terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ainda mais uma bomba!

Golo de Carlos Ruesga frente ao ISMAI, logo seguido de uma grande defesa de Asanin.

Outra bomba!

O 2º dos 4 golos de Diogo Brás, frente ao Belenenses, em sub-17. O Sporting venceu por 6-2.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Bomba!

A seguir à entrega da Taça da Liga, o 100º troféu que o Sporting conquistou na modalidade, este fenomenal golo de Leo foi o melhor momento das três partidas disputadas nesta semana.


Fica aqui o vídeo do golo, para poderem apreciar de vários ângulos. Qual deles o melhor...

Desespero

Foto: Diana Quintela / Global Imagens
Não consigo encontrar outra explicação para a figura ridícula que Pedro Madeira Rodrigues fez ontem. Anunciou durante a tarde que iria apresentar o seu treinador às 22h. Pouco depois das 22h, sem ter iniciado a apresentação, adiou para as 22h30 para dar tempo aos jornalistas, chamados de urgência, para chegarem. Tudo isto, e no final, não há treinador para apresentar: o motivo da conferência de imprensa é, afinal, um vídeo que começou ontem a circular no Youtube em que Ricciardi e Sikander falam sobre o estado caótico do Sporting. O problema é que, ao que tudo indica, o vídeo é... de 2013, anterior às eleições em que Bruno de Carvalho derrotou José Couceiro e Carlos Severino. Nada naquela conversa encaixa com a situação atual do Sporting.

Após a declaração de Madeira Rodrigues, a primeira pergunta de um jornalista foi sobre se tinha certezas sobre a autenticidade e data do vídeo apresentado. A resposta de Madeira Rodrigues foi: "não sei". Brilhante.

E assim se passou mais um dia sem que Madeira Rodrigues apresente o seu treinador - e começa a ser demasiado evidente que não há nenhum treinador para apresentar. Os jornalistas presentes ontem na conferência de imprensa fingiram não reparar nisso e não questionaram o candidato sobre o nome que tem (ou não) na manga. Os sportinguistas continuam à espera, no entanto.

P.S.: começo a acreditar em como talvez seja anunciado um treinador bombástico na noite de sexta-feira, suficientemente em cima da hora das eleições para fazer as capas de sábado sem que o visado tenha tempo útil para desmentir que tenha chegado a acordo com o candidato...

P.S.2: já depois de ter acabado de escrever este post, José Maria Ricciardi confirmou o óbvio: o vídeo é de 2013.

Fonte: Record

P.S. 3: a bem da verdade, convém desmentir a informação errada dada por José Manuel Freitas ontem na CMTV, e que também aparece em blogues ligados a outros clubes: em 2013, Adrien já ganhava mais de 2 milhões brutos anuais, fruto da renovação de contrato que assinou com Godinho Lopes em setembro de 2012, depois de regressar do empréstimo da Académica. O agora capitão estava a entrar no último ano de contrato e falava-se no interesse dos rivais. Verdade seja dita: em 2013, Adrien ainda não tinha feito o suficiente para justificar auferir valores deste nível, conforme se refere no tal vídeo... de 2013. Em 2017, ninguém dá por mal empregue o dinheiro que se paga ao jogador.



domingo, 26 de fevereiro de 2017

Épico #DiaDeSporting!

Quis o destino que passasse este sábado sem poder ver nenhum dos jogos que o Sporting disputou nas várias modalidades. Um imprevisto fez com que passasse parte do dia num local sem rede de telemóvel, o que acabou por ajudar drenar a bateria do aparelho. Quando regressei a um local da civilização com rede de telemóvel, não tinha forma de seguir as incidências desportivas do dia.

Terminado o dia, lá me inteirei dos resultados das várias equipas que alinharam. A equipa de futsal venceu de forma convincente o Modicus, e carimbou o passaporte para a final da Taça da Liga, que se disputará amanhã frente ao Fundão. O andebol goleou o ISMAI e continua dependente de si própria para se sagrar campeã, apesar de não ter mais margem para errar. Nas camadas jovens de futebol, em juniores, o Sporting foi a Vila do Conde vencer o Rio Ave por 1-0 e já lidera isolado a fase de apuramento de campeão, enquanto os iniciados foram ao Restelo vencer o Belenenses por 2-0, liderando também de forma isolada a zona sul - o apuramento para a fase final também já está assegurado. E à hora que escrevo estas linhas, a equipa de hóquei vence, nos Açores, o Candelária por 5-1.

A equipa sénior de futebol conseguiu a terceira vitória consecutiva, com golos de Bryan Ruiz e Bas Dost. Não vi o jogo, e por isso não vou escrever o habitual texto sobre a partida. mas foi por uma boa causa: o tempo que tive, foi dedicado a ver, deliciado, as incidências do jogo de futebol feminino entre o Sporting e o Braga. Absolutamente épico!

Começando pela assistência: compareceram praticamente 10.000 pessoas em Alvalade, pulverizando o recorde anterior de jogos de futebol feminino em Portugal, alcançado num jogo da seleção (onde estiveram cerca de 3.000 espectadores). A central nascente encheu e foi necessário abrir as superiores. Um apoio incrível nas bancadas, a fazer lembrar o que se passa com a equipa masculina.

Depois, a forma eletrizante como a vitória foi alcançada. Relembro que o empate complicaria muito as contas e deixar-nos-ia dependente dos resultados do Braga (que tem um calendário mais fácil do que o nosso por aqui em diante). A vitória, merecidíssima, deixa-nos com três pontos de vantagem e com margem para errar, pois temos vantagem no confronto direto. E foi incrível a forma como marcámos, já em período de descontos, de penálti, marcado pela inevitável Solange Carvalhas. Ou talvez seja melhor chamá-la de Solangelo, tal foi a frieza com que o converteu.

Ficam aqui os minutos finais da partida. Absolutamente arrepiante!

(via Mister do Café)

sábado, 25 de fevereiro de 2017

A opinião de Daniel Oliveira sobre o debate

Vale a pena ler o artigo de opinião de Daniel Oliveira, publicado ontem no Record, sobre o debate de quinta-feira. Daniel Oliveira já declarou publicamente que apoia Bruno de Carvalho, mas não é por isso que deixa de apontar aquilo que acha merecedor de crítica no trabalho do presidente. Subscrevo por inteiro o texto que podem ver de seguida.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O plano de Madeira Rodrigues para o fosso de Alvalade


Perante esta explicação do candidato para a obra low cost que tenciona levar a cabo, suponho que só dê para uma solução deste género...

(via @RogerioCasanova)

O candidato dos inimigos do Sporting

Já deu para perceber em quem votariam os inimigos do Sporting caso fossem sócios com quotas em dia. Basta uma passagem rápida diária pelas redes sociais ou pela imprensa desportiva para perceber ao que cada anda uma das principais forças do futebol português. No caso da comunicação social, é perfeitamente claro que existem determinadas publicações que estão empenhadas em dar a Madeira Rodrigues todo o impulso eleitoral que estiver dentro das suas possibilidades. Não que seja apreço pelo candidato em si, mas pela vontade imensa que sempre demonstraram em ver Bruno de Carvalho sair da presidência do Sporting.

O Jogo, publicação que procura rebaixar o Sporting, os seus jogadores e dirigentes numa base diária - nem que para isso tenham que inventar descaradamente (LINK) ou contar apenas uma parte da história, deixando de fora aquilo que não lhes convém (LINK) -, tem funcionado como uma espécie de publicação oficiosa da campanha de Madeira Rodrigues, dando espaço de opinião regular aos maiores detratores de Bruno de Carvalho, como Rui Barreiro. Recentemente também obtiveram a colaboração de João Benedito, mas o investimento acabou por não surtir grande efeito porque o ex-jogador do Sporting não se candidatou à presidência nem atacou Bruno de Carvalho como os responsáveis pelo jornal estariam a prever.

Particularmente empenhada em dar um empurrão forte a Madeira Rodrigues está também A Bola, um jornal que, ao longo da última década, tem tido como missão principal a exaltação do vieirismo. Os diretores do jornal A Bola acordam e deitam-se a pensar qual será a melhor forma de promover os interesses de Vieira, do Benfica, de Mendes, de Mendes, do Benfica e de Vieira. Tudo o resto é acessório.

Não há sportinguista atento que não repudie a falta de isenção destes dois jornais. Cada um defende o seu clube, ambos atacam o Sporting sempre que têm oportunidade para isso. E os responsáveis de ambos os jornais têm sido ferozes opositores de Bruno de Carvalho, revelando, gradualmente, uma fúria superior à medida que o clube ia recuperando a competitividade das suas equipas.

Não espanta, portanto, que ambos os jornais tenham tido uma visão completamente madeirista de como o debate de ontem decorreu:


Mas verdadeiramente surreal é a opinião de José Manuel Delgado, diretor-adjunto de A Bola, no seu editorial de hoje.


É impressionante como é que um jornalista, supostamente experiente, e que deveria querer que o levassem a sério, é capaz de dizer, no mesmo artigo, que Madeira Rodrigues "foi claríssimo em relação ao futuro de Jorge Jesus" e que tem "um projeto sem tentações populistas e dogmáticas".

Ora, um candidato que diz que despedirá Jorge Jesus sem lhe pagar um tostão, um candidato que diz que vai fazer obras no estádio - desejadas por todos os sportinguistas - com um orçamento totalmente irrealista, que diz que vai ter um centro de estágios no norte e um Yacht Club à custa de autarquias, que diz que vai pôr o clube a ganhar em tudo - quer ao nível do futebol, quer ao nível das modalidades - sem apresentar uma ideia nova que seja, que promete que não se recandidatará caso não seja campeão, que se vende permanentemente como anti-benfiquista mas que usa e a abusa dos chavões mais lampiões que existem, não está a seguir um caminho demagógico e populista?

Por outro lado, Delgado diz que Bruno de Carvalho é que foi o populista há quatro anos por basear "o discurso em promessas de um mundo melhor". Não devia aplicar o mesmo critério a Madeira Rodrigues?

Enfim, já todos perceberam que muita comunicação social está a dar o tudo por tudo para tirar Bruno de Carvalho da presidência do Sporting. Não é propriamente o papel que deviam desempenhar, mas não espanta face à ausência de credibilidade que já tinham. Madeira Rodrigues parece estar a apreciar todo este apoio, mas devia lembrar-se que ao deixar-se ir nestas alianças - por pontuais que sejam - pode acabar por ser visto como o candidato dos inimigos do Sporting. Aliás, na linha do apoio massivo dos benfiquistas e portistas que também recolhe. São opções que poderão ter consequências indesejadas junto dos sportinguistas mais atentos - não só na campanha, mas também se, eventualmente, conseguir ser eleito presidente.

Balanço do debate de ontem


O debate presidencial de ontem foi um momento importante do processo eleitoral porque deu a oportunidade aos candidatos de fazerem o sempre necessário e desejável contraditório mútuo - ao trabalho realizado do presidente em exercício e às propostas apresentadas pelo candidato que pretende assumir esse cargo. Mas a verdade é que, no cenário atual, com duas candidaturas de natureza tão oposta, duvido que existisse um grande número de indecisos que pudesse definir o seu sentido de voto em função da prestação dos dois protagonistas no debate, salvo na eventualidade de surgir alguma revelação bombástica. Como tal coisa não sucedeu, e independentemente da qualidade (ou falta dela) da prestação de cada um dos candidatos, não me parece que o debate de ontem venha a ter um impacto minimamente significativo no desfecho das eleições.

De qualquer forma, parece-me útil fazer um balanço do que como correu o confronto entre os dois candidatos. Não vale a pena estar a dizer quem, na minha opinião, saiu "vencedor" do debate, porque já se sabe que, nestas coisas, cada cabeça, sua sentença: os apoiantes de Madeira Rodrigues, os adeptos de clubes rivais e comentadores como Bruno Prata e Carlos Janela acharão que este "ganhou de goleada"; os apoiantes de Bruno de Carvalho dirão que o atual presidente venceu por falta de ideias do seu opositor. Prefiro, por isso, focar-me apenas nos momentos do debate que, enquanto sócio atento que irá votar no dia 4, me pareceram mais relevantes.

Os dois candidatos optaram por seguir estratégias diferentes: Bruno de Carvalho procurou mostrar as virtudes do trabalho que desenvolveu ao longo dos últimos quatro anos, enquanto Pedro Madeira Rodrigues jogou mais ao ataque. Em alguns casos, Madeira Rodrigues excedeu-se nesses ataques, entrando em considerações da vida pessoal e profissional de Bruno de Carvalho que nada têm a ver com a sua presidência. Não sei se a ideia seria tentar conseguir reações mais a quente de Bruno de Carvalho, mas o presidente manteve-se bastante calmo - aliás, mais calmo do que seria de esperar. Mas, na generalidade do debate, o tom do discurso de ambos os candidatos manteve-se dentro dos limites desejáveis.

Como é normal nestas circunstâncias, Madeira Rodrigues tentou tocar nos pontos mais sensíveis da presidência de Bruno de Carvalho, como a questão das assistências mais recentes, a estratégia de comunicação, a participação de Costa Aguiar em alguns negócios ou a contratação de Bruno Paulista, mas nem sempre concretizou as acusações, acabando por se ficar apenas pelas insinuações.

Bruno de Carvalho procurou dirigir a conversa para temas que lhe eram mais favoráveis, como os resultados financeiros, a evolução das receitas e a redução do volume de comissões pagas a agentes e intermediários. Obviamente que também contra-atacou sempre que teve oportunidade, nomeadamente procurando rebater algumas das promessas eleitorais do adversário. E foi aqui que, na minha opinião, Madeira Rodrigues esteve pior:
  • Obras no estádio: Madeira Rodrigues insistiu em como as obras (cobertura do fosso, substituição das cadeiras, painéis eletrónicos e safe-standing) iriam custar apenas 1,5 milhões. De novo, apenas a revelação que a parte da cobertura do fosso está orçamentada em 600.000 euros. Bruno de Carvalho contrapôs, apresentando um estudo em como obras estruturalmente bem feitas (com rebaixamento do relvado e construção das novas bancadas em betão) custariam 10 milhões. Perante isto, Madeira Rodrigues respondeu com: "Temos uma maneira de as pessoas que estão no fosso conseguirem ver". Imagina-se a qualidade da obra que tem planeada. Para além de que sobram 900.000 euros para trocar 50.000 cadeiras, ou seja, o orçamento por cadeira (remoção, material, transporte, instalação e margem do empreiteiro) não pode ultrapassar os 18 euros por lugar...
  • O centro náutico afinal, segundo Madeira Rodrigues, era "uma piada", e que não iria custar nada ao Sporting - os custos ficariam todos a cargo da Câmara de Lisboa.
  • O centro de estágios do norte também não iria custar nada, e seria conseguido através de um protocolo com um município que não especificou.
  • Voltou a insistir que a saída de Jorge Jesus seria "limpinha, limpinha", sem custos para o Sporting.

Portanto, segundo Madeira Rodrigues, será tudo de borla ou quase dado, o que é uma demonstração quase juvenil de wishful thinking. Aliás, pareceu muito mal informado em relação às contas do clube, responsabilizando as pessoas erradas pelo descalabro a que se assistiu, e mal preparado quando o assunto era sobre VMOC's, dívida à Doyen ou o equilíbrio entre custos e receitas.

Para além disto,  criticou a negociação que Bruno de Carvalho fez com a NOS, pois, na sua visão, o Sporting deveria conseguir contratos superiores aos de Benfica e Porto porque "os sportinguistas têm condições financeiras ligeiramente acima dos rivais". Isto é ridículo, e é reveladora de uma visão elitista completamente desajustada à realidade atual do clube.

Defendeu ainda o recurso aos fundos para adquirir melhores jogadores. Madeira Rodrigues parece não ter percebido que este foi um dos motivos que aproximou o Sporting da falência - para além do facto de a partilha de passes ser agora proibida pela FIFA.

Em relação ao seu treinador, não dá para perceber qual é o ponto em que está esse dossier. No debate disse que ainda não o apresentou para não desestabilizar a equipa, mas, no final, em conversa com jornalistas, disse que a próxima semana servirá, entre outras coisas, para fechar a questão do treinador. Mas afinal tem ou não tem treinador?

Resumindo, um debate em que Madeira Rodrigues acabou por ser o protagonista, não só por ter jogado mais ao ataque, mas também por revelar bastante impreparação na defesa do seu próprio programa e nos assuntos financeiros.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O debate

O debate entre os dois candidatos à presidência do Sporting terá início às 21h e será transmitido na Sporting TV. Como é evidente, a partir do momento em que o clube tem o seu canal, não faria qualquer sentido que o único debate da campanha fosse transmitido por outro canal qualquer. Rui Miguel Mendonça é um jornalista de profissionalismo reconhecido e saberá, naturalmente, moderar o debate de forma isenta e dar oportunidades iguais aos candidatos de exporem as suas ideias e contraporem as dos rivais.

O formato será o seguinte (retirado do Record de ontem):


Os nomes de Madeira Rodrigues para o futebol

Pedro Madeira Rodrigues apresentou ontem parte da sua equipa para o futebol. Ainda não revelou quem será o seu treinador caso vença as eleições, mas revelou três nomes: Lazlo Boloni será o coordenador de todo o futebol e assumirá o papel de treinador interino até ao final da época. Delfim será o Team Manager, responsável pelo acompanhamento logístico da equipa. Ricardo Pina Cabral será o responsável pelas contratações. Madeira Rodrigues referiu também que apresentará o treinador para a próxima época apenas após o jogo com o Estoril.

Fica aqui a conferência de imprensa de Pedro Madeira Rodrigues para quem não teve oportunidade de ver.


Admito que o anúncio de Boloni como coordenador do futebol me apanhou de surpresa. Na minha opinião, pode ser um nome eleitoralmente forte, capaz de cativar alguns sócios: falamos do último treinador que foi campeão pelo Sporting, um cavalheiro que sempre teve um discurso positivo nas ocasiões em que falou do clube, pelo que não haverá nenhum sportinguista que não simpatize com ele.

No entanto, não estou convencido de que seja a pessoa certa para o lugar. Não é por acaso que fui apanhado de surpresa: nunca imaginei que Boloni seria convidado porque a sua carreira não voltou a ter nenhum momento digno de registo após ter sido campeão em Portugal - e falamos de algo que já aconteceu há quase 15 anos. Nas últimas três épocas, Boloni tem estado a treinar um clube do Qatar, após passagens discretas por França, Bélgica, Grécia e Emiratos Árabes Unidos. E convém acrescentar que Boloni não tem experiência na função para que foi convidado por Madeira Rodrigues.

Para além disso, é pouco provável que Boloni tenha sido a primeira escolha do candidato. Em entrevista à CMTV, pouco depois de ter sido apresentado por Madeira Rodrigues, Boloni disse ter sido convidado às 13h30 de ontem. Seria de esperar que a primeira escolha (e segunda, ou mesmo terceira) de Madeira Rodrigues tivesse sido contactada há bastante mais tempo.

Quanto a Delfim, não tenho opinião positiva nem negativa. É um antigo jogador do clube, campeão em 1999/00, convidado para funções semelhantes às que Manolo Vidal tinha, segundo Madeira Rodrigues. Manolo Vidal era uma pessoa muito perspicaz que se mexia bem nos bastidores. Terá Delfim as mesmas valências, considerando que está afastado do futebol profissional desde que se retirou dos relvados há sete anos? Não posso ter certezas sem o ver em ação, mas as dúvidas são legítimas. Eleitoralmente, pouco ou nada acrescentará à candidatura de Madeira Rodrigues.

Quanto a Ricardo Pina Cabral, é o advogado que acompanhou recentemente Madeira Rodrigues ao Kuwait. É alguém próximo do empresário Carlos Gonçalves (Proeleven) e de Marco Silva. Por aqui não há surpresas.


A semana e meia das eleições, Madeira Rodrigues ainda tem de puxar do seu ás de trunfo. Boloni poderá cativar os mais desencantados com Jesus - um é a antítese do outro -, mas não é suficiente para inclinar as eleições a seu favor. Falta o treinador, que precisará de ser um nome indiscutivelmente forte para fazer a diferença. Não compreendo a estratégia de Madeira Rodrigues em adiar o anúncio - assumindo que fala verdade quando diz que já tem o acordo fechado. Se fosse eu o candidato e o meu treinador fosse efetivamente uma bomba, não perderia tempo a apresentá-lo e a colocá-lo a falar tantas vezes quanto possível sobre as ideias que tinha para a equipa. Vamos ver o que os próximos dias nos reservam.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Entrevista a Carlos Vieira

Interessante entrevista de Carlos Vieira, administrador da SAD e vice-presidente do clube com o pelouro das finanças, onde se fala de investidores, do contrato com a Macron, da cobertura do fosso e substituição das cadeiras, e da recompra de VMOCs. 


Cenário hipotético

Recuemos até ao princípio da época de 2013/14. Leonardo Jardim era o treinador do Sporting. Entre os atletas que faziam parte do clube, estava um jovem médio de 20 anos que, na época anterior, tinha dado nas vistas na equipa B. No entanto, Jardim não viu lugar para ele no plantel, acabando por optar por jogadores como William, Adrien, André Martins, Gerson Magrão ou Vítor Silva. 

Esse jovem médio foi reintegrado na equipa B, onde acabou por alguns problemas disciplinares, provavelmente causados por falta de motivação. Sabia que tinha qualidade para outro tipo de desafios.

Entretanto, Gerson Magrão e Vítor Silva não se conseguiram impor na equipa principal, mas nem assim o jovem médio foi promovido à equipa principal. Em janeiro, acabou por ser emprestado a outro clube da I Liga.

A maior parte das pessoas que está a ler estas linhas já deve ter percebido quem é o jovem médio de que estou a falar: João Mário Eduardo. E também conhecem o resto da história. Depois do empréstimo ao V. Setúbal, João Mário regressou ao Sporting, integrando o plantel principal durante duas épocas. Explodiu em 2015/16, tendo Jorge Jesus como treinador. Após duas épocas na equipa principal do Sporting, tornou-se a mais cara transferência de sempre de um jogador português a partir de Portugal. Hoje, ninguém no Inter dá por mal empregados os 40 milhões (que poderão ascender a 45) que pagaram por ele.

Imaginemos agora, recuando novamente a 2013/14, que Bruno de Carvalho, em vez de o emprestar ao V. Setúbal, o tinha vendido ou emprestado com opção de compra. João Mário não regressaria ao Sporting, não contribuiria para a equipa com o seu futebol, e não teria batido o tal recorde de transferências. Ao invés, iria concretizar o seu talento ao serviço de outro emblema.

De quem seria a culpa da oportunidade perdida? De quem decidiu que não tinha lugar no plantel (Leonardo Jardim), ou de quem de quem decidiu vendê-lo prematura e desnecessariamente (Bruno de Carvalho)?

Sabemos bem quem seria considerado o primeiro responsável: Bruno de Carvalho. E, neste caso, com razão. Por mais ou menos discutível que fosse a opção técnica, cabia ao presidente ter uma perspectiva menos imediata de toda a situação. Se confiava no valor do atleta, sabia que iriam haver novas oportunidades para se impor.

Vem isto a propósito de Bernardo Silva. Ontem alinhou num dos melhores jogos da época e, apesar de não ter sido dos jogadores mais influentes em campo, teve uma jogada absolutamente magistral que, caso tivesse terminado em golo, mereceria ser considerado como uma das melhores da época.


(via @olhaoquetedigo)

Inevitavelmente, como acontece sempre que se fala de Bernardo Silva, ressurgiram as críticas a Jorge Jesus. Estamos em 2017, e continuam a acusar o antigo treinador, apesar dos vários exemplos posteriores de jovens da formação do Benfica que foram vendidos sem sequer completarem uma época a jogar com regularidade. Os benfiquistas continuam a criticar Jorge Jesus, como se não existisse na altura uma enorme qualidade no plantel para a sua posição, como se tivesse sido Jesus a dar as rédeas negociais do clube a Jorge Mendes, como se tivesse sido Jesus a despachar o jogador em definitivo à primeira oportunidade, por um valor bastante inferior à cláusula de rescisão. 

Compreende-se: é muito mais cómodo responsabilizar Satã do que a alternativa que sobra.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Para que serve mesmo a CMVM?

A questão não é nova. O controlo que a CMVM faz das contas apresentadas pelas SAD's de futebol é algo de patético. São vários os indícios de que os relatórios que os clubes divulgam não refletem com rigor o seu estado financeiro real, mas, aparentemente, a CMVM não quer saber da nada. De vez em quando dá sinais de vida - como quando suspendeu a negociação das ações do Sporting em bolsa quando rebentou a notícia de que Jorge Jesus se preparava para assinar -, mas, na maior parte dos casos, prefere fingir-se de morta.

Recentemente, tivemos dois bons exemplos.

Em agosto passado, o Porto assegurou o empréstimo de Óliver Torres, referindo a existência de uma opção de compra que poderia ser exercida até finais de 2017. O valor dessa opção não foi especificado.


No princípio deste mês, o diretor de comunicação do Porto referiu, no Porto Canal, que essa opção era, afinal, obrigatória. Deslize inadvertido ou não, o que é facto é que não tardou para que a SAD portista emitisse novo comunicado, referindo que tinha exercido a opção de compra por 20 milhões de euros.


20 milhões. Não falamos de trocos. Para uma SAD com problemas financeiros bem conhecidos - que culminaram num prejuízo de 60 milhões no final da temporada passada -, a omissão de um investimento desta ordem de grandeza deveria, no mínimo, levantar o interesse da CMVM. 

Aliás, toda sequência de acontecimentos e o conteúdo do documento enviado à CMVM apontam para que o objetivo do Porto nesta comunicação tenha sido, somente, evitar ser apanhado na mentira. Dizem que exerceram a opção, sem nunca dizerem que era obrigatória, mas, ao mesmo tempo, dizem que o contrato apenas será efetivado após o final do empréstimo. Ou seja, o comunicado não altera nada na prática, mas é uma forma de reescrever a história. O que fez o regulador? Comeu e calou. Perante esta atitude, não há motivo algum para que as SAD's não voltem a cometer omissões numa situação futura semelhante.

O outro exemplo recente tem a ver com a informação dada pelos clubes sobre os reais direitos que têm sobre os seus atletas. Em particular, o caso de Ederson. Na semana passada, Pedro Sousa fez o seguinte comentário a uma possível venda do guarda-redes brasileiro após o final da presente temporada:


De assinalar que Pedro Sousa não é o primeiro a mencionar que o Benfica não terá o benefício total de uma futura venda de Ederson, o que aumenta a possibilidade de existir um fundo de verdade nesta notícia.

A única referência que o Benfica fez em relação à propriedade do passe de Ederson está no excerto que podem ver de seguida:

R&C SLB SAD, 2015-16, página 133

Sendo verdadeira a informação dada por Pedro Sousa, isso não quer dizer necessariamente que o Benfica esteja a mentir. Por exemplo, o Sporting era proprietário de 100% dos direitos económicos de Slimani, mas o empresário do jogador tinha direito a 20% das mais-valias de uma futura transferência. A diferença é que o Sporting sempre publicou (e bem) essas cláusulas.

R&C SCP SAD, 2015-16, páginas 146 e 184

Não coloquei aqui todos os valores contingentes a pagar e a receber que constam do R&C do Sporting, porque ocupam várias páginas, tal o detalhe colocado. O Benfica, simplesmente, não revela nada.

Ou seja, acredito que o R&C do Benfica não mente (é normal que a SAD detenha 100% dos direitos económicos, porque o Benfica contratou Ederson já depois de a FIFA ter proibido a partilha de passes com terceiros - o que significa que não poderiam fazê-lo com Jorge Mendes), mas poderemos estar perante mais um caso de omissão.

Não seria a primeira vez que o Benfica seria apanhado numa omissão grave. Relembro o episódio da operação de factoring para o recebimento dos valores da venda de Bernardo Silva ao Monaco. O Benfica omitiu nos seus relatórios e contas a transação feita com a XXIII Capital, como ficou provado por A+B neste post: LINK.

Perante isto, é legítimo que se pergunte quantas mais situações destas o Benfica não revela. Quantos jogadores têm daquelas cláusulas que Vieira gosta tanto de referir en passant? No caso de Ederson apenas, 50% de uma potencial venda pode ser coisa para valer 15 ou 20 milhões. E se houver outros? Quantas dezenas de milhões de euros contingentes poderá ter o Benfica um dia que pagar?

São vários os exemplos em que o Benfica varre assuntos delicados para debaixo do tapete. As acções não coincidem, frequentemente, com o discurso e as contas. Domingos Soares Oliveira disse em outubro que o Benfica não precisava de vender, mas Vieira deve ter batido um recorde de milhas acumuladas em companhias aéreas com as viagens a Londres, Paris e China, a reboque de Jorge Mendes, para tentar transferir jogadores seus. Até que ponto as contas traduzirão o estado financeiro real da SAD?

Resta saber por que razão a CMVM, perante casos destes, não pede esclarecimentos mais específicos. Ou será que também aqui o emblema dita a tolerância com que uns e outros são tratados?

O momento televisivo do ano

Quando se pensava que já se tinha visto de tudo nos programas de debate das segundas-feiras, eis que ontem, no Prolongamento, um indignado Pedro Guerra diz a um Padre: "Sr. Padre, vamos lá falar muito a sério, se lhe disserem 'eu sei onde a sua mulher trabalha, eu sei onde os seus filhos andam na escola...'". Que maravilha!



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

E este golo do Fortino?

Marcado ontem, a fechar o resultado em 7-2 frente ao São João. Delícia de jogada e finalização.



Liga Allianz, 17ª jornada: A-dos-Francos 1 - Sporting 6

Vitória importante num jogo que até nem começou bem. O A-dos-Francos chegou a estar na frente do marcador, mas depois apareceu... Showlange, que marcou quatro golos - o primeiro dos quais é uma obra de arte. Os restantes golos foram assinados por Ana Capeta e Amélia Vale Pereira. Podem ver os golos neste vídeo:




Segue-se o jogo do título, no próximo sábado, em Alvalade.

O substituto de Adrien na Amoreira

Quando questionado na conferência de imprensa de rescaldo do Sporting - Rio Ave sobre como iria resolver a ausência por castigo de Adrien na próxima jornada, Jorge Jesus não foi muito concreto na resposta, mas adiantou alguns dos possíveis cenários que andam pela sua cabeça. Falou nas rotinas de posição já adquiridas por Bryan Ruiz e Bruno César, e descartou Francisco Geraldes como opção. Jesus disse que vê o médio recuperado ao Moreirense mais como um ala ou um segundo avançado.

A questão de Geraldes é um tema relativamente sensível porque se trata de um jogador que estava a jogar (e muito bem) no clube para onde o emprestámos para evoluir, e que, regressando à base, custa vê-lo a não ter oportunidades para jogar. Mas a verdade é que, no sistema de Jesus, o papel desempenhado Adrien é absolutamente fulcral para o equilíbrio da equipa. Num meio-campo a dois, este lugar tem de ser ocupado por um médio de elevada rotação, capaz de transportar jogo e ser o primeiro a servir de travão às investidas adversárias. Não tenho dúvidas de que Francisco Geraldes conseguiria substituir Adrien em organização ofensiva - e havendo oportunidades suficientes para se entrosar com os companheiros, não tardaria a fazer melhor do que Adrien -, mas será que tem o que é necessário para o momento defensivo?

Percebo que Jesus o veja como ala ou 2º avançado. Eu, não percebendo nada de futebol, consigo ver Geraldes a fazer o papel que era de João Mário na época passada, mas também a fazer o lugar de Alan Ruiz - agora que joga uns metros mais recuado em relação ao início da época. Como 8 talvez, mas num meio-campo mais povoado.

É claro que, para ser honesto, também nunca vi em Bryan Ruiz as qualidades para fazer a posição - muito menos na péssima forma em que se encontra -, e Bruno César também não atravessa um bom momento. Definitivamente, nenhum dos dois se enquadra na parte da "elevada rotação" que referi atrás. Podem saber como interpretar as ideias do treinador em campo, mas falta a questão da execução.

Se tivesse que apostar, diria que o meio-campo do Sporting na Amoreira será igual ao que acabou o jogo de sábado, ou seja, com Palhinha e William. Apesar de ambos serem médios defensivos, nenhum dos dois se atrapalhará a jogar um pouco mais adiantado no terreno. Não oferecerão o mesmo dinamismo de Adrien com bola, mas serão capazes de garantir maior estabilidade defensiva à equipa. Esperemos para ver o que decidirá Jorge Jesus.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pleno nos campeonatos nacionais de pista coberta

Grande dia para o atletismo do Sporting: a equipa feminina do Sporting revalidou o título e sagrou-se heptacampeã nacional, enquanto a equipa masculina conquistou o título que lhe fugia desde 2011.

Classificação final, masculino:


Classificação final, feminino:


Parabéns, campeões!

Rui a mostrar porque já são 400

Se eu fosse como muitos comentadeiros que existem nas nossas rádios e televisões dos jogos, estaria agora a dizer que o Sporting mereceu inteiramente a vitória porque soube ser eficaz e fez o jogo que mais lhe interessava a partir do momento em que se viu em vantagem no resultado. No entanto, como não gosto de fazer balanços de jogos em função do resultado final, sou obrigado a admitir que o Sporting foi feliz em ter conquistado a vitória, já que foi o Rio Ave a dispor das melhores oportunidades para marcar. Tenho estado a fazer um esforço de memória para me recordar do último jogo em que o Sporting, tendo produzido uma exibição tão frouxa ao longo dos 90 minutos, tenha conseguido vencer. A verdade é que... não me consigo lembrar. 

Do ponto de vista do espetáculo que qualquer adepto espera ver num jogo para que paga bilhete, foi coisa para justificar pedidos de devolução do dinheiro. Durante os 90 minutos, desinspiração quase total na frente - com algumas honrosas exceções. Para piorar, na primeira parte houve vários momentos de desacerto dos nossos jogadores que deram aos jogadores do Rio Ave a hipótese de causar estragos em contra-ataques rápidos. Valeu-nos, nessas situações, termos entre os postes um guarda-redes que relembrou-nos a todos que não é por acaso que já vai com 400 jogos de leão ao peito.

Até o golo surgiu com uma boa dose de felicidade: começa com uma má receção de bola de William - que o obrigou a um esforço redobrado para impedir a interceção de um adversário - antes de avançar com ela no terreno, e depois com o ressalto que foi parar aos pés de Alan Ruiz.

Na segunda parte, mesmo continuando a jogar mal, a equipa conseguiu estabilizar-se quando não tinha a bola. O Rio Ave também pareceu acusar o desgaste causado pela pressão realizada na primeira parte, e jogou de forma bastante menos esclarecida. Como tal, é justo que se diga que o Sporting, não tendo conseguido dominar o jogo, pelo menos o soube controlar - algo fundamental que tem faltado a esta equipa em momentos em que não se consegue impor e tem o resultado por fechar.





O melhor Rui - no dia em que celebrava os 400 jogos na equipa principal do Sporting, não se poderia desejar de Rui Patrício melhor demonstração dos motivos pelo qual é dono da baliza do clube há mais de 10 anos. Se o Sporting conseguiu os três pontos, deve-o ao que o seu guarda-redes fez durante a primeira parte: quatro defesas em quatro ocasiões flagrantes do Rio Ave, duas das quais fenomenais. Mereceria sempre a homenagem que lhe foi reservada no final, mas a exibição que fez acabou por tornar esse momento simplesmente perfeito.

Novamente Alan Ruiz - Na primeira parte, o argentino foi o único que conseguiu pensar o jogo de ataque da equipa. Quando a bola lhe chegou aos pés, soube sempre temporizar e entregar da melhor forma a dar sequência ao ataque. Marcou o golo da vitória, fazendo o gosto ao pé pelo terceiro jogo consecutivo. Na segunda parte caiu de produção, mas o público presente em Alvalade pôde testemunhar alguns sprints seus para ajudar a defesa - nomeadamente quando via que Gelson não podia ajudar Schelotto. Está cada vez mais integrado e a confirmar-se, finalmente, como reforço.

Pendular Paulo Oliveira - recuperou a titularidade, substituindo Rúben Semedo, mas foi colocado do lado direito, deslocando-se Coates para a sua esquerda. Paulo Oliveira respondeu muito bem, quer nas dobras a Schelotto - e foram várias as que teve que fazer - quer na proteção da área, tendo sido, do setor defensivo, o jogador mais fiável: foi o único que não comprometeu com passes de risco mal direcionados ou perdas de bolas que pareciam controladas face à pressão dos adversários. Ou muito me engano, ou ganhou o lugar.

Consistência defensiva na segunda parte - tem sido um dos grandes problemas do Sporting, pelo que é justo reconhecer que a equipa, percebendo que não havia inspiração para ir atrás do segundo golo, soube manter-se concentrada e coesa durante a segunda parte. Continuaram a haver erros individuais (Jefferson e Schelotto estiveram particularmente mal), mas, sempre que alguém falhava, o resto da equipa conseguiu compensar e evitar sustos como os que ocorreram na primeira parte. 


A qualidade da exibição - obviamente que prefiro que a equipa ganhe jogando mal do que a equipa empate ou perca jogando bem, mas, enquanto apreciador de bom futebol, espero que exibições destas não se repitam muitas vezes.

Desconcentração em situações de risco - o Rio Ave teve mérito na forma como soube pressionar o Sporting em dois terços do terreno, e foi precisamente por aí que conseguiram causar as maiores ocasiões de perigo - com o devido demérito dos nossos jogadores. Das quatro grandes oportunidades de golo do Rio Ave, as duas primeiras surgiram de passes errados de Coates e William, e a última de uma perda de bola escusada de Schelotto (a outra surge de uma falta claríssima sobre Bruno César que o árbitro fingiu não ver). Felizmente, em todas elas, esteve lá Rui Patrício para as resolver.



Vitória diferente, não só por não ser merecida, mas também pelo facto de o Sporting ter conseguido, finalmente, chegar ao fim de um jogo sem sofrer golos - algo que já não acontecia desde a vitória no Restelo, há quase dois meses. Também é necessário saber ganhar assim.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A sondagem mais absurda de sempre

(via @SrBalakov)

É difícil olhar para um trabalho deste nível e decidir por onde começar. 

Talvez pela pergunta. 

"Quem vai ser o próximo presidente do Sporting?". Analisando de uma forma literal, pergunta-se aos inquiridos quem é que, na sua opinião, vai ganhar as eleições. Uns terão interpretado a pergunta desta forma, mas é bem provável que a maioria terá interpretado como "Quem quer que seja o próximo presidente do Sporting?" ou, no caso de inquiridos que efetivamente poderão participar na eleição, "Em quem vai votar para ser o próximo presidente do Sporting?".

Perceção do resultado vs Desejo pessoal vs Sentido de voto. Três coisas completamente diferentes.

O CM apresenta-a como se fosse a última hipótese, ou seja, como uma sondagem sobre o sentido de volto - a única que não faz qualquer sentido. 

Em primeiro lugar, porque, da última vez que consultei os estatutos do clube, os adeptos de outros clubes não têm poder para escolher o presidente do Sporting - a não ser o sócio Luís Filipe Vieira, claro, desde que ainda tenha as quotas em dia.

Em segundo lugar, porque o universo da sondagem não é minimamente representativo de quem participará na votação. O Sporting é um clube de dimensão nacional, mas a distribuição dos sócios que podem votar nada tem a ver com a da população portuguesa inscrita nos cadernos eleitorais - nem na distribuição geográfica, nem na distribuição por sexo, nem na proporcionalidade do tipo de localidades em que habitam.

Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo ou telemóvel vs Sócios sportinguistas que tencionam votar no dia 4 de março. E quando a representatividade é má, os resultados são pouco significativos. A sondagem foi feito a 601 pessoas. Isto significa que, aplicando a lei das probabilidades, é uma sorte que tenham apanhado sequer 5 ou 6 pessoas que possam efetivamente votar nas eleições em questão. 5 ou 6 pessoas.

Bem sei que trabalhos destes ajudam a pagar as contas, mas não duvido que os responsáveis pela execução da sondagem estarão arrepiados com a distorção interpretativa que o jornal fez dos números obtidos.

De qualquer forma, leve-se estes números mais ou menos a sério, é mais um motivo para que os sportinguistas participem em massa nestas eleições.

Estou muito curioso para ver quais serão os resultados no dia 4.


P.S.: Uma última observação. Confirmou-se a ideia que tinha da diferença de popularidade de que Bruno de Carvalho goza entre os quatro grupos identificados. Bruno de Carvalho foi escolhido / desejado por:
  • 40,2% dos sportinguistas;
  • 29% dos portistas;
  • 24,4% dos benfiquistas;
  • 16,2% de cidadãos de outros clubes ou sem clube.

Ou seja, parece ser mais popular entre os sportinguistas. Normal. Depois entre os portistas. Depois entre os benfiquistas, o que também faz sentido, considerando o ódio que lhe dispensam. E, no fundo da preferência, estão adeptos de outros clubes - que é como quem diz: árbitros e jornalistas desportivos. Aqui sim, confere. :)

O Jogo, o seu diário desportivo de fake news

Não que fosse necessário, mas o dia de ontem demonstrou, mais uma vez, que certa comunicação social procura explorar todas as oportunidades que surgem para desestabilizar o Sporting. Desta vez, o assunto foi a utilização de Francisco Geraldes no desafio da equipa B frente ao Varzim:


A vontade em criar casos no Sporting é de tal forma irresistível, que nem reparam nas contradições em que se metem. Segundo O Jogo, Geraldes foi forçado a descer aos bês, defrontando o Varzim contra a sua vontade. Por outro lado, Matheus foi "convidado" (assim mesmo, com aspas), mas recusou. Ou seja, Matheus podia recusar mas Geraldes não? Que sentido é que isto faz?

A "notícia" (assim mesmo, com aspas) que O Jogo deu sobre Matheus acabaria por ser desmentida no próprio dia (LINK), pois, afinal, Matheus Pereira está a cumprir um castigo de seis jogos de suspensão pela sua expulsão contra o Porto B, determinado pelo CD da FPF a 31 de janeiro. Este castigo tem de ser cumprido integralmente em jogos da equipa B, sendo que o atleta pode jogar pela equipa principal caso o treinador assim o entenda.


Fica bem patente, portanto, a qualidade da informação e o nível de honestidade do jornal O Jogo. Os "jornalistas" (assim mesmo, com aspas) de serviço pegaram em duas peças completamente soltas (a utilização de Francisco Geraldes e a não utilização de Matheus Pereira), e conseguiram retirar daqui a extraordinária conclusão de que o brasileiro se recusou a jogar. Pós-verdade ou fake news no seu melhor.

Mas se isto não fosse suficiente para comprovar a falta de ética e profissionalismo de quem decidiu criar estes factos, o jornal O Jogo ainda nos presenteou, no mesmo dia, com esta pérola:


De um lado, o horror, o drama, a azia. Do outro, tudo normal. É esta a realidade alternativa que o jornal O Jogo tenta criar todos os dias.

O Jogo, uma espécie de Breitbart do futebol português.


Sobre a utilização de Geraldes

Em relação à questão de Francisco Geraldes, até acredito que o jogador não tenha ficado propriamente satisfeito por este regresso (ainda que pontual) à equipa B. Estava a jogar (e muito bem) numa equipa da I Liga, e ao ser chamado de volta a casa é normal que a sua expetativa seja jogar na equipa principal. Mas daí a dizer-se que jogou contrariado vai uma grande distância.

Aquilo que me leva a acreditar que não existiu qualquer caso com o jogador foi a qualidade da sua exibição. Apesar da derrota, Geraldes jogou muito bem. Sempre a dar indicações aos companheiros, com e sem bola, procurando constantemente dar linhas de passes aos colegas, a jogar e a fazer jogar. O golo de Leonardo Ruiz surgiu a partir de uma assistência de Gelson Dala, que se tinha desmarcado após um passe magistral de... Francisco Geraldes.


E ainda a chamar o companheiro para regressar rapidamente para o seu meio-campo para tentarem a reviravolta... sinal nítido de quem estava ali a fazer um frete.

O Sporting B está numa situação complicada. É normal que comecem a ser chamados jogadores da equipa principal para ajudar a equipa a sair daquela situação. O Porto fez o mesmo com Rui Pedro, o Benfica fez, no ano passado, o mesmo com Gonçalo Guedes. Como tal, não vejo que esta chamada de Francisco Geraldes constitua um problema, só por si. Mas tem de haver coerência por parte de quem toma estas decisões, já que existem outros jogadores que têm tido muito pouca utilização na equipa principal, como Douglas, Beto, Castaignos ou Jefferson. Será um valente tiro nos pés se houver discriminação nestas descidas à B, ao ponto de serem vistas pelos "sacrificados" como um castigo. E Francisco Geraldes, pela excelente época que tem feito, pelo seu passado no clube, e pelo seu sportinguismo, não mereceria ser alvo de um tratamento diferenciado pela negativa.

Acredito que haverá bom senso por parte dos responsáveis do Sporting na gestão deste assunto, a bem da motivação de jovens que têm imenso para dar ao clube.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Perguntas aos cabeças de lista ao Conselho Leonino


Publicado na edição de hoje do Jornal Sporting.

Lista A


Lista B


Lista C



Nobreza de Leão

Novo texto do 3295C.



A análise da passagem de João de Deus pelo Sporting e as razões que levaram à sua saída daria outro texto, que pode ficar para outra altura. A vida de um treinador é assim mesmo. Provavelmente alguém já disse que é a chamada ditadura dos resultados. Excepto para o mito Wenger, que Mourinho tratou de matar.

O que é preciso sublinhar na saída de João de Deus foi a nobreza das suas palavras, numa altura em que deixa o comando técnico da equipa que ele próprio denominou de “os meus miúdos”. Declarações na íntegra: "Foram quase dois anos e meio passados nesta casa com bons momentos vividos e nesta altura gostaria de deixar uma palavra de apreço a toda a estrutura. Desde o primeiro dia que senti um grande apoio e amparo e são esse tipo de situações que nos ajudam a perceber a grandeza do Clube. Por fim, deixar uma palavra para a minha equipa, os meus miúdos porque, apesar do momento não ser bom, não quer dizer que não tenham competências e sejam capazes de dar a volta por cima. Acredito que o final será feliz e com uma pontinha de sorte, sobretudo com acreditar e com a nova injecção de moral que estes momentos acabam por trazer, que vão dar a volta e o final será risonho para todos eles”, pode ver-se na Sporting TV.


É certo que as saídas não têm de ser todas litigiosas. Algumas vezes são, simplesmente, cada uma das partes seguir a sua vida que o mais normal entre uma empresa e os seus funcionários, colaboradores, qualquer que seja a terminologia a usar, é terminarem vínculos. Então treinadores de futebol… O que tem tão de especial a despedida de João de Deus do Sporting, afinal? Tem, precisamente, as palavras que o treinador, de saída, deixou. Não tinha de as fazer e quis fazê-las. O Sporting divulgou-as. A nobreza está, também, ou sobretudo será melhor, nestes comportamentos, mesmo nas despedidas, quase sempre traumáticas. Ou deveriam ser.

Para o seu lugar vem Luís Martins, actual Director Técnico do Futebol de Formação. Seria até mau usar com Luís Martins o chavão de ‘homem da casa’. É mais do que isso. Luís Martins treinou Cristiano Ronaldo quando o nosso ‘Menino de Ouro’ começou a percorrer o caminho que o levou até onde está agora. A excelência que se reconhece à Academia tem a sua assinatura ao lado da de outros nomes que compõem a estrutura do futebol de formação. Trabalho de equipa, que é precisamente o ponto que se batalha na Academia Sporting, a todos as equipas de todos os escalões. A velha história da importância do colectivo em detrimento da soma das individualidades.

Há quem se envaideça pelo seu clube. Vaidade sempre soou a egocentrismo.No Sporting não se envaidece ninguém, dão-se motivos de orgulho. João de Deus perdeu o combate com a ditadura dos resultados, mas sai do Clube de cabeça erguida e de forma nobre e digna, como qualquer outro técnico gostaria de ter.

A melhor das sortes para João de Deus e, claro, para Luís Martins. No domingo, em Barcelos, estarão certamente os leões do Norte para apoiar a equipa B, frente ao Gil Vicente. Assim como em Pombal, para os mais que possíveis festejos de um título de campeão nacional de clubes em pista coberta. Uns esperam sempre por Maio, outros fazm-no durante o ano todo, neste caso já neste fim-de-semana. Querem poder dizer “eu vi o Sporting ser campeão nacional de atletismo ao vivo?” É ir, apoiar e, muito provavelmente, festejar no fim. E ainda se vêem campeões europeus, mundiais e olímpicos a competir. Quem se atreve a dizer que são maus programas para um Sportinguista, seja de onde for?

(Parte 1)

O refúgio na formação


Com o desmoronar dos objetivos nas várias competições em que o Sporting apostava, a agulha dos responsáveis do clube rapidamente se virou para o planeamento da próxima época e para a minimização dos danos para o que resta da temporada ainda em curso. A primeira (e óbvia) medida foi emagrecer um plantel demasiado extenso e caro para as necessidades do calendário. Saíram João Pereira, Petrovic, Elias, Markovic, Spalvis e André, e entraram João Palhinha, Francisco Geraldes e Daniel Podence. Regressaram também André Geraldes e Ryan Gauld, mas estes dois por motivos que nada tiveram a ver com questões desportivas.


Para além desta reestruturação do plantel, têm saído nos jornais notícias que dão conta de uma mudança (ou uma retoma, se preferirem) do paradigma, já com a próxima época no horizonte: apostar fortemente na formação, e atacar o mercado de forma cirúrgica.

Obviamente que, como qualquer sportinguista, não me desagrada ver reforçada a aposta na formação. Convém, em primeiro lugar, referir que não acho que a aposta na formação tenha sido totalmente esquecida nesta época. É verdade que nenhum jogador da equipa B foi promovido, mas houve, ao invés, uma consolidação na aposta em Gelson Martins e Rúben Semedo - o primeiro ainda não tinha o estatuto de titular, o segundo iniciou, pela primeira vez, uma época com esse estatuto. No entanto, vemos agora que deveria ter havido espaço no plantel para alguns dos jogadores que agora regressam. Esses não tiveram direito ao mesmo benefício da dúvida que foi dado a reforços que - agora sabemos - nada acrescentaram.

Corrigido o rumo que foi decidido em agosto, parece-me que esta reaproximação à formação está a ser feita mais por necessidade do que por convicção. Necessidade de redução de custos, conveniência por se saber que os sportinguistas sentem (e bem) mais empatia pelos miúdos da casa. Mas será que realmente se aprendeu com a experiência acumulada e com os erros cometidos?

Veremos como se reforçará a equipa para a próxima época. Não acredito, de maneira alguma, que só se façam as quatro contratações referidas na capa, por dois motivos. O primeiro, porque exigiria uma mudança radical de hábitos nos dois principais responsáveis do futebol do Sporting - Bruno de Carvalho e Jorge Jesus -, que sempre contrataram em quantidade. O segundo, porque quatro seria o número de contratações prementes para as atuais necessidades do plantel, mas convém não esquecer que também será necessário colmatar as saídas que acontecerão no defeso. E terá mesmo que ser assim, porque se há coisa que a época passada demonstrou, é que não é só com miúdos da formação que se atacam títulos. 

Não gosto, por isso, que se volte a colocar tantas expetativas nos miúdos da formação. Pode dar jeito neste momento para mobilizar os adeptos em torno da equipa, mas não será daí que surgirão as principais soluções para os nossos problemas. Os miúdos podem ajudar (e muito), mas não será suficiente. O ideal, como em quase tudo na vida, é haver um determinado equilíbrio entre a aposta em jovens com muito potencial e jogadores de créditos firmados. Não vale a pena tentar reinventar a roda. Mais do que os miúdos da formação que serão reintegrados - que sabemos terem qualidade -, a chave para o sucesso estará na qualidade das contratações que se irão fazer - e é aí que não poderemos, de forma alguma, falhar (novamente).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Só mesmo a CMTV para me fazer ter uma pontinha de simpatia por Pinto da Costa

Pinto da Costa foi ouvido esta manhã em tribunal na qualidade de réu no julgamento do caso da Operação Fénix, onde Antero Henrique está também envolvido.

O tipo de crimes que estão a ser julgados faz com que este processo me seja relativamente indiferente enquanto adepto de futebol em geral, e de um clube rival em particular. De qualquer forma, vejo isto da seguinte forma: se Pinto da Costa for condenado por recorrer a serviços de segurança ilegais, então estaremos perante uma situação com algumas semelhanças à que se passou com Al Capone: toda a gente sabia que era um patrão do crime organizado, mas acabou por ser preso por evasão fiscal, coisa insignificante em relação aos restantes crimes de que era suspeito.

Devem calcular, portanto, que não tenho pena nenhuma por ver Pinto da Costa neste tipo de situações. 

Mas, apesar de tudo isto, esta manhã consegui sentir uma pontinha de simpatia por Pinto da Costa. Efeitos que a trampa de jornalismo que se pratica nda CMTV consegue ter em mim...

(via Os Truques)

É uma pena que não existisse um lago nas imediações. Aquele microfone merecia ser arremessado à água.

A anti-candidatura de Madeira Rodrigues


Sou o primeiro a admitir que não é fácil a um candidato à presidência de um clube conseguir montar uma campanha eleitoral eficaz contra um presidente em exercício - a não ser que o clube esteja à beira da ruína ou tenha desempenhos sistemáticos abaixo do exigível. Não há muito por onde possa tentar marcar a diferença aos dirigentes atuais: ou baseia a sua candidatura na exploração dos objetivos que a direção em exercício não conseguiu atingir, ou, em alternativa, pode apresentar uma visão estratégica completamente distinta para o clube.

Pedro Madeira Rodrigues optou pela primeira abordagem. Espremendo o pouco sumo que existe nas suas intervenções, percebe-se que nada de verdadeiramente disruptivo se poderá esperar da sua liderança caso vença. Promete rigor orçamental - que tem sido uma das bandeiras da atual direção* -, promete contratações cirúrgicas - há alguém que diga que vai contratar em quantidade na esperança que alguns deles se aproveitem? -, promete uma aposta crescente na formação - o que faz parte da cultura do Sporting - e promete mudanças nos nomes que compõem a estrutura de futebol. 

* Os custos com o futebol têm subido substancialmente nas últimas duas épocas, é verdade, mas o fundamental para o rigor orçamental é que existam receitas que sustentem esse aumento - e essas receitas têm sido encontradas.

Nada neste discurso é novo, em teoria todos concordarão que são ideias que fazem sentido, mas não há nada que nos inspire um certo nível de confiança em como Madeira Rodrigues terá capacidade para as concretizar com sucesso - para já só há a palavra do próprio candidato, claro. Madeira Rodrigues, ao optar por esta estratégia, deveria ter-se rodeado imediatamente de nomes sonantes - coisa que, até ao momento, ainda não fez: não sabemos quem será o seu diretor desportivo, não sabemos quem será o seu treinador, não sabemos quem trará para fortalecer a estrutura do futebol e das modalidades. 

Nunca seria fácil, a um pretendente a presidente meio desconhecido, arranjar profissionais com currículo acima de qualquer suspeita que se comprometessem com a sua candidatura - mas havia um lado positivo nesta dificuldade: era uma excelente oportunidade para demonstrar capacidades importantes para quem ambiciona conduzir os destinos de um clube como o Sporting. Acredito que tenha tentado, mas, ao não ser bem sucedido, continua sem dar algo a que a generalidade dos sócios se possa agarrar no dia das eleições.

Nem sequer tem concretizado alguma das ideias mais distintivas do seu programa. Quer comprar a Academia, mas não diz qual será a poupança que isso representará para o Sporting, nem quem são ou qual o papel dos investidores de que fala. Fala na construção de um velódromo e de um Yacht Club, sem especificar qual será o tipo de proveito, desportivo ou financeiro, que se retirará dessas infra-estruturas. Sugere a existência de um centro de estágios no norte do país, mas não refere custos, forma de utilização e aproveitamento, ou do tipo de parceria que está a pensar.

Em vez de desenvolver as suas ideias, as ações de campanha mais recentes têm consistido principalmente em atacar o caráter do atual presidente - seja pelas palavras do próprio Madeira Rodrigues, de elementos da sua lista, de apoiantes notáveis, de opiniões de jornalistas, ou de testemunhos semi-anónimos recolhidos nas redes sociais - alguns dos quais nem sequer são sportinguistas. Em comum a todos eles só há uma coisa: o ódio a Bruno de Carvalho.

Depois de espremido o programa eleitoral e as primeiras entrevistas de charme de Madeira Rodrigues, sobra pouco mais do que uma candidatura anti. Esta estratégia não é nova, mas tem dois problemas: é destrutiva - o que nada de bom trará para o clube -, e está mais que provado de que um perfil oposto ao de Bruno de Carvalho não é garantia de absolutamente nada - basta lembrar o que fizeram os presidentes que o antecederam. Sem querer entrar nas qualidades/defeitos das figuras em causa, querem perfil mais diferente de Bruno de Carvalho do que o de Filipe Soares Franco, por exemplo?

Uma candidatura deve apontar o que será o caminho depois da eleição, no caso de ser bem sucedida, e não deve ter como fim a saída do atual presidente. A única coisa que realmente interessa é o que acontecerá depois de isso suceder. A candidatura de Madeira Rodrigues, até agora, parece resumir-se a ser uma espécie de anti-candidatura. Anti-candidato ou candidato anti, take your pick.

Madeira Rodrigues tem tempo para corrigir o rumo da campanha nos 20 dias que faltam até às eleições. Tem, inclusivamente, um debate (desconheço se existirão mais) onde poderá demonstrar que ambiciona algo mais que não seja apenas o afastamento de Bruno de Carvalho, para dar sinais de que tem condições para ser um bom presidente. Está na altura de mostrar que tem efetivamente ideias (mas ideias práticas, concretas, viáveis e lógicas, e não os chavões que todos usam quando falam do futuro) que possam ajudar o clube a crescer e a triunfar em todas as frentes. O Sporting agradece.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Feira das vaidades e do descaramento


Já calculava que o processo eleitoral do Sporting seria uma experiência penosa com o inevitável desfile (e posterior desmobilização) de candidatos a candidatos à presidência, cada qual com a sua lista de indignações e a exigir a sua dose de atenção, mas tenho de admitir que as minhas piores expetativas têm sido largamente superadas.

Ainda hoje tivemos mais um exemplo da capacidade que a realidade tem em arranjar novas formas de nos desiludir:

Fonte: Record

O Sporting é um clube com uma identidade única do mundo. Isto é válido tanto ao nível das suas melhores qualidades como dos seus piores defeitos. E se há defeito que cada vez mais me enoja, é definitivamente a existência de uma quantidade infindável de figuras e figurinhas que, em vez de procurarem servir o clube o melhor que podem dentro das suas capacidades, preferem utilizar-se dele como se de propriedade sua se tratasse. Pior do que a sua arrogância e egocentrismo, só mesmo a completa falta de noção que frequentemente exibem.

João Pedro Paiva dos Santos até poderia ter motivos válidos para solicitar uma auditoria ao mandato de Bruno de Carvalho - apesar de eu estar convencido de que é apenas um meio para poder aparecer e destilar os seus ódios pessoais - , mas perde totalmente a razão ao fazer-se acompanhar de Paulo Pereira Cristóvão, protagonista de um dos momentos mais vergonhosos da história do Sporting.

Quanto a Paulo Pereira Cristóvão, depois daquilo que fez, é preciso ter descaramento para voltar a pôr os pés em Alvalade.

Gente desta não faz qualquer falta ao clube. São apenas um embaraço para os sócios e adeptos que, em qualquer circunstância, querem efetivamente o melhor para o Sporting.