sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Reação do Sporting à notícia do JN

Reação do Sporting a esta "notícia" dada hoje pelo JN:
Começa a ser habitual, no futebol português e noutras indústrias nacionais, o recurso à maledicência e à manipulação grosseira dos números, para tentar impor a agenda malévola dos fracos e dos incompetentes. 

Agora, e depois de um esforço colossal para reestruturar as finanças do Sporting CP que, todos reconhecem, foi bem sucedido há quem persista no exercício desonesto pretender demonstrar que o Clube e a SAD estão em situação de “falência”. Aquilo a que assistimos, de forma recorrente, é à utilização de estratégias antigas de comunicação que visam, tão só, camuflar e esconder as fragilidades e maus desempenhos de outros. 

Já percebemos que a verdade pouco importa a quem vive da e na mentira constante. Qualquer orçamento e/ou qualquer texto presta-se a análises distintas. Umas de forma profissional e outras de forma manipuladora e tendenciosa. 
Mas porque somos uma empresa cotada, temos sentido de responsabilidade e respeitamos, acima de tudo, o país em geral e os Sportinguistas em particular não podemos ser complacentes com notícias colocadas cirurgicamente em dia de Assembleia Geral da Sporting SAD, com o único intuito de falsear a verdade e sabotar aquilo que tanto custou aos Sportinguistas a recuperar que foi a nossa credibilidade. 

Por isso mesmo, e em defesa do bom nome do Sporting Clube de Portugal e em nome da transparência que, ao contrário de outros, muito prezamos e promovemos, enunciamos alguns factos relevantes para que se perceba a situação que se vive em termos das SAD’s dos três maiores clubes portugueses. 

A história das SAD’s em Portugal, como largamente veiculado desde a sua criação, tem sido constantemente negativa, com perdas consecutivas e necessidades constantes de reforço dos capitais próprios. A Sporting SAD, desde 2013, inverteu esta tendência.

A Sporting SAD conseguiu implementar com sucesso uma reestruturação financeira e operacional que permitiu equilibrar os resultados operacionais e reforçar de forma decisiva os seus capitais próprios.

Ao ter conseguido associar ao equilíbrio dos resultados operacionais um reforço da competitividade desportiva com uma melhoria notória dos resultados concretos e uma forte valorização dos seus activos, tanto do valor dos passes desportivos como dos activos comerciais, também já com resultados concretos, a Sociedade pôde passar a uma fase de investimento no reforço da sua competitividade.

Na época 2015/16 os resultados são afectados por um facto não recorrente – provisão do processo Doyen, sem o qual o resultado seria negativo em apenas cerca de €10M, o que considerando uma participação normal na Liga dos Campeões implicaria um resultado líquido positivo.

A Sociedade poderia ter facilmente conseguido fechar a época 2015/16 com um resultado positivo caso tivesse optado por “forçar” a venda de atletas até 30 de Junho, no entanto preferiu concretizar as mesmas de forma tranquila, permitindo que estas fossem valorizadas ao máximo. Assim, se considerarmos o resultado de 2015/16 ajustado pelas vendas entretanto já concretizadas, o resultado seria bastante positivo e, seguramente, superior ao de qualquer outro.

Associando a estas vendas já concretizadas a participação na Liga dos Campeões, antecipa-se uma melhoria dos resultados e um forte reforço dos capitais próprios sendo expectável que para além de passar de novo a capitais próprios positivos e mesmo que se atinja o cumprimento do referido artigo 35º do CSC.

Notas: (Tabela em anexo)
1) Os perímetros de consolidação apresentados correspondem à Benfica SAD consolidada (incorpora a Benfica TV, a Benfica Estádio, a Clínica do SLB e a Benfica Seguros) e à Porto SAD consolidada (incorpora a PortoComercial, a PortoMultimédia, a PortoEstádio, a PortoSeguro, a Dragon Tour, a FC Porto Media, a EuroAntas, a Av. Aliados Soc. de Comunicação e a Miragem). O Benfica, incumprindo com a regulamentação, não apresenta contas consolidadas do grupo, em contraponto ao Sporting e ao Porto.

2) Os capitais próprios da Benfica SAD acima apresentados, a Junho 2016 incluem, conforme leitura do comunicado da Sociedade, “os ganhos obtidos com as transferências dos atletas Renato Sanches, Gaitán, Ivan Cavaleiro e Lima”.

Fica assim claro, mesmo que à data de Junho 2016 a situação líquida da Sporting SAD se se apresenta-se negativa em €25M, que é falsa e danosa a afirmação “Sporting precisa de €44M para evitar a falência”.

Mais, uma situação líquida negativa, ou o incumprimento do artigo 35º do CSC não implica por si só a dissolução da Sociedade, se assim fosse há muito que as SAD’s dos rivais teriam sido já dissolvidas, sendo que estão actualmente todas as 3 SAD’s em incumprimento do referido artigo 35º do CSC.

As mais valias nas alienações dos atletas João Mário e Islam Slimani, entretanto concretizadas, e que já afectarão positivamente os resultados da Sociedade e desta forma os seus capitais próprios no final do primeiro trimestre de 2016/17, que como já referido se estimam em mais de €54M, são mais do que suficientes para o equilíbrio da Sociedade, sem necessidade de concretização de quaisquer outras operações.

É também falso, injurioso e incompreensível falar em suprimentos provenientes das mais valias nas vendas destes atletas, quando estas vendas foram feitas pela Sociedade e, deste modo, já integram os seus capitais próprios, enquanto que suprimentos são entradas de dinheiro (empréstimos) por parte de accionistas. Aqui fica mais uma prova do que já alertamos há muito tempo sobre a forma pouco profissional, tendenciosa e manipuladora com que alguma comunicação social continua a lidar com os assuntos respeitantes ao Sporting Clube de Portugal e respectiva SAD.

Quanto ao aumento de capital de €18M não há, de facto, nada de novo a dizer. E quando assim acontece são os próprios jornalistas a dizer que quando nada existe de novo então não existe notícia. Infelizmente, no que ao Sporting CP concerne, o modus operandi vai sendo alterado sempre em detrimento do mesmo. Este aumento de Capital estava previsto na reestruturação financeira tendo já sido aprovado em Assembleia Geral de Accionistas da Sociedade, e será concretizado no devido tempo.

BAS DOST!

Ano de transição ou de falta de noção?


Desportivamente falando, esta semana não foi particularmente favorável ao Porto, muito por culpa da derrota em Inglaterra ante o Leicester. Mas, ainda assim, a semana conseguiu ser muito pior ao nível das declarações que duas figuras do clube fizeram à comunicação social.


As declarações de Pinto da Costa ao Porto Canal

O primeiro a falar foi Pinto da Costa, em vésperas do jogo para a Liga dos Campeões:


É estranho que, só agora, o presidente portista refira que esta é uma época de transição e de transformação. Normalmente, estas coisas anunciam-se por antecipação, e não com o comboio já em andamento. Mas se o timing não faz qualquer sentido, a própria ideia que o presidente portista está a tentar passar consegue ser ainda mais absurda. É uma época de transição em quê, exatamente? O que mudou radicalmente, dos anos anteriores para este ano, na abordagem à época?

O Porto fez algum tipo de downgrade nos seus objetivos em relação ao que é habitual? Não, continua a ser um forte candidato a ganhar todas as competições nacionais e a passar aos oitavos da Champions. O Porto inverteu a política de aproveitamento da formação de forma clara? Não, pois André Silva, que já tinha sido lançado no final da época passada, continua a ser a única aposta recente. O Porto deixou de investir no plantel? Não, foi a segunda equipa (a seguir ao Benfica) que mais investiu em jogadores neste defeso: só em Telles, Depoitre, Boly, Layún e Felipe, o Porto gastou 30 milhões de euros, para não falar nos 42 milhões que Óliver e Diogo Jota poderão vir a custar caso a opção de compra seja exercida. 

O que mudou, então? Mudou o treinador, mas isso, por si só, não justifica que se descreva a época como sendo de transição. O Manchester City, o Bayern e o Manchester United também trocaram de treinador, e não deixarão de lutar pelos seus objetivos internos. E saiu Antero Henrique, mas já depois de fechado o período de transferências, pelo que não foi por aí que as bases de ataque à época foram diferentes dos anos anteriores. A única coisa diferente em relação às épocas anteriores foi a incapacidade de o Porto vender os seus melhores jogadores, mas isso não prejudicou a formação do plantel.

Portanto, não existem quaisquer bases visíveis para se etiquetar esta época como sendo de transição.

Pior ainda, foi a figura de avestruz a enterrar a cabeça na areia que o presidente portista fez ao dizer que as assobiadelas vêm apenas dos borlistas que estão no estádio a convite dos parceiros comerciais do clube. Não faz qualquer sentido.

Tem sido óbvio, nos últimos tempos, que o presidente portista está longe da sua melhor forma nas declarações à comunicação social. Recorde-se, por exemplo, que ainda em abril passado, numa altura em que o clube ainda estava envolvido em várias competições, Pinto da Costa fazia já o lançamento da época seguinte, garantindo que Otávio, Josué e Rafa Soares iriam fazer parte do plantel do Porto. Acertou em 33%, pois Josué acabaria por forçar a saída e a contratação de Alex Telles retirou espaço a Rafa Soares. Cada vez são mais óbvias as dificuldades que Pinto da Costa tem em controlar o que se passa no clube, o que é natural atendendo à sua idade. As sucessivas infelizes declarações à comunicação social são apenas a parte mais visível do seu declínio. Todos os ciclos têm um fim.


As declarações de Nuno Espírito Santo ao The Guardian

Mais do que infelizes, as declarações que Nuno Espírito Santo fez ao jornal inglês The Guardian entram no domínio do surreal. Para quem não teve oportunidade de ler, eis a tradução feita pelo blogue Mister do Café:


É incrível - e bastante revelador - que Nuno Espírito Santo não se tenha inibido de contar publicamente este episódio, que envergonharia qualquer pessoa que preze o seu bom nome. Uma tremenda falta de ética e de respeito para com o seu clube na altura, e que acaba por ajudar a compreender a carreira de Nuno enquanto jogador mas, também, enquanto treinador.

A explicação mais óbvia é que se trata de uma total falta de noção de Nuno Espírito Santo. Mas também pode haver outra hipótese: se Nuno se sentiu à vontade para dizer isto publicamente, é porque acha que os benefícios de revelar tamanha intimidade com Jorge Mendes se sobrepõem aos prejuízos que isso possa fazer à sua imagem. E, se calhar, NES até tem motivos para pensar assim: até agora, as três oportunidades que lhe surgiram como treinador principal, foram-lhe entregues por Mendes sem que tivesse feito o suficiente para as justificar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A hora de Gelson


Fernando Santos convocou Gelson Martins para o duplo compromisso frente à Andorra e Ilhas Faroé. Um reconhecimento inteiramente merecido face ao que tem sido este arranque de época do jovem extremo. De negativo, regista-se a não convocatória de Rúben Semedo. O selecionador chamou apenas três centrais (o que se compreende, em função do nível dos adversários), mas continua a desperdiçar oportunidades para ir renovando um setor extremamente envelhecido (José Fonte tem 32 anos - faz 33 em dezembro; Pepe tem 33; Bruno Alves tem 34 - faz 35 em novembro). Se não o faz em jogos de dificuldade reduzida, quando o fará?

Aos quatro jogadores do Sporting convocados para a seleção principal - Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins -, juntam-se mais seis nos sub-21: Domingos Duarte, Rúben Semedo, Tobias Figueiredo, Francisco Geraldes, Pedro Empis e Daniel Podence. De destacar a chamada de Pedro Empis, sénior de primeiro ano que tem sido o lateral esquerdo titular do Sporting B, o que demonstra que Rui Jorge está atento à qualidade que tem à sua disposição.

A convocatória foi a seguinte:

Guarda-redes: André Moreira, Bruno Varela e Miguel Silva

Defesas: Domingos Duarte, Edgar Ié, Fernando Fonseca, Pedro Rebocho, Rúben Semedo, Simão Azevedo e Tobias Figueiredo

Médios: André Horta, Bruno Fernandes, Francisco Geraldes, João Carvalho, João Teixeira, Pedro Empis, Rony Lopes e Rúben Neves

Avançados: Bruma, Daniel Podence, Diogo Jota, Gonçalo Guedes e Ricardo Horta

No total das duas convocatórias, há 19 jogadores formados no Sporting: 11 na seleção A e 8 nos sub-21.

Capas que não fizeram história, nº 56: Rui Costas Largas, ou o mais longo estágio remunerado do mundo

A recente "entrevista" que Luís Filipe Vieira concedeu à TVI decorreu, como seria de esperar, sem grandes incómodos para o presidente benfiquista. Os entrevistadores eram simpáticos e fiéis à causa, pelo que nenhum tema realmente incómodo foi lançado para a mesa. No entanto, como até ficava mal se, numa conversa tão prolongada, não se fizesse referência a um ou outro momento menos bom da presidência de Vieira, lá se colocou um par de questões sobre alguns dos flops contratados pelo Benfica. Nada que incomodasse o presidente que, de forma bem humorada, demonstrou ter a explicação para todas essas questões na ponta da língua:


Tarabat, Olán John e Djuricique? "Tenho um homem comigo que é o Rui, passa-lhe praticamente tudo pelas mãos também". "Foi dois jogadores que o Rui, fomos taco a taco com eles". "O Rui, coitado, até deu o número 10 ao Djuricic, vamos lá a ver!". 

Não custa nada: quando a coisa fica complicada, lá vem o coitado do Rui à colação.

É este o papel de Rui Costa no Benfica atual. Quando a coisa fica complicada, é normalmente o antigo jogador que dá a cara pela direção. Foi assim, por exemplo, na última derrota que o Benfica sofreu para o campeonato...


... ou quando o Benfica perdeu a Supertaça para o Sporting...


... ou após a derrota na final da Liga Europa com o Sevilha. Quando há bronca, normalmente Vieira resguarda-se na sombra, e tem de ser Rui Costa, uma figura idolatrada pelos benfiquistas, a dar a cara pela direção. Rui de costas bem largas.

Nada disto é novo, no entanto. O hábito de Vieira em recorrer a Rui Costa nas alturas difíceis é, na realidade, bem antigo, pois o agora administrador já servia de muleta ao presidente nos tempos em que ainda era jogador.

Recuemos dez épocas. Em 2006/07, o Benfica, treinado por Fernando Santos, termina a época em 3º lugar, atrás de Porto e Sporting. Fernando Santos era contestado, mas Luís Filipe Vieira decidiu mantê-lo no cargo para a época de 2007/08. No entanto, de forma algo inesperada, o presidente benfiquista acabaria por despedir Fernando Santos logo após o final da 1ª jornada, na sequência de um empate em casa do Leixões concedido em tempo de descontos. Vieira recuperaria de imediato Camacho mas, na jornada seguinte, o Benfica acabaria por ceder novo empate, na Luz, frente ao V. Guimarães.

Como é óbvio, a decisão de afastar o treinador tão cedo foi bastante polémica, e colocou o presidente benfiquista - na altura ainda sem a aura vencedora que tem agora - numa posição delicada junto dos sócios e adeptos do clube. Mas Vieira revelou já então perceber o jeito que dá ter um ídolo das massas à mão de semear. Vai daí que, em setembro de 2007, menos de um mês depois de ter despedido Fernando Santos, Vieira dá uma célebre entrevista ao jornal A Bola com o propósito de fazer uma revelação bombástica:

Setembro de 2007

Vieira planeia fazer de Rui Costa o futuro presidente do clube.


A entrevista é, toda ela, um tratado. Primeiro, Vieira dá a entender que poderá sair do Benfica a curto / médio prazo, e deixa escapar a ideia de que já tem um sucessor em mente - mas faz-se de difícil quando lhe pedem para revelar o nome:


Mas, perante a insistência do jornalista, lá se decidiu a acabar com o mistério:


Wait for it... wait for it...


Três anos! Rui Costa iria ser preparado durante três anos para ser o futuro presidente do Benfica. É caso para dizer que, quase dez anos depois, estamos perante o mais longo estágio remunerado do mundo.

Continuando: conforme o plano, Rui Costa terminou a sua carreira de jogador no final dessa época, e assumiu de imediato o papel de diretor desportivo.


Basicamente, essa foi a primeira e única época em que Rui Costa teve influência efetiva no futebol do Benfica. A contratação de Quique Flores, de sua responsabilidade, veio a revelar-se um fracasso, e, com a chegada de Jorge Jesus - escolha de Vieira, e não do seu diretor desportivo -, deixou de haver qualquer espaço para Rui Costa ser algo mais do que uma figura decorativa no futebol do Benfica. Oito anos e meio depois de Rui Costa ter iniciado a carreira de dirigente, Vieira continua agarrado ao cargo por muitos e bons anos (alguém acredita que em 2007 tinha realmente a intenção de sair no prazo de 3 ou 4 anos?). Aliás, em contradição com as palavras de Vieira, é curioso que as alterações dos estatutos de 2010, promovidas pelo presidente, tenham excluído automaticamente Rui Costa da possibilidade de ser candidato nas eleições de 2012 (por ter, na altura, menos de 43 anos de idade).

Apesar de não ter revelado tantas qualidades para dirigente como as que tinha como jogador, Rui Costa mantém-se ainda hoje como administrador da SAD - muito bem pago, por sinal -, o que apenas se pode justificar (aos olhos do presidente) pelo facto de ser uma boa cara para lançar às feras nos maus momentos. Até pode ser que venha um dia a ser presidente (ainda é um homem novo e continua a ser adorado pelos benfiquistas), mas já se percebeu que nunca lá chegará pela mão de Vieira. Aliás, também dá muito jeito a Vieira ter Rui Costa do seu lado... porque é uma das poucas pessoas do universo encarnado que teria algumas hipóteses de ser bem sucedido se o enfrentasse em eleições.

(obrigado, @MindoSCP e Eduardo!)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Sporting - Legia no Twitter

O Sporting - Legia começou bastante antes da subida das equipas ao relvado e acabou bem depois do apito final do árbitro, pelo menos no Twitter. Fica a troca de mensagens entre as contas oficiais dos dois clubes, antes e depois do jogo. Neste "embate" das redes sociais, pode dizer-se que ambos os clubes saíram vencedores.

Antes do jogo:











Depois do jogo:







O Sporting pode e deve apregoar orgulhosamente os seus 22 títulos de campeão nacional

Há uns meses, o Sporting tomou, de forma unilateral, a decisão de fundir os 4 títulos de Campeão de Portugal aos 18 títulos de Campeão Nacional, passando a considerar, no seu palmarés, 22 títulos de campeão de futebol.

Nunca me pronunciei sobre o assunto por não ter opinião formada. Assumi sempre que a FPF estava a defender a história do futebol português quando decidiu juntar os títulos da Liga Experimental (disputada nas 4 épocas que antecederam a criação do Campeonato Nacional) aos de Campeão Nacional. Não podia estar mais enganado. Não foi mais do que um embuste benfiquista que Gilberto Madail ajudou a perpetrar.

É de leitura OBRIGATÓRIA este post do blogue Com Quem Joga o Sporting?: LINK

Os meus agradecimentos ao Captomente (e também ao João V. Sousa) pelas horas perdidas na recuperação da verdade histórica. O Sporting (e também o Porto, Belenenses, Olhanense, Marítimo e Carcavelinhos) tem, efetivamente, toda a legitimidade para lutar pela reposição de uma correta contagem de títulos, que deveria ser a seguinte:
  • BENFICA: 35 campeonatos (mantém-se igual)
  • PORTO: 30 campeonatos (em vez dos 27 oficiais)
  • SPORTING: 22 campeonatos (em vez dos 18 oficiais)
  • BELENENSES: 4 campeonatos (em vez do único que lhes é atribuído)
  • BOAVISTA, OLHANENSE, MARÍTIMO E CARCAVELINHOS: 1 campeonato (nas contas oficiais, apenas o do Boavista é reconhecido)

Uma última palavra para a FPF: deviam ter vergonha na cara. Não é admissível que uma entidade de utilidade pública, responsável pelo património histórico do futebol em Portugal, permita que se mandem para o lixo os primeiros 17 anos de competições nacionais em função da agenda de um único clube.

EDIT 12h11: por lapso, coloquei o link do post do Bola na Rede que serviu de base ao post que queria destacar. Agora já está correto.

Obrigação cumprida sem brilhantismo

Num jogo em que era obrigatório ganhar para não comprometer o objetivo de acabar a fase de grupos nos dois primeiros lugares, Jorge Jesus escalou um onze surpreendentemente conservador: a colocação de Bruno César como segundo avançado (quando se esperava André) e de Bryan Ruiz como médio ala esquerdo (em vez de um extremo mais explosivo) foram uma demonstração clara de respeito por parte do técnico pela equipa polaca, como quase se de um Real Madrid se tratasse. Olhando agora em perspetiva para o que se passou durante os 90 minutos, houve, claramente, respeito a mais. A diferença de nível entre as duas equipas é abissal, e cedo se percebeu que a história do jogo ficaria definida assim que se metesse a primeira batata lá dentro.

Indo para o intervalo com uma vantagem confortável, a equipa regressou para a segunda parte parecendo um pouco indecisa entre se deveria carregar para marcar um terceiro golo e acabar com todas as dúvidas em definitivo, ou se haveria de tirar o pé do acelerador já a pensar em Guimarães. Excetuando cerca de dez minutos em que se viu ainda alguma vontade de incomodar o guarda-redes polaco, a segunda opção pareceu recolher a preferência da maior parte dos jogadores. Os segundos quarenta e cinco minutos foram, genericamente, penosos de assistir, face ao enorme zelo demonstrado na gestão do esforço que, por várias vezes, se confundiu perigosamente com displicência. 





A primeira parte - o arranque do Sporting na partida foi um pouco aos solavancos. A equipa revelou dificuldades em contornar a pressão polaca, encabeçada pelo incómodo Nikolic, e em ligar jogo entre setores. Nesses primeiros dez minutos, o Legia conseguiu algum ascendente territorial, mas assim que o motor (leia-se William Carvalho e Adrien Silva) começou a carburar, o jogo passou a ter um único sentido. O Sporting foi, progressivamente, encostando o Legia à sua área e não deu tréguas até o resultado estar em 2-0. Pelo meio, as oportunidades desperdiçadas foram suficientes para se chegar ao intervalo a golear, com destaque para um remate de Gelson à barra com a baliza aberta.

Mais um golo de Dost - marcou hoje o seu quinto golo, em apenas cinco jogos. Enorme mérito do holandês na forma como está a fazer esquecer Slimani, apesar de ser ainda evidente, em determinados momentos, alguma falta de entendimento com os restantes colegas. Essa falta de entendimento é natural, visto que Bas Dost chegou ao clube há menos de um mês, mas os atributos individuais que já exibiu - começando pela eficácia na finalização - deixam poucas dúvidas em como o Sporting acertou em cheio na substituição do argelino.

A/C Fernando Santos - o selecionador esteve presente em Alvalade, e não lhe terá passado despercebida a boa exibição de Rúben Semedo. Intransponível quer pelo chão quer pelo ar, e tremendamente eficaz na resolução das várias situações de 1x1 em que esteve envolvido.





Gerir esforço não pode ser sinónimo de facilitar - na fase de grupos da Liga dos Campeões, golear é algo que, sendo agradável, está longe de ser essencial. O goal average só tem importância para o desempate entre duas equipas que terminem com os mesmos pontos e que tenham obtido dois resultados idênticos nos jogos entre si. Ou seja, é muito pouco provável que a goleada de 6-0 que o Dortmund alcançou na Polónia venha a ter mais influência no desfecho final do grupo do que se tivesse acabado 1-0. Por isso, sabendo que há daqui a quatro dias um jogo em Guimarães que se adivinha complicadíssimo, compreendo a desaceleração que a equipa registou na segunda parte, mas os índices de concentração atingiram níveis pouco recomendáveis. O resultado desse relaxamento foram várias perdas de bola desnecessárias e faltas cometidas em locais proibidos, que acabaram por ser uma espécie de convite para os polacos - que pareciam mais interessados em deixar passar o tempo e em não levar novo cabaz para casa - procurarem o golo que reabriria a discussão da partida. E, verdade seja dita, só não o conseguiram porque são mesmo uma equipa fraquinha...





A titularidade de Jefferson - esta decisão só se pode explicar pela indisponibilidade de Marvin Zeegelaar, pensando numa eventual recuperação para Guimarães. Jefferson não está em boa forma - algo que começa a ser um problema crónico, pois já se prolonga há dois anos -, e, mais uma vez, não teve uma noite feliz. De qualquer forma, conseguiu ser um pouco mais assertivo nas incursões que fez pelo seu flanco e foi útil nas bolas paradas. Não comprometeu - o que já não é mau -, mas também não foi o suficiente para nos convencer que poderá ser solução para a generalidade da época.

A estreia oficial de Petrovic - entrou numa altura em que o tal relaxamento já dava pistas de descambar no início de uma tragédia à Sporting, e a verdade é que a sua entrada contribuiu para recuperar algum controlo das operações. 



Sem brilhantismo, o fundamental foi alcançado. Três pontos conquistados e 1,5 milhões nos cofres. Seguem-se dois jogos decisivos para o nosso futuro na competição: o duplo embate com o Borussia Dortmund.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O artigo de Bruno de Carvalho para o DN

O artigo retirado daqui: LINK.

Destaquei algumas partes a negrito para sublinhar aquilo que me parece mais relevante neste texto.



O CUSTO DA INCOMPETÊNCIA

A crise e a troika obrigaram os bancos portugueses a limpar as contas.Para todos termos noção, só entre 2011 e 2013, os quatro maiores bancos portugueses - Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, BES e BPI - somaram prejuízos no valor global de 5116 milhões de euros.

O período de permanência da troika em Portugal coincidiu com a criação da União Bancária, que alterou decisivamente os pilares do sistema financeiro português.

A partir de 2014, período pós-negociação do Sporting, a supervisão passou a ser feita pelo Banco Central Europeu. A intenção foi de que os grandes bancos europeus estejam sujeitos a novos processos de avaliação mais completos, destinados nomeadamente a aferir a qualidade dos seus ativos e a não permitir a muita promiscuidade que havia entre eles e grandes instituições e "empresários" considerados de vulto.

Os bancos passaram a ter de apresentar balanços mais limpos e indicadores mais fortes. Isto significa menos imparidades, menos ativos tóxicos, menor grau de endividamento e capitais mais sólidos. Um bom sinal para os clientes e para os contribuintes, dado que o risco de colapso perante adversidades inesperadas é agora menor.

Em resumo, em termos de regulação e supervisão do setor financeiro alguns dos objetivos foram preservar a estabilidade do setor financeiro, manter a liquidez e apoiar uma desalavancagem equilibrada e ordenada do setor bancário; reforçar a regulação e a supervisão bancária e reforçar o enquadramento legal de insolvência de empresas e particulares.

A austeridade forçada para conter o histórico défice orçamental do Estado e a dívida pública acabou por atingir os clubes. Afinal, os chamados "grandes" eram, a par de algumas grandes empresas, sobretudo de construção, dos maiores devedores à banca.

Além da consequência de as decisões bancárias deixarem de estar contaminadas pela "clubite" dos seus administradores ou pelo medo e pressão de ir "contra" os clubes, visto a troika e o BCE só os verem como números de dívida, os clubes ainda perderam o apoio das câmaras, de muitos patrocinadores e viram as suas receitas de quotização e bilheteira diminuir.

Tempos houve em que para alguns bastava uma reunião no escritório de presidentes ou altos administradores de bancos para que compras milionárias de jogadores fossem feitas em total desrespeito pelos interesses dos clientes em geral e da solidez financeira dos bancos em particular.

Esse desnorte bancário levou a que milhares de famílias de um dia para o outro ficassem sem o que pouparam com o trabalho de uma vida. Maus hábitos a que a troika e o BCE vieram pôr fim. E que bom que isso foi para todos, pois terminou essa infeliz prática comum e agora o tempo das "vacas gordas" para alguns clubes acabou.

Com toda esta situação que se estava a viver, crise e austeridade, era necessário entender as novas diretrizes e antecipar as alterações que iriam acontecer. E os clubes tinham de ter grandes gestores, que conseguissem perceber e conciliar as questões financeiras terríveis a que chegaram com as suas ambições desportivas. Todos sofremos e muito, mas sofreu mais quem não antecipou estas alterações e continuou a viver de ilusão e arrogância. O tempo era de pragmatismo e profissionalismo e não de continuar a viver de "nomes" e "influências". O Sporting Clube de Portugal, com esta direção, soube anular os princípios de uma suposta reestruturação que estaria a ser negociada, iniciando um novo processo em que se antecipava o que iria acontecer e se negociou, passo a passo, nos timings certos, com conhecimento, inteligência e perspicácia.

A exigência feita por esta direção de a negociação envolver todo o universo Sporting - SAD, empresas e clube - veio a revelar-se totalmente acertada, mesmo tendo sido a principal razão para que esta fosse tão dura e morosa. Foi cerca um ano, de março de 2013 a meados de 2014, aproveitando o facto de ainda não se estar sob supervisão do BCE, de árduas reuniões, muito trabalho e muita argúcia que culminaram na situação estável e de crescimento que agora vivemos.

O cumprimento dos compromissos financeiros passou a ser uma realidade, ultrapassando já as verbas previstas no programa acordado, e desportivamente os resultados surgiram logo na primeira época desta direção. Ao mesmo tempo que reduzimos quase a metade os nossos custos com o plantel vimos, num momento de crise e de austeridade sem paralelo, as receitas globais aumentar significativamente (mesmo vindo do pior resultado de sempre - 7.º lugar - e de não participarmos, pela 2.ª vez na história, nas competições europeias) e a equipa de futebol terminar no 2.º lugar, com acesso direto à Liga dos Campeões, facto que já não acontecia há muitos anos. Em total contraciclo, fizemos aumentos de receitas comerciais e direitos de TV, passámos de uma média de cerca de 25 mil espectadores para mais de 40 mil e passámos de cerca de 100 mil sócios para cerca de 150 mil, enquanto outros desceram de cerca de 300 mil para cerca de 160 mil.

Quem foi ultrapassado pelos acontecimentos e não teve nem arte nem engenho para contornar as suas dificuldades prefere fazer comparações geográficas tentando confundir os menos conhecedores e mais desatentos.

O não assumir das culpas e retirar mérito a quem o tem é apanágio dos fracos. E quando não se aprende com quem sabe, as lições são mais duras e nascem de erros constantes. E quanto menos conhecimento se tem mais grosseiros são esses erros. Aí, as "manobras de diversão" são a única receita para tentar esconder a incompetência que levaria ao seu afastamento imediato, a bem das instituições que lideram.

Só assim se entende a comparação da situação financeira do Sporting CP com a Grécia.

Já tínhamos percebido que enquanto uns se acham grandes líderes mas que confessam que nada percebem do que deviam liderar, outros consideram-se "gurus" das finanças quando apenas são mestres de "malabarismo" financeiro. Agora, com esta alusão à Grécia, percebemos que afinal existe um dote para além da arte circense, o da filosofia. E se a filosofia na nossa vida pode servir para nos encher a alma ou indicar caminhos, a outros pode apenas servir para facilitar a venda de "banha da cobra". Eu sou mais apologista do conhecimento e sempre me fascinaram as histórias e os ditados populares. Cada dia é uma aprendizagem, mas a velha fábula da formiga e da cigarra é intemporal e uma lição para toda a vida.

Vamos então fazer um exercício, que confesso tentador, de conciliar finanças, desporto e filosofia, primeiro na visão das "cigarras" e depois na das "formigas".

Na realidade das "cigarras", que considero paralela mas que para uns é a que vivem, financeiramente, as vendas de futebol podem resumir-se a negócios em que sai um jogador por 25 milhões mas, do mesmo clube ou agente, tem de entrar outro por 22 milhões. Dentro desta lógica, quem o faz - e se virmos bem fá-lo muitas vezes - consegue sempre dizer que tem grandes vendas, ver os seus ativos crescer, consequentemente melhorar a situação do seu balanço e ver os seus rácios financeiros reforçados. Mas, no final do dia, o resultado é a mera entrada de três milhões. A contabilidade tem esta capacidade criativa quando, na verdade, naquilo que importa, o cash é muito reduzido ou nulo e o passivo em vez de descer aumenta e o desequilíbrio financeiro é alarmante. Aqui, a grande filosofia utilizada é aquela que podemos apelidar de "desencontros". Uma situação em que a realidade não se cruza com a "ficção" em que vivem. E é por isso que há um clube que afirma ter "uma dimensão sem paralelo em Portugal". É verdade, a dimensão do seu passivo é maior do que a dos outros todos juntos.

"O sistema é injusto", dizem. "Quem não tem capacidade é beneficiado", afirmam.

Vamos então tentar refletir sobre tão profundos pensamentos.

Comecemos pelo chamado negócio da NOS. Alguns gritaram aos sete ventos o seu magnífico acordo e que tinham "secado" o mercado. Afirmando mesmo que queriam ver como é que os seus rivais se "safavam" desta que, para eles, tinha sido mais uma jogada de "mestre". E esta é uma "imagem" feliz porque insistem em dirigir-se ao mercado com uma arrogância que, como ainda não perceberam, poucos se deixam enganar, sofrem constantes "choques de realidade". Neste caso específico, a filosofia a usar chama-se "contrapartidas". E esta merece ser aprofundada. Com uma "pressão filosófica" sem precedentes, tentam encostar a NOS à parede, pois consideram que, filosoficamente, estaria acordado que o deles fosse o melhor negócio, não o tendo sido. Agora ameaçam, no género egocêntrico, "o melhor negócio tem de ser meo!" E, neste caso, para bom entendedor uma boa frase chega. E é por isso que o sistema para eles é injusto. Viessem eles falar da injustiça que é os jogadores da formação terem um valor diminuto em termos de ativos e nós até concordaríamos. Mas isso, aos "gurus", não interessa discutir porque dava-lhes cabo dos rácios, dos indicadores e das teorias de que não importa o aumento do passivo mas sim o aumento dos ativos.

Mais, "os incapazes são beneficiados". Vale a pena detalhar também esta filosofia.

Vamos imaginar que, numa entrevista, um presidente de um clube diz que um jogador foi pago a pronto. Que, dias depois, o relatório de contas da SAD que lidera demonstra que essa afirmação é falsa, pois afinal tinha sido um pagamento a prestações. O que deveria acontecer a esse presidente e a quem o acompanha nos temas financeiros? O que deveria fazer a CMVM perante esta mentira quando, por meras especulações da comunicação social, já "congelou" as ações da Sporting SAD e, quase diariamente, exige informações atrás de informações à boleia de capas de jornais? É que a seriedade não é um assunto menor. Com estes exemplos fica claro que os incapazes são, de facto, beneficiados e os mentirosos também.

A teoria financeira do Sporting Clube de Portugal é de fácil compreensão: ter um ponto de partida sério, sólido e que permita trabalhar com profissionalismo e empenho. E depois ter sempre um rumo e objetivos bem definidos, de forma a que se combinem saúde financeira e performance desportiva. Outros preferem, com muito show off como biombo, "navegar à vista". O que não deixa de ser curioso, pois foram os portugueses que inventaram a balestilha, instrumento de navegação que complementava o astrolábio e o quadrante.

Após uma reestruturação que todos reconhecem, um crescimento desportivo notável em todas as modalidades, fazer das maiores vendas do futebol português, aumentar os ativos mesmo que a regra dite que os jogadores da formação não têm valor no balanço, fazer a expansão das academias por todo o mundo e avançar com a construção do maior e melhor pavilhão de clubes, como fez o Sporting, existem aqueles que, por serem incompetentes, andam há anos a falar da reestruturação feita por nós para ver se alguém lhes dá uma mãozinha.

Jogam com a tradicional falta de memória coletiva, mas eu não me importo de a reavivar com alguns episódios que marcam a realidade de alguns clubes:

1. Quem já se esqueceu da célebre história do pagamento de um clube às Finanças com "ações" que não valiam quase nada, ou melhor, essas ações serviram de garantia para pagamento futuro? Relembro a todos que, na altura, o deputado do PCP Lino de Carvalho acusou o governo de ter "tido um tratamento desigual e de favor" em relação a esse contribuinte.

2. Ou as formas de empréstimos do BES a esse mesmo clube, com alguns desses empréstimos já com o BES na "falência"? E isto sem se saber bem se parte dessas dívidas estão no "banco mau" ou no "banco bom" e, consequentemente, o que lhes vai acontecer. E para que nada fique no ar, recordo aquilo que foi escrito pelo Jornal de Negócios a 30 de abril de 2016: "O Sport Lisboa e Benfica e a empresa de Luís Filipe Vieira têm juntos no Novo Banco uma dívida de 656 milhões de euros."

3. Falam de VMOCS e que isso seria um perdão de dívida. Vamos relembrar que VMOCS significa Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em Ações. Isto significa que é um instrumento financeiro que, no prazo de maturidade, transformar-se-á em ações. E por falar em ações/obrigações, eis o que escreveu o Diário Económico a 22 de julho de 2014:

"O Espírito Santo Liquidez é um dos maiores credores da Benfica SAD. Este fundo, que gere 1,05 mil milhões de euros, tem 67,7 milhões de euros aplicados em duas linhas de obrigações da Benfica SAD, que atingem a maturidade em outubro e dezembro deste ano. Na linha que vence daqui a três meses, o fundo tem uma posição de 17,7 milhões. Na obrigação que vence no final do ano, a posição é de 50 milhões de euros, segundos dados disponibilizados pela CMVM referentes a final de junho".

Ou o que foi revelado pelo Jornal de Negócios a 11 de novembro de 2014:

"A participação qualificada na Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD anteriormente detida ou imputável ao Banco Espírito Santo passou a ser detida ou imputável ao Novo Banco, segundo comunicado do clube desportivo divulgado esta terça-feira, 11 de novembro. (...) O Novo Banco passa assim a deter 1,832 milhões de ações da SAD benfiquista, o equivalente a 7,97% dos direitos de voto do capital social do clube da Luz."

Assim, e usando a mesma teoria destes "gurus", isto é ou não é perdão de dívida?

4. E todos estes negócios que têm vindo a público, desde o Paraguai até ao Brasa, que até levaram a eurodeputada Ana Gomes a pedir a investigação da PGR?

5. E o cumprimento das regras? Uns insistem em não as cumprir, não apresentando as suas contas consolidadas. Querem confundir os menos atentos entre consolidação das contas e o consolidar as contas de apenas algumas empresas, por exemplo a SAD, e empresas detentoras da sua TV, até porque, para além da confusão de terminologias, ainda se consegue que não se perceba bem o que vem de onde.

Um dia a "fatura" de todo este "desatino" financeiro tinha de vir a público e agora é tempo de a pagar.

Os clubes têm uma responsabilidade muito grande na vida de milhões de sócios e adeptos. Temos para com eles a responsabilidade de ser um exemplo, de transmitir valores e ideais, de passar ensinamentos e de podermos fazer parte da sua vida como uma influência positiva que os ajuda no seu dia-a-dia.

O Sporting CP já viveu os seus dias de agonia e resolveu-os com muito trabalho e dedicação. Outros estão agora a viver os seus e não estavam habituados. Tudo o que queriam era-lhes servido em bandeja de ouro e sem trabalho. Mas esse tempo acabou.

Agora, para estes, é tempo de arranjar quem perceba de facto dos assuntos e de essas pessoas arregaçarem as mangas falando menos e trabalhando mais. Isto é, e parafraseando um político reformado, é tempo de a má moeda ser substituída pela boa moeda.

Quando o mundo desaba sob os nossos pés, só os melhores sobrevivem. Este Sporting CP é a prova disso!

Presidente do Sporting Clube de Portugal

"Na minha opinião, isto dá 5."

<3

Capas que não fizeram história, nº 55: São fontes, Senhor, são fontes!

Terça-feira, 20 de setembro: o país desportivo é agitado pela revelação de que Pep Guardiola, treinador do Manchester City, se deslocou propositadamente a Lisboa para assistir, ao vivo e a cores, à prestação de Grimaldo contra o Braga. A notícia foi dada apenas no dia seguinte devido ao facto de o treinador ter conseguido, contra todas as probabilidades, não ser detetado por qualquer um dos 50.000 espectadores presentes no estádio. No entanto, não escapou ao olho clínico das fontes de José Marinho que, no estilo que lhe é peculiar, tratou logo de esfregar a boa-nova na cara dos "assanhados" e "totós" que se atrevem a escarnecer das suas figuras ou do seu glorioso:


A partir daí, foi uma questão de tempo até a notícia se propagar. Quer o Mais Futebol, quer o Record, parecem ter conseguido acesso às mesmas fontes e publicaram a notícia.



A partir daí, o tema dominou a atualidade. E, na quarta-feira, como não poderia deixar de ser, lá veio a capa que faltava para dar o justo destaque ao acontecimento.


Tudo isto foi um autêntico furo jornalístico, pois nem no dia do jogo nem no dia seguinte circularam, na imprensa ou nas redes sociais, quaisquer imagens do treinador espanhol em Lisboa. Apesar de, hoje em dia, qualquer pessoa munida de um telemóvel poder fazer de paparazzo e captar as mais inconvenientes imagens ou vídeos, não houve sequer uma foto desfocada, um tweet ou um post no Facebook a denunciar em tempo real a presença na Luz de Guardiola - que é uma das figuras mais famosas do futebol mundial. Estavam todos muito concentrados no jogo, pelos vistos.

De qualquer forma, o essencial parecia ter sido alcançado: armar a backstory para mais um conto épico de valorização exponencial de um jovem talento da formação do Seixal (hey, se Nelson Semedo é da formação encarnada, então Grimaldo também pode ser, pois estrearam-se com a camisola do Benfica sensivelmente com a mesma idade). 

Claro que, perante a ausência de provas palpáveis, houve quem colocasse a notícia em causa, o que desencadeou zelozas argumentações em defesa da veracidade da notícia: umas mais in your face...


... outras mais românticas, como uma em que se colocou a hipótese de Guardiola não ter sido reconhecido por se ter sentado no meio do público de peruca, chapéu e óculos escuros (I kid you not).

Infelizmente, os ecos desta notícia bombástica não tardaram a chegar a Inglaterra, de onde surgiram desmentidos da deslocação do treinador a Lisboa. Depois apareceram fotos de Guardiola a passear, nesse mesmo dia, no centro de Manchester. Daí até ao desmoronamento deste castelo de cartas foi um estalar de dedos. Nuno Farinha, subdiretor do Record, foi o primeiro a atirar a toalha para o meio do ringue e contou a história por detrás da história:

(via @captomente)

Depois disso, o próprio José Marinho veio admitir que foi induzido em erro.


Uma atitude que, sem ironias, fica bem aos envolvidos.

A culpa foi, portanto, das fontes, que não foram nem uma, nem duas, mas sim um total de três (assumindo que pelo menos uma delas era comum ao Record e a José Marinho, caso contrário falamos de, pelo menos, quatro fontes).

Assumindo que existiram, de facto, três fontes diferentes a confirmar a mesma versão dos acontecimentos, sem qualquer relação aparente entre si, então compreendo a publicação da notícia. Mas como sabemos que a história é falsa, isso significa que o engano apenas pode ser explicado de duas formas possíveis:

1. Não existiram três fontes - o que não é, de todo, uma hipótese descartável, dada a proximidade que se conhece entre quem deu maior destaque à notícia e um dos potenciais beneficiários da mesma -, e então este mea culpa é apenas uma simples tentativa de limpeza de reputações.

2. As três fontes existem e enganaram os jornalistas e comentadores que publicaram a notícia, o que significa que estamos perante um enorme esforço concertado para plantar uma notícia falsa. Nesse caso, quem terá organizado todo este embuste? Por uma questão de lógica, só pode ter sido quem beneficia com a notícia. Neste caso, só há duas hipóteses: o Benfica ou o jogador.

De qualquer forma, tenham existido uma, duas ou três fontes, sabemos bem que, em notícias desta natureza, as mesmas fontes continuarão a poder segredar ao ouvido de determinados jornalistas as criações que bem entenderem. Afinal, não foi nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que interesses infundados sobre jogadores daquele clube são noticiados com enorme destaque. Pelo contrário, para os diários desportivos nacionais, há muito que é um modo de vida. Ah, as costas largas das fontes...


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Os golos do Sporting 3 - Belenenses 0 (juniores)

Ainda no fim-de-semana que passou, vale a pena ver os golos marcados por Elves Baldé e Pedro Marques frente ao Belenenses. O golo de Baldé foi uma pequena maravilha, e o primeiro dos dois golos de Pedro Marques frente à sua antiga equipa demonstra bem a sua capacidade finalizadora.




ICYMI: a boleia d' A Bola a Rui Vitória

Para o caso de terem perdido a conversa que resultou da boleia que A Bola deu a Rui Vitória, publicada na última quinta-feira, aqui ficam alguns das afirmações mais cruciais, destacadas pelo próprio jornal. Afirmações absolutamente bombásticas, que poderão fazer abanar todo o edifício do futebol português. É para isto que o jornalismo existe. Obrigado, jornal A Bola!




P.S.: diz-se, na Grécia, que, ao ler esta última afirmação de Rui Vitória, Clésio Baúque desfez-se em gargalhadas incontroláveis.

70 segundos de William Carvalho

Alguns dos melhores momentos protagonizados no sábado por Sir William.

(imitando descaradamente este vídeo do blogue Superioridade Numérica: LINK)

domingo, 25 de setembro de 2016

Liga Allianz, 2ª jornada: Sporting 9 - Viseu 2001 0

Segunda jornada da Liga Allianz, segunda vitória das Leoas, desta vez com uma goleada arrasadora de 9-0 contra o Viseu 2001. Os golos foram marcados por Solange Carvalhas (4), Ana Capeta (2), Tatiana Pinto (2) e Fátima Pinto.

Nuno Cristóvão repetiu o onze que vencera o Belenenses há duas semanas: Patrícia Morais; Rita Fontemanha, Bruna Costa, Matilde Figueiras e Joana Marchão; Patrícia Gouveia, Fátima Pinto e Tatiana Pinto; Diana Silva, Solange Carvalhas e Ana Capeta.




O Sporting partilha neste momento a liderança com Braga e Vilaverdense. Na próxima jornada há uma visita complicada ao Clube de Albergaria, que nesta jornada impôs um empate a zero ao atual campeão nacional, o Futebol Benfica.



A ação defensiva de Bryan Ruiz

É opinião quase unânime, entre os sportinguistas, de que o jogo de Vila do Conde começou a ser perdido pelo facto de existirem elementos da equipa que não fizeram o trabalho de apoio defensivo necessário, permitindo que os adversários seguissem sem grande oposição até perto da área do Sporting.

Contra o Estoril, Bryan Ruiz recuperou a titularidade e demonstrou, por várias vezes, que a segurança defensiva depende muito do trabalho que os jogadores mais adiantados fazem quando o adversário tem a bola em seu poder.

Dou, como exemplo, três intervenções defensivas de Bryan Ruiz na primeira parte. Na primeira, Bryan tem a preocupação de recuar rapidamente perante uma potencial situação de 3x3, e uma vez garantida a superioridade numérica preocupou-se em preencher o espaço vazio na linha defensiva. Na segunda, fez um movimento para o interior de forma a fechar no meio, onde não havia qualquer outro colega para travar uma progressão sem oposição do jogador do Estoril que levava a bola. Na terceira, resolveu sozinho uma situação de ataque da equipa adversária pelo seu flanco.

Aqui fica um pequeno vídeo com essas três situações:



P.S.: a equipa feminina de futebol disputa hoje a segunda jornada da Liga Allianz contra o Viseu 2001. O jogo será disputado na Academia de Alcochete às 15h. Estas são as convocadas para o embate de logo.


sábado, 24 de setembro de 2016

Noite de gigantes

Foi, literalmente, uma noite de gigantes. Realizando uma exibição agradável - apesar de um pouco inconsistente pelos altos e baixos apresentados ao longo dos noventa minutos -, o Sporting conseguiu vencer o Estoril de forma confortável, graças aos 3 golos marcados pelos seus gigantes: Dost e Coates. No entanto, houve mais gente grande a destacar-se para além do holandês e do uruguaio - como William e Bryan Ruiz -, para além de outras figuras que, não sendo grandes em termos de envergadura física, souberam estar à altura dos acontecimentos.

A partida decorreu em sentido único, com o Sporting a dominar por completo um Estoril muito recuado e concentrado na faixa central - convidando, de certa forma, o Sporting a usar e abusar das incursões pelos flancos. O resultado ficou em 4-2, mas não traduz, de forma alguma, o diferencial de rendimento e oportunidades de golo criadas entre as duas equipas. Houvesse mais acerto na finalização, e o resultado poderia bem ter sido uma goleada das antigas.





(via @_goalpoint)
William de régua, esquadro, transferidor e compasso, mas também de vassoura e pá, e ainda de pilhas Duracell - exibição impressionante de William, a todos os níveis. Esteve exemplar na organização e distribuição de jogo, com o destaque óbvio para o papel desempenhado no 3º (assistência) e no 4º golo (passe para assistência). É, aliás, impossível não ficar de boca aberta com o passe que fez para o segundo golo de Dost, uma obra de arte que glorifica a sua rapidez e precisão de raciocínio e execução. Defensivamente, limpou todas as iniciativas de ataque do Estoril, realizando 15 (!) recuperações de bola. Fisicamente impressionante, venceu praticamente todos os duelos e disputas de bola em que esteve envolvido, e ainda conseguiu encontrar energias para fazer sprints aos 90 minutos. Para ser perfeito, faltou-lhe apenas marcar a oportunidade de que dispôs perto do fim.

Temos matador - Bas Dost chegou, viu e marcou, marcou, marcou. Já leva quatro golos em três jogos para o campeonato, mas os da noite passada foram de uma qualidade que deixam antever muitas redes a balançar até ao final da época. Para já, vai confirmando a fama que ganhou na Alemanha: inteligente, com recursos técnicos muito interessantes, e extremamente oportuno.

Gelson, o suspeito do costume - foi o grande agitador do ataque do Sporting. Entendeu-se bem com João Pereira e conseguiu furar várias vezes a densa cortina amarela. Numa delas, fez o cruzamento para o primeiro golo de Dost. Em seis jogos da Liga, já leva dois golos e quatro assistências. Mais palavras para quê?

João Pereira todo-o-terreno - ofensivamente muito dinâmico no seu flanco, defensivamente teve um conjunto de intervenções preciosas que evitaram mais dissabores. Continua a fazer um belo início de época, merecendo ser o dono do lugar.

A diferença de ter Bryan - o ponto alto da exibição do costa-riquenho foram as duas assistências para os golos de Coates e André, mas também é justo que se reconheça a importância que tem no equilíbrio da equipa. Sabe quando tem de recuar, sabe quando tem de fechar dentro, sabe quando tem de fazer dobras, e ontem demonstrou-o em várias ocasiões. Ponto negativo: mais um punhado de oportunidades falhadas - uma das quais, há que dizê-lo, só não entrou porque Moreira fez uma grande defesa.



Corpos estranhos à equipa - Jefferson continua a não dar confiança. Até se pode dar o desconto de não ter rotinas com os colegas, por ser pouco utilizado, mas isso não explica tudo. Ofensivamente, não conseguiu tirar partido do muito espaço que teve à disposição - nenhum dos vários cruzamentos que fez encontrou um colega na área. Nas disputas de bola, entrou sempre a medo, perdendo quase sempre os duelos ou deixando a equipa desequilibrada. Alan Ruiz entrou em modo complicativo, tentando forçar dribles em situações de clara desvantagem numérica que, invariavelmente, redundavam na perda de bola. Saiu, sem surpresa, ao intervalo. 

A má gestão de esforço - Elias parece que entrou cansado. Se quer demonstrar que é um jogador diferente daquele que esteve cá em 2011/12/13, é bom que não faça muito mais jogos abaixo dos mínimos exigíveis. Markovic, recém-entrado em campo, não pode alhear-se das tarefas defensivas quando perde uma bola. A apatia que revelou no lance do 3-1 fica-lhe muito mal. Gerir esforço não pode ser isto.

A cerimónia revelada no momento de rematar - houve pelo menos um par de ocasiões em que se justificava mais o remate do que um passe a procurar um colega (supostamente) em melhor posição. Quando há boas condições para alvejar a baliza, mais vale não hesitar e fazê-lo.



A gestão de esforço que se aceita - a equipa entrou em descompressão após o 3-0. Não é bonito, era certamente mais entusiasmante se continuassem a carregar sobre o Estoril à procura da goleada, mas estando o jogo resolvido e havendo uma partida importante na terça-feira, é razoável que isso aconteça. Pelo meio, ainda deu para André se estrear a marcar.

O regresso de Capela - considerando o passado do árbitro com o Sporting e a previsível animosidade no seu regresso a Alvalade, João Capela revelou, de uma forma geral, sensatez na condução do jogo. Antes do primeiro golo houve um par de jogadas de perigo na área do Estoril que me pareceram (no estádio) cortadas prematuramente. O facto de o Sporting ter marcado cedo acabou por tornar a partida simples de dirigir, e o árbitro soube tirar vantagem disso não complicando. A partir daí, tirando uma ou outra decisão errada (para ambos os lados), fez uma boa arbitragem. 



Exibição bastante aceitável que fica um pouco manchada pelos dois golos sofridos. De qualquer forma, foi uma vitória importante por quebrar a sequência de duas derrotas, e também foi positivo o facto de Jesus ter podido gerir o esforço de certos jogadores já pensando no embate com o Légia.

Bas Dost!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Os convocados para a receção ao Estoril


Jogando duas partidas consecutivas em casa separadas por quatro dias, não há desculpas para não se apresentar hoje o melhor onze possível. Garanta-se primeiro a vitória contra o Estoril, e só depois disso se comece a fazer a gestão física do plantel.

Em relação à convocatória, Schelotto e Marvin Zeegelaar ficam de fora por problemas físicos, Douglas entrou para o lugar de Paulo Oliveira. De resto, mantém-se inalterada em relação à última partida.

Não sei qual o onze que entrará logo em campo, mas espero que se desfaçam alguns equívocos que Vila do Conde expôs, nomeadamente a não titularidade de Bas Dost e a utilização de Joel Campbell na esquerda.

Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

Merece uma leitura atenta o post de ontem do blogue Leoninamente, de autoria de Álamo, que, no seu estilo inconfundível, faz algumas considerações sobre o artigo de opinião que Carlos Barbosa da Cruz escreveu ontem no Record: LINK.

Não poderia estar mais de acordo com Álamo. Confesso - e não é de agora - que me mete uma enorme confusão o facto de determinados sportinguistas, com espaços de opinião nos media, revelarem uma total incapacidade (ou falta de vontade) de levar em linha de conta os interesses do clube quando escolhem os temas que irão abordar nos seus artigos.

Não me entendam mal: não é uma questão de querer impor algum tipo de censura aos sportinguistas que têm acesso a esses espaços. Cada um é livre de escrever aquilo que entende, seja sobre questões positivas da vida do clube, seja sobre assuntos mais polémicos. No entanto, esses sportinguistas já deveriam ter percebido que, de há anos para cá, não falta quem faça questão de explorar, até à exaustão, todas as polémicas e pseudo-polémicas que envolvem o Sporting, seja nos espaços de opinião dos notáveis rivais, seja nas próprias linhas editoriais daqueles (demasiados) jornais, rádios e televisões que têm, nos ataques ao Sporting, um dos seus objetivos primordiais.

Se ainda existe uma réstia de desejo em ajudar o clube nas suas inúmeras batalhas, seria razoável que, pelo menos, pensassem duas vezes antes de partir para a crítica. É um assunto incontornável? É importante alertar os seus leitores para um problema pertinente? Então critique-se. É um tema secundário no meio de muitas outras questões tão ou mais relevantes? Então siga-se em frente e coloque-se o foco nessas outras questões.

Neste caso em particular, Carlos Barbosa da Cruz ocupou metade do seu espaço de ontem a criticar Frederico Varandas, um elemento da estrutura que tem feito, desde que chegou ao clube, um trabalho notável, por algo que aconteceu há mais de três semanas. Pior: chegou ao ponto de recomendar a Frederico Varandas que meta o sportinguismo na gaveta (!!!), como se o sportinguismo fosse algo incompatível com a competência e um obstáculo ao profissionalismo. A meu ver, é ao contrário: a paixão ao clube só pode fazer disparar a determinação e a vontade de ajudar o clube nas piores das circunstâncias. Se a um sportinguismo incondicional juntarmos níveis elevados de competência, então estaremos perante a combinação ideal de qualidades que um funcionário do clube pode ter. 

Contra o Porto, Frederico Varandas fez, de facto, algo que não devia. Mas, considerando que se tratou de um episódio inédito no seu percurso, que a suspensão de um médico é uma questão completamente secundária, e que é algo que ocorreu há várias semanas, havia alguma necessidade de Carlos Barbosa da Cruz recuperar este assunto, nestes termos? Era assim tão difícil encontrar um tema mais atual, ou - agora para algo completamente out of the box - tentar ajudar a relançar a confiança dos sportinguistas na equipa após uma semana muito complicada? 

Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A fábrica das mentiras

Texto publicado por Tiago Cabral no blogue És a Nossa Fé: LINK.

35 milhões de euros em cash é dinheiro à vista

Na conversa de amigos que teve na TVI no princípio do mês, Luís Filipe Vieira explicou, da seguinte forma, a decisão de vender Renato Sanches antes do Europeu:


"35 milhões de euros em cash, é dinheiro à vista, é muito dinheiro", disse o presidente benfiquista. Interpretei isso (e creio que a generalidade das pessoas o terá interpretado da mesma forma) como sinal de que o Bayern pagou os 35 milhões a pronto. Certo?

Mas se é assim, como se explica isto que está na apresentação que o Benfica fez ontem à CMVM dos seus resultados consolidados?


Não confundir prestações com o valor que o Benfica ainda poderá receber se os objetivos forem cumpridos. Havendo uma primeira prestação, isso implica a existência de, pelo menos, uma segunda prestação de uma obrigação reconhecida por ambas as partes num negócio. Os objetivos de Renato, prováveis ou não, não são uma certeza absoluta. Por isso, falamos de duas coisas diferentes.

Fica a pergunta: como é que algo pago a pronto, em cash, em dinheiro à vista, é, afinal, pago em várias prestações?