segunda-feira, 24 de abril de 2017

Não há presidente mais cobarde, incendiário e demagogo do que este


Sabes que o Benfica conseguiu um ótimo resultado quando vês Vieira a falar no final de um jogo importante. Quando o jogo corre mal, normalmente manda Rui Costa falar em seu lugar. Lembro-me, por exemplo, do que Vieira (não) fez quando o Benfica perdeu a final da Liga Europa. Lembro-me também do que aconteceu no verão de 2014: depois de um final de época desastroso, com jogadores a desaparecerem sem qualquer justificação e os rumores de que o BES tinha fechado a torneira, o presidente do Benfica fingiu-se de morto durante semanas a fio, sem dar uma palavra que fosse aos sócios que o elegeram. Se o Benfica tivesse perdido no último sábado, os únicos a quem o presidente se dignaria a dirigir seriam, muito provavelmente, a equipa de arbitragem e os dirigentes do CA que estivessem presentes no local.

Mas como o Benfica conseguiu um resultado favorável, Vieira, o corajoso, lá decidiu falar aos jornalistas presentes. Aqui está o que disse sobre algumas das polémicas que envolvem o Benfica:


Em primeiro lugar, há que dizer que não é normal Vieira colocar-se à disposição dos jornalistas sem rede. Mas, verdade seja dita, está visto que não há necessidade de qualquer rede face à falta de iniciativa dos interlocutores que lhe calharam em sorte ontem: como é possível que, com tantos jornalistas presentes, ninguém tenha tido a coragem para fazer o contraditório que se impunha?

De qualquer forma, alguns dos temas que abordou deram para demonstrar que estamos perante o mais cobarde, incendiário e demagogo presidente do futebol português, que não tem qualquer ponta de moral para estar a dar lições aos restantes.

Sobre a cartilha, o presidente benfiquista não foi homenzinho para admitir o que já toda a gente sabe: de que ele é, em última análise, o responsável pela famosa cartilha, e que tem perfeito conhecimento da sua natureza e conteúdo, pois está incluído nos mails distribuídos por Janela aos paineleiros e comentadores do clube. Vieira é o presidente do clube que paga, ao que se diz, 10.000 euros por mês para Janela fazer o que faz - coordenar o discurso mais agressivo, incendiário e mentiroso que o futebol português alguma vez testemunhou -, e ainda tem a distinta lata de dizer que se mantém em silêncio para não incendiar o futebol nacional.

Depois, o mais grave: o discurso desculpabilizador do assassinato da madrugada de domingo. Segundo os jornais, os membros da claque sportinguista deslocaram-se à Luz por causa de um duelo marcado por SMS. Ou seja, iam tão à procura de confusão como iam os da claque benfiquista que estavam no local. Mas independentemente disso, mesmo que a claque sportinguista tivesse decidido deslocar-se à Luz por iniciativa exclusiva sua, isso não legitima nem nunca legitimará que outros se sintam no direito de tirar a vida a alguém.

Para além disso, é de uma hipocrisia completa vir com frases feitas como a do "a provocação gera violência", quando o próprio Vieira é ou foi o superior hierárquico de gente como João Gabriel, Carlos Janela ou Pedro Guerra.

Para finalizar a análise às palavras de Vieira: haverá maior demagogo do que um presidente que disse, um dia, que se demitiria se o seu clube não conseguisse chegar aos 300.000 sócios, que garantiu que tinha terminado o descarregamento de jogadores, que já prometeu, vezes sem conta, que o passivo era para reduzir, e que fez a previsão de que o Benfica iria ter a espinha dorsal da seleção nacional?

Não estou a dizer com isto que Bruno de Carvalho é um menino de coro e que não contribuiu para o clima de enorme tensão que existe, mas o principal instigador de tudo o que se tem passado nos últimos dois anos é o presidente do Benfica - mesmo que por interposta pessoa. Infelizmente, só num país como Portugal é que uma pessoa com o passado de Vieira consegue passar por estadista, ideia suportada e promovida por uma comunicação social completamente conivente ou submissa.

domingo, 23 de abril de 2017

Reação de Bruno de Carvalho às declarações de Vieira

Texto de Bruno de Carvalho publicado há pouco na sua conta de Facebook:



É triste ver qualquer tipo de ser humano refém. Mesmo o mais reles de personalidade merece ter a sua liberdade mesmo que a use mal.

A deformação genética de carácter e personalidade são realidades, e o mundo tem de se debruçar cientificamente perante estes casos clínicos.

Ontem acreditei que Vieira seria capaz de sofrer uma regeneracão, e por isso lhe fiz o convite para assistir ao jogo na tribuna. O facto de estar refém de claques ilegais que apoia não o permitiram.

Mas não foi apenas isso. Aqueles que actuam como ratos gostam de se movimentar no "esgoto" e não sair cá fora, a não ser de madrugada. Se tentarmos aplicar esta imagem a uma pessoa e aos meandros do futebol poderíamos, com o devido respeito, comparar a alguém que cobardemente se esconderia num balneário e, só depois de não ter perdido um jogo, é que dava a cara como se de um grande homem se tratasse.

A cartilha do refém estava feita. Se perdesse era um senhor porque se remetia ao silêncio por ser um apaziguador. Se não perdesse vinha atacar pelas costas como gostam de fazer os cobardes.

Vieira, por exemplo, perdeu a hipótese de ver o jogo na tribuna demonstrando alguma coragem e classe para aceitar um convite.

Depois do jogo perdeu a hipótese, mais uma vez, de criticar veementemente alguns dos seus adeptos, desta vez pela quebra do minuto silêncio, feito em homengem ao adepto Sportinguista morto, com a já célebre e repugnante imitação do som do very light que matou outro adepto do Sporting em 1996.

Sendo ele tão benfiquista, ultrapassado o facto de ter sido sócio dos 3 grandes para ver onde podia ter "sorte", e de ter tramado o Benfica perante o Porto com o Deco, poderia um dia ver a luz e deixar de ser o homem que roubou um camião para ser um homem normal e sensato.

Esconde-se atrás de um Vale e Azevedo para tudo, mas veremos se não se tornarão vizinhos quando deixar de ser presidente do Benfica.

É um cobarde refém de claques ilegais e de uma cartilha de terrorismo comunicacional.

Teve ontem a sorte do jogo que teve um árbitro que actuou com nota artística que depois veio atacar para lançar mais pó para os olhos de todos. O pó da porta 18 não chegou, até porque Vieira, mais uma vez até nesse caso, passou pelos pingos da chuva. Histórias com pó à mistura perseguem-no durante toda a vida, mas com toda a certeza é por estar no ramo da construção.

A cartilha mandou-o perguntar o que estava a fazer um adepto do Sporting ao pé do Estádio da Luz. Essa pergunta com que o famigerado Hugo Gil, e demais assalariados, poluiram as redes sociais e media o dia todo, demostra o quão rasteiro e baixo pode ser um ser humano.

A resposta é simples, nem todos são reféns de criminosos e por isso são livres de circular por onde desejarem.

Mas se quer ir por aí, nesse novo desrespeito por quem é assassinado e suas familias pergunto lhe: o que estavam a fazer adeptos do Benfica nas imediações do Estádio do Sporting após um Sporting - Porto e que esfaquearam um amigo meu que teve de ser internado no hospital vários dias? O que estavam a fazer adeptos do Benfica o ano passado após terem sido campeões, junto das casas das claques legais do Sporting a mandarem pedras para as mesmas e aos nossos adeptos? O que estavam a fazer adeptos do Benfica nas tantas vezes que vão a Alvalade atacar adeptos do Sporting e vandalizar o Estádio? O que anda a fazer o "presidente refém" do Benfica quando vê à sua frente, no seu pavilhão, uma traja a gozar com um adepto morto do Sporting e a ouvir cânticos de gozo pela sua morte e finge que não está a ver nem a ouvir (eu estava lá)? O que anda a fazer o "presidente refém" do Benfica quando os seus adeptos, faz dois anos, tentam matar pessoas nas bancadas de Alvalade atirando petardos para cima de familias do Sporting e, ainda por cima, manda o seu director de comunicação chamar a isso de folclore? O que anda a fazer o "presidente refém" do Benfica quando, já esta época, em dois jogos seguidos nos seus pavilhões nos jogos de futsal e andebol, assiste sem reacção a imitações de sons que deram origem a mortes e a cânticos a gozar com essas mesmas mortes?

No final disto eu tenho pena deste presidente refém, cobarde e com tudo isso pouco digno de andar no futebol.

Não posso deixar de lamentar que existam presidentes reféns de adeptos e quero enaltecer a atitude dos adeptos do Sporting CP no Estádio, que souberam ouvir o meu repto e pedido, e demonstraram que a grandeza não vem com ganhar títulos de qualquer forma. A grandeza vem com atitudes e actuações dignas como aconteceu ontem, mesmo estando todos em choque e em sofrimento pelo assassinato de mais um adepto nosso.

É um orgulho ser o líder de um Clube com esta massa associativa.

Sou e serei sempre duro e intolerante sempre que forem ultrapassadas as linhas básicas da vida. Um crime é um crime, seja quem for o seu autor, e eu manterei sempre a minha postura perante criminosos. Mas também temos de saber enaltecer as grandes atitudes e os adeptos do Sporting mostraram ontem em Alvalade a sua grandeza!

Não cumprimos o nosso objectivo dentro das 4 linhas, mas demonstrámos porque somos e seremos sempre os melhores em termos de adeptos!

Cada vez tenho mais orgulho em ser do Sporting Clube de Portugal!

Para terminar apelo aos adeptos do Sporting que mantenham esta postura de grande elevação e não cedam à tentação de reagir a quente a mais um assassinato e às constantes provocações que estão a ser alvo, sobretudo nas redes sociais, e apelo às autoridades que se as tiverem na sua posse as imagens do assassinato não as divulguem, pois a sua brutalidade poderia desencadear algo que ninguém quer.

Nós sportinguistas temos de ser fortes, unidos, sensatos e não ceder à tentação de reagir a quente a tudo isto. Em cada um destes actos estão sempre famílias e amigos que não merecem ver-se envolvidas nestas tragédias que não fazem qualquer sentido.

Cadeado

Foi um dérbi intenso mas com pouca nota artística, e em que o empate é um resultado adequado para aquilo que se viu em campo. Os onzes escolhidos pelos dois treinadores indiciavam um jogo em que o Sporting iria assumir as despesas do jogo de uma forma mais cautelosa que o normal, e com o Benfica a tentar explorar o contra-ataque para causar estragos. Essas estratégias rapidamente foram colocadas no lixo, face ao golo madrugador do Sporting. O Benfica pareceu acusar o golpe, mas a partir dos 20 minutos acabou por se recompor e foi obrigado a ter mais iniciativa do que inicialmente imaginara.

Há que dizer que o Sporting pareceu tão confortável na defesa do resultado quanto o Benfica pareceu desconfortável na procura do golo. Os caminhos da baliza estiveram sempre bem fechados - de parte a parte -, tornando o jogo muito disputado a meio e pouco atrativo.

Após o intervalo, o Sporting regressou com a ideia de ampliar a vantagem e teve, efetivamente, boas oportunidades para consegui-lo. No entanto, estava escrito que os golos só iriam aparecer de bola parada: o Benfica empatou e, uma vez tendo um resultado que lhe interessava, soube congelar o jogo e assegurar um empate que poderá ter valido o campeonato.





A entrada de Paulo Oliveira no onze - foi a grande surpresa no onze e, assim que foi anunciada, dava a entender uma abordagem defensiva mais conservadora do que é habitual no Sporting: uma linha defensiva um pouco mais recuada, com menos espaço nas costas, e com maior capacidade para conter o adversário na próximidade da área. Apesar de ter cometido uma ou outra falha sem consequências, Paulo Oliveira fez um jogo de grande nível, limpando tudo na sua área de ação e ainda nas inúmeras dobras que teve que fazer a Jefferson. Uma aposta bem sucedida.

A explosividade de Gelson - foi o único jogador do Sporting capaz de semear o caos na defesa adversária. A atacar fez o que quis de Grimaldo na primeira parte, mas também trabalhou defensivamente muito no apoio a Schelotto. Foi substituído por estar em claras dificuldades físicas.



O golo do Benfica acabou com o jogo - o Sporting acusou o golo do empate e, a partir desse momento, não teve capacidade para incomodar a defesa benfiquista. Notou-se uma quebra física e anímica da equipa, que começou a perder sistematicamente os duelos a meio-campo. É certo que, nessa altura, Artur Soares Dias foi uma ajuda importante em manter o cadeado bem fechado - deixando passar várias faltas óbvias nas disputas a meio-campo -, mas Jesus deveria ter feito mais para procurar a vitória (na minha opinião, Podence devia ter entrado mais cedo).

Exibições abaixo do exigível - foram vários os jogadores que não deram à equipa aquilo que era necessário face a um adversário como o Benfica. Começando pelas laterais, Schelotto não conseguiu adaptar-se à pressão que o Benfica lhe colocou e cometeu vários erros, enquanto Jefferson confirmou que não é mais do que uma sombra do jogador que já foi - nem sequer ajudou naquele que era o seu ponto forte: os cruzamentos. William jogou com um nível de agressividade demasiado baixo, estando pouco esclarecido com a bola nos pés e com vários momentos de desconcentração. Alan Ruiz foi demasiado lento perante um pressing mais intenso, e nunca conseguiu desequilibrar. Finalmente, Dost esteve em dia não. Teve duas excelentes ocasiões para marcar, mas finalizou ambas de forma desastrada.

A arbitragem - Artur Soares Dias teve um desempenho péssimo. Começou pela falta de cartão a Ederson no lance do penálti. Depois, houve um penálti claro de Schelotto sobre Grimaldo que ficou por assinalar. Podia também ter assinalado penálti de Bruno César sobre Lindelof, num lance de análise mais difícil. Na segunda parte, Artur Soares Dias pareceu tentar compensar os erros da primeira parte, revelando uma dualidade de critérios aberrante na marcação de faltas. Vi pelo menos três faltas claríssimas sobre jogadores do Sporting mesmo à minha frente que ficaram por marcar, mas existiram vários outros casos muito duvidosos noutras áreas do campo. Mas no cômputo geral o Benfica teve, obviamente, mais razões de queixa.



A vitória ainda nos poderia deixar com uma réstia de esperança em conseguir algo mais do que o terceiro lugar, mas este empate fecha a nossa classificação. Faltam quatro jogos, que deverão ser aproveitados para preparar a próxima época tanto quanto possível. Esta já era.

sábado, 22 de abril de 2017

Tragédia

Esta noite ocorreu mais uma tragédia a envolver adeptos de futebol. Morreu alguém que era sportinguista, às mãos de alguém que é benfiquista. Sobre isto, para já ocorre-me apenas dizer três coisas. 

A primeira é que, ao que tudo indica, a situação é diferente da tragédia do Jamor - que é dos piores cenários que imagino poder acontecer. Rui Mendes era um adepto comum que morreu porque teve o azar de estar no local errado à hora errada. Os acontecimentos de ontem não deixam de ser uma tragédia, não deixam de ser um ato criminoso, mas não consigo colocá-los no mesmo patamar, já que sucederam na sequência de uma rixa entre claques - só lá estava quem queria estar. Infelizmente, situações dessas propiciam a que haja imbecis a ultrapassar os limites. Basta um, para que as tragédias aconteçam.

A segunda é que espero que o autor do crime seja rapidamente encontrado e julgado pela justiça portuguesa. 

A terceira é que desejo que nenhum sportinguista pense em vingar-se mais logo, usando como alvo adeptos benfiquistas que se desloquem a Alvalade para assistir ao jogo. A vingança, neste caso, seria tão irresponsável quanto fútil: porque nada do que aconteça daqui para a frente devolverá a vítima de atropelamento à sua família, porque ninguém tem direito a fazer justiça pelas próprias mãos, e porque o alvo dessa vingança acabaria por ser o comum adepto benfiquista - que se sentirá tão enojado pelo acontecimento como o comum adepto sportinguista -, que nada a ver com o que sucedeu.

Há ainda outra questão que deve ser referida: a forma como se deixou construir uma sensação de impunidade à volta de determinados grupos de adeptos. Fica para outra altura, pois o dia de hoje não é o mais indicado para falar sobre isso.

Posto isto, acho incrível como ainda ninguém da FPF e Liga veio garantir que estão reunidas todas as condições de segurança para a realização do dérbi de logo. Ao morrer, em dia de jogo, uma pessoa em confrontos entre elementos das duas claques, este deixa de ser uma partida igual às restantes. Espero que estejam a ser efetivamente todas as precauções necessárias, e que não estejamos perante mais um caso em que a Liga e FPF se limitam a assobiar para o lado, fingindo que nada aconteceu. Não havendo condições para reforçar a segurança tão em cima da hora, o jogo deveria ser adiado.

De pequenino...

Como seria bom se todos os sportinguistas do futuro tivessem a convicção inabalável do protagonista do primeiro vídeo e a garra do protagonista do segundo vídeo. :)




sexta-feira, 21 de abril de 2017

3 vitórias em 16 jogos

Esta é a (aterradora) estatística que, segundo Hélder Amaral, o Sporting tem em jogos em que o árbitro assistente Paulo Soares - nomeado para o dérbi de amanhã - é interveniente. Em 16 partidas disputadas com este fiscal-de-linha, o Sporting ganhou 3, empatou 7 e perdeu 6.

Segundo o comentador sportinguista, um desses jogos foi o Braga - Sporting da época passada para a Taça de Portugal, em que anulou incorretamente um golo a Slimani no prolongamento, que daria o 4-3 para o Sporting. Como sabemos, o golo não contou, e o Braga acabaria por marcar alguns minutos depois, vencendo a eliminatória por 4-3.


Aqui ficam as palavras de Hélder Amaral, ontem, na CMTV, quando lhe foi pedido o comentário sobre a nomeação de Artur Soares Dias:


Se esta estatística de Paulo Soares for verdadeira (deixo essa hipótese, pois Hélder Amaral fala em 13 jogos, o que não bate certo com as 3V+7E+6D), é realmente caso para se rezar a todos os santinhos disponíveis: não bastava a nomeação de Soares Dias - que, como disse Hélder Amaral, tem tido MUITO azar em vários jogos que apita do Sporting -, como temos também um fiscal-de-linha que também não nos tem trazido grande felicidade... é que uma taxa de 18,75% de vitórias só pode ser produto de muito, muito azar.

P.S.: entretanto já fiquei a saber a lista de jogos em que Paulo Santos foi interveniente. Confirma-se: 3 vitórias em 16 jogos. Estes dados incluíam jogos da equipa B, mas se excluirmos essas partidas, a estatística fica arrumada da seguinte forma: 2 vitórias em 13 jogos (2V, 6E, 5D). Assustador.


(obrigado, @casrch!)

O castigo de Brahimi


Brahimi foi castigado com dois jogos de suspensão na sequência da expulsão no Braga - Porto disputado no último sábado. Devo dizer que, por uma questão de princípio, acho que faz sentido que um jogador que veja cartão vermelho por protestos ou faltas violentas seja castigado com um mínimo de dois jogos. Não faz sentido equiparar estas situações às expulsões por duplo amarelo ou aos vermelhos que decorrem de lances normais de um jogo, como o derrube a um adversário isolado.

Ainda esta época, Heldon foi suspenso por três jogos por ter insultado o árbitro Vasco Santos. Segundo o relatório desse jogo, o extremo do Rio Ave disse: "És um borrado meu grande filho da p...! Vai para a grande p... que te pariu!". Convenhamos que até a mãe de Heldon terá concordado com o castigo. O que não faria sentido era que o castigo fosse apenas de um jogo, como foi prática corrente no futebol português durante vários anos.

Voltando à expulsão de Brahimi, as imagens da transmissão televisiva não são esclarecedoras. A dada altura, vê-se Hugo Miguel a dirigir-se para a área técnica portista, onde dirigentes e membros da equipa técnica protestavam com o quarto árbitro, mostrando, uns segundos depois, o cartão vermelho ao jogador argelino, que estava junto ao banco. Ou seja, não temos forma de perceber o que aconteceu para levar o árbitro a expulsar Brahimi.

Depois houve a reação de Brahimi ao ver o cartão vermelho. Dirigiu-se ao quarto árbitro, mas a linguagem corporal do jogador não pareceu anormalmente agressiva ou insolente. Resta aquilo que o jogador possa ter dito.

Aqui está o primeiro problema. Aquilo que vem descrito no documento divulgado pelo CD da FPF...


... não tem nada a ver com o que foi captado pelas câmaras da Sport TV. Esta justificação só pode fazer sentido caso os factos descritos tiverem ocorrido antes de a realização ter passado a seguir as movimentações junto ao banco.

Ora, considerando o momento da época e a importância do jogador em causa - provavelmente o mais desequilibrador de um dos dois clubes que estão a disputar o título -, teria sido sensato que o CD tivesse dado explicações adicionais. E não faz sentido que o CD remeta a justificação para o relatório do árbitro, pois falamos de um documento que não é público.

O segundo problema, a meu ver, é o aparente agravamento dos castigos para certo tipo de sanções. Não que veja qualquer inconveniente nesse endurecimento das sanções, desde que praticadas de forma coerente - para além disso, falamos de um CD que tomou iniciou funções esta época, pelo que tem toda a legitimidade de alterar a sua atuação em relação ao que se fazia nas épocas anteriores.

No entanto, para haver uma justiça efetivamente equilibrada, esta endurecimento disciplinar deveria ter sido acompanhado por um maior rigor no tratamento dos casos flagrantes de indisciplina que não são devidamente sancionados pelos árbitros durante o jogo. E é aqui que o CD está a falhar em toda a linha. Pior do que isso, está a passar a ideia de que há justiças diferentes em função dos clubes envolvidos.

Não é compreensível, por exemplo, que em duas jornadas consecutivas, Samaris agrida adversários e não seja julgado em conformidade: a agressão a Alex Telles passou incólume, enquanto o soco a Diego Ivo deu apenas direito a um processo que dificilmente conhecerá desfecho na época em curso.

(de notar que não me esqueci do caso de Slimani, mas não só foi tratado por outro CD, como também é o exemplo perfeito de como não se deve conduzir um processo disciplinar desta natureza)

Como também não é compreensível que o CD tenha ignorado o encosto de cabeça de Luisão ao árbitro Nuno Almeida, no jogo Benfica - Chaves, em fevereiro passado:


Isto faz com que o sentimento de justiça dispar acabe por ganhar ainda mais força, pois o encosto de cabeça no árbitro é precisamente um dos atos que o CD considerou na suspensão de dois jogos de Brahimi.

O CD não existe para servir de contrapeso às péssimas arbitragens que existem em Portugal - não só pela fraca qualidade técnica e disciplinar dos árbitros, mas também pela parcialidade revelada em favor dos de sempre -, mas ao agravar as penas sancionadas em campo e ao continuar a ignorar as que não são punidas pelas equipas de arbitragem, está, efetivamente, a ampliar o efeito das más arbitragens. E se já era muito complicado para as equipas não bafejadas pelo colinho da arbitragem poderem competir com as que são, esta nova política do CD torna essa batalha ingrata e desigual ainda mais difícil.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Luciano e os 50 bilhetinhos: finais alternativos

Sobre o pedido dos 50 bilhetinhos, tomei a liberdade de escrever três finais alternativos ao que se passou. A ficção, por vezes, consegue ser muito mais simples do que a realidade.


Luciano e os 50 bilhetinhos - final alternativo 1

Era uma vez um presidente da MAG de uma associação recreativa de uma pequena aldeia do concelho de Leiria, que era também presidente da APAF. Certo dia, um amigo dessa associação sugeriu-lhe que seria uma ideia gira levar uma série de idosos da aldeia, que nunca tinham ido ver um jogo de futebol, ao estádio da Luz para ver o Benfica - Marítimo. "O problema", dizia esse amigo do presidente da MAG, "é que já não há muitos bilhetes por vender, e os que há não são baratos... o preço mais baixo para cidadãos não sócios é de 22,50€..."*.

Fez-se um silêncio relativamente prolongado, que fez com que a situação se tornasse ligeiramente embaraçosa. É que, felizmente, Luciano, o presidente da MAG que também era presidente da APAF, era um homem perspicaz e também com bastante bom senso. Tinha percebido onde o amigo queria chegar, mas após refletir na melhor forma de resposta, disse-lhe: "Olha, isso é um assunto em que eu não me devo meter porque pode ser mal intepretado. Ainda podem pensar que estou a pedir um favor a uma instituição de quem me devo manter totalmente distanciado, por razões que têm a ver com o meu cargo. Fala com o presidente da associação e diz-lhe para ele telefonar para o Benfica, se for necessário eu posso dar-lhe o contacto de alguém que costuma tratar desses pedidos. Se eles puderem ajudar, certamente que o farão."

Despediram-se cordialmente.

FIM


Luciano e os 50 bilhetinhos - final alternativo 2

Era uma vez um presidente da MAG de uma associação recreativa de uma pequena aldeia do concelho de Leiria, que era também presidente da APAF. Certo dia, um amigo dessa associação sugeriu-lhe que seria uma ideia gira levar uma série de idosos da aldeia, que nunca tinham ido ver um jogo de futebol, ao estádio da Luz para ver o Benfica - Marítimo. "O problema", dizia esse amigo do presidente da MAG, "é que já não há muitos bilhetes por vender, e os que há não são baratos... o preço mais baixo para cidadãos não sócios é de 22,50€..."*.

Luciano, assim se chamava o presidente da MAG que também era presidente da APAF, achou a ideia excelente e disse ao amigo que ia tentar ajudar. Conhecia a pessoa certa no Benfica para o informar sobre a possibilidade de arranjar bilhetes em conta. Telefonou, por isso, a Ana Paula, que costuma tratar desse tipo de coisas. Expôs-lhe a situação, perguntando se havia possibilidade de lhe venderem 50 bilhetes a um preço acessível. Infelizmente, Ana Paula explicou-lhe que o pedido era muito em cima da hora, pois faltavam apenas 4 dias para o jogo. "Estas coisas normalmente são tratadas com mais antecedência, sabe? Os bilhetes disponíveis são para o público em geral, o melhor que posso fazer é arranjar os 50 bilhetes juntos para um dos setores mais baratos e dizer aos serviços da SAD para enviarem a fatura de €1.125 para a associação. Veja se esta solução vos serve e diga-me no máximo até amanhã se podemos avançar assim. Em alternativa, podemos tentar organizar uma visita destas com mais tempo, e aí talvez se consiga arranjar uma solução mais favorável para os seus conterrâneos.".

Despediram-se cordialmente.

FIM


Luciano e os 50 bilhetinhos - final alternativo 3

Era uma vez um presidente da MAG de uma associação recreativa de uma pequena aldeia do concelho de Leiria, que era também presidente da APAF. Certo dia, um amigo dessa associação sugeriu-lhe que seria uma ideia gira levar uma série de idosos da aldeia, que nunca tinham ido ver um jogo de futebol, ao estádio da Luz para ver o Benfica - Marítimo. "O problema", dizia esse amigo do presidente da MAG, "é que já não há muitos bilhetes por vender, e os que há não são baratos... o preço mais baixo para cidadãos não sócios é de 22,50€..."*.

Luciano, assim se chamava o presidente da MAG, achou a ideia excelente e disse ao amigo que ia tentar ajudar. Conhecia a pessoa certa no Benfica para o informar sobre a possibilidade de arranjar bilhetes em conta. Telefonou, por isso, à Ana Paula, que costuma tratar desse tipo de coisas. Expôs-lhe a situação, perguntando se havia possibilidade de lhe venderem 50 bilhetes a um preço acessível. Ana Paula ouviu atentamente e pediu a Luciano que este lhe enviasse um mail com os dados que tinha acabado de lhe dizer, garantindo que iria tentar arranjar a melhor solução possível para o seu pedido.

Ana Paula sabia quem Luciano era, e pressentiu que a SAD teria interesse em satisfazer o pedido de Luciano. Por isso, assim que viu o mail, pôs mãos à obra. Ainda nem 30 minutos tinham passado, e já tinha informado o administrador de que o presidente da APAF estava a solicitar 50 bilhetes para o jogo de daí a 4 dias.

O administrador, homem sensato e avesso a promiscuidades com responsáveis da arbitragem, percebeu logo a delicadeza da situação. Disse a Ana Paula para tratar Luciano como um cliente normal, já que passaria uma má imagem para a SAD se lhe dispensassem qualquer tipo de tratamento preferencial para além do que é normal no relacionamento com outras instituições do futebol português.

Ana Paula respondeu a Luciano, dizendo-lhe que "... o melhor que posso fazer é arranjar os 50 bilhetes juntos para um dos setores mais baratos e dizer aos serviços da SAD para enviarem a fatura de €1.125 para a associação. Veja se esta solução vos serve e diga-me no máximo até amanhã se podemos avançar assim. Em alternativa, podemos tentar organizar uma visita destas com mais tempo, e aí talvez se consiga arranjar uma solução mais favorável para os seus conterrâneos.".

Despediu-se cordialmente.

FIM


* Valor não necessariamente real, pois o autor do texto não teve acesso aos preços do Benfica - Marítimo; no entanto, o autor foi consultar a bilheteira para o próximo jogo em casa do Benfica (contra o Estoril), e o preço mais barato para não sócios é de 22,50€.


A cartilha pré-dérbi

O Correio da Manhã divulgou ontem, na sua edição escrita, alguns pormenores sobre a cartilha que Carlos Janela disponibilizou para os minions benfiquistas para preparar o dérbi de passado dezembro. À noite, a CMTV entrou em maior pormenor na questão, divulgando passagens completas do documento.

Como seria de esperar, é mais uma demonstração de propaganda doentia e incendiária, assente no insulto e difamação, a que nem o filho do presidente do Conselho de Arbitragem - um rapaz de quinze anos - escapou. Curiosamente, esta cartilha parece ter contagiado certos órgãos de comunicação social, que não tiveram pudor em dar um destaque desmesurado a um mero tweet de um menor, expondo-o perante o seu público.

Divido o que a CMTV divulgou em três partes. Em primeiro lugar, um resumo de tudo o que foi escrito:


Depois, o texto detalhado sobre o filho de Fontelas Gomes. É absolutamente degradante a forma como a máquina de comunicação tenta arrasar um miúdo de 15 anos.


Finalmente, o detalhe sobre a parte dedicada a Jesus.



É curioso registar que a quantidade de ataques e insultos das cartilhas divulgadas é enorme - parecem quase intermináveis -, mas a verdade é que ainda só conhecemos 3 cartilhas... imaginem o que não terá sido escrito nas outras 33...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Afinal havia outros

A Sporting TV desenvolveu ontem, no Sporting Grande Jornal, a questão do envio de mails de João Paiva dos Santos a Pedro Guerra sobre assuntos que só deveriam dizer respeito ao Sporting. Afinal, não terá havido apenas o envio do mail divulgado na segunda-feira. A Sporting TV mostrou que Paiva dos Santos foi mantendo Pedro Guerra informado de todo o processo de solicitação de auditoria às contas da direção de Bruno de Carvalho.

Na realidade, no espaço de uma semana, houve (pelo menos) três mails enviados por Paiva dos Santos a Pedro Guerra.

Primeiro, o mail que já se conhecia, enviado a 9 de janeiro, quando Paiva dos Santos tomou conhecimento da resposta do Conselho Fiscal do Sporting ao pedido de auditoria:


Depois, a 11 de janeiro, deu conhecimento a Pedro Guerra da resposta que enviou para a SAD, com outro tipo de exigências, como a divulgação de todos os contratos celebrados durante o mandato.


Finalmente, a 16 de janeiro, Paiva dos Santos fez forward a Pedro Guerra do mail em que solicita ao Conselho Fiscal a marcação de uma reunião urgente - a tal onde apareceria acompanhado de Paulo Pereira Cristóvão.


Seria interessante também saber se existiram mails enviados em sentido inverso.

Sendo verdadeiros estes mails, é inqualificável a atitude de Paiva dos Santos em partilhar informação com a estrutura do Benfica. A expulsão de sócio pode e deve ser equacionada.

Aqui fica a peça completa da Sporting TV.

Benfica ofereceu 50 bilhetes ao presidente da APAF

O Porto Canal revelou ontem que o Benfica ofereceu 50 bilhetes ao presidente da APAF para o jogo do fim-de-semana passado frente ao Marítimo. 

O presidente da APAF, Luciano Gonçalves, pediu ao Benfica, no dia 10 de abril, que disponibilizasse 50 bilhetes, a serem pagos por ele, para o Benfica - Marítimo de sábado. O destino que o presidente da APAF tinha para esses bilhetes era oferecê-los a habitantes da sua aldeia, na sua qualidade de dirigente de uma coletividade local. O mail com o pedido foi dirigido a Ana Paula Godinho, a responsável de protocolo do Benfica, após uma conversa telefónica entre os dois.


Apesar de o presidente da APAF dizer explicitamente que queria comprar os bilhetes, a responsável pelo protocolo reencaminhou o pedido para Domingos Soares Oliveira, administrador do Benfica, pedindo-lhe indicações sobre se os bilhetes deveriam ser cobrados ou oferecidos.


Domingos Soares Oliveira diz que podem oferecer os bilhetes. Acrescenta que apesar de o jogo ser de casa cheia, insiste que se deve aceder ao pedido pelo facto de Luciano Gonçalves ser quem é. Recomenda que, para evitar problemas, o pedido oficial seja feito por outra pessoa que não o presidente da APAF. O administrador inclui na conversa o assessor jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves, a quem pede a opinião.


Paulo Gonçalves recomenda que se ofereça os bilhetes porque nunca é bom tê-lo contra, relembrando que Luciano Gonçalves será testemunha num processo que interessa ao Benfica. Recomenda, à semelhança de Domingos Soares Oliveira, que o envio dos convites seja feito diretamente à coletividade e não por via de Luciano Gonçalves, para não poderem ser acusados de estarem a oferecer bilhetes à APAF.


Por fim, Domingos Soares Oliveira reencaminha o parecer de Paulo Gonçalves a Ana Paula Godinho.


Aqui fica o vídeo completo, retirado do Porto Canal. Vale a pena ouvir as conclusões que Francisco J. Marques retira do caso.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Flash interview

(via página de Facebook Não penses mais nisso)

É preciso pedir licença para ganhar o jogo no sábado?

Acho graça à conversa daqueles que dizem que existe uma aliança entre Sporting e Porto. Acho extraordinário que haja ainda quem não compreenda que o motivo que leva o Sporting a fazer queixa de atitudes como as de Samaris nada tem a ver com auxiliar o Porto na luta pelo título. Existe uma guerra sem tréguas entre Sporting e Benfica desde que Jorge Jesus trocou de clube. Tudo o que temos visto acontecer nos últimos meses não é mais do que um reflexo de episódios anteriores de ataques mútuos. Aconteceria o mesmo se o Benfica estivesse a 8 pontos do primeiro lugar, assim como o nosso atraso na classificação não tem impedido Vieira e os seus minions de fazer todas as queixas possíveis e imaginárias contra o Sporting.

O Sporting - Benfica de sábado será um jogo especial, na medida em que um Sporting - Benfica é sempre um jogo especial, independentemente das circunstâncias. Existe um século de intensa rivalidade que se alimenta a cada ano, e que transforma um confronto entre ambas as equipas em algo mais do que um simples jogo - mesmo que seja a feijões. Este dérbi em particular será, para nossa infelicidade, mais importante para o Benfica do que para o Sporting porque os nossos rivais estão a lutar pelo título, enquanto nós já temos o terceiro lugar mais ou menos fechado.

Não obstante isso, o Sporting deverá fazer tudo ao seu alcance para vencer o Benfica porque essa é a sua obrigação. Era só o que faltava que a principal motivação do Sporting no dérbi fosse ajudar o Porto ou para compensar uma época pouco conseguida. Nem uma vitória, por mais volumosa que seja, vai salvar a época do Sporting, como também não me interessa que possa eventualmente estragar a época ao nosso adversário.

Da parte que me toca, o cenário ideal é este: que seja um grande jogo de futebol, com respeito mútuo nas bancadas e espetáculo no relvado, e com o Sporting a conquistar no final a vitória e a reduzir a distância para o 1º lugar para 5 pontos. No dia seguinte, que o Porto perca mais uns pontitos contra o Feirense para ficarmos a 2 ou 3 pontos do 2º lugar. O resto é conversa.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Liga Allianz, 21ª jornada: Estoril 0 - Sporting 7


Retomado o campeonato após várias semanas de paragem, o Sporting parece não ter acusado a interrupção e deu sequência às exibições avassaladoras, desta vez vencendo o Estoril, que era o 5º classificado à entrada para a 21ª jornada, no seu reduto, por uns esmagadores 7-0.

Também foi dada continuidade a essa recente e saudável tradição de registo de pokers. Coube, desta vez, a Diana Silva (pelo segundo jogo consecutivo) marcar 4 golos. Os restantes foram assinados Fátima Pinto, Tatiana Pinto e Ana Capeta. De destacar também as 4 assistências de Ana Borges.



Uma vitória importante que deixa o Sporting um pouco mais perto do título. Vão já 19 vitórias consecutivas e uma série de 450 minutos sem sofrer golos. Impressionante.


Nas cinco jornadas que faltam, ainda teremos que defrontar os 3º, 4º e 5º classificados. A nosso favor está o facto de o Sporting realizar quatro desses cinco jogos em casa: seguem-se receções ao Atl. Ouriense, U. Ferreirense e Valadares Gaia, uma deslocação ao Boavista, e a época terminará em casa frente ao Futebol Benfica.

P.S.: vale também a pena ver o golo que Jéssica Silva, do Braga, marcou este fim-de-semana:

Vender a alma ao diabo

Post de Bruno de Carvalho no Facebook, publicado há pouco. À semelhança da cartilha, não é nada que surpreenda os sportinguistas mais atentos... mas é sempre bom ver as suspeitas confirmadas.



ESTÁ NA HORA DE CHAMAR OS BOIS PELOS NOMES

Durante 4 anos eu falo da intromissão do benfica na vida interna do Sporting. Eles tentam tudo, eles fazem tudo, até Rui Gomes da Silva disse um dia "farei tudo o que puder para desestabilizar o Sporting".

É o tal convite para entrarem em minha casa sem que nunca tenham sido convidados por mim, mas eles teimam em tentar entrar sob a batuta escondida do seu presidente.

Durante as eleições eu disse que o benfica estava a movimentar-se para manipular a opinião pública e, desse modo, tentar que eu não fosse reeleito.

Está na altura de começar a denunciar, com documentos, para provar como no benfica tudo se faz e tudo serve para jogos de bastidores, e como (eu já tinha alertado) existem sportinguistas que devem ser expurgados.

No documento em anexo podemos ver um dito sportinguista, João Paiva dos Santos, a coordenar-se com Pedro Guerra sobre o tal pedido de auditoria que apenas serviu para me atacar e ao Sporting CP, e que foi sempre uma manobra da mais pura e desavergonhada desonestidade intelectual.

Pessoalmente irei pedir ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Clube a abertura de um processo com vista à expulsão de sócio, assim como reforçar o mesmo pedido sobre o seu assessor, Paulo Pereira Cristovão.

Não podemos admitir mais este tipo de sportinguistas que são capazes de vender a alma ao diabo para ver satisfeitos os seus interesses com total prejuízo do Sporting Clube de Portugal.


Hipocrisia ao som de cânticos sobre o very-light

Sábado foi dia de dois dérbis, de futsal e andebol, no pavilhão da Luz. Como costuma ser hábito, as claques benfiquistas foram protagonistas de tristes situações que são recorrentes nos jogos de pavilhão que opõem Sporting e Benfica. À tarde, no jogo de futsal, assobiando de forma a imitar o som do very-light que matou Rui Mendes, na fatídica final da Taça de 1996. À noite, no jogo de andebol, juntaram aos assobios este cântico:


Os atos ficam com quem os pratica, e quando são deste tipo dispensam grandes comentários. Infelizmente, nenhum clube grande tem grande moral para atacar os outros quando episódios destes acontecem. O Porto teve, na semana passada, o cântico do avião do Chapecoense, enquanto o Sporting já usou tarjas igualmente ofensivas usando a morte de Eusébio ou de um membro de uma claque benfiquista falecido há cerca de 20 anos. E não coloco as mãos no fogo em como não acontecerão novas ocorrências do género no dérbi do próximo sábado.

Mas para além dos atos propriamente ditos, há outras duas questões importantes que devem ser referidas. 

A primeira é o comportamento da comunicação social, que se atirou (e bem) de unhas e dentes ao cântico do Porto, dedicando-lhe páginas e páginas de jornais, horas e horas de debate. Infelizmente, as repetidas atitudes das claques do Benfica - num passado nada distante - foram ignoradas. Veremos até que ponto a comunicação social conseguirá evitar abordar o que se passou no sábado.

A segunda tem a ver com a hipocrisia da direção do Benfica. Mais uma vez, fazem de conta que nada aconteceu. Não é nada de novo, pois tem sido sempre essa a postura face aos casos semelhantes que as suas claques protagonizaram no passado, mas desta vez a hipocrisia salta ainda mais à vista porque, dois dias antes, a direção benfiquista teve esta posição oficial:


Face à rápida demarcação do Porto relativamente aos cânticos das suas claques, o Benfica foi igualmente célere a aplaudir a atitude do clube do norte. No entanto, no momento em que escrevo este texto, já se passaram mais de 24 horas desde os cânticos das claques do Benfica, e ainda não houve qualquer reação por parte da direção.

Provavelmente essa reação nunca chegará. Relembro a ocasião em que as claques do Benfica exibiram, no pavilhão da Luz, uma tarja de grandes dimensões a gozar com a morte de Rui Mendes: o Benfica, pela voz do presidente - que estava presente no pavilhão - anunciou a abertura de um inquérito para apurar responsabilidades.


Dois anos depois, ainda se está por conhecer as conclusões desse inquérito.

Não é por falta de capacidade que o Benfica se mantém em silêncio. Quando as suas claques foram responsáveis por ferimentos em adeptos do Atlético Madrid, a condenação oficial por parte da direção benfiquista não se fez esperar. Era fácil perceber que a motivação por trás dessa condenação era o receio de penas duras, como a interdição do Estádio da Luz nas competições europeias. 

Em Portugal sabe-se como funciona a justiça desportiva. Por isso, para quê se darem ao trabalho de criticar as suas claques? É tão mais simples (e útil) continuarem a ignorá-las...

sábado, 15 de abril de 2017

Spot on, Saraiva

Post de Nuno Saraiva, publicado há pouco:
Hoje, no pavilhão da luz durante o dérbi de futsal, a tal claque que não existe mas que beneficia de apoio total por parte da direcção do clube a que pertence, brindou-nos com mais uma exibição de desumanidade canalha e de falta de respeito pelo ser humano.
A dada altura, decidiram imitar, bem afinados o que prova premeditação, o som de um very light, repetindo aquilo que fazem desde 1996 com total impunidade, desrespeitando a memória do Rui Mendes, o adepto do Sporting Clube de Portugal assassinado na final da Taça de Portugal, no Jamor.
Onde estão agora as virgens ofendidas que rasgaram as vestes com o mau gosto dos Super Dragões? Onde está a comunicação social que se apressou a fazer alarido quando o visado era o benfica? Onde está a direcção do clube perante tamanha indignidade e falta de decência? Onde está a justiça desportiva e o Ministério Público? E depois ofendem se quando se denuncia a subserviência.
De facto, o Presidente do Sporting Clube de Portugal está coberto de razão quando denuncia as virgens ofendidas para as quais já não há paciência e a desigualdade de tratamento e de critérios perante os factos.
Aquilo a que hoje se assistiu é mais um acto inqualificável que devia envergonhar e muito a instituição em causa. Mais ainda porque se repete ano após ano. É lamentável porque não se respeita a memória de Rui Mendes nem a dor da sua família, e pelo que significa para os mais de 3,5 milhões de adeptos do Sporting CP, perante a indiferença cúmplice de uma direcção e de um presidente que até já se referiram a estes factos no passado recente como "folclore".
E é tanto mais grave porque a Justiça Portuguesa qualificou o acto como homicídio, tendo havido condenação nos termos da lei. Este caso gravíssimo não deve ser esquecido.
Qualquer pessoa decente, intelectualmente honesta, sente, ao assistir a tarjas e cânticos desta natureza que ficam sem castigo, que este é um sistema que promove a desigualdade, onde não há princípios sólidos, critérios e tratamentos idênticos. Isto é, sanciona-se em função do agente, da sua cor, e não em razão do facto, do comportamento ou da conduta.
Por nós, que temos valores, ética e princípios, nada ficará por denunciar. Porque enquanto a razão estiver do nosso lado, jamais nos calarão!


Este post de Nuno Saraiva vem na sequência do que se passou esta tarde no pavilhão da Luz, no dérbi de futsal. Na mouche, e sublinho a parte da falta de tratamento idêntico de situações similares por parte da comunicação social. Até agora, é como se não tivesse existido.

A ganhar embalagem

Sabendo-se que o V. Setúbal já demonstrou ser uma equipa muito bem preparada para fazer estragos aos grandes - dois empates com o Porto, uma vitória e um empate ao Benfica, e uma vitória ao Sporting na Taça da Liga -, não se pode, de forma alguma, desvalorizar o bom jogo que o Sporting fez na noite de ontem no Bonfim.

A equipa da casa entrou com tudo, conseguindo encostar o Sporting à sua área nos minutos iniciais, mas, uma vez sacudida essa pressão, a partida passou a ter um sentido único: o V. Setúbal foi incapaz de contrariar a pressão intensa a que foi submetida e o Sporting foi empurrando o jogo para junto da área de Bruno Varela. O primeiro golo surgiu com naturalidade, e, com maior naturalidade ainda, apareceram os outros dois golos, que se adivinhavam a qualquer momento após uma entrada fortíssima do Sporting na segunda parte.

Nota-se um Sporting cada vez melhor, física e tecnicamente, em que a equipa sabe tirar partido das melhores características dos seus jogadores, e vai-se ganhando embalagem para aquilo que se deseja que seja o melhor final de época possível, considerando a falta de objetivos melhores.





Mais uma exibição muito sólida - depois de uma sequência de jogos em que o Sporting foi ganhando sem convencer, a equipa parece estar agora a entrar numa fase em que vence categoricamente, com excelentes prestações nos dois lados do campo. O V. Setúbal entrou bem, dominando os primeiros dez minutos da partida, mas a partir daí o jogo foi completamente controlado pelo Sporting - com particular ênfase para o início da segunda parte, onde a equipa foi simplesmente arrasadora e encerrou a discussão sobre quem levaria os três pontos. 

A primeira parte de Gelson - foram vários os jogadores que se aproveitaram a um bom nível, mas Gelson Martins destacou-se dos demais durante a primeira parte. Foi oportuno na forma como aproveitou a hesitação de Fábio Cardoso para marcar o golo inaugural, e ainda serviu de forma magistral Dost e Alan Ruiz - naquelas que foram as melhores ocasiões do Sporting durante os primeiros 45 minutos. Numa dessas ocasiões sofreu um penálti que João Pinheiro converteu em livre. Foi substituído assim que a vitória estava garantida, não fosse o árbitro encontrar algum motivo para lhe mostrar amarelo e deixá-lo e fora do dérbi.

Outros destaques - Bruno César deu boa sequência à grande exibição que teve contra o Boavista: esteve envolvido no primeiro golo e fez a assistência no segundo; o seu rendimento caiu na segunda parte, a partir do momento em que andou a saltar de posição em posição; Alan Ruiz não marcou, mas voltou a fazer um bom jogo, parecendo cada vez melhor fisicamente; Marvin Zeegelaar pouco fez a atacar, mas esteve muito bem a defender; William e Adrien tiveram um início de jogo pouco seguro, mas com o passar do tempo acabaram por conquistar o meio-campo; Podence entrou muito bem.

O passe de Alan Ruiz para o golo de Dost - o melhor momento do jogo. O passe do argentino de trivela foi perfeito - com a bola a fazer o arco necessário para passar pela única nesga de terreno que havia fora do alcance de Frederico Venâncio e Bruno Varela - encontrando Dost, que só teve que encostar e agradecer ao companheiro. Teve o bónus de colocar o holandês, provisoriamente, na liderança da Bota de Ouro.


O amarelo a Zeegelaar - conforme seria de esperar, o árbitro foi particularmente zeloso quando Zeegelaar fez a sua primeira falta, e não lhe perdoou o cartão amarelo - o que deixa o holandês de fora do dérbi. Marvin é um dos patinhos feios deste plantel, mas a verdade é que está a passar por um bom momento e poderemos sentir a sua falta na próxima jornada. 



Quinta vitória consecutiva (com um total de 15-2 em golos marcados e sofridos), oitava vitória nos últimos nove jogos. O Sporting está, claramente, a recuperar o seu melhor nível físico e técnico, à imagem do que vimos no início do campeonato. Que continue assim até ao fim.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Os golos do Braga 0 - Sporting 3 (juniores)

Mais uma vitória dos juniores, desta vez em Braga, com golos de Miguel Luís e Rafael Leão.


O Sporting garante, assim, que continua em primeiro lugar na classificação, independentemente dos resultados dos restantes jogos, que se disputarão amanhã.


As declarações de Bruno de Carvalho sobre a cartilha

O presidente do Sporting pronunciou-se sobre a questão da cartilha pela primeira vez, no final da reunião que teve ontem com Pedro Proença. Aqui ficam as suas palavras sobre o assunto:



quinta-feira, 13 de abril de 2017

As notas soltas de Rui Pedro Braz

É perfeitamente normal que um jornalista desportivo tenha fontes nos clubes, e ainda mais normal é que tenha fontes mais fortes em determinado clube do que noutros. Dentro dessa normalidade, é desejável que o jornalista faça uma avaliação da qualidade das informações que as suas fontes lhe dão. Se a fonte o tenta usar como meio de propaganda, passando-lhe recorrentemente informações falsas - mas convenientes -, o jornalista deve tirar as devidas conclusões. A mais óbvia é que deve evitar recorrer a essa fonte.

Rui Pedro Braz e José Nunes foram apontados pelo diretor de comunicação do Porto como dois jornalistas que recebem, com regularidade, notas e informações soltas da comunicação benfiquista. Suponho que, caso entendam defender-se publicamente, se escudem no facto de ser normal os jornalistas terem fontes, mas, nesta situação, isso não é argumento que se possa aplicar. Em primeiro lugar, porque não se pode considerar como fonte fiável alguém que tem por missão o oposto de informar. Depois, porque a questão de quem parte a iniciativa tem alguma relevância: uma coisa é um jornalista abordar a fonte sobre um assunto específico, outra é a "fonte" enviar para o jornalista, com determinada periodicidade, todo o tipo de informações e recados que lhe interessa que cheguem ao grande público.

Existe uma terceira questão que não posso aplicar a José Nunes - porque muito raramente o ouço -, mas que se posso perfeitamente aplicar a Rui Pedro Braz: já foi protagonista de demasiados casos em que alega ter informações privilegiadas vindas do Benfica que, mais cedo ou mais tarde, se verificou que não correspondiam à verdade.

Dou dois exemplos. Na pré-época de 2015/16, numa altura em que um dos temas mais debatidos era a guerra de qual o clube tinha gasto menos em contratações, Rui Pedro Braz puxou da cartada da informação privilegiada para baixar os gastos do Benfica. Como se pode verificar no vídeo seguinte, vários valores de contratações que Braz revelou sobre contratações do Benfica pecavam por defeito:


Recordo também a informação que Rui Pedro Braz avançou, em primeira mão, um dia depois de ter rebentado o caso dos vouchers. O comentador da TVI revelou que apenas 7 vouchers tinham sido utilizados, e que, desses 7, nenhum foi usado por árbitros:


Mais tarde, depois de ter havido uma notícia de que tinha havido árbitros a usufruirem dessa oferta de cortesia, Pedro Guerra acabaria por dizer que 10% dos vouchers tinham sido utilizados. Ou seja, em vez dos 7 vouchers, estaríamos a falar, em média, de cerca de 112 vouchers utilizados em cada época em que o Benfica manteve esta prática.


Considerando intervenções posteriores de Rui Pedro Braz, não parece que o comentador tenha retirado grandes conclusões do facto de lhe terem sido passadas informações falsas. Um jornalista que prezasse a sua reputação, certamente que passaria a pensar duas vezes antes de utilizar informações vindas daquelas bandas. Como bem sabemos, isso não aconteceu: Braz é uma fonte inesgotável de incoerências e incorreções, algo que só acontece a alguém que é extremamente incompetente - o que não me parece que seja o caso - ou que não tem problemas em fazer fretes aos amigos sempre que solicitado, mesmo que isso implique mudar o sentido das suas opiniões em 180º. 

Não é difícil perceber em que circunstâncias acontece, podia dar variadíssimos exemplos. Numas vezes disfarça melhor, noutras nem tanto...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O jogo sem bola quando a nossa equipa a tem - Jorge Jesus e Francisco Geraldes

Vale a pena ler este post do blogue Domínio Táctico sobre as ações de Francisco Geraldes no jogo de sábado: LINK.

Foram apenas quinze minutos em campo, durante os quais deu apenas uma dúzia de toques na bola, mas deixa-nos a desejar vê-lo mais em campo. A imagem que associo a Geraldes é o miúdo que está constantemente com os dois braços estendidos na diagonal, para baixo e para a frente, com as palmas das mãos para cima, a pedir a bola aos companheiros. Pena que estes tenham, por demasiadas vezes, dado sequência às jogadas noutras direções. Quando houver maior entendimento, o rendimento de Geraldes vai explodir. Que Jesus e os companheiros o saibam compreender.

Entretanto aconteceu isto no torneio da Pontinha

Golo de Isnaba Mané, há pouco, num jogo do Sporting:




Confirmado: a Comunicação Benfica passa por Rui Pedro Braz e José Nunes

Conforme tinha sido anunciado, o Porto Canal divulgou ontem as pessoas que recebem a cartilha de Carlos Janela. Aqui fica o momento:


Nenhum destes nomes é surpreendente, mas existem três que merecem ser destacados. O primeiro é Luís Filipe Vieira, que, aparentemente, é aquele que menos utiliza a cartilha nas suas intervenções públicas, pautadas pela completa hipocrisia. Era muito pouco provável que o presidente benfiquista não tivesse conhecimento do que estava a ser espalhado por Carlos Janela, mas assim fica completamente desfeita a dúvida.

Os outros dois são Rui Pedro Braz e José Nunes, jornalistas, que não recebem o Al Carnidão, mas que são alimentados a notas soltas - o que não deixa de ser uma cartilha. Ambos recebem-na e usam-na. Como escrevi há pouco, não estou surpreendido, mas não deixa de ser uma vergonha para os visados, que debitam opiniões envergando a capa da isenção.

Mais divertido foi o momento em que o Porto Canal confrontou partes do vídeo em que se vê Guerra, Gomes da Silva e Gobern a falarem das VMOCs do Sporting - que publiquei aqui na segunda-feira - com a cartilha correspondente que orientou este discurso. Aqui fica:



E para terminar, mostraram também este cartoon brilhante, de autoria de Rui Duarte (um artista com um talento fabuloso, de quem conheço o trabalho):


terça-feira, 11 de abril de 2017

Para se perceber a diferença

O blogue Tu Vais Vencer publicou na íntegra o mail revelado ontem pelos paineleiros benfiquistas. Vale a pena ler para se perceber do que, afinal, se está a falar: LINK.

Compare-se agora o conteúdo do mail enviado por Bruno de Carvalho com o Al Carnidão. O blogue És a Nossa Fé fez um apanhado de partes em que o presidente do Sporting é referido no documento coordenado por Carlos Janela. Também vale a pena ler, para se perceber bem a diferença: LINK.

O Al Carnidão pariu um rato

Durante o dia de ontem, o CM e o Record noticiaram, sem grandes detalhes, que o Sporting também tem a sua cartilha, enviada diretamente pelo presidente para os comentadores afetos ao clube. Era óbvio que a história completa estava reservada para os programas de televisão de segunda à noite, e, sem surpresa, foi mesmo isso que sucedeu.

No entanto, a cartilha benfiquista pariu um rato: os paineleiros benfiquistas leram um mail datado de junho do ano passado - curiosamente, o mesmo mês em que Luís Bernardo saiu do Sporting e foi anunciado como diretor de comunicação do Benfica (fica registada a coincidência) - em que Bruno de Carvalho terá passado várias informações relativas à posição que o Sporting tem sobre... assuntos do Sporting. Segundo Pedro Guerra, os tópicos mencionados nesse mail - de forma bastante resumida - eram a especulação que havia na altura sobre eventuais transferências de João Mário, Slimani e Naldo. O teor das informações passadas era coerente com as posições públicas da direção.

Os destinatários revelados por Pedro Guerra eram, unicamente, comentadores ligados ao Sporting. Não foi indicado nenhum comentador supostamente isento nem nenhum jornalista.

O momento mais engraçado foi aquele em que José de Pina batizou a cartilha benfiquista de Al Carnidão, uma sequela brilhante a outra criação sua: o Estado Lampiânico. Vale a pena ver:


Al Carnidão. Tem tudo para pegar. :)

Noutro tipo de registo, também vale a pena ver o que disse Paulo de Andrade, na CMTV, sobre o assunto. O comentador sportinguista confirmou ter recebido esse tipo de mails, mas sem a regularidade das cartilhas benf-- perdão, do Al Carnidão. Segundo Paulo de Andrade, recebeu 6 ou 7 mails de uma página no espaço de um ano, sendo que os últimos continham unicamente posts de Facebook de Bruno de Carvalho ou Nuno Saraiva. Aqui fica a sua excelente análise sobre todo este caso:


Está marcado para logo um novo capítulo sobre o Al Carnidão. Francisco J. Marques disse que vai revelar os destinatários dos briefings de Janela, garantindo que a lista é muito extensa. Vamos ver até que ponto é dirigido apenas a comentadores assumidamente benfiquistas, ou se vai incluir comentadores supostamente isentos e jornalistas. Isto promete.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

#CarregaRibeiro

Ribeiro Cristóvão, há pouco, sobre a agressão de Samaris. Dispensa comentários.



Gobern invocando a quinta emenda

No programa Trio de Ataque de ontem, a questão das cartilhas foi, como seria de esperar, um dos assuntos discutido pelos três comentadores residentes. Na qualidade de representante benfiquista, João Gobern teve oportunidade de se referir exaustivamente a esta questão. Sem confirmar ou desmentir ter alguma vez recebido a cartilha, defendeu-se usando o argumento de que tem mais um discurso diferente e mais elevado do que os restantes comentadores benfiquistas.

Foi, no entanto, curiosa a forma que Gobern encontrou para ilustrar a recusa em responder à questão sobre se costuma receber os briefings do Benfica:


A quinta emenda da constituição dos EUA dá o direito a uma pessoa de se recusar a responder a perguntas que a possam incriminar. Portanto, acaba por ser uma admissão bem humorada de Gobern em como recebe a cartilha. Não que isso fosse necessário, pois Francisco J. Marques escreveu isto no Twitter, na noite de ontem:


A conversa sobre a promiscuidade entre clubes e comentadores continuaria, acabando por ir parar às afirmações de Fernando Mendes em como os Benfica paga aos seus paineleiros. Aí, Gobern não teve problemas em negar tal alegação, mas depois...


... reconheceu ter pedido bilhetes para jogos. "Para aí 10 vezes, se tanto".

Gobern parece não ter percebido que eventuais pagamentos do Benfica aos seus comentadores é uma questão puramente ética, pois colocaria em causa a sua independência face ao clube. O facto de ter pedido bilhetes "para aí 10 vezes" não é ilegal - nem sequer grave -, mas sabemos que nestas coisas da ética a fronteira entre o certo e o errado é ténue. Basta relembrar a questão dos vouchers.

O comentador escudou-se no facto de ter um discurso mais sereno e equilibrado do que o dos Guerras e Venturas da vida - o que é uma realidade - e em não ser um assalariado do Benfica para colocar a sua independência acima de qualquer suspeita. No entanto, num determinado momento, acabou por se lançar para fora de pé:


Gobern lançou o repto para tentarmos encontrar momentos de discurso orquestrado com a cartilha. Desafio aceite! Lembro-me de várias intervenções suas em que o cheiro a cartilha é intenso, mas é sempre complicado demonstrar a ligação sem ter acesso aos briefings. No entanto, felizmente, registei há uns tempos uma situação em que essa orquestração é mais que óbvia. Será que Gobern se lembra de ter falado sobre as VMOCs do Sporting em janeiro de 2016?



Desafio superado, caro João Gobern?