domingo, 20 de agosto de 2017

Cinco bilhetinhos anti-crise

Golos madrugadores, golos bonitos para todos os gostos, controlo total e absoluto da partida num dos terrenos mais complicados do futebol português - que tem sido sinónimo de más experiências para nós nos últimos anos - e uma avalanche de oportunidades flagrantes para marcar: não podia ter sido melhor a resposta da equipa às frouxas exibições da última semana.

Jesus mexeu no onze e lançou Bruno Fernandes em vez de Podence, mas não repetiu o erro de Aves: colocou-o numa posição mais recuada em campo. Costuma dizer-se que a sorte protege os audazes, e o jogo não podia ter começado de melhor forma: não tinham passado ainda 3 minutos, e foi mesmo de uma posição mais recuada que Bruno Fernandes deu o mote para uma enorme exibição do Sporting. À bomba.




Bruno, o bombardeiro - uma das lacunas da última época foi a incapacidade do Sporting em tirar proveito da meia-distância. Pois bem: ontem, em Guimarães, esteve em campo Bruno Fernandes, o bombardeiro. Na realidade, o termo bombardeiro talvez não lhe faça justiça, tal a potência, distância e precisão dos projéteis: o primeiro golo, então, foi uma espécie de missil intercontinental de última geração. Ia repetindo a graça pouco depois, com um remate que saiu a rasar o poste esquerdo de Miguel Silva. Guardou munições para a segunda parte, marcando o seu segundo golo mais em jeito do que em força - apesar da distância para a baliza - e ainda picou uma bola que embateu na barra. Esta última pode ter sido, na realidade, um cruzamento mal medido, mas não é impossível que tenha sido propositado, tal era a forma em que se apresentou ontem. Ah, e esteve muito bem a fazer jogar o resto da equipa.

O assassino holandês - mais dois golos a juntar à conta pessoal. O primeiro num livre curto batido por Acuña, o segundo num lance desenhado a régua e esquadro por Battaglia e Fábio Coentrão. Já leva três golos em três jogos, que, no seu caso, é, simplesmente, business as usual.

Os estranguladores silenciosos - mais um jogo em que a defesa teve a folha limpa, e é perfeitamente óbvio que isso não é obra do acaso. Em organização defensiva, os jogadores têm estado muito bem na ocupação de espaços e nas compensações e apoios. A linha defensiva esteve muito bem: Mathieu joga com uma eficiência robótica, e promete fazer uma dupla memorável com Coates, mas Coentrão e Piccini também estiveram bem. Em transição defensiva, Adrien, Battaglia, Acuña, Gelson e Bruno Fernandes não demoram a cair nos homens que têm a bola ou que a podem receber de imediato. Resultado: o V. Guimarães não cheirou de perto a baliza de Rui Patrício. Criaram algumas ocasiões de perigo, mas exclusivamente a partir de tentativas de meia distância e de um lapso individual de Piccini. Nota-se que a equipa está perfeitamente confortável quando o adversário tem a bola, o que é um upgrade imenso em relação à época passada.

A alteração de posicionamentos no ataque de Jesus - o treinador colocou Bruno Fernandes um pouco mais recuado, ou seja, mais distante de Bas Dost, e, durante o jogo, trocou os extremos - colocando Gelson na esquerda e Acuña/Iuri na direita. Estas alterações funcionaram em pleno: Bruno Fernandes conseguiu ter mais espaço para pensar o jogo, e os extremos foram motivados a flectir para o meio para tirar partido do seu melhor pé, dando a faixa aos laterais - que subiram no terreno e ganharam a linha de fundo muito mais vezes do que nos jogos anteriores. É certo que o V. Guimarães cedo ficou desorientado - e por isso convém dar o devido desconto às facilidades que existiram a partir de uma determinada altura -, mas isso também se deveu, e muito, à diversidade de ameaças que esta alteração de posicionamentos providenciou.



Cinco a zero em Guimarães. Não vamos ser picuinhas.


MVP: Bruno Fernandes

Nota artística (1 a 5): 5

Arbitragem: Hugo Miguel poderia ter tido uma arbitragem excelente... se não tivesse sido traído pelo VAR. Não há razão nenhuma que justifique a não expulsão de Célis por um pisão em cheio com os pitons na zona do tendão de aquiles de Fábio Coentrão.



Cinco bilhetinhos anti-crise que ajudam a libertar algum vapor da panela de pressão em que o Sporting se transformou após as últimas exibições. Espera-se a abertura da tampa na próxima quarta-feira, com a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Por mim, é avançar com este onze em Bucareste.

13 comentários :

  1. Como leão espero só um resultado positivo.Não quero mais nada.

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  2. MdC,

    Arbitragem excelente? Uma dualidade de critérios impressionante, basta ver o amarelo ao Adrien. Celis já tinha agredido o bruno Fernandes com una cotovelada na primeira parte.
    Tudo ao contrário e sempre a favor do mesmo.
    Tivesse sido um jogo equilibrado e não saíamos de lá com uma vitória.

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    1. Mas é sabido que o Hugo Miguel, disciplinarmente, é muito permissivo. Não reparei na existência de uma cotovelada.

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    2. Permissivo so se for contra o SCP, porque o amarelo ao Adrien saltou com uma faclidade (para mim aquilo chama-se vontade) incrivel. Atencao que no lance com o coentrao o caceteiro nao leva sequer amarelo!

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  3. Arbitragem horrível.

    Quanto a este onze e táctica, é muito boa para jogar contra equipas que dêem espaço. Não serve tão bem para autocarros.

    Vamos ver como a equipa se comporta, mas com a excepção de uma ou outra posição, há largura de opções.

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    1. Também acho que não dá contra autocarros. Aí o Bruno Fernandes deve jogar no lugar do Adrien, com o Doumbia ao lado do Dost.

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    2. Mas atenção, não é impossível que o onze de ontem, com os extremos trocados, possa funcionar contra equipas fechadas. Mas é preciso vê-la mais vezes em ação.

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    3. Completamente de acordo.
      Damo-nos bem com as equipas que jogam um futebol aberto, ontem não foi excepção.
      É preciso que o antídoto anti-autocarro seja encontrado pois é esse o tipo de desafio que encontramos em mais de metade dos jogos desta Liga.

      Ontem foi uma lufada de ar fresco e reforço de nossa fé para este época.

      Essencial e importante vitória que tem também de acontecer mais vezes no nosso estádio, a nossa casa!

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  4. Bom dia Mestre. Depressão resolvida à BOMBA!

    Como tinha referido num post anterior, estávamos a ir na cantiguinha dos cartilhados e mesmo com 6 pontos em duas jornadas, já se estava a meter tudo em causa!!!

    Não éramos os piores e não passamos a ser o maiores, depois da exibição de ontem, acontece porém que a equipa mostrou compromisso perante as dúvidas e finalmente o treinador mudou estratégias e dinâmicas na equipa. Foi inteligente na troca de flanco dos extremos e finalmente houve ligação entre o meio campo e o ponta... Aqui a mestria e o jogão que Bomba Fernandes realizou é digna de aplausos de pé. Ontem tudo correu bem e com nota artística em todos os setores. Houve também uma arbitragem VERGONHOSA com uma dualidade de critérios a nível disciplinar de bradar aos céus!Como é que Celis consegue acabar o jogo?!!!

    Ganhámos estofo para quarta-feira. Que sejamos inteligentes e aproveitemos o bom momento que este jogo nos trouxe.

    O VAR tem várias interpretações para os jogos fora da luz e para os jogos na luz, e também para os jogadores do carnide e que pertencem ao carnide e os outros.

    Ontem o VAR nestes dois jogos ficou apresentado! (missas televisionadas, vão acontecer mais vezes).

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    1. Também dava um bom título. :) Em relação ao VAR, de facto aquilo que aconteceu ontem não se pode repetir. Hei-de escrever sobre isso em breve.

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    2. Este mestre é um artista!
      Não se esqueça de escrever sobre o penalti que deu a vitória contra o Setúbal, onde o Bas se projecta para cima do defensor e o penalti que ontem o Dost cometeu, empurrando com os dois braços o jogador vimaranense.
      #verdeárbitro

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  5. meanwhile, no reino da luz:

    http://sporting.filtro.pt/eliseu-coloca-risco-carreira-jogador-do-belenenses-sai-impune/

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  6. Confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com o Bruno Fernandes.

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