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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Vitória hardcore

Começa a ser uma ciência: quando o Sporting ganha à tangente, pode-se aferir a importância da vitória e o nível da azia dos rivais pelo tempo que o presidente do clube adversário passa na sala de imprensa após o final da partida. Nesse sentido, considerando que defrontávamos uma espécie de Benfica C (sendo que o Braga é o Benfica B e o Benfica B é o Benfica D), o jogo de ontem não poderia ter terminado de forma mais apropriada para testar a teoria acima exposta. Golo marcado nos descontos dos descontos dos descontos que deu direito a um presidente na sala de imprensa a mostrar fotos de mazelas de jogadores em lances perfeitamente limpos e a barafustar com a compensação de tempo demasiado esticada por João Capela (aqui com alguma razão, admita-se). Sendo esse presidente um benfiquista assumido que tem o condão de contagiar esse benfiquismo aos treinadores e jogadores que lidera sempre que a sua equipa defronta um grande - principalmente quando o adversário é o Benfica - é fácil compreender a sua a frustração - não tanto pelo ponto perdido - que não lhe deverá fazer particular falta, considerando que o objetivo da manutenção está bem encaminhado -, mas sobretudo pela mala que voou e pela impossibilidade de um certo rival do seu adversário poder assumir o segundo lugar isolado na classificação. Há dias assim.

Foto: Vítor Parente / Kapta+ (zerozero.pt)



Até ao fim - as circunstâncias eram bastante desfavoráveis: havia o desgaste acumulado durante a semana com duas viagens intercontinentais e uma partida exigente, e, para piorar, um dos poucos jogadores poupados a esse esforço foi expulso, deixando a equipa em desvantagem numérica durante meia-hora. Jesus preferiu não mexer na equipa e colocou William como central improvisado. Como seria de esperar, o Sporting não foi capaz de fazer um final de partida tão esclarecido como seria desejável, mas nem por isso deixou de criar ocasiões para marcar. Foi um daqueles jogos ganhos com o coração, graças à superação de esforço de todos os que estavam em campo. Vitória hardcore, mas inteiramente merecida.

A importância de ter Dost - marcou mais um golo que foi só encostar, correspondendo a um magnífico cruzamento de Acuña, mas o holandês teve participação decisiva na construção da jogada, fazendo a ligação com Bruno Fernandes (que depois faria o passe para Acuña) com um precioso toque em habilidade. Não marcou o segundo golo, mas também teve um papel fundamental na jogada ao servir Doumbia com um toque de cabeça em esforço. Ricardo Costa antecipar-se-ia ao costamarfinense desviando a bola para o poste, e Coates faria o resto. O regresso de Dost não podia ter corrido de melhor forma.

A resposta ao golo do Tondela - boa reação da equipa, que aumentou a velocidade de execução e a pressão sobre o adversário, encostando o Tondela às cordas. O golo de Dost surgiu com naturalidade, e a equipa poderia ter perfeitamente chegado ao intervalo em vantagem.



Equipa hardcore - Pepa prometeu e a sua equipa não o desiludiu. A partir do momento em que o Sporting começou a mandar no jogo, o Tondela entrou em modo castanhada e conseguiu superar largamente a média que faz deles a equipa mais faltosa da liga. 24 faltas, algumas delas bastante duras e que não nem sempre foram punidas em conformidade, que ajudará a subir a média de 18 faltas que tinham até esta jornada. Curiosamente, Pepa ainda não explicou em que ilha deserta ficou perdida a equipa hardcore no dia do jogo contra o Benfica, partida que apenas cometeram... 8 faltas. Uma equipa pouco séria, que tem por hábito ser das mais duras do campeonato, mas que estende a passadeira quando o adversário ao Benfica. A rábula do presidente do Tondela após o final do jogo foi a cereja no topo do bolo. Se há uma equipa que merece perder desta forma hardcore, o Tondela é seguramente uma delas.

(via @paravertudo)



A arbitragem - João Capela fez uma excelente arbitragem... até ao tempo de descontos da primeira parte. Deu apenas um minuto adicional (quando houve uma assistência que, sozinha, durou quase dois minutos) e nem deixou marcar um canto conquistado antes desse minuto adicional se ter esgotado. A segunda parte foi muito fraca, com erros para os dois lados. O mais falado é, obviamente, a extensão do tempo de descontos da segunda parte, que foi exagerado (apesar de não tão exagerado como se diz por aí, pois houve imensas paragens após os 90'). Mas, por outro lado, os quatro minutos de descontos, numa segunda parte que teve muitas paragens e substituições, foram compensação demasiado curta. Mathieu foi bem expulso, mas Pedro Nuno devia ter visto também ordem de expulsão - segundos antes tinha simulado uma falta sem ver amarelo, e a varridela a Rúben Ribeiro foi alaranjada. Pareceu-me haver um penálti por assinalar sobre Coates aos 73', mas infelizmente o VAR não fez a revisão desse lance. O amarelo a Murillo por simulação não faz sentido: apesar de não ter havido penálti, o desequilíbrio é natural face à pressão que estava a sofrer de ambos os lados. Coates devia ter visto amarelo por tirar a camisola nos festejos. Arbitragem obviamente negativa, mas não tão inclinada quanto os Benfica Press's da vida quererão fazer crer.

A expulsão de Mathieu - segundo amarelo bem visto, numa asneira pouco compreensível num jogador tão experiente. Esteve muito perto de comprometer decisivamente a conquista dos três pontos.



Nota artística: 4 até à expulsão, 3 no geral.

MVP: Bas Dost



Vitória hardcore, obtida no final de um tempo de descontos hardcore, contra uma equipa que prometia ser hardcore e foi efetivamente hardcore. Curiosamente, foi uma espécie de reedição do jogo de estreia do Tondela na I Liga, em casa emprestada... contra o Sporting, que também terminou em 2-1, com o golo da vitória a surgir aos 98'. Três pontos absolutamente fundamentais.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Admissão de Rúben no clube dos abraços

Numa partida em que Jesus decidiu dar uso imediato a uma das prendinhas que lhe foram oferecidas, dando a titularidade a Rúben Ribeiro, o Sporting conseguiu uma vitória tranquila sobre o Aves, mas não isenta de arrepios. Apesar de um domínio territorial constante do Sporting ao longo dos 90 minutos, o jogo dividiu-se por uma primeira parte em que as oportunidades de golo se equipararam para ambos os lados, e por uma segunda parte em que o Aves pareceu rebentar fisicamente - não terá ajudado o prolongamento disputado em Vila do Conde a meio da semana - e que o Sporting dominou por completo. No geral, uma exibição assim-assim em que a equipa soube gerir de forma competente o resultado, com maior destaque para duas figuras: Rúben Ribeiro, pelo papel fundamental no golo que desbloqueou o resultado em noite de estreia, e Dost, pelos motivos do costume.



Mais três - à 18ª jornada, Bas Dost já leva 19 golos marcados e ameaça bater o seu - já de si incrível - registo da época passada. Excluindo o penálti, teve três oportunidades para marcar e converteu duas, conseguindo uma taxa de aproveitamento acima dos 50% da praxe. Em relação ao penálti - e olhando para as últimas grandes penalidades que converteu -, dá a sensação que espera para ver para que lado vai cair o guarda-redes e só depois decide para onde atirar, normalmente sem grande força. Uma outra nota: convém relembrar que, há uns meses, havia sportinguistas que diziam que jogar com Dost era jogar com um a menos. Quando as coisas correm mal, há a tendência de muita gente em disparar em todas as direções. Por aqui se vê que convém dar tempo ao tempo, e isto devia servir de lição para quando acontecer o próximo desaire no campeonato.

A estreia de Rúben Ribeiro - considerando as declarações de Jorge Jesus sobre a contratação Rúben Ribeiro a meio da semana, estava à espera que o ex-vilacondense fizesse parte dos convocados e que fosse a jogo em caso de necessidade, mas nunca imaginei que fosse imediatamente lançado como titular. Justificou-se a confiança do treinador no jogador, graças, sobretudo, à forma como inventou, sozinho, o espaço para um cruzamento perfeito para o primeiro golo de Dost. Ao fim de trinta minutos em campo com a nova camisola, estava feita a admissão de Rúben no clube dos abraços do matador holandês. De resto, teve uma exibição positiva, revelando excelente toque de bola e boa leitura de jogo, ainda que se tenha notado que, em determinados momentos, não estava completamente sintonizado com os colegas. Considerando que chegou há apenas dois dias ao clube, era impossível pedir-lhe mais.

Novamente Patrício - duas intervenções complicadas na primeira parte que permitiram ir para o intervalo em vantagem no marcador, que ajudam a reforçar a excelente época que está a fazer.

A confiança de Piccini - o italiano recuperou a titularidade e fez, provavelmente, a exibição de maior balanceamento ofensivo desde que chegou ao Sporting, acabando por ser premiado com a assistência para o terceiro golo. Defensivamente, teve apenas um erro (que é como quem diz "um erro mais do que é normal"), quando não conseguiu acompanhar Amilton na única oportunidade que o Aves teve pelo seu lado.


Facilitismos na primeira parte - apesar de o domínio territorial ter sido evidente durante toda a partida, há que reconhecer que o Aves dispôs de mais oportunidades para marcar do que seria desejável. Em duas delas foi Patrício a resolver, na outra foi a barra a salvar. Nas duas ocasiões que surgiram pelo nosso lado esquerdo da defesa, não havia qualquer apoio dos médios. Some-se a isso alguns momentos de desconcentração dos centrais, que, felizmente, acabaram por não causar problemas de maior. Tudo isto aconteceu na primeira parte. Na segunda parte o panorama mudou completamente, e o Aves não conseguiu criar qualquer perigo.



Não foi um jogo brilhante, mas o importante é que omeçámos a segunda volta da mesma forma que começámos a primeira: vencendo confortavelmente um adversário que é mais complicado do que aquilo que a classificação deixa antever, e recuperando provisoriamente o primeiro lugar. Sexta-feira há mais, com a deslocação a Setúbal.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Adamastor

Depois de dois pontos perdidos ao cair do pano no dérbi, era fundamental que o Sporting regressasse às vitórias contra o Marítimo, quinto classificado e uma das equipas menos batidas do campeonato, que chegou a Alvalade com 15 golos sofridos em 16 jogos. Entre o desgaste acumulado e as lesões, Jesus fez quatro alterações em relação ao jogo da Luz, lançando Ristovski, André Pinto, Bryan Ruiz e Podence nos lugares de Piccini, Mathieu, Acuña e Battaglia.

A equipa não se ressentiu das mudanças e dominou por completo o jogo - na primeira parte colocando um ritmo q.b., na segunda parte impondo-se de forma categórica com uma última meia-hora completamente avassaladora. O Marítimo encontrou ontem o seu Adamastor: sofreu cinco golos - que podiam ter sido mais -, acabando o jogo completamente à deriva e à mercê do adversário e do tempo de jogo que teimava em não se esgotar.




Why so serious? - não reparei no estádio, mas ouvi na rádio, no final do jogo, que Bruno Fernandes não festejou o 5º golo como resultado da frustração de não ter conseguido marcar nenhuma das bombas que lançou à baliza de Charles. Se eu conhecesse Bruno Fernandes pessoalmente, dir-lhe-ia que qualquer sportinguista viveria radiante se as suas exibições resultassem sempre em duas assistências, influência decisiva noutros dois golos, para além de ser um dos jogadores mais esclarecidos e dinamizadores do coletivo. Why so serious? Não marcou, mas foi apenas o melhor em campo.

O hat-trick de Dost - quis testar os nervos das bancadas quando, em boa posição para rematar, preferiu servir um companheiro com um toque de habilidade - infelizmente para Dost e para nós, o companheiro não estava no local onde o holandês acreditava que estivesse. Redimiu-se da melhor maneira, marcando três golos em que apenas teve de encostar para a baliza. Ainda assim, ninguém lhe pode tirar o mérito de saber estar no sítio certo na hora exata. Fechou a primeira volta com 16 golos marcados em 17 jogos.

Os laterais - quatro dias depois de um jogo de exigência máxima, Coentrão mostrou que as limitações que o condicionaram no início da época parecem definitivamente ultrapassadas. Está bastante mais confiante na sua própria capacidade física, e isso nota-se na forma como sprinta para pressionar o guarda-redes adversário, nas tentativas de drible ou desarme sem temer o contacto do adversário, e na facilidade aparente com que aguentou os 180 minutos dos últimos dois jogos. Mesmo sem o fulgor que demonstrava há cinco ou seis anos, é o melhor lateral esquerdo que me lembro de ver jogar no Sporting. Do outro lado, Ristovski foi titular e o melhor que se pode dizer do seu desempenho é que, sendo um jogador bastante diferente de Piccini, ninguém se lembrou do italiano durante o jogo. Sempre à procura de atacar a profundidade no seu flanco, pôs a cabeça em água ao lateral adversário com a sua velocidade e capacidade de entendimento com os companheiros. Tirou alguns bons cruzamentos, soube procurar várias vezes o espaço interior de forma competente, muito disponível para pressionar alto, e concentrado a defender. Exibição muito promissora.



A liga que temos - o quinto classificado veio a Alvalade jogar para o empate, correndo poucos ou nenhuns riscos. Praticamente abdicou de atacar, colocando as fichas todas para marcar nos lances de bola parada que eventualmente surgissem. A perder por 1-0, o Marítimo manteve a postura, na esperança de conseguir um golo fortuito que voltasse a empatar a partida. A perder por 2-0, o Marítimo manteve a postura, na esperança de conseguir um golo fortuito que voltasse a relançar a partida. A perder por 3-0, o treinador lá mexeu um pouco na equipa, mas o moral de quem ganhava e a falta de moral de quem perdia não permitiu que isso alterasse a dinâmica do jogo. A perder por 5-0, o jogo acabou, caso contrário seria uma questão de poucos minutos para surgir o sexto, e por aí adiante. Que triste liga é esta em que o quinto classificado não arrisca o quer que seja desde o primeiro minuto.



MVP: Bruno Fernandes

Nota artística: 4

Arbitragem: Jogo fácil para Carlos Xistra, que soube não complicar. De referir duas situações de dúvida de fora-de-jogo no ataque do Sporting em que a equipa de arbitragem optou (e bem) por deixar seguir - como os lances não deram golo, assinalaram o fora-de-jogo posteriormente. É assim mesmo que deve ser.



Primeira volta concluída com 13 vitórias e 4 empates, numa luta a três que promete decidir-se apenas no final. Prestação obviamente positiva de uma equipa que continua envolvida em todas as frentes. Esperemos que o reforço da equipa traga as mais-valias necessárias para que o Sporting consiga gerir os meses infernais que aí vêm.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Os bispos abriram a defesa e as torres terminaram o trabalho

Mais uma deslocação de risco após uma desgastante jornada da Liga dos Campeões, mais uma boa resposta da equipa, que continua a demonstrar uma boa noção das prioridades. A primeira parte não foi famosa, no entanto: a velocidade de execução colocada na construção pareceu sempre demasiado lenta para um Boavista fechado e pressionante no seu meio-campo. O jogo seria desbloqueado com um golo marcado num momento importantíssimo, que lançou a equipa para uma exibição segura e para uma vitória indiscutível num terreno sempre complicado.




Um golo no melhor momento possível - o golo de Coentrão, marcado no final dos três minutos de descontos que o árbitro concedeu na primeira parte, dificilmente poderia ter surgido em melhor altura. Grande trabalho de Dost a soltar a bola para Podence, que depois soube ter paciência e habilidade para dançar à frente de Talocha enquanto dava tempo aos colegas para se posicionarem na área. Soltou o esférico para o segundo poste onde apareceu Coentrão - bons 90 minutos - a finalizar. Um golo que desbloqueou um jogo que estava a ser difícil e que foi um importante tónico para uma bem melhor segunda parte.

A agressividade na segunda parte - apesar de ter inaugurado o marcador no último suspiro do primeiro tempo, foi pelo que fez na segunda parte que o Sporting fez realmente por merecer, de forma incontestável, a conquista dos três pontos. A maior pressão sobre a saída de bola do Boavista e o adiantamento em bloco da equipa nos momentos de posse encostaram os axadrezados à sua área e inclinaram em definitivo o campo e valeram, por duas vezes e no espaço de poucos minutos, a obtenção da tranquilidade no marcador.


O jogo que começou a ser ganho em Barcelona - Jorge Jesus fez questão de referir que a vitória no Bessa começou a ser construída em Barcelona, já que, segundo o seu ponto de vista, os jogadores poupados na Liga dos Campeões foram os melhores na partida com o Boavista. Não sei até que ponto é que um facto foi consequência direta do outro, mas gosto da forma como as prioridades têm sido definidas: campeonato acima de todas as outras competições, sempre e até ao fim.

Todos a oxigenar o cabelo, sff - Dost, portador de cabelo naturalmente claro, marcou dois golos após dois desvios de cabeça do louro Mathieu, outro portador de cabelo naturalmente claro, fechando o marcador que tinha sido inaugurado por Coentrão, portador de cabelo artificialmente claro, após um trabalho magnífico de Podence, recente portador de cabelo ainda mais artificialmente claro. Se há lendas que atribuem força sobrehumana à dimensão do cabelo, por que não haver uma associada à sua tonalidade?

O apoio vindo das bancadas - incrível o apoio dado pelos muitos sportinguistas que quase encheram uma das bancadas do Bessa. Mereceram a referência que Jesus lhes fez no final, e um exemplo para o punhado de assobiadores que têm aparecido em Alvalade.



Facilitismos - Piccini, com a bola controlada, atrapalha-se sozinho e perde a noção de onde ela estava, permitindo um contra-ataque do Boavista que acabou por valeu um amarelo a Coates. Mathieu é um grande central, mas tem a particularidade de ter o hábito de registar exatamente uma paragem cerebral por partida. A de ontem, ocorrida na primeira parte, não teve consequências graves. Coates, infelizmente, não pode dizer o mesmo: tentou fintar um adversário em zona proibida, e perdeu a bola, que só pararia nas redes de Patrício e relançou a discussão do jogo durante um par de minutos. 

Erros de arbitragem - Penálti não assinalado por falta nas costas de Podence no final da primeira parte. Mateus parece estar em fora-de-jogo no momento do passe que lhe é feito para o golo do Boavista, mas nem fiscal-de-linha (fez bem em deixar seguir) nem VAR (com maiores responsabilidades) o assinalaram - ainda assim, era um lance de análise difícil e compreendo que tenham dado o benefício da dúvida ao avançado do Boavista. Perto do fim, Gelson é derrubado por Sparagna numa altura em que ficaria isolado perante o guarda-redes. O boavisteiro devia ter sido expulso, mas só viu o amarelo. Alguns mais compreensíveis, outros menos compreensíveis, mas todos em prejuízo do mesmo clube. Curiosamente, estes erros sucederam-se pouco depois da existência de vários erros num outro jogo, todos em benefício do mesmo clube, o do costume. Haverá quem encontre explicações individuais para cada um destes erros, negando-os ou desculpando-os, mas o que ninguém conseguirá contestar é a improbabilidade estatística daquilo que vai sucedendo semana após semana: seria natural que, uma vez ou outra, os que são beneficiados também fossem prejudicados...



Mais um campo complicado que foi ultrapassado, que vale uma liderança provisória que, infelizmente, não deverá durar muito. Duvido que os jogadores do V. Setúbal, com os graves problemas que o clube tem atualmente, consigam bater o pé ao Porto. De qualquer forma, o caminho é este: só se formos fazendo sempre a nossa obrigação é que poderemos aproveitar os deslizes, previsíveis ou inesperados, que os outros possam ter.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Na luta até ao fim

Se houver uma nota artística aplicada ao pragmatismo de uma exibição, então penso que se pode dizer que o Sporting atingiu praticamente a perfeição no jogo de ontem contra o Olympiacos. Jogo completamente controlado do início ao fim, capacidade para criar várias ocasiões de golo sem oferecer aos gregos espaço para contra-atacar, e bom nível de eficácia no momento de meter a bola na baliza. Um desnível acentuado que ajudou a recordar que o domínio registado no jogo da Grécia - numa altura em que tínhamos o melhor onze disponível - não foi nenhum acidente, e que consolida um percurso europeu que, mesmo se não acabar como todos desejamos, tem de ser considerado muito positivo.




Na luta, a um jogo do fim - quando o sorteio agrupou o Sporting com estes três adversários, terão sido muito poucos aqueles que imaginavam que seria possível estarmos a disputar a passagem à fase seguinte no arranque da última jornada. Será muito díficil chegar ao 2º lugar? Certamente que sim, mas olhando para o que tem sido a qualidade de jogo das várias equipas neste grupo, não é de todo impossível. Defrontaremos um Barcelona já com o 1º lugar assegurado que terá margem para rodar a equipa, e os italianos vão a um estádio sempre complicado - onde o próprio Barcelona não passou. Resta saber qual a carne que os gregos colocarão no assador, tendo o seu destino europeu já definido. Mas, seja qual for o desfecho das partidas que restam, nada pode apagar uma participação muito meritória de um clube que, após alguns anos traumáticos, se voltou a habituar a jogar de igual para igual com qualquer equipa da Europa.

Killer Dost - o holandês estreou-se a marcar na fase de grupos da Liga dos Campeões (já tinha marcado um golo em Bucareste), respondendo da melhor forma à oportunidade falhada no início da partida. Está de regresso à sua melhor forma, voltando aos registos assombrosos de eficácia finalizadora. Se continuar assim, estaremos muito mais perto de vencer os jogos que se seguirão.

O regresso de alguns dos lesionados - ainda não foi desta que o Sporting conseguiu juntar o seu onze mais forte (Coates e Acuña, por motivos distintos, não puderam jogar), mas a presença de Mathieu, William, Piccini e Coentrão eleva a capacidade desta equipa para um outro nível: os laterais, mantendo a qualidade defensiva a que já nos habituaram, estiveram muito mais ativos na manobra ofensiva do que tem sido habitual, enquanto a presença de Mathieu e William acrescenta, por si só, uma segurança muito maior nas saídas para o ataque. Mas é justo referir que tanto André Pinto como Bruno César, os dois jogadores que renderam Coates e Acuña, estiveram também a um nível elevadíssimo.

Gestão de jogo perfeita - controlo total do ritmo de jogo, resultado resolvido relativamente cedo, e até deu para utilizar as substituições para poupar alguns dos jogadores regressados de lesões. O golo sofrido não belisca uma gestão de jogo perfeita.



Banco muito curto - felizmente não foi necessário, mas as alternativas que havia no banco não eram propriamente tranquilizadoras, na eventualidade de acontecer alguma lesão ou haver necessidade de promover alguma alteração tática. Apenas dois jogadores de cariz ofensivo, sendo que um deles pouco ou nada tem rendido, e, tirando Podence, o melhor que se pode dizer de todos os jogadores que estavam sentados no banco é que podem ser úteis em situações muito específicas. Se por acaso o jogo se complicasse, dificilmente seria resolvido através de substituições. Há trabalho para fazer na janela de transferências de janeiro.



Foi um jogo entretido que não provocou grandes sobressaltos ao tão massacrado coração do adepto sportinguista, que deu mais três pontitos, mais um milhão e meio de euros para a nossa conta bancária (claro que haverá quem diga que é tudo para pagar à Doyen), e que coloca a Juventus em estado de alerta máximo para a última jornada. All in all, nada mau para uma noite de quarta-feira. Mas agora, como disse ontem um reputado treinador nacional, temos de pensar que há vida depois da Champions: é fundamental mudar o chip para o campeonato. Essa, sim, tem de ser encarada como a principal prioridade, agora e sempre.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Contragolpefest

Pode dizer-se que o jogo de ontem foi o inverso da partida da primeira mão: depois de, em Lisboa, termos assistido a 90 minutos maioritariamente apáticos, sensaborões, e de sentido único, em Bucareste dificilmente se poderia desejar melhor entrada - com um golo que escancarou as portas da qualificação -, mas em que o panorama se acabou por complicar após uma oferta da nossa defesa. Início de segundo tempo de nervos, com o Sporting a ser incapaz de assentar jogo perante um Steaua que tinha mais bola e corria mais riscos, mas a ousadia acabaria por sair cara aos romenos - dando espaço que o Sporting soube aproveitar com uma eficácia inédita em lances de contra-ataque.

O 5-1, no conjunto das duas mãos, espelha a diferença teórica que pensava existir entre as duas equipas antes do pontapé de saída em Lisboa... mas o caminho até lá chegar foi muito mais tortuoso do que inicialmente imaginava.





Contragolpefest - considerando a pobreza franciscana que tem sido o aproveitamento de lances de contra-ataque ao longo das últimas épocas, bem pode dizer-se que o sportinguista tirou a barriga da miséria nos últimos dias. Só ontem, em Bucareste, foram quatro golos em contra-ataque. Ajuda muito, como é óbvio, ter jogadores que sabem o que fazer à bola nestes momentos: Bruno Fernandes acima dos outros neste departamento, claro, mas há que dizer que Gelson também esteve muito, muito bem. Valeu uma qualificação para a Liga dos Campeões e os respetivos (ver ponto seguinte)...

Dezasseis milhões + variáveis - 2 milhões pelo apuramento no playoff, mais 12,7 milhões de participação na fase de grupos, mais 1 ou 2 milhões (ou algures no meio) do marketpool dos direitos televisivos + bilheteira adicional dos 3 jogos em Alvalade + prémio dos pontos conquistados na fase de grupos. E ainda há a potencial valorização na maior montra do futebol europeu. Do ponto de vista financeiro, o mundo não acabaria se falhássemos a qualificação... mas que dá muito jeito esta importante almofada, lá isso dá.

O roubo do ano - considerando o historial recente do Sporting com arbitragens polémicas em jogos cruciais na Liga dos Campeões, roubo do ano poderia bem ser uma referência a mais uma triste ocorrência dessa natureza... mas não, felizmente, desta vez, roubo do ano tem um significado completamente diferente. Refiro-me a Bruno Fernandes. Como é possível que o Sporting o tenha conseguido contratar por 8,5 milhões + 0,5 milhões em variáveis? Ou melhor: como é possível que alguém o tenha vendido por uma verba dessas? Depois das bombas de Guimarães, teve outro jogo memorável: não fez o gosto ao pé, mas esteve envolvido diretamente nos quatro golos marcados na segunda parte (assistências para Acuña e Gelson + passe para assistência de Gelson + passe para Coentrão no lance do 5º golo). Não que tivesse grandes dúvidas de que temos ali um craque, simplesmente não esperava que se afirmasse de forma tão clara ao fim de tão pouco tempo.

Os números de Acuña - ontem não fez uma exibição espetacular, mas foi fundamental com a assistência e golo nos dois primeiros tentos da equipa. Os números que tem acumulado são fantásticos: em cinco jogos oficiais, já leva um golo e três assistências.

A importância de se ter dois pontas-de-lança a sério - Doumbia foi a única mexida no onze em relação a Guimarães. Fazia sentido, perante a necessidade de o Steaua correr riscos e deixar mais espaços nas costas da sua linha defensiva. O costamarfinense não teve um jogo particularmente inspirado, mas soube aproveitar a primeira oportunidade que teve para colocar o Sporting em boa posição. Dost entraria depois... e foi Dost.

Coentrão a reencontrar os pulmões - ver Coentrão a passo aos 70' foi das coisas que mais me deixou apreensivo no jogo da primeira mão. Entretanto foi titular em Guimarães, onde fez um bom jogo (tendo sido substituído a poucos minutos do fim) e voltou ontem a fazer um bom jogo. Mas desta vez, não só durou os 90 minutos, como ainda encontrou energia para aparecer na área adversária em sprint e arranjar discernimento para arranjar espaço perante o defesa para meter a bola no sítio certo. Esse lance daria o quinto e último golo do Sporting, e também alimenta a esperança de que Coentrão se possa conseguir reencontrar com a sua melhor versão.



Demasiado sofrido para o adversário que é - 180 minutos a ver o Steaua dá para perceber as enormes lacunas técnicas da equipa em geral. Seria uma humilhação sermos afastados por uma equipa deste nível, e seria um agoniante complemento a essa humilhação vermos os romenos na fase de grupos da Champions a serem violados semana sim, semana não, pelas felizardas equipas que os apanhassem no sorteio. Aos 150' da eliminatória, estávamos a um mero deslize de sermos despachados para a fase de grupos da Liga Europa. O essencial é que nos qualificámos, mas devia ter ocorrido de uma forma mais tranquila.

Os centrais no golo do Steaua - dois homens que têm sido sinónimos de segurança e eficiência, Coates e Mathieu, comprometeram no golo do Steaua, lançando a incerteza no desfecho da eliminatória. Felizmente, sem consequências.




Mais logo teremos sorteio. O Sporting está colocado no pote 4, o que significa que nada de bom poderá vir daquilo que as bolinhas nos reservam. Mas o importante é lá estarmos, não só pelo prémio financeiro, mas também para podermos inverter as más prestações europeias das últimas épocas.

domingo, 20 de agosto de 2017

Cinco bilhetinhos anti-crise

Golos madrugadores, golos bonitos para todos os gostos, controlo total e absoluto da partida num dos terrenos mais complicados do futebol português - que tem sido sinónimo de más experiências para nós nos últimos anos - e uma avalanche de oportunidades flagrantes para marcar: não podia ter sido melhor a resposta da equipa às frouxas exibições da última semana.

Jesus mexeu no onze e lançou Bruno Fernandes em vez de Podence, mas não repetiu o erro de Aves: colocou-o numa posição mais recuada em campo. Costuma dizer-se que a sorte protege os audazes, e o jogo não podia ter começado de melhor forma: não tinham passado ainda 3 minutos, e foi mesmo de uma posição mais recuada que Bruno Fernandes deu o mote para uma enorme exibição do Sporting. À bomba.




Bruno, o bombardeiro - uma das lacunas da última época foi a incapacidade do Sporting em tirar proveito da meia-distância. Pois bem: ontem, em Guimarães, esteve em campo Bruno Fernandes, o bombardeiro. Na realidade, o termo bombardeiro talvez não lhe faça justiça, tal a potência, distância e precisão dos projéteis: o primeiro golo, então, foi uma espécie de missil intercontinental de última geração. Ia repetindo a graça pouco depois, com um remate que saiu a rasar o poste esquerdo de Miguel Silva. Guardou munições para a segunda parte, marcando o seu segundo golo mais em jeito do que em força - apesar da distância para a baliza - e ainda picou uma bola que embateu na barra. Esta última pode ter sido, na realidade, um cruzamento mal medido, mas não é impossível que tenha sido propositado, tal era a forma em que se apresentou ontem. Ah, e esteve muito bem a fazer jogar o resto da equipa.

O assassino holandês - mais dois golos a juntar à conta pessoal. O primeiro num livre curto batido por Acuña, o segundo num lance desenhado a régua e esquadro por Battaglia e Fábio Coentrão. Já leva três golos em três jogos, que, no seu caso, é, simplesmente, business as usual.

Os estranguladores silenciosos - mais um jogo em que a defesa teve a folha limpa, e é perfeitamente óbvio que isso não é obra do acaso. Em organização defensiva, os jogadores têm estado muito bem na ocupação de espaços e nas compensações e apoios. A linha defensiva esteve muito bem: Mathieu joga com uma eficiência robótica, e promete fazer uma dupla memorável com Coates, mas Coentrão e Piccini também estiveram bem. Em transição defensiva, Adrien, Battaglia, Acuña, Gelson e Bruno Fernandes não demoram a cair nos homens que têm a bola ou que a podem receber de imediato. Resultado: o V. Guimarães não cheirou de perto a baliza de Rui Patrício. Criaram algumas ocasiões de perigo, mas exclusivamente a partir de tentativas de meia distância e de um lapso individual de Piccini. Nota-se que a equipa está perfeitamente confortável quando o adversário tem a bola, o que é um upgrade imenso em relação à época passada.

A alteração de posicionamentos no ataque de Jesus - o treinador colocou Bruno Fernandes um pouco mais recuado, ou seja, mais distante de Bas Dost, e, durante o jogo, trocou os extremos - colocando Gelson na esquerda e Acuña/Iuri na direita. Estas alterações funcionaram em pleno: Bruno Fernandes conseguiu ter mais espaço para pensar o jogo, e os extremos foram motivados a flectir para o meio para tirar partido do seu melhor pé, dando a faixa aos laterais - que subiram no terreno e ganharam a linha de fundo muito mais vezes do que nos jogos anteriores. É certo que o V. Guimarães cedo ficou desorientado - e por isso convém dar o devido desconto às facilidades que existiram a partir de uma determinada altura -, mas isso também se deveu, e muito, à diversidade de ameaças que esta alteração de posicionamentos providenciou.



Cinco a zero em Guimarães. Não vamos ser picuinhas.


MVP: Bruno Fernandes

Nota artística (1 a 5): 5

Arbitragem: Hugo Miguel poderia ter tido uma arbitragem excelente... se não tivesse sido traído pelo VAR. Não há razão nenhuma que justifique a não expulsão de Célis por um pisão em cheio com os pitons na zona do tendão de aquiles de Fábio Coentrão.



Cinco bilhetinhos anti-crise que ajudam a libertar algum vapor da panela de pressão em que o Sporting se transformou após as últimas exibições. Espera-se a abertura da tampa na próxima quarta-feira, com a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Por mim, é avançar com este onze em Bucareste.

sábado, 12 de agosto de 2017

Teste de esforço

A coisa esteve negra, muito negra. A época pode estar ainda no princípio, mas a equipa não perdeu tempo para fazer uma espécie de teste de esforço à condição cardíaca da família sportinguista.

Apesar das boas entradas tanto na primeira parte como na segunda, em que se criaram algumas boas oportunidades para marcar, o Sporting acabou por ir no canto da sereia e deixou-se apanhar na teia que o V. Setúbal montou. A entrada de Doumbia e Bruno Fernandes mexeu com o jogo, a equipa começou a sentir os minutos a esgotarem-se e espevitou-se o ritmo, mas poucas vezes de forma esclarecida.

Mas já se sabe que, quando a maior parte dos desequilibradores estão numa noite pouco inspirada, mais vale um grande volume atacante à balda e esperar um momento de genialidade de um dos nossos jogadores ou que o adversário cometa um erro, do que manter o jogo ultra-calculado e previsível que se viu na maior parte do tempo. E assim foi, o que acabou mesmo por acontecer foi um erro do adversário, cometendo um penálti escusado que acabou por dar de bandeja os 3 pontos ao Sporting.




A liderança de Mathieu - apesar de o V. Setúbal ter sido uma equipa inofensiva, o francês foi, para mim, a figura do jogo. Fez um jogo irrepreensível a limpar tudo o que aparecia na sua área de ação, mas o que mais me saltou à vista foi a sua atitude e capacidade de liderança. Numa altura em que a equipa parecia um pouco perdida em campo, Mathieu foi o jogador que mais tentou empurrar a equipa para a frente, fosse a dar instruções aos companheiros, fosse a levar jogo na direção da baliza adversária - coisa que os seus companheiros pareciam incapazes de fazer. O remate acrobático que fez na segunda parte poderia ter sido a cereja no topo do bolo.

Segurança defensiva - considerando as fragilidades defensivas que a equipa demonstrou ao longo de toda a época passada, é bom sinal ver que o Sporting não sofreu qualquer golo nos primeiros dois jogos a valer e, melhor ainda, concedendo muito poucas oportunidades aos adversários. É claro que não é alheio a esta segurança o facto de jogar com dois laterais que pouco contribuem ofensivamente e dois médios centro mais talhados para o combate do que para a construção ofensiva. Ainda assim, há que assinalar o progresso. 

Não falhou quando foi preciso - Dost não teve uma noite inspirada, falhando dois golos de uma posição onde, normalmente, não perdoa, mas não lhe faltou a frieza necessária para bater o penálti que deu a vitória.



Rever o plano A contra autocarros - já tinha acontecido contra o Aves, e voltou a acontecer ontem: o Sporting voltou a jogar demasiado tempo sem a velocidade e dinâmica necessária para ultrapassar equipas muito fechadas. O problema, a meu ver, é que há criativos a menos em campo. Dost precisa que lhe criem jogo, não está lá para construir, os laterais e o box-to-box não conseguem criar desequilíbrios, pelo que sobram Gelson, Acuña e Podence. Pode ser suficiente se estiverem em noite inspirada, mas ontem notou-se claramente a falta de um maestro que soubesse ajudá-los a tirar partido das suas qualidades. Falo, claro, de Bruno Fernandes. Contra adversários destes, não faz qualquer sentido levar a jogo Battaglia e Adrien em simultâneo. As duplas Battaglia / Bruno Fernandes ou até mesmo Adrien / Bruno Fernandes parecem-me alternativas bem mais lógicas.



MVP: Mathieu

Nota artística (1 a 5): 2

Arbitragem: Indo direto ao lance decisivo: o penálti foi bem assinalado. No estádio não tive dúvidas, e ao ver mais tarde na TV também não. Bruno Paixão esteve bem, portanto. Infelizmente, ficou um penálti por marcar, por um empurrão a Coates aos 30', e usou um critério demasiado largo na amostragem de cartões - há que dizer, no entanto, que esse critério foi coerente para ambas as equipas.



Primeiro jogo a doer em Alvalade, primeiro aperto de coração. Felizmente, este acabou por ter um final feliz.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Avançados





Bas Dost: *** 


Quando soube que o Sporting estava interessado em Bas Dost, não tive quaisquer dúvidas de que iria ser uma mais-valia para o ataque da equipa. No entanto, nunca pensei que o holandês tivesse um impacto tão grande e tão imediato numa equipa que estava habituada a jogar para Slimani, um ponta-de-lança de características muito diferentes. Dost entrou na equipa e começou de imediato a marcar, revelando uma capacidade de finalização mortífera: a cada duas oportunidades, marca uma. Mas a importância de Dost não se limita aos golos que marca. Se no início parecia um corpo estranho nos momentos em que a bola estava longe da baliza adversária, aos poucos e poucos foi-se tornando um jogador muito útil noutros aspetos do jogo: duelos aéreos para disputa da primeira bola após pontapés de baliza, distribuição de jogo ao primeiro toque muito eficaz pelo chão, e até a defender - no último terço de época passou a ser muito mais frequente vê-lo a perseguir adversários com bola. Até do ponto de vista físico surpreendeu, pois no Wolfsburg era frequentemente substituído por volta dos 60, 70 minutos. Dost vinha com a complicadíssima missão de substituir Slimani - um dos jogadores mais queridos dos adeptos nos últimos anos - e o melhor que se pode dizer é que não tardou muito para nos deixar com a certeza de que não ficámos a perder com a troca. Pelo contrário.



André: *


O melhor que se pode dizer da época de André é que não se confirmou a fama de mau profissional com que vinha do Brasil. Em termos de esforço e aplicação, não há nada a apontar. O problema foi o resto, o rendimento propriamente dito, nomeadamente no momento da finalização. O brasileiro tem toque de bola - no seu jogo de estreia, contra o Moreirense, numa das primeiras vezes que teve o esférico nos pés fez um passe fenomenal a deixar Markovic na cara do guarda-redes -, mas foi um desastre constante no momento de meter a bola na baliza, proporcionando-nos frequentes momentos de desespero e enormes amargos de boca. Do mal o menos, deu para recuperar o investimento feito.



Luc Castaignos: *

Chegou no fecho do mercado e rapidamente se percebeu que iria ser a 2ª alternativa a Dost, atrás de André, tardando a ter oportunidade para jogar. Estreou-se apenas no final de outubro e teve uma utilização relativamente regular em novembro e dezembro, mas nunca conseguiu justificar as apostas dadas por Jesus. Zero golos marcados, pouco futebol demonstrado, não tem qualquer espaço para permanecer na próxima época. Veremos até que ponto se conseguirá recuperar os 2,5 milhões que se investiu em 80% do passe.



Alan Ruiz: *

Tendo sido uma das primeiras contratações da época, Alan Ruiz não poderia ter começado de pior forma: chegou à pré-época numa forma física deplorável. Ainda assim, foi dos poucos jogadores que demonstrou alguma qualidade nos primeiros jogos amigáveis e acabou por ser aposta consistente de Jorge Jesus nos dois meses iniciais de competição oficial, jogando como segundo avançado, muito encostado ao ponta-de-lança. Esse adiantamento no terreno não o favoreceu, como ficou bem demonstrado pelas paupérrimas exibições, e acabou por perder a titularidade. Regressou ao onze no início da 2ª volta, e aí já conseguiu mostrar algumas das qualidades que terão levado Jorge Jesus a recomendar a sua contratação: um remate fácil e potente, boa visão de jogo e muita técnica. O problema é o resto: fraca apetência para ajudar a equipa defensivamente e pouca intensidade quando a pressão adversária é grande. Olhando para o panorama geral - expectativas perante o investimento feito, a má forma física com que chegou, a incapacidade de aproveitar as oportunidades na 1ª volta, e um jogador influente em parte da 2ª volta - o balanço não pode ser positivo. Se conseguir corrigir um pouco os problemas referidos, poderá ser, efetivamente, um jogador muito útil na próxima época. 



Daniel Podence: **

Deu nas vistas na pré-época, mas acabou por ser emprestado por estar tapado pelas muitas contratações feitas no defeso. Podence esteve em excelente plano no Moreirense, e acabou por ser chamado de volta no final de janeiro. Jogador muito trabalhador, raçudo e intenso, aproveitou muito bem as oportunidades dadas por Jesus, quer como segundo avançado, quer como extremo esquerdo. Tem lugar garantido no plantel da próxima época. 



Gelson Martins: ***     
2015/16: ** 

Apesar de ter sido utilizado de forma consistente na época passada, acabou por ser a grande revelação de 2016/17. O impacto que teve na equipa foi tremendo. Desequilibrador nato, impressiona a facilidade com que consegue criar espaços. Mesmo não sendo forte no momento da decisão, foi o jogador com mais assistências do campeonato - imagine-se aquilo de que será capaz se conseguir ter mais frieza no momento de fazer o último passe. Apesar da sua importância na manobra ofensiva da equipa, nunca deixa de ajudar o seu lateral. Grande, grande época.


Matheus Pereira: -     
2015/16: *

Completamente esquecido nos primeiros seis meses da época, foi utilizado apenas contra o Praiense (como titular) e contra o Arouca, para a Taça da Liga (como suplente). No final de janeiro, entrou aos 89' contra o Paços de Ferreira e, na jornada seguinte, foi titular... no Dragão. O jogo não lhe correu bem - estranho seria se corresse - e voltou a desaparecer das opções de Jesus mais um mês. Depois foi titular contra o Tondela - onde jogou muito bem - e contra o Nacional. Voltou a sair da equipa, para regressar nas três jornadas finais. É impossível que um jogador jovem possa responder bem perante uma utilização tão irregular e errática. Sendo um dos jogadores com maior potencial da nossa formação, não merecia a gestão que Jesus fez da sua utilização. 



Joel Campbell: *


Foi, para mim, uma das desilusões da época, mas não tenho a certeza que a responsabilidade seja apenas de Campbell. Sendo um jogador sempre pronto a procurar a desmarcação e com boa capacidade de finalização, parecia talhado para a função de segundo avançado. No entanto, Jesus decidiu colocá-lo quase sempre encostado à esquerda, onde acabaram por sobressair, sobretudo, os seus defeitos. Depois de todos os objetivos perdidos, saiu das opções da equipa por uma questão de gestão (lógica) de plantel: não fazia sentido apostar-se num jogador emprestado cuja saída era um dado adquirido.



Lazar Markovic: *


Um erro de casting. Era, à partida, uma contratação de risco: jogador talhado sobretudo para jogar em contra-ataque, e que pouca ou nenhuma utilização teve desde que abandonou Portugal - devido, sobretudo, a lesões sucessivas. Rapidamente passou a ser um dos alvos das bancadas por causa da sua insistência em jogar sozinho e pela ausência de trabalho defensivo - entrando-se aí num círculo vicioso de pressão externa e interna que levou a que o jogador caísse cada vez mais de rendimento. Foi, sem surpresa, enviado de volta para Inglaterra na janela de transferências de janeiro.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Fim-de-semana à Sporting

Depois de duas de semanas absolutamente tenebrosas, o fim-de-semana que passou correu muito bem em várias frentes.

Futebol masculino

O Sporting despediu-se da época 2016/17 com uma vitória confortável sobre o Chaves por 4-1. Jorge Jesus fez alinhar um onze com algumas novidades (Beto, Esgaio, Palhinha e Matheus) e, mais tarde, daria minutos a Francisco Geraldes e a oportunidade de estreia a Gelson Dala.

A figura da partida foi Bas Dost, que marcou três golos, muito bem auxiliado pelos miúdos: Podence sofreu o penálti que deu o 1-0, Matheus fez a assistência para o 2-0 num canto e marcaria o 3-0 a passe de Gelson Martins.

Apesar da hora absurda e das más exibições recentes, Alvalade teve uma assistência bastante razoável. De destacar o silêncio das claques durante os primeiros 20 minutos como forma de protesto pelo mau futebol das duas jornadas anteriores. Achei a melhor atitude possível: marcaram presença no estádio (seria tão mais fácil ficarem em casa) e não deixaram de apoiar a equipa, como é hábito, nos restantes 70 minutos. Por outro lado, não posso deixar de lamentar a tarja que foi exibida dirigida a Rúben Semedo.


Futebol feminino

Depois da conquista do título nacional em séniores no sábado, o Sporting conquistou ontem o título nacional de juniores na final a três disputada em Rio Maior. 

Depois de no sábado o Vilaverdense ter vencido o Apel por 4-0, o Sporting iniciou o dia de ontem vencendo o Apel pelos mesmos 4-0. No jogo decisivo, à tarde, frente ao Vilaverdense, e apesar de ter tido apenas cerca de 3 horas de descanso entre um jogo e outro, o Sporting venceu por 3-1 e sagrou-se campeão nacional na categoria sub-19 - numa campanha imaculada, com 20 vitórias em 20 jogos disputados.

Podem ver de seguida o resumo dos dois jogos, e aconselho que ouçam as palavras da treinadora Mariana Cabral e da capitã Francisca Silva, que espelham bem os valores que queremos ver em todas as equipas do Sporting:


Parabéns às jogadoras, equipa técnica e dirigentes por mais esta conquista! Para já, o futebol feminino ganhou tudo o que havia para ganhar: campeonato nacional séniores e juniores, e campeonato distrital em juvenis. Ainda há por disputar as taças nos 3 escalões.


Andebol

Apesar de já terem sido vários os desaires inacreditáveis que a equipa de andebol protagonizou, a verdade é que chegamos a este momento com excelentes possibilidades de conquistar tudo.

Ontem, o Sporting assegurou uma vantagem de 9 golos na final da Taça Challenge ao vencer o Turda por 37-28. A equipa controlou a partida inteira, conseguindo manter desde cedo uma diferença dilatada no marcador. Infelizmente, os últimos minutos não foram bem geridos, o que nos poderá ter custado dois ou três golos que, esperemos, não venham a fazer falta na 2ª mão, que se disputa na Roménia no próximo fim-de-semana. De relembrar que, nas meias-finais, os romenos recuperaram de uma vantagem idêntica. Aqui fica o resumo do jogo de ontem:


No sábado, o Porto perdeu por 28-27 no Pavilhão da Luz, o que permitiu ao Sporting ficar isolado na 1ª posição a uma jornada do fim. Se o Sporting ganhar na receção ao Benfica, no dia 31, será campeão nacional.



Rugby feminino

A equipa de sevens juntou este fim-de-semana a Taça de Portugal ao Campeonato Nacional, após ultrapassar o Bairrada, Lifeshaker e Agrária, e vencer na final o Sport Porto por 36-19. De destacar a recuperação épica que a equipa conseguiu, pois chegou a estar a perder por 0-19.


Futsal

Os campeões nacionais iniciaram a participação nos playoffs com uma vitória por 5-1 em Oliveira de Azeméis, com três golos de Cavinato, um de Fortino e outro de Caio Japa. Basta vencer um dos dois jogos que se disputarão em casa para seguirmos para as meias-finais.

Futebol masculino: Juniores

No sábado, o Sporting recebeu o V. Guimarães, 2º classificado, e empatou a 0-0. Uma vitória teria garantido o título, mas as perspetivas continuam a ser muito boas: nas duas jornadas que restam, basta que o Sporting conquiste um ponto ou que o V. Guimarães não ganhe os dois jogos para conquistarmos o título.


Futebol masculino: Juvenis

O Sporting foi vencer 2-0 ao Seixal e ultrapassou o Benfica na classificação, estando agora em 1º, com dois excelentes golos de Diogo Braz. A fase de apuramento de campeão chegou agora ao finaç da 1ª volta. Na 2ª volta, o Sporting tem um calendário mais favorável: receberá em Alcochete o Braga (5º), Porto (3º) e Benfica (2º) e jogará fora com o Oeiras (6º) e a Académica (4º).

De lamentar o sucedido no final do jogo, com uma imensa falta de desportivismo da equipa técnica e alguns jogadores do Benfica, um dos quais agrediu barbaramente o guarda-redes Filipe Semedo.

Aqui fica o resumo do jogo:



Futebol masculino: Iniciados

Bela vitória sobre o Porto por 3-0, com uma grande exibição e excelentes golos, marcados por Rodrigo Costa, Daniel Rodrigues e Rodrigo Rego. O Sporting está em 2º lugar e a tarefa de vencer o campeonato não será fácil, pois precisará de ir vencer o Benfica no seu terreno.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

A entrevista de Bas Dost à Gazzetta dello Sport

Excelente entrevista de Bas Dost ao suplemento Extratime do jornal italiano Gazzetta dello Sport, publicada esta semana. Vale a pena ler.


(via @captomente)

BAS DOST
Bota de Ouro
"Se não marcar sou o primeiro a criticar-me"

De um rapagão que calça 48 e tem 196 cm de altura espera-se que jogue basquetebol ou vólei. Mas não que seja um ágil e prolífico goleador. Melhor ainda, o melhor marcador da Europa a seguir a Messi. Sim, Bas Dost, 27 anos, de Deventer, 100 mil almas na margem do Rio Ijssel, onde estudou latim um jovem Erasmo de Roterdão, é a surpresa de '16-17, tendo até agora abanado as redes por 31 vezes na liga portuguesa com o Sporting, ficando apenas atrás de Messi na Bota de Ouro.

Podia imaginar no verão que iria lutar pela Bota de Ouro?

Não. No início vinha com a ideia de fazer bem mas não pensava que entraria sequer no top 10 da Bota de Ouro. Tive a sorte de marcar na estreia com o Moreirense, na 4ª jornada, e isso deu-me confiança. Mas depois fui marcando em quase todos os fins-de-semana (na realidade 18 em 29, ndr). Estar quase ao mesmo nível que Messi é incrível. Mas se não marcar sou o primeiro a criticar-me.

No passado teve uma época semelhante na Holanda: melhor marcador com 32 golos, em 2011-12.

Sim, e de facto acabou por me levar para o Wolfsburg na Bundesliga. Na Alemanha não tive qualquer problema, nem azares. Mas ao chegar a Lisboa queria mostrar o que sou capaz de fazer. E o técnico Jorge Jesus convenceu-me, porque me explicou que o Sporting iria jogar com dois extremos nas faixas e um trequartista atrás de mim, pelo que iria ter muitos cruzamentos e assistências. E depois disse-me que devia jogar sempre no interior da área, como ponta-de-lança puro, porque iria aproveitar melhor as minhas qualidades. E assim foi. Se agora marco tanto o "responsável" é ele, Jesus.

Foi por isto que em janeiro não foi para o Tianjin Quanjian de Fabio Cannavaro?

Eu e o clube recusámos a proposta de 40 milhões que fizeram por mim, uma loucura, o Sporting comprou-me no último ano por um quarto desse valor...

Está a pensar em tentar algum campeonato mais desafiante, após a experiência na Alemanha?

Bem, estive na Bundesliga durante 4 épocas, tive altos e baixos no Wolfsburg, marquei 16 golos em 2014-15 (21 na Bundesliga no ano civil de 2015, ndr), mas estava a precisar de outra época assim e de um técnico que acreditasse em mim. Jesus sabe como gosto de jogar e montou à minha volta uma equipa que me ajuda, e esta época devolveu-me a confiança. E não penso deixar o Sporting, quero vencer primeiro o título.

O Sporting não o consegue desde 2002.

Espero vencer no próximo ano. Estou certo que lutaremos para vencer. Se esta equipa não perder elementos no mercado estaremos próximos do nível de Benfica e Porto, mas este ano perdemos demasiados pontos contra clubes mais pequenos, como a derrota com o Rio Ave e os empates com Chaves, Tondela e Nacional.

Diferenças para os campeonatos onde jogou?

Em Portugal as equipas, especialmente as mais pequenas, defendem muito e bem, é difícil marcar, se ganharem apenas por 1-0 já é excelente. Na Bundesliga, por sua vez, são muitas as equipas que nos podem vencer em qualquer jogo, os jogos são mais abertos e disputados, há mais equilíbrio.

De que coisas gosta de Lisboa?

Uma cidade fantástica e um país belíssimo, o clima é sempre quente, tanto sol, venho de Deventer, chuvoso e frio, é um sonho. As pessoas são pacatas, sociáveis, relaxadas, e isso agrada-me muito. Talvez seja o motivo por que marco tanto, sinto-me muito bem e estou feliz.

Na sua juventude na Holanda quais eram os seus modelos?

Amava os grandes avançados, aqueles que marcavam muito. Há uma dezena de anos seguia a Serie A e em especial Hernan Crespo, Pippo Inzaghi, jogadores que, como eu, não tocavam muito na bola, mas tinham uma média de golos incrível. Eles estavam sempre no sítio certo no momento certo: one shot, one goal.

Mas quando era pequeno onde jogava?

Nas camadas jovens do Emmen, o meu primeiro clube, colocavam-me como avançado, mas eu não acreditava que fosse a melhor posição para mim, gostava de jogar mais atrás, ter a bola nos pés, criar assistências. Só depois me foquei em marcar golos. Quem me transformou em ponta-de-lança foi Gertjan Verbeek, hoje no Bochum, o meu treinador em 2009-10 no Heracles Almelo na Holanda (fez 15 golos na Eredivisie nessa época, ndr).

Em 2010 teve uma proposta do Ajax, por que não foi para lá?

Na altura estava nos sub-21, tive o OK do técnico de Amesterdão, mas no fim não houve acordo no preço, pelo que o Ajax desistiu de me contratar.

Em 2008, com 19 anos no Emmen, esteve para ir parar à Finlândia.

Sim, o treinador belga do Emmen, Tom Saintfiet, foi para o RoPS de Rovaniemi, mas eu não queria ir para lá e recusei.

Já por várias vezes marcou múltiplos golos num só jogo: um bis ao Bayern, um poker ao Leverkusen, 3 ao Emmen no derby, bem como 5 ao Excelsior, este ano 4 ao Tondela. Jogo preferido?

Aquele em que marquei 4 golos ao Leverkusen, foi especial. Porque foi fora de casa, vencíamos por 3-0 ao intervalo, eles recuperaram para 2-3, eu marquei o 4-2, depois outra recuperação do Bayer e empataram. Nos minutos de desconto fiz o 5-4. Um jogo irrepetível.

O melhor golo da época?

Creio que o mais útil para a equipa foi aquele que marquei ao Belenenses, fora de casa. Vínhamos de um período difícil (3 derrotas em 4 jogos) e nos descontos o Campbell fez-me uma assistência fantástica, e eu meti-a dentro. Estávamos perto do Natal, um presente perfeito para todos nós.

O Sporting estava escrito no seu destino: o seu primeiro golo na Europa (um bis) foi marcado aos leões pelo Wolfsburg em 19-02-2015.

Sim, mas na 2ª mão em Alvalade sofremos, 0-0, e tivemos sorte, recordo a grande atmosfera, o estádio cheio, um público quente. Mas gosto da maneira de pensar das pessoas daqui: se vencemos tudo é maravilhoso, se perdemos está tudo mal.

A propósito da Europa: final da Champions, quem vence?

Disse antes de começarem as meias-finais que o Real e a Juve são os favoritos. Para a final? Para mim ganha a Juve, é mais forte e merece vencer. Gosto muito de Higuain, mas o meu ídolo é Mandzukic. Cheguei ao Wolfsburg depois dele em 2012 e o Mario estava no Bayern e marcava muito; agora joga na esquerda numa posição nova, mas continua a fazer um trabalho fantástico.

Como o trabalho de Bas, pé número 48, o vice de Messi...

terça-feira, 2 de maio de 2017

Troca de passes (e de bocas) com Beto Pimparel



Perante o desafio de haver um two on two entre Beto e Dost contra Geraldes e Podence... era óbvio que não demoraria muito a aparecer uma resposta.


(imagens via @claragcatarino)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dost, Dost, Dost

Numa época em que, no que diz respeito a objetivos, resta pouco mais do que ver até que ponto Bas Dost conseguirá incomodar Messi na tabela dos melhores marcadores europeus, o adepto sportinguista só pede que lhe continuem a dar motivos para continuar a seguir com interesse os jogos que faltam: futebol bem jogado, de preferência recorrendo aos miúdos - já com a próxima época em mente -, e que se proporcione ao holandês tantas oportunidades para marcar quanto possível. 

Nesse sentido, o final de tarde de ontem acabou por ser bastante agradável. Num bom jogo de futebol que teve incerteza no resultado até ao fim, o Sporting realizou uma exibição bastante interessante, alimentada pela genialidade dos meninos Gelson e Podence e pelo killer instinct do inevitável Dost.




Dost, Dost, Dost - três golos do holandês que valeram mais três pontos. O primeiro de penálti, os outros dois de cabeça após cruzamentos dos laterais. Já vai com 31 golos em 28 jogos (para o campeonato), com uma média de um golo marcado a cada 78 minutos. Destacadamente o melhor e mais influente jogador desta edição da liga, mas, como estamos em Portugal, já se sabe que os responsáveis pela atribuição dos prémios individuais irão arranjar formas criativas de não lhe atribuir essa distinção.

Gelson, enquanto teve pulmões - o menino fez uma primeira parte fantástica, conseguindo aparecer por diversas vezes nas costas da defesa bracarense. Esteve perto de marcar por duas vezes logo no princípio, mas Marafona opôs-se bem em ambas as ocasiões. A primeira meia-hora de jogo foi toda sua: não só foi capaz de dar quase sempre boa sequência às jogadas, como também parece ter havido uma espécie de falta de comparência dos seus companheiros da frente. Na segunda parte sofreu o penálti que deu o empate. As pilhas gastaram-se por volta dos 60', mas, globalmente, teve uma exibição muito positiva.

A entrada de Podence - aconteceu pelos piores motivos (lesão - que parece grave - de Alan Ruiz), mas veio mexer com o jogo do Sporting. A equipa deixou de precisar de recorrer apenas a Gelson para gerar desequilíbrios. Enquanto Alan Ruiz esteve pouco interventivo e quase sempre lento a definir, Podence deu-se muito mais ao jogo, recebendo inúmeras vezes a bola entre linhas e atacando de imediato a defensiva adversária de forma destemida e esclarecida. Dois minutos depois de entrar sofreu o penálti que Adrien desperdiçaria, dando o mote para uma excelente exibição. Na minha opinião, Podence já fez o suficiente para ser titular - seja no apoio a Dost, ou na esquerda.

Jogo entretido - a história do jogo teve duas partes bastante distintas. Nos primeiros 45 minutos, o Sporting dominou a partida perante um Braga completamente fechado no seu meio-campo e a colocar as fichas todas no contra-ataque, mas o resultado ao intervalo não poderia ser mais enganador: o Braga marcou por duas vezes nas duas oportunidades de que dispôs (um desses golos foi bem anulado), enquanto o Sporting teimava em não acertar na baliza - nem sequer de penálti. Na segunda parte, a história foi diferente. O Sporting empatou poucos minutos após o regresso dos balneários e, a partir daí, o Braga começou a tentar (efetivamente) discutir o jogo pelo jogo. Nos últimos quinze minutos, fase em que o jogo estava muito mais partido, a eficácia de Dost acabou por fazer a diferença e colocou justiça no resultado. Bela partida de futebol em que ganhou a melhor equipa no relvado.


A enorme quantidade de golos sofridos - com os dois golos sofridos hoje, o Sporting aumentou para 30 o número de tentos concedidos aos adversários. Um número demasiado grande para qualquer clube que ambicione lutar pelo título. Os problemas estão diagnosticados, mas falta a matéria-prima. Mais uma vez, como em tantas outras ocasiões ao longo da época, os golos surgiram a partir de investidas pelo nosso flanco esquerdo - o que não quer dizer que, no caso de ontem, a responsabilidade seja do lateral. No primeiro, Adrien e Paulo Oliveira não se entenderam em qual deles deveria fazer a contenção a Battaglia (Zeegelaar estava a meio do meio-campo, a transmissão não mostrou por que motivo não estava a acompanhar a incursão do adversário), e no segundo Paulo Oliveira vê.se sem apoio perante Pedro Santos (onde estava Adrien?) e acaba por ter azar na forma como a bola lhe passa entre as pernas. Tudo está bem quando marcamos mais golos do que sofremos, mas nem sempre o ataque consegue compensar as insuficiências da defesa, como se tem visto esta época. O que é facto é que enquanto a nossa produção ofensiva está ao nível das de Benfica e Porto, a defesa tem estado muito mais permeável: sofremos o dobro dos golos dos nossos rivais.

A insistência em Bryan - à semelhança do que aconteceu no dérbi da semana passada, Jesus voltou a mexer mal no jogo. É verdade que a substituição de Podence resultou, mas foi forçada. Bem pior esteve na substituição seguinte. Podia ter tirado Gelson - nitidamente em dificuldades - para meter Geraldes, por exemplo, mas decidiu-se pela substituição da praxe: tirou Bruno César e colocou Bryan Ruiz. O costa-riquenho teve uma exibição na linha do que têm sido as dos últimos meses: enormes dificuldades em contribuir para a produção ofensiva da equipa. Segundo dados da Goalpoint, aos 90', Bryan Ruiz tinha tocado 8 vezes na bola... e perdeu-a 5 vezes. Uma insistência que não se entende. Se o Sporting ganhou o jogo, não foi graças à ação de Jesus no banco.



Sexta vitória consecutiva fora de portas. Segue-se um Sporting - Belenenses à hora de almoço, com duas baixas garantidas e uma terceira quase certa: Gelson e Podence, suspensos por terem atingido o 5º amarelo, e, muito provavelmente, Alan Ruiz por lesão. Jesus será obrigado a fazer mudanças profundas no apoio a Dost. Confesso que gostaria de ver Matheus, Dala e Francisco Geraldes no onze, mas como não sou ingénuo já me estou a mentalizar para ver Bruno César, Bryan Ruiz e Joel Campbell...