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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

É um destes para o próximo jogo, sff

Um dos golos marcados ontem no treino solidário: boa combinação entre Bruno Fernandes e Podence, com jogada iniciada e concluída pelo primeiro, e que vem na sequência de um conjunto de bons entendimentos protagonizados pelos dois na partida com o Portimonense.

Por mim, podem fazer outro destes já na sexta... se por acaso não jogarem no Restelo, não me importo que fique adiado para o dia 3.





quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Um pequeno-grande passo

Longe vão os tempos em que ficava com um nervosismo quase incontrolável nas horas que antecediam jogos da Liga dos Campeões contra grandes clubes europeus. A conjugação das pesadas derrotas com o Bayern naqueles fatídicos oitavos-de-final e da prolongada ausência do Sporting da competição nos anos que se seguiram, ajudaram a cultivar um trauma profundo na psique coletiva sportinguista que marcava invariavelmente presença - e em força - neste tipo de jogos. Gradualmente, com a capacidade demonstrada pelo Sporting para defrontar os maiores emblemas europeus de olhos nos olhos nas últimas participações do Sporting na Liga dos Campeões, esse nervosismo pré-jogo foi baixando para níveis normais. Faltava, no entanto, materializar a qualidade exibicional e a atitude competitiva em algo mais que derrotas tangenciais.

Ontem foi o dia. Não vencemos, é certo, mas não há nada a apontar à exibição da equipa. Numa partida globalmente equilibrada e em que não abundaram oportunidades de golo em ambas as balizas, os jogadores do Sporting revelaram ambição e disposição para deixarem tudo em campo. Arrancaram para uma exibição de grande categoria na primeira parte, que valeu uma vantagem merecida no marcador. Na segunda a história foi diferente: a Juventus puxou dos galões de vice-campeã europeia e foi atrás do empate, mas a equipa demonstrou que, apesar das várias ausências por lesão, também sabe sofrer e manter-se coesa sob pressão.





Há empates que podem ser moralizadores, e este é um deles - qualquer análise que se faça ao jogo convém incluir o seguinte facto: o Sporting, sem três quartos da defesa habitualmente titular e sem o seu trinco titular, disputou até final a vitória contra o vice-campeão europeu, que se apresentou em Alvalade na máxima força. E, ao contrário do que tem acontecido nos confrontos com os tubarões europeus nas últimas duas épocas, desta vez... não perdemos. Pode não parecer muito, mas na realidade é um pequeno-grande passo que há muito merecíamos, e que acaba por ser uma consequência da crescente experiência e maturidade que a equipa foi conquistando no confronto com este tipo de adversários.

As segundas linhas a chegarem-se à frente - felizmente, os (legítimos) receios que os sportinguistas tinham à partida para este jogo - devido às ausências de peso anunciadas - revelaram-se infundados: todos os jogadores que entraram no onze, sem exceção, estiveram à altura das exigências. Começo por destacar a grande exibição de Ristovski que, defensivamente, realizou uma partida exemplar e fez esquecer Piccini. Ofensivamente, não foi o jogo mais propício para mostrar o que sabe fazer, mas não foi por falta de tentativa - na primeira parte pediu várias vezes a bola aos colegas, e nas poucas vezes em que esta lhe chegou aos pés, mostrou sempre ter (bom) critério na decisão e execução. Jonathan Silva não comprometeu - o que é uma evolução assinalável em relação às prestações mais recentes -, e saiu-se bem nas difíceis situações de 1x1 face a Cuadrado. André Pinto limpou quase tudo na sua área de ação. No único lance em que foi batido por Higuain, a Juventus marcou, mas era uma jogada muito difícil de anular. Bruno César esteve muito bem enquanto teve pilhas, mas infelizmente esgotaram-se cedo - a partir dos 30 minutos eram visíveis as dificuldades do brasileiro em se reposicionar defensivamente quando perdíamos a bola. Palhinha entrou para o seu lugar e fez aquilo que lhe foi pedido. Sinal de que o plantel do Sporting é mais profundo do que aquilo que se pensaria? É possível que sim, mas há que dar continuidade à sua utilização, através de uma rotação mais criteriosa que lhes dê condições para renderem e não se sentirem elementos estranhos em relação ao resto da equipa.

Os suspeitos do costume - voltámos a ter alguns vislumbres do grande Gelson, o extremo que, para além de ser incansável a ajudar defensivamente o seu lateral, tem capacidade para desequilibrar na frente. O slalom no lance do golo é uma delícia. Battaglia voltou a conseguir anular Dybala, enquanto Bruno Fernandes e Acuña voltaram a aliar uma enorme capacidade de trabalho à arte de construir jogo. Rui Patrício foi mais uma vez decisivo ao evitar um golo certo de Higuain.



Mais uma vez, não se segurou a vantagem até ao fim - tal como em Turim, o Sporting conseguiu estar em vantagem no marcador, mas não a conseguiu manter até final. No caso do jogo de ontem, o golo sofrido acaba por complicar bastante as contas para a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões. Não que isso fosse uma obrigação, mas o facto de termos estado tão perto de conseguir a vantagem no confronto direto com a Juventus acaba por deixar um travo amargo num resultado que não pode deixar de ser considerado positivo.

Quebra física - Ristovski, Bruno César foram os primeiros a quebrar, o que acaba por ser natural, se considerarmos a escassa utilização que têm tido. Gelson Martins e Bas Dost acabaram o jogo de rastos. Acuña e Bruno Fernandes, em função do tipo de tarefas que lhes foi exigido e do tempo de competição acumulado nas pernas, também devem ter terminado em dificuldades. Se a Juventus tivesse mantido o ritmo após ter marcado, creio que teríamos passado uns minutos finais muito complicados.



Foi uma noite gira, com um excelente ambiente no estádio, e não farão mal nenhum ao clube os €500.000 que o empate valeu. Mas o mais importante, para mim, foi a transposição daquela barreira psicológica da derrota tangencial contra os tubarões europeus, e também a resposta dada pelos jogadores que habitualmente não são titulares. Há motivos para sentir satisfação com a exibição e o resultado de ontem, mas agora há que recuperar fisicamente e capitalizar o que de bom aconteceu para aquilo que verdadeiramente interessa: a receção ao Braga para o campeonato.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Groundhog Day

Mais um jogo contra um tubarão europeu, mais uma exibição personalizada... e mais uma derrota tangencial. Como qualquer filme com demasiadas reposições, até podemos achar algum interesse no enredo, mas às tantas começamos a ficar fartos de ver a mesma história vezes sem conta. Real Madrid por duas vezes, Dortmund por duas vezes, Barcelona, e agora Juventus: seis jogos contra tubarões, sexta derrota por um golo de diferença.





De olhos nos olhos contra o vice-campeão europeu - qualquer análise que se faça ao jogo não pode ignorar o facto de a Juventus ser o atual vice-campeão europeu e o plantel riquíssimo de que dispõe. A meio da segunda parte, descontente com o decurso do jogo, Allegri mete em campo Douglas Costa e Matuidi, o que é um bom indicador da diferença de recursos existente entre as duas equipas. Não se pode apontar nada à estratégia montada por Jesus, que teve a virtude de anular muitos dos pontos fortes de um adversário de top mundial. Infelizmente, voltou a faltar um bocadinho assim, à Danoninho, mas seria injusto ignorar tudo o que foi bem feito.

Bruno Fernandes - a estratégia montada por Jesus tem o problema de exigir muito dos jogadores de características ofensivas: Acuña, Gelson e Bruno Fernandes têm um papel importantíssimo no apoio defensivo, os laterais pouco sobem, o que significava que, no momento de construção, os portadores da bola tivessem sempre poucas opções para desenvolver lances ofensivos. Para piorar, ainda não foi desta que Acuña, Gelson e Dost subiram de rendimento em relação ao que tem sido norma nos últimos jogos. No meio de todos estes constrangimentos, Bruno Fernandes foi o único que foi conseguindo inventar alguma coisa com a bola nos pés. Bom jogo.

Concentração da linha defensiva - Piccini, Coates, Mathieu e Coentrão tiveram muito trabalho e, tirando um outro lapso, foram resolvendo bem todos os problemas colocados pela Juventus. De referir também que Patrício defendeu tudo o que tinha defesa, e que Battaglia fez um grande trabalho a secar Dybala.



Groundhog Day - esta mania recorrente de perder jogos contra os todo-poderosos do futebol europeu faz lembrar a maldição de Bill Murray no filme mencionado no início deste parágrafo. Cada vez que acordava, Murray era obrigado a reviver o mesmo dia - e foi assim que me senti no momento em que o Sporting sofreu no 2º golo. Sim, compreendo a dificuldade que adversários deste nível representam, compreendo que há mérito na forma como temos discutido os jogos... mas começa a cansar sair sempre derrotado. Analisando cada partida isoladamente, não podemos apontar grandes críticas à equipa, mas, olhando para o conjunto, é cada vez mais complicado ver um lado positivo em exibições que redundam constantemente em derrotas tangenciais.

Um problema nada lateral - durante o jogo, foram vários os cruzamentos da Juventus atirados para o segundo poste. Piccini e Coentrão, com maior ou menor dificuldade, foram resolvendo. Cedendo canto, ganhando a posição e deixando a bola seguir na direção da bandeirola de canto ou da linha de fundo, ou aliviando para fora da área. Saiu Coentrão, entrou Jonathan... e sofremos o segundo golo com um cruzamento para o segundo poste. O segundo golo sofrido na Grécia também foi sofrido com um cruzamento para o segundo poste, com o mesmo Jonathan. Mandzukic é mais alto? É. Mas bastaria a Jonathan antecipar o que iria acontecer e preparar-se para saltar na direção da bola em vez de ficar a aguardar com as pernas rígidas e os pés pregados ao chão - ou seja, aquilo que Piccini e Coentrão já mostraram saber fazer quando confrontados com situações de jogo idênticas. O rapaz faz o melhor que sabe, mas está mais que visto que aquilo que sabe não é suficiente para este nível.

Pormenores que custam pontos - seria injusto, no entanto, não referir a falta desnecessária de Battaglia que originou o livre que Pjanic converteria no primeiro golo italiano. O argentino fez um bom jogo, mas a equipa pagou caro por esta má abordagem.

As substituições - compreendo o que Jesus quis fazer, mas, infelizmente, a substituição de Gelson por Palhinha não surtiu o efeito que o treinador pretendia. A altura do jogo em que Jesus decide mudar a equipa coincide com a fase da partida em que se estava a conseguir manter a bola no meio-campo italiano como nunca tinha acontecido até então. Gelson estava a jogar mal, sem conseguir criar desequilíbrios, mas pelo menos estava a conseguir segurar a bola e fazê-la circular sob pressão - coisa que se perdeu após a sua saída. A Juventus voltou a empurrar o Sporting para junto da sua baliza, e o resto é história. Quanto à troca de Coentrão por Jonathan, conhecemos as limitações físicas do primeiro e as limitações técnico-táticas do segundo. Vamos ter de viver com isto até ao final da época, resta saber quantos pontos nos custará até lá.



Já passámos a fase das vitórias morais por dar luta a equipas deste nível, e está mais que na altura de dar o passo seguinte. De qualquer forma, é apenas a Champions. Muito mais importante é saber mudar o chip para o nosso campeonato, onde não há qualquer margem ou tolerância para perder pontos.

domingo, 17 de setembro de 2017

A importância de se ter especialistas

Excelente arranque de temporada com cinco vitórias em cinco jogos para o campeonato, apuramento no playoff da Liga dos Campeões e vitória na primeira jornada na Grécia. Adversário direto acabado de perder três pontos de forma inesperada. Receção a uma equipa da segunda metade da tabela. Era uma noite que tinha tudo para correr bem, certo? Nem por isso. Havia um borrego para matar contra uma equipa que vinha com uma estratégia de estacionamento de autocarro atrás e risco zero à frente, havia a questão de mudança de chip das competições europeias para as competições nacionais ao mesmo que tempo que se procurava fazer algum tipo de gestão física da equipa, e, veio-se a perceber cedo, havia também uma equipa de arbitragem que vinha complicar aquilo que pudesse ser complicado.

O resultado de tudo isto foi um jogo completamente controlado pelo Sporting, mas em que a equipa nunca demonstrou grande interesse/capacidade em pôr uma intensidade elevada na procura do golo a partir do momento em que se viu a ganhar. Jogo morno, que só aqueceu com os dois grandes golos que resolveram a partida e com a fricção da agressividade excessiva de certos jogadores do Tondela consentida pelo árbitro Manuel Oliveira.




A importância de se ter especialistas - duas das grande lacunas da época passada - livres diretos e remates de meia-distância - parecem plenamente resolvidas com as entradas existentes: Bruno Fernandes, Mathieu, Iuri e Acuña, aos quais ainda se pode juntar Alan Ruiz na parte dos remates de meia-distância. No primeiro golo, Cláudio Ramos estava posicionado para um livre batido pelo pé direito e não teve quaisquer hipóteses perante a irrepreensível execução de Mathieu com o pé esquerdo (no futuro poderemos também tirar dividendos da dúvida que os guarda-redes terão sobre qual dos dois marcará). E o segundo golo foi mais um momento de génio de Bruno Fernandes, totalmente repentino e intencional. Basicamente, tudo isto acaba por redundar na importância de se ter executantes de grande qualidade, que são aqueles que garantirão mais pontos em cenários de maior dificuldade. O muito dinheiro que se paga por jogadores destes não é um gasto, é um investimento.

Borrego morto - o Tondela apostou na mesma fórmula dos anos anteriores: risco zero, tentando a sorte exclusivamente através de contra-ataques ou bolas paradas. A probabilidade de sucesso em conseguir pontos nunca seria grande, mas também era assim nos dois anos em que vieram cá roubar pontos. Felizmente, desta vez a história foi diferente e matou-se um borrego que, sendo ainda pequenito, já incomodava bastante.



Pouco futebol - Jesus não fez demasiadas alterações em relação ao que é, atualmente, o melhor onze do Sporting, mas a qualidade de jogo acabou por desiludir. Houve vários fatores a contribuir para isso: marcámos cedo, e a equipa pareceu satisfeita por poder gerir o 1-0 - com os riscos inerentes a essa opção -, há jogadores que estão desgastados pela sequência de jogos a que têm sido sujeitos, e o Tondela manteve-se sempre acantonado no seu meio-campo, sem correr qualquer risco na frente mesmo em desvantagem. Na primeira parte o Sporting teve apenas três oportunidades: o golo de Mathieu, o remate em arco de Iuri que saiu a rasar o poste, e o remate de Bruno Fernandes ao poste. Na segunda parte, até ao segundo golo, também houve pouco para ver. Foi um jogo que valeu apenas pelos golos.

Pouca fluidez no ataque - o público de Alvalade parece ter perdido a paciência de vez com Alan Ruiz, e compreensivelmente: o argentino bem tentou, procurou sempre a bola, mas fez um jogo paupérrimo, com inúmeras bolas perdidas e incapacidade quase total de ligar o meio-campo e o ataque. Mas não é justo colocar-se apenas nele a responsabilidade pelo fraco futebol apresentado. Iuri e Piccini foram incapazes de construir jogo pela direita - para além da falta de entendimento mútuo, Iuri raramente teve espaço, enquanto o italiano continua a revelar uma angustiante capacidade de saber o que fazer à bola quando passa a linha central. Do outro lado, Coentrão raramente subiu e Acuña nunca conseguiu gerar desequilíbrios. Bruno Fernandes, ocupado num papel mais de combate, também poucas vezes apareceu com bola junto à área do Tondela. Resultado: Dost passou mais 90 minutos sem oportunidades para marcar.



MVP: Mathieu

Nota artística: 3
Arbitragem: deplorável. Manuel Oliveira teve um critério incompreensível na marcação de faltas e na exibição de cartões, permitindo uma agressividade excessiva aos jogadores do Tondela. Para além dos vários amarelos perdoados, devia ter mostrado o vermelho a Ricardo Costa por agressão sobre Alan Ruiz. O fiscal-de-linha também assinalou um fora-de-jogo inexistente a Bruno Fernandes quando este ficou na cara do guarda-redes e atirou ao poste, na recarga a uma defesa incompleta ao remate de Alan Ruiz.



E vão seis vitórias em seis jogos, com cinco pontos de avanço sobre o Benfica e aguardando o resultado da complicada deslocação que o Porto terá mais logo. Agora é poupar os onze titulares na Taça da Liga e ter o foco total na visita ao Moreirense.

BFF

BFF = Best friends forever, mas talvez esteja na altura de rever alternativas: Bruno Fernandes fever, Bruno Fernandes forever, Bomb from Fernandes, por aí fora...


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Não era dia para tragédias gregas

Num jogo que teve duas partes completamente distintas, com um nível exibicional que começou num registo sublime e terminou de forma displicente e quase descontrolada, é normal que surjam sentimentos contraditórios em relação a como devemos encarar uma vitória tangencial frente ao Olympiacos. Para mim, este é um caso em que a parte boa da exibição (e que boa que foi!, e que durou praticamente todo o jogo) pode e deve ser elogiada bem para além das críticas que possam ser feitas ao que aconteceu nos minutos finais. Assustámo-nos todos, muitos de nós certamente praguejaram ferozmente quando os gregos marcaram o segundo golo - God knows I was one of them - mas, analisando a frio, a vitória do Sporting nunca esteve em causa. Acredito que, noutros tempos, poderia ter ocorrido uma singularidade cósmica que levasse a que o jogo acabasse empatado, mas o Sporting desta época já desafiou, por diversas vezes - e sempre com sucesso! -, aquela fatalidade que é tão própria do clube. Convém não abusar da sorte, claro, mas para já merece ir sendo desfrutado.




Primeira parte avassaladora - os primeiros 45 minutos estiveram, seguramente, ao nível do melhor que já vi o Sporting fazer nas competições europeias. Não poderíamos desejar melhor começo: aos dois minutos, Acuña faz um cruzamento açucarado para Doumbia - os mesmos dois jogadores já tinham desenhado o primeiro golo em Bucareste -, e estava lançado o mote para o que seria o jogo até ao intervalo. Para além dos golos de Gelson e Bruno Fernandes, o Sporting dispôs de mais quatro ocasiões flagrantíssimas para marcar: bolas ao ferro dos mesmos Gelson e Bruno Fernandes e duas oportunidades negadas a Doumbia e Coates por Kapino. Um festival de bem defender e bem contra-atacar que poderia (e merecia) ter gerado números históricos ao intervalo.

Excelente começo de Champions - para além dos 3 pontos e do milhão e meio de euros que caem na conta (o que eleva para 16,2 milhões + bilheteira com o Steaua os ganhos na competição, que antecipa um recorde no Sporting), o Sporting conseguiu colocar-se em excelente posição para garantir o terceiro lugar do grupo e poder continuar na Liga Europa na segunda metade da época. Mas essa não deve ser a bitola por onde alinhar: o terceiro lugar pode ser o lugar natural no final da fase de grupos, mas há condições para ambicionar surpreender Barcelona e Juventus nas partidas que se seguem. Estes três pontos poderão dar alguma tranquilidade extra, que será bastante necessária contra adversários que estão, obviamente, noutro patamar. 

Ameaças múltiplas - longe parecem ir os tempos em que Dost era o único abono de família da equipa. Doumbia foi titular pela segunda vez, e pela segunda vez correspondeu com o sempre importante golo inaugural da partida - e ainda fez a assistência para Gelson. Bruno Fernandes voltou a fazer o gosto ao pé, e já leva cinco golos marcados, os mesmos que Dost e Gelson. Acuña tem sido o municiador de serviço, contando já com cinco assistências. Falamos de cinco jogadores que têm colocado com enorme frequência (em função da sua utilização) a sua marca nos jogos em que participam. Junte-se a isto a possibilidade que, agora, Jesus tem para abordar os jogos em função das características dos adversários: Doumbia é alternativa para jogos com mais espaço nas costas da defesa adversária, enquanto Gelson e Acuña parecem cada vez mais confortáveis a jogar no flanco oposto. E a versatilidade e imprevisibilidade de Bruno Fernandes é uma adição de que o Sporting muito precisava. Tudo somado, o Sporting fica uma equipa bem mais difícil de ser contrariada. Esperemos que a equipa continue a evoluir como até aqui.

Seria injusto não referir - excelentes exibições de William (que supostamente devia estar desmotivado e cabisbaixo) e Battaglia. E a assistência de Coates para o golo de Bruno Fernandes? Minha nossa...



Novamente, dificuldades em gerir um resultado tranquilo - o Sporting jogou praticamente toda a segunda parte sem grandes pressas, dando poucos espaços no seu meio-campo e parecendo - compreensivelmente - pouco interessado em esticar o jogo. Parecia estar a gerir o resultado de forma bastante competente e tranquila... até que começaram a aparecer os erros individuais não forçados que podiam ter deitado tudo a perder. É certo que, nesse mesmo período, Dost ainda atirou a terceira bola ao ferro e Bruno César teve um golo incompreensivelmente anulado, mas... não devíamos ter sofrido tanto. O mais preocupante é que não é a primeira nem a segunda vez em que o Sporting quase desperdiça vantagens confortáveis: é o terceiro jogo consecutivo em que acabamos de credo na boca após termos estado a vencer por dois ou mais golos. Não se pode atribuir ao acaso e às incidências de jogo algo que se tem repetido com tanta frequência. Cansaço físico? Falta de concentração? Seja o que for, é um problema que tem de ser tratado urgentemente.



Vitória importantíssima que pode ajudar a lançar uma participação interessante nesta edição da Liga dos Campeões, mas que ainda não garantiu nada. Apesar do susto final, pela qualidade demonstrada durante a maior parte do tempo, devemos desfrutar desta vitória e não desatar a anunciar um apocalipse iminente. No entanto, alerta máximo para a receção ao Tondela, uma equipa a quem nunca ganhámos em Alvalade.

sábado, 9 de setembro de 2017

Viciados no sofrimento

Começa a ser um hábito nos jogos desta Liga: em cinco jornadas, foi a terceira ocasião em que os adeptos sportinguistas correram sérios riscos de falecerem de paragens cardiovasculares graças às incidências dos últimos minutos. "Nada de inédito", poderão dizer - e com razão -, pois já aconteceu no passado o Sporting disputou, num curto espaço de tempo, várias partidas a serem decididas nos últimos minutos. A grande novidade é que, nestas três ocasiões, a estrelinha acabou por cair sempre para o lado do Sporting. 

Sim, são imensamente saborosas estas vitórias - a intensidade com que se passa do sofrimento para a euforia numa fração de segundo -, mas é uma experiência que convém não repetir demasiadas vezes, porque há-de chegar o dia em que a coisa não correrá tão bem.

Foto: Catarina Morais / Kapta +



Vitória arrancada a ferros numa deslocação muito complicada - ganhar assim sabe sempre bem, independentemente do local ou adversário, mas há que sublinhar a dificuldade desta deslocação: nenhum dos nossos rivais passará com facilidade em Vila da Feira, onde os espera um terreno de jogo estreito e com um relvado em más condições - nem imagino como será no inverno -, e um adversário que sabe ocupar bem os espaços e disputa todas as bolas com muita agressividade. Um desfecho importantíssimo, não só pelo facto de permitir que o Sporting continue a sua caminhada 100% vitoriosa, mas também porque poderia ser complicado gerir psicologicamente um empate consentido após estarmos a vencer por 2-0.

Foto: Catarina Morais / Kapta +
A segunda parte - o Sporting chegou ao intervalo sem ter conseguido criar uma única ocasião de golo e com alguma felicidade por não estar a perder, mas o rendimento na segunda parte foi incomparavelmente superior. A equipa entrou forte e não tardou a criar oportunidades de perigo, dominando o adversário e encostando-o à sua área, acabando por marcar numa altura em que já se adivinhava que era apenas uma questão de tempo até às redes balouçarem. Infelizmente, à semelhança do que aconteceu com o Estoril, permitimos que o adversário renascesse numa altura em que tínhamos o jogo na mão - uma bola parada e um contra-ataque após perda infantil de bola de Jonathan no nosso meio-campo foram suficientes para anular uma vantagem confortável. O jogo acabaria por se decidir num último minuto de descontos absolutamente louco: começou com um contra-ataque perigoso do Feirense resolvido por Iuri Medeiros, Rui Patrício sai da área junto à linha de fundo para evitar canto e passa a bola a William que, sem perder tempo, mete a bola na entrada da área onde Dost amorteceu para a entrada de Coates... e penálti. Dost, com enorme frieza, apontou-o e garantiu os três pontos para o Sporting. Uma grande segunda parte que ambas as equipas proporcionaram, em que é justo salientar o devido mérito do Feirense na forma como reentrou no jogo e pela coragem em tentar ainda chegar à vitória.

Destaques individuais - não houve nenhuma exibição de encher o olho, mas alguns jogadores merecem destaque: Coates, o melhor da linha defensiva - Mathieu e Jonathan cometeram erros graves -, marcou o primeiro golo e sofreu o penálti no terceiro; Bruno Fernandes, em dia de aniversário, assinou mais um bonito golo, marcou o canto do primeiro golo, e dispôs de duas das oportunidades mais perigosas do Sporting; William fez um bom jogo no regresso à titularidade; Battaglia desenrascou muito bem o lugar de defesa direito.



Incapacidade em segurar vantagens - Steaua, Estoril e, agora, Feirense: três ocasiões em que o Sporting, estando em vantagem no marcador, não teve capacidade para a gerir. Na Roménia, assim que a equipa congelou o ritmo de jogo, sofreu o golo do empate. Contra o Estoril, depois de uma entrada fortíssima acabámos o jogo em angústia. E ontem, com dois golos de rajada, seria de esperar que o Sporting tivesse resolvido o jogo... mas acabaria por sofrer apenas cinco minutos depois. Será que é apenas fruto do acaso - incidências de jogo impossíveis de controlar - ou é algo que não está a ser devidamente trabalhado? Considerando a quantidade de vezes que perdemos o controlo de jogos que pareciam estar no bolso, estou mais inclinado para a segunda hipótese.

A primeira parte - o Sporting revelou grandes dificuldades para chegar à baliza de Caio durante os primeiros 45 minutos. A lesão de Piccini certamente que complicou as coisas, pois o meio-campo sofreu uma revolução com a substituição: Battaglia foi para lateral direito, Bruno Fernandes baixou para 8, e Alan Ruiz, que entrou para o lugar do italiano, esteve em final de tarde pouco inspirado. Ainda assim, não justifica tão fraca produção na primeira parte. Para ser pior, só faltou ao Feirense aproveitar a ocasião que Mathieu lhes ofereceu de mão beijada. 



MVP: Sebastian Coates

Nota artística (1 a 5): 3

Arbitragem: Artur Soares Dias esteve bem ao assinalar penálti sobre Coates e no tempo de descontos concedido. Não teve, no entanto, um critério disciplinar uniforme, tendo ficado vários amarelos para mostrar a jogadores de ambas as equipas. Logo no princípio do jogo, num lance de bola parada junto à área do Feirense, assinalou uma falta ofensiva de William... mas na repetição deu-me a sensação de que William é que estava a ser agarrado insistentemente pelo adversário, pelo que me parece que ficou penálti por assinalar. 



Vitória fundamental, não tanto pelos pontos em si - ainda há muito campeonato pela frente -, mas mais pelo impacto psicológico negativo que poderia ter o desperdício de uma vantagem de dois golos a anteceder a estreia na Liga dos Campeões. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ataque VARdíaco

Aquilo que, ao fim de 11 minutos, parecia que ir ser um jogo sem história, acabou por se transformar, de certa forma, num dos mais fascinantes jogos da era VAR. O argumento usado pelos opositores à implementação do videoárbitro em como iria tirar emoção ao futebol acabou de cair por terra com estrondo: querem maior montanha russa de emoções do que aquele que se viveu no final de tarde de ontem em Alvalade? 

Tudo isto por causa dos dois golos anulados perto do fim da partida: no espaço de poucos minutos, o sportinguista passou da angústia para a euforia, da euforia de novo para angústia, depois para o desespero e, finalmente, quando tudo parecia perdido, para a alegria final. Ah, e a isto junta-se um pequeno pormenor: a verdade desportiva foi assegurada e venceu quem tinha que vencer.





Entrada atordoante - na etapa final de uma desgastante sequência de cinco jogos, o Sporting entrou em campo com a sábia intenção de resolver o jogo tão cedo quanto possível. Não podia ter passado das ideias aos atos de melhor forma: primeiro, com um cruzamento de Acuña a atravessar a área e a encontrar Gelson, que não perdoou frente a Moreira; depois, através de mais um missil teleguiado de Bruno Fernandes, de livre direto. Deveria ter sido uma entrada a matar, mas, por culpa própria, foi apenas uma entrada a atordoar: a (má) gestão de jogo feita posteriormente permitiu ao Estoril ter oportunidade para se reerguer e disputar uma partida que deveria estar mais que fechada.

O golo de Bruno Fernandes - palavras para quê, quando o podemos rever as vezes que quisermos?


Ataque VARdíaco - os últimos minutos da partida não podiam ter sido mais intensos e testaram ao limite a saúde cardiovascular de quem assistia ao jogo. Aos 92', numa altura em que o Estoril procurava o golo do empate, Piccini encontrou a linha de fundo e centrou para Dost, que colocou a bola na baliza. Alvalade explode num misto de alegria e alívio, mas prematuramente: Piccini estava fora-de-jogo e o VAR deu indicações para se anular o golo. Regressam os nervos ao estádio e à equipa. O relógio vai passando, mas demasiado devagar, e apenas dois minutos mais tarde, a 22 segundos do fim dos 4 minutos de descontos dados por Luís Godinho, o Estoril volta a meter a bola na baliza de Rui Patrício, perante a incrudelidade dos mais de 45 mil sportinguistas presentes. Um filme que, infelizmente, já foi muitas vezes visto, mas que desta vez, no entanto, não acabou em tragédia: Pedro Monteiro estava em posição irregular e Alvalade festeja a decisão do VAR e, pouco depois, a conquista dos três pontos. Sabendo como as coisas têm tendência a funcionar, fossem outros os tempos, é bem possível que os sportinguistas saíssem do estádio a lamentar-se de dois pontos perdidos.

A demonstração de liderança de Mathieu - já tinha acontecido contra o V. Setúbal, e voltou a acontecer ontem: numa altura em que a equipa parecia adormecida e se começava a pôr a jeito para a desgraça, Mathieu decidiu dar o exemplo, fazendo questão de levar a bola para a frente. Uma atitude taticamente pouco prudente, mas que era necessária. Uma demonstração de liderança que foi o ponto alto de mais uma exibição sólida do francês.

A exibição de Battaglia - o todo-o-terreno do meio-campo do Sporting voltou a marcar pontos, com mais uma bela partida. Não tanto por aquilo que deu à equipa quando o adversário tentou atacar - e onde se tem destacado no início de época -, mas sobretudo pelo aumento de confiança demonstrado quando está em tarefas de construção: está cada vez mais à vontade na criação de desequilíbrios com passes verticais - em oposição à sua imagem de marca, que é avançar no terreno com a bola nos pés. Tem é que refrear a forma demasiado intensa com que às vezes disputa so lances. Com a entrada de Petrovic subiu um pouco no terreno e começou a aparecer mais vezes junto à área - que também é aquilo que se pede de um 8. Não teve momentos tão geniais como Acuña, Gelson ou Bruno Fernandes, mas no conjunto dos 90 minutos foi o mais consistente da equipa. Para mim, o melhor em campo.



A equipa a pôr-se a jeito - notou-se perfeitamente que os minutos finais foram um suplício para muitos jogadores. Acuña, Bruno Fernandes e Gelson estavam esgotados, Coentrão já tinha sido substituído, e havia muito pouco esclarecimento por parte da equipa em geral. Compreensível, considerando o desgastante ciclo que a equipa teve que suportar, mas dispensável, porque o Sporting entrou em gestão de resultado demasiado cedo e abdicou de matar em definitivo o jogo quando o adversário estava nas cordas. 2-0 é um resultado aparentemente seguro, mas que está à distância de apenas uma falha individual ou um momento de inspiração alheia para se tornar perigosíssimo. E foi isso que aconteceu: o Sporting controlou bem o Estoril... até ao momento em que Lucas Evangelista disparou um tiro indefensável do meio da rua. De um momento para o outro, o jogo mudou... e por pouco não acabou da pior forma possível. Há que dizer, também, que Jesus mexeu mal na equipa: Bruno César e Petrovic não acrescentaram grande coisa - a não ser pernas frescas - e não se compreende que tenha guardado a 3ª substituição para os descontos.




MVP: Rodrigo Battaglia



Nota artística (1 a 5): 2


Arbitragem: Bom trabalho da equipa de Luís Godinho (considerando que o VAR faz parte da sua equipa e está lá para corrigir alguns dos erros que acontecem). Coerente no critério disciplinar, quer nos cartões que mostrou, quer nos cartões que não mostrou numa fase inicial. Dúvidas apenas num possível penálti sobre Dost.



Final feliz para um ciclo intenso e em que muito estava em jogo: qualificação para a Liga dos Campeões, quatro vitórias nas quatro primeiras jornadas, com 10 golos marcados e 1 sofrido. Ao contrário das últimas épocas, a equipa não se ressentiu demasiado dos compromissos europeus - quantas vezes concedemos pontos nas jornadas que antecediam ou se sucediam às competições da UEFA? Bom começo de época, e vê-se potencial neste conjunto de jogadores para, gradualmente, as coisas irem melhorando ainda mais.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Contragolpefest

Pode dizer-se que o jogo de ontem foi o inverso da partida da primeira mão: depois de, em Lisboa, termos assistido a 90 minutos maioritariamente apáticos, sensaborões, e de sentido único, em Bucareste dificilmente se poderia desejar melhor entrada - com um golo que escancarou as portas da qualificação -, mas em que o panorama se acabou por complicar após uma oferta da nossa defesa. Início de segundo tempo de nervos, com o Sporting a ser incapaz de assentar jogo perante um Steaua que tinha mais bola e corria mais riscos, mas a ousadia acabaria por sair cara aos romenos - dando espaço que o Sporting soube aproveitar com uma eficácia inédita em lances de contra-ataque.

O 5-1, no conjunto das duas mãos, espelha a diferença teórica que pensava existir entre as duas equipas antes do pontapé de saída em Lisboa... mas o caminho até lá chegar foi muito mais tortuoso do que inicialmente imaginava.





Contragolpefest - considerando a pobreza franciscana que tem sido o aproveitamento de lances de contra-ataque ao longo das últimas épocas, bem pode dizer-se que o sportinguista tirou a barriga da miséria nos últimos dias. Só ontem, em Bucareste, foram quatro golos em contra-ataque. Ajuda muito, como é óbvio, ter jogadores que sabem o que fazer à bola nestes momentos: Bruno Fernandes acima dos outros neste departamento, claro, mas há que dizer que Gelson também esteve muito, muito bem. Valeu uma qualificação para a Liga dos Campeões e os respetivos (ver ponto seguinte)...

Dezasseis milhões + variáveis - 2 milhões pelo apuramento no playoff, mais 12,7 milhões de participação na fase de grupos, mais 1 ou 2 milhões (ou algures no meio) do marketpool dos direitos televisivos + bilheteira adicional dos 3 jogos em Alvalade + prémio dos pontos conquistados na fase de grupos. E ainda há a potencial valorização na maior montra do futebol europeu. Do ponto de vista financeiro, o mundo não acabaria se falhássemos a qualificação... mas que dá muito jeito esta importante almofada, lá isso dá.

O roubo do ano - considerando o historial recente do Sporting com arbitragens polémicas em jogos cruciais na Liga dos Campeões, roubo do ano poderia bem ser uma referência a mais uma triste ocorrência dessa natureza... mas não, felizmente, desta vez, roubo do ano tem um significado completamente diferente. Refiro-me a Bruno Fernandes. Como é possível que o Sporting o tenha conseguido contratar por 8,5 milhões + 0,5 milhões em variáveis? Ou melhor: como é possível que alguém o tenha vendido por uma verba dessas? Depois das bombas de Guimarães, teve outro jogo memorável: não fez o gosto ao pé, mas esteve envolvido diretamente nos quatro golos marcados na segunda parte (assistências para Acuña e Gelson + passe para assistência de Gelson + passe para Coentrão no lance do 5º golo). Não que tivesse grandes dúvidas de que temos ali um craque, simplesmente não esperava que se afirmasse de forma tão clara ao fim de tão pouco tempo.

Os números de Acuña - ontem não fez uma exibição espetacular, mas foi fundamental com a assistência e golo nos dois primeiros tentos da equipa. Os números que tem acumulado são fantásticos: em cinco jogos oficiais, já leva um golo e três assistências.

A importância de se ter dois pontas-de-lança a sério - Doumbia foi a única mexida no onze em relação a Guimarães. Fazia sentido, perante a necessidade de o Steaua correr riscos e deixar mais espaços nas costas da sua linha defensiva. O costamarfinense não teve um jogo particularmente inspirado, mas soube aproveitar a primeira oportunidade que teve para colocar o Sporting em boa posição. Dost entraria depois... e foi Dost.

Coentrão a reencontrar os pulmões - ver Coentrão a passo aos 70' foi das coisas que mais me deixou apreensivo no jogo da primeira mão. Entretanto foi titular em Guimarães, onde fez um bom jogo (tendo sido substituído a poucos minutos do fim) e voltou ontem a fazer um bom jogo. Mas desta vez, não só durou os 90 minutos, como ainda encontrou energia para aparecer na área adversária em sprint e arranjar discernimento para arranjar espaço perante o defesa para meter a bola no sítio certo. Esse lance daria o quinto e último golo do Sporting, e também alimenta a esperança de que Coentrão se possa conseguir reencontrar com a sua melhor versão.



Demasiado sofrido para o adversário que é - 180 minutos a ver o Steaua dá para perceber as enormes lacunas técnicas da equipa em geral. Seria uma humilhação sermos afastados por uma equipa deste nível, e seria um agoniante complemento a essa humilhação vermos os romenos na fase de grupos da Champions a serem violados semana sim, semana não, pelas felizardas equipas que os apanhassem no sorteio. Aos 150' da eliminatória, estávamos a um mero deslize de sermos despachados para a fase de grupos da Liga Europa. O essencial é que nos qualificámos, mas devia ter ocorrido de uma forma mais tranquila.

Os centrais no golo do Steaua - dois homens que têm sido sinónimos de segurança e eficiência, Coates e Mathieu, comprometeram no golo do Steaua, lançando a incerteza no desfecho da eliminatória. Felizmente, sem consequências.




Mais logo teremos sorteio. O Sporting está colocado no pote 4, o que significa que nada de bom poderá vir daquilo que as bolinhas nos reservam. Mas o importante é lá estarmos, não só pelo prémio financeiro, mas também para podermos inverter as más prestações europeias das últimas épocas.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Delícia de jogada

Viram com atenção o 5º golo do Sporting em Guimarães? Tudo começa num lançamento de Piccini, junto à nossa área, para Rui Patrício. Depois a bola passa por Jonathan, Gelson, Bruno Fernandes, Jonathan, Gelson, Adrien, Iuri e, por fim, Adrien. Que delícia de jogada.










domingo, 20 de agosto de 2017

Cinco bilhetinhos anti-crise

Golos madrugadores, golos bonitos para todos os gostos, controlo total e absoluto da partida num dos terrenos mais complicados do futebol português - que tem sido sinónimo de más experiências para nós nos últimos anos - e uma avalanche de oportunidades flagrantes para marcar: não podia ter sido melhor a resposta da equipa às frouxas exibições da última semana.

Jesus mexeu no onze e lançou Bruno Fernandes em vez de Podence, mas não repetiu o erro de Aves: colocou-o numa posição mais recuada em campo. Costuma dizer-se que a sorte protege os audazes, e o jogo não podia ter começado de melhor forma: não tinham passado ainda 3 minutos, e foi mesmo de uma posição mais recuada que Bruno Fernandes deu o mote para uma enorme exibição do Sporting. À bomba.




Bruno, o bombardeiro - uma das lacunas da última época foi a incapacidade do Sporting em tirar proveito da meia-distância. Pois bem: ontem, em Guimarães, esteve em campo Bruno Fernandes, o bombardeiro. Na realidade, o termo bombardeiro talvez não lhe faça justiça, tal a potência, distância e precisão dos projéteis: o primeiro golo, então, foi uma espécie de missil intercontinental de última geração. Ia repetindo a graça pouco depois, com um remate que saiu a rasar o poste esquerdo de Miguel Silva. Guardou munições para a segunda parte, marcando o seu segundo golo mais em jeito do que em força - apesar da distância para a baliza - e ainda picou uma bola que embateu na barra. Esta última pode ter sido, na realidade, um cruzamento mal medido, mas não é impossível que tenha sido propositado, tal era a forma em que se apresentou ontem. Ah, e esteve muito bem a fazer jogar o resto da equipa.

O assassino holandês - mais dois golos a juntar à conta pessoal. O primeiro num livre curto batido por Acuña, o segundo num lance desenhado a régua e esquadro por Battaglia e Fábio Coentrão. Já leva três golos em três jogos, que, no seu caso, é, simplesmente, business as usual.

Os estranguladores silenciosos - mais um jogo em que a defesa teve a folha limpa, e é perfeitamente óbvio que isso não é obra do acaso. Em organização defensiva, os jogadores têm estado muito bem na ocupação de espaços e nas compensações e apoios. A linha defensiva esteve muito bem: Mathieu joga com uma eficiência robótica, e promete fazer uma dupla memorável com Coates, mas Coentrão e Piccini também estiveram bem. Em transição defensiva, Adrien, Battaglia, Acuña, Gelson e Bruno Fernandes não demoram a cair nos homens que têm a bola ou que a podem receber de imediato. Resultado: o V. Guimarães não cheirou de perto a baliza de Rui Patrício. Criaram algumas ocasiões de perigo, mas exclusivamente a partir de tentativas de meia distância e de um lapso individual de Piccini. Nota-se que a equipa está perfeitamente confortável quando o adversário tem a bola, o que é um upgrade imenso em relação à época passada.

A alteração de posicionamentos no ataque de Jesus - o treinador colocou Bruno Fernandes um pouco mais recuado, ou seja, mais distante de Bas Dost, e, durante o jogo, trocou os extremos - colocando Gelson na esquerda e Acuña/Iuri na direita. Estas alterações funcionaram em pleno: Bruno Fernandes conseguiu ter mais espaço para pensar o jogo, e os extremos foram motivados a flectir para o meio para tirar partido do seu melhor pé, dando a faixa aos laterais - que subiram no terreno e ganharam a linha de fundo muito mais vezes do que nos jogos anteriores. É certo que o V. Guimarães cedo ficou desorientado - e por isso convém dar o devido desconto às facilidades que existiram a partir de uma determinada altura -, mas isso também se deveu, e muito, à diversidade de ameaças que esta alteração de posicionamentos providenciou.



Cinco a zero em Guimarães. Não vamos ser picuinhas.


MVP: Bruno Fernandes

Nota artística (1 a 5): 5

Arbitragem: Hugo Miguel poderia ter tido uma arbitragem excelente... se não tivesse sido traído pelo VAR. Não há razão nenhuma que justifique a não expulsão de Célis por um pisão em cheio com os pitons na zona do tendão de aquiles de Fábio Coentrão.



Cinco bilhetinhos anti-crise que ajudam a libertar algum vapor da panela de pressão em que o Sporting se transformou após as últimas exibições. Espera-se a abertura da tampa na próxima quarta-feira, com a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Por mim, é avançar com este onze em Bucareste.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Aí está Bruno Fernandes


O Sporting formalizou ontem o acordo com Bruno Fernandes, O valor da transferência é de 8,5 milhões, com a possibilidade de aumentar em 500.000 euros se determinados objetivos forem cumpridos. A Sampdoria fica com direito a 10% de mais-valias numa venda futura. O jogador fica com uma cláusula de rescisão de 100 milhões.

É uma contratação com um perfil que me agrada bastante. Falamos de um jogador jovem, de 22 anos, mas que já cumpriu mais de 100 partidas na Serie A, uma liga muito mais competitiva do que a nossa. Ou seja, conjuga experiência com uma grande margem de valorização. A sua vinda, conjugada com a de Battaglia, leva a crer que Jesus estará a pensar em inverter os papéis de meio campo: o 6 passará a ter um papel mais equilibrador, enquanto o 8 ficará com maiores responsabilidades de construção. Bruno Fernandes tem a vantagem de ser mais forte na condução, no último passe e no remate de meia distância, mas, ainda assim, falamos de um médio com uma boa capacidade de trabalho, que não tem problemas em sujar os calções.

Estas apostas acabam também por ser um sinal de que tanto William como Adrien são considerados como transferíveis.


De assinalar que, pelos nomes que têm vindo a ser falados como hipótese, a estratégia de aquisições do Sporting se virou, e bem, para atletas para serem titulares de caras. Se tudo correr pelo melhor, o plantel deverá ficar praticamente fechado nas próximas duas semanas, a tempo do estágio que se irá realizar na Suiça.