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domingo, 25 de agosto de 2019

E ao quarto dia apareceu Vietto

Bom jogo. Ao quarto jogo oficial da temporada, o Sporting fez finalmente uma exibição convincente e alcançou uma vitória relativamente tranquila num terreno onde costuma passar por dificuldades. Não foi uma prestação sem mácula, houve momentos - principalmente na primeira metade da segunda parte - em que houve alguma dificuldade em manter o Portimonense longe da nossa área, mas, na generalidade dos 90 minutos, foi um desempenho sólido que permitiu ao Sporting aproveitar da melhor forma o resultado do clássico de ontem. 

A surpresa Vietto. A entrada do Sporting no jogo foi demolidora e permitiu construir uma vantagem que ajudou a tranquilizar a equipa - ainda que o Portimonense não tardasse a reduzir a partir de um penálti provocado por uma falta displicente de Mathieu. O Sporting foi claramente superior na primeira parte graças à habitual ação de Bruno Fernandes, mas, sobretudo, por causa da criatividade de Vietto. O posicionamento do argentino surpreendeu Folha, que não parecia estar preparado para esta descentralização da criação de desequilíbrios. Os recursos que Vietto mostrou são variados: capacidade de drible, mudanças de velocidade, visão perfeita das movimentações dos homens mais adiantados e superior execução no momento de colocação da bola no espaço. Na segunda parte, mais encostado à linha e mais desgastado, desapareceu um pouco do jogo. O passe a rasgar para Bruno Fernandes no segundo golo e o míssil intercontinental de 50 metros para o que deveria ter sido o terceiro golo de Raphinha foram os momentos mais altos de uma excelente exibição. Este Vietto promete dar uma nova dimensão à capacidade ofensiva do Sporting - e que tão necessária é.

Bruno e, finalmente, Raphinha. Se ficou chateado por não ter tido a transferência que ambicionava, não o demonstra. Hoje foram mais três assistências para Bruno Fernandes, passando o pecúlio para 1 golo e 4 assistências ao fim de 3 jornadas. A boa finalização de Raphinha foi outro dos fatores decisivos. Assinou um golo fantástico a abrir a contagem e foi muito oportuno no tento que fechou o resultado.

Para Keizer pensar. Não discuto que Vietto, num dia mau, pode ser tão inconsequente como Diaby. Mas o jogo de Portimão serviu para demonstrar que o melhor (?) Diaby nunca na vida será capaz de fazer um quinto do que Vietto fez neste jogo. Vietto poderá ajudar menos na defesa, é verdade, mas as carências que temos demonstrado na zona ofensiva obrigam Keizer a aproveitar o talento que tem à sua disposição. Infelizmente, o holandês parece quase paralizado pelos receios das descompensações defensivas. É incompreensível que, com 3-1 de vantagem e muitos jogadores de rastos - incluindo os do Portimonense -, não tenha dado 20 minutos a Camacho ou Plata para irem conquistando o seu espaço. Keizer limitou-se a duas substituições aos 79' e 86', o que, a meu ver, pode ser sinal de que, à semelhança da época passada, não consegue confiar em mais que 13-14 jogadores - com tudo o que de mau isso implica ao nível da gestão do plantel. Já não falta muito para chegarem 6 ou 7 meses a jogar permanentemente duas vezes por semana. É preciso mais coragem, mais audácia, alargar o tal núcleo duro. Se não o fizer, vamos sofrer muito a partir de outubro/novembro.

Vasco Santos, um habitué em decisões polémicas que nos prejudicam. O VAR corrigiu - e bem - a decisão de Xistra em assinalar um livre direto numa falta sobre Raphinha dentro da área. Mas voltaria a intervir - de forma bastante mais discutível - ao anular esse penálti por uma suposta falta de Thierry cometida uns momentos antes. Acontece que: 1) a bola foi jogada por dois jogadores do Portimonense entre o momento da suposta falta de Thierry e a indiscutível falta sobre Raphinha; 2) o adversário fez um movimento diagonal face à linha de progressão de Thierry e colocou-se, sem bola, à sua frente, impedindo-o de continuar a correr - o que poderia ser interpretado como obstrução. Veremos se o critério se irá manter daqui para a frente. O VAR é uma ferramenta fantástica, mas só poderá ser tão boa na medida da competência daqueles que a utilizam. E já sabemos que, em caso de dúvida, a norma é decidir contra o Sporting.

À frente dos rivais, mas sem quaisquer motivos para euforias. O Sporting 2018/19 de Peseiro também teve um arranque bastante positivo. Depois, foi o que se viu. Em 2019/20, os problemas para resolver até ao fecho do mercado continuam a ser muitos. Só temos um ponta-de-lança - que, no máximo, pode ser uma alternativa de banco -, falta um extremo capaz de abanar defesas fechadas - desconheço se algum dos que hoje tínhamos no banco poderá ser esse extremo a curto prazo porque mal os vi jogar -, e, porque começam a ser cada vez mais óbvias as limitações de Doumbia, precisamos de um médio defensivo a sério. Depois... é preciso que Keizer seja capaz de tirar bom partido do plantel que lhe colocarem à disposição. Para já, o pensamento só pode ser um: jogo a jogo.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vitória, preocupações e recados

Finalmente uma vitória. Ganhar ao Braga era essencial. Não por ser o Braga, não pelos três pontos, não para não nos deixarmos atrasar mais em relação à liderança, não pela possibilidade de, ganhando em Portimão, aproveitarmos o resultado do clássico entre Benfica e Porto para recuperarmos ou ampliarmos distâncias. Era essencial ganhar porque, independentemente dos muitos problemas técnico-táticos que estão à vista de todos, o atual momento de intranquilidade potencia esses problemas e faz parecê-los ainda mais graves do que efetivamente são. Era fundamental recuperar alguma tranquilidade e confiança e, como tal, jogando bem ou mal, tínhamos de vencer ontem. Nesse sentido, a missão mais importante foi cumprida.

Os suspeitos do costume. Mais uma vez, o Sporting só existiu ofensivamente na medida do que a sua linha média foi capaz de produzir. Os desequilíbrios foram conseguidos quase exclusivamente pelos habituais Bruno Fernandes e Wendel e pelo lateral Acuña. Coates e Mathieu foram segurando as pontas como podiam (com preciosa ajuda de Neto nos últimos quinze minutos) e, mais uma vez, o patinho feio Renan salvou o dia com algumas defesas fulcrais (aquela aos 40’, após remate de Hassan na queima, foi absolutamente incrível). 

Inoperância na frente. É angustiante observar o rendimento dos homens mais adiantados. Luiz Phellype vale pelo esforço e pouco mais. Raramente tem bolas na área para finalizar, parcialmente por responsabilidades próprias no momento de decidir o que fazer quando é solicitado, mas sobretudo por não ser devidamente alimentado devido ao modelo de construção (?) que o treinador coloca em prática. Raphinha está num momento de forma terrível. Não consegue ganhar duelos, não cria desequilíbrios, não finaliza em condições. Ontem defendeu a passo, deixando várias vezes Thierry completamente exposto no nosso flanco direito. Diaby foi Diaby. Mais um jogo sem qualquer ação positiva de registo, mais um momento para os apanhados que deixou meio estádio a rir quando se atrapalhou ao tentar fazer um nó a um adversário, e não há uma alma à face da Terra para além de Keizer que consiga entender como é possível que, depois de tão consistentes demonstrações de incapacidade, o maliano continue a fazer parte das contas do onze. Ou que tenha um minuto de utilização que seja. 

Treinador às aranhas. É verdade que Keizer não tem muitas alternativas de qualidade disponíveis. Camacho e Plata estão verdes e alguma coisa está mal na construção do plantel quando Raphinha, que tem apenas 22 anos e um ano de experiência a este nível, é o extremo de referência da equipa. A 11 dias do fecho do mercado, temos apenas dois pontas-de-lança, um dos quais jogava na segunda divisão há meses, e em que o outro foi contratado para substituir Bruno Fernandes. Mas isso não justifica tão pouco futebol e o problema não está apenas nos jogadores. Keizer diz que gosta de Dost mas não foi capaz de tirar rendimento do holandês, não é capaz de dar jogo a Luiz Phellype, não vê a mobilidade e técnica de Vietto como solução, e aparentemente também acha que Slimani não é o ponta-de-lança ideal. Perante quatro tipos de avançados de características bastante diversas e nenhum serve para o treinador… então quem servirá? 

Recados à estrutura. Na conferência de imprensa, Keizer deixou soltar um desabafo sobre a forma como (não) foi consultado sobre a saída de Dost, lamentando-se da sua saída. Depois dos comentários anteriores sobre Matheus Pereira e Vietto, fica mais ou menos claro que não existe entendimento entre o treinador e a estrutura de futebol sobre as movimentações de jogadores. Se não se entendem sobre quem sai, se não se entendem sobre quem entra… então como podemos nós, os adeptos, acreditar que existe um fio condutor, consistente e lógico, na preparação da época, na construção do plantel e na globalidade do trabalho realizado? 

Se, se, se. Reencontrámos as vitórias, mas os sinais de preocupação não se dissiparam. SE Rosier trouxer mais estabilidade ao flanco direito, SE Doumbia começar a compreender melhor as compensações que tem de fazer, SE Wendel conseguir aguentar mais de 60 minutos, poderemos ter condições para atenuar o caos defensivo que temos observado. SE conseguirmos manter Acuña a lateral, SE contratarmos um extremo a sério para entrar no onze ou SE conseguirmos começar a tirar algum rendimento de Camacho e Plata, SE contratarmos um ponta-de-lança que encaixe no quer que Keizer idealiza para o nosso jogo, poderemos ter condições para sermos um conjunto verdadeiramente ameaçador em ataque continuado e em contra-ataque. SE o treinador conseguir desembrulhar a confusão que parece ter no cérebro, SE a estrutura estabelecer as prioridades certas para a época… pode ser que se consiga fazer alguma coisa desta época.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Retratos e momentos de uma tarde inesquecivel



A festa antes do jogo



Campo inclinado

Fonte: zerozero.pt


Nas bancadas



Um voo inesquecível

(via @ultras6p)



O desempate por penáltis (com som ambiente)




O momento em que te apercebes que ganhaste a Taça

Fonte: zerozero.pt


Ristovski invade o campo




Montero




Nani



Festejos em holandês

Fonte: zerozero.pt


Lágrimas de um gigante

(via @sporting_cp)


A caminhada de Renan até à tribuna



Mar verde e branco

(via @ultras6p)


O sabor da vitória

(via @ultras6p)


Gudelj




Ristovski e a possível saída de Bruno Fernandes

terça-feira, 7 de maio de 2019

50 milhões? Só se for pela perna esquerda.

11 minutos de classe pura, só recorrendo a lances desta esta época. Os golos, as assistências, os passes, os toques subtis que tiram um punhado de adversários do caminho, as paradinhas nos penáltis que nenhum guarda-redes consegue contrariar. Não faço ideia de qual é o valor que o Sporting está a pedir pelo jogador, mas tem de bater (de longe) o recorde de venda de um clube português.



segunda-feira, 6 de maio de 2019

Oito

UM. A forma como o jogo decorreu acabou por apontar os holofotes noutras direções, mas deve ser sublinhada a importância de dois momentos de Raphinha para que a tarde fosse tão tranquila: o golo inaugural após interceção oportuna e finalização de classe; e a desmarcação e drible sobre Muriel que, para evitar o iminente segundo golo do brasileiro, fez falta para cartão vermelho - praticamente sentenciando o destino dos três pontos. Pode não ter tido tanto a ver com a goleada como outros colegas, mas nenhum outro jogador esteve tanto na génese desta vitória como Raphinha.

DOIS. Mais um jogo, mais um golo de Luiz Phellype. Com alguma colaboração de Guilherme Oliveira, é certo, mas mais um golo. Depois de algumas dificuldades iniciais - a utilização esporádica não ajudou, certamente -, o brasileiro contratado ao Paços teve o mérito de aproveitar da melhor forma a lesão de Dost e já leva sete golos nos últimos seis jogos para o campeonato. Desde que veio para o Sporting, leva uma interessante média de um golo marcado a cada 97 minutos. Se lhe acrescentarmos as 3 assistências que já soma, então temos uma ação decisiva a cada 68 minutos. Nada mau para uma contratação de 500.000 euros. Ontem, para além do golo já referido, teve influência direta em dois dos golos de Bruno Fernandes: foi sobre Luiz Phellype que foi cometido o penálti do 1-4, e foi autor de delicioso trabalho pela direita que culminou num passe altruista para o capitão fazer o 1-5.  

TRÊS. Os três golos marcados fazem de Bruno Fernandes a figura do jogo, que elevam para 31 (trinta e um) os tentos apontados na época colocam-no como o médio mais concretizador da história do futebol europeu numa só época. Mas não foi apenas isso: fez também o passe de régua e esquadro que desmarcou Raphinha no lance da expulsão de Muriel, o passe para o golo de Dost (não conta como assistência porque o holandês apenas marcou na recarga), e ainda uma assistência no golo de Luiz Phellype. Ou seja, mais uma exibição superlativa a preencher uma época de antologia.

QUATRO. Foi o cenário ideal para o regresso de Bas Dost, cerca de dois meses após o seu último jogo, considerando que o fosso psicológico em que o ponta-de-lança estava metido. Muito aplaudido no momento em que foi para o aquecimento e muito aplaudido quando entrou, precisou apenas de dois minutos para faturar e foi visível a alegria do holandês e de todos os seus colegas pelo regresso aos golos. Teve ainda uma ação decisiva no último golo, com uma simulação em que deixou a bola à mercê de Doumbia.

CINCO. Estreias a marcar de Gudelj e Doumbia, e de Borja a assistir. Mais uma assistência para Acuña e Diaby.

SEIS. Não foi preciso ao Sporting acelerar muito para ir para o intervalo com uma vantagem de dois golos. A segunda parte prosseguiu num ritmo médio e foi baixando gradualmente ao ponto de permitir ao Belenenses subir de forma mais insistente e chegar ao golo - mau passe de Mathieu e má abordagem de Borja, Ljujic passa com facilidade por Coates e remata cruzado para defesa incompleta de Renan (podia ter feito melhor) que Licá aproveitou da melhor forma. O golo da equipa da casa teve o condão de despertar o Sporting, que daí para a frente aumentou de forma drástica os níveis de agressividade e velocidade - que se traduziram em mais 6 golos no espaço de 25 minutos. 

SETE. Bela tarde de primavera, que, para além da goleada, serviu de adaptação ao relvado e à iluminação natural do Jamor com vista à final da Taça de Portugal. Foi pena que não houvesse mais sportinguistas nas bancadas.

OITO. Para além do registo histórico do número oito (Bruno Fernandes), os oito golos marcados são também assinaláveis. É preciso recuar 52 anos para encontrarmos outro jogo em que uma equipa marcou pelo menos oito golos num jogo do campeonato português na condição de visitante (Beira Mar 0-9 Benfica). O Sporting, em particular, não marcava tanto para o campeonato na condição de desde 1940 (Leixões 2-9 Sporting) (dados @playmaker_PT). Goleada histórica.

domingo, 28 de abril de 2019

Raphinha contra as indignações

Toda a gente sabe que a liga portuguesa é uma competição que, nas últimas décadas, tem sido recorrentemente marcada por decisões incompreensíveis de arbitragem com impacto direto nos resultados de jogos e na definição de campeões. No entanto, esses erros sempre foram passando por entre os pingos da chuva. O leque de argumentos desculpabilizadores utilizado pelos comentadores da nossa praça é vasto e bem conhecido do adepto de futebol: que o árbitro é humano, que o erro faz parte do jogo, que são decisões que têm de ser tomadas em milésimos de segundo, terminando na habitual e aberrante conclusão de que, no final da época, os benefícios e prejuízos equilibram-se e ninguém tem reais razões de queixa.

Isto, obviamente, não se aplica às raras situações em que o Sporting é ostensivamente beneficiado. Aí os nossos especialistas descobrem que, afinal, os árbitros não têm a qualidade desejável, que o VAR não funciona, que o protocolo do VAR tem de ser revisto, que há erros que efetivamente podem mudar o rumo de um jogo. Ontem, quem teve o azar de seguir o jogo pela Sport TV, pôde voltar a viver essa experiência de forma bem intensa. "Um erro incompreensível", lamentava repetidamente o locutor de serviço durante os cinco minutos em que o jogo esteve parado. que rapidamente concluiu que o golo devia ter sido anulado e que devia ser assinalado penálti a favor do V. Guimarães. Um par de minutos depois de reatado o jogo, Luiz Phellype remata à barra e o locutor, em vez de falar na oportunidade desperdiçada ou no grande passe de Bruno Fernandes, preferia voltar a falar do erro do árbitro. Continuou a pisar e repisar o tema até que, já durante os descontos, recebeu a indicação que se calhar a falta tinha sido fora da área e que era possível que o V. Guimarães tivesse tido posse de bola entre o momento da falta e o momento do golo. 

Tudo espremido, houve de facto um erro de Rui Costa: falta óbvia de Acuña que daria direito a um livre direto na quina da área a favor do V. Guimarães. O golo de Raphinha foi corretamente validado porque o VAR não podia intervir a partir do momento em que não houve penálti e em que houve mudança na posse de bola entre a falta e o golo. Ou seja, acaba por sobrar apenas mais uma sessão de indignação forçada que lá servirá para alimentar narrativas que conhecemos de gingeira.

Polémica à parte, foi uma bela tarde de futebol, com um estádio cheio que pôde assistir a um jogo de sentido único e sem grande história. Após 10 minutos de algum ascendente territorial visitante, o Sporting arrancou para uma exibição em que demonstrou uma superioridade clara, criando múltiplas ocasiões para marcar. Em vez de irmos para o intervalo com uma goleada, fomos apenas um golo marcado por Raphinha - fraca recompensa para a produção ofensiva da equipa que proporcionou quatro bolas nos ferros (Raphinha, Bruno Fernandes, e Luiz Phellype por duas vezes) e um punhado de boas intervenções de Miguel Silva. A história repetiu-se na segunda parte até ao golo de Luiz Phellype (boa finalização após mais uma boa jogada de Raphinha, numa jogada que começou num passe longo de Renan a solicitar o brasileiro na linha) que selou o marcador. A partir daí, a equipa limitou-se a gerir a vantagem até ao final sem quaisquer sobressaltos.

Destaque óbvio para Raphinha (um golo, uma assistência e uma constante dor de cabeça para a defesa adversária, na sua melhor exibição da época), Luiz Phellype (mais um golo, já vão 6 nos últimos 5 jogos do campeonato) e Bruno Fernandes (uma assistência), bem acompanhados por Wendel e Doumbia. De referir também o bom desempenho defensivo em mais um jogo em que voltámos a não conceder qualquer oportunidade ao adversário (nos últimos 7 jogos, o Sporting sofreu apenas 2 golos) e que ajudou a garantir um triunfo incontestável que aumenta a série de vitórias consecutivas para 9. Que no final da época sejam 13.

P.S.: no final do jogo, um indignado Júlio Mendes foi à sala de imprensa reclamar da arbitragem, dando sequência a uma bonita tradição que os presidentes de clubes minhotos fazem questão de implementar quando se deslocam a Alvalade. Pena que não tenha feito o mesmo, por exemplo, quando, em agosto, sofreu um golo em claro fora de jogo no Dragão, ou quando foi escandalosamente prejudicado em 15/16 por uma Xistralhada épica com múltiplos erros grosseiros a favorecer o Benfica (dois penáltis por assinalar a favor do V. Guimarães e duas expulsões perdoadas a Eliseu e Jardel). Nessa altura só falou 4 dias depois... para defender Sérgio Conceição. Sobre Xistra... só disse isto.



Coerência não é, definitivamente, o seu forte. Mas sejamos compreensivos: Júlio Mendes não terá tido um dia fácil: acabou com uma azia do tamanho de um camião.

domingo, 14 de abril de 2019

Há Dias difíceis

Qualquer prognóstico feito pelos adeptos ao Aves - Sporting ficou obsoleto ao fim de quatro minutos. Artur Soares Dias decidiu fazer história aos 4' mostrando um cartão vermelho a Renan - nunca um jogador do Sporting tinha sido expulso, em qualquer competição, com tão pouco tempo decorrido - da forma mais artursoaresca possível: recorrendo aos mais finos limites da interpretação, como sempre parece acontecer quando o Sporting está envolvido. É indiscutível que Renan derruba o adversário e é indiscutível que era uma jogada de perigo, mas é discutível que o jogador do Aves estivesse numa posição assim tão clara para marcar - corria na direção da linha de fundo e não em direção à baliza, e o ângulo em que se encontrava não era propriamente favorável para uma situação de concretização. Ainda assim, vermelho mostrado, e o Sporting viu-se condenado a jogar em desvantagem numérica durante os restantes 94' de jogo que se disputaram.

Fonte: zerozero.pt
Verdade seja dita que tal desvantagem numérica não se notou no decurso do jogo. O Sporting controlou a partida do princípio ao fim, sabendo gerir os ritmos de jogo e sendo inteligente e acutilante nos momentos ofensivos. Chegou à vantagem no marcador com naturalidade através de Luiz Phellype (quarto golo nos últimos cinco jogos) e, após o único lance de verdadeiro perigo do Aves que resultou em penálti (bem assinalado) e no empate, não tardou a recolocar-se na frente através de Mathieu, num lance que ficará lembrado sobretudo pelo medo que Bruno Fernandes provoca às defesas adversárias: a dúvida de que, apesar da distância, o livre pudesse ser batido direto pelo capitão, levou a que um defesa do Aves descesse para junto do poste - movimento aproveitado de imediato por Coates e Mathieu, que se adiantaram e ajudaram a que se criasse o decisivo desequilíbrio para fazer abanar as redes. Mas o marcador não ficaria fechado sem que Bruno Fernandes apontasse o 28º golo da época de cabeça (!), encerrando em definitivo as dúvidas sobre quem seria o vencedor. Vale também a pena referir que, pelo meio, Soares Dias ainda transformou uma obstrução de Diego Galo sobre Acuña que deveria valer o 2º amarelo ao defesa do Aves num amarelo ao argentino do Sporting. Há Dias mais difíceis que outros, mas felizmente o Sporting soube contornar os obstáculos colocados e arrecadou os três pontos com inteira justiça.

A equipa parece estar a atravessar o melhor momento da época, tendo alcançado ontem a 7ª vitória consecutiva. Não surpreende que este período coincida com o espaço de tempo em que se voltou ao ritmo de um jogo por semana. Isto demonstra que, havendo um plantel tão desequilibrado e carente de alternativas, uma boa condição física dos titulares é fator fundamental para que se consiga manter um nível de regularidade compatível com a luta pela vitória no campeonato. O desgaste causado pelo ritmo frenético de jogos entre outubro e fevereiro acabou por matar essa pretensão. Espero que, pelo menos, se aprenda com esta experiência e que a estrutura de futebol saiba estabelecer as prioridades certas para a época de 2019/20.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Rendimento mínimo garantido

Depois de um dérbi tão desgastante como o de quarta-feira frente ao Benfica, Marcel Keizer não poderia ter desejado um jogo mais tranquilo do que aquele que disputou ontem em Alvalade contra o Rio Ave. O treinador holandês voltou a apostar naquele que considera ser o melhor onze disponível, os jogadores entraram em campo em modo rendimento mínimo garantido e, depois de ter assegurado os três pontos, a equipa não teve problemas em assumir um modo de gestão total de esforço.

Não me recordo de ver, esta época, um jogo controlado de forma tão eficiente do princípio ao fim. Mesmo mantendo a velocidade de execução e a intensidade nas disputas de bola a níveis modestos, o Sporting foi criando oportunidades suficientes para levar para o intervalo uma vantagem de dois golos ao mesmo tempo que foi proporcionando a Renan uma das noites mais calmas que terá tido na sua carreira. O melhor momento dos primeiros 45 minutos foi o exemplar lance de contra-ataque que inaugurou o marcador, iniciado e finalizado por Luiz Phellype com fundamental contributo de Wendel - ainda que a assistência tenha sido creditada a Acuña por causa do inócuo toque que deu na bola antes de esta ter chegado ao ponta-de-lança. Terceiro golo nos últimos três jogos para o brasileiro que, usufruindo de uma utilização mais regular, começa finalmente a acumular golos e a justificar a sua contratação. Para a segunda parte ficaria reservado o grande momento do jogo: golação de Wendel, com um indefensável pontapé em arco à entrada da área que fecharia o resultado. Pelo meio, Bruno Fernandes aproveitou indiscutível penálti sobre Luiz Phellype para igualar Frank Lampard como médio mais concretizador numa só época. Luiz Phellype, Bruno Fernandes e Wendel, cada qual com um golo e participação decisiva noutro, foram as figuras do jogo.

Após vitória tão tranquila, suponho que o único tema que possa gerar alguma discussão seja a gestão de plantel feita por Keizer. Não podia evitar as substituições de Borja e Acuña, que saíram tocados, e, compreensivelmente, tirou Mathieu de campo assim que sentiu o resultado suficientemente seguro. Por aqui, nada a dizer. Eventualmente poder-se-á questionar as opções para o onze. Não seria um bom jogo para lançar Doumbia de início? Ou então, para quê insistir em Diaby, que realizou mais uma exibição constrangedora? Já se percebeu que Keizer não tem confiança em mais que 13/14 jogadores, e que só sairá desse círculo restrito caso as lesões e suspensões assim o obriguem. A favor do treinador, o resultado e alguns números que sustentam que o Sporting atravessa uma boa fase da época: mais três pontos que nos colocam mais seguros no 3º lugar (teríamos de perder mais 4 pontos que o Braga até ao final da época para sair do pódio), 6ª vitória consecutiva (5 das quais para o campeonato), sequência de 9 jogos com apenas 4 golos sofridos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Lei de Bruno

Observar a época de Bruno Fernandes e dizer que o capitão é o abono de família do Sporting é um eufemismo. Bruno não é apenas o abono de família. Bruno é o salário que cai na conta no final do mês, Bruno é o subsídio de férias, Bruno é a moeda de 1 euro que se encontra no passeio, Bruno é o valor devolvido no IRS após entregue a declaração anual. É a raspadinha e é a lotaria. É muito bonito dizer que o futebol é um desporto coletivo, mas se o Sporting carimbou a presença no Jamor, deve-o, sobretudo, ao génio que tem carregado e continua a carregar esta equipa às costas. 

Numa noite em que, apesar de as bancadas se terem apresentado demasiado despidas para a importância da ocasião, os presentes - começando por uma curva sul muito mais bem composta do que tem sido norma esta época - proporcionaram um excelente ambiente que ajudou a equipa do princípio ao fim a agarrar-se com unhas e dentes ao último objetivo da época. Com todas as limitações que se conhecem, há que fazer justiça a todos os jogadores pelo esforço e ao treinador pela estratégia montada: viu-se um Sporting muito agressivo e pressionante sem bola que conseguiu se bastante eficaz a impedir o Benfica de executar as suas temíveis transições - jogar ao ritmo de uma partida por semana tem a óbvia vantagem de proporcionar uma maior disponibilidade física que pode fazer a diferença em momentos destes.

Grande jogo de Acuña - como peixe na água neste futebol mais lutado de que jogado -, o trio de centrais composto por Mathieu, Coates e Borja - e Ilori, mais tarde - esteve sempre num excelente nível, e Gudelj fez um dos melhores jogos desde que está no Sporting. Mas, claro, o grande destaque tem de ser dado a Bruno Fernandes: depois de nos ter mantido vivos na 1ª mão com a bomba de livre direto, Bruno resolveu ontem a eliminatória com um missil ao ângulo... com o pé esquerdo.


Bem pior esteve o árbitro Hugo Miguel, que não assinalou um penálti por braço na bola de Rúben Dias e aplicou um critério disciplinar errático que irritou os jogadores das duas equipas.

É uma vitória importante que ajudará a equipa a manter-se focada até ao final da época. Psicologicamente, também me parece importante termos conseguido vencer o Benfica após dois jogos em que o nosso rival foi claramente superior. No entanto, continuamos apenas com uma Taça da Liga ganha. É fundamental que continuemos a época em crescendo até final de forma a chegarmos a 25 de maio nas melhores condições para conquistar o segundo troféu da época.

sábado, 30 de março de 2019

Em ritmo de passeio de Mota a Chaves

Depois de um período entre outubro e meados de fevereiro em que o Sporting teve um calendário muito intenso e em que a falta de frescura física foi apresentada como parte da justificação pelos maus resultados e fracas exibições que se foram acumulando, seria de esperar que, tendo voltado ao simpático ritmo competitivo de uma partida por semana, a equipa fosse apresentando melhorias graduais de rendimento. No entanto, esses sinais de melhoria não apareceram. Tinha ainda uma réstia de esperança que, tendo havido duas semanas de paragem e podendo o treinador dispor de 8 dos 11 titulares que apresentou ontem em Chaves para olear rotinas, ontem seria o dia em que se observaria finalmente o regresso a exibições convincentes - ainda mais estando do outro lado uma das equipas mais fracas da liga.

Infelizmente, voltei a ficar desiludido. O Sporting jogou a primeira parte em ritmo de passeio, como que à espera que a partida se resolvesse sozinha. É verdade que se pode dizer que não deu grandes chances ao adversário para criar perigo, mas a triste realidade é que também raramente colocou em risco as redes adversárias. Chegámos ao intervalo apenas com um par de boas jogadas para mostrar, uma das quais valeu o golo que nos dava vantagem na ida para os balneários: excelente envolvimento pela direita a envolver Raphinha, Bruno Fernandes e Ristovski, com a bola a ser servida em bandeja de ouro para Luiz Phellype encostar e estrear-se a marcar de leão ao peito.

A segunda parte começou na mesma toada, com pouco perigo de parte a parte... até ao momento em que Jefferson vê o segundo amarelo e deixa o Chaves com menos um e, em desvantagem no marcador, parecia que seria uma questão de pouco tempo até o jogo ficar definitivamente resolvido. Puro engano: em vez de colocar alguma velocidade no jogo e encostar o Chaves às cordas, os jogadores do Sporting pareceram entrar em descompressão precoce, permitindo à equipa da casa pegar no jogo e... chegar ao empate. Soaram os alarmes, Jovane saltou para dentro de campo e, finalmente, viu-se o Sporting a dar uso à superioridade numérica, não tardando o golo que nos recolocava em vantagem a partir dos pés do inevitável Bruno Fernandes (que remate de primeira!).

A partir daí, foi a altura de Manuel Mota borrar a pintura com a sua recorrente incompetência. Raphinha é travado em falta junto à área do Chaves quando se isolava, Mota mostra o vermelho ao defesa flaviense mas é chamado pelo VAR e... reverte a decisão e, surrealmente, expulsa Ristovski por um lance em carrinho em que cortou a bola de forma clara - o contacto posterior que existe não se podia evitar. Decisão absurda mas completamente intencional que colocou o macedónio de fora do decisivo jogo com o Benfica - imperativo recorrer da suspensão do jogador e pedir punição a Mota e Vasco Santos - e relançou o jogo que, no entanto, foi bem controlado pelo Sporting até ao fim, dando ainda para Luiz Phellype fazer o bis aos 90'+11 (descontos justificados).

Vitória demasiado sofrida para a presumível dificuldade do oponente, sobretudo por culpas próprias. E isso levanta outra questão: faz sentido Keizer continuar perante a falta de evolução coletiva do nosso futebol e a falta de desenvolvimento das individualidades que temos no plantel? Diria que não,  e já nem sei se uma eventual (e altamente improvável) vitória na Taça de Portugal poderá mudar o panorama.

sábado, 16 de março de 2019

Soporífero

Depois das justificações que Keizer foi dando entre dezembro e fevereiro - apontando a falta de frescura física como fator principal para a queda exibicional -, seria de esperar que, a partir do momento em que voltámos a jogar uma vez por semana, se fosse registando uma melhoria gradual no desempenho da equipa. O que vimos ontem, frente ao Santa Clara, foi precisamente o oposto. 

A primeira parte que o Sporting realizou é inconcebível. Foram 45 minutos de apatia generalizada, com jogadores pouco mais que plantados em campo e executando de forma previsível e angustiantemente lenta. A segunda parte valeu pelos primeiros quinze minutos. Foi o único período em que a equipa procurou a bola e o golo de forma insistente, culminando no remate de Raphinha que acabaria por determinar o resultado final. Pelo meio, os açorianos podiam ter marcado num penálti de bola corrida que, felizmente, embateu nas costas de Ristovski e saiu pela linha final. Depois do golo, o Sporting entregou a iniciativa ao Santa Clara e as oportunidades de golo rarearam de parte a parte até final. 

Do ponto de vista individual, Raphinha foi o jogador que mais se destacou pelas situações de desequilíbrio que conseguiu ir gerando - o problema é que esteve quase sempre mal acompanhado. Bruno Fernandes não sabe jogar mal e Acuña voltou a estar num nível aceitável. Doumbia cumpriu nesta chamada à titularidade, justificando novas oportunidades. No plano negativo, é impossível ignorar o momento de total falta de confiança por que passa Dost - uma sombra do enorme ponta-de-lança que é - e voltámos a ser obrigados a ver Diaby a envergar a nossa camisola. O maliano é um desastre tático, técnico e mental com duas pernas. 

Valeu exclusivamente pelos três pontos, numa noite que foi um suplício para os resistentes que ainda vão marcando presença nas bancadas e que, apesar de desiludidos com mais uma temporada fracassada, encontrariam algum conforto se se observassem sinais de melhoria que deixassem antever um 2019/20 mais promissor.

E é essa a grande questão do momento e que se arrastará até maio: é fundamental que Keizer demonstre JÁ capacidade de subir o rendimento da equipa se quiser continuar como treinador na próxima época. Compreendo que não foi o holandês que escolheu o plantel com que tem de trabalhar, mas, no contexto de um jogo disputado por semana, tem matéria-prima mais que suficiente para vencer confortavelmente 75% dos jogos. Em 2019, dos 18 jogos disputados, apenas em 3 ocasiões vencemos de forma tranquila - em todos os outros, a incerteza do resultado manteve-se até ao apito final do árbitro ou até muito perto do fim. Não havendo melhorias significativas nos 9/10 jogos que restam, entrará na próxima época imensamente pressionado e sem qualquer margem para errar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Segunda vida de Keizer?

Marcel Keizer arriscou e foi bem sucedido. O técnico holandês realizou uma revolução tática na equipa, formando um trio defensivo mais fixo - com Ilori descaído para a direita, Coates no meio e deslocando Borja para um posicionamento mais interior -, entregando a profundidade e largura dos flancos a Ristovski e Acuña quando o Sporting tinha a bola e puxando-os para uma linha de 5 defesas quando o Braga atacava. Simultaneamente, recuou Wendel para o lado de Gudelj e deu maior liberdade territorial a Diaby e Bruno Fernandes no apoio a Dost. 

No duplo pivot do meio-campo, Wendel fazia as despesas da ligação com o ataque e Gudelj assumia uma ação mais posicional, assegurando, em conjunto com o trio mais recuado, uma segurança defensiva mais sólida face ao adiantamento quer de Ristovski quer de Acuña. O trio de centrais complementou-se muito bem: Ilori e Borja estiveram muito bem na marcação e foram competentes na saída com bola, enquanto Coates esteve impecável (e implacável) nas dobras.

Estas alterações tiveram o efeito de reduzir o ataque do Braga a uma única oportunidade de golo no total dos 90 minutos - o que é particularmente surpreendente numa equipa que tantas dificuldades tem revelado no processo defensivo - e de permitir um ascendente exibicional durante praticamente toda a partida. Wendel fez um jogo tremendo e Bruno Fernandes voltou a encantar as bancadas com mais uma tremenda execução num livre direto - o 3º marcado nos últimos 4 jogos. Dost, depois de desperdiçar dois cruzamentos adocicados de Ristovski lá faria o gosto ao pé por duas vezes - que, esperemos, lhe devolva a confiança perdida. Diaby pareceu mais confortável não ficando amarrado a um flanco e foi decisivo na brilhante jogada - em que passou por 2 adversários antes de ser abalroado por outros 2 na área - que deu origem ao penálti convertido por Dost. Ainda deu para ver (mais) bons indicadores de Doumbia. Luiz Phellype foi batalhador no tempo em que esteve em campo, mas voltou a não ter oportunidades para demonstrar qualidades na finalização.

No geral, foi uma exibição muito consistente e convincente que abre novos horizontes para o que esta equipa será capaz de fazer daqui para a frente. Este sistema de três centrais parece ter pernas para andar mesmo com adversários mais recuados - variará a liberdade dada aos laterais/alas de serviço em função do que o jogo pedir - porque permite, em simultâneo um apoio mais próximo a Dost e manter um maior número de peças em terrenos mais recuados para controlar eventuais contra-ataques adversários, para além de potenciar as qualidades de jogadores como Ilori, Coates, Gudelj ou Diaby.

Uma boa vitória que nos coloca a quatro pontos do Braga e que nos dá a vantagem no confronto direto. Veremos se esta fórmula será para repetir na visita ao Villarreal. Esta primeira experiência trouxe sinais muito prometedores para o que poderá ser uma segunda vida de Keizer ao comando do Sporting. Os sportinguistas bem precisavam deste vislumbre de esperança para o que resta da temporada.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Nas asas de Bruno

O onze e a rotação

Sabe-se que a falta de frescura física de vários jogadores tem sido um dos principais problemas com que o Sporting tem-se debatido nas últimas semanas. Isso tem sido particularmente óbvio no trio do meio-campo: Gudelj, Bruno Fernandes e Wendel têm tido uma utilização intensiva e isso tem-se refletido - principalmente no caso do brasileiro - na incapacidade de jogos completos em condições. Seria por isso de esperar que Keizer aproveitasse esta deslocação ao estádio do último classificado para refrescar o meio-campo - quanto mais não seja porque não o poderá fazer nos três desafios que se seguirão nos próximos 10 dias - contra o Villarreal não poderá usar Doumbia e Geraldes por não estarem inscritos, e contra o Braga terá, obviamente, de meter a carne toda no assador. 

Keizer optou, no entanto, por ir a jogo novamente com o trio do costume. Entendo que queira agarrar-se o mais possível às escassas hipóteses de conseguir uma melhor classificação no campeonato, mas não me parece que, face à enorme diferença de valor entre o Sporting e o Feirense, que corresse riscos enormes se entrasse pelo menos com Doumbia e Geraldes nos lugares de Gudelj e Wendel. Junte-se a isso ainda o facto de ter arriscado em perder Bruno Fernandes e Coates contra o Braga, visto que ambos estão à beira da suspensão por já terem 8 amarelos no campeonato. Sinceramente, esperava um outro tipo de definição de prioridades e planeamento a curto prazo que fosse ditado pela estrutura para a equipa técnica. Felizmente, ontem correu tudo pelo melhor - não houve lesões nem amarelos a jogadores em risco, e até deu para fazer alguma gestão de esforço na segunda parte -, mas pusemo-nos novamente a jeito.


O jogo

Ao contrário do que tem sido normal, o Sporting entrou bem e foi à procura da vantagem do marcador logo nos primeiros minutos, mas a partir dos 15' perdeu por completo a capacidade de ditar o ritmo de jogo e de encostar o Feirense à sua área. A responsabilidade, a meu ver, divide-se entre a falta de peso do nosso meio-campo e da permissividade do árbitro às entradas duras dos adversários - perdoando dois cartões vermelhos na primeira parte a jogadores do Feirense, marcando faltas ao contrário, apitando faltas inexistentes e deixando passar faltas óbvias. O que é facto é que o nível exibicional caiu a pique e voltou a observar-se a crise de confiança que afeta os jogadores, proporcionando alguns momentos dignos dos apanhados. O golo da vantagem acabaria por surgir inesperadamente perto do intervalo, na sequência da primeira jogada com pés e cabeça que a equipa conseguiu fazer. 

A segunda parte teve uma dinâmica completamente diferente, com um Sporting superior a chegar com justiça à tranquilidade através de um bis de Bruno Fernandes - que cada vez mais se assume como o cérebro, o coração e o pulmão desta equipa -, primeiro antecipando-se à ponta-de-lança ao marcador direto com um cabeceamento após cruzamento de Diaby, depois com um (mais um) livre superiormente executado, desta vez mais em jeito do que em força. Já leva 20 golos e 10 assistências, que seria algo notável num ponta-de-lança... e mais notável é num médio. Aquilo que conseguirmos fazer esta época dependerá muito da capacidade que Bruno Fernandes terá para nos transportar.


Destaques individuais

Bruno Fernandes é, por motivos óbvios, a figura do jogo, e foi bem secundado por Acuña. O flanco esquerdo funcionou bem, graças ao bom entendimento entre o argentino e Borja. Sobre o colombiano, esteve novamente em bom nível - desta vez com o cruzamento para o 1º golo - mas voltou a ter responsabilidades - tal como já tinha tido no 2º golo sofrido na Luz - no golo sofrido. Renan voltou a estar magnífico entre os postes - fez duas grandes defesas, uma delas sensacional a evitar um golo certo - e péssimo fora deles. Geraldes estreou-se e fez bom uso dos minutos que lhe foram dados.


A arbitragem

Bem sei que o Sporting não se pronuncia publicamente sobre más arbitragens, mas espero sinceramente que o façam em privado com os responsáveis da Federação. Temos sido prejudicados de forma sistemática ao longo das últimas semanas - algumas vezes com influência no resultado - e ontem aconteceu o mesmo com o trabalho de Manuel Mota:

  • Aos 2', Soares entra com tudo de pitons sobre o tornozelo de Bruno Fernandes, torcendo-o. Com um pouco de azar (ou sorte, dependendo da perspetiva), podia ter causado uma fratura e terminado com a época do nosso melhor jogador. Um vermelho claríssimo que ficou por mostrar, mas o árbitro nem sequer amarelo mostrou.
  • Ainda na primeira parte, Vítor Bruno tem uma entrada dura de pitons sobre o pé de Dost. Deveria ter visto o segundo amarelo, mas Manuel Mota deixou-o no bolso.
  • Na segunda parte, Diaby sofre uma falta de Briseño numa situação em que ficaria isolado. O árbitro mostrou o amarelo por ter interpretado (a meu ver, mal) que ainda havia outro defesa capaz de disputar a jogada. Na minha opinião, mais um vermelho que ficou por mostrar.
  • Na primeira parte, num canto a favor do Sporting, Dost foi ostensiva e insistentemente abraçado por um defesa adversário. O holandês é claramente condicionado na disputa do lance e acaba por correr contra André Moreira. Manuel Mota assinalou falta de Dost, mas podia ter assinalado penálti.
  • Alguém entendeu o amarelo a Doumbia enquanto se posicionava atrás da barreira no livre que daria o terceiro golo do Sporting?

Salvou-se a boa decisão em invalidar o golo do Feirense, após indicação do VAR. Marco Soares estorva a ação de Renan na linha de golo, metendo inclusivamente o peso do corpo para trás para impedir que o guarda-redes chegasse à bola.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Quatro para a final four

Depois de uma derrota caseira com o Estoril que comprometeu a qualificação para a final four e nos obrigou a partir para este final de tarde de calculadora na mão, o Sporting conseguiu retomar as exibições recheadas de muitas oportunidades e golos.

A equipa entrou ontem em campo apenas com uma certeza: era obrigada a ganhar para seguir em frente. Não perdeu tempo na procura do primeiro golo, que acabaria por chegar bem cedo. Depois disso, passou a ser um jogo em que, mesmo estando a ganhar, era aconselhável avolumar o resultado para colocar a equipa a salvo das incidências do Marítimo - Estoril. E por isso continuou à procura do segundo golo, do terceiro golo e do quarto golo. E mesmo numa altura em que já não restavam dúvidas sobre quem iria passar à fase seguinte ainda foi à procura do quinto.  Poderão haver ocasionalmente noites menos felizes como a de Guimarães, mas ninguém pode negar a esta equipa uma mentalidade virada para o ataque, para o golo e para o espetáculo, independentemente do resultado e das necessidades do momento.

Só não foi uma noite totalmente tranquila porque houve mão da arbitragem a prolongar a dúvida sobre quem venceria o grupo, relembrando-nos os motivos pelo qual é tão importante a existência de VAR no futebol português. No final registou-se mais uma vitória volumosa e a certeza de que o Sporting estará presente em Braga para defender o título conquistado na época passada. 



Qualificação - mesmo sendo o menor dos quatro objetivos da época, era importante a qualificação para uma final four que promete ser escaldante: a meia-final entre o Sporting e o Braga está garantida, que será complementada, previsivelmente, por um Benfica - Porto na outra meia-final.

Show Bruno - começa a ser uma observação recorrente, mas a verdade é que Bruno Fernandes foi mais uma vez o melhor em campo. Mais uma assistência e um golo fantástico - picando a bola sobre o guarda-redes após passe de Coates - para juntar a uma coleção que começa a ficar bastante preenchida.

A alternativa Petrovic - o sérvio foi a principal surpresa no onze e correspondeu por completo à aposta de Keizer. Esteve bem com a bola nos pés - ajudou ter sido pouco pressionado pelos homens mais adiantados do Feirense - mas destacou-se sobretudo pelo trabalho defensivo. Já tinha entrado muito bem no jogo da Taça de Portugal com o Rio Ave, e repetiu a boa exibição. A amostra ainda é curta, mas não parece sentir-se desconfortável neste novo sistema e é um upgrade a Gudelj ao nível das recuperações de bola e restantes ações defensivas.

Outros destaques - o golo de Raphinha num movimento a cortar para o interior que se adivinha muito produtivo no futuro; Acuña a mostrar mais uma vez que é muito mais útil a lateral do que como extremo, quer a atacar quer a defender (e não viu nenhum amarelo!); exibição seguríssima de Salin no controlo de profundidade e no jogo de pés; o fantástico corte de Mathieu a resolver uma situação de desvantagem numérica de 1x3 que muito provavelmente iria dar o empate ao Feirense.


A melhor derrota da época - não há derrotas boas, mas agora já podemos dizer com total segurança que derrota caseira com o Estoril foi um mal que veio por bem. Não só abriu a porta da rua para o deprimente futebol de Peseiro, como acabou por não ser fatal para a continuidade na Taça da Liga.



Desperdício - marcaram-se quatro golos, mas facilmente poderiam ter sido bastantes mais. Não foi de todo uma noite de eficácia na finalização, com várias oportunidades a serem esbanjadas de forma incrível. Destaque pela negativa para Diaby: começou por falhar um golo no um para um com Brígido, e terminou a falhar um golo com a baliza completamente escancarada após o remate ao poste de Jovane.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes

Arbitragem - Já todos sabem que Rui Costa é um árbitro sem qualidade para estas andanças, e hoje voltou a comprová-lo. Não viu intensidade no empurrão que Raphinha sofreu na área - penálti claro -, e poucos minutos borraria em definitivo a pintura quando foi o único a conseguir vislumbrar uma falta inexistente de Petrovic. Penálti e golo para o Feirense, que relançava injustamente o jogo e a discussão pela qualificação. Junte-se a isto erros a mais na avaliação das faltas, e uma permissividade disciplinar que permitiu que Diga e Philipe Sampaio acabassem o jogo sem saber bem como. O penálti sobre Dost foi bem assinalado.



Um regresso às vitórias que ainda deu para gerir o plantel nos minutos finais, já com o Belenenses em mente. Um jogo marcado para as 18h de uma quinta-feira (!). Se tiver oportunidade irei abordar a questão dos horários dos jogos do Sporting em breve.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Remontada à holandesa

Dizia Marcel Keizer, há uns dias, que na sua opinião é melhor ganhar 3-2 do que ganhar 1-0. O início de jogo de ontem acabou por transformar esta frase numa espécie de profecia para o que a noite reservava ao Sporting, que se viu bem cedo numa situação de desvantagem de dois golos e passou a ter como objetivo mínimo o tal resultado de 3-2. Felizmente esse objetivo acabaria por ser alcançado e até ultrapassado, mas mais assente no esforço e genialidade individual (e alguma felicidade) do que em discernimento coletivo.

Há que dizer que o Nacional não merecia perder por uma diferença tão grande. A equipa de Costinha fez uma excelente 1ª parte, posicionando-se em regiões adiantadas, pressionando alto, colocando 4, 5 ou 6 jogadores em movimentos ofensivos e nunca recorrendo ao antijogo, mesmo em vantagem no marcador. O 1-2 ao intervalo justificava-se plenamente. Creio, no entanto, que esse esforço acabaria por ter consequências: o Nacional quebrou fisicamente e o Sporting foi, progressivamente, tomando conta das operações e terminou o jogo dominando por completo os últimos 30 minutos - período em que obteve quatro golos sem resposta.

Uma vitória expressiva que justificou o entusiasmo nas bancadas e no relvado pela remontada alcançada, mas que também deixou alguns pontos de preocupação pelas fragilidades demonstradas durante a primeira meia-hora - à semelhança do que já tinha acontecido com o Aves.



Remontada à holandesa - não é todos os dias que se marca 5 golos e, sobretudo, não é todos os dias que se marca 5 golos recuperando de uma desvantagem de 0-2. 5 golos que prolongam uma série de elevada produção ofensiva na era Keizer: nestes seis jogos, o Sporting marcou 4, 6, 3, 4, 3 e 5 golos. Ontem, não tendo sido uma noite de nota artística muito elevada, foi pelo menos uma noite em que a equipa demonstrou carácter, personalidade e paciência para virar e resolver uma partida que começou da pior forma possível.

Postal da Borgonha - o magistral livre executado por Mathieu foi o grande momento do jogo. Não só pela beleza do golo, mas também por ter colocado o Sporting pela primeira vez em vantagem no marcador. A distância para a baliza e o local pouco central obrigavam a colocação e potência, e foi colocação e potência que aquele pé esquerdo deu à bola. Totalmente merecedor dos efusivos festejos no relvado, banco e nas bancadas.

Os suspeitos do costume - Bas Dost e Bruno Fernandes, com dois golos cada, foram mais uma vez fundamentais na conquista dos três pontos e confirmaram o excelente momento de forma que atravessam. O holandês mostrou novamente que é um excelente marcador de penáltis (não pela força e colocação dos remates, mas por ser quase sempre capaz de antecipar para que lado o guarda-redes se vai atirar). Ontem marcou 3 em 3, ainda que só 2 tenham contado. Bruno Fernandes, nestes 6 jogos com Keizer, leva uns impressionantes 6 golos e 5 assistências.

Os miúdos que vieram do banco - Miguel Luís entrou ao intervalo para o lugar de Bruno César e Jovane substituiu Nani a 25 minutos do fim. Ambos os jogadores entraram bem e foram importantes para impor o domínio registado na 2ª parte, e tiveram participação direta em dois golos: Jovane fez um grande passe para a desmarcação de Dost no lance do 2-2, e Miguel Luís fez o cruzamento para Bruno Fernandes no 5º golo.



Problemas defensivos - houve remontada porque sofremos dois golos a abrir, e quando se sofre dois golos a abrir é sinal de que existem problemas defensivos que é necessário resolver ou, no mínimo, mitigar. É indiscutível que temos uma questão delicada na lateral esquerda, pois a ausência de Acuña implica a utilização de um Jefferson que comete erros atrás de erros, ainda mais quando não existe um meio-campo suficientemente oleado que seja capaz de compensar os buracos que se vão abrindo - não termos um 6 puro acaba por se notar em algumas circunstâncias. E ontem, para piorar, tivemos também um Mathieu numa noite pouco feliz no controlo do espaço defensivo, o que acabou por tornar mais visíveis esses problemas.

Aposta falhada - não correu bem a aposta em Bruno César para o lugar de Wendel. O brasileiro pareceu sempre um elemento deslocado do coletivo e, não sendo propriamente conhecido por ser um jogador rápido, evidenciou uma completa falta de ritmo que contribuiu para as dificuldades reveladas pelo Sporting para controlar o meio-campo na 1ª parte. Bem substituído ao intervalo. 

Impaciência - é normal que os sportinguistas presentes nas bancadas se tenham sentido intranquilos, mas não vejo o que se pode ganhar em demonstrar essa intranquilidade de forma tão ruidosa em determinados tipos de situação. Os assobios para Renan na marcação dos pontapés de baliza ou nas reposições tiveram consequências: inicialmente procurava opções para sair a jogar sem correr demasiados riscos, mas a partir de determinada altura, após ter sido assobiado por diversas vezes, passou a optar por despejar bolas para a frente. Não faz sentido que o público de Alvalade contribua para a intranquilidade da equipa, ainda por cima em situações em que um jogador está a tentar cumprir as indicações dadas pelo treinador.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes

Arbitragem - muitos lances polémicos, mas Fábio Veríssimo esteve bem na maior parte das decisões. Bem no golo anulado a Dost, pois Diaby estava adiantado no momento em que o passe é feito. O 1º penálti é bem assinalado, pois Vítor Gonçalves desequilibra Dost com um toque com o seu joelho esquerdo. Parece-me boa a decisão no choque de cabeças no remate de Diaby, já que o contacto é provocado pelos dois jogadores em simultâneo - o jogador do Nacional foi contra Diaby, mas o maliano também saltou deslocando-se para trás na direção do adversário. O lance do 2º penálti que deu o 4-2 é o que me deixa mais dúvidas: há uma mão nas costas de Dost e outra a prender-lhe o ombro, mas não sei até que ponto isso foi suficiente para o desequilibrar.



6 jogos, 6 vitórias, 25 golos marcados, 6 golos sofridos. Os números continuam avassaladores, mas as dificuldades que a equipa atravessou nestas duas receções aconselham alguma prudência na equipa e adeptos. Seguem-se um novo jogo com o Rio Ave para a Taça de Portugal e uma deslocação a Guimarães para o campeonato - curiosamente, mais duas partidas contra equipas que quererão jogar de olhos nos olhos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

E agora para algo completamente diferente

Ao longo dos últimos anos, em jogos de contra adversários de outras divisões, tem sido norma no Sporting haver uma quebra de rendimento visível sempre que os treinadores decidem fazer alterações profundas no onze. A vitória acabaria por ser alcançada na maior parte das vezes, mas quase sempre com maior dificuldade do que a diferença de valor das individualidades em relação ao adversário deixaria pressupor. Não foi o que aconteceu ontem: mesmo abdicando de 8 titulares, mesmo sendo claras as limitações de algumas essas alternativas para o tipo de futebol que se pretende praticar, foi possível observar uma continuidade exibicional que se traduziu num domínio total das operações e numa primeira parte de excelente nível que chegou para resolver tranquilamente a partida.

E não foi só nisso em que a noite de ontem foi diferente. Há muitos anos - provavelmente desde 2012/13, em que Jesualdo Ferreira apostou em vários jovens da equipa B - que não eram dadas tantas oportunidades em simultâneo a miúdos da formação num jogo oficial.

Obviamente que isso só foi possível porque o Vorskla Poltava é um adversário muito fraco... mas convém lembrar que há apenas dois meses esta mesma equipa quase que pareceu um colosso europeu contra a nossa melhor equipa, num jogo em que o Sporting venceu à tangente sem saber bem como. A diferença que faz ter um treinador...



O melhor Bruno de volta - Keizer quis descansar grande parte da equipa titular, mas não abdicou de Bruno Fernandes. Percebe-se o motivo: viu no nº 8 o fio condutor necessário para fazer a ligação entre vários elementos pouco habituados a jogarem juntos. E Bruno Fernandes não o desapontou, dando continuidade à clara subida de forma que tem registado desde que o técnico holandês pegou na equipa. Vários pormenores de enorme classe e mais uma assistência para a coleção. Vão 4 golos e 5 assistências em 5 jogos.

Miguel Luís a marcar pontos - o jovem médio aproveitou bem a oportunidade. Foi a sua melhor prestação na equipa principal até ao momento, operando num raio de ação bastante mais alargado que foi desde a cabeça da área para iniciar a construção até à área adversária para aparecer em zonas de finalização. O golo marcado - no final de uma excelente jogada coletiva - foi a cereja no topo de uma exibição que o coloca como uma alternativa válida para ser utilizado em jogos de maior dificuldade.

A miudagem em campo - com o jogo resolvido, Keizer não hesitou em dar uma oportunidade aos sub-23 que tinha no banco. Pedro Marques, Thierry Correia e Bruno Paz tiveram um bom punhado de minutos para se estrearem em Alvalade em jogos oficiais. A exibição dos três jovens não há-de ficar na memória dos adeptos (com Bruno Paz a ser o melhor), mas há a atenuante de terem entrado numa altura em que a equipa estava claramente a tirar o pé do acelerador.



A lesão de Montero - as lesões nunca são oportunas, mas esta, em particular, vem num momento muito mau. O ritmo de dois jogos por semana vai manter-se até meados de janeiro e seria importante haver uma alternativa credível a Dost que permita dar algum repouso ao holandês em determinadas situações. Nos minutos que esteve em campo, Montero mostrou que se pode encaixar bem neste novo modelo.

Exibições abaixo do esperado (ou do desejado) - Jovane e Mané foram provavelmente os dois jogadores com menor rendimento do onze que foi ontem titular. Carlos Mané tem a atenuante de não ser um extremo e não se sentir à vontade encostado à linha e até participou em dois dos golos, mas parece-me que precisa de ganhar (muito) ritmo para poder ser uma opção realmente válida. Em relação a Jovane, mantenho a minha opinião: é muito mais útil quando salta do banco a 30 minutos do fim e pode usar a sua potência física em alturas em que o jogo está mais partido contra adversários desgastados.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes



Fechou-se a fase de grupos com 13 pontos e ficamos a aguardar por um de 14 potenciais adversários: Nápoles, Inter Milão, Valência, Bayer Leverkusen, Red Bull Salzburg, Zenit, Dínamo Zagreb, Bétis, Villarreal, Eintracht Frankfurt, Genk, Sevilha, Dinamo Kiev e Chelsea. Por mim, que venha já um dos tubarões em fevereiro para termos uma boa receita e uma noite de grande ambiente em Alvalade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pés no chão e fé em Dost

Depois de três jogos com nota artística elevada, a equipa não foi capaz de dar sequência às boas exibições na estreia de Keizer em Alvalade. O resultado pode ter sido folgado, a segunda parte pode ter sido (inesperadamente) tranquila face à inferioridade numérica, mas os números alcançados não traduzem as dificuldades que o Aves nos causou na primeira parte, em que, durante largos períodos de tempo, dominou a partida e impediu que o Sporting conseguisse ligar o seu jogo.

Um bom e oportuno aviso para todos mantermos os pés no chão: não fosse um erro do adversário a provocar um penálti desnecessário que acabou por virar o rumo dos acontecimentos, e a história do jogo poderia ter sido bem diferente... para pior. Valeu-nos o suspeito do costume.



Os números - 4 jogos, 4 vitórias, 17 golos marcados e 4 sofridos. Hoje sem nota artística, mas os 4-1 representam a vitória mais volumosa do Sporting nesta edição da Liga, mantendo a equipa no segundo lugar no campeonato e passando a ter o segundo melhor ataque da prova. Ah, e Dost já é o melhor marcador do campeonato com 8 golos marcados em apenas 7 jogos.

Os golos e a eficácia - o Sporting apenas saiu para o intervalo em vantagem porque foi muito mais eficaz no aproveitamento das suas oportunidades do que o Aves. A eficácia manteve-se na segunda parte, e em dois momentos críticos: o golo de Dost logo a abrir, que trouxe outra tranquilidade à equipa, e o golo de Diaby que surgiu pouco depois da expulsão de Acuña, que matou o jogo. E, claro, há que fazer justiça à qualidade desses golos, que só por si justificam o preço do bilhete: o remate explosivo e inesperado de Nani; o cruzamento tirado com régua e esquadro que foi desviado por Dost com igual precisão matemática; e o remate em arco de Diaby após um passe em profundidade que rasgou a defesa do Aves.

As assistências de Bruno Fernandes - mais três para a sua conta pessoal. O passe para Nani conta apenas para a estatística porque não teve grande relevância para o golo, mas o cruzamento para Dost e o passe a rasgar para Diaby foram deliciosos. Números que se vão acumulando e que impressionam: Bruno Fernandes soma 4 golos e 4 assistências nos 4 jogos com Keizer.

A gestão da inferioridade numérica - o golo de Diaby foi fundamental para acabar com as dúvidas que a expulsão de Acuña pudesse trazer, e a partir daí o Sporting controlou bem o jogo, a ponto de fazer esquecer a situação de inferioridade numérica. Foi uma segunda parte totalmente tranquila.

Renan a marcar pontos - um punhado de boas intervenções, incluindo uma defesa fundamental na primeira parte, e teve várias ocasiões para demonstrar o seu excelente jogo de pés. A questão da baliza do Sporting não é pacífica - sobretudo devido ao mistério que envolve o afastamento de Viviano -, mas Renan tem vindo a justificar gradualmente a aposta que tanto Peseiro como Keizer têm feito em si.



A primeira parte - a incapacidade de o Sporting dominar o jogo deveu-se, a meu ver, a dois fatores: o mérito do Aves, que estudou bem os últimos jogos do Sporting e soube pressionar Wendel, Bruno Fernandes e Nani com rapidez - e muitas vezes em antecipação dos seus movimentos seguintes, que lhes valeu várias recuperações de bola -, e por algum comodismo dos jogadores do Sporting na entrada em jogo, que não pareciam com grande vontade em dar a aceleração e dinâmica necessárias para abrir linhas de passe que contrariassem o pouco espaço disponível em dois terços do terreno. Depois de sofrido o golo, houve vontade imediata dos jogadores do Sporting em dar maior velocidade ao jogo, mas fizeram-no com pouca precisão. Foi muito mais o acaso do que a qualidade do nosso jogo a ditar a reviravolta ainda na primeira parte. 

A expulsão de Acuña - não o crítico pelo segundo amarelo, mas tem de ser responsabilizado pelo primeiro cartão - que viu por se envolver numa escaramuça com adversários por causa de uma falta que nem sequer foi cometida sobre si. Mais uma vez, o seu temperamento deixou-o condicionado demasiado cedo e acabou por prejudicar a equipa ao deixá-la com menos um jogador durante mais de meia-hora. E não consigo concordar com os aplausos que recebeu de muitos adeptos enquanto abandonava o relvado: sendo recorrente nestas situações, não pode haver lugar para pancadinhas nas costas.



Nota artística - 3

MVP - Bas Dost

Arbitragem - Vítor Ferreira teve uma arbitragem algo irregular. Esteve bem nos lances capitais (os amarelos a Acuña e o penálti sobre Diaby), mas teve um critério irregular do ponto de vista técnico e disciplinar - podia, por exemplo, ter mostrado o segundo amarelo a Vìtor Costa no lance do penálti. Os 4 minutos de descontos na primeira parte foram demasiado escassos - só o penálti implicou esse tempo de paragem.



Com esta vitória já vamos com uma série de cinco triunfos consecutivos. Que venha a sexta contra o Vorskla já na próxima quinta-feira.