sexta-feira, 26 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Médios



William Carvalho: **          
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Esperava-se que William desse sequência às exibições de elevado nível com que terminou a temporada passada, face ao conhecimento já acumulado do sistema de Jesus. No entanto, o médio teve um ano abaixo das expetativas, já que o melhor William poucas vezes apareceu em campo. Fisicamente, pareceu quase sempre a meio gás, e nem como primeiro construtor teve a preponderância de outras épocas. Pior ainda, foram vários os jogos em que cometeu lapsos que só se podem explicar com falta de concentração. Num sistema de jogo que exige imenso dos médios, creio que o fraco rendimento defensivo da equipa se explica parcialmente pela quebra de forma de William.



Adrien Silva: **          
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Peça fulcral do onze de Jesus, Adrien começou a época em excelente forma. A sua importância ficou à vista de todos não tanto pelo que mostrou enquanto esteve em campo, mas principalmente pelo que aconteceu quando deixou de estar - a equipa ressentiu-se profundamente da sua lesão na 1ª volta. Regressou ao onze em dezembro, mas a partir daí nunca mais se viu o melhor Adrien - que viria a lesionar-se uma segunda vez já durante a 2ª volta. Disponibilidade física nunca lhe faltou para o trabalho defensivo, mas esteve uns furos abaixo do que era necessário em tarefas ofensivas: 2 golos (excluindo penáltis) e 2 assistências é muito pouco para um jogador que faz aquela posição. Será que essa quebra de rendimento terá tido alguma coisa a ver com insatisfação por não ter sido transferido no início da época? Não sei, mas ficou-lhe muito mal ter recorrido à comunicação social para fazer pressão para sair.


Bryan Ruiz: *          
2015/16: ***

Ao arrancar para 2016/17, seria impossível imaginar que Bryan Ruiz se transformaria no oposto do jogador influente da época passada. Quem sabe se vítima de mais um ano sem férias, o facto é que o costa-riquenho fez uma época paupérrima, que se tornou insuportável face à insistência de Jesus em colocá-lo em campo, fosse a ala esquerdo, a médio centro ou a segundo avançado. Frequentemente esgotado a partir dos 60 minutos, quase sempre incapaz de fazer a diferença, sem capacidade de explosão ou esclarecimento. Após uma época destas, com apenas mais um ano de contrato e sendo um dos jogadores mais bem pagos do clube, a saída é o desfecho mais lógico. Veremos se a direção o conseguirá vender a outro clube.



Bruno César: **
2015/16: **

A polivalência de Bruno César faz dele, indiscutivelmente, um dos jogadores mais úteis do plantel. Foi utilizado por Jesus em quatro posições diferentes: ala esquerdo, segundo avançado, médio centro e lateral esquerdo. Tirando a posição de lateral esquerdo, em que sentiu dificuldades perante adversários rápidos (e não ajudou o apoio que frequentemente lhe faltou do ala esquerdo), fez as restantes posições com grande competência. Para além disso, é um dos melhores marcadores de bolas paradas do plantel. O facto de ter participado em 42 jogos esta época (só Gelson, com 44, e Coates e William, com 43, tiveram mais presenças) acaba por ser um indicador da falta de profundidade do plantel - para um clube que quer ser campeão, não é bom sinal que um jogador polivalente como Bruno César acabe por ser tão utilizado. De qualquer forma, isso não é responsabilidade sua, e teve uma época bastante positiva.



Elias: *

Regressou ao Sporting para ser a alternativa a Adrien que o clube não tinha. Foi uma contratação que me entusiasmou, porque teoricamente tinha tudo para dar certo. O problema foi a passagem da teoria à prática. Elias nunca foi capaz de dar à equipa o que dava Adrien. Posicionalmente foi um desastre (quase sempre muito recuado a defender e muito adiantado a atacar), parecia que fazia de propósito para estar longe da bola. Sendo um jogador bem pago e com pouco rendimento, o Sporting acabou por vendê-lo em janeiro. Deu para recuperar o investimento, e isso é o melhor que se pode dizer desta época de Elias.


João Palhinha: *

Foi o primeiro jogador a ser chamado de volta do empréstimo face à incapacidade de Petrovic em fazer a posição de médio defensivo na ausência de William. Palhinha foi lançado de imediato às feras e as coisas não lhe correram bem na Madeira e no Porto. De qualquer forma, Jesus continuou a dar-lhe minutos de forma consistente durante cerca de 10 jornadas. Depois esteve vários jogos sem ser utilizado e regressou à titularidade na última jornada. Mostrou algumas qualidades, nomeadamente pela forma (aparentemente) fácil como se impõe fisicamente em relação aos adversários. Não demonstrou, no entanto, grande confiança para sair a jogar - coisa que sabe fazer e que só o tempo lhe poderá dar. Ainda não está pronto para ser titular do Sporting, mas tem todas as condições para fazer parte do plantel na próxima época.



Francisco Geraldes: -

Infelizmente, a única conclusão que se pode retirar da época que Francisco Geraldes fez no Sporting é que foi uma decisão precipitada fazê-lo regressar do Moreirense. O Chico ganhou a Taça da Liga, regressou, e só teve oportunidade de fazer 54 minutos na equipa principal do Sporting, distribuídos por 4 jogos. Demasiado pouco para alguém que demonstrou imensa capacidade como organizador de jogo - coisa que faltou ao futebol do Sporting esta época. Não estou a dizer que Geraldes já está pronto para ser titular - não me parece que esteja -, mas devia ter tido muito mais minutos para ir ganhando experiência. Não me parece que Jesus goste de Geraldes, pelo que me parece que voltará a ser emprestado na próxima época. Espero estar enganado.



Radosav Petrovic: -

Veio para ser backup de William, mas rapidamente se percebeu que não contava para o totobola. A péssima pré-época e o péssimo jogo de estreia em Famalicão retiraram-lhe espaço para ser aposta séria. Ainda jogou contra o Arouca para a Taça da Liga, e aí até nem esteve mal. Foi emprestado ao Rio Ave, onde demonstrou qualidades que andaram escondidas enquanto esteve no Sporting - sinal de que houve ali algum tipo de bloqueio (físico? psicológico?) a impedi-lo de render. De qualquer forma, não me parece que venha a ter espaço no plantel da próxima época.


Bruno Paulista: -

Foi utilizado nas três primeiras partidas oficiais da época, incluindo 22 minutos contra o Porto. Depois saiu das convocatórias e nunca mais foi utilizado. O rapaz tem qualidade. Deve haver uma explicação lógica para o percurso de Bruno Paulista no Sporting, e que seguramente nada terá a ver com questões desportivas. Talvez um dia se venha a descobrir.


Marcelo Meli: -

Quem?

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Os convocados para a Taça das Confederações e Euro sub-21

Fernando Santos e Rui Jorge divulgaram os jogadores escolhidos para participa na Taça das Confederações e Euro sub-21, respetivamente. No caso da seleção principal, foram convocados 24 atletas, o que significa que ainda haverá uma saída para definir os 23 finais.

Convocatória da seleção principal

Convocatória dos sub-21

A convocatória da seleção principal parece-me lógica e equilibrada. As maiores surpresas acabam por recair nos guarda-redes, devido à lesão de Marafona e à indisponibilidade de Anthony Lopes por motivos pessoais (graves, segundo o selecionador).

O Sporting tem 10 jogadores convocados para as duas competições: Rui Patrício, Beto, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins na seleção A, e Rúben Semedo, Tobias Figueiredo, Francisco Geraldes, Iuri Medeiros e Daniel Podence nos sub-21.

Sendo sempre uma boa notícia ter muitos jogadores a representar as seleções, estas convocatórias afetarão inevitavelmente o arranque da pré-época do Sporting, marcada para dia 22. Relembro que a Taça das Confederações se disputa entre 17 de junho e 2 de julho, enquanto o europeu de sub-21 se joga entre 16 e 30 de junho.

Evolução dos empréstimos obrigacionistas dos três grandes

O Porto anunciou recentemente o lançamento de um novo empréstimo obrigacionista, no valor de 30 milhões de euros. A decisão não surpreende, visto que o clube tem apresentado prejuízos significativos nos últimos anos e há que pagar o empréstimo obrigacionista emitido em 2014, que está prestes a vencer.

O problema é que, não havendo dinheiro, não basta pedir um empréstimo do mesmo valor que o anterior. Há que pagar juros aos investidores, há que pagar comissões elevadas às entidades financeiras que servem de intermediários neste processo, e dá jeito se se conseguir aproveitar a oportunidade para injetar algum dinheiro fresco para os cofres da SAD. Daí que o Porto esteja a financiar-se em 30 milhões para compensar o empréstimo de 20 milhões que vence este ano.

É o temível efeito de bola de neve, que, à medida que os valores vão aumentando, fica mais difícil de travar e inverter. Não é um exclusivo do Porto. Também o Sporting e o Benfica recorrem a esta fonte de financiamento - uma necessidade cada vez maior a partir do momento em que a banca fechou a torneira a novos empréstimos -, e também o Sporting e o Benfica têm vindo a aumentar os valores dos empréstimos de cada vez em que fazem uma nova emissão de obrigações.

Tipicamente, estes empréstimos têm uma maturidade de 3 anos, com juros superiores à média praticada no setor bancário - de forma a serem interessantes para os potenciais subscritores (sendo que o Sporting tem pago juros superiores aos rivais, fruto da crise financeira por que passou). O problema é que a dependência se tornou de tal forma elevada, que já começou a haver a necessidade de fazer emissões paralelas. O Porto tem duas linhas de empréstimos obrigacionistas (uma que começou em 2013 com 11,5M e que já vai nos 45M, e outra que começou em 2011 com 10M e que agora subirá para 30M), e o Benfica já vai em três (um de 50M, outro de 45M e outro de 60M).

(clicar para aumentar a imagem)

A evolução tem sido praticamente linear. No final do prazo do empréstimo, contrai-se outro de valor superior. Com o Porto tem sido sempre assim. Com o Sporting também, com uma exceção: em 2014, na altura do acordo de reestruturação financeira, a banca assumiu temporariamente as responsabilidades do Sporting, o que permitiu adiar em um ano a emissão de novo empréstimo obrigacionista. No Benfica, a 2ª e 3ª linha puderam ser suspensas temporariamente porque o Novo Banco aceitou reabrir as linhas de crédito em 2014. No entanto, rapidamente a SAD teve que voltar a recorrer aos empréstimos obrigacionistas para reembolsar o Novo Banco.

A única boa notícia é que as taxas de juro têm caído (já se chegou a pagar taxas próximas dos 10%), mas isso acaba por ser curto consolo perante o aumento constante do valor dos empréstimos contraídos.

Serão capazes os clubes de inverter esta tendência, ao mesmo tempo que os bancos vão também fazendo pressão para que os seus empréstimos são reembolsados? À partida não se vislumbra vontade de mudar, mas o certo é que quanto mais tempo demorarem a tomar medidas, mais difícil será a resolução do problema.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Pedido de clarificação ao Clã da Cartilha

Após ouvir estes comentários...


... e ler estes comentários...





... em que, segundo estes ilustres jornalistas, comentadores e adeptos benfiquistas, o despedimento de Nuno Espírito Santo comprova que o Porto não tem razão em apontar a arbitragem como motivo para a vitória do Benfica no campeonato, então...

... podemos concluir que os mesmos ilustres jornalistas, comentadores e adeptos benfiquistas admitem que, face à permanência de Jorge Jesus como treinador após o final da época passada, o Sporting teve razão nas queixas que fez sobre a influência decisiva da arbitragem no desfecho do campeonato de 2015/16?

terça-feira, 23 de maio de 2017

Os pré-convocados para a Taça das Confederações

A FPF enviou para a FIFA a lista de pré-convocados para a Taça das Confederações. Deste conjunto de 30 jogadores sairão os 23 escolhidos por Fernando Santos, a anunciar na próxima quinta-feira.

Como seria de esperar, a base da lista é composta pelos campeões europeus (19). Ficaram de fora, sem surpresa, Eduardo, Ricardo Carvalho, Vieirinha e, talvez um pouco mais surpreendentemente, Rafa. Entraram nomes que me parecem indiscutíveis face à época que realizaram: Nélson Semedo, Pizzi, Bernardo Silva, Gelson Martins e André Silva. Parece-me que estes cinco terão que estar obrigatoriamente na lista final.

De notar que Marafona, outra das novidades, não poderá ser convocado por causa da grave lesão entretanto contraída.

A lista completa é a seguinte:


As minhas escolhas seriam:

GR: Rui Patrício, Anthony Lopes e (?)
DD: Cédric e Nélson Semedo
DE: Raphael Guerreiro e Eliseu
DC: Pepe, José Fonte, Neto e Roderick Miranda
MDC: Danilo e William Carvalho
MC: João Moutinho, Adrien, João Mário e Pizzi
Extr: Nani, Quaresma, Bernardo Silva e Gelson Martins
PL: Ronaldo e André Silva

Balanço de 2016/17: GRs e Defesas



Rui Patrício: ** 
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***

Depois de uma época memorável, em que esteve em grande nível no clube e se sagrou campeão europeu com a seleção - que lhe valeu o reconhecimento internacional e menções nos mais prestigiados prémios -, as expectativas para a época de Rui Patrício eram elevadíssimas. Infelizmente, o guarda-redes não correspondeu ao que dele se esperava. Não que tenha estado ostensivamente mal e custado muitos pontos ao clube - não esteve, e não custou -, mas o Sporting precisava de um guarda-redes que fizesse muito mais defesas impossíveis do que fez, e que valesse muito mais pontos do que valeu. Precisava do Rui Patrício das épocas anteriores. Infelizmente, esse Rui Patrício parece não ter regressado de França.


Beto: **

Regressou a casa treze anos depois da sua saída. Não sei se vinha com expectativas de ser titular perante uma eventual saída de Rui Patrício ou se com o papel de suplente, mas mostrou-se sempre comprometido com o clube, com o grupo de trabalho e, mais importante que isso, esteve sempre à altura das responsabilidades nos 9 jogos em que foi utilizado. Suponho que tenha um salário alto em relação ao que é a média do plantel, mas justifica-se. Enquanto adepto, estive sempre tranquilo quando Rui Patrício não esteve disponível para jogar. Espero que Beto continue por cá.


Azbe Jug: -
2015/16: -

Segunda época no clube, conseguiu em 2016/17 a proeza de ser ainda menos utilizado do que em 2015/16 - na qual fez um jogo para a Taça da Liga. Percebe-se o motivo. Na pré-época mostrou que não tinha nível para defender a baliza do Sporting e, tendo 25 anos, duvido que alguma vez venha a ter. Um problema para a direção resolver neste defeso, pois não faz sentido mantê-lo por cá durante os três anos de contrato que restam.


Ezequiel Schelotto: **
2015/16: **

É um eufemismo dizer que Schelotto não é dos jogadores mais queridos entre a generalidade dos adeptos sportinguistas, mas eu não desgosto do jogador. Schelotto pode não ser um lateral com boa capacidade de decisão, pode ter um aproveitamento pobre nos cruzamentos, mas compensa com a sua disponibilidade física e com a profundidade que dá ao corredor direito. Para além disso, é um jogador fiável defensivamente em situações de 1 contra 1 (estatisticamente, é o lateral do Sporting que menos dribles permitiu). As suas características pedem, à sua frente, um jogador mais com as características de João Mário do que com as de um Gelson Martins, e acabou, a meu ver, por sair prejudicado por isso. Ainda assim, foi o 2º jogador do Sporting com mais assistências no campeonato: 5.


João Pereira: **
2015/16: **

Para mim, foi um dos mistérios da época. Começou muito bem a época mas, sem que nada o fizesse prever, perdeu a titularidade para Schelotto. A partir daí, foi jogando a espaços, mas quase sempre a bom nível. De tal forma que, nas competições internas, o primeiro jogo que o Sporting não ganhou com João Pereira em campo foi... na Luz, à 13ª jornada. Até esse momento, João Pereira tinha sido utilizado em 9 jogos e festejado 9 vitórias. Nas competições europeias a conversa foi diferente: em Madrid acabou por ficar indiretamente ligado ao golo da derrota, e em Alvalade foi expulso. De qualquer forma, fez uma boa metade de época que viria a ser interrompida com a sua transferência para a Turquia, que se pode compreender face à necessidade de reduzir custos após a queda de todos os objetivos - e falamos de um jogador que, na altura, já tinha 32 anos. Desta época, guardarei na memória aquele corte oportuníssimo na área a Adrián no final do Sporting - Porto, que poderá ter valido a vitória nessa partida.


Ricardo Esgaio: * 
2015/16: *
2014/15: *

Utilizado em 14 partidas na equipa principal, Esgaio não conseguiu, mais uma vez, mostrar atributos que justifiquem maiores oportunidades. É verdade que a sua utilização foi inconstante - o que nunca ajuda à afirmação de um jogador -, mas não me lembro de ter ficado convencido, em qualquer um desses jogos, de que pode estar ali material para ser explorado com maior insistência. A polivalência de Esgaio pode ser útil em várias ocasiões, mas não me parece que alguma vez venha a ser mais do que isto num plantel de um clube como o Sporting.


Jefferson: *
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Quarta época em Alvalade, que provavelmente terá sido a última. A crua realidade é que Jefferson tem tido um rendimento fraquíssimo nos últimos dois anos e meio. Tem sido uma sombra do jogador que era uma ameaça nos cruzamentos e bolas paradas. Defensivamente comprometeu com frequência, ofensivamente raramente acertou um cruzamento. Nos últimos dois jogos desta época (contra Feirense e Chaves) voltou a demonstrar alguma raça e confiança, mas esse breve cintilar vem tarde demais para justificar mais um ano por cá. Agora que já tem o passaporte português, está na altura de procurar outro clube.


Marvin Zeegelaar: *
2015/16: *


Época irregular. Esteve razoável na primeira metade, relativamente certo a defender e inócuo a atacar. Em dezembro saiu da equipa e tardou em reencontrar-se, pois é um jogador que aparenta precisar, mais do que a maioria, de muitos jogos seguidos para ganhar confiança e tornar-se um jogador útil - o que é insuficiente para um titular de uma equipa que ambiciona lutar pelo título. Gostaria de dizer que poderia ser uma alternativa de banco para uma eventual contratação, mas está visto que não tem características psicológicas para esse papel - entraria sempre muito receoso sempre que fosse chamado.


Sebastián Coates: ***
2015/16: ***

No meio do descalabro que foi a defesa do Sporting ao longo desta época, Coates foi o único jogador que esteve ao seu melhor nível. Um patrão a quem faltou funcionários em melhor forma.


Rúben Semedo: **
2015/16: ***

Época algo irregular em que pareceu regredir em relação ao final da época passada. Cometeu demasiados erros, alguns dos quais foram castigados com golos dos adversários. Esses erros parecem mais fruto de desconcentração do que de falta de confiança - aliás, confiança é algo que lhe parece não faltar, até a tem em demasia. Também não ajudou a instabilidade que havia na posição de lateral esquerdo, obrigando-o a atenção redobrada. Os atributos físicos e técnicos dão-lhe condições para ser um central de topo, mas é necessário que a cabeça os acompanhe nesse desígnio. Veremos se a próxima época será a da sua afirmação em definitivo.


Paulo Oliveira: **
2015/16: **
2014/15: ***

Foi utilizado de forma intermitente, mas teve uma época ao nível do que se espera de Paulo Oliveira: um jogador capaz de resolver 90% das situações de forma eficiente e expedita, mas a quem faltam argumentos físicos e técnicos para resolver os restantes 10%. Parece-me um excelente terceiro central para o plantel, espero que continue.


Douglas: *

Considerando a sua experiência e o facto de ser um fetiche de Jesus, esperava-se que se adaptasse rapidamente ao sistema de jogo do Sporting e não tardasse a entrar nas contas da titularidade. Não só tardou, como não convenceu nas oportunidades de que dispôs. Neste caso não se pode ter o mesmo nível de tolerância que se dá a jogadores jovens e baratos, pois Douglas não é nem uma coisa nem outra. Com a entrada de André Pinto no plantel, deixa de haver espaço para o brasileiro.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Rei Patrício nas cortes de Leiria


Vídeo captado há pouco, na cerimónia de inauguração da estátua de Rui Patrício, em Leiria. Que receção incrível.












(fotos e vídeo via @SofiaOlive7ra) 

Fim-de-semana à Sporting

Depois de duas de semanas absolutamente tenebrosas, o fim-de-semana que passou correu muito bem em várias frentes.

Futebol masculino

O Sporting despediu-se da época 2016/17 com uma vitória confortável sobre o Chaves por 4-1. Jorge Jesus fez alinhar um onze com algumas novidades (Beto, Esgaio, Palhinha e Matheus) e, mais tarde, daria minutos a Francisco Geraldes e a oportunidade de estreia a Gelson Dala.

A figura da partida foi Bas Dost, que marcou três golos, muito bem auxiliado pelos miúdos: Podence sofreu o penálti que deu o 1-0, Matheus fez a assistência para o 2-0 num canto e marcaria o 3-0 a passe de Gelson Martins.

Apesar da hora absurda e das más exibições recentes, Alvalade teve uma assistência bastante razoável. De destacar o silêncio das claques durante os primeiros 20 minutos como forma de protesto pelo mau futebol das duas jornadas anteriores. Achei a melhor atitude possível: marcaram presença no estádio (seria tão mais fácil ficarem em casa) e não deixaram de apoiar a equipa, como é hábito, nos restantes 70 minutos. Por outro lado, não posso deixar de lamentar a tarja que foi exibida dirigida a Rúben Semedo.


Futebol feminino

Depois da conquista do título nacional em séniores no sábado, o Sporting conquistou ontem o título nacional de juniores na final a três disputada em Rio Maior. 

Depois de no sábado o Vilaverdense ter vencido o Apel por 4-0, o Sporting iniciou o dia de ontem vencendo o Apel pelos mesmos 4-0. No jogo decisivo, à tarde, frente ao Vilaverdense, e apesar de ter tido apenas cerca de 3 horas de descanso entre um jogo e outro, o Sporting venceu por 3-1 e sagrou-se campeão nacional na categoria sub-19 - numa campanha imaculada, com 20 vitórias em 20 jogos disputados.

Podem ver de seguida o resumo dos dois jogos, e aconselho que ouçam as palavras da treinadora Mariana Cabral e da capitã Francisca Silva, que espelham bem os valores que queremos ver em todas as equipas do Sporting:


Parabéns às jogadoras, equipa técnica e dirigentes por mais esta conquista! Para já, o futebol feminino ganhou tudo o que havia para ganhar: campeonato nacional séniores e juniores, e campeonato distrital em juvenis. Ainda há por disputar as taças nos 3 escalões.


Andebol

Apesar de já terem sido vários os desaires inacreditáveis que a equipa de andebol protagonizou, a verdade é que chegamos a este momento com excelentes possibilidades de conquistar tudo.

Ontem, o Sporting assegurou uma vantagem de 9 golos na final da Taça Challenge ao vencer o Turda por 37-28. A equipa controlou a partida inteira, conseguindo manter desde cedo uma diferença dilatada no marcador. Infelizmente, os últimos minutos não foram bem geridos, o que nos poderá ter custado dois ou três golos que, esperemos, não venham a fazer falta na 2ª mão, que se disputa na Roménia no próximo fim-de-semana. De relembrar que, nas meias-finais, os romenos recuperaram de uma vantagem idêntica. Aqui fica o resumo do jogo de ontem:


No sábado, o Porto perdeu por 28-27 no Pavilhão da Luz, o que permitiu ao Sporting ficar isolado na 1ª posição a uma jornada do fim. Se o Sporting ganhar na receção ao Benfica, no dia 31, será campeão nacional.



Rugby feminino

A equipa de sevens juntou este fim-de-semana a Taça de Portugal ao Campeonato Nacional, após ultrapassar o Bairrada, Lifeshaker e Agrária, e vencer na final o Sport Porto por 36-19. De destacar a recuperação épica que a equipa conseguiu, pois chegou a estar a perder por 0-19.


Futsal

Os campeões nacionais iniciaram a participação nos playoffs com uma vitória por 5-1 em Oliveira de Azeméis, com três golos de Cavinato, um de Fortino e outro de Caio Japa. Basta vencer um dos dois jogos que se disputarão em casa para seguirmos para as meias-finais.

Futebol masculino: Juniores

No sábado, o Sporting recebeu o V. Guimarães, 2º classificado, e empatou a 0-0. Uma vitória teria garantido o título, mas as perspetivas continuam a ser muito boas: nas duas jornadas que restam, basta que o Sporting conquiste um ponto ou que o V. Guimarães não ganhe os dois jogos para conquistarmos o título.


Futebol masculino: Juvenis

O Sporting foi vencer 2-0 ao Seixal e ultrapassou o Benfica na classificação, estando agora em 1º, com dois excelentes golos de Diogo Braz. A fase de apuramento de campeão chegou agora ao finaç da 1ª volta. Na 2ª volta, o Sporting tem um calendário mais favorável: receberá em Alcochete o Braga (5º), Porto (3º) e Benfica (2º) e jogará fora com o Oeiras (6º) e a Académica (4º).

De lamentar o sucedido no final do jogo, com uma imensa falta de desportivismo da equipa técnica e alguns jogadores do Benfica, um dos quais agrediu barbaramente o guarda-redes Filipe Semedo.

Aqui fica o resumo do jogo:



Futebol masculino: Iniciados

Bela vitória sobre o Porto por 3-0, com uma grande exibição e excelentes golos, marcados por Rodrigo Costa, Daniel Rodrigues e Rodrigo Rego. O Sporting está em 2º lugar e a tarefa de vencer o campeonato não será fácil, pois precisará de ir vencer o Benfica no seu terreno.


sábado, 20 de maio de 2017

Sporting conquista o campeonato nacional de futebol feminino

Terminou há pouco o jogo que selou a conquista do campeonato nacional de futebol feminino, com uma vitória sobre o Boavista por 6-1. Parabéns a todas as jogadoras, equipa técnica e dirigentes pela brilhante campanha que trouxe para Alvalade o título logo na primeira época do projeto de regresso do Sporting ao futebol feminino. E, já agora, de assinalar a excelente moldura humana que acompanhou a equipa neste momento tão importante.

Parabéns, campeãs!



Like a prayer

As extrapolações feitas ontem pela SIC Notícias e pelo jornal A Bola à presença de Madonna em Portugal e ao facto de o filho ter treinado (ao que se diz, durante uma semana) no Benfica. Como não amar?


(via @JosHenriqueGuer)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Vale e Azevedo do Benfica


Não é que seja novidade para ninguém, mas não pode haver exemplo mais elucidativo acerca do bias da imprensa desportiva do que a ausência de referências à notícia (porque é uma notícia, factual e relevante) de que Luís Filipe Vieira, presidente em funções do Sport Lisboa e Benfica, foi constituído arguido por burla, no âmbito do caso BPN. À semelhança, relembre-se, do que já tinha sucedido quando rebentou o escândalo da Porta 18. Imaginam o que seria se fosse Bruno de Carvalho a estar metido em assuntos desta natureza, não imaginam? Pois.

Mais absurda fica toda esta situação quando olhamos para as capas de A Bola e O Jogo. Os primeiros dão um destaque à demissão de Vicente Moura como se de uma bomba atómica se tratasse. Os últimos optaram por publicar o 27º volume da saga "A fuga de Jesus", da qual parecem ter o exclusivo.

Arguido por burla na casa das dezenas de milhões de euros e silêncio total nos desportivos? Admito que é um crime com um pouco menos de glamour do que um roubo de camião, mas não é coisa pouca para ser ignorado por jornalistas (mesmo os desportivos). Fico ansioso pela próxima abertura de uma Casa do Benfica para ouvir o que o estadista Luís Filipe Vieira terá a dizer sobre a existência de gente desta na condução de um grande clube do futebol português. Será que vai dizer que estamos perante o Vale e Azevedo do Benfica?

P.S.: e o que dizer de o processo estar em águas de bacalhau à quase uma década? Não há dúvida de que ser presidente do Benfica é o melhor escudo que se pode ter contra a justiça, como o caso do Vale e Azevedo original já tinha demonstrou. Só o criador será capaz arrancar Vieira do Benfica. Felizmente, Rui Costa ainda é um homem novo e ainda pode esperar mais duas décadas.

The "rocking cradle" baby

A demissão de Vicente Moura

Algo surpreendentemente, Vicente Moura demitiu-se ontem do cargo de vice-presidente do Sporting.


A demissão


Não é uma saída que me deixe apreensivo, do ponto de vista das competências que colocava à disposição do clube. Tenho uma fraca opinião sobre Vicente Moura, que já vem do tempo em que era presidente do Comité Olímpico Português. No Sporting era o responsável pelas modalidades, mas tenho sérias dúvidas de que tivesse algum poder efetivo em secções como as do futsal, andebol ou hóquei em patins. O ex-vice aparecia, sobretudo, em ocasiões cerimoniais, como, por exemplo, receber troféus das modalidades nos intervalos dos jogos. Na única ocasião em que pareceu ter um papel executivo, protagonizou um dos mais embaraçosos momentos do mandato anterior: a rábula do acordo assinado-que-deixou-de-o-ser com a W52 para a formação da equipa de ciclismo.

Não compreendi por que razão Bruno de Carvalho decidiu manter Vicente Moura na lista para o segundo mandato. Percebo que, em 2013, o presidente (então candidato) tivesse sentido a necessidade de incluir na sua lista alguns nomes conhecidos do grande público, mas devia ter aproveitado para reformular a sua equipa em março passado. Infelizmente desperdiçou a oportunidade, abre-se agora uma oportunidade parcial para o fazer.


O motivo da saída

Vicente Moura explicou a decisão por ter "uma visão diferente do presidente", sugerindo que as "visões antagónicas" estejam relacionadas com as recentes críticas de Bruno de Carvalho à equipa futsal. Estou de acordo com Vicente Moura em relação à pouca oportunidade das críticas, mas acho estranho que só ao fim de 4 anos e picos se tenha apercebido desta faceta da personalidade do presidente. A mim, que acompanho as coisas de fora, parece-me que, simplesmente, Vicente Moura não soube lidar com as críticas. Sentindo-se colocado em causa, a demissão seria sempre uma decisão respeitável. Infelizmente, a forma que Vicente Moura escolheu para abandonar o clube foi desprezível.


O fascínio pelos microfones

Nem uma hora tinha passado após a notícia ter sido conhecida, e Vicente Moura já estava a prestar declarações à RR. Declarações polémicas, que, enquanto associado, considero lamentáveis. Se Vicente Moura se preocupasse minimamente com os interesses do clube - que passa atualmente por uma fase muito conturbada -, teria aguardado algum tempo até apresentar publicamente a sua versão. Não tinha necessidade urgente disso, pois Marta Soares acabara de escrever um comunicado que salvaguardava a face do vice demissionário. Teria ficado bem a Vicente Moura não procurar os microfones de imediato, mas ao fazê-lo, da forma que o fez, prejudicou o clube e colocou Marta Soares em cheque.

Tendo sido este o caminho escolhido por Vicente Moura, apenas desejo que, no futuro, se abstenha de comentar publicamente a vida do clube.


A ação do presidente

Já critiquei o último post de Bruno de Carvalho, mas não vejo naquilo que escreveu motivo suficiente para provocar a demissão de Vicente Moura. É muito provável que tenham existido outras críticas em privado, mas o presidente tem legitimidade para as fazer - se tem razão ou não nessas críticas, é outra questão. 

De qualquer forma, é mais um incidente que torna ainda mais difícil de suportar este período que o clube está a passar. Espero que os responsáveis do clube - começando pelo presidente - percebam que é fundamental tentar manter a cabeça fria nesta fase. Não só porque a vida do Sporting não pára e é necessário preparar a nova época de forma fria e racional, mas também porque atirar mais gasolina para uma fogueira de labaredas altíssimas dificilmente ajudará o universo sportinguista a unir-se em torno de quem gere os destinos do clube.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A data da Gala Honoris

Foi ontem anunciado que a Gala Honoris vai-se realizar a 30 de junho. Não colidirá, portanto, com a data de casamento do presidente. É uma decisão que lamento, mas acho que Bruno de Carvalho é quem tem mais a perder com esta decisão. Com isto e com os últimos posts em que disparou críticas em todas as direções - adeptos incluídos -, está a arranjar lenha para se queimar.

Não há nada que obrigue que a gala se realize no dia 1 de julho. Nos estatutos do Sporting Clube de Portugal está escrito que a gala deverá "ter lugar preferencialmente na data de aniversário do clube", ou seja, a 1 de julho. Portanto, ao tomar esta decisão, a direção não está a incorrer em nenhuma ilegalidade. No entanto, é legítimo que os sócios a questionem, já que, apesar de ser um evento muito recente, a Gala Honoris conquistou um espaço importante na vida do clube - e a data de 1 de julho tem um simbolismo importante.

A interpretação que 99% das pessoas farão (nas quais eu me incluo) é que o clube está a mudar a sua agenda para que esta encaixe na agenda da vida privada do presidente, que reservou a data para o seu casamento. Como é evidente, não é nada reconfortante assistir a estes tiques de quero, posso e mando, pois nada nem ninguém deve colocar-se acima do clube.

Consequentemente, é natural (e saudável) que esta decisão seja contestada por muitos sportinguistas. Mas convém colocar as coisas nas devidas proporções: não me parece que a alteração de data da gala seja, em si, uma situação muito grave. Muito grave seria se o presidente tentasse blindar os estatutos para se eternizar no poder ou se o presidente antecipasse eleições por lhe ser mais conveniente - realidades incontornáveis noutros clubes, onde os atos eleitorais têm sido meras formalidades de interesse puramente estatístico -, muito grave seria se a direção optasse por uma gestão opaca, muito grave seria se o presidente evitasse prestar contas aos sócios, muito grave seria se as vozes dissonantes fossem sistematicamente abafadas.

Mas se queremos impedir que situações destas venham a acontecer no futuro no nosso clube - e é muito fácil ceder à tentação de facilitar a retenção do poder -, não devemos aceitar passivamente decisões em que interesses individuais - principalmente se forem os do presidente - condicionem a vida do clube. Porque o Sporting é nosso

O mais frustrante de tudo isto é que toda esta situação poderia (e deveria) ter sido evitada facilmente, porque era fácil antever a reação dos sportinguistas. O presidente e a direção têm a obrigação de conhecer o clube que dirigem e o perfil dos sócios a que têm de responder, e era óbvio que isto iria causar uma grande polémica - bem, na verdade, o que é que no Sporting não gera polémica?

Não têm sido semanas fáceis para os sportinguistas, e não têm sido semanas fáceis para Bruno de Carvalho - que parece estar com dificuldades em lidar com os desaires sucessivos e com as críticas vindas de setores pouco habituais. Os maus resultados amplificam exponencialmente qualquer problema que surja, pelo que me parece que devemos todos fazer um esforço para manter um certo nível de racionalidade: os sócios devem saber separar aquilo que deve ser alvo de crítica do que não deve ser, e o presidente deve manter a cabeça fria, identificar o que tem de ser corrigido, e focar-se na preparação da próxima época. O Sporting agradece.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A aberração competitiva do campeonato nacional de juniores femininos da FPF

Em agosto de 2016, a FPF divulgou, num comunicado, qual seria o formato da competição de juniores femininos para a época de 2016/17. Ficou determinado que o campeão nacional seria determinado após a disputa de três fases.

Na primeira fase, as equipas foram divididas em séries organizadas geograficamente: 4 séries no continente (com 10 equipas cada) e uma com equipas da Madeira (com 5 equipas), cada uma delas disputada em sistema de pontos, com todas as equipas a defrontarem-se entre si a duas voltas.

O vencedor da série da Madeira seria apurado diretamente para a terceira fase, enquanto os dois primeiros classificados de cada uma das 4 séries do continente iriam disputar a segunda fase:


A série norte seria disputada pelos dois primeiros classificados das séries A e B, enquanto a série sul seria disputada pelos dois primeiros classificados das séries C e D. E aqui surge a primeira aberração: em vez de se fazer uma competição por pontos a duas voltas, a FPF decidiu realizar esta série em formato de eliminatórias a uma mão. As eliminatórias seriam sorteadas sem cabeças de série ou quaisquer outro tipo de restrições que dessem algum tipo de vantagem aos primeiros classificados de cada grupo. Pior, nem sequer em campo neutro seriam disputadas.

O sorteio ditou que o Sporting (1º classificado da sua série) iria jogar a "meia-final" da 2ª fase em casa. No entanto, o mesmo sorteio ditou que o Sporting, apurando-se para a "final" da 2ª fase, iria jogar sempre fora, independentemente de quem fosse o adversário. Os resultados determinaram que essa "final" fosse disputada com o A-dos-Francos, precisamente a equipa que ficou em 2º lugar na nossa série da 1ª fase. Ou seja, a 1ª fase exemplar do Sporting (terminada só com vitórias) foi recompensada... com a disputa do jogo decisivo em casa do adversário, que foi 2º classificado na nossa série.

Apesar disso, o Sporting voltou a demonstrar a sua superioridade e apurou-se com brilhantismo para a 3ª fase.


Mas o pior estava reservado para o fim. A tal 3ª fase, da qual apenas se sabia que era uma final a 3, manteve-se no segredo dos deuses... até há apenas dois dias (!). Só no dia 15 de maio é que a FPF divulgou enfim o formato e datas da 3ª fase. Mas se achavam que as surpresas já tinham terminado, eis a informação revelada pela FPF:


Numa final a três, alguém achou que seria boa ideia que uma das equipas... jogasse duas vezes no mesmo dia! Será que não ocorreu que haveria uma equipa seriamente prejudicada com este calendário? Será que é esta a noção de competição justa que os dirigentes da FPF têm para os campeonatos que organizam?

O GD Apel, da Madeira, ficou com o seu calendário imediatamente definido, o que significa que a fava só poderia calhar a uma das outras duas equipas: Vilaverdense e Sporting. Ora, o sorteio foi realizado hoje, e à boa maneira dos sorteios da FPF, a equipa que irá disputar dois jogos no mesmo dia será... o Sporting.


Vergonhoso.

Bruno de Carvalho 'abandona' o Facebook

Bruno de Carvalho publicou, na noite de ontem, um extenso texto na sua conta de Facebook onde, para além de revelar que vai deixar de usar esta plataforma para comunicar, aborda variadíssimas outras questões.



As plataformas continuam, para mim, a ser um modo de comunicação global privilegiado. Apesar disso, e depois de uma profunda análise, creio que chegou a hora de abandonar o Facebook. A minha vontade de proximidade com o universo leonino, acabou por ter um lado perverso que não pretendo ver aumentado. Tem a ver com o ultrapassar de fronteiras onde se confunde vontade de estar próximo com o ser incomodado, a toda a hora, com opiniões despropositadas e intromissões na vida pessoal. Serei sempre um Presidente próximo, presente e consciente das suas tarefas e objectivos, mas esta ferramenta deixará de ser um desses modos de comunicação com a Família Sportinguista.

Assim, este será o meu último post que espero contribua para a compreensão de toda a estratégia pretendida para o Sporting Clube de Portugal e o papel de todos para a sua concretização.

Compreendo perfeitamente a frustração desta época, e não só a nível do futebol, mas o que tenho lido e recebido de mensagens ultrapassa o limite da justiça e respeito que se deveria ter por quem, como eu, passei a dedicar a minha vida ao Clube que amo. Todos devemos refletir e ser justos com vista ao nosso objectivo comum: a Glória!

Vejo, em todas as modalidades, um apoio que mais nenhum clube tem no mundo, mas um grau de exigência muito pequeno. A cada mau resultado, e então se torno público o meu desagrado, lá vem a onda de apoio aos "meninos". Nas modalidades, sem ser o futebol, então é confrangedor... perdemos jogos e lá estão as bancadas a aplaudir os "seus meninos" e a acarinhá-los. Nos bons e maus momentos dizemos nós! E tem de ser assim. Mas não podemos ser só nós, dirigentes e adeptos, a sofrer. Neste Clube, treinadores e atletas têm como missão dar-nos bons momentos e evitar os maus. O seu direito é ter boas condições de trabalho e os ordenados em dia. O seu dever é ser profissionais, honrarem a nossa camisola, dignificarem o Clube, vencerem ou lutarem até à exaustão e terem sempre compromisso com os objectivos estabelecidos: ganhar, conquistando todos os títulos que disputam.

Não nos devemos esquecer do esforço herculeano, feito por esta Direcção, para realizar os maiores investimentos de sempre em todas as modalidades. Nem que seja só por isso, estes "meninos" têm que ser sempre homens e ganhar os seus jogos e conquistar títulos, sem desculpas, sem estar sempre a falar de arbitragens, sem usar adversidades inesperadas ou o azar, percebendo que têm de fazer muito mais, e que a massa adepta que apoia o Sporting CP merece a Glória e não apenas viver alegrias a "espaços", dada por quem tem a sorte e o privilégio de envergar a nossa camisola.

O meu maior erro foi ainda não ter conseguido incutir nos adeptos esse sentimento de exigência constante, esse sentimento de que ninguém faz favor de servir o Sporting CP, mas, pelo contrário, ou está disposto a "morrer" em cada embate ou não merece ser apoiado.

Quando se aponta o dedo aos "meninos" é o "aqui d'el-rei". Credo! É o horror, o sacrilégio... Começam logo os opinadores leoninos: faça-o em privado, não confunda coisas, não é bem assim, etc. ... Tendo uma "alma pequena", não podemos exigir constantemente a grandeza e iremos continuar a viver com menos vitórias do que as que poderiamos ter e, ainda por cima, supostamente eu "teria" que ficar "agradecido" apenas por jogarem. Este tipo de raciocínio não é para mim. Não podemos ganhar sempre, mas temos sempre que honrar e dignificar a nossa camisola, com suor e, se for preciso, até à exaustão de cair para o lado, sem mais forças, no fim de cada jogo. Pelo menos nas derrotas temos de ver atletas físicamente de rastos.

As modalidades, como todos sabem uma das minhas paixões além do futebol, sei bem que são elas que nos permitem ser a maior potência desportiva nacional através, não só do ecletismo, mas sobretudo pelos mais de 20 mil títulos, nacionais e internacionais, conquistados e que têm feito de nós, ao longo dos anos, tão grandes como os maiores da Europa. Neste capítulo, irei sempre orgulhar-me de ter sido o Presidente que, com a sua equipa, construiu o Pavilhão e que, ao invés de acabar com as modalidades, trouxe novas e fez regressar algumas das históricas, e tudo isto com os maiores investimentos de sempre feitos pelo Clube no seu ecletismo.

Mas isto tem de obrigar-nos a ter, sem medos nem receios, uma cultura de exigência diária para com todos os que servem este Clube. E assim o faço, a começar por mim próprio, mas devo aqui alertar que os adeptos foram muitas vezes, com toda a sua boa vontade e sentimento de defesa da sua "familia", um "entrave" pois, sem querer, foram enchendo egos e aceitando, ou dando mesmo, desculpas para os insucessos.

Ainda não consegui, em 4 anos, mudar completamente essa mentalidade. Percebo que os sportinguistas vejam, nas restantes modalidades, o escape dos insucessos do futebol. Mas temos de deixar de ter esse espírito e saber acompanhar o investimento feito e logo perceber que o grau de exigência tem de crescer proporcionalmente e na mesma medida. Podemos e devemos manter a postura e convicção de que somos os melhores adeptos do mundo, mas exigir, exigir sempre!

Quanto ao futebol, para além de toda a realidade escrita nos parágrafos anteriores, e porque também estamos com os maiores investimentos de sempre, nada mudou desde o que disse durante as eleições, ou após o jogo contra o Belenenses e o meu post de esclarecimento de qual é o projecto e de quem é o meu treinador ou o resultado contra o Feirense. Só os mais desatentos não ouviram, após o jogo contra o Belenenses, que eu disse "na próxima época" tudo tem de mudar. Porque será que não disse no próximo jogo tudo tem de mudar?

Também no futebol temos de subir um degrau. Nós, dentro das 4 linhas, com Esforço, Dedicação, Devoção e obtenção de Glória. E os restantes adeptos, mantendo o estádio cheio mas deixando sempre claro que somos exigentes, que queremos vencer, que todos têm de ter um grau de entrega e compromisso equivalente à grandeza do nosso Clube.

Não é neste jogo contra o Chaves que devemos terminar a época com apupos ou contestação. Devemos marcar presença e em força, mostrar o nosso apoio sem igual e, com isso, deixar uma mensagem inequivoca a mim Presidente, restantes dirigentes, equipas técnicas e atletas de que, o próximo ano, continuará a ser de grande apoio mas de tolerância zero. Queremos e merecemos ser campeões, mas acima de tudo queremos respeito por quem nos serve e que se entreguem de alma e coração em cada partida. Eu, como Presidente, assumo essa mensagem, assumo essa exigência, assumo essa pressão e farei tudo o que estiver ao meu alcance para que, além da recuperação do Clube já efectuada, poder fazer-nos a todos felizes.

Amo o Sporting Clube de Portugal e prometo a todos que, na próxima época, vou ainda fazer mais e melhor, vou continuar a dar a minha vida por este meu Amor e vamos mostrar, com a vossa ajuda, em todas as modalidades e nomeadamente no futebol, porque somos o grande Sporting Clube de Portugal.

Já o disse e repito, não existe margem para mais erros. Assim, só quem perceber a grandeza deste Clube, tiver alma de campeão, de combatente e de compromisso se manterá neste projecto.

Sempre disse que, ou temos um exército pronto para lutar a meu lado ou não é possível atingir o que quero para o nosso Clube.

Assumo que continuamos a não o ter. Continuamos a ser um Clube onde ainda existem pessoas de grandes egos, que se intrometem na vida do Clube, de opinadores fáceis mesmo não sabendo nada do que se passa não se coibindo em cada oportunidade de aparecer nos media, em vez de nos mantermos sempre unidos, incondicionalmente, com quem lidera o Clube e, assim, tendo a mesma linguagem de exigência para com todos.

Ser líder é, entre outras coisas, ter objectivos mas também ser feliz. O meu objectivo está ainda mais forte do que alguma vez esteve: ser campeão! E em tudo. Mas feliz não estou.

Percebi a mensagem dos 90% de sportinguistas que foram votar: queremos ser felizes. E não lhes vou virar a cara, mesmo num momento de grande mágoa que tenho. Por eles e pelo nosso grande Sporting Clube de Portugal vou, mais uma vez, colocando o que sinto e a minha vida em segundo plano, retribuir a confiança que depositaram em mim e dar-nos a merecida alegria de podermos dizer que somos campeões!

Mas volto a alertar que, com tudo o que vejo, leio e recebo de mensagens, e porque não consigo viver com a bipolaridade de algumas pessoas, se nada se alterar nunca atingiremos a plenitude do sucesso que queremos.

Considero que após este Esforço, Dedicação e Devoção que finalmente nos irá dar a tão merecida Glória, devido à estupidez humana e bipolaridade latente, a dúvida persiste em mim sobre quando será o tempo de vir alguém liderar este Clube, que, mesmo que não perceba nada do que é isso, goste do protagonismo que esta posição dá e que eu detesto. Que consiga conviver com esta falta de exigência diária que me mata. Que saiba viver com esta falta de militância que não permite olhar para o futuro com outros olhos. Que não se importe com os sportinguistas a quererem meter-se constantemente na sua vida sobre todos os assuntos, mesmo os mais incríveis que se possa pensar. Que não se importe com a ingratidão constante de muitos. E que seja feliz a ser "discreto" a cada insucesso só para ser "popular" e passar pelos pingos da chuva a cada tempestade.

A única coisa que vos peço para a próxima época é que me deixem em paz, que me deixem trabalhar como eu achar melhor para depois poderem viver as alegrias que tanto merecemos.

A próxima época será assim mais um momento crucial da minha passagem pelo Clube, e não existirá ninguém mais motivado do que eu para a Glória que tanto merecemos.

Acreditem que, se todos estivernos focados na exigência e competência máxima, vamos tê-la. Todos, e aqui até dos adeptos falo, temos uma missão para esta importante alteração de mentalidade que tem de ser uma realidade em todas as modalidades. Tudo começa pela vontade, querer, garra, alma, cumplicidade, força, superação e talento. Se isto falha, nada se constrói. E temos de ter a consciência de que nada disto acontece se formos amenizando esta realidade, dando uma escapatória a quem não a tem: quem serve este Clube tem de nos trazer a Glória e, se tal não suceder, não pode permanecer.

Amo-te Sporting, e nada nem ninguém irá mudar isso e com este Amor nem a morte nos separará!



O post que reproduzi em cima esteve disponível durante cerca de duas horas. Por volta da meia-noite, a conta de Facebook do presidente foi desativada.

Não vou analisar pormenorizadamente o que foi escrito porque me parece que não é o momento ideal para o fazer. 


Em relação ao facto de o presidente ter anunciado que vai deixar de comunicar através do Facebook, parece-me uma medida sensata. Não porque ache que o Facebook não possa ou não deva ser utilizado pelos dirigentes do clube - pode e deve ser utilizada, pois é uma ferramenta com um alcance inigualável -, mas porque até agora nem sempre tem sido utilizada com o devido foco, critério e eficácia.

As intervenções de Bruno de Carvalho no Facebook já foram úteis em muitas ocasiões, mas também já foram inúteis - no sentido de não terem feito qualquer diferença -, e noutras situações chegaram a ser contraproducentes. Se esta decisão tiver sido efetivamente o resultado de uma profunda análise, então creio que o clube poderá ganhar com isso. Vamos aguardar para avaliar o alcance desta mudança de estratégia.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Uma questão de oportunidades

Pela terceira época consecutiva, Iuri Medeiros revelou-se o mais decisivo jogador da sua equipa: primeiro no Arouca, depois no Moreirense, e agora no Boavista. 

Em 2016/17 já leva 7 golos e 7 assistências, alguns dos quais autênticos regalos para os olhos, em 2200 minutos de utilização - o que dá 1 golo ou assistência a cada 158 minutos. Podem ver esses golos e assistências no vídeo que se segue:


Iuri fez a última pré-época no Sporting, mas as coisas não lhe correram bem - correu bem a alguém? - e acabou por ser dispensado por Jorge Jesus. Na base dessa dispensa estiveram, ao que se diz, insuficiências do jogador ao nível tático. Sinceramente, gostava de ver Jesus a ter a mesma paciência com Iuri que teve, por exemplo, com Alan Ruiz - que não era também (e ainda não é e, provavelmente, nunca será) um primor no cumprimento de tarefas defensivas.

Será um crime se nunca se derem oportunidades em quantidade suficiente a um jogador que demonstra tamanha criatividade, visão de jogo, potência de remate e habilidade nas bolas paradas.

Duvido que, dispondo das mesmas oportunidades que outros jogadores, Iuri não conseguisse agarrar um lugar no plantel em definitivo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Espero que saibam o que estão a fazer


Acho muito bem que se comece a preparar a próxima época o quanto antes, mas os primeiros sinais sobre o perfil dos jogadores que estão a ser dados como prováveis aquisições não são propriamente animadores. 

Ao que parece, estamos prestes a contratar um lateral direito de quase 1m90, rápido, de vocação ofensiva... mas que cruza mal. Ou seja, um jogador que, à primeira vista, tem características semelhantes às de Schelotto. Não sou daqueles que diaboliza o italo-argentino, mas tenho muitas dúvidas sobre se será ajuizado gastar 3 milhões de euros por alguém que tem características idênticas às de um jogador que já cá temos, e que não tem aquela qualidade que deveria ser obrigatória para qualquer lateral que venha: o cruzamento. Com 24 anos, nem terá um potencial de desenvolvimento enorme, nem é um valor consagrado. 3 milhões não são trocos, e em Sevilha os adeptos do Bétis vão fazendo a festa por esta excelente (no seu ponto de vista) transferência - o que não costuma ser um bom sinal.

André Pinto foi um negócio de ocasião, fruto da sua situação contratual com o Braga. Acredito que possa ser útil ao plantel. Mas terá valor para ser titular de caras?

Quanto a Mattheus Oliveira, ao que se diz virá por um valor relativamente acessível. O brasileiro tem dado nas vistas no Estoril: é um jogador esquerdino, com um bom remate e boa técnica, polivalente, mas pouco intenso. À partida falamos de uma aposta de pouco risco, mas a questão que, legitimamente, os sportinguistas poderão colocar é se o brasileiro oferecerá efetivamente mais do que algumas alternativas existentes no plantel que ainda não tiveram oportunidades a sério, como Iuri Medeiros ou Francisco Geraldes.

Não me interpretem mal: acredito que devemos sempre dar o benefício da dúvida aos novos atletas. Um jogador que não rende num lado pode sempre render noutro (relembro o caso de Coates), porque há muitas variáveis que influenciam (positiva ou negativamente) o rendimento em cada uma das equipas por onde passa. Mas a política que (para já) parece estar a ser seguida não é a das contratações cirúrgicas que nos garantiram, nem sequer de jogadores com elevada probabilidade de virem a render aquilo de que precisamos. Não sei qual será o orçamento para transferências para este defeso, mas confirmando-se estes três jogadores pelas verbas referidas, já estaremos com 5 milhões gastos entre valores de transferências, comissões e prémios de assinatura.

Vamos aguardar para ver o que valem, mas espero que o nosso departamento de futebol saiba o que está a fazer.

M*rdas que só mesmo connosco, nº 12: Suplentes que resolvem jogos

Alcochete, 14 de maio de 2017. O Sporting B recebe a Académica, numa partida a contar para a penúltima jornada da II Liga. Separadas por apenas 3 pontos na tabela, quer uma quer outra equipa jogavam apenas para cumprir calendário. Se na maioria dos casos em que já não há objetivos a atingir, os jogadores têm alguma tendência para demonstrar algum desinteresse em estar dentro de campo, neste jogo houve um suplente que não conseguiu esperar para poder ir lá para dentro.

Decorria a segunda parte quando o azeri Budag Nasyrov fazia exercícios de aquecimento junto à baliza de Azbe Jug, precisamente no momento em que a Académica desenvolvia uma jogada de ataque completamente inofensiva... mas que acabou por ser fatal, pela mais improvável das causas:


Nasyrov, numa atitude insólta e reveladora de completa falta de atenção, queria apenas devolver o esférico para dentro de campo para poupar trabalho aos apanha-bolas. O problema é que tocou na bola quando esta ainda não tinha saído completamente pela linha de fundo. O árbitro - e bem - aplicou o que dizem as regras: quando um elemento constante da ficha de jogo que não está em campo toca na bola, assinala-se livre direto contra a sua equipa. Como foi dentro da área, marcou penálti.

A Académica aproveitou a dádiva, empatou, e a partir daí controlou o jogo, acabando por chegar à vitória através de outra oferta da nossa defesa.

Não é possível imaginar um final mais condizente do que este para um fim-de-semana absolutamente horrível.

domingo, 14 de maio de 2017

A bem do equilíbrio

A bem da preservação das rotinas da equipa e de tudo aquilo que há para ganhar esta época, Jesus apostou num onze relativamente previsível e (na sua cabeça) equilibrado: voltaram Gelson e Podence após o cumprimento do jogo de suspensão, e a única (meia-)surpresa foi a utilização de Jefferson na esquerda. No banco ficaram Palhinha, Matheus e Gelson Dala, enquanto Francisco Geraldes ficou na bancada.

Este onze previsível correspondeu uma produção futebolística também ela previsível. A duas jornadas do fim, quando não há motivação maior do que deixar correr os minutos para acabar uma época desapontante, surpreendente seria se os jogadores - a maior parte dos quais sente que não tem nada a provar ou a mostrar ao treinador - decidissem comer a relva e tentar conquistar os três pontos como se a sua vida dependesse disso. Se qualquer adepto já sentia que isto iria acontecer, resta-nos perguntar por que razão o treinador, que já tem anos suficientes disto para não confiar em milagres -, não aproveitou para dar minutos a outros jogadores.

Não posso dizer que, apesar da insistência numa fórmula pouco aconselhável, estivesse à espera que o Sporting perdesse mais um jogo... mas também não posso dizer que tenha ficado surpreendido.


Patrício não chegou para tudo - foi o melhor jogador do Sporting, o que é sintomático da qualidade do nosso jogo. Fez uma mão cheia de grandes intervenções, impedindo que a vitória do Feirense tivesse números mais expressivos.

A reincarnação parcial de Jefferson - a espaços, fez lembrar o Jefferson de há três anos, jogando com uma raça e confiança que há muito não se via. Para a reincarnação ser completa, faltou acertar nos cruzamentos. Ainda assim, nota positiva para o lateral, mas que não é suficiente para colocar-nos na dúvida sobre se ainda haverá espaço para si no Sporting na próxima época.

O regresso de Gelson - marcou um golo e esteve à beira do segundo, com um remate fortíssimo que embateu na barra e no poste. Isto significa que, à sua conta, dispôs de 50% das oportunidades de golo que criámos.



Viva o equilíbrio! - para além de tudo o que já escrevi sobre o onze, os sportinguistas ainda tiveram a oportunidade de ver o seu treinador a fazer uma arrojada substituição, numa altura em que o jogo estava empatado: Podence, tocado, teve que sair, e para o seu lugar entrou... Bryan Ruiz. Como seria de esperar, a entrada do costa-riquenho não serviu de nada. Não quer dizer que teria sido melhor se Jesus tivesse lançado logo Matheus ou então Dala, mas pelo menos ficaríamos na dúvida. Não faz qualquer sentido que, em maio de 2017, o treinador ainda ache que Bryan pode acrescentar o quer que seja à nossa frente de ataque. Mas pronto, o equilíbrio tático ficou assegurado e assim só sofremos mais um golo e não marcámos mais nenhum.

Podia ter sido pior - o árbitro podia ter mostrado o segundo amarelo a Gelson por cortar um contra-ataque e o vermelho direto a Rúben Semedo pelo penálti (não tentou jogar a bola, e o adversário estava isolado).



Dia absolutamente desastroso para o Sporting: eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal em futsal nos penáltis; empate de 1-1 nos juniores, com o golo a ser sofrido nos descontos (ainda assim, a derrota do Belenenses significa que uma vitória frente ao V. Guimarães, na próxima jornada, poderá significar já a vitória no campeonato); vitória por 1 no andebol (quando necessitávamos de vencer por 2 para depender de nós) com posse de bola a 10 segundos do fim, uma perda de bola idiota a 5 segundos do fim, e um golo surreal sofrido no último segundo; e derrota no futebol. Que sequência de resultados...

sábado, 13 de maio de 2017

Dia de decisões

Num dia em que o Benfica selará a vitória num campeonato que deixámos de disputar demasiado cedo, existem outros motivos de grande interesse para os sportinguistas.

No futsal, confronto duplo com o Benfica em femininos (13h00, Bola TV) e masculinos (15h30, TVI24), ambas para as meias-finais da Taça de Portugal.

Às 16h, a equipa de juniores poderá dar um passo gigante rumo à vitória no campeonato, defrontando também o Benfica. A equipa não poderá contar com Luís Maximiano e Miguel Luís, que estão no estágio de preparação do mundial sub-20, que começa na próxima semana, mas tem todas as condições para conseguir conquistar mais três pontos perante um adversário que está fora da luta, e que também tem vários elementos ao serviço da seleção. O jogo terá transmissão na Sporting TV.

Às 18h começa o importantíssimo Sporting - Porto em andebol, com início às 18h. Uma vitória colocar-nos-á em igualdade pontual com o Porto, mas dependerá da diferença de golos a ascensão ao primeiro lugar: ganhando por 3 ou mais golos, ou ganhando por 2 golos (mas sofrendo menos golos do que o Porto sofreu no confronto da 1ª volta), o Sporting ultrapassará o adversário na classificação. O jogo será transmitido pela Sporting TV, mas é importantíssimo que estejam tantos adeptos quanto possível no Multiusos de Odivelas (os bilhetes estarão à venda no pavilhão a partir das 15h).

Às 20h30 joga a equipa de futebol sénior. Com os expectáveis regressos de Gelson Martins e Daniel Podence, espero uma resposta condigna à exibição do passado domingo. E já agora, que se tente ajudar Dost a aproximar-se de Messi na luta pela Bota de Ouro.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O reatamento de relações entre Sporting e Porto

Sem perder tempo em introduções, começo pelo que, a meu ver, significa este reatamento de relações entre Sporting e Porto: é consequência da constatação, por parte de ambos os clubes, de que o Benfica é, atualmente, demasiado poderoso para ser combatido isoladamente. Aquilo que se passou nas últimas duas épocas demonstra-o na perfeição. 

Já todos perceberam a enorme influência que o Benfica tem na FPF, nomeadamente ao nível da disciplina e ao nível da arbitragem. Um quadro de árbitros que é um antro benfiquista e que não poderá ser desmontado a curto prazo. As tentativas em influenciar o desfecho das eleições do V. Setúbal e Paços de Ferreira, através do apoio direto ou indireto a certos candidatos. Compra de bancadas inteiras para os jogos fora. Convites a clubes adversários para estagiarem no Seixal, às vezes quando o adversário é o próprio Benfica. O apoio de Jorge Mendes. O César. Os soldadinhos estrategicamente ao nível dos observadores e delegados. As cartilhas. A mão que têm na comunicação social, sempre expedita a tentar passar uma esponja de normalidade em todas as anormalidades que se vão passando. Considerando tudo isto, as dificuldades de Sporting e Porto em vencer títulos terão tendência para aumentar na mesma proporção que as dificuldades do Benfica terão tendência para diminuir.

No comunicado conjunto são referidas várias medidas que ambos os clubes pretendem ver implementadas, e é óbvio que, havendo uma atuação concertada de Sporting e Porto, aumentarão as hipóteses de puxar os outros clubes para o seu lado. No entanto, havendo entendimento sobre estas matérias, não era imprescindível que se restabelecessem formalmente as relações - seria suficiente manter um canal de comunicação informal no âmbito do trabalho feito junto da Liga e FPF, como aconteceu, por exemplo, na eleição de Pedro Proença ou na decisão de implementar o sorteio dos árbitros. Por que razão decidiram então os dois clubes formalizar publicamente esta reaproximação? 

Na minha opinião, aquilo que aconteceu ontem é uma mensagem dirigida a todo o universo do futebol português, já a preparar as decisões que serão tomadas durante o defeso para o funcionamento da próxima época. Falamos de alguns dos tais (importantes) pontos referidos no comunicado conjunto, nomeadamente:
  • As regras de implementação do videoárbitro;
  • A divulgação imediata dos relatórios dos árbitros e delegados (em oposição à divulgação dos relatórios dos árbitros apenas após o seu processamento pelo CD);
  • Alterações ao regulamento disciplinar e do efeito suspensivo de recursos para o TAD;
  • Substituição imediata do coordenador dos delegados da Liga;
  • Recuperação dos sumaríssimos para lances não ajuizados pelos árbitros e detetados nas transmissões televisivas.

A dúvida que tenho é até onde irá o nível dessa colaboração. No limite, poderá passar por isto: quem estiver com o Benfica nas votações, estará contra Sporting e Porto, com as respetivas consequências que poderão daí advir. Não há, por exemplo, muitos clubes que se poderão dar ao luxo de dispensar jogadores emprestados de Sporting e Porto em simultâneo. É olhar para o atual mapa de empréstimos: o único clube da I Liga que tem jogadores emprestados do Benfica mas não tem jogadores emprestados do Sporting e Porto é o Braga.

Obviamente que este alinhamento entre os dois clubes recupera outros momentos do passado em que o Sporting era o parceiro menor de um relacionamento em que, no final do dia, era sempre o Porto que saía por cima. Mas a verdade é que os tempos são outros: o Porto já não tem a hegemonia nem o poder de há dez anos, e o Sporting tem hoje dirigentes que nunca deixarão de proteger os interesses do clube. Nem Bruno de Carvalho é Soares Franco e Bettencourt, nem Pinto da Costa é o Pinto da Costa da década passada. De qualquer forma, todas as cautelas serão poucas.

Consigo, portanto, entender as motivações do Sporting que estarão por trás deste reatamento de relações. No entanto, é uma situação que causa um incómodo tremendo, por tudo aquilo que Pinto da Costa representa. E porque, diga-se de passagem, não só não foram resolvidas as questões que levaram o Sporting a cortar relações há quatro anos, como o Porto não fez propriamente por justificar uma reaproximação durante estes anos que entretanto se passaram: testemunharam a favor da Doyen no caso Rojo, e estiveram na origem do caso do "dolo sem intenção" da Taça da Liga, só para dar dois exemplos. E ter que ler coisas como "considerando que é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa" deixa-me completamente nauseado.

Realpolitik. Nada de novo no futebol português, onde aquilo que hoje é verdade, amanhã será mentira. Do ponto de vista estritamente racional, é uma decisão que faz sentido face ao estado atual do futebol português. Mas que me arranca um pedaço de alma sportinguista... lá isso arranca. É mais uma cartada de risco de Bruno de Carvalho. Se correr bem, terá valido a pena. Se correr mal...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Reatamento de relações com o Porto

Comunicado emitido mesmo agora pelo Sporting no seu site, assumo que escrito conjuntamente com o Porto, pois está assinado pelos dois diretores de comunicação:



A Direcção de Comunicação do Sporting Clube de Portugal informa:

Em face de notícias vindas a público sobre um encontro de trabalho entre os responsáveis pela comunicação do Sporting CP e do FC Porto, apelidada pelo jornal Correio da Manhã, pelo canal de televisão CMTV e o seu comentador José Manuel Freitas como “Cimeira anti-Benfica”, importa esclarecer o seguinte:

1 – É um facto que a reunião existiu, mas é falso que na base da sua motivação esteja qualquer sentimento “anti” seja quem for.

2 – Os temas que foram abordados prendem-se com questões que consideramos fundamentais para o futuro e pacificação do futebol português e em que, verificámos, existe convergência de posições:
- O vídeo-árbitro e regras da sua implementação;
- A publicidade imediata dos relatórios dos árbitros e dos delegados;
- Alterações ao regulamento disciplinar de modo a que esteja conforme a Constituição da República e a que os castigos sejam confinados ao âmbito estritamente desportivo;
- Propostas no sentido de que os recursos para o TAD e o Conselho de Justiça tenham efeito suspensivo das decisões do Conselho de Disciplina;
- Substituição imediata do coordenador dos Delegados da Liga;
- Reconhecimento dos títulos do Campeonato de Portugal como sendo de Campeões Nacionais, como consta da documentação oficial da Federação Portuguesa de Futebol e suas plataformas;
- Regresso dos sumaríssimos para lances em que o árbitro não tenha visto e sejam detetados pela transmissão televisiva;
- Que a lei seja efectivamente cumprida no que respeita às claques e à violência no desporto, doa a quem doer;
- Redução dos jogos disputados à noite.

3- As transmissões televisivas de jogos dos dois clubes nas modalidades, bem como a acreditação dos jornalistas dos órgãos dos respetivos clubes foram também faladas, tendo-se chegado a um entendimento para o acessos dos profissionais de media aos pavilhões.

4 – Concluída esta reunião, verificámos que há caminho que pode e deve ser feito em conjunto, considerando que é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.

5 – Em face do que consideramos ser a urgência e necessidade de pacificação do futebol português, da obrigatoriedade de introduzir maior transparência e verdade desportiva, e de defender aquilo que são os valores que devem nortear o desporto nacional, entendem os dois Clubes estarem reunidas as condições para que seja desencadeado de imediato o processo de reatamento das relações institucionais entre o Sporting CP e o FC Porto.

Nuno Saraiva
Director de Comunicação do Sporting CP

Francisco J. Marques
Director de Comunicação do FC Porto