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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vitória, preocupações e recados

Finalmente uma vitória. Ganhar ao Braga era essencial. Não por ser o Braga, não pelos três pontos, não para não nos deixarmos atrasar mais em relação à liderança, não pela possibilidade de, ganhando em Portimão, aproveitarmos o resultado do clássico entre Benfica e Porto para recuperarmos ou ampliarmos distâncias. Era essencial ganhar porque, independentemente dos muitos problemas técnico-táticos que estão à vista de todos, o atual momento de intranquilidade potencia esses problemas e faz parecê-los ainda mais graves do que efetivamente são. Era fundamental recuperar alguma tranquilidade e confiança e, como tal, jogando bem ou mal, tínhamos de vencer ontem. Nesse sentido, a missão mais importante foi cumprida.

Os suspeitos do costume. Mais uma vez, o Sporting só existiu ofensivamente na medida do que a sua linha média foi capaz de produzir. Os desequilíbrios foram conseguidos quase exclusivamente pelos habituais Bruno Fernandes e Wendel e pelo lateral Acuña. Coates e Mathieu foram segurando as pontas como podiam (com preciosa ajuda de Neto nos últimos quinze minutos) e, mais uma vez, o patinho feio Renan salvou o dia com algumas defesas fulcrais (aquela aos 40’, após remate de Hassan na queima, foi absolutamente incrível). 

Inoperância na frente. É angustiante observar o rendimento dos homens mais adiantados. Luiz Phellype vale pelo esforço e pouco mais. Raramente tem bolas na área para finalizar, parcialmente por responsabilidades próprias no momento de decidir o que fazer quando é solicitado, mas sobretudo por não ser devidamente alimentado devido ao modelo de construção (?) que o treinador coloca em prática. Raphinha está num momento de forma terrível. Não consegue ganhar duelos, não cria desequilíbrios, não finaliza em condições. Ontem defendeu a passo, deixando várias vezes Thierry completamente exposto no nosso flanco direito. Diaby foi Diaby. Mais um jogo sem qualquer ação positiva de registo, mais um momento para os apanhados que deixou meio estádio a rir quando se atrapalhou ao tentar fazer um nó a um adversário, e não há uma alma à face da Terra para além de Keizer que consiga entender como é possível que, depois de tão consistentes demonstrações de incapacidade, o maliano continue a fazer parte das contas do onze. Ou que tenha um minuto de utilização que seja. 

Treinador às aranhas. É verdade que Keizer não tem muitas alternativas de qualidade disponíveis. Camacho e Plata estão verdes e alguma coisa está mal na construção do plantel quando Raphinha, que tem apenas 22 anos e um ano de experiência a este nível, é o extremo de referência da equipa. A 11 dias do fecho do mercado, temos apenas dois pontas-de-lança, um dos quais jogava na segunda divisão há meses, e em que o outro foi contratado para substituir Bruno Fernandes. Mas isso não justifica tão pouco futebol e o problema não está apenas nos jogadores. Keizer diz que gosta de Dost mas não foi capaz de tirar rendimento do holandês, não é capaz de dar jogo a Luiz Phellype, não vê a mobilidade e técnica de Vietto como solução, e aparentemente também acha que Slimani não é o ponta-de-lança ideal. Perante quatro tipos de avançados de características bastante diversas e nenhum serve para o treinador… então quem servirá? 

Recados à estrutura. Na conferência de imprensa, Keizer deixou soltar um desabafo sobre a forma como (não) foi consultado sobre a saída de Dost, lamentando-se da sua saída. Depois dos comentários anteriores sobre Matheus Pereira e Vietto, fica mais ou menos claro que não existe entendimento entre o treinador e a estrutura de futebol sobre as movimentações de jogadores. Se não se entendem sobre quem sai, se não se entendem sobre quem entra… então como podemos nós, os adeptos, acreditar que existe um fio condutor, consistente e lógico, na preparação da época, na construção do plantel e na globalidade do trabalho realizado? 

Se, se, se. Reencontrámos as vitórias, mas os sinais de preocupação não se dissiparam. SE Rosier trouxer mais estabilidade ao flanco direito, SE Doumbia começar a compreender melhor as compensações que tem de fazer, SE Wendel conseguir aguentar mais de 60 minutos, poderemos ter condições para atenuar o caos defensivo que temos observado. SE conseguirmos manter Acuña a lateral, SE contratarmos um extremo a sério para entrar no onze ou SE conseguirmos começar a tirar algum rendimento de Camacho e Plata, SE contratarmos um ponta-de-lança que encaixe no quer que Keizer idealiza para o nosso jogo, poderemos ter condições para sermos um conjunto verdadeiramente ameaçador em ataque continuado e em contra-ataque. SE o treinador conseguir desembrulhar a confusão que parece ter no cérebro, SE a estrutura estabelecer as prioridades certas para a época… pode ser que se consiga fazer alguma coisa desta época.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Balanço da época, nº 3: GR e defesas



Renan Ribeiro: ** 

Chegou no final da pré-época a pedido de José Peseiro para lutar por uma posição que já estava bastante preenchida. Acabou por ganhar o lugar após a lesão de Salin em Portimão, já na fase terminal do ex-treinador. 

Sem estar ao mesmo nível, Renan replica as qualidades e defeitos de Rui Patrício: forte entre os postes e no um contra um, mas com carências nos cruzamentos e no controlo da profundidade. A época de estreia em Alvalade foi definitivamente positiva, sobretudo graças aos dois títulos que ajudou a conquistar em três séries de penáltis, mas também pela qualidade e regularidade das suas exibições ao longo da época. Cometeu os seus erros, é certo, mas não me recordo de Renan nos ter custado quaisquer pontos. Ao invés, os seus reflexos e agilidade ajudaram a segurar vários resultados. 

Aceito que se diga que o Sporting deve ambicionar ter como titular um guarda-redes mais completo, mas, havendo tantas carências no plantel, diria que o reforço da baliza está longe de ser uma das prioridades para este verão. 


Salin: ** 
2017/18: - 

Iniciou a época como titular após a inesperada lesão de Viviano no aquecimento em Moreira de Cónegos, acabando por perdê-la também por lesão em Portimão. A partir daí, teve uma utilização esporádica, dividida pelas várias competições. Distingue-se pela positiva em relação a Renan ao nível do controlo de profundidade – muito mais rápido a ler a situação e a sair dos postes –, mas falha ao nível da regularidade. Ainda assim, cumpriu sempre que chamado, e teve o seu momento alto da época na enorme exibição realizada na Luz. 

Salin dá garantias suficientes para assumir o papel de segundo guarda-redes, mas suponho que a sua continuidade esteja dependente dos planos que a estrutura tiver para Max. 


Viviano: - 

Um dos mistérios de 2018/19. Tinha currículo, demonstrou qualidade na pré-época, teria sido titular na jornada inaugura não fosse a lesão no pescoço… mas acabou por não realizar um único minuto oficial que fosse no Sporting. Não foi opção nem para Peseiro, nem para Tiago Fernandes nem para Keizer, pelo que o seu empréstimo em janeiro acabou por não surpreender. 

O elevado salário que aufere faz da sua saída um dado praticamente adquirido. Resta saber se o clube conseguirá recuperar parte ou a totalidade do investimento feito há um ano. 


Luís Maximiano: - 

Não jogou, mas devia ter jogado – nem que fosse um ou dois jogos no campeonato, em Alvalade, a partir do momento em que o terceiro lugar na classificação ficou definido. 

Não pode continuar no Sporting no papel de 3º guarda-redes. Ou passa a 2º ou tem de ser emprestado para jogar. 


Bruno Gaspar: * 

Um erro de casting. Não só por ser macio a defender e inconsequente a atacar, mas, sobretudo, pela incapacidade demonstrada em coisas tão básicas como fazer a receção de um passe ou medir a força com que deve adiantar a bola em condução. Depois do que fez em Guimarães, não me parece que seja um jogador tão mau tecnicamente como pareceu ser durante esta época, pelo que suponho que tenha havido algum fator psicológico a afetar (seriamente) o seu rendimento. 

Seja como for, não tem lugar no plantel em 2019/20. Esperemos que a SAD consiga recuperar uma boa fatia dos 4,5 milhões investido. 


Stefan Ristovski: ** 
2017/18: ** 

Uma época marcada por três expulsões injustas que custaram quatro pontos ao Sporting e deixaram o jogador de fora das duas mãos da meia-final da Taça com o Benfica e da final da Taça com o Porto. Titular indiscutível sobretudo por causa da falta de concorrência, correspondeu de forma satisfatória ao que dele era exigido. 

Salvo alguma surpresa, permanecerá no plantel da próxima época – desejavelmente, mais no papel de alternativa do que no de titular. 


Thierry Correia: - 

Bons indicadores dados nas duas ocasiões em que foi utilizado na Liga Europa. No entanto, não me parece que o Sporting fique suficientemente apetrechado em 2019/20 apenas com o jovem Thierry e com Ristovski. Parece-me que o mais benéfico para todos será a sua cedência a um clube da I Liga para ganhar muitos minutos. 


Jefferson: * 
2016/17: * 
2015/16: * 
2014/15: ** 
2013/14: ** 

Só mesmo José Peseiro para achar que Jefferson tinha qualidade para estar no plantel e – pior – para ser titular. Não tardou até que Peseiro se apercebesse do erro: ao fim de quatro jornadas saiu do onze, apenas voltando a ser opção em caso de indisponibilidade de Acuña e, mais tarde, de Borja. 

Tem mais um ano de contrato, mas é muito pouco provável que continue. Ao fim de seis épocas no clube, seria bom para todos que a boa exibição na final da Taça, alinhando fora de posição, fosse a imagem final com que os sportinguistas fiquem de si. 


Cristián Borja: ** 

Boa contratação de inverno. Precisou de pouco tempo para a posição, libertando Acuña para o seu lugar original. Forte defensivamente, quer na capacidade de antecipação quer na utilização do físico para controlar os adversários, acabou por ser uma solução inesperada para jogar como 3º central. Sabe sair a jogar, mas falta-lhe acutilância ofensiva. O Sporting continua a precisar de um lateral esquerdo capaz de criar desequilíbrios e competente a cruzar. 


Lumor Agbenyenu: - 
2017/18: - 

Voltou a não ser opção. Fez apenas 90 minutos nos Açores, assinando uma boa exibição, e fez 28 minutos na derrota caseira com o Estoril que ditou o despedimento de Peseiro. Tem mais três anos de contrato, pelo que será mais um problema para Hugo Viana resolver durante o defeso. 


Sebastián Coates: *** 
2017/18: ** 
2016/17: *** 
2015/16: *** 

Numa época em que a consistência defensiva foi um problema, não se pode apontar o quer que seja a Coates. O uruguaio foi muito mais vítima do que culpado: teve que ser demasiadas vezes bombeiro de serviço para resolver os problemas que a nossa lateral direita lhe criava e para compensar as dificuldades de adaptação de Gudelj para o papel de médio defensivo. Com Mathieu ao lado, formou uma dupla de centrais muito sólida – provavelmente o setor mais forte da equipa na globalidade da época. Para além da importância defensiva, viu-se muitas vezes “obrigado” a tentar criar desequilíbrios na frente face à ausência de um meio-campo que o fizesse. 

Com a contratação de Neto e a renovação de Mathieu, a continuidade de Coates não estará 100% garantida, mas acredito que só mesmo uma proposta irrecusável poderá levar o uruguaio a abandonar o Sporting. 


Jérémy Mathieu: *** 
2017/18: *** 

Só não foi o MVP do plantel porque Bruno Fernandes fez uma época estratosférica. Aos 35 anos, o francês esteve a um nível absurdamente elevado: a classe com que defende e constrói e a superior mentalidade competitiva coloca-o ao nível dos melhores centrais que já vi atuar no Sporting. Curiosamente ou talvez não, o pior período da época do Sporting coincidiu precisamente com o período em que Mathieu esteve indisponível por lesão. Um líder em campo e um esteio da equipa que, com toda a justiça, viu o contrato ser renovado e será integrado no grupo de capitães na próxima época. 


André Pinto: * 
2017/18: ** 

Época irregular quer ao nível de utilização quer ao nível da qualidade das exibições. É um central perfeitamente fiável em determinadas circunstâncias – nomeadamente quando a equipa é forçada a jogar em bloco mais baixo -, mas não é daqueles jogadores capazes de compensar as carências dos jogadores que o rodeiam. 

As suas características e salário tornam muito improvável a sua continuidade em 2019/20. 


Marcelo: -

Não conseguiu mostrar qualidades que justificassem a sua contratação. Vendido sem surpresa no mercado de inverno.


Tiago Ilori: * 

Contratação surpreendente e mal acolhida pela maior parte dos adeptos. Foi a jogo apenas por oito vezes, e não foi por Ilori que o Sporting perdeu pontos. Bom timing de corte fazendo uso da sua velocidade, pecou sobretudo por um ou outro lapso de concentração quando tinha a bola nos pés. 

O que fazer agora com Ilori? Parece-me insuficiente para titular, e presumo que seja demasiado caro para ser 3º/4º central. Havendo Coates, Mathieu e Neto, e estando Ivanildo e Domingos Duarte no ponto para serem a 4ª opção, não vejo que lugar haverá para Ilori continuar em Alvalade. 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Cortes que valem ouro

Já passaram 4 dias desde a vitória na Taça, mas não queria deixar de colocar aqui dois cortes realizados por Raphinha e Mathieu no espaço de poucos minutos, num período crítico do jogo.

O primeiro pela rapidez como Raphinha recuperou terreno em relação a Brahimi, conseguindo desviar a bola no preciso momento em que o argelino se preparava para finalizar em posição privilegiada. Valeu autenticamente um golo. O segundo pela habitual classe do francês a limpar uma jogada de perigo.

Vale a pena rever.


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Retratos e momentos de uma tarde inesquecivel



A festa antes do jogo



Campo inclinado

Fonte: zerozero.pt


Nas bancadas



Um voo inesquecível

(via @ultras6p)



O desempate por penáltis (com som ambiente)




O momento em que te apercebes que ganhaste a Taça

Fonte: zerozero.pt


Ristovski invade o campo




Montero




Nani



Festejos em holandês

Fonte: zerozero.pt


Lágrimas de um gigante

(via @sporting_cp)


A caminhada de Renan até à tribuna



Mar verde e branco

(via @ultras6p)


O sabor da vitória

(via @ultras6p)


Gudelj




Ristovski e a possível saída de Bruno Fernandes

domingo, 14 de abril de 2019

Há Dias difíceis

Qualquer prognóstico feito pelos adeptos ao Aves - Sporting ficou obsoleto ao fim de quatro minutos. Artur Soares Dias decidiu fazer história aos 4' mostrando um cartão vermelho a Renan - nunca um jogador do Sporting tinha sido expulso, em qualquer competição, com tão pouco tempo decorrido - da forma mais artursoaresca possível: recorrendo aos mais finos limites da interpretação, como sempre parece acontecer quando o Sporting está envolvido. É indiscutível que Renan derruba o adversário e é indiscutível que era uma jogada de perigo, mas é discutível que o jogador do Aves estivesse numa posição assim tão clara para marcar - corria na direção da linha de fundo e não em direção à baliza, e o ângulo em que se encontrava não era propriamente favorável para uma situação de concretização. Ainda assim, vermelho mostrado, e o Sporting viu-se condenado a jogar em desvantagem numérica durante os restantes 94' de jogo que se disputaram.

Fonte: zerozero.pt
Verdade seja dita que tal desvantagem numérica não se notou no decurso do jogo. O Sporting controlou a partida do princípio ao fim, sabendo gerir os ritmos de jogo e sendo inteligente e acutilante nos momentos ofensivos. Chegou à vantagem no marcador com naturalidade através de Luiz Phellype (quarto golo nos últimos cinco jogos) e, após o único lance de verdadeiro perigo do Aves que resultou em penálti (bem assinalado) e no empate, não tardou a recolocar-se na frente através de Mathieu, num lance que ficará lembrado sobretudo pelo medo que Bruno Fernandes provoca às defesas adversárias: a dúvida de que, apesar da distância, o livre pudesse ser batido direto pelo capitão, levou a que um defesa do Aves descesse para junto do poste - movimento aproveitado de imediato por Coates e Mathieu, que se adiantaram e ajudaram a que se criasse o decisivo desequilíbrio para fazer abanar as redes. Mas o marcador não ficaria fechado sem que Bruno Fernandes apontasse o 28º golo da época de cabeça (!), encerrando em definitivo as dúvidas sobre quem seria o vencedor. Vale também a pena referir que, pelo meio, Soares Dias ainda transformou uma obstrução de Diego Galo sobre Acuña que deveria valer o 2º amarelo ao defesa do Aves num amarelo ao argentino do Sporting. Há Dias mais difíceis que outros, mas felizmente o Sporting soube contornar os obstáculos colocados e arrecadou os três pontos com inteira justiça.

A equipa parece estar a atravessar o melhor momento da época, tendo alcançado ontem a 7ª vitória consecutiva. Não surpreende que este período coincida com o espaço de tempo em que se voltou ao ritmo de um jogo por semana. Isto demonstra que, havendo um plantel tão desequilibrado e carente de alternativas, uma boa condição física dos titulares é fator fundamental para que se consiga manter um nível de regularidade compatível com a luta pela vitória no campeonato. O desgaste causado pelo ritmo frenético de jogos entre outubro e fevereiro acabou por matar essa pretensão. Espero que, pelo menos, se aprenda com esta experiência e que a estrutura de futebol saiba estabelecer as prioridades certas para a época de 2019/20.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Lei de Bruno

Observar a época de Bruno Fernandes e dizer que o capitão é o abono de família do Sporting é um eufemismo. Bruno não é apenas o abono de família. Bruno é o salário que cai na conta no final do mês, Bruno é o subsídio de férias, Bruno é a moeda de 1 euro que se encontra no passeio, Bruno é o valor devolvido no IRS após entregue a declaração anual. É a raspadinha e é a lotaria. É muito bonito dizer que o futebol é um desporto coletivo, mas se o Sporting carimbou a presença no Jamor, deve-o, sobretudo, ao génio que tem carregado e continua a carregar esta equipa às costas. 

Numa noite em que, apesar de as bancadas se terem apresentado demasiado despidas para a importância da ocasião, os presentes - começando por uma curva sul muito mais bem composta do que tem sido norma esta época - proporcionaram um excelente ambiente que ajudou a equipa do princípio ao fim a agarrar-se com unhas e dentes ao último objetivo da época. Com todas as limitações que se conhecem, há que fazer justiça a todos os jogadores pelo esforço e ao treinador pela estratégia montada: viu-se um Sporting muito agressivo e pressionante sem bola que conseguiu se bastante eficaz a impedir o Benfica de executar as suas temíveis transições - jogar ao ritmo de uma partida por semana tem a óbvia vantagem de proporcionar uma maior disponibilidade física que pode fazer a diferença em momentos destes.

Grande jogo de Acuña - como peixe na água neste futebol mais lutado de que jogado -, o trio de centrais composto por Mathieu, Coates e Borja - e Ilori, mais tarde - esteve sempre num excelente nível, e Gudelj fez um dos melhores jogos desde que está no Sporting. Mas, claro, o grande destaque tem de ser dado a Bruno Fernandes: depois de nos ter mantido vivos na 1ª mão com a bomba de livre direto, Bruno resolveu ontem a eliminatória com um missil ao ângulo... com o pé esquerdo.


Bem pior esteve o árbitro Hugo Miguel, que não assinalou um penálti por braço na bola de Rúben Dias e aplicou um critério disciplinar errático que irritou os jogadores das duas equipas.

É uma vitória importante que ajudará a equipa a manter-se focada até ao final da época. Psicologicamente, também me parece importante termos conseguido vencer o Benfica após dois jogos em que o nosso rival foi claramente superior. No entanto, continuamos apenas com uma Taça da Liga ganha. É fundamental que continuemos a época em crescendo até final de forma a chegarmos a 25 de maio nas melhores condições para conquistar o segundo troféu da época.

domingo, 10 de março de 2019

Uma questão de prioridades

Ontem, no Bessa, havia três pontos para ganhar e os três pontos foram conquistados. Apesar de a "luta" pelo 3º lugar ser algo que não aquece nem arrefece, é importante ir amealhando todos os pontos em disputa de forma a não agravar a crise desportiva que atravessamos. Nesse sentido, a vitória de ontem, apesar de sofrida, foi uma missão cumprida. No entanto, ir ganhando não é suficiente. É fundamental aproveitar os jogos do campeonato que nos restam para ir lançando, na medida do possível, a próxima temporada - desenvolvendo jogadores, ambientando os reforços às particularidades do futebol português, e evitar a utilização daqueles que já se sabe que não farão parte do plantel de 2019/20.

Infelizmente, parece faltar ao futebol do Sporting uma estratégia a médio prazo face à ausência de objetivos relevantes a curto prazo. Ou - igualmente preocupante - a estrutura de futebol do Sporting poderá ter uma estratégia definida nesse sentido, mas, nesse caso, Keizer não estará a colaborar na sua implementação. Seguem-se dois exemplos.

Primeiro, Gudelj. Foi novamente titular e, para não variar, foi uma espécie de elemento neutro no coletivo: não só defende sofrivelmente como não acrescenta nada ao ataque, ao ponto de Coates e Mathieu terem sido mais úteis e incisivos na manobra ofensiva. João Pinheiro fez-nos o favor de amarelar o sérvio num lance que não justificava qualquer cartão, assegurando, assim, que ficará de fora por suspensão contra o Santa Clara. Ao invés, Doumbia - que, em teoria, veio em janeiro para reforçar o nosso meio-campo defensivo - teve uns míseros quinze minutos para mostrar serviço. Mais uma vez aproveitou-os bem, deixando-me (e seguramente a muitos outros sportinguistas, nos quais, aparentemente, não se inclui o treinador) com vontade de o ver mais tempo em campo.

Segundo, as opções de ataque para o Bessa. Dost ficou em Lisboa por lesão. Luiz Phellype foi titular à força e ficámos com Diaby como primeira opção de banco para ponta-de-lança e extremo. Esta última frase, de tão deprimente que é, demonstra bem a falta de soluções que temos na frente. Para mim, é inconcebível que Diaby - um flop caríssimo - fique no Sporting na próxima época e que Luiz Phellype seja mais do que uma terceira opção para ponta-de-lança. Em Portugal, a receita para o título obriga à existência de dois avançados titulares que valham 15 ou mais golos por época e, neste momento - considerando o fosso psicológico em que Dost está metido - o Sporting não tem nenhum. Mas não faria mais sentido ter-se levado ontem um ponta-de-lança dos sub-23 para o banco, em vez de lá termos dois centrais (André Pinto e Ilori)? 

Voltando ao jogo. Mesmo jogando com menos dois (e menos três a partir dos 75'), o Sporting fez mais do que o suficiente para ganhar ao Boavista e justificou a vitória. Depois de se ver a perder desde praticamente o início do jogo em mais um lance digno dos apanhados, a equipa de Keizer dominou a partida por completo e criou variadíssimas oportunidades para marcar. A indefinição no marcador até ao fim apenas se explica pelas tais carências no ataque: o Sporting fez 22 remates, 15 dos quais dentro da área, o que significa que chegou com muita facilidade à área de Bracalli mas que falhou redondamente no momento da finalização. Frente a um Boavista tão frágil, não deveria ter sido necessário recorrer ao tempo de descontos para consumar a reviravolta no marcador.

Em relação às exibições dos nossos jogadores, destaques positivos para Acuña (a raça pode ser uma qualidade valiosa quando a falta de confiança emperra os processos coletivos), Coates (foi capaz de desequilibrar em condução, à falta de médios que fizessem o mesmo), Raphinha (a espaços, é certo, mas foi decisivo no resultado), Mathieu (que falta nos fez a sua classe nas últimas semanas), Borja (mais um bom jogo, confirmando que é reforço) e Doumbia (no pouco tempo que esteve em campo).

O penálti que nos deu a vitória é polémico. Eu não o teria assinalado - não vi intensidade suficiente no toque de Edu Machado sobre Raphinha -, mas também não teria assinalado uns seis ou sete lances idênticos a meio-campo que João Pinheiro considerou falta. O árbitro manteve o (mau) critério que seguira até então e o VAR não tinha poder para reverter a decisão. Dispensa-se, no entanto, o rasgar de vestes dos indignados que, aparentemente, andam distraídos e não têm reparado nas inqualificáveis arbitragens que têm prejudicado o Sporting de novembro para cá.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Sofrível

Fonte: zerozero.pt
Qualquer sportinguista minimamente atento sabe que a nomeação de Rui Costa para um jogo do nosso clube redunda sistematicamente numa arbitragem sem qualidade e recheada de polémicas. Foi assim, por exemplo, na receção ao Chaves, em que nem com uma visualização a dois tempos das repetições conseguiu ver um penálti claríssimo sobre Gelson Martins, ou na visita no final de 2018 ao Feirense para a Taça da Liga, onde assinalou um penálti inexistente contra o Sporting que relançou uma partida que parecia estar resolvida. Lances de importância capital à parte, uma arbitragem de Rui Costa costuma também ser sinónimo de um jogo mal conduzido, com um critério incompreensível na marcação de faltas e faltinhas e inconsistência disciplinar, que acaba invariavelmente a enervar jogadores e público. Ontem foi mais do mesmo - com a agravante de ter sido várias vezes mal auxiliado pelos seus assistentes -, num jogo cuja história se resumiu aos golos marcados, às polémicas decisões da equipa de arbitragem, e que poucos outros momentos de qualidade teve para se destacar.



Os primeiros 30 minutos - A partida dificilmente poderia ter começado melhor: um golo a abrir, adversário controlado, segundo golo ainda dentro da primeira meia-hora, e poderia ter sido sentenciada em definitivo caso Dost não tivesse desperdiçado de forma incrível o 3-0 após um grande trabalho de Ristovski pela direita. 

Dono da lateral - Ristovski foi importante no segundo golo com o fulminante remate de primeira que Jhonatan apenas conseguiria sacudir para a recarga de Bruno Fernandes, criou várias situações de desequilíbrio no seu flanco, e esteve bastante concentrado e agressivo defensivamente. Está furos acima do que Bruno Gaspar tem dado e, por isso, para mim tem de ser o dono do lugar.

A classe de Mathieu - numa partida na linha do que lhe é habitual, destacou-se pela classe com que limpou várias situações bastante complicadas com cortes em carrinho. Numa altura em que se fala na possibilidade de sair, demonstra que a sua permanência em Alvalade é fundamental. Que se arranje um terceiro central, esquerdino, que possa rodar com o francês em jogos de dificuldade teórica inferior.



Os últimos 60 minutos - não se matou a partida, e após vista grossa numa falta clara sobre Dost à entrada da área dos visitantes, o Moreirense reduziu para 2-1 numa bela jogada e colocou novamente o resultado em aberto. A partir desse momento a história do jogo jogado acabou, com raríssimas situações de golo em ambas as balizas: a partir daí houve apenas o golo (mal) anulado a Raphinha, a trapalhona cerimónia dos jogadores do Sporting na área adversária no lance final do jogo, e não me consigo lembrar de uma única ocasião em que o Moreirense pudesse ter chegado ao empate.

Diaby inconsequente - desta vez o maliano até fez uma exibição esforçada, com muito trabalho defensivo, mas na frente tem sido pouco mais que uma nulidade. Quando solicitado, Diaby raramente consegue orientar uma situação de potencial perigo com o seu primeiro toque se a bola lhe for endossada pelo ar ou se tiver um adversário nas costas - ou lhe passada rasteira para o espaço vazio, ou nada feito. 

Dost desinspirado - confirmou o mau momento de forma passando mais uma vez ao lado do jogo e executando de forma terrível no momento da finalização. E já se sabe que o holandês é jogador que, não estando inspirado na finalização, tem muitas dificuldades em ser útil à equipa.

Gestão do plantel e das substituições - conto escrever sobre isto em breve, mas Keizer tem de começar a abrir o onze a outros jogadores, sob o risco de rebentar fisicamente com os habituais titulares. Ontem foram vários os jogadores que acabaram de rastos - o que acaba por ser normal face aos jogos consecutivos que têm efetuado -, e, precisamente por isso, não se compreende como é que não usou o banco para refrescar determinadas posições.



Nota artística - 2

MVP - Ristovski

Arbitragem - tudo dito no parágrafos anteriores, com exceção de uma outra situação de dúvida num eventual penálti de Acuña. Apenas acrescento que o VAR (João Capela) agiu sempre bem: não podia intervir na falta sobre Dost, pois a falta foi assinalada fora da área; não podia reverter a decisão no golo anulado a Raphinha, pois as imagens do momento do fora-de-jogo não são conclusivas - a responsabilidade da decisão é do fiscal-de-linha, que, conforme o que dizem as regras, deveria ter dado o benefício da dúvida ao atacante.



Exibição sofrível que mantém a equipa na perseguição pelo 2º lugar. Segue-se agora um desafio complicadíssimo contra um Braga fresco (com vários titulares poupados na sexta-feira) e que encara os confrontos com o Sporting como se fossem os jogos da sua vida. Razão mais que suficiente para que a equipa esteja consciente que só poderá sair de lá com a vitória caso esteja disposta a deixar TUDO em campo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Silas é que a sabe toda

Não tinha percebido bem o sentido das palavras de Silas no lançamento do jogo de ontem quando disse que "Keizer está a aproveitar o trabalho de Peseiro", mas a verdade é que acabaram por ter o seu quê de proféticas. De certa forma, o Sporting que defrontou o Belenenses foi o menos Keizeriano e o mais Peseiriano desde que o holandês assumiu o cargo, pois durante a maior parte do tempo foi uma equipa divorciada da baliza, previsível nas suas intenções, lenta e trapalhona na execução.

Isso sentia-se dentro das quatro linhas e também na bancada: quando o Sporting foi para o intervalo a perder com o Nacional, notava-se que os adeptos nas bancadas confiavam que seria apenas uma questão de tempo até a reviravolta se concretizar; ontem havia incerteza no ar, fruto da incapacidade que a equipa revelava para criar situações de golo e também do mérito de um adversário muito personalizado que sabia exatamente o que fazer em campo para contrariar os pontos fortes leoninos.



3 pontos - havendo a possibilidade de recuperar o segundo lugar e sendo imperioso não deixar afastar mais o líder, era imperativo que o Sporting vencesse a partida, fosse lá como fosse. Não foi bonito, mas o essencial foi alcançado.

O regresso de Wendel - a antecipação da sua recuperação em relação à previsão inicial foi uma excelente notícia e Keizer não hesitou em entregar-lhe a titularidade. Wendel correspondeu e foi, a par de Nani, o elemento mais dinâmico do meio-campo. Muito bem na procura do espaço para receber a bola, decide e executa rapidamente com a bola nos pés. Faz parecer simples aquilo que, na realidade, não está ao alcance de muitos. Acabou por ser substituído a vinte minutos do fim numa altura em que estava mais desaparecido do jogo.

Pela positiva - Nani fez uma boa primeira parte, caindo de rendimento na segunda. Petrovic voltou a entrar muito bem, bem defensivamente e muito confiante com a bola nos pés. Acuña, apesar de raramente ter procurado a linha de fundo e de ter tido pouco acerto nos cruzamentos que tentou, compensou com a habitual intensidade e concentração defensiva. Mathieu foi mais uma vez Mathieu.

Os golos - a classe da jogada que envolveu oito jogadores no golo de Bruno Gaspar mereceu a felicidade do toque de Sasso que desviou a bola para o ângulo certo. O golo de Miguel Luís foi o melhor momento da partida - um remate espontâneo, forte e colocado, que surpreendeu Muriel e fez lembrar o ausente Bruno Fernandes. 



A exibição - foi a exibição caseira mais frouxa desde que Keizer pegou na equipa, muito afastada da filosofia que Keizer tem tentado implementar: sentido de jogo muito mais basculante do que vertical, ritmo imposto mais lento do que tem sido habitual, incapacidade de chegar à área adversária e pouquíssimas oportunidades de golo. Em certa medida, a fazer lembrar o pior do Sporting de Jesus na segunda metade da época passada. Há que dar mérito a Silas e aos seus jogadores, que chegaram a Alvalade como segunda defesa menos batida do campeonato, e demonstraram ser uma equipa muito organizada e que raras vezes se desequilibrou. Por outro lado, parece-me que o nervo e o talento de Bruno Fernandes fez muita falta, o que é preocupante - não podemos estar tão dependentes da inspiração de um jogador.

Apesar de decisivos... - Diaby e Gudelj assistiram Bruno Gaspar e Miguel Luís nos dois golos que valeram a vitória, mas o rendimento destes jogadores, de uma forma geral, ficou abaixo das exigências. Gudelj e Miguel Luís raramente conseguiram ligar o jogo com Nani e Wendel, e tiveram pouco acerto nos passes. Diaby fez um jogo pavoroso. Parecia estar numa peladinha de solteiros contra casados, alheando-se do que se passava no seu flanco quando o lateral do Belenenses subia, deixando frequentemente Bruno Gaspar em desvantagem numérica, e com bola teve várias decisões incompreensíveis - uma das quais comprometeu uma excelente ocasião de golo na primeira parte. Devia ter sido substituído quinze minutos antes. Quanto a Bruno Gaspar, teve mais um jogo pouco conseguido e continua a não convencer.

Desconcentração defensiva - no caso do golo do Belenenses, podemos falar mesmo em desleixo: Coates e Gudelj desistiram de acompanhar os dois jogadores do Belenenses que seguiam em velocidade pelo centro do terreno, deixando Mathieu e Acuña numa situação de desvantagem numérica de 2x3. Renan esteve muito mal no controlo da profundidade, decidindo ficar na área em duas situações perigosas que poderia ter anulado com facilidade caso se corresse na direção da bola.

Os assobiadores profissionais - não consigo conceber por que razão há pessoas que vão ao estádio para assobiar a equipa ao fim de... quatro minutos. QUATRO MINUTOS. Assobiam a equipa porque o adversário entra melhor no jogo. Assobiam Renan porque este tenta encontrar um colega a quem passar em vez de despejar para a frente. Assobiam Nani porque contemporiza à espera de opções de passe. Assobiam Nani quando tenta jogadas individuais. Um bocadinho mais de paciência não faria mal a ninguém.



Nota artística - 2

MVP - Wendel

Arbitragem - João Capela teve um jogo fácil de apitar, mas conseguiu complicar o seu trabalho com más decisões no julgamento de várias faltas a meio-campo e tendo um critério disciplinar incoerente na exibição de amarelos, principalmente nos quinze minutos finais.



Três pontos preciosos que nos permitem regressar ao segundo lugar e manter o Porto à vista. É imperioso vencer o Tondela na próxima segunda-feira para depois termos a primeira final da época na receção ao Porto no fecho da 1ª volta.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Remontada à holandesa

Dizia Marcel Keizer, há uns dias, que na sua opinião é melhor ganhar 3-2 do que ganhar 1-0. O início de jogo de ontem acabou por transformar esta frase numa espécie de profecia para o que a noite reservava ao Sporting, que se viu bem cedo numa situação de desvantagem de dois golos e passou a ter como objetivo mínimo o tal resultado de 3-2. Felizmente esse objetivo acabaria por ser alcançado e até ultrapassado, mas mais assente no esforço e genialidade individual (e alguma felicidade) do que em discernimento coletivo.

Há que dizer que o Nacional não merecia perder por uma diferença tão grande. A equipa de Costinha fez uma excelente 1ª parte, posicionando-se em regiões adiantadas, pressionando alto, colocando 4, 5 ou 6 jogadores em movimentos ofensivos e nunca recorrendo ao antijogo, mesmo em vantagem no marcador. O 1-2 ao intervalo justificava-se plenamente. Creio, no entanto, que esse esforço acabaria por ter consequências: o Nacional quebrou fisicamente e o Sporting foi, progressivamente, tomando conta das operações e terminou o jogo dominando por completo os últimos 30 minutos - período em que obteve quatro golos sem resposta.

Uma vitória expressiva que justificou o entusiasmo nas bancadas e no relvado pela remontada alcançada, mas que também deixou alguns pontos de preocupação pelas fragilidades demonstradas durante a primeira meia-hora - à semelhança do que já tinha acontecido com o Aves.



Remontada à holandesa - não é todos os dias que se marca 5 golos e, sobretudo, não é todos os dias que se marca 5 golos recuperando de uma desvantagem de 0-2. 5 golos que prolongam uma série de elevada produção ofensiva na era Keizer: nestes seis jogos, o Sporting marcou 4, 6, 3, 4, 3 e 5 golos. Ontem, não tendo sido uma noite de nota artística muito elevada, foi pelo menos uma noite em que a equipa demonstrou carácter, personalidade e paciência para virar e resolver uma partida que começou da pior forma possível.

Postal da Borgonha - o magistral livre executado por Mathieu foi o grande momento do jogo. Não só pela beleza do golo, mas também por ter colocado o Sporting pela primeira vez em vantagem no marcador. A distância para a baliza e o local pouco central obrigavam a colocação e potência, e foi colocação e potência que aquele pé esquerdo deu à bola. Totalmente merecedor dos efusivos festejos no relvado, banco e nas bancadas.

Os suspeitos do costume - Bas Dost e Bruno Fernandes, com dois golos cada, foram mais uma vez fundamentais na conquista dos três pontos e confirmaram o excelente momento de forma que atravessam. O holandês mostrou novamente que é um excelente marcador de penáltis (não pela força e colocação dos remates, mas por ser quase sempre capaz de antecipar para que lado o guarda-redes se vai atirar). Ontem marcou 3 em 3, ainda que só 2 tenham contado. Bruno Fernandes, nestes 6 jogos com Keizer, leva uns impressionantes 6 golos e 5 assistências.

Os miúdos que vieram do banco - Miguel Luís entrou ao intervalo para o lugar de Bruno César e Jovane substituiu Nani a 25 minutos do fim. Ambos os jogadores entraram bem e foram importantes para impor o domínio registado na 2ª parte, e tiveram participação direta em dois golos: Jovane fez um grande passe para a desmarcação de Dost no lance do 2-2, e Miguel Luís fez o cruzamento para Bruno Fernandes no 5º golo.



Problemas defensivos - houve remontada porque sofremos dois golos a abrir, e quando se sofre dois golos a abrir é sinal de que existem problemas defensivos que é necessário resolver ou, no mínimo, mitigar. É indiscutível que temos uma questão delicada na lateral esquerda, pois a ausência de Acuña implica a utilização de um Jefferson que comete erros atrás de erros, ainda mais quando não existe um meio-campo suficientemente oleado que seja capaz de compensar os buracos que se vão abrindo - não termos um 6 puro acaba por se notar em algumas circunstâncias. E ontem, para piorar, tivemos também um Mathieu numa noite pouco feliz no controlo do espaço defensivo, o que acabou por tornar mais visíveis esses problemas.

Aposta falhada - não correu bem a aposta em Bruno César para o lugar de Wendel. O brasileiro pareceu sempre um elemento deslocado do coletivo e, não sendo propriamente conhecido por ser um jogador rápido, evidenciou uma completa falta de ritmo que contribuiu para as dificuldades reveladas pelo Sporting para controlar o meio-campo na 1ª parte. Bem substituído ao intervalo. 

Impaciência - é normal que os sportinguistas presentes nas bancadas se tenham sentido intranquilos, mas não vejo o que se pode ganhar em demonstrar essa intranquilidade de forma tão ruidosa em determinados tipos de situação. Os assobios para Renan na marcação dos pontapés de baliza ou nas reposições tiveram consequências: inicialmente procurava opções para sair a jogar sem correr demasiados riscos, mas a partir de determinada altura, após ter sido assobiado por diversas vezes, passou a optar por despejar bolas para a frente. Não faz sentido que o público de Alvalade contribua para a intranquilidade da equipa, ainda por cima em situações em que um jogador está a tentar cumprir as indicações dadas pelo treinador.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes

Arbitragem - muitos lances polémicos, mas Fábio Veríssimo esteve bem na maior parte das decisões. Bem no golo anulado a Dost, pois Diaby estava adiantado no momento em que o passe é feito. O 1º penálti é bem assinalado, pois Vítor Gonçalves desequilibra Dost com um toque com o seu joelho esquerdo. Parece-me boa a decisão no choque de cabeças no remate de Diaby, já que o contacto é provocado pelos dois jogadores em simultâneo - o jogador do Nacional foi contra Diaby, mas o maliano também saltou deslocando-se para trás na direção do adversário. O lance do 2º penálti que deu o 4-2 é o que me deixa mais dúvidas: há uma mão nas costas de Dost e outra a prender-lhe o ombro, mas não sei até que ponto isso foi suficiente para o desequilibrar.



6 jogos, 6 vitórias, 25 golos marcados, 6 golos sofridos. Os números continuam avassaladores, mas as dificuldades que a equipa atravessou nestas duas receções aconselham alguma prudência na equipa e adeptos. Seguem-se um novo jogo com o Rio Ave para a Taça de Portugal e uma deslocação a Guimarães para o campeonato - curiosamente, mais duas partidas contra equipas que quererão jogar de olhos nos olhos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Entrincheirados

Entrincheirados. Contra uns gunners de reserva, Tiago Fernandes demonstrou ambição e arrojo ao apostar em Miguel Luís em vez de Petrovic no lugar que era de Battaglia. Queria uma linha média capaz de trocar a bola e estabelecer-se no meio-campo adversário, procurando sair com a bola jogável. No entanto, a realidade sobrepôs-se às boas intenções do técnico interino: a pressão alta do Arsenal anulou facilmente as nossas iniciativas com bola, acabando a história do jogo por se resumir a um Sporting enfiado na área sem capacidade para ameaçar a baliza de Petr Cech. Valeu-nos a disciplina tática e o espírito de sacrifício dos jogadores, que nos proporcionaram um resultado indiscutivelmente positivo face às circunstâncias. Ou seja, resumindo: foi mais um jogo à Peseiro, mas sem a parte do pé-frio.


Disciplina na resistência - o jogo teve um único sentido. Mesmo sendo verdade que o Arsenal não carregou demasiado na procura do golo, dominou claramente o jogo e encostou o Sporting à sua área. Ainda assim, foram poucas as situações realmente aflitivas: a disciplina tática e concentração dos nossos jogadores permitiu-nos anular quase todas as iniciativas inglesas. Destaque para Coates e Mathieu - que mesmo na expulsão esteve bem, evitando um mal maior -, e para a tranquilidade de Renan dentro e fora dos postes.

Coragem debaixo de fogo - a aposta em Miguel Luís faz todo o sentido numa perspetiva de futuro imediato. Querer sair a jogar em vez de recorrer ao chutão para a frente, também. Não resultou porque não há tempo de treino suficiente que anule os meses de vícios peseiristas, e há que reconhecer que o nível do adversário não ajudava ao sucesso da estratégia. Tiago Fernandes preferiu arriscar em vez de perder mais tempo, e fez muito bem. Mereceu a felicidade do resultado alcançado.

Invasão de Londres - absolutamente incrível o apoio dos sportinguistas que se deslocaram ao estádio. Foram enormes!



Cessar-fogo unilateral - 0 remates à baliza em 180 minutos contra o Arsenal é uma estatística aterradora que demonstra bem o estado atual do futebol do Sporting. Contam-se pelos dedos das mãos as vezes que conseguimos fazer 5 passes no meio-campo inglês. O momento mais angustiante foi vivido no único canto que conquistámos: em vez de tentarmos aproveitar a presença de Dost, Coates e Mathieu na área, optámos por marcá-lo de maneira curta, com passes sucessivos para trás até chegar ao círculo central, de onde bombeámos para... um fora-de-jogo. Ou seja, mais uma vez fomos completamente inofensivos e o empate acaba por ser um prémio que, do ponto de vista ofensivo, nada fizemos por merecer.

Missing In Action - ninguém pode pôr em causa o esforço dos jogadores durante os 90 minutos, mas não podemos ficar satisfeitos apenas com o empenho. A verdade é que, esforço e disciplina tática defensiva à parte, houve vários jogadores que foram uma completa nulidade. O flanco direito formado por Bruno Gaspar e Diaby funcionou terrivelmente - ofensivamente não me lembro de nenhuma incursão que chegasse ao último terço adversário, e defensivamente foi o local por onde o Arsenal conseguiu encontrar mais facilidades -, Bruno Fernandes continua a léguas daquilo que sabe fazer e teve a agravante de ter feito o atraso disparatado que provocou a expulsão de Mathieu -, e Montero foi incapaz de segurar uma bola e de utilizar os (poucos, admito) apoios que iam aparecendo. Tudo junto, não admira que tenhamos passado 90 minutos enfiados na nossa área.



O empate acaba por ser um excelente resultado, não só pela conjuntura atual do Sporting, não só pela forma como a partida decorreu, mas também pelo vitória surpreendente do Qarabag na Ucrânia, que nos coloca com pé e meio na fase seguinte da Liga Europa.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Raio de luz

Pode não ter sido uma grande exibição do princípio ao fim, pode não ter havido um domínio constante, mas a vitória de ontem do Sporting sobre o Boavista foi incontestável e não terá deixado nenhum adepto insatisfeito. Um ténue raio de luz a rasgar a penumbra exibicional a que temos sido sujeitos. A primeira parte foi mastigada e na linha do que tem sido as exibições recentes, mas na segunda parte houve uma melhoria significativa ao ponto de podermos dizer que foi agradável de seguir. Pode não parecer muito, ainda mais tendo sido contra um adversário cujo objetivo será a manutenção, mas é um upgrade ao que foi o futebol do Sporting contra Poltavas, Loures e Qarabags, que também não são propriamente colossos europeus. Junte-se a isto os muito aguardados regressos de Mathieu e Dost, os primeiros bons pormenores de Diaby, uma nova bomba de Bruno Fernandes e um Nani ao melhor nível, e temos finalmente alguma coisa a que nos agarrarmos. Pelo menos até à próxima quarta-feira.



Os golos - o magnífico trabalho de Montero no primeiro golo de Nani, que devolveu os mortais a Alvalade; a combinação entre Montero e Diaby com o passe atrasado para o estouro de Bruno Fernandes; e o remate picado de primeira de Nani. Três golos bem trabalhados e de belo efeito que valeram a vitória mais folgada da época, uma noite tranquila e três pontos totalmente merecidos. Nota positiva para as exibições de Nani, Montero, Mathieu e Acuña, com alguns bons momentos de Diaby e Bruno Fernandes na segunda parte.

Os regressos - Mathieu voltou e realizou uma exibição muito sólida, tendo sido obrigado a um par de intervenções importantes na primeira parte. Dost teve a ovação da noite ao entrar após mais dois meses de ausência. Não teve tempo para muito, conseguindo apenas um remate sob pressão e duas ou três intervenções na ligação entre setores. Bruno César estreou-se na temporada e foi colocado no apoio a Dost. Três reforços que, cada qual da sua maneira, poderão acrescentar qualidade nos preenchidos meses de competição que vamos atravessar.



Corpos estranhos - Diaby demorou a entrar o jogo, mas a assistência para o golo de Bruno Fernandes pareceu-lhe dar confiança. Nota-se que Bruno Gaspar ainda não está na mesma página dos jogadores que ocupam terrenos mais próximos, como Coates, Diaby ou Bruno Fernandes. Gudelj raramente acrescenta algo com bola, alternando o alheamento na construção com passes disparatados.

Assobios - 8 minutos de jogo. O-i-t-o. Um passe em profundidade mal medido do Boavista morre nos pés de Renan. O Sporting tenta sair a jogar perante a pressão boavisteira. A bola vai para Mathieu, na esquerda, volta para Renan, que toca para a frente para Battaglia, que deixa em Mathieu, que vira para Coates que, pressionado, volta a dar a Renan, que devolve a Coates, que permite um corte e ganha lançamento. Ouvem-se assobios no estádio porque, aparentemente, há quem ache que a melhor maneira de se sair a jogar perante uma pressão adversária moderada é mandando um chutão para a frente. Junte-se a isso os vários assobios para as temporizações de Nani, que tem demonstrado frequentemente ser o jogador mais esclarecido em campo, os vários assobios para os cantos mal marcados (OK, aqui até compreendo), e os assobios no final porque os jogadores não se aproximaram da curva sul como de costume (depois de lhes terem devolvido as camisolas em Alverca, esperavam o quê?), e percebe-se bem que não é fácil ser-se jogador do Sporting nesta altura. Nunca é, verdade seja dita, mas agora ainda menos.



MVP - Nani

Nota artística - 3

Arbitragem - Carlos Xistra não teve um jogo difícil e soube geri-lo de forma competente.



Exibição e vitória sobre as quais talvez se possa iniciar uma série positiva de jogos. Segue-se a receção ao Estoril para a Taça da Liga na quarta-feira à noite (véspera de feriado) e uma viagem aos Açores para defrontar o surpreendente Santa Clara. É obrigatório ganhar os dois jogos, mas seria importante conseguir as vitórias de forma convincente. É fundamental que os (bons) jogadores que temos recuperem a confiança para voltarem a fazer aquilo de que são capazes. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tudo bem feito

O jogo não foi grande coisa, mas as jogadas que estiveram na origem dos dois golos valem o preço do bilhete. O primeiro pela verticalidade e objetividade da circulação de bola entre Mathieu, Bruno Fernandes, Nani e Raphinha, o segundo pela raça de Acuña e Montero a recuperarem a bola, e a classe do colombiano para desembaraçar do adversário - Raphinha e Jovane fariam (também muito bem) o resto.

Aqui ficam os golos. Vale a pena rever.



domingo, 19 de agosto de 2018

À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo

Costuma dizer-se que quando se mantém determinada fórmula, é irrealista esperar resultados diferentes. A frase nem sempre se pode aplicar ao futebol devido às muitas variáveis que existem (nível do adversário, incidências do jogo, local da partida) mas, no caso de ontem, serviu que nem uma luva. Peseiro apostou num onze muito semelhante ao de Moreira de Cónegos e, mais uma vez, arrancou uma vitória suada apresentando uma qualidade de jogo paupérrima.

Foto: José Cruz / Jornal Sporting




À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo - num jogo tão fraquinho, em que é difícil destacar qualquer exibição individual, a figura tem de ser, inevitavelmente, o jogador que marcou os dois golos. O primeiro num remate venenoso de fora da área, o segundo num cabeceamente fulminante a concluir uma excelente jogada coletiva que envolveu também Acuña, Bruno Fernandes e Jovane. Por falar em Jovane, mais uma vez entrou e não tardou a ser decisivo (mais uma vez). O cruzamento que fez para Nani saiu com o nível de tensão certo para ser só encostar a cabeça e apontar a direção. Mais uma vez, aproveitou muito bem a oportunidade que teve.

Pau para toda a obra - perante os equívocos na formação do onze (ver mais à frente), Mathieu e Coates têm de ser centrais e médios de construção. Em ataque organizado (ok, se calhar organizado é termo que não se aplica) chegaram à área mais vezes do que o par de médios que está estacionado à sua frente. Que se mantenham saudáveis ao longo da época, porque está visto que a sua atitude e compostura serão fundamentais para a equipa.

O ambiente em Alvalade - a assistência foi melhor do que esperava, considerando a queda das vendas de Gameboxes, e não houve episódios relevantes de divisão, o que era sempre um receio justificável sendo o primeiro jogo oficial em casa. Tirando alguns assobios de impaciência em determinados momentos pelo mau futebol praticado, foi uma noite com um excelente ambiente de apoio à equipa.




Equívocos e mais equívocos no onze - temos um miolo (seja com Petrovic, Battaglia ou Misic) que não constrói, sem capacidade de passe e sem capacidade de transportar bola perante um adversário próximo, acabando por ser os centrais a tentar compensar essa lacuna; faltam-nos extremos velozes e desequilibradores, encostando um Nani que pode render muito mais no meio e um Acuña (que está no bom caminho para se transformar no Bruno César do Sporting 2018/19) que muita falta nos faz como lateral; por falar em lateral esquerdo, Jefferson fez mais um jogo pavoroso. Nada que não se tivesse visto na jornada anterior mas, ainda assim, perante o nosso público e um adversário teoricamente inferior, Peseiro decidiu avançar com a mesma abordagem conservadora, que se aceita num jogo como o da próxima jornada, mas é incompreensível em casa contra o V. Setúbal. Mas o pior é que essa abordagem conservadora se enquadra num cenário de anarquia tática em que pouca gente parece saber aquilo que tem para fazer. Ganhámos na semana passada e ganhámos ontem porque temos melhores jogadores. Mas ou as coisas melhoram muito, ou não tardará que comecemos a perder pontos com demasiada frequência. 

O erro de Salin - esteve mal no golo do V. Setúbal, ao largar uma bola fácil que acabaria por ir parar aos pés de Zequinha, complicando um jogo que até tinha começado bem. Será importante que Viviano recupere para o jogo da Luz.

A lesão de Dost - que não seja grave e que regresse rapidamente. Montero não entrou mal (pelo menos ajudou a ligar setores), mas pode ser muito problemático se perdermos o único finalizador que temos no plantel.



MVP - Nani

Nota artística - 2

Arbitragem - Os jogadores não complicaram e Manuel Oliveira também não. Sem erros graves e sem influência no resultado. Fosse sempre assim.



Essencial: seis pontos em seis possíveis. A corrigir ASAP: zero exibições decentes em duas possíveis, contra adversários de nível inferior. Preocupação: visita à Luz na próxima semana; a jogar assim, vamos precisar de ter a mesma sorte que tivemos na época passada... caso contrário arriscamo-nos a passar uma noite muito complicada.