. Enquanto houver esperança, vão-se queimando uns jogadores atrás dos outros, e as opções do selecionador são testadas como uma espécie de dogma que não se pode questionar.

A cobertura que nos é oferecida nas fases finais da seleção aproxima-se, cada vez mais - e de forma generalizada -, da abordagem cor-de-rosa à la Nuno Luz e Daniel Oliveira, tudo a bem de um (suposto) desígnio nacional que importa manter, mesmo que isso implique que se maquilhe tudo aquilo que não está bem. The show must go on

Infelizmente, não se apercebem que um pouco de pressão sobre quem decide pode ser benéfico, se feita nas doses certas, podendo inclusivamente ser um contributo para que o tal espetáculo se prolongue mais no tempo, apesar de os tons rosa empregados não serem tão shock.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Gelo na estreia

O empate de ontem não é nenhuma catástrofe. Não compromete a qualificação - até pode dar-se o caso de três das quatro equipas do grupo se apurarem para a fase seguinte - e continuamos dependentes de nós próprios para assegurar o 1º lugar do grupo. Mas o empate de ontem, não sendo catastrófico, é preocupante. Não tanto pelo resultado, mas sobretudo pela exibição. Ao quarto jogo, continua a não haver uma ideia de jogo coerente e voltaram a repetir-se os mesmos equívocos das partidas anteriores. Não há liderança dentro e fora das quatro linhas: basicamente temos um grupo de jogadores à deriva, que vai obtendo resultados em função dos momentos de inspiração individual que vão sendo capazes de gerar.

Faltou-nos o pragmatismo e bom senso dos islandeses, que fizeram (bem) o seu jogo em função das suas qualidades e insuficiências. Alguma coisa está errada quando se vê uma seleção como a portuguesa a insistir em cruzamentos para a área, ainda mais quando defronta um adversário como a Islândia. Ou, também, no abuso dos passes aéreos em profundidade a solicitar um homem isolado na frente. Em contrapartida, a equipa raramente procurou o espaço interior, que necessita de uma velocidade de execução bastante superior e rotinas bem consolidadas para surtir qualquer tipo de efeito.

O meio-campo foi, aliás, quase inexistente. Danilo raramente ganhou uma bola na sua área de ação e em nada contribuiu com a bola nos pés. Moutinho confirmou o mau momento de forma. João Mário, encostado à linha (!) no lado esquerdo (!!!), pouco ou nada fez na primeira parte. Curiosamente, foi retirado do jogo por Fernando Santos numa altura em que começava a mostrar boas combinações com Raphael Guerreiro. André Gomes foi o menos mau do quarteto do meio-campo, mas poucas vezes conseguiu colocar a velocidade que o jogo pedia - numa das ocasiões em que o fez, Portugal marcou. A entrada de Renato Sanches adivinhava-se, mas desta vez não produziu quaisquer frutos. Quaresma e Éder foram elementos estranhos à equipa, que parecia não estar preparada para a sua entrada. Cristiano Ronaldo fez um mau jogo: não só não aproveitou as boas oportunidades que teve, como ainda secou alguns outros lances de potencial perigo - está na altura de alguém lhe dizer, por exemplo, que há melhores marcadores de livres na equipa, que não faz sentido forçar o remate à baliza de meio do meio-campo, e que é permitido procurar alternativas de passe antes de rematar com adversários em cima dele. Pela positiva, destacaram-se Ricardo Carvalho, Raphael Guerreiro e Rui Patrício. Nani fez o que pôde numa posição que não é a sua.

É verdade que o golo dos islandeses acontece por causa de um erro defensivo nosso - Pepe tinha que falar com Vieirinha se queria fazer a troca de marcações -, mas depois disso tivemos muito tempo para procurar recuperar a vantagem no marcador.

Não faz grande sentido continuar a apostar neste losango, com jogadores desligados e/ou fora de forma, e que desaproveita as melhores qualidades de muitos dos jogadores. Ao invés, continuamos sem saber o que valeria esta seleção se o conhecimento mútuo de William, Adrien e João Mário fosse aproveitado. Continuamos... e continuaremos, porque está visto que Fernando Santos só mexerá no meio-campo para colocar Renato Sanches.

Segue-se no sábado o jogo com a Áustria. Em teoria, é uma equipa com melhores valores individuais que a Islândia mas, por outro lado, talvez seja um adversário com características mais favoráveis para a seleção portuguesa. Voltando à ideia inicial: o empate de ontem não é uma catástrofe, o apuramento para a fase a eliminar não está em causa, mas começa a faltar o tempo para Fernando Santos conseguir montar uma equipa (no sentido coletivo da palavra) que se possa bater com as melhores seleções em prova na fase a eliminar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Sights and sounds (and smells) do Euro 2016 (2)







Começa o Europeu para Portugal

Não deixa de ser curioso que no Europeu mais acessível de sempre da história do futebol - em que participam várias seleções de 3ª categoria -, apenas se tenham verificado, até ao momento, dois resultados com uma diferença superior a um golo - sendo que, em ambos os casos, o 2-0 surgiu já nos descontos e o derrotado nem sequer é uma dessas seleções de 3ª categoria. Não sei se isso significa se estamos perante um Europeu alinhado por baixo em termos de qualidade ou se, para as principais seleções, a verdadeira competição ainda não começou, mas deveria servir de aviso para quem tem expetativas demasiado elevadas para o encontro de logo entre Portugal e a Islândia.

É evidente que Portugal tem obrigação de vencer a Islândia - e o mais certo é que acabe por conquistar os 3 pontos -, mas não vi muito nas partidas de preparação que me leve a estar muito otimista em relação à qualidade de jogo que poderemos exibir nesta fase de grupos. O 4-4-2 losango parece ter vindo para ficar, apesar de não se perceber bem porquê: não temos nem médios nem avançados em forma que sejam capazes de dar vida a este sistema. Não espantou, portanto, as dificuldades que revelámos nos jogos de preparação para construir lances de perigo em bola corrida perante adversários fechados. A exceção foram as jogadas inventadas por Quaresma que desbloquearam o marcador frente à Noruega e Estónia. Logo não será diferente: podemos esperar uma Islândia completamente fechada atrás e a tentar a sorte em lances de bola parada - é previsível que apenas dois ou três jogadores seus tenham menos de 1m85.

Parece-me que o onze estará muito próximo daquele que Fernando Santos usou contra a Estónia. Creio que Danilo ganhará a titularidade em relação a William devido ao seu jogo aéreo. Esse fator também poderá levar o selecionador a escolher Fonte ou Bruno Alves para parceiro de Pepe no centro da defesa, apesar de me parecer que Ricardo Carvalho parte em vantagem. Moutinho e André Gomes ainda não convenceram, mas não estou a ver Fernando Santos a abdicar deles neste momento. Na frente, a grande dúvida: se Quaresma não estiver em condições, quem entrará para o seu lugar? O mais normal seria a entrada de Nani, mas é possível que Fernando Santos surpreenda e opte por Éder.


Seria muito bom que a seleção iniciasse a sua participação no Euro com uma exibição categórica, mas ficaria satisfeito se vencêssemos os islandeses com alguns sinais de maior entrosamento na frente. E, já agora, que Cristiano Ronaldo mostre índices físicos mais próximos daquilo que lhe é habitual. Já seria bem bom.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sights and sounds (and smells) do Euro 2016

Foto tirada logo a seguir ao corte de Boateng em cima da linha de golo






No comments

Se estivessem presentes jornalistas para fazer o devido contraditório...

... talvez estas palavras que Luís Filipe Vieira proferiu em entrevista ao Record...


... tivessem sido alvo de contraditório.

via @nuno_valinhas

Mas não foram. É que, infelizmente, apenas lá estavam presentes Nuno Farinha e Vanda Cipriano.

Resumo do Sporting 3-0 Benfica (jogo 1 da final de Futsal)


Excelente começo do Sporting, com uma vitória justíssima. O 2º jogo da final joga-se logo às 19h, em Odivelas.

domingo, 12 de junho de 2016

De pequenino se forma um campeão

Muito interessante a entrevista da TSF a Thierry Correia, jogador do Sporting que fez parte da equipa que se sagrou recentemente campeã da Europa sub-17, e com a sua mãe, Vânia Andrade. Vale a pena ouvir AQUI.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

The Switch

Dizem que...

... Jonathan Rodriguez foi transferido para o México, depois de uma época pouco conseguida no Coruña (emprestado pelo Benfica, que por sua vez o tinha recebido por empréstimo do Peñarol).

Dizem que o Benfica era detentor de 40% dos direitos económicos do jogador.

Dizem que o Santos Laguna, clube que o comprou, pagou €3,5M pela totalidade do passe, naquela que foi a 2ª compra mais cara da sua história.

Certamente que não terá qualquer relação com os pontos anteriores, mas também dizem que...


quinta-feira, 9 de junho de 2016

As multas aos comentadores televisivos

Tenho curiosidade para saber como é que a Liga vai pôr em prática as multas a clubes por declarações feitas por comentadores que os representam nos programas televisivos que coloquem em causa a imagem do futebol português.


Assumo que sejam os clubes a serem multados, porque não vejo como é que a Liga terá poderes para multar indivíduos que nada têm diretamente a ver com as competições que organiza.

Que comentadores a Liga visará? Aqueles que têm cargos nos respetivos clubes (como Rui Gomes da Silva, Inácio ou Pedro Guerra)? Ou aqueles que, não desempenhando funções nos clubes, foram colocados nos programas pelos clubes e estão sempre alinhados com o discurso oficial (como Carlos Janela)? Ou ainda aqueles que, não tendo cargos nos respetivos clubes e até costumando pensar pela sua cabeça, dizem coisas que podem ser incómodas para o futebol português? Abrange apenas os comentadores dos canais de informação, ou também os que falam nos canais dos clubes? E não fará sentido alargar este controlo também aos jornalistas completamente alinhados com clubes, que são igualmente uma extensão das respetivas máquinas de comunicação? 

Já agora, isso aplica-se também ao que é escrito por dirigentes (Bruno de Carvalho e João Gabriel) nas redes sociais? E uma vez controlando-se o ciberespaço, por que não estender a vigilância a páginas de Facebook, blogues e contas de Twitter de gente com visibilidade mediática? E, com um algum esforço adicional, por que não controlar os menos mediáticos também?

Quanto ao conteúdo, onde se traça a linha entre o que pode ser dito e o que não pode ser dito? Aplica-se a tudo o que é incómodo, ou é tolerável que se lancem suspeições sustentadas em factos? Quem irá fazer a avaliação da qualidade dos argumentos apresentados?

Simpatizo com a ideia de tentar sanear os espaços de debate de "futebol". Infelizmente, a maior parte são programas degradantes onde ganha quem for mais incivilizado, e em que ninguém é capaz de dar o braço a torcer. Vejo dois problemas difíceis de ultrapassar na aplicação desta ideia: coloca em causa o direito à liberdade de expressão; e como estabelecer a responsabilização dos clubes sem que haja um vínculo contratual de algum tipo a ligá-los aos comentadores. Com bom-senso, acredito que seria possível criar um sistema de penalizações justo e eficaz, mas não nos podemos esquecer que vivemos em Portugal - o país cujo futebol inventou o dolo sem intenção.

Cautela e demonstrações de génio nunca fizeram mal a ninguém

Não querendo parecer esquisito ou mal agradecido pela chuva de golos com que a seleção nos presenteou, penso que o resultado de ontem deve ser encarado com mais cautela do que com euforia. 

Não me entendam mal: ganhar por 7-0 à Estónia é um bom resultado. É, seguramente, muito melhor terminar a preparação para o Euro goleando do que perdendo, como aconteceu, por exemplo, com a Espanha. E, para além do moral com que os nossos jogadores terão ficado ao ver as coisas correrem tão bem, foi um deleite ver o génio de Quaresma à solta. Numa altura em que a qualidade individual da seleção está longe daquilo que era a nossa realidade há dez anos (a única geração que conseguiu consistentemente intrometer-se na discussão de competições internacionais), não se pode menosprezar a importância de termos um jogador com as características de Quaresma (um criativo puro) na sua melhor forma.


Mas a verdade é que não houve muito mais do que isso. Não nos podemos esquecer que a Estónia está abaixo das Ilhas Faroé no ranking da FIFA. Falamos de uma seleção que empatou 0-0 com San Marino na fase de qualificação para o Euro 2016. Apesar da fragilidade do adversário, a verdade é que Portugal sentiu dificuldades para criar perigo até ao primeiro golo, aos 36'. Até esse momento, as iniciativas de ataque da seleção baseavam-se sobretudo em iniciativas individuais - devido ao facto de os jogadores estarem muito afastados uns dos outros -, com poucos apoios, forçando a progressão pelos flancos para tentar o cruzamento para a área. Havendo génios à solta, até pode funcionar, mas é bastante mais fácil de anular por defesas mais competentes.

Para além da fenomenal exibição de Quaresma, houve outros dois jogadores que, provavelmente, garantiram a titularidade no Euro: Raphael Guerreiro e João Mário. Danilo e os centrais fizeram um jogo competente, mas foram pouco testados. Cristiano Ronaldo marcou dois golos, mas foram os únicos bons momentos que teve numa exibição pouco conseguida para aquilo que se espera dele: falhou uma ocasião em que seguia isolado (muito semelhante aos golos que marcou contra a Suécia naquele playoff de boa memória) e foi egoista ao não servir João Mário, que estava completamente solto, perto da marca de penálti, preferindo (mal) forçar o remate, apesar de ter um defesa adversário colado a si. Renato Sanches mostrou novamente que pode ser uma boa opção para uma fase mais adiantada na partida. William também entrou bem.

Do lado das incertezas, está a lateral direita e o meio-campo: Cédric não acertou um único cruzamento, mas Vieirinha também não convenceu; Moutinho e André Gomes não estão a dar o dinamismo necessário às posições que ocupam.

Olhando para o que foi feito nestes 3 jogos de preparação, a seleção parece estar preparada para ultrapassar a fase de grupos sem grandes dificuldades. O pior virá depois, já que a partir de determinada altura não será razoável esperarmos que as individualidades continuem a resolver sem um coletivo bem oleado. A boa notícia é que, até lá, ainda há mais 3 jogos para aperfeiçoar aquilo que tem obrigatoriamente de ser aperfeiçoado.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Balanço de 2015/16: Jorge Jesus


Considerando as expetativas que a contratação de Jorge Jesus criou nos sportinguistas e o número de títulos que foram conquistados na sua primeira época, não se pode dizer que o treinador tenha tido o sucesso que desejávamos. Sendo, de longe, o técnico mais bem pago em Portugal, e trazendo a bagagem de experiência e conquistas nas duas temporadas anteriores pelo Benfica, uma época de êxito implicaria a vitória no campeonato que, como se sabe, acabou por não acontecer. Por muito pouco, é certo, mas não aconteceu.

Mas a verdade é que Jesus cumpriu aquilo que prometeu. Disse que passariam a existir três candidatos em Portugal, e naquilo que dependia dele, foi isso que se verificou. Prometeu que o Sporting iria lutar por todas as competições internas e, exceção feita à Taça da Liga (que vale o que vale), também cumpriu: no campeonato, o Benfica só conseguiu ser campeão na última jornada; na Taça de Portugal foi eliminado, pelo eventual vencedor da competição, devido a erros graves de arbitragem que prejudicaram o Sporting; e venceu a Supertaça.

É verdade que o Sporting chegou a ter, no campeonato, 7 pontos de avanço sobre o Benfica, mas o que foi verdadeiramente anormal nessa perda de vantagem foram as 23 vitórias que a equipa de Rui Vitória conseguiu nos últimos 25 jogos - algumas delas da forma que se sabe. Os números da equipa são esclarecedores em relação à qualidade que o Sporting apresentou esta época: Jesus bateu em muito o anterior recorde de pontuação do clube, colocou a equipa a jogar um excelente futebol, venceu 5 dos 6 clássicos/dérbis que disputou, e não houve nenhum jogo nas competições internas em que se possa dizer que o Sporting merecesse ter perdido. Quando assim é, fica difícil (se não impossível) apontar o dedo ao treinador por não ter conquistado o campeonato.

A qualidade do futebol praticado teve como consequência a valorização de muitos jogadores do plantel: Slimani, João Mário, Adrien e Rui Patrício jogaram ao melhor nível das suas carreiras; Ruiz e Coates regressaram a um patamar que há muito não atingiam; Schelotto e Bruno César foram adaptados com sucesso com a temporada em andamento; Gelson foi aposta consistente (e até certa altura da época, também Matheus) e tirou um coelho da cartola com a improvável aposta em Rúben Semedo.

Outro ponto positivo que deve ser realçado no treinador é a sua lealdade para com a estrutura e, em particular, para com Bruno de Carvalho. Foi toda uma época em que grande parte da comunicação social tentou abrir fissuras entre treinador e presidente, fosse pela presença de Bruno de Carvalho no banco, fosse pelas contratações não concretizadas, fosse pelo afastamento de Carrillo do grupo de trabalho, qualquer tema polémico foi explorado até à exaustão. Concordando ou não, Jesus manteve um discurso sempre alinhado - coisa que, como sabemos, nem sempre aconteceu no passado recente do Sporting -, o que é fundamental para a estabilidade do clube.

Em relação aos pontos negativos, nada que não se conhecesse já de Jesus. Os excessos no discurso ditados pelo seu ego, por se poderem virar contra si, acabam algumas vezes por prejudicá-lo mais do que causam dano aos alvos originais. E, como também é hábito, no final da época lá houve a habitual novela da continuidade. Infelizmente, burro velho não aprende línguas, e para o ano cá estaremos a criticar o mesmo. 

Resumindo, a entrada de Jesus teve um impacto qualitativo imenso no futebol do Sporting mas, infelizmente, isso não se traduziu na conquista dos títulos que a equipa fez por merecer. Ficamos, no entanto, com a certeza de que Jesus é o homem certo no lugar certo. Que continue connosco durante muitos anos.

Nota: sei que muitos não concordarão comigo, mas não considero negativo a secundarização das competições europeias. A aposta total de Jesus no campeonato fez todo o sentido e, apesar de não ter conseguido vencê-lo, a corrida até final e a pujante forma com que o Sporting terminou a época demonstrou que o treinador decidiu bem em fazer poupanças na Liga Europa. Obviamente, esta lógica já não se aplicará na futura participação na Liga dos Campeões.