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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Alguém viu o IPDJ?

No final do jogo do passado sábado entre Benfica e Sporting para o campeonato de hóquei em patins, registaram-se no final cenas que já passaram a fazer parte do quotidiano do panorama desportivo nacional.




(via Porto Canal)

Isto já tinha acontecido, por exemplo, quando o Benfica se deslocou a Alvalade para o campeonato de futebol. Infelizmente, o IPDJ deve ter metido férias ou não não deve ver qualquer problema neste tipo de incidentes quando os protagonistas vestem de vermelho. O mesmo IPDJ que teve uma reação forte e imediata quando, há um ano, os Super Dragões entoaram o cântico que fazia alusão ao desastre da Chapecoense para provocar o Benfica.

Já deu para perceber que o IPDJ só se mexe quando estão duas coisas em causa: a honra do Benfica ou pedidos de borlas para jogos do Benfica (recordar aqui). Tudo o resto é acessório.


quarta-feira, 9 de maio de 2018

A suspensão de Rúben Dias, o auto instaurado a Coentrão e a lógica dos sumaríssimos na era do VAR

A suspensão de Rúben Dias

O Conselho de Disciplina decidiu suspender o jovem central benfiquista por dois jogos. A decisão parece-me fazer todo o sentido. Saúde-se, também, a rapidez com que a questão foi julgada - ninguém ganharia nada com mais uma novela à la Slimani.


O auto por flagrante delito instaurado a Fábio Coentrão

Durante o dia de ontem, o Benfica fez uma participação disciplinar contra Rui Patrício, Mathieu, Coates e Coentrão por ocorrências registadas no dérbi. Não sei se por consequência direta dessas queixas, a Comissão de Instrutores da Liga decidiu abrir um auto por flagrante delito a Fábio Coentrão, por supostamente ter agarrado o pescoço de Samaris. Confesso que não me apercebi de nada no estádio nem vi nada de anormal nos resumos e análises ao jogo que vi mais tarde. Acabei por ficar a saber do assunto precisamente através da notícia sobre as queixas do Benfica e por causa desta foto que a acompanhava:


A imagem é bastante sugestiva, mas à boa moda dos frames à Benfica, ajuda a construir uma narrativa que nada tem a ver com o que se passou na realidade. Ontem à noite, a Sport TV+ mostrou as imagens da situação e, como poderão constatar, o frame é bastante enganador:


É absurdo que a Comissão de Instrutores abra um auto de flagrante delito a Coentrão por causa disto. Devem ter tomado essa decisão exclusivamente com base na fotografia que andou a circular. Pior sai a CI desta situação quando vemos que, nesta mesma ocorrência, houve outros jogadores que tiveram um comportamento bastante mais incorreto que Coentrão: Acuña e Salvio encostam a cabeça um no outro, Samaris agarra em Acuña para o separar de Salvio e Acuña responde afastando Samaris com os braços.

Não há aqui qualquer motivo para suspender Fábio Coentrão, tal como não há matéria para suspender Patrício, Coates ou mesmo Mathieu.


A lógica dos sumaríssimos na nova era do VAR


A suspensão de Rúben Dias foi, como seria de esperar, contestada por Rui Pedro Braz. O comentador reconheceu que o central deveria ter sido expulso, mas contornou a questão da justiça da suspensão através de uma questão processual: Braz acha que a Comissão de Instrutores da Liga não deveria ter instaurado um sumaríssimo porque, segundo ele, o VAR avaliou o lance e não encontrou motivos para expulsão. E estendeu o raciocínio para a existência de sumaríssimos na generalidade, defendendo que deixa de fazer sentido a abertura de inquéritos com base em imagens televisivas a partir do momento em que o VAR tem acesso a essas mesmas imagens para avaliar este tipo de situações quando elas acontecem. Aqui fica a argumentação de Braz:






O raciocínio tem uma falha fulcral: não há nada que nos garanta que Hugo Miguel tenha realmente visto o que se passou em campo. Eu, no estádio (estava na central oposta à das imagens televisivas) não vi nada de anormal quando Gelson caiu ao chão - pensei que tivesse sido um contacto normal - faltoso ou não, não interessa para o caso. Parece-me bastante provável que Hugo Miguel e o seu assistente não tenham dado uma segunda visualização por não se terem apercebido da forma como Rúben Dias abordou o lance. Foi uma queda fora da área - pelo que não tinham a preocupação de verificar se era ou não penálti - e o lance prosseguiu, pelo que é possível que se tenham continuado a focar no jogo. Se fosse dentro da área, de certeza que teriam revisto de vários ângulos e que se aperceberiam da entrada de cotovelo do central do Benfica - depois se aconselhariam ou não o árbitro a ver as imagens é outra questão, infelizmente os jogos do Benfica estão repletos de casos destes que o VAR deixa passar.

Os sumaríssimos continuam a fazer todo o sentido, mesmo com VAR. Mas é necessário que haja coerência na sua aplicação, independentemente das queixas dos clubes, da importância dos jogos ou dos emblemas em causa. Infelizmente, esta época, coerência foi coisa que não existiu.

P.S.: Perante a argumentação imperfeita de Braz, o moderador do programa fez o que lhe competia: fez contraditório, com uma questão muito pertinente. Braz (com a ajuda de Luís Aguilar) reagiu a isso como se de uma afronta se tratasse e teve uma atitude inaceitável para com o colega:


Se houvesse justiça, Braz deveria ser confrontado várias vezes por programa, tantas são as argumentações absurdas que faz em nome dos interesses superiores que todos sabemos. É triste que a TVI continue a patrocinar a presença diária de fantoches destes nas suas emissões.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Verão quente

Durante a última semana ocorreram dois acontecimentos separados que, não tendo aparentemente nada a ver um com a outro, na realidade poderão estar  interligados entre si. Esses acontecimentos ainda ganham algum significado extra por terem sido protagonizados por dois protagonistas que pertencem a lados diferentes da barricada da luta pelo poder no Benfica.

No dia 30 de abril, José Marinho, responsável não-se-sabe-bem-pelo-quê-na-comunicação-do-Benfica, disse isto no programa Chama Imensa:


Considerando que se trata de alguém que desempenha funções de propaganda pura, não deixa de ser significativo que diga abertamente que considera inevitável que o Benfica seja acusado num dos processos que está envolvido - resta saber se será pelo processo e-toupeira, pelos alegados aliciamentos a jogadores adversários, por alguma das matérias de corrupção e tráfico de influências que os emails já nos deram a conhecer, ou qualquer outra coisa que ainda não seja do domínio público. É complicado escolher perante tanta oferta.

Três dias depois aconteceu isto:


O que levará uma das poucas figuras do Benfica que se assume como opositor de Vieira a avançar com a notícia da sua candidatura a dois anos e meio das eleições? Não é, obviamente, por uma questão de descalabro desportivo - quem dera a qualquer presidente ou candidato a presidente ganhar quatro campeonatos nos últimos cinco -, pelo que sobra, a meu ver, a questão judicial. Rui Gomes da Silva é alguém que deve estar muito bem informado sobre as movimentações existentes na máquina da justiça.

Os rumores que andam por aí são mais que muitos e fazem antever um verão quente para as bandas da Luz. Quente não, escaldante.

domingo, 6 de maio de 2018

Oportunidade perdida

Seguindo a regra que se tem observado esta época, o Sporting voltou a demonstrar dificuldades pouco compreensíveis na partida de ontem contra o Benfica. Em sete jogos já realizados em 2017/18 contra Porto e Benfica, não fomos claramente superiores em nenhum deles. É verdade que em alguns desses jogos conseguimos cumprir objetivos importantes (apuramento para as finais das duas taças), mas, do ponto de vista exibicional, fomos quase sempre uma equipa incapaz de controlar as operações, demasiado encolhida e com evidentes dificuldades de encostar o adversário às cordas quando a situação assim o impunha.

O resultado do dérbi de ontem acaba por ser simpático face ao que se verificou em campo. O Benfica teve as melhores oportunidades para marcar e só não perdemos graças a (mais) uma portentosa exibição de Rui Patrício. Não me lembro de o Sporting forçar Varela a qualquer defesa apertada. Oportunidades para marcar, do nosso lado, recordo-me de duas: aquela em que Dost prefere passar a Gelson - com a baliza e Varela à mercê - em vez de tentar marcar um golo que ficaria na memória coletiva sportinguista durante as próximas décadas pela magnífica roleta marselhesa que o deixou naquela posição privilegiada para finalizar; e um cabeceamento de Bryan Ruiz, na sequência de um canto, que saiu por cima da barra.

Em relação à arbitragem, Rui Vitória merece o Nobel do Descaramento pelas palavras que disse no final sobre o trabalho de Carlos Xistra. Não há penálti de Patrício sobre Rafa (que embate em Patrício após rematar), há penálti claro de Rúben Dias sobre Mathieu, o caso de bola no braço de William na área é apenas isso - bola no braço e não o inverso -, Rúben Dias faz penálti sobre Bas Dost, Rúben Dias (que já não deveria estar em campo) agride Gelson com o cotovelo, Bruno Fernandes também deveria ter visto vermelho em vez de amarelo, e não houve golo anulado a Jimenez porque o árbitro já tinha apitado há muito. No total, dois penáltis por assinalar a favor do Sporting e uma expulsão poupada para cada lado - sendo que o Benfica ficaria primeiro a jogar em inferioridade numérica, com todas as implicações que isso traria para o decurso da partida. Mais uma vez, foi o Benfica que foi salvo pelas arbitragens e não o inverso. Rui Vitória devia ter vergonha na cara, ainda mais quando se sabe a forma como conquistou os dois campeonatos anteriores.

O empate a zero adia a decisão do 2º lugar para a última jornada, estando o Sporting dependente apenas de si próprio para conseguir alcançar esse objetivo. No entanto, apesar de o resultado de ontem ter sido melhor do que a exibição, não podemos ficar satisfeitos com isso. Tivemos uma oportunidade para fechar em nossa casa a questão do apuramento para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, e falhámos. Não há desculpas. Temos de ganhar na Madeira, dê por onde der.

P.S.: Parabéns aos portistas pela conquista do campeonato. Sendo o campeonato uma prova de regularidade e tendo sido o Porto a melhor equipa durante a maior parte da época, foram um justo vencedor. Um destaque particular para Sérgio Conceição, que sem poder reforçar a equipa "a seu gosto", soube construir um modelo de jogo muito eficaz para consumo interno com o material que tinha para trabalhar.

sábado, 28 de abril de 2018

O suspeito de corrupção e o cãozinho que tenta agradar ao dono

Não sei o que é mais pateticamente revelador nesta rábula: o Benfica a fazer-se representar por alguém que é suspeito de prática de corrupção, ou aparecer o Salvador saltar em defesa desse suspeito de corrupção, qual cãozinho a tentar agradar ao dono. Triste, também, ser apenas o representante do Sporting a insurgir-se contra a presença de Paulo Gonçalves - quando devia ser a própria Liga a impor padrões mínimos de dignidade nas suas reuniões.

Sendo Paulo Gonçalves o cabecilha de uma rede corrupta que violava informações em segredo de justiça em proveito próprio ou na perspetiva de prejudicar outros clubes - nomeadamente o Sporting -, é evidente que o Sporting não poderia permanecer calado perante a presença desse indivíduo numa reunião da Liga. Esteve muito bem Bruno Mascarenhas.




sexta-feira, 27 de abril de 2018

Perigo amarelo

Creio que não estarei muito longe da verdade ao dizer que Bas Dost, Gelson Martins e Bruno Fernandes - não necessariamente por esta ordem - são os três jogadores do Sporting que mais atenções têm atraído ao longo desta época. No entanto, tenho a certeza absoluta que nenhum destes três jogadores estará no centro das preocupações de determinadas pessoas durante a próxima partida que o Sporting disputará em Portimão.

As figuras do jogo de sábado serão outras: Rui Patrício, Coates e Battaglia. Não pelo que poderão dar à equipa neste sábado, mas pelo que poderão não dar à equipa na jornada seguinte. Os três atletas estão em risco de suspensão para o dérbi com o Benfica e ficarão de fora desse jogo caso vejam um cartão amarelo frente ao Portimonense. O risco é grande caso o árbitro escolhido pelo CA for para dentro de campo com ideias de alterar o tempero da ultra-decisiva partida da penúltima jornada. Coates e Battaglia são alvos particularmente fáceis por causa das funções desempenhadas em campo - qualquer lance dividido com um adversário que se deixe cair poderá servir de pretexto para o juiz sacar do cartão.

É um filme já muitas vezes visto. No passado, em circunstâncias semelhantes, não me lembro de haver um único árbitro a ser tolerante com jogadores do Sporting perante uma falta que pudesse ser interpretada como sanção para cartão. Por exemplo, quando William viu um amarelo por uma falta feita junto à linha lateral nos descontos do Sporting - Académica em 2013/14 que o deixou de fora da visita à Luz na jornada seguinte - um amarelo aceitável por cortar um "ataque prometedor", mas que já vimos ser perdoado muitas vezes a determinados outros clubes em situações similares. Ou ainda um outro caso - este sim, escandaloso - quando, em 2015/16, Adrien foi impedido de participar na última (e decisiva) jornada em Braga por ter visto um amarelo neste lance:


Aconteceu aos 14', naquela fase em que os árbitros até costumam avisar os jogadores para terem cuidado. Desta vez não houve abébias para ninguém. Foi perfeitamente óbvio para todos os que viram o jogo que o árbitro - Tiago Martins, neste caso - tinha ido para dentro de campo com uma missão. E mal surgiu uma oportunidade, não a desperdiçou.

Da mesma forma que os nossos jogadores costumam ser alvos a abater em circunstâncias destas, é perfeitamente visível a tolerância que os jogadores do Benfica têm tido quando cometem faltas para amarelo. Aposto com quem quiser como Grimaldo, Rúben Dias, Fejsa e Jardel, igualmente em risco, poderão ir tranquilamente a jogo - não só porque o Tondela será uma presa tenrinha (ficarei muito surpreendido se não estiverem a perder por 2 ao fim de 15/20 minutos) que não causará dificuldades que obriguem os jogadores a trabalhar no limite - o pé-na-chapa de Pepa costuma ficar reservado para Sporting e Porto -, mas também porque poderão contar com a habitual tolerância por parte dos homens do apito caso algum acontecimento de jogo fuja do script pré-definido. 

Sejamos compreensivos: não andaram a trabalhar cinco anos para dominar a arbitragem e a enchê-la de mimos e cortesias para depois não poderem usufruir destas pequeninas retribuições quando os momentos decisivos chegam. Retribuições tão pequeninas, que ninguém precisa de ficar de consciência pesada... é só de um cartão amarelo que estamos a falar. Nenhum campeonato se decide por causa de um amarelo...

Quem é que ainda não tem convites? Já tens convite? Não? Então toma lá um! E tu? Tens convite?

Ele é convites para o chefe de repartição das finanças...

(via @EPlurCorruptum)

... ele é convites para a funcionária das finanças que trata dos reembolsos do IRC...

(via @EPlurCorruptum)

... e ele é convites para o senhor das inspeções automóveis que tratou do autocarro mais antigo do Benfica (I shit you not!).

(via @buzz8051)

Tenho quase a certeza de que Rui Pedro Braz aprova entusiasticamente o conteúdo destes emails.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Benfica to the rescue

Um dos emails ontem divulgados pelo blogue Mercado de Benfica permite perceber o serviço benemérito que o Luís Filipe Vieira faz em prol do futebol português e dos clubes que com ele competem.

Numa altura em que o V. Setúbal passava por dificuldades financeiras particularmente graves - escrevo particularmente porque, infelizmente, é um problema recorrente no clube -, responsáveis do clube sadino contactaram dirigentes benfiquistas no sentido de negociar a transferência de cinco jogadores que ajudassem à resolução dos salários em atraso.

(via @paravertudo)

Tenha sido ou não na sequência deste pedido, o que é facto é que o Benfica viria a contratar dois jogadores ao V. Setúbal na janela de transferências seguinte: primeiro contratando José Fonte, que já tinha rescindido por salários em atraso, e depois ultrapassando o Porto na contratação de Moretto. 

Dois negócios que, curiosamente, acabaram por ser fechados em termos simpáticos para o próprio Vitória, segundo palavras dos intervenientes: a oferta que o Benfica fez por Moretto foi superior ao que o V. Setúbal pedia, e o Benfica ofereceu 50% de uma futura transferência de José Fonte, apesar de não ter qualquer obrigação nesse sentido já que o central era um jogador livre quando foi contratado por Vieira.


O próprio José Fonte revelou, numa entrevista dada muitos anos depois deste episódio, que foi o Benfica a pagar-lhe alguns meses de salários que tinha a receber do V. Setúbal.


Nada disto é ilícito, obviamente, e à primeira vista até foi uma bonita atitude de solidariedade de um clube para com outro... mas conhecendo as peças em questão, não passa pela cabeça de ninguém que não terá havido contrapartidas. Se o mero convite para a bola é o que é, qual terá sido o retorno que o Benfica terá tido com estas valiosas cortesias?

terça-feira, 24 de abril de 2018

Como conquistar o poder em 5 anos

Os emails de Domingos Soares Oliveira divulgados na semana passada pelo blogue Mercado de Benfica não acrescentam propriamente nada de novo em relação ao que já se sabia e se suspeitava sobre as estratégias e formas de atuação do Benfica fora das quatro linhas, mas não deixam de ser bombásticos. Ver toda essa podridão encapsulada em meia dúzia de slides como se de uma banal linha estratégica se tratasse leva qualquer um a pensar que o Benfica foi transformado pelos seus atuais dirigentes numa organização criminosa tentacular que opera sob a capa de um clube desportivo.

Os termos utilizados são bastante claros e não deixam margem para dúvidas sobre aquilo que está aqui em causa.

(via revista Sábado)

Como se sabe, nada disto é novo, e para cada um destes pontos poderia arranjar variadíssimos exemplos de iniciativas levadas a cabo pelo Benfica para os concretizar. Sem grande esforço de memória, aqui vai uma tentativa:

  • "Federação e respectivos conselhos de arbitragem" - colocação de elementos das claques, adeptos e simpatizantes nos cursos de formação de arbitragem; a ação de Ferreira Nunes para assegurar que chegavam à categoria principal os árbitros que interessavam; a presença assídua de Ferreira Nunes no camarote presidencial da Luz; o envio de uma fatura de fees de uma sociedade de advogados por parte de Ferreira Nunes para o Benfica; os pedidos e conselhos de Adão Mendes; os padres; as centenas de convites do ”rei das borlas” no “interesse exclusivo do SLB”; a rede de meninos queridos; a resistência à implementação do VAR; as ameaças de Vítor Pereira em vésperas de jogos com o Benfica denunciadas por Marco Ferreira, que resultariam na sua despromoção.
  • "Poder político" - os convites e viagens oferecidos a membros do Governo (primeiro-ministro, ministros, secretários de estado e assessores), deputados, presidentes da câmara e vereadores; a apatia do IPDJ e do Secretário de Estado do Desporto perante as claques ilegais do clube; os benefícios alegadamente obtidos em todo o processo de construção e amplicação do centro de estágios.
  • "Meios de comunicação / Media" - colocação de uma legião de benfiquistas fanáticos nos programas de comentário supostamente isento sobre futebol; criação e promoção dos Guerras e dos Venturas; a evidente promiscuidade de um relacionamento muito próximo com elementos das direções dos jornais desportivos; a avença de Afonso de Melo, do jornal i; o plano de avenças de Carlos Janela para ter vários jornalistas a dar informações e a divulgar propaganda do Benfica; as cartilhas; o blogue Verdade Desportiva.
  • "Judicial" - convites para a Comissão de Honra de Vieira para vários juízes e quadros da PJ e PSP; convites para o camarote presidencial de dezenas de juízes com a ajuda do juiz Pedro Mourão; recurso a toupeiras para obter informação em segredo de justiça em que o clube ou os rivais eram partes interessadas.


Há que dar a mão à palmatória e reconhecer que pensam em tudo. Em tudo. 


Ofertas personalizadas a juízes, deputados, políticos, autarcas? Isto é a assumpção de tentativas de corrupção em massa.

Empréstimos e jogadores, apoios nas infra-estruturas a outros clubes para obter maior capacidade de influência na AF Lisboa? Basta recordar o estranho negócio Dálcio com o Belenenses ou as recentes promessas de Vieira para apoiar o Atlético.

Colocar treinadores da formação na FPF? Não espanta que depois surjam situações como a da última convocatória dos sub-17, em que, dos 25 jogadores convocados pelo selecionador Rui Bento, 14 são do Benfica. Num escalão em que o Sporting é campeão em título e em que o Porto é atual líder, há titulares destas equipas que ficam de fora por terem sido suplantados por suplentes do Benfica. Alguém acha isto normal?

Emprestar jogadores impondo treinadores? Não espanta que depois apareçam os Pepas da vida que prometem "pé-na-chapa" contra uns e são uns autênticos cordeirinhos a marchar para o matadouro contra o Benfica? O que é facto é que se vão sucedendo episódios estranhos, como o magnífico autogolo de Ponck - jogador emprestado pelo Benfica ao Aves - no domingo passado, que garantiu a manutenção do Tondela em véspera da visita à Luz, ou as ausências de João Amaral e Victor Andrade dos jogos com o Benfica.

Os objetivos que estão por detrás de todas estas cortesias são cristalinos e os resultados têm sido perfeitamente visíveis.

Mas, de tudo o que se soube nesta última semana, há uma coisa que me choca acima de tudo isto. Uma coisa que, sendo de uma dimensão insignificante e que nada tem a ver com questões desportivas, demonstra de forma clara a podridão moral de quem manda no Benfica. Refiro-me a isto:

(via @zerapaz)

Perante um assalto (de valor material insignificante, mas, ainda assim, um assalto) a um parceiro comercial do Benfica, havendo provas em vídeo que identificavam o autor do crime (porque não deixa de ser um crime) como sendo um membro de uma das claques, como reagiram os responsáveis do clube? Encobrindo o roubo.

É chocante, mas, mais uma vez, não devíamos ficar surpreendidos: falamos do mesmo clube que paga as custas judiciais de elementos da claque em julgamentos por tráfico de droga usando um escritório de advogados como intermediário para fazer sumir o rasto do dinheiro - como podem recordar aqui: LINK.

Isto foi o que se ficou a saber apenas de um arquivo relativamente reduzido de Domingos Soares Oliveira - o Mercado de Benfica apenas disponibilizou a pasta de Deleted Items dos emails enviados entre 2010 e 2012, ou seja, numa altura em que o Benfica ainda não controlava os bastidores do futebol português. O que é facto é que o plano quinquenal de tomada de poder no futebol português resultou em pleno e hoje o panorama é bem diferente, pelo que nem imagino o que terá o arquivo de emails de gente como Domingos Soares Oliveira ou Paulo Gonçalves entre 2015 e 2017. Talvez não seja necessário esperar muito: é que o Mercado de Benfica anunciou entretanto que disponibilizará mais 14 gigas de emails de Domingos Soares Oliveira já amanhã...

segunda-feira, 23 de abril de 2018

The Day After (@3295c_)

Novo texto do 3295c.



No dia em que se ficou a conhecer um email - mais um para a conta dos 20Gb que andam a ser escrutinados -, desta vez envolvendo Domingos Soares Oliveira num eventual plano para controlar a arbitragem, os políticos, a justiça e até a comunicação social num documento “pessoal e comprometedor” (cito a reportagem da SIC Notícias), “publicado num conhecido blogue anti-Benfica, cuja autoria se desconhece, mas que entretanto está já a ser investigado pela Polícia Judiciária” (continuei a citar a mesma reportagem).

Não preciso de falar sobre o conteúdo do email, pois todos já o leram nas notícias. O que interessa, neste caso, é o chamado “the day after”.

Tal como em todos os outros mails anteriores que foram já tornados públicos, nunca houve, até aos dia de hoje uma negação peremptória dos factos gravíssimos que têm vindo a público sobre comportamentos, escolhas, decisões, pedidos, tudo actos de gestão do outro lado da estrada. Pelo contrário. Ouvimos, sim, o porta-voz dos advogados do clube da Luz, João Correia, na próprio canal de televisão do Clube dizer: “É absolutamente essencial que o Ministério Público e a Polícia Judiciária venham aqui a esta casa e verifiquem se aquilo que é divulgado pelo Porto Canal corresponde ou não à realidade” [16 de Outubro de 2017].

Pior. No site do próprio clube, está escrito o seguinte: “Porta-voz da equipa de advogados do clube explicou na SIC e na SIC Notícias os motivos pelos quais este está a notificar todos aqueles que se “apoderaram do seu sistema informático”, “descarregando, acedendo e divulgando emails”, um crime claro e onde o Benfica - como “agredido” - “reage” em legítima defesa”.

Admitem que é tudo deles. João Correia diz na mesma entrevista que, juridicamente, não interessa se os mails são verdadeiros ou não, se estão truncados, se são verdadeiros ou não. Juridicamente, pode não ser relevante, mas criminalmente é o cerne da questão. Aliás, não sei se serei o único a ficar confuso com esta incongruência: não interessa se os mails são verdadeiros, mas passem-nos cá que são nossos e não têm que mexer nas nossas coisas.

Não será necessário fazer o filme de tudo o que se passou entretanto, lembrar apenas que já foram feitas buscas a várias residências de dirigentes, do próprio presidente - apanhado na Operação Lex, do casal de juízes Rui Rangel e Fátima Galante -, do próprio clube, de um alto responsável hierárquico, que ficou detido uma noite, sendo libertado na manhã seguinte. Saldou-se a prisão preventiva do funcionário de um tribunal que passava informações sobre processos do interesse do Benfica, próprios ou de adversários.

Gostaria de acreditar - porque na verdade não sei se é assim que está a situação das investigações judiciais -, que não se focou, apenas, os esforços na busca dos delatores, hackers, blogueiros, heróis, criminosos, o que queiram chamar aos que têm divulgado os emails da controvérsia. Acredito que também prossegue, a bom ritmo, uma exaustiva investigação para saber o que significa tudo aquilo que tem vindo a público e que já todos percebemos que tem de ser levado a sério porque os verdadeiros autores reclamam o conteúdo como seu.


Já não é apenas um clube, o futebol, o desporto (pela dimensão do assunto) que estão em causa. É, igualmente, a justiça. Que não está, realmente, a passar a melhor fase da sua existência em democracia. O hiper-mega-processo resultante da Operação Marquês está a provocar brechas demasiado grandes para não terminar em desgraça. Também. Parece, o Ministério Público, não conseguir arranjar provas que não suscitem dúvidas razoáveis para a culpabilidade do arguido e, misteriosamente, surgem as gravações dos interrogatórios escarrapachados num canal de informação, travestidos de reportagem jornalística, num claro julgamento público em HD.

O caso do clube ali ao lado é diferente. Assenta como uma luva no princípio utilizado pela Wikileaks, de subversão para revelar o lado podre de quem tem poder e torce-o em proveito próprio, aniquilando os adversários. O contrário de jogo limpo.

O bom do caos é que a partir dele vem, evolutivamente, a ordem. Digo evolutivamente porque o futebol português tem neste momento importante, uma oportunidade de se colocar em ordem. Evoluir.

Entretanto, não se admirem de Portugal não levar um só árbitro ao Mundial, quando foi uma das seis ligas em todo o Mundo a ser pioneira no uso do VAR. A Inglaterra também não leva nenhum árbitro, mas a Premier League não foi uma das seis a estrear o vídeo-árbitro, ou seja, nem a experiência nos valeu.

Para terminar como se começou, uma pergunta que fica: que relação poderá haver entre os elogios - onde se inclui os de Luís Filipe Vieira - à “estrutura” do Benfica e dos seus reconhecidos evangelizadores da mensagem de sucesso do caminho trilhado até aqui, no futebol, com a mensagem agora divulgada de Domingos Soares Oliveira, com cinco anos de diferença, os mesmos do famoso plano que terminaria em 2018, com o tão desejado penta?

“A estratégia terá sido apresentada através de slides, na VIII Reunião de Quadros do Benfica, em junho de 2012, e passava por "aumentar a influência/controlo" sobre a "Federação e respetivos conselhos de arbitragem, poder político, meios de comunicação/media e [poder] judicial”. Para atingir aquele fim, importava "definir e implementar uma estratégia coerente a cinco anos, partindo de um diagnóstico sobre as envolventes internas e externas (federativo, político, comunicação e judicial)", apontava o slide.” [in Jornal de Notícias].

Isto está realmente a ficar cada vez pior. Extraordinário fim de época que aí vem! O melhor de tudo vai ser o Jamor. E o seu Day After.

terça-feira, 17 de abril de 2018

"Queremos bons e fortes rivais"

No passado sábado, em visita a Alcácer do Sal, o estadista que lidera os nossos vizinhos da segunda circular fez mais um discurso banhado de descaramento e hipocrisia. No seu estilo habitual, Vieira referiu que quer rivais "bons e fortes", que valorizem as vitórias do Benfica:


A oportunidade destas palavras é uma pequena maravilha, considerando que estamos a falar do presidente que inventou os acordos de cavalheiros que afastam jogadores dos adversários das partidas com o seu clube, como todos nos lembramos das exclusões sucessivas de Miguel Rosa e Deyverson. Uma violação descarada dos regulamentos que continua a ser prática corrente nos jogos do Benfica, olhando para aquilo que tem acontecido nas últimas partidas do campeonato.

Comecemos pelo que se passou na 28ª jornada:


Hurtado

O Benfica recebeu o V. Guimarães em jogo a contar para a 28ª jornada. Os visitantes não utilizaram um dos seus habituais titulares: Paulo Hurtado. O motivo da ausência do peruano foi a suspensão de um jogo que lhe foi aplicada por ter visto o 5º amarelo na partida anterior, ao tirar a camisola ao festejar um golo.


Sendo uma exclusão completamente desnecessária, não deixa de ser uma situação que vai acontecendo nos relvados portugueses com alguma frequência. Podemos lembrar-nos, por exemplo, de uma atitude idêntica de Gelson Martins, que ficou de fora do jogo com o Porto quando retirou a camisola após marcar o golo da vitória contra o Moreirense. 

O que não é tão normal é que Hurtado tenha conseguido, desta forma, ver-se excluído de um jogo com o Benfica... pela segunda vez nesta época. É que já na primeira volta também ficou de fora contra o Benfica porque iria ter um jogo da seleção... seis dias depois.


O V. Guimarães recebeu o Benfica no dia 5 de novembro. Hurtado tinha um jogo no Perú contra a Nova Zelândia no dia 11. Sendo uma partida importante para o apuramento para o mundial, não era propriamente um intervalo de tempo proibitivo que o impedisse de estar presente nas duas partidas. Já vi jogadores a ficarem de fora por chegarem aos clubes em cima da hora após compromissos internacionais disputados dois ou três dias antes. Jogadores a ficarem de fora de um compromisso importante dos seus clubes porque daí a seis dias vão ter um compromisso internacional... já não me parece uma coisa normal.


Amaral

Considerado por muitos o mais importante jogador do V. Setúbal, João Amaral também ficou de fora da receção ao Benfica, referente à 29ª jornada. Neste caso não houve qualquer explicação oficial por parte dos vitorianos, mas as notícias que foram veiculadas revelam um esquema bastante rebuscado.


Sendo uma notícia CM, vale o que vale, mas é factual que João Amaral foi utilizado na 28ª jornada e na 30ª jornada. Na realidade, o jogo com o Benfica foi a primeira e única partida da época em que o jogador não foi utilizado.

A ser verdade que o jogador tem um vínculo com o Benfica, este ainda não pode estar em vigor. O jogador não é emprestado pelo clube encarnado, e, como tal, o Benfica não podia forçar a sua ausência.

O que é facto é que, mais uma vez, o Benfica defrontou uma equipa estranhamente desfalcada.


Victor Andrade

O jogador Victor Andrade já foi atleta do Benfica, que continuam em posse de uma parte dos seus direitos económicos. Estranhamente ou talvez não, Victor Andrade estará de fora na 31ª jornada na receção do Estoril ao Benfica por ter sido expulso quando estava no banco de suplentes. O brasileiro foi titular em Portimão, tendo sido substituído aos 59 minutos. Um quarto de hora depois, foi expulso por protestos.



Não é novidade: na 1ª volta, Victor Andrade foi ininterruptamente titular no Estoril entre a 10ª e 17ª jornada... com exceção da 14ª jornada, quando o Estoril se deslocou à Luz. Nesse jogo, o brasileiro nem sequer foi convocado. Mais uma coincidência daquelas.

Certamente que terão existido outros exemplos idênticos ao longo da época, pois acordos de cavalheiros há muitos. Já nem entro pela legião de jogadores que a estrutura de Vieira contrata para emprestar, sabendo que poderão defrontar os seus rivais diretos mas não o próprio Benfica, nem sequer nos Tondelas da vida que jogam de pé na chapa contra Sporting e Porto mas se comportam que nem carneiros mansos quando jogam contra o Benfica.

É assim a Liga Portuguesa. Não bastam as influências na arbitragem e na disciplina, promiscuidade a rodos com clubes amigos, há também estes expedientes para enfraquecer os adversários. Isto é que é jogar forte em todos os tabuleiros.

E diz Vieira que gosta de adversários fortes. Deixa-me rir...

terça-feira, 3 de abril de 2018

Uma questão de disciplina




Tenho quase a certeza que a maior parte dos sportinguistas que tenha visto em direto esta ocorrência da segunda parte do Belenenses - Porto de ontem terá pensado: alguma vez, se o Soares fosse jogador do Sporting, teria deixado de ver um cartão por este empurrão? As quatro expulsões de jogadores nossos nos últimos seis jogos para o campeonato, todas por acumulação de amarelos, servem de resposta a esta questão. O lance que me veio imediatamente à memória foi a forma como Mathieu foi expulso em Tondela por uma ação idêntica cometida sobre um adversário, após esse mesmo adversário lhe ter acertado com o braço na cara alguns segundos antes sem punição. Como sabemos, o árbitro João Capela nem pestanejou: mostrou o segundo amarelo ao francês e o Sporting via-se obrigado a ir à procura do golo da vitória em inferioridade numérica na última meia-hora de jogo.

Ontem, para além do amarelo perdoado a Soares, Brahimi conseguiu ter ainda mais sorte: Hugo Miguel poupou-lhe o cartão quando empurrou várias vezes um adversário que saía de campo para ser substituído; e perto do final, o argelino fez uma tesoura por trás que lhe devia ter valido a expulsão direta, mas o árbitro mostrou-lhe apenas um amarelo.

É uma história bastante batida: a tolerância de que os nossos adversários usufruem raramente existe para jogadores do Sporting.

Claro que vai havendo exceções à regra: Coentrão também devia ter sido expulso em Setúbal, pelos mais que evidentes insultos na cara do árbitro - mas o jogo estava decidido e a expulsão não iria alterar nada -; Danilo Pereira, na época passada, vê um vermelho por tropeçar em Luís Godinho enquanto recuava, e até o Benfic-- bem, ao Benfica nunca acontecem erros de avaliação que lhe sejam prejudiciais: para um jogador ser expulso sem ser a pedido ou estando o jogo por resolver, é preciso mesmo ter feito algo demasiado evidente para ser ignorado (se bem que, muitas vezes, até dessas conseguem escapar).

A gestão da disciplina é um pormaior que pode dar vários pontos a ganhar ou a perder ao longo de uma época, e não há VAR que valha à verdade desportiva: estamos completamente à mercê da homília que os padres quiserem dar. Os números da época são bastante claros. 

Começando pelos cartões vermelhos mostrados a jogadores dos grandes nesta época, o Sporting tem quatro, o Porto tem três e o Benfica tem apenas um. A disparidade entre os clubes é semelhante ao nível do número de minutos que disputaram em inferioridade numérica:


Olhando para o número de cartões vermelhos mostrados aos adversários dos grandes, a disparidade do Sporting para os restantes ainda é maior. O Sporting apenas viu por uma vez um adversário ser expulso, o Porto teve quatro expulsões de adversários, enquanto o Benfica teve seis. No caso do Benfica, essas expulsões correspondem a mais de 160 minutos em superioridade numérica (mais descontos, que não estão contabilizados nestes gráficos).


O saldo entre os penáltis assinalados a favor e contra e entre os minutos em superioridade e inferioridade numérica demonstram uma tendência perfeitamente clara:


Os números ficam ainda mais interessantes se adicionarmos uma outra dimensão a esta análise: as faltas cometidas e sofridas por cada uma das equipas.


O Sporting consegue ser a equipa mais penalizada com vermelhos mesmo cometendo bastante menos faltas que o Porto e sensivelmente as mesmas que o Benfica, da mesma forma que é a equipa que, de longe, mais faltas sofre e raramente tem um adversário expulso.

A cada 61 faltas sofridas, o Benfica tem um adversário expulso, contra a média de 466 do Sporting. Quando passamos a cartões vermelhos por cada falta cometida, a estatística inverte-se: o Sporting vê um vermelho a cada 107 faltas cometidas, enquanto o Benfica teve essa infelicidade apenas em uma das 426 faltas que cometeu até agora no campeonato. Mais elucidativo que isto é impossível.

Como sabemos, isto não é nada de novo. É uma tendência recorrente época atrás de época.

É certo que o Sporting tem culpas próprias na forma como se deixou atrasar na classificação, é mais do que óbvio que, dentro daquilo que está apenas dependente de nós, há coisas que podem e devem ser melhoradas, mas convém sempre contextualizar as análises que se façam. A competição em que estamos inseridos está longe de ser justa e, como tal, não devemos deixar de colocar a seguinte questão antes de pedirmos a cabeça de quem quer que seja: se a tendência prejudicasse Benfica e Porto como prejudica o Sporting e se beneficiasse o Sporting como benefícia o Benfica, será que a classificação no topo da tabela seria igual?

A resposta é simples. Obviamente que não.

P.S.: para outras estatísticas interessantes sobre este tema, recomendo a leitura deste post do Mister do Café (LINK).

P.S.2: entretanto vi isto.




quinta-feira, 29 de março de 2018

O juiz angariador

Nas últimas semanas, a clubite na justiça tem sido tema bastante debatido devido às ligações perigosas entre dirigentes de clubes de futebol e elementos da máquina judicial. É amplamente conhecido que Rui Rangel é suspeito de ter interferido num processo judicial a pedido de Luís Filipe Vieira, por troca de promessa de um cargo na futura universidade do clube, e, mais recentemente, José Santos, funcionário judicial, é acusado de ter acedido a informações em segredo de justiça com o objetivo de as passar ao Benfica, com possíveis implicações para as investigações que decorriam. Perante casos tão graves, é legítimo que se questione a natureza de relacionamentos demasiado próximos entre elementos da justiça e dirigentes benfiquistas - ainda para mais quando se sabe que a oferta de convites é feita no "interesse exclusivo do SLB", citando palavras de Paulo Gonçalves, o rei das borlas.

Quando Paulo Gonçalves se referiu desta forma ao objetivo de convites, falava, de uma forma genérica, sobre os bilhetes que oferecia quer para a zona VIP quer para a bancada normal. Convites que, sendo um produto de cortesia assinalável perante pessoas que, de uma forma ou outra, podem ser úteis ao Benfica, não se aproximam minimamente à situação que vou mencionar a seguir.


Os convidados permanentes

Imaginem uma pirâmide formada por sócios e adeptos do Benfica. Na base, ou seja, a camada mais numerosa, estão os sócios e adeptos do Benfica que compram bilhetes avulso para jogos. Na camada acima, em quantidade inferior, estão os sócios que compram lugares anuais. A seguir entram os adeptos, sócios e meninos queridos que recebem convites avulso para a bancada. Depois há os adeptos, sócios e meninos ainda mais queridos que recebem convites avulso para a zona VIP. Mais acima ainda, há os adeptos, sócios e meninos especialmente queridos que recebem convites avulso para o Camarote Presidencial. E, finalmente, chegamos ao último nível da pirâmide: os "convidados permanentes do Camarote Presidencial". 

Como devem calcular, sendo o Camarote Presidencial uma zona de espaço bastante limitado, é de acesso muito restrito, normalmente, para o presidente e dirigentes de topo do Benfica, para alguns patrocinadores e para convidados de honra. Dentro do grupo dos convidados de honra, a maior parte varia de jogo para jogo, mas há alguns que têm lugar cativo. São estes os "convidados permanentes".

Nos emails divulgados pelo Mercado de Benfica, é possível encontrar listas destes convidados permanentes entre a época de 2013/14 e 2016/17. A lista mais antiga é a seguinte:

Fonte: blogue Mercado de Benfica

Como se pode ver, é uma lista bastante restrita que, propondo uma extensão de um direito que já existiria em 2012/13, e que, ao longo dos anos, se foi alargando a mais pessoas. Em 2016/17 a lista estava assim:

Fonte: blogue Mercado de Benfica


Numa altura, em que como referi no início deste post, o tema da promiscuidade entre a justiça e os clubes está na ordem do dia, acaba por ser relevante encontrar o nome do juiz Pedro Mourão nestas listas. O conjunto dos emails divulgados permitem perceber que, pelo menos entre a época de 2012/13 e 2016/17, tem sido, ininterruptamente, presença constante no camarote presidencial.


O juiz desembargador Pedro Mourão

O juiz Pedro Mourão já esteve diretamente ligado ao futebol, tendo sido presidente do Conselho de Disciplina durante alguns meses, em 2006. Atualmente cumpre funções no Tribunal de Relação de Lisboa. A proximidade a Vieira é óbvia: mesmo dentro dos convidados permanentes, costuma ter direito a lugares bastante próximos do presidente do Benfica, como se pode perceber dos exemplos abaixo.

Nota: o camarote presidencial do Benfica tem 8 filas. As imagens abaixo referem-se às 3 filas da frente.

Planta do Camarote Presidencial no Benfica - P. Ferreira, outubro de 2016; Fonte: blogue Mercado de Benfica
Planta do Camarote Presidencial no Benfica - Moreirense, novembro de 2016; Fonte: blogue Mercado de Benfica
Planta do Camarote Presidencial no Benfica - Boavista, janeiro de 2017; Fonte: blogue Mercado de Benfica

Pedro Mourão foi também membro da comissão de honra das candidaturas presidenciais de Vieira em 2012 e 2016:

Lista da Comissão de Honra da candidatura de Vieira de 2012; Fonte: blogue Mercado de Benfica

Lista da Comissão de Honra da candidatura de Vieira de 2016; Fonte: blogue Mercado de Benfica

Juiz... angariador

Desconheço qual o laço que une Pedro Mourão a Luís Filipe Vieira, pelo que não vou entrar em especulações, nem estou a insinuar que alguma vez tenha feito alguma ação que viole os seus deveres enquanto juiz. Simplesmente, numa altura em que se sabe que os dirigentes benfiquistas têm o hábito de recorrer a contactos que têm no aparelho judicial, este nível de proximidade não pode deixar de ser registado. Gostava de saber, por exemplo, se Pedro Mourão continua a ser presença permanente no Camarote Presidencial após ter rebentado o escândalo do processo Lex. É que, como se costuma dizer, à mulher de César não basta ser séria, tem também de parecer séria.

Ainda mais quando, na época passada, o próprio Pedro Mourão tomou a iniciativa de se oferecer para atrair elementos do sistema judicial até Vieira.

Fonte: blogue Mercado de Benfica

Um verdadeiro juiz... angariador.

terça-feira, 27 de março de 2018

O aprendiz de diplomata

Que o Benfica é um clube que dedica uma imensa atenção à cortesia, já todos sabiam. Que o digam os amigos da arbitragem de Braga e Fafe, antigos responsáveis pelas classificações do CA, vogais da secção não profissional do CD, árbitros da TAD, delegados da Liga, observadores de árbitros, juízes, funcionários judiciais, meninos queridos, presidentes do IPDJ, vice-presidentes do IPDJ, amigos de vice-presidentes do IPDJ, diretores financeiros do IPDJ, filhos de diretores do IPDJ e tantos, tantos outros que, ao longo da última década, têm beneficiado de convites para o Camarote Presidencial ou para a zona VIP do estádio.

Vieira bem diz que o Benfica "tem de ser o primeiro em tudo até na cortesia". Justiça seja feita, não só parece andar a fazer um excelente trabalho nesse departamento, como parece empenhado em melhorar ainda mais, fazendo questão de aprender com os melhores dos melhores: os diplomatas de carreira. Só assim se compreende a marcação cerrada que, segundo o que os últimos emails publicados pelo blogue Mercado de Benfica deixam entender, o clube encarnado faz questão de fazer a variadíssimas embaixadas.

Tem particular graça, por exemplo, a insistência nos convites ao embaixador argentino. É possível que Vieira aprecie a arte da cortesia ao ritmo de um bom tango. 


Isto é que é vontade de aprender. Costuma dizer-se que a melhor forma de alcançar a excelência em qualquer atividade é recorrer a quem sabe do assunto. Considerando que ninguém percebe tanto de cortesia como os diplomatas, diria que o Benfica está realmente 10 anos à frente dos outros a este nível. Autênticos aprendizes de diplomatas.

E se bato na tecla da cortesia, é por estar certo que não existirão quaisquer outros tipos de interesses por detrás de convites feitos a pessoal de embaixadas. O secretário pessoal de Vieira explica melhor o que quero dizer...


(via @OhFazFavor)

... e o próprio presidente também.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Com testemunhas abonatórias destas, quem precisa de advogados de acusação?

Artigo do site O Mirante, jornal da região de Santarém (LINK), onde o ex-presidente da Junta de Freguesia do local de residência de Paulo Gonçalves tece rasgados elogios ao assessor jurídico do Benfica.

Os exemplos dados para elogiar Paulo Gonçalves é que se calhar poderiam ter sido melhor escolhidos, digo eu... 

(via @captomente; obrigado, Carlos!)

Dissertação de Janela sobre Luís Bernardo

Imagem retirada da cartilha nº 34/2016, de autoria de Carlos Janela, onde foram dedicadas algumas linhas àquele que é hoje o seu superior hierárquico. Vale o que vale, mas que não deixa de ter a sua piada...



A “redução” de 100 milhões da dívida do Benfica



O Benfica anunciou no princípio do mês, por Domingos Soares de Oliveira, que irá levar a cabo uma operação de antecipação de receitas do contrato de direitos televisivos com a NOS na ordem dos 100 milhões de euros, utilizando depois esse dinheiro para abater a dívida bancária. Ontem, Luís Filipe Vieira voltou a recuperar o tema no discurso que fez na gala Cosme Damião, referindo, precisamente, que o Benfica se prepara para reduzir a dívida bancária em 100 milhões de euros.

É uma operação que poderá ser interessante para a SAD, no sentido em que se aliviará da pressão feita pelos bancos e até, eventualmente, poderá conseguir obter taxas de juro mais vantajosas.

Mas, a não ser que haja algum dado que não esteja a ser referido, isto não é nem uma redução da dívida nem uma redução do passivo. É apenas uma reestruturação da dívida, em que se troca um mecanismo (empréstimos bancários) por outro (factoring). Poderiam, em alternativa, ter contraído novo empréstimo obrigacionista - este ano vence um empréstimo de 45 milhões -, mas provavelmente seria complicado, com todos os casos judiciais que tem havido, conseguir arranjar investidores para uma verba tão elevada de uma só vez (os 45 milhões, mais os 100 milhões, mais 5 ou 10 milhões para gestão de tesouraria, que tem sido prática corrente na renovação deste tipo de empréstimos).

Basicamente, o Benfica vai ceder as receitas dos próximos anos do contrato da NOS a uma entidade financeira ainda não anunciada, recebendo de imediato os 100 milhões (provavelmente deduzidos de uma comissão) e entregando esse dinheiro à banca para abater os empréstimos existentes. Na prática, troca um tipo de dívida por outro do mesmo valor. Nem baixa a dívida global, nem baixa o passivo. Só baixará se o Benfica realizar paralelamente outros reembolsos utilizando dinheiro proveniente das suas receitas ordinárias (bilheteira, patrocínios) ou extraordinárias (vendas de jogadores).

Ou seja, esta troca nem é boa nem é má para as contas do Benfica. É uma opção financeira legítima que terá um impacto relativamente reduzido no estado geral das contas da SAD.

Muito interessante foi ver a análise de Rui Pedro Braz a esta questão. Sendo o comentador da TVI24 um feroz crítico da opção do Sporting em antecipar receitas, é natural que haja curiosidade para saber qual seria a sua reação a este anúncio do Benfica.

Mais uma vez, não desiludiu, como poderão observar no vídeo abaixo, que agrega duas intervenções feitas no espaço de um par de dias. Vejam, não se vão arrepender.

(obrigado, Diogo!)

quinta-feira, 22 de março de 2018

O Instituto dos Profissionais Das Borlas

A edição de hoje do Record - a primeira após a saída de Nuno Farinha do jornal - chama a atenção para as cunhas metidas por elementos do IPDJ para ver jogos do Benfica:




O artigo é esclarecedor. Refere, e bem, a quantidade de pedidos feitos por pessoas que trabalham para o instituto que tem a responsabilidade de regular a atividade dos clubes de futebol enquanto promotores de espetáculos desportivos - com especial incidência para o comportamento e controlo das claques.

É impossível não se ficar com uma certa comichão quando se vê o presidente do IPDJ a pedinchar bilhetes e, mais tarde, andar a dizer que os adeptos do Benfica não têm sido um problema para o IPDJ e para a polícia - quando toda a gente sabe que são recorrentes as situações de indisciplina e caos que vão semeando nos estádios de futebol e nas suas imediações. Claques ilegais que, como todos sabem, recebem apoio ilegal do próprio Benfica, desde o logístico - cedência de instalações, aluguer de carrinhas e pagamento de combustível para deslocações a outros estádios - até no pagamento a advogados para defesa de elementos desses grupos de adeptos em processos criminais que nada têm a ver com o clube - sobre isso, podem recordar o caso no post que escrevi há um mês (LINK).

É o mesmo instituto que colocou um processo ao Sporting por prestar apoio a claques ilegais por ter permitido a entrada de uma faixa dos Diabos Vermelhos num dérbi, e é o mesmo instituto que fecha os olhos aos cânticos benfiquistas que celebram a morte de Rui Mendes no Jamor, enquanto colocam processos às claques de Sporting e Porto quando fazem números semelhantes.


O Sr. Dr. João Bibe fazia muito gosto

Mas a comichão passa a náusea se olharmos para a forma desavergonhada como estas pessoas do IPDJ se fazem ao convite. Ora vejam:

(via @OhFazFavor)

Os bilhetes pedidos eram para a família da diretora financeira do IPDJ, para o Benfica - Newcastle, disputado em abril de 2013. Dois dias depois, foi feita uma adenda ao pedido:


Como seria de esperar num clube tão cortez, os bons ofícios solicitados foram disponibilizados.


O Sr. Dr. João Bibe era, na altura, vice-presidente do IPDJ, com uma apetência comprovada de abuso do cargo para proveito pessoal, conforme se pode ver nesta notícia do jornal i de 2012:

Fonte: Jornal i

O Sr. Dr. João Bibe abandonou o IPDJ em janeiro de 2014, sendo, atualmente, vogal do Conselho Fiscal da RTP. É extraordinário como é que um indivíduo com este currículo continua a desempenhar funções desta natureza em empresas públicas.


De IPDJ para IPDB: o Instituto dos Profissionais Das Borlas

No arquivo de emails disponibilizado pelo blogue Mercado de Benfica, podem encontrar-se inúmeros pedidos de bilhetes por parte do IPDJ. De todos os emails que vi por aí, o mais revelador da bandalheira que por ali vai, é este que poderão ver a seguir. Vejam bem se isto não é uma pouca vergonha:

(via @OhFazFavor)

O filho de 12 anos de uma vogal da administração de um outro instituto gostou tanto de ir à bola, que de imediato a secretária de administração do IPDJ teve de pedinchar convites para outro jogo. Isto é andar a brincar com os recursos públicos. De certeza que não é para isto que o Estado lhes paga.

Para terem uma ideia melhor da cultura de solicitação de borla que se instalou no IPDJ, aqui ficam mais alguns exemplos.

Convite para o Senhor Presidente para a Eusébio Cup:


Seis convites para um Benfica - Rio Ave...


... com direito a encore para mais dois:


Mais um convite para o Sr. Presidente, para o Camarote Presidencial...


... e mais seis em nome do Dr. João Bibe:


Cunha para o Senhor Secretário de Estado:


Bilhetes e viagens, anyone?


E mais um especial favor e atenção para terminar:


Isto, obviamente, vai muito para além do cumprimento dos deveres destes indivíduos enquanto responsáveis do IPDJ. Usaram o cargo para obter bilhetes para si e para outras pessoas, não se coibindo de solicitar, em alguns casos, lugares para o Camarote Presidencial. Infelizmente, a inação do IPDJ no que diz respeito ao Benfica não deixa ninguém descansado quanto à não existência de contrapartidas pelos bons ofíciospreciosas colaborações e especiais favores e atenção que foram solicitando ao longo de todos estes anos.