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sábado, 30 de dezembro de 2017

Notícia da RTP: há cinco jogos do Benfica de 2015/16 sob suspeita

Segundo a RTP, a PJ está a investigar cinco jogos do Benfica, da temporada 2015/16, de eventuais aliciamentos a jogadores de equipas adversárias. É também referido que os telemóvel de dois jogadores do Rio Ave, Cássio e Marcelo, possuem indícios fortes de alegado aliciamento.

De acordo com a mesma notícia, os telemóveis de Nadjack e Roderick já terão sido devolvidos pela PJ aos jogadores, que não participaram no Rio Ave - Benfica.

Aqui fica a peça da RTP, para quem não teve oportunidade de ver.



domingo, 17 de dezembro de 2017

Dois apontamentos sobre as revelações de ontem

1. Uma das mulheres cuja fotografia e preço foi enviada para Paulo Gonçalves disse à CMTV ter ido uma vez ao Estádio da Luz ver um jogo, acompanhada de Nuno Cabral e de um grupo de amigos, nos camarotes.

Isto, dito assim de forma isolada, pode não significar nada de grave, mas também pode querer dizer qualquer coisa. É que convém relembrar que o Expresso deu a conhecer, através dos emails a que tiveram acesso, que Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves trocaram, a certa altura, impressões sobre um pedido de Nuno Cabral de cinco bilhetes para um jogo - dois dos quais se destinavam a árbitros assistentes. Fica a dúvida: para quem seriam os outros dois bilhetes?

2. Na edição de ontem, o CM tem a seguinte informação numa pequena caixa:


Nada demais, considerando os serviços prestados por Nuno Cabral, mas, curiosamente, este não foi o único pedido de camisola que fez a Pedro Guerra nessa semana:




Jogadores diferentes e tamanhos diferentes. Fica a nota.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O acórdão do artista

No dia 3 de junho de 2016, Pedro Guerra enviou a Paulo Gonçalves um documento que designou por "acórdão do artista".


Este documento não era, nem mais nem menos, do que o acórdão da sentença de Paulo Pereira Cristóvão (e também de Vítor Viegas, o outro réu do processo), que tinha sido proferida alguns dias antes, resultando na condenação do ex-vice presidente do Sporting em quatro anos e meio de pena de prisão, com pena suspensa. 

O acórdão enviado em anexo é um PDF que não tem qualquer assinatura - seja dos juízes, seja assinatura digital. Não sei até que ponto é normal alguém conseguir uma cópia de uma sentença que não esteja assinada - presumo que as cópias a que normalmente as pessoas autorizadas têm acesso estarão assinadas de alguma forma -, mas como não sou um especialista na matéria, quero deixar claro que não estou a insinuar a existência de alguma ilegalidade na obtenção deste documento, até porque a sentença já era pública.

Primeira e duas últimas páginas do acórdão

Na realidade, Paulo Gonçalves foi apenas a primeira de várias pessoas a quem Pedro Guerra enviou o acórdão. Logo de seguida, reencaminhou o documento para outras distintas personalidades, como Carlos Janela, Luís Filipe Vieira, António Pragal Colaço, José Fanha Vieira, Horácio Piriquito, e até o nosso bem conhecido André Carreira de Figueiredo.


O tom empregado por Guerra nos seus mails é bastante bem disposto, típico de quem está a ter prazer na tarefa que tem em mãos. Aliás, o entusiasmo de Pedro Guerra sente-se não só nas palavras utilizadas, como também na velocidade com que distribuiu o acórdão do artista: tinha-o recebido na sua caixa de correio apenas 20 minutos antes, enviado por um tal de João Castilho.


Curiosamente, João Castilho é o nome...



... do advogado de Vítor Viegas, o outro réu do processo. Calhando um e outro serem a mesma pessoa, isto significaria que o Benfica obteve o documento - para os fins que sabemos - do advogado de um dos réus do processo, o que não deixa de ser algo extraordinário. Depois de conhecidas as sentenças, os advogados são livres de enviar os acórdãos para quem quiserem, pelo que, mais uma vez, não haveria aqui qualquer ilegalidade calhando um e outro João Castilho serem a mesma pessoa. Mas, usando um pouco de senso comum, seria de esperar que o advogado de um dos réus tivesse alguma reserva em fazer este obséquio a pessoas que estavam desejosas de incendiar a opinião pública com o conteúdo do documento cedido - e num sentido que nunca seria favorável ao bom nome dos réus, e do seu cliente em particular.

Uns meses mais tarde, o nome do advogado João Castilho apareceria na lista de convidados para o jantar de encerramento da candidatura de Luís Filipe Vieira às eleições de novembro de 2016.


Mais uma vez, quero deixar bem claro que não estou a insinuar a existência de alguma ilegalidade, mas acho que este caso pode ser bem demonstrativo do tal polvo de que se tem falado, aquele que não hesita em utilizar todos os contactos do meio do futebol, da política ou da sociedade civil para obter informações que lhe possam ser úteis em quaisquer circunstâncias. Infelizmente, noutros casos, as ilegalidades são mais que evidentes.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A opinião de Rui Pedro Braz sobre a polémica dos emails

Considerando que a maior parte da imprensa escrita tem ignorando quase por completo a questão dos emails - escondendo as notícias em pequenos espaços das páginas interiores sem qualquer referência de capa -, tem cabido a alguns programas de televisão a despesa do comentário sobre o tema mais polémico do momento. Um desses programas é o nosso tão apreciado Mais Tabaco que, como sabemos, se caracteriza por ter uma tonalidade mais vermelha do que a língua de uma criança com escarlatina.

Na passada terça-feira, um dos comentadores de serviço era Rui Pedro Braz, que foi chamado a comentar o tema dos emails.

Eis a intervenção inicial de Braz sobre o assunto:


De tudo o que viu até agora, não se apercebeu de quaisquer atos ilícitos, quaisquer indícios de crime ou quaisquer comportamentos de tráfico de influências. A única coisa que vê é devassa da vida privada. Acaba por ser normal: se excluirmos tudo o que foi revelado ao longo dos últimos meses antes de os emails terem sido disponibilizados ao público em geral, é natural que Braz, que diz não ter tido qualquer tipo de acesso à informação despejada na internet e não ter andado a vasculhar os emails de Guerra e Gonçalves, e limitando-se ao que tem sido noticiado - que, como sabemos, tem sido quase nada -, não consiga ter visto nada de nada que possa ser considerado reprovável.

É curioso, no entanto, que Braz - que só sabe aquilo que tem sido noticiado, whatever that is -, tenha dito o seguinte sete minutos mais tarde:


Braz não viu os emails sobre a amante do alto dirigente do CA da FPF, Braz não viu o email que revela haver selecionadores nacionais que são colocados na FPF para defender o Benfica, Braz não viu os emails em que Nuno Cabral envia todo o tipo de informação confidencial, Braz não viu os emails de jornalistas a prestarem vassalagem a Paulo Gonçalves, Braz não viu os emails que demonstram o recurso a offshores, mas Braz conhece pormenorizadamente o email do roubo das bolachas da Magda, que lhe permite condenar o escrutínio dos emails que tem sido feito por quem se interessa sobre o assunto. É realmente preciso uma pontaria extraordinária para ter falhado tanta coisa relevante e apanhado este caso insignificante em particular.

A postura de determinados comentadores em relação a este tema - empolando a questão do crime da extração e partilha dos emails, e limitando-se a eufemismos nas questões do conteúdo - resume-se bem nos 30 segundos do vídeo que se segue:


Divulgação das bolachas da Magda: "crime de invasão de privacidade".

Divulgação entre elementos da estrutura do Benfica das moradas de Bruno de Carvalho: "leva-nos logo a pensar qual é o interesse, não é?"

Delicioso.

P.S.: como sabem, não tenho grande apreço pelo Mais Tabaco, mas é justo separar Pedro Sousa dos restantes elementos do painel: é o único que consegue interromper a narrativa do grupo organizado de adeptos formado por Braz, Aguilar e Diamantino, e trazer a discussão de volta para o mundo real.


Ponto de situação dos emails #1: operadores de imagem / dados privados / convocatórias nas seleções jovens

São dezenas de milhar os emails divulgados das caixas de correio de Pedro Guerra e Paulo Gonçalves. Alguns desses mails já eram do conhecimento público, mas tem sido interessante perceber a dinâmica de trabalho da famosa estrutura benfiquista. Têm sido colocados vários emails nas redes sociais que demonstram a obsessiva atenção ao pormenor (isto é um elogio) e a total falta de ética e escrúpulos (uma característica perigosa quando combinada com a qualidade referida anteriormente) da estrutura que, a este nível, está definitivamente 10 anos à frente dos demais.
Do ponto de vista da gravidade dos atos cometidos, nada do que veio a público nos últimos dias supera aquilo que já tinha sido exposto, mas estes novos dados não deixam de ter a sua importância, no sentido em que servem para confirmar algumas suspeitas que já existiam ao nível dos relacionamentos entre o Benfica e determinadas figuras que gravitam à sua volta.
Vou tentar ir fazendo apanhados de algumas novidades, relevantes ou meras curiosidades, que vão sendo apanhadas por aí.
Comecemos, então:
I. O nível de detalhe a que se dão ao trabalho - Nuno Cabral envia emails a Pedro Guerra com a lista dos operadores de imagem que captam os jogos da I e II Liga. Aquilo que se poderá fazer com esta informação, só eles saberão...



II. Vasculham os dados pessoais de toda a gente - Bruno de Carvalho já tinha denunciado o email de Pragal Colaço onde são enviados dados sobre a sua casa e a casa da sua ex-mulher.

Aparentemente, Pragal Colaço tem um certo jeito para obter moradas de inimigos da estrutura benfiquista, já que já tinha feito o mesmo em relação a Jorge Coroado:


(via opolvo.pt)

O blogue opolvo.pt fez uma associação bastante pertinente a outro mail que já era conhecido: a obtenção desta morada surge cerca de duas semanas depois de Paulo Gonçalves ter comentado com Rui Gomes da Silva o desejo de partir a cara a Jorge Coroado.


Fonte: JN

Recordo que isto vem somar ao conjunto de SMS de Fernando Gomes que Carlos Deus Pereira - à data, presidente da AG da Liga - enviou para Pedro Guerra, onde se incluiam dados privados como o código para desativar um alarme (da casa? da sede da FPF).

(via Tu Vais Vencer)



III. As influências nas convocatórias das seleções jovens - outra questão que há muito estranha qualquer sportinguista é a disparidade do número de convocados do Benfica em relação aos do Sporting, sem que exista uma diferença de qualidade evidente (por vezes, alguns dos melhores jogadores do Sporting acabam por ficar de fora das convocatórias). Este mail talvez ajude a perceber como funcionam as coisa:

(via @buzz8051)

É bom ver que em 2008 Vieira tinha poder para colocar selecionadores na FPF. Para quem não saiba de quem se está a falar, João Santos desempenha atualmente funções de coordenador de formação do Benfica, tendo o seguinte currículo:


É bom ver que o Benfica sabe reconhecer os bons serviços que lhe prestam. A partir do momento em que saiu da seleção, foi sempre a subir na carreira. Curiosamente, já se tinha cruzado com Vieira no Alverca.
Interessante, também, constatar que o Porto também lá tinha alguém para zelar pelos seus interesses. Mais uma vez, e à semelhança do que já tinha acontecido na luta pelo poder nas Associações ou nos clubes do coração dos árbitros, o nome do Sporting não é mencionado na luta na lama entre Benfica e Porto que vai acontecendo em vários tabuleiros do futebol português.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Apito Abençoado: O email da amante

Durante a tarde de ontem, foi divulgado um link com um ficheiro que contém os emails de Pedro Guerra que foram parar às mãos do Porto. São milhares e milhares de emails que ocupam um total de 6 GB. Fiz uma pesquisa inicial, começando por aqueles que foram enviados por Nuno Cabral, e acabei por encontrar o email que Francisco J. Marques referiu de passagem em que o então delegado da Liga passou informações sobre uma amante de um elemento do mundo da arbitragem.

Aqui fica o email:


O email tem uma imagem em anexo, com a fotografia de duas pessoas, um homem e uma mulher, que, pelo que se pode ler no corpo do email, são irmãos. Segundo Nuno Cabral, a mulher tem muita influência nos meandros da arbitragem e é amante de um alto responsável do Conselho de Arbitragem da FPF.

Retirei o nome dos irmãos e da empresa, por não achar relevante estar a expor essa informação publicamente, nem vou mostrar a fotografia. O nome do “alto responsável do CA” não é indicado neste email, mas é óbvio que Nuno Cabral sabe de quem se trata.

De qualquer forma, não deixa de ser interessante observar o tipo de emails enviados que um delegado da Liga em funções entendeu enviar a um elemento da estrutura benfiquista. E nem vale a pena referir a utilização que pessoas mal intencionadas poderão fazer de informações desta natureza.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

As novas aventuras de Nuno Cabral, o menino bonito do Benfica

Francisco J. Marques revelou ontem, no Porto Canal, mais alguns emails enviados por Nuno Cabral, autoproclamado candidato a menino bonito do Benfica, a elementos do Estado-Maior da estrutura encarnada: Paulo Gonçalves e Pedro Guerra.

Sem mais demoras, aqui estão os vídeos:




I. Nuno Cabral envia a Paulo Gonçalves dados detalhados sobre os árbitros e observadores nomeados para jogos do Benfica


O mais curioso, para mim, é que de todos os nomes mencionados, só um é adepto do Sporting - curiosamente, o observador que é descrito como sendo "exigente e honesto". Os oito árbitros mencionados são todos do Benfica (5) ou do Porto (3). Nem um é do Sporting. Estatisticamente, seria de esperar que aparecessem pelo menos dois... mas não posso dizer que tenha ficado surpreendido com isto.


II. Nuno Cabral envia a Pedro Guerra um email a dizer que o árbitro Hélder Lamas não pode subir à 1ª categoria


Não faço ideia se Hélder Lamas é ou não um dos árbitros de 2ª categoria mais promissores, mas convém registar que Francisco J. Marques não é pessoa inteiramente desinteressada ao fazer essa afirmação. De qualquer forma, o que fica verdadeiramente comprovado com este email é que:

1. O Benfica está muito atento às promoções dos árbitros (e pode-se presumir que exerce o poder - muito ou pouco - que tem), com a evidente intenção de povoar a 1ª categoria de gente que esteja naturalmente mais predisposta a agir de forma simpática.

2. Nuno Cabral está convencido de que existem árbitros que são protegidos do Porto, ou seja, pode-se perceber que pensa que o Porto também exerce o mesmo tipo de influências que o Benfica.

3. O nome do Sporting não é referido nestas guerras.

Fica perfeitamente claro quais são os verdadeiros pontos de instabilidade do futebol português. Pena é que não exista ninguém nas estruturas do futebol ou na comunicação social que tenha coragem para o assumir.


III. Nuno Cabral envia a Paulo Gonçalves informações detalhadas sobre uma reunião de delegados da Liga


Relembro que, a esta data, Nuno Cabral ainda era delegado da Liga, estando, portanto, obrigado à isenção e a manter-se equidistante dos clubes. Tráfico de influências no mínimo, corrupção caso tenha havido determinados tipos de contrapartidas pelos serviços prestados (pelo menos bilhetinhos, viagens e hotéis já sabemos que existiram). Mais palavras para quê?


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Argumentação em modo de autodestruição

Curiosamente ou talvez não, o discurso de Luís Aguilar sobre as revelações da revista Sábado na noite de quarta-feira encontram imensos pontos coincidentes com os argumentos que Rui Pedro Braz tinha apresentado umas horas antes na edição da tarde do Mais Tabaco.

Adicionalmente, Aguilar recuperou uma linha de argumentação benfiquista usada incessantemente na altura em que o assunto dos vouchers dominava a atualidade do futebol.

Refiro-me a dois casos em concreto:


"Ninguém se vai vender por uma refeição, por um jantar, por um almoço, seja pelo que for (...) não me parece que tenham necessidade de estar a venderem-se por causa de um almoço ou de um jantar"

OK, não têm necessidade de se venderem por uma refeição. Certo. Mas também não tinham necessidade de aceitarem e utilizarem o voucher. E no entanto, aceitaram-no e, em alguns casos, utilizaram-no.

Ricardo Salgado tinha necessidade de receber uma "prenda" de 14 milhões de José Guilherme, quando a sua fortuna pessoal estava avaliada na casa dos milhares de milhões de euros? Seguramente que não. Mas, no entanto, aceitou-os.

A argumentação de Aguilar é, obviamente, absurda. Está mais do que comprovado que a corrupção não assenta numa questão de necessidade. Há quem o faça porque fez disso um modo de vida, há quem o faça porque não é capaz de resistir a uns abonos que dão sempre jeito, há quem o faça porque gosta de demonstrar o poder que tem, há quem o faça por amor a uma causa. Terão todos os árbitros aceitado corromper-se por causa dos vouchers? Seguramente que não. Mas também ninguém pode garantir que nenhum árbitro se deixou corromper por causa dos vouchers.



"Não me parece que seja aqui grave que o Benfica tenha tido acesso a esta informação, acho realmente que Paulo Gonçalves daqui para a frente irá com certeza ter mais cuidado"

E assim, numa simples frase, toda a linha de argumentação de Luís Aguilar se autodestrói: se esta situação não é grave, se não tem nada de mal, então por que é que Paulo Gonçalves terá de ter mais cuidado daqui para a frente? Uma contradição na linha da decisão do Benfica em deixar de oferecer vouchers. Se não tinha nada de mal, por que razão deixaram de os oferecer?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Benfica teve acesso privilegiado a depoimentos dos árbitros

Artigo da revista Sábado, de autoria de Carlos Rodrigues Lima - LINK.



Benfica teve acesso privilegiado a depoimentos dos árbitros


Depois da Liga ter aberto um inquérito, em Outubro de 2015, resposta preparada pela APAF para os árbitros chegou a Paulo Gonçalves a 7 de Novembro. Luís Filipe Vieira prestou declarações quatro dias depois.

Quatro dias antes de prestar depoimento na Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga sobre o caso dos vouchers, o presidente do SL Benfica, Luís Filipe Vieira, muito provavelmente já saberia o que é que os árbitros testemunharam acerca daquela matéria. Tudo porque no mesmo dia em que a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol enviou para os associados uma "resposta-tipo" para ser entregue à CIIL, o documento chegou a Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica.


De acordo com a reconstituição feita pela SÁBADO, depois de, em Outubro de 2015, a CIIL ter aberto um inquérito ao caso, denunciado pelo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, a 7 de Novembro daquele ano a APAF enviou para árbitros, árbitros assistentes, segunda categoria, estagiários e observadores uma "sugestão de resposta" à CIIL. "Os árbitros e assistentes solicitaram à APAF aconselhamento jurídico, no seguimento de um pedido da Comissão de Inquéritos da Liga", explicou à SÁBADO José Fontelas Gomes, então presidente da associação, actual presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

O documento chegou naquele mesmo dia ao email de Paulo Gonçalves, que o reencaminhou para Ricardo Costa, consultor da Abreu Advogados e antigo presidente da Comissão de Disciplina da Liga. No processo dos vouchers, Luís Filipe Vieira prestou declarações na CIIL a 11 de Novembro de 2015.

Leia toda a história na edição 708 da Revista SÁBADO, esta quarta-feira nas bancas.



A grande questão é saber quem fez chegar este mail a Paulo Gonçalves, que a Sábado, aparentemente, não conseguiu apurar - o que é estranho, considerando que deverão ter os emails nas suas mãos. Segundo o mesmo artigo da revista Sábado, a informação foi depois enviada pelo assessor jurídico benfiquista para o endereço contraosistema@iol.pt, cuja titularidade tem sido atribuída a Ricardo Costa, por, noutros mails, Paulo Gonçalves se ter dirigido a este indivíduo por "Ricardo".

Por razões óbvias, o facto de o documento da APAF ter chegado ao Benfica demonstra a existência de conluio para fintar a polémica dos vouchers, pelo que é fundamental que se apure quem foi o autor da fuga.

A revista Sábado também revelou que, noutra troca de emails ligada ao mesmo assunto entre Paulo Gonçalves e uma das firmas de advogados que trabalha para o Benfica, o assessor jurídico sugeriu que Vieira mudasse o seu depoimento sobre a alteração da política de oferta de vouchers no início de 2013/14 (altura em que o Benfica passou a oferecer vouchers de 4 refeições a cada elemento da equipa de arbitragem, observador e delegados, em vez dos vouchers de 2 refeições que ofereciam anteriormente): em de ser o presidente a assumir a responsabilidade, deveria atribui-la a um qualquer elemento do departamento de futebol responsável pela execução da cortesia.

O pormenor de considerarem que refeições para 2 pessoas não era cortesia suficiente é absolutamente delicioso...

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fantasy journalism

As fantasy leagues (ou ligas virtuais) são um fenómeno cada vez mais popular entre os adeptos de vários desportos. O formato mais normal neste tipo de passatempos é bastante simples: cada pessoa dirige uma equipa e tem um orçamento para a formar, escolhendo um conjunto de jogadores que, ao longo da época, lhe irão dando pontos em função do seu rendimento nos jogos reais. O critério de escolha que cada pessoa segue costuma andar à volta das suas preferências pessoais (normalmente todos fazemos questão em incluir alguns jogadores da nossa equipa preferida) e da perceção dos pontos que cada jogador poderá dar ao longo da competição. Tudo isto, sempre dentro das limitações que os orçamentos impõem - nunca ninguém fica com todos os jogadores que escolheria caso não existisse qualquer restrição.

No jornalismo desportivo, e em particular no que diz respeito aos editoriais da nossa imprensa escrita, passa-se um fenómeno semelhante: quando escrevem, muitos diretores/subdiretores/adjuntos parecem limitados por determinados critérios à boa maneira das fantasy leagues, e não abordam todos os temas que deviam merecer a sua atenção - preferindo restringir-se a um sub-universo da realidade que coincide com os assuntos que não colocam em causa as suas crenças pessoais. Tudo aquilo que for demasiado delicado, é como se não existisse. É uma espécie de fantasy journalism à portuguesa.

Vem isto a propósito dos editoriais que Vítor Serpa e Nuno Farinha escreveram ontem n' A Bola e Record, no dia seguinte ao rebentamento do caso Piriquito:



Duas abordagens diferentes. Serpa foi direto ao tema do momento, mas, de forma relativamente habilidosa, dirigiu-o para onde mais lhe interessava: que os emails poderão não servir de prova; que os emails envolvem figuras menores e figuras mais representativas da administração; e que os responsáveis pelas ações condenáveis são gente pouco recomendável com quem a administração do Benfica não devia conviver nem deixar agir em seu nome.

Tudo isto é um enorme understatement. Primeiro, os emails poderão não servir de prova... mas também podem servir. Neste momento isso é irrelevante para a análise que deveria ser feita à atualidade. Segundo, o caso não envolve apenas figuras menores (suponho que se refira a Pedro Guerra) e figuras mais representativas da administração (suponho que se refira a Paulo Gonçalves): já mete administradores, como Domingos Soares Oliveira, e o próprio presidente Luís Filipe Vieira. Terceiro, a gente pouco recomendável a que Serpa alude é, quer queira, quer não, gente colocada pelas altas patentes do Benfica, de forma inteiramente consciente, para fazer precisamente o tipo de tarefas que os emails revelaram. Isso faz com que a administração e presidente sejam tão pouco recomendáveis como os indivíduos que contrataram para agir em seu nome.

Mas olhar para o editorial de Nuno Farinha é um exercício ainda mais fantasioso. Farinha não só ignora por completo a questão Piriquito e os emails que a levantaram, como tem a distinta lata de falar na redução da suspensão de Nuno Saraiva e do juiz que é adepto do Sporting e daqueles que usa cachecol e publica fotos no Facebook. No dia seguinte à demissão de um membro do Conselho Fiscal da FPF e do anúncio da federação de que vai entregar o caso à PJ, Nuno Farinha acordou repentinamente para o fenómeno do papel dos diretores de comunicação. Para piorar, usa como exemplo benfiquista um esclarecimento sobre uma falha no sistema de videovigilância da Luz - repito, no dia em que rebentou o caso Piriquito e em que houve uma exigência de demissão do Benfica de um juiz que nada fez de errado, Farinha escolheu dar como exemplo um esclarecimento sobre uma falha no sistema de videovigilância. Carlos Janela, ao ler tais argumentos, deve ter aproveitado para tirar notas para distribuir pela sua lista de contactos. Isto é o fantasy journalism elevado ao seu mais alto expoente.

A abordagem habilidosa de um e a abordagem descarada de outro têm, no entanto, uma coisa em comum: nenhum dos dois jornalistas aproveitou o seu espaço de opinião - que tanta vez é usado como local de critica cerrada ao Sporting e, em especial, a Bruno de Carvalho - para aquilo que, neste caso, seria o ponto essencial da análise ao que se passou no dia anterior: repudiar, de forma clara, as ações de Horácio Piriquito e do clube que dá guarida a Pedro Guerra. 

Para pessoas que se dizem tão preocupadas com o futebol português, é estranho que não o tenham feito. Infelizmente, já todos percebemos que as regras do fantasy journalism não são as mesmas que se usam no jornalismo sério.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Obviamente, demitiu-se

"Tenho que me demitir? O que passou se?"

Desfecho inevitável. Pena apenas patético o comunicado que Horácio Piriquito escreveu para anunciar a sua saída do Conselho Fiscal da FPF. Os mails revelados pela Sábado demonstram uma completa consciência da gravidade do que estava a fazer, pelo que é escusado vir com conversas daquelas.


Não estará na altura de chamar os bois pelos nomes?

É um exercício interessante ver como os programas de informação dos diferentes canais deram a notícia do envio de documentos internos da FPF por parte de Horácio Piriquito para Pedro Guerra. A esmagadora maioria das peças identificou Pedro Guerra como sendo "um comentador ligado/afeto ao Benfica, o que é um eufemismo gritante:



Um comentador ligado/afeto a um clube é algo que pode ser utilizado para descrever João Gobern, Manuel Serrão, José de Pina ou até Rui Gomes da Silva (agora que já não faz parte da direção do clube ou da SAD), mas é curto, muito curto, para designar alguém como Pedro Guerra. A maior parte dos adeptos benfiquistas tenta fazer passar que Pedro Guerra nada tem a ver com o Benfica, mas toda a gente sabe que isso não é verdade: Pedro Guerra trabalha para o Benfica a tempo inteiro, recebe um salário do Benfica, o seu local de trabalho é em instalações do Benfica, usa a conta de email que o Benfica lhe forneceu, para tratar de assuntos que interessam, direta ou indiretamente, ao Benfica.

Está na altura de se começar a chamar os bois pelos nomes: Pedro Guerra é um elemento da estrutura do Benfica, pelo que é assim que deve ser descrito. Aquilo que faz, no âmbito das funções (sejam elas quais forem e tenham elas o nome que tiverem) que exerce no Benfica, implica o Benfica. Aquilo que determinará se o Benfica será ou não punido desportivamente - se se chegar à conclusão que existe um delito cometido por Pedro Guerra - dependerá, sobretudo, do tipo de crime que estiver em causa.

P.S.: A SportTV+ conseguiu a maior proeza de todas, que foi dar a notícia sem referir em algum momento os nomes de Horácio Piriquito, de Pedro Guerra e do Benfica. Isto é que é informação rigorosa e completa...

Mais um menino querido (ou o Piriquito que dá mais do que a patinha)

Excerto do artigo da edição de hoje da revista Sábado: LINK
O comentador Pedro Guerra recebeu durante vários meses documentos internos da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) relacionados com auditorias trimestrais, os quais não eram de divulgação pública. O acesso de Guerra a tais documentos apenas foi possível com a colaboração de Horácio Piriquito, gestor e membro do Conselho Fiscal da FPF, que lhe foi passando várias dessas auditorias.
Confrontada com os documentos em si, a Federação Portuguesa de Futebol garantiu à SÁBADO que os mesmos "são internos, sem acesso público". Questionada ainda se algum membro dos órgãos sociais poderia fazer a sua divulgação, a Federação insistiu: "São documentos internos da FPF".
Num dos emails trocados, em Setembro de 2015, depois de ter recebido mais um relatório da auditoria interna, Pedro Guerra, começando por agradecer o envio do documento - "que guardarei religiosamente e de forma confidencial, claro!", escreveu - quis saber a opinião do membro do Conselho Fiscal quanto a "uns devedores manhosos" os quais iriam deixar a Federação Portuguesa de Futebol "pendurada". "Não achas", questionou Guerra. 
Na resposta, Horário Piriquito, explicou que "muitas vezes são as associações que estrangulam ou beneficiam os clubes, conforme os alinhamentos ‘clubísticos’". Daí, continuou Horácio Piriquito, "as corridas do SLB e do FCP ao domínio das associações". "Se uma associação é portista pode atrasar os pagamentos a um clube alinhado com o Benfica, e vice-versa", acrescentou. É claro, disse ainda Horácio Piriquito, que "estas coisas nunca se podem escrever, só dizer e com pouca gente a ouvir".

As partes a negrito são de minha responsabilidade.

Infelizmente, já nada disto surpreende. A serem verdadeiros estes dados, tudo indica que estaremos perante mais uma situação de tráfico de influências, desta feita envolvendo um membro em funções dos órgãos sociais da FPF.


Fernando Gomes não pode fazer de conta que nada se passa, e tem de afastar imediatamente Horácio Piriquito da FPF.

Já agora, seria bom que a PJ aproveitasse a dica de Horácio Piriquito para olhar para a bandalheira que é o jogo de poder nas associações de futebol.

EDIT 11h06 - Entretanto a FPF já reagiu em comunicado:

"Comunicado da Federação Portuguesa de Futebol

1. A FPF tomou conhecimento no início da semana da possibilidade de documentos internos de controlo de gestão da Federação Portuguesa de Futebol terem sido partilhados com pessoas exteriores à FPF;
2. Por em causa poder estar a violação de segredo, a FPF denunciou o referido facto à Polícia Judiciária, disponibilizando-se para os procedimentos entendidos por convenientes;
3. O conteúdo da revista «Sábado», publicado esta quarta-feira online, aponta no sentido de os documentos internos da FPF terem sido partilhados por um elemento eleito para o Conselho Fiscal, pelo que a Direcção da FPF decidiu remeter nesta data, o conteúdo do artigo publicado para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, apresentar queixa à Procuradoria Geral da República, por se tratar de eventual crime desta dependente, e requerer a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária para discussão e votação da proposta de destituição de titular de órgão social da FPF, por violação grave de deveres estatutários."


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A defesa de Miguel Lucas Pires

Miguel Lucas Pires, o juiz do TAD a quem o Benfica ofereceu cinco bilhetes através de Fernando Seara, invocou à revista Sábado o direito de resposta para contar a sua versão dos acontecimentos - que pode ser lida aqui: LINK.

A resposta é longa e está separada em vários pontos, mas gostaria de destacar a seguinte parte:
14. Acresce, ainda, que à data dos factos (Abril de 2017), não exercia funções de árbitro em nenhum processo em que fosse parte o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial, ou algum jogador, treinador, dirigente ou funcionário.
15. Desde a data dos factos e a até à presente data, não exerci funções de árbitro em nenhum processo em que fosse parte o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial, ou algum jogador, treinador, dirigente ou funcionário.

Isto não é verdade. Em junho de 2017, o TAD pronunciou-se sobre o processo que o Benfica colocou a Bruno de Carvalho. Miguel Lucas Pires foi o árbitro nomeado pelo Benfica nesse processo.


Mais uma cortesia descoberta, desta vez a um juiz do TAD

"Juiz" do Tribunal Arbitral do Desporto apanhado a pedir bilhetes ao Benfica

Miguel Lucas Pires confirmou ter solicitado através de Fernando Seara ingressos para um jogo no Estádio da Luz, mas garantiu não ter violado o Estatuto Deontológico dos árbitros do TAD.

Foi a 11 de Abril deste ano que o administrador da SAD do Benfica Domingos Soares Oliveira encaminhou por email um pedido: cinco bilhetes para o jogo Benfica-Marítimo da época passada. Os lugares, segundo o administrador, deveriam ser "jeitosos". Na resposta, Ana Zagalo, funcionária da direcção comercial, informou que "o melhor" disponível era no piso 1, bancada BTV ou no piso 1, sector 39, mais próximo da Tribuna Presidencial, mas menos central. O pedido em causa chegou ao administrador da SAD através de Fernando Seara e destinava-se a Miguel Lucas Pires, árbitro no Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), indicado pelo Benfica em alguns processos que correram naquele tribunal, como, por exemplo, o caso dos vouchers.

O Estatuto Deontológico do TAD é claro: "Quer durante quer depois de concluída a arbitragem, nenhum árbitro deve aceitar oferta ou favor proveniente, directa ou indirectamente, de qualquer das partes, salvo se corresponder aos usos sociais aceitáveis no domínio da arbitragem". O código de conduta estabelece que um árbitro designado por uma das partes "não é seu representante ou mandatário, estando, em todas as circunstâncias, sujeito às obrigações deontológicas previstas neste Estatuto", isto é, imparcialidade e independência.

Em resposta à SÁBADO, depois de questionado se tal pedido não violaria o estatuto de árbitro, Miguel Lucas Pires confirmou ter solicitado ingressos através de Fernando Seara, sublinhando nunca ter solicitado bilhetes a "a qualquer dirigente, funcionário, treinador ou jogador do Benfica". "À data em que foram solicitados os convites em causa, o Prof. Fernando Seara, ao que julgo saber, não exercia qualquer cargo na estrutura directiva do Benfica", referiu ainda Miguel Lucas Pires, acrescentando ter "há décadas" uma relação de amizade com Fernando Seara, desde o tempo em que este foi secretário-geral adjunto do CDS, liderado pelo seu tio, Francisco Lucas Pires.

Leia mais na edição nº706 da SÁBADO a partir de quinta-feira nas bancas (LINK)

A revista Sábado revela na edição de hoje mais uma oferta de bilhetes do Benfica a uma figura com um cargo relevante no edifício do futebol português. Desta vez, Domingos Soares Oliveira deu indicações para serem oferecidos cinco lugares "jeitosos" a Miguel Lucas Pires, juiz do TAD que tem sido chamado a deliberar sobre processos que envolvem o Benfica ou os seus rivais.

Miguel Lucas Pires defende-se dizendo que nunca pediu bilhetes diretamente ao Benfica ou a seus funcionários, mas isso é uma pobre desculpa: usar um intermediário para obter um favor de um clube é, neste caso, tão grave como o pedir diretamente. Pediu os bilhetes a Seara, mas sabia que Seara tem acesso privilegiado às figuras mais importantes do Benfica. E Seara, ao fazer o pedido, fez questão de indicar ao Benfica quem seria o destinatário das borlas. Está à vista de todos que o cargo do beneficiário desta cortesia não é indiferente às atitudes tomadas pelos diferentes intervenientes. 

Se Miguel Lucas Pires queria ver um jogo do Benfica, tinha bom remédio: comprar bilhetes como qualquer outro cidadão. Preferiu ir pelo caminho mais fácil, mas isso não é conduta compatível com o cargo que ocupa. Num país a sério, Miguel Lucas Pires teria de ser afastado imediatamente do TAD.

P.S.: como começa a ficar complicado recordar todas as informações já reveladas, aqui fica uma lista das ofertas de bilhetes do Benfica a pessoas com cargos de responsabilidade no futebol português:
  • Convites duplos para o jogo Benfica - Juventus para vários elementos do Conselho de Disciplina que tinham ficado "cheios de moral" por terem livrado Jorge Jesus de um castigo: Manuel Saraiva, Vítor Carvalho, Domingos Cordeiro, Leonel Gonçalves, Jorge Amaral e João Guimas - a pedido de João Leal, responsável pelos registos e transferências da FPF;
  • Convite (incluindo viagem, estadia e bilhete) para a final da Liga Europa para: Andreia Couto, dirigente da Liga;
  • Convite (incluindo viagem, estadia e bilhete) para a final da Liga Europa para Emídio Fidalgo, responsável pela nomeação dos delegados da Liga e peça fundamental para ignorar os incidentes que envolveram Jorge Jesus em Guimarães;
  • Convite (incluindo viagem, estadia e bilhete) para a final da Liga Europa para Nuno Cabral, delegado da Liga e auto-proclamado candidato a menino querido do Benfica;
  • Cinco convites para o jogo Benfica - Nacional para Nuno Cabral, delegado da Liga e auto-proclamado candidato a menino querido do Benfica, dois dos quais seriam destinados a dois árbitros assistentes;
  • Convite duplo para o jogo Benfica - Nacional para Ferreira Nunes (a.k.a. Frankc Vargas), para o camarote presidencial;
  • Convite duplo para o jogo Benfica - Nacional (jogo do título de 2015/16) para Simões Dias, ex-delegado que "safou" Paulo Gonçalves e Nuno Gomes de um castigo maior;
  • Oferta de 50 bilhetes para o jogo Benfica - Marítimo a Luciano Gonçalves, presidente da APAF.

sábado, 4 de novembro de 2017

A PJ foi à sede da FPF

A TVI noticiou ontem que a PJ se deslocou à FPF, por mais do que uma vez, para consultar documentos relacionados a investigação em curso sobre o caso dos emails. Segundo a notícia, a PJ está a olhar para o processo de nomeações, atribuição de notas a árbitros e relatórios de delegados, recuando até ao ano de 2011. Estas visitas realizaram-se antes de a PJ ter realizado buscas no Estádio da Luz e nas residências de Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves, Pedro Guerra, Adão Mendes e Nuno Cabral.

Aqui fica a notícia para quem não teve oportunidade de ver.




terça-feira, 31 de outubro de 2017

The plot thickens

"Uma fonte ligada à investigação salientou à SÁBADO que está a ser pesquisada a hipótese de terem sido realizados pagamentos indiretos do clube/SAD, através da prestação de serviços jurídicos, a (ex-) árbitros e a outros responsáveis ligados à arbitragem. Esta é uma das suspeitas patentes no vasto acervo de emails, sobretudo quando se analisa uma troca de correspondência entre Paulo Gonçalves e Ferreira Nunes."

Este extrato do artigo de hoje da Sábado coloca o foco em algo que, calculo, seja um dos pontos centrais da investigação: a forma como dinheiro chega. Espero que se lembrem também de analisar as contas dos familiares de gente suspeita, e dos respetivos negócios.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A rede de influência do Benfica

A SÁBADO teve acesso a 20GB de emails dos encarnados. Juíza que ordenou buscas este mês disse existirem “novos elementos probatórios” que “adensaram as suspeitas” de corrupção.
"Os factos sob investigação respeitam à suspeita da actuação de responsáveis do SLB-SAD, que, em conluio com personalidades do mundo do futebol e da arbitragem, procurarão exercer pressão e influência junto de responsáveis da arbitragem e outras estruturas de decisão do futebol nacional, tendo em vista influir na nomeação e classificação de árbitros nesse âmbito", refere o documento da juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, que foi apresentado aos alvos durante as buscas de 19 de Outubro, que ocorreram após outro juiz de instrução, em Julho, as ter inviabilizado.

Retirado daqui: LINK.

Nada que surpreenda, considerando aquilo que o Porto foi divulgando ao longo dos últimos meses. Gente com responsabilidade (maior ou menor) no futebol português ofereceu-se para ajudar (e comprovadamente ajudou) o Benfica, sendo que algumas dessas pessoas receberam contrapartidas pelos serviços prestados. Há material mais que suficiente para a suspeita de prática de corrupção e tráfico de influências nos mails são claros. Aguardo com interesse o que será revelado amanhã pela revista Sábado.