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quarta-feira, 7 de junho de 2017

A venda de Rúben Semedo



O Sporting comunicou há pouco à CMVM a venda de Rúben Semedo ao Villarreal pelo valor fixo de 14 milhões de euros, mantendo ainda direitos de 20% de uma futura transferência.

Para o jogador, é uma saída interessante, visto que o Villarreal é um clube que, nas últimas quatro épocas, conseguiu sempre classificar-se no top-6 da liga espanhola: 6º, 6º, 4º e 5º na época que agora terminou. Conseguindo o jogador adaptar-se com sucesso ao clube, abrem-se boas perspetivas para se obter mais um encaixe interessante numa futura transferência.

Para o Sporting, não tenho a certeza se estamos perante uma boa venda ou uma precipitação. Rúben Semedo cumpriu um ano e meio a jogar com regularidade na equipa principal: os primeiros seis meses foram muito prometedores, a época que agora acaba nem tanto - mas a verdade é que Rúben Semedo esteve longe de ser o único jogador do plantel a ter um rendimento abaixo do esperado.

Há um ano, qualquer sportinguista diria, de caras, que 14 milhões era pouco dinheiro pelo jogador. Tem os recursos técnicos e físicos necessários para ser um central de topo, caso consiga ganhar a consistência que ainda lhe falta. Até por isso acaba por ser uma venda atípica da SAD, pois não fica claro que Rúben Semedo tenha atingido o limite da sua valorização.

Admito que o ambiente azedo que se estabeleceu entre o jogador e parte dos adeptos tenha servido de motivação a que se fechasse rapidamente o negócio possível. A posição negocial do Sporting ficou algo fragilizada a partir do momento em que se percebeu que Rùben Semedo tinha deixado de ter qualquer margem para errar sem se sujeitar a assobiadelas de parte das bancadas.

Outra hipótese é que a SAD tenha planos para contratar um central para ser titular indiscutível ao lado de Coates - o que retiraria espaço a Rúben Semedo, afetando ainda mais a sua valorização para um negócio futuro.

O tempo dirá se se trata ou não de uma boa venda, quer pelo que Rúben fará no Villarreal, quer pelo que o seu substituto fará no Sporting. Mas após 8 anos a representar o clube - com os seus altos e baixos, é certo - só posso desejar que Rúben Semedo tenha todo o sucesso nesta sua nova fase da carreira.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: GRs e Defesas



Rui Patrício: ** 
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***

Depois de uma época memorável, em que esteve em grande nível no clube e se sagrou campeão europeu com a seleção - que lhe valeu o reconhecimento internacional e menções nos mais prestigiados prémios -, as expectativas para a época de Rui Patrício eram elevadíssimas. Infelizmente, o guarda-redes não correspondeu ao que dele se esperava. Não que tenha estado ostensivamente mal e custado muitos pontos ao clube - não esteve, e não custou -, mas o Sporting precisava de um guarda-redes que fizesse muito mais defesas impossíveis do que fez, e que valesse muito mais pontos do que valeu. Precisava do Rui Patrício das épocas anteriores. Infelizmente, esse Rui Patrício parece não ter regressado de França.


Beto: **

Regressou a casa treze anos depois da sua saída. Não sei se vinha com expectativas de ser titular perante uma eventual saída de Rui Patrício ou se com o papel de suplente, mas mostrou-se sempre comprometido com o clube, com o grupo de trabalho e, mais importante que isso, esteve sempre à altura das responsabilidades nos 9 jogos em que foi utilizado. Suponho que tenha um salário alto em relação ao que é a média do plantel, mas justifica-se. Enquanto adepto, estive sempre tranquilo quando Rui Patrício não esteve disponível para jogar. Espero que Beto continue por cá.


Azbe Jug: -
2015/16: -

Segunda época no clube, conseguiu em 2016/17 a proeza de ser ainda menos utilizado do que em 2015/16 - na qual fez um jogo para a Taça da Liga. Percebe-se o motivo. Na pré-época mostrou que não tinha nível para defender a baliza do Sporting e, tendo 25 anos, duvido que alguma vez venha a ter. Um problema para a direção resolver neste defeso, pois não faz sentido mantê-lo por cá durante os três anos de contrato que restam.


Ezequiel Schelotto: **
2015/16: **

É um eufemismo dizer que Schelotto não é dos jogadores mais queridos entre a generalidade dos adeptos sportinguistas, mas eu não desgosto do jogador. Schelotto pode não ser um lateral com boa capacidade de decisão, pode ter um aproveitamento pobre nos cruzamentos, mas compensa com a sua disponibilidade física e com a profundidade que dá ao corredor direito. Para além disso, é um jogador fiável defensivamente em situações de 1 contra 1 (estatisticamente, é o lateral do Sporting que menos dribles permitiu). As suas características pedem, à sua frente, um jogador mais com as características de João Mário do que com as de um Gelson Martins, e acabou, a meu ver, por sair prejudicado por isso. Ainda assim, foi o 2º jogador do Sporting com mais assistências no campeonato: 5.


João Pereira: **
2015/16: **

Para mim, foi um dos mistérios da época. Começou muito bem a época mas, sem que nada o fizesse prever, perdeu a titularidade para Schelotto. A partir daí, foi jogando a espaços, mas quase sempre a bom nível. De tal forma que, nas competições internas, o primeiro jogo que o Sporting não ganhou com João Pereira em campo foi... na Luz, à 13ª jornada. Até esse momento, João Pereira tinha sido utilizado em 9 jogos e festejado 9 vitórias. Nas competições europeias a conversa foi diferente: em Madrid acabou por ficar indiretamente ligado ao golo da derrota, e em Alvalade foi expulso. De qualquer forma, fez uma boa metade de época que viria a ser interrompida com a sua transferência para a Turquia, que se pode compreender face à necessidade de reduzir custos após a queda de todos os objetivos - e falamos de um jogador que, na altura, já tinha 32 anos. Desta época, guardarei na memória aquele corte oportuníssimo na área a Adrián no final do Sporting - Porto, que poderá ter valido a vitória nessa partida.


Ricardo Esgaio: * 
2015/16: *
2014/15: *

Utilizado em 14 partidas na equipa principal, Esgaio não conseguiu, mais uma vez, mostrar atributos que justifiquem maiores oportunidades. É verdade que a sua utilização foi inconstante - o que nunca ajuda à afirmação de um jogador -, mas não me lembro de ter ficado convencido, em qualquer um desses jogos, de que pode estar ali material para ser explorado com maior insistência. A polivalência de Esgaio pode ser útil em várias ocasiões, mas não me parece que alguma vez venha a ser mais do que isto num plantel de um clube como o Sporting.


Jefferson: *
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Quarta época em Alvalade, que provavelmente terá sido a última. A crua realidade é que Jefferson tem tido um rendimento fraquíssimo nos últimos dois anos e meio. Tem sido uma sombra do jogador que era uma ameaça nos cruzamentos e bolas paradas. Defensivamente comprometeu com frequência, ofensivamente raramente acertou um cruzamento. Nos últimos dois jogos desta época (contra Feirense e Chaves) voltou a demonstrar alguma raça e confiança, mas esse breve cintilar vem tarde demais para justificar mais um ano por cá. Agora que já tem o passaporte português, está na altura de procurar outro clube.


Marvin Zeegelaar: *
2015/16: *


Época irregular. Esteve razoável na primeira metade, relativamente certo a defender e inócuo a atacar. Em dezembro saiu da equipa e tardou em reencontrar-se, pois é um jogador que aparenta precisar, mais do que a maioria, de muitos jogos seguidos para ganhar confiança e tornar-se um jogador útil - o que é insuficiente para um titular de uma equipa que ambiciona lutar pelo título. Gostaria de dizer que poderia ser uma alternativa de banco para uma eventual contratação, mas está visto que não tem características psicológicas para esse papel - entraria sempre muito receoso sempre que fosse chamado.


Sebastián Coates: ***
2015/16: ***

No meio do descalabro que foi a defesa do Sporting ao longo desta época, Coates foi o único jogador que esteve ao seu melhor nível. Um patrão a quem faltou funcionários em melhor forma.


Rúben Semedo: **
2015/16: ***

Época algo irregular em que pareceu regredir em relação ao final da época passada. Cometeu demasiados erros, alguns dos quais foram castigados com golos dos adversários. Esses erros parecem mais fruto de desconcentração do que de falta de confiança - aliás, confiança é algo que lhe parece não faltar, até a tem em demasia. Também não ajudou a instabilidade que havia na posição de lateral esquerdo, obrigando-o a atenção redobrada. Os atributos físicos e técnicos dão-lhe condições para ser um central de topo, mas é necessário que a cabeça os acompanhe nesse desígnio. Veremos se a próxima época será a da sua afirmação em definitivo.


Paulo Oliveira: **
2015/16: **
2014/15: ***

Foi utilizado de forma intermitente, mas teve uma época ao nível do que se espera de Paulo Oliveira: um jogador capaz de resolver 90% das situações de forma eficiente e expedita, mas a quem faltam argumentos físicos e técnicos para resolver os restantes 10%. Parece-me um excelente terceiro central para o plantel, espero que continue.


Douglas: *

Considerando a sua experiência e o facto de ser um fetiche de Jesus, esperava-se que se adaptasse rapidamente ao sistema de jogo do Sporting e não tardasse a entrar nas contas da titularidade. Não só tardou, como não convenceu nas oportunidades de que dispôs. Neste caso não se pode ter o mesmo nível de tolerância que se dá a jogadores jovens e baratos, pois Douglas não é nem uma coisa nem outra. Com a entrada de André Pinto no plantel, deixa de haver espaço para o brasileiro.

domingo, 19 de março de 2017

Valeu pelo bis Dost

Jesus fez algumas mexidas em relação à partida anterior, mas a ideia parecia ser dar continuidade ao jogo de Tondela. Alan Ruiz regressou ao onze, como se esperava, saindo Podence. Matheus manteve-se na esquerda, com Bryan a continuar no miolo e Rúben Semedo a recuperar a titularidade perdida para Paulo Oliveira.

Infelizmente, a dinâmica de jogo esteve longe daquela a que pudemos assistir na semana passada. O Sporting foi menos agressivo na frente, teve dificuldades em encadear movimentos de ataque consequentes e, sobretudo, esteve desesperantemente mal no momento de servir os seus homens mais adiantados. O que nos valeu hoje - e que tem sido uma regra ao longo da época - é que temos lá na frente um jogador que faz por aproveitar todas as migalhinhas de oportunidades que lhe põem no prato.




Dost, quem mais? - mais uma incrível demonstração de eficácia finalizadora do bombardeiro holandês que o Sporting contratou esta época. Marcou dois golos, e nem se pode dizer que tenha tido duas oportunidades para marcar. Quando muito, foi uma oportunidade e meia, porque aquele segundo golo nem se pode considerar uma oportunidade por inteiro: a bola andava por ali na área, com dois defesas a resguardá-la, e, de um ângulo improvável, Dost arranjou forma de transformar aquilo num golo, sem que três quartos do estádio se apercebesse como. Se Churchill visse esta época do holandês, diria que Dost marcaria golos até das praias, marcaria das pistas de aterragem, marcaria dos campos e marcaria das ruas de qualquer cidade, marcaria das colinas; nunca deixaria de marcar.

Concentração defensiva - se o jogo foi muito fraco, deveu-se sobretudo ao dia desinspirado que os jogadores do Sporting tiveram na construção de lances ofensivos, mas também contribuiu para a monotonia a ausência de lances de verdadeiro perigo na baliza de Rui Patrício. E isso deveu-se à boa prestação da linha defensiva. Rúben Semedo voltou e esteve intransponível, Coates teve a eficiência do costume, e desta vez os centrais tiveram o precioso apoio de Marvin Zeegelaar: o holandês teve algumas intervenções defensivas fundamentais, para além de ter estado sempre agressivo (no bom sentido) nos duelos em que participou. Está a fazer-lhe bem jogar com regularidade.  

Horário do jogo - finalmente voltaram as tardes de futebol em Alvalade, e o público correspondeu. Boa casa, com muita miudagem nas bancadas, que merecia ter visto futebol de melhor qualidade.



Qualidade do futebol praticado - a primeira parte do Sporting foi aceitável. Houve algumas fases em que a equipa conseguiu meter alguma velocidade no jogo, causar desequilíbrios, mas o momento de definição foi trágico. Gelson é a melhor imagem daquilo que tem sido a qualidade de jogo do Sporting: boas ideias para arranjar espaço e chegar-se à área com perigo, mas depois, no momento de se decidir pelo último passe ou pelo remate, acaba por não sair nem uma coisa nem outra. Gelson, em má forma, exaspera-me. Em boa forma, ou seja, sendo capaz de meter 3 ou 4 bons passes para finalização, passa a parecer-me um predestinado. Diria o mesmo da qualidade de jogo do Sporting se começássemos a materializar em jogadas de perigo uma maior percentagem das nossas iniciativas ofensivas: se calhar daria para estarmos perto do nível da época passada, mas assim é apenas exasperante. Se na primeira parte a equipa pareceu tentar jogar bem mas não o conseguiu, na segunda parte nem sequer tentou. Os segundos 45 minutos foram entediantes, podendo o público presente no estádio agradecer à Liga o facto de ter marcado o jogo para as 18h15 - se tivesse começado às 20h30, seria difícil resistir a uma soneca durante a segunda parte.



Valeu pelos três pontos e pelo Bis Dost -- ou melhor, pelo bis de Dost, que, pelo menos até ao jogo de logo do Barcelona, lidera isolado a tabela da Bota de Ouro europeia. Não será fácil essa corrida - a equipa podia ajudar muito mais -, e não sendo grande objetivo considerando as aspirações que tínhamos no início da época, é a única coisa palpável que neste momento sobra para alcançar... vamos a isso?

domingo, 27 de novembro de 2016

Uma vitória para acabar com traumas recentes

Depois do afastamento da Liga dos Campeões, e face à desvantagem pontual para o Benfica no campeonato, era absolutamente imperioso que o Sporting saísse do Bessa com os três pontos no bolso. A tarefa era tudo menos fácil: num campo complicado (onde, há um ano, perdemos dois pontos), contra uma equipa muito batalhadora (apesar de muito desfalcada), que tentou desgastar o Sporting, desde o início, através de uma pressão intensa, de forma a tentar tirar proveito da ressaca do esforço dispendido contra o Real Madrid.

Convém não esquecer que o Boavista - que é sobretudo vista como uma equipa de pinos caceteiros -, estava, à partida para esta jornada, na metade de cima da classificação, já não perdia há 5 jogos (quando se deslocou ao Dragão), e é orientada por um bom treinador, Miguel Leal.

O Sporting soube impor-se desde cedo, foi a única equipa que causou perigo, e poderia ter vencido confortavelmente caso a eficácia na finalização tivesse sido superior. O único período de maior preocupação veio com a (incorreta, a meu ver) expulsão de Rúben Semedo, aos 83', mas o Sporting soube, então, adaptar-se às circunstâncias - revelando uma faceta que ainda não tinha demonstrado esta época: soube ser uma equipa cínica, usando, para variar, o antijogo em seu favor.

Uma vitória duplamente importante: pelos pontos conquistados, obviamente, mas também porque a equipa estava a precisar de ganhar um jogo em que fosse obrigada a sofrer até ao fim - para ajudá-la a ultrapassar traumas recentes de golos sofridos ao cair do pano.





A linha avançada, na primeira parte - Jesus optou (finalmente) por colocar Campbell no apoio a Dost, com Bruno César encostado à esquerda e Gelson a semear o caos pela direita. Foi uma aposta ganha, o que não é uma propriamente uma surpresa: estes quatro elementos têm demonstrado ser os melhores da equipa para cada uma destas posições. A mobilidade desta linha complicou as tentativas de marcação do Boavista, e, a partir dos 15 minutos, o domínio sportinguista foi avassalador, sucedendo-se as oportunidades e adivinhando-se o golo, que acabaria, finalmente, por surgir aos 25', após uma grande jogada de Gelson para uma bela finalização de Bas Dost. Já antes Dost tinha atirado ao poste, após bom entendimento com Campbell, e Gelson (que exibição!) tinha falhado o golo, na cara de Agayev, após grande passe de Dost. É verdade que, na segunda parte, o rendimento ofensivo caiu um pouco e as oportunidades foram mais espaçadas - destacando-se mais um grande trabalho de Gelson a servir Bruno César, para um remate à barra -, mas creio que Jesus encontrou finalmente o melhor onze.

Um Adrien para 90+90 minutos - pode-se perceber agora que, até à lesão, estávamos perante um Adrien a 70% da sua capacidade física. A paragem forçada pela lesão contraída em Guimarães permitiu uma intervenção cirúrgica para resolver um outro problema que o impedia de estar a 100% - eram notórias as dificuldades a partir dos 60 minutos, obrigando a uma gestão cuidadosa de esforço -, e, nesta semana, o capitão teve uma prova de fogo, que superou plenamente: foram 90 minutos de intensidade máxima frente ao Real Madrid, e, quatro dias depois, novos 90 minutos de grande qualidade, sobretudo defensiva. Se o Boavista não criou qualquer perigo em lances de contra-ataque, deve-se muito à rapidez com que Adrien cortou muitas dessas iniciativas. Justiça seja feita, ajudou o facto de estar acompanhado por um grande William Carvalho, que também fez uma excelente exibição.

Uma vitória para dar confiança - é evidente que teria sido melhor vencer por 3 ou 4, caso tivéssemos concretizado as ocasiões flagrantes de que dispusemos, mas também estávamos necessitados de ganhar um jogo apertado e em condições adversas, para ajudar a ultrapassar os resultados que deixámos escapar nos últimos minutos contra o Real Madrid (por duas vezes) e V. Guimarães. Perante a contrariadade da expulsão de Semedo, a equipa manteve-se tranquila e lúcida, como se pôde comprovar pela... (avancemos para o próximo ponto)

Excelente gestão dos últimos minutos - depois de Rúben Semedo ter sido expulso, o Sporting praticamente não permitiu que se jogasse mais. Não é bonito de se ver, mas a equipa fez aquilo que tinha a fazer, perante uma vantagem tangencial no marcador e a desvantagem numérica a que ficou sujeita para os últimos dez minutos de jogo. Rúben adiou o mais possível a saída de campo - o suficiente para que Paulo Oliveira pudesse entrar ainda antes da marcação do livre -, tivemos as clássicas câimbras do guarda-redes, demora na reposição da bola em jogo, e aproveitaram-se todas as oportunidades em posse para conduzir a bola para junta das bandeirolas de canto opostas à baliza de Rui Patrício e mantê-la lá tanto tempo quanto possível. Neste departamento, estiveram particularmente bem Marvin Zeegelaar e Bryan Ruiz, que queimaram metade dos cinco minutos de descontos em sucessivos cantos e lançamentos laterais. Fazia falta esta ratice. A repetir sempre que se registarem circunstâncias idênticas.

Last, but not the least - mais atrás, de registar o bom jogo de Coates (o que é um hábito) e de Marvin Zeegelaar. Em relação ao holandês, parece estar a recuperar a confiança perdida. Já tinha feito uma boa exibição contra o Real, e repetiu-a hoje. A insistência de Jesus no holandês parece estar, finalmente, a dar frutos.



"Pôs-se a jeito", o #@$%*& - foi muito ouvido por aí, no rescaldo do jogo com Real Madrid: o João Pereira não fez nada, mas pôs-se a jeito. E já adivinho que, com Rúben Semedo, muita gente volte a ter a mesma opinião - "não acertou no outro, mas já tinha amarelo, pôs-se a jeito". Lamento, mas não estou de acordo. Rúben Semedo entra de forma impetuosa, sim, mas em momento algum coloca em risco a integridade física do adversário, que não estava assim tão próximo. Pôr-se a jeito é quando se faz efetivamente algo que justifique a punição, porque os árbitros estão lá para fazer cumprir as leis. Jogo perigoso, sim, mas apenas isso. Quando um jogador não faz nada que justifique um cartão, não se está a pôr a jeito, está a... jogar. Aos 3', Carlos Santos cortou um ataque mais que prometedor com um pisão perigoso no calcanhar de Gelson (até o descalçou):



Carlos Santos "pôs-se a jeito" para jogar 87 minutos sem margem para se "pôr a jeito" outra vez, mas, para sua felicidade, Fábio Veríssimo não viu aqui qualquer motivo para cartão. Carlos Santos, que, por acaso, acabaria por ver mesmo um amarelo aos 30 minutos. O que aconteceu com Rúben Semedo não foi uma questão de "se pôr a jeito", foi apenas um caso evidente de dualidade de critérios (e existiram vários, durante os 90 minutos).



Missão cumprida, com o bónus adicional de ter valido o segundo lugar isolado, já que, de seguida, o Porto empataria em Belém. O ciclo infernal continua já esta quarta-feira, num jogo em Alvalade - que se prevê quentinho -, para a Taça da Liga, contra o Arouca.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Um filme já visto

A receção ao Real Madrid foi uma reprodução fiel daquilo que tem sido a prestação do Sporting na edição deste ano da Champions: a equipa foi competente e combativa, e jogou, na esmagadora maioria do tempo, de igual para igual contra um adversário temível, mas faltou, em determinados momentos decisivos, o killer instinct e/ou serenidade que poderiam ter ajudado a escrever um final mais feliz do que o que se registou.

No entanto, não tenho nada a apontar a Jesus e aos jogadores: a equipa jogou de forma ambiciosa e construiu (mais uma vez) o suficiente para alcançar um resultado melhor. Não o conseguimos por algumas falhas próprias, é certo, mas também porque o árbitro não ajudou, e porque defrontávamos aquela que é, simplesmente, a melhor equipa do mundo - atual campeão europeu e líder destacado da liga espanhola -, que veio a Alvalade com a consciência de que um mau resultado lhe poderia causar grande incómodo.

Foto: @BryandeBrito_04



A dupla de centrais - frente a jogadores a quem não se podia dar um milímetro de espaço, Coates e Semedo não facilitaram e realizaram uma exibição de grande qualidade. Só não foi perfeita por causa do golo de Benzema, numa jogada em que o francês conseguiu fugir à marcação de Coates para cabecear para o fundo das redes de Rui Patrício. Mas, convenhamos, não sei quantos centrais no mundo conseguiriam evitar este golo: o cruzamento, a desmarcação e a finalização foram perfeitos.

A diferença de ter Adrien - não fez uma exibição imaculada, com uma ou outra perda de bola em locais complicados, mas é fácil perceber tudo aquilo que acrescenta ao coletivo com a sua presença tentacular e a sua raça. Converteu, de forma exemplar, o penálti que igualou a partida, e foi buscar a bola ao fundo das redes porque ainda queria ganhar o jogo. Mais uma grande exibição de um verdadeiro líder. 

O ambiente em Alvalade - estiveram presentes 50.046 espectadores - um recorde de assistência no novo Estádio José Alvalade -, que não se pouparam no apoio à equipa, do princípio ao fim. Grande, grande ambiente.



Killer instinct precisa-se - tem sido um problema nesta época e ontem voltou a sê-lo. Chamem-lhe falta de capacidade técnica, excesso de ansiedade, vontade em complicar ou, simplesmente, azar, mas voltámos a dispor de oportunidades suficientes para conseguir um resultado melhor. Não vale a pena estar a particularizar, porque são vários os jogadores que teimam em não tomar as melhores decisões quando as grandes oportunidades aparecem. Se já nos tem causado amargos de boca contra equipas teoricamente mais fracas, é evidente que, a este nível, tem tudo para ser fatal. E foi mesmo.

A expulsão de João Pereira - depois de ver várias vezes a repetição, continuo a não perceber o que viu a equipa de arbitragem para expulsar o lateral português. Um amarelo para cada lado seria aceitável, apesar de a coisa se poder resolver com um aviso. Um amarelo para um e um vermelho para outro, não só é incompreensível, como também poderá ter sido decisivo para o desfecho final da partida. Infelizmente, é uma situação que o Sporting conhece demasiado bem, face ao que se tem passado nas nossas recentes participações na Liga dos Campeões.



Na última jornada, o Sporting lutará com o Legia pela vaga que dá acesso à Liga Europa. Obviamente que, apesar do ambiente hostil que nos espera, temos obrigação de sair da Polónia com uma vitória. O facto de ser um jogo que se disputará em vésperas de dérbi não ajuda, é certo, mas não poderão existir poupanças. São dois jogos em que o Sporting terá, obrigatoriamente, de fazer tudo para vencer. Até lá, não há motivos para depressões: contra adversários de top mundial - excetuando a primeira parte com o Dortmund em Alvalade - a equipa tem feito excelentes exibições e demonstrado muita qualidade. Agora é tempo de mudar o chip para o jogo com o Boavista.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A hora de Gelson


Fernando Santos convocou Gelson Martins para o duplo compromisso frente à Andorra e Ilhas Faroé. Um reconhecimento inteiramente merecido face ao que tem sido este arranque de época do jovem extremo. De negativo, regista-se a não convocatória de Rúben Semedo. O selecionador chamou apenas três centrais (o que se compreende, em função do nível dos adversários), mas continua a desperdiçar oportunidades para ir renovando um setor extremamente envelhecido (José Fonte tem 32 anos - faz 33 em dezembro; Pepe tem 33; Bruno Alves tem 34 - faz 35 em novembro). Se não o faz em jogos de dificuldade reduzida, quando o fará?

Aos quatro jogadores do Sporting convocados para a seleção principal - Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins -, juntam-se mais seis nos sub-21: Domingos Duarte, Rúben Semedo, Tobias Figueiredo, Francisco Geraldes, Pedro Empis e Daniel Podence. De destacar a chamada de Pedro Empis, sénior de primeiro ano que tem sido o lateral esquerdo titular do Sporting B, o que demonstra que Rui Jorge está atento à qualidade que tem à sua disposição.

A convocatória foi a seguinte:

Guarda-redes: André Moreira, Bruno Varela e Miguel Silva

Defesas: Domingos Duarte, Edgar Ié, Fernando Fonseca, Pedro Rebocho, Rúben Semedo, Simão Azevedo e Tobias Figueiredo

Médios: André Horta, Bruno Fernandes, Francisco Geraldes, João Carvalho, João Teixeira, Pedro Empis, Rony Lopes e Rúben Neves

Avançados: Bruma, Daniel Podence, Diogo Jota, Gonçalo Guedes e Ricardo Horta

No total das duas convocatórias, há 19 jogadores formados no Sporting: 11 na seleção A e 8 nos sub-21.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Obrigação cumprida sem brilhantismo

Num jogo em que era obrigatório ganhar para não comprometer o objetivo de acabar a fase de grupos nos dois primeiros lugares, Jorge Jesus escalou um onze surpreendentemente conservador: a colocação de Bruno César como segundo avançado (quando se esperava André) e de Bryan Ruiz como médio ala esquerdo (em vez de um extremo mais explosivo) foram uma demonstração clara de respeito por parte do técnico pela equipa polaca, como quase se de um Real Madrid se tratasse. Olhando agora em perspetiva para o que se passou durante os 90 minutos, houve, claramente, respeito a mais. A diferença de nível entre as duas equipas é abissal, e cedo se percebeu que a história do jogo ficaria definida assim que se metesse a primeira batata lá dentro.

Indo para o intervalo com uma vantagem confortável, a equipa regressou para a segunda parte parecendo um pouco indecisa entre se deveria carregar para marcar um terceiro golo e acabar com todas as dúvidas em definitivo, ou se haveria de tirar o pé do acelerador já a pensar em Guimarães. Excetuando cerca de dez minutos em que se viu ainda alguma vontade de incomodar o guarda-redes polaco, a segunda opção pareceu recolher a preferência da maior parte dos jogadores. Os segundos quarenta e cinco minutos foram, genericamente, penosos de assistir, face ao enorme zelo demonstrado na gestão do esforço que, por várias vezes, se confundiu perigosamente com displicência. 





A primeira parte - o arranque do Sporting na partida foi um pouco aos solavancos. A equipa revelou dificuldades em contornar a pressão polaca, encabeçada pelo incómodo Nikolic, e em ligar jogo entre setores. Nesses primeiros dez minutos, o Legia conseguiu algum ascendente territorial, mas assim que o motor (leia-se William Carvalho e Adrien Silva) começou a carburar, o jogo passou a ter um único sentido. O Sporting foi, progressivamente, encostando o Legia à sua área e não deu tréguas até o resultado estar em 2-0. Pelo meio, as oportunidades desperdiçadas foram suficientes para se chegar ao intervalo a golear, com destaque para um remate de Gelson à barra com a baliza aberta.

Mais um golo de Dost - marcou hoje o seu quinto golo, em apenas cinco jogos. Enorme mérito do holandês na forma como está a fazer esquecer Slimani, apesar de ser ainda evidente, em determinados momentos, alguma falta de entendimento com os restantes colegas. Essa falta de entendimento é natural, visto que Bas Dost chegou ao clube há menos de um mês, mas os atributos individuais que já exibiu - começando pela eficácia na finalização - deixam poucas dúvidas em como o Sporting acertou em cheio na substituição do argelino.

A/C Fernando Santos - o selecionador esteve presente em Alvalade, e não lhe terá passado despercebida a boa exibição de Rúben Semedo. Intransponível quer pelo chão quer pelo ar, e tremendamente eficaz na resolução das várias situações de 1x1 em que esteve envolvido.





Gerir esforço não pode ser sinónimo de facilitar - na fase de grupos da Liga dos Campeões, golear é algo que, sendo agradável, está longe de ser essencial. O goal average só tem importância para o desempate entre duas equipas que terminem com os mesmos pontos e que tenham obtido dois resultados idênticos nos jogos entre si. Ou seja, é muito pouco provável que a goleada de 6-0 que o Dortmund alcançou na Polónia venha a ter mais influência no desfecho final do grupo do que se tivesse acabado 1-0. Por isso, sabendo que há daqui a quatro dias um jogo em Guimarães que se adivinha complicadíssimo, compreendo a desaceleração que a equipa registou na segunda parte, mas os índices de concentração atingiram níveis pouco recomendáveis. O resultado desse relaxamento foram várias perdas de bola desnecessárias e faltas cometidas em locais proibidos, que acabaram por ser uma espécie de convite para os polacos - que pareciam mais interessados em deixar passar o tempo e em não levar novo cabaz para casa - procurarem o golo que reabriria a discussão da partida. E, verdade seja dita, só não o conseguiram porque são mesmo uma equipa fraquinha...





A titularidade de Jefferson - esta decisão só se pode explicar pela indisponibilidade de Marvin Zeegelaar, pensando numa eventual recuperação para Guimarães. Jefferson não está em boa forma - algo que começa a ser um problema crónico, pois já se prolonga há dois anos -, e, mais uma vez, não teve uma noite feliz. De qualquer forma, conseguiu ser um pouco mais assertivo nas incursões que fez pelo seu flanco e foi útil nas bolas paradas. Não comprometeu - o que já não é mau -, mas também não foi o suficiente para nos convencer que poderá ser solução para a generalidade da época.

A estreia oficial de Petrovic - entrou numa altura em que o tal relaxamento já dava pistas de descambar no início de uma tragédia à Sporting, e a verdade é que a sua entrada contribuiu para recuperar algum controlo das operações. 



Sem brilhantismo, o fundamental foi alcançado. Três pontos conquistados e 1,5 milhões nos cofres. Seguem-se dois jogos decisivos para o nosso futuro na competição: o duplo embate com o Borussia Dortmund.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Para haver desilusão é preciso ter chegado a existir ilusão

Não é possível deixar de ficar desiludido pela forma como a vitória nos escapou nos minutos finais, mas a verdade é que essa desilusão só existe porque o Sporting conseguiu, perante o campeão europeu, no seu terreno, criar uma ilusão tão real quanto as ilusões podem ser, de que podia voltar de Madrid com os três pontos na mala. Se me tivessem dito, antes do jogo começar, que o resultado ficaria em 2-1, a minha reação seria de naturalidade e até de algum alívio, por ser um resultado digno face à diferença teórica de poderio entre as duas equipas. Mas tendo visto o jogo, a forma como decorreu, a capacidade que o Sporting teve de impor a sua estratégia e de fazer valer as suas armas perante um adversário tão poderoso, e, obviamente, o facto de ter mantido a vantagem até poucos minutos do fim, um desfecho que seria encarado à partida com naturalidade acabou por ter um sabor bem amargo.

Na verdade, a única coisa má do jogo de ontem foi o resultado. O resultado é a única coisa que interessa, dir-me-ão, e terei de concordar parcialmente, mas não na totalidade. Não podemos aproveitar em nada este resultado no que toca à competição em causa (continuamos com 0 pontos), mas a exibição é daquelas que ficará na memória e lança bons (ótimos) sentimentos em relação ao que esta equipa poderá fazer - não só a nível nacional, mas até na própria Champions: jogando sempre assim, temos condições para lutar até ao fim pelo apuramento para a próxima fase.



Personalidade, classe e lição bem estudada - durante 70 minutos, o Sporting conseguiu a proeza de controlar o campeão europeu no seu próprio estádio. E conseguiu-o, não por qualquer tipo de facilidades concedidas pelo Real Madrid - tudo bem que não jogavam com a motivação de uma final, mas é um facto que meteram a carne toda no assador -, mas por ter realizado uma exibição coletiva notável que anulou. enquanto foi possível. alguns dos melhores executantes do planeta. Só não deu para os anular numa altura em que as pernas já começavam a falhar e em que o esclarecimento ia desaparecendo, ainda mais contra um Real Madrid que é uma equipa mais que habituada a tirar partido de todos os segundos que o relógio ainda lhe dá. O Atlético Madrid que o diga.

O menino que já não é nenhum menino - a imprensa nacional e o selecionador Fernando Santos bem que podem continuar a ignorar o extraordinário início de época de Gelson Martins, mas seguramente que lá fora ninguém terá ficado indiferente à fabulosa demonstração de talento e maturidade, num dos maiores palcos europeus, deste menino que já não é menino nenhum.

Centrais imperiais - Coates fez um jogo simplesmente monstruoso. Não me lembro de ter perdido um duelo que fosse, incluindo desarmes em zonas de risco extremo a adversários habitualmente letais. Rúben Semedo deu mais um passo de gigante na sua afirmação como dono do lugar. Tirando um par de passes mal medidos ao sair com a bola, teve um jogo também a roçar a perfeição.

Os campeões europeus a puxarem dos galões com a ajuda do X-Factor de Jorge Jesus - impressionante como o meio-campo do Sporting conseguiu anular jogadores como Kroos e Modric. William e Adrien apareceram ao seu melhor nível, muito bem acompanhados por Bruno César, um jogador que se mostra sempre pronto a vestir o fato que o treinador precisa numa dada altura. Adrien acabou por ser substituído, esgotado e com um amarelo, mas, coincidência ou não, foi a partir desse momento em que o Sporting começou a perder o controlo dos acontecimentos.

A onda verde em Madrid - fantástico o apoio vindo das bancadas. Ruidoso, incansável, e sem qualquer tipo de problema ao nível do comportamento dos adeptos no estádio. Exemplar.



Falta de esclarecimento nos últimos minutos - os dois golos do Real acabam por nascer a partir de situações que poderiam ter sido evitadas. A falta de Elias que dá origem ao livre do 1º golo era escusada, e João Pereira poderia ter-se desfeito da bola para longe em vez de se deixar desarmar. No caso do defesa direito, há a atenuante da falta de pernas, perfeitamente normal após um jogo tão desgastante.

A expulsão de Jorge Jesus - Jorge Jesus disse, na flash interview, que se estivesse no banco talvez ajudasse a equipa a não sofrer os golos. Acho que tem razão no que disse: um par de berros bem mandados na altura certa poderia ajudar os jogadores a reencontrarem o foco que faltou. Mas se Jorge Jesus não estava lá, foi porque o próprio se excedeu (mais uma vez). É difícil estar a pedir a um homem com mais de 60 anos que corrija os seus defeitos mas, neste caso, Jorge Jesus deveria mesmo rever o impacto das suas reações e tentar controlá-las de alguma forma.



O (não) festejo de Ronaldo - o seu golo foi um balde de água fria, mas serviu para reafirmar o respeito que tem por quem o ajudou, de forma decisiva, a ser o que é hoje. Fica-lhe sempre bem, e é um gesto que é bastante apreciado do lado de cá.



O resultado foi uma derrota, e de vitórias morais estamos todos fartos. No entanto, não é possível ignorar os sinais de que estamos perante uma enorme equipa que, apesar do que vimos, ainda está em processo de construção. Fundamental agora conseguir mudar o foco para o campeonato. O Estádio dos Arcos não é o Bernabeu, mas pode ser tão ou mais complicado caso o Rio Ave não seja levado tão a sério quanto merece.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Craques a título póstumo

Craques a título póstumo. Não literalmente, obviamente, apenas no sentido figurado, é a última moda no carvão lançado pela máquina de comunicação benfiquista: os jovens jogadores do Sporting só passam a ser bons quando entra no plantel alguém que lhes possa fazer concorrência pelo lugar. Tanto quanto me lembro, o pioneiro desta tendência foi Pedro Guerra, na época passada, falando de Tobias Figueiredo. Enquanto Tobias jogava com frequência, nem um comentário. Quando apareceu Naldo e Tobias foi relegado para 4ª opção, aqui-d'el-rei!, que estão a amputar os sonhos de um jovem talento.

Mas, quer se goste, quer não, Pedro Guerra não esconde os seus interesses nem tem qualquer obrigação profissional de dar opiniões isentas e honestas. No entanto, não se pode dizer o mesmo de outro Guerra, o Fernando, um dos diretores-adjuntos do jornal A Bola, que, na noite do último domingo, conseguiu elevar esta técnica a um novo patamar, ao falar sobre Rúben Semedo:

(obrigado, sapinho!)

Agora que lhe cheira que a titularidade de Rúben Semedo poderá estar em risco pela chegada de Douglas, admite tacitamente que o jovem central já deveria ter sido chamado por Fernando Santos à seleção, e ainda consegue ter a distinta lata de direcionar a responsabilidade dessa não convocatória para Jorge Jesus (um dos ódios de estimação de Fernando Guerra, que já vem do tempo em que era treinador do Benfica), por causa de uma conversa que ele acha que poderá ter acontecido entre o treinador do Sporting e o selecionador nacional. 

Curioso, no entanto, que apesar de Rúben Semedo ser titular do Sporting há oito meses, Fernando Guerra não tenha ainda arranjado oportunidade nos seus espaços de opinião no jornal para o elogiar. Outros há que não precisaram de esperar tanto tempo para terem direito aos elogios do decano jornalista.


P.S.: curiosamente, há uma semana, em pleno período de compromissos das seleções, Fernando Guerra não se lembrou de escrever sobre a injustiça da não convocação de Rúben Semedo, preferindo dedicar a sua meia página das terças-feiras a elogiar Antero Henrique...


... curiosamente, acabado de sair do Porto. O mesmo Antero Henrique que, três anos antes, tinha sido alvo destas simpáticas palavras de Fernando Guerra:


Pois...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O leão mostra que tem um guarda-roupa diversificado

Ainda sem tempo para digerir completamente a saída de João Mário, a generalidade dos sportinguistas virou as agulhas para o jogo de ontem interrogando-se sobre quais as escolhas iria Jorge Jesus fazer contra o Porto, de forma a garantir simultaneamente o equilíbrio coletivo necessário que minimizasse os argumentos de uma equipa que é muito perigosa, e a capacidade de desequilibrar para decidir o jogo a seu favor, que o médio português, agora jogador do Inter, oferecia. Surpreendentemente (pelo menos para mim), retirou Alan Ruiz, desviando o outro Ruiz para o apoio a Slimani, e colocou Bruno César como médio ala, mas com um twist: perante as dificuldades que Ruiz revelou para operar com a marcação de Danilo, Jesus fê-lo trocar de posição com Bruno César após o segundo golo do Sporting. A opção resultou em pleno, e isso ajudou o Sporting a controlar totalmente a partida a partir do momento em que se viu em vantagem no marcador, coisa que, é preciso reconhecer, ainda não tinha conseguido fazer até esse momento.

A verdade é que o jogo não começou bem para o Sporting. O Porto entrou muito bem, autoritário e dinâmico, conseguiu chegar rapidamente à vantagem, ficando numa situação mais confortável para Nuno Espírito Santo e perigosa para o Sporting: o Porto podia oferecer a iniciativa de jogo ao adversário e apostar no contra-ataque. Felizmente, sem que o Sporting tivesse feito muito por isso, o empate e a reviravolta acabaram por não tardar.

Só a partir desse momento é que o Sporting conseguiu controlar efetivamente a partida, dispondo de mais oportunidades que o adversário, e mereceu inteiramente a vitória. Mostrou, também, numa altura em que o tema mais debatido é a falta que poderão fazer os jogadores que estão de saída, que tem ainda no guarda-roupa vários fatos à medida, que poderão ser usados a qualquer momento, em função da ocasião: não só a polivalência de Bruno César, mas também dois laterais que, no final da época passada, eram suplentes, um Bruno Paulista que promete entrar nas contas para esta época, para além de Alan Ruiz e dos últimos reforços que chegaram: Campbell - que já deixou um pouco do seu perfume -, Dost, Castaignos, Meli, André e Douglas.





Robot Semedo - imperial pelo ar, intransponível pelo chão, impressionou pela forma como limpou todos os lances de perigo que ocorriam na sua zona de ação, incluindo um carrinho de alto risco na área para desarmar Herrera. Uma máquina.

Bruno César, o joker - há os motivos que expliquei atrás, e acrescento o empenho que colocou em campo e o livre batido à barra que antecedeu o golo de Slimani. Jesus tem aqui uma carta capaz de desempenhar várias funções de forma extremamente competente: lateral, médio ala e segundo-avançado.


Ominpresente William - fez um jogo monstruoso. Inúmeras recuperações de bola, enorme segurança na condução, e foi melhorando à medida que o relógio foi avançando. A entrada de Paulista permitiu-lhe subir mais vezes no terreno, onde também pareceu muito confortável.

Os laterais - Marvin mostrou, novamente, que é um jogador fiável defensivamente contra equipas mais fortes. Arriscou uma vez ou outra a subida pelo flanco, conseguindo uma exibição positiva. João Pereira passou por mais dificuldades com Otávio, mas no deve e no haver saiu vencedor no duelo. Fez um corte fulcral a Adrián, já nos descontos, que festejei como se fosse um golo.

Gelson decisivo - não teve um jogo propriamente feliz - na linha do que já tinha acontecido em Paços de Ferreira - mas foi, pela terceira vez, decisivo. Marcou um golo e foi fundamental noutro, levando já 1 golo e 2 assistências em 3 jornadas. Apetece-me dar-lhe um raspanete por ter tirado a camisola, mas, que raio!, é apenas um miúdo que tinha acabado de marcar o seu primeiro golo num jogo desta importância, por isso desta vez escapa. Mas que não volte a acontecer.

Mais um para Slimani - um golo na (suposta) despedida de Alvalade, que aconteceu apenas porque tem aquele hábito de nunca deixar de lutar por uma bola que pareça ter o destino ditado. Vendo a repetição, é bem provável que a bola não chegasse a transpor a linha de golo, fosse pelo efeito caprichoso que levava, fosse pela iminente ação de Casillas. Quanto às lágrimas no final, terei que falar sobre isso num post à parte.

O ambiente no estádio - ruidoso, apaixonado e eletrizante. Atmosfera incrível em Alvalade durante toda a partida.



Algum desleixo a sair para o ataque - principalmente na primeira parte, foram demasiadas as ocasiões em que perdemos a bola no nosso meio-campo, oferecendo várias oportunidades de transição ao Porto. É verdade que o Porto ocupava bem os espaços e pressionava em dois terços do terreno, mas não foi por aí, pois muitas dessas perdas não foram forçadas. Coates, Adrien e Gelson foram os maiores prevaricadores.

A @$%*! dos olés - considerando o nosso passado recente no panorama dos olés-prematuros-que-antecederam-baldes-de-água-gelada-em-clássicos, seria de esperar QUE NÃO O VOLTÁSSEMOS A FAZER A POUCOS MINUTOS DO FIM, ESTANDO A VENCER APENAS POR UM GOLO. É certo que foi uma troca de bola deliciosa - que nem apreciei devidamente por estar a antever mais um golo de Jardel no último minuto, mesmo não estando Jardel em campo -, mas vamos lá parar com isto. Nestas coisas não devemos facilitar... na época passada, nas únicas vezes em que se experimentou a hola mexicana (com resultados em 5-0 e 3-0), conseguimos a proeza de sofrer golos nesse preciso momento. Ah, e tal, a festa nas bancadas é bonita, mas, se faz favor, não voltemos a arriscar em circunstâncias destas. 



A opção Paulista - mais uma vez, Jesus apostou no brasileiro, mas agora deu-lhe mais tempo de jogo. Entrou aos 68' para o lugar de Ruiz para dar maior consistência ao meio-campo. Belo jogo, excelentes apontamentos - visão de jogo, velocidade e raça -, e a ideia de que está aqui uma excelente solução para o meio-campo para a época.

A estreia de Campbell - bons pormenores técnicos, mas ainda se nota (naturalmente) alguma falta de ligação ao resto dos colegas. Excelente o trabalho a segurar a bola junto à bandeirola de canto, perto do final - foi muito útil para fazer correr o relógio.

A arbitragem - foi contestada a arbitragem de Tiago Martins, sobretudo pelos lances dos dois golos - muito protestados por Casillas. Boas decisões em ambos os casos: no primeiro golo, Gelson domina com o peito; no segundo golo, a bola bate efetivamente no braço de Bryan Ruiz, mas o costa-riquenho tem o braço encostado ao corpo e não tem forma de evitar o alívio à queima de Marcano. Gostava de saber, no entanto, se Jorge Jesus é o único treinador da Liga que manda bocas aos árbitros durante os jogos.



Foi o melhor tónico possível para combater a depressão gerada pela saída de João Mário e Slimani. Continua a haver muita qualidade no plantel, e as últimas contratações levam a crer que a quantidade e qualidade de opções à disposição de Jesus lhe poderão causar boas dores de cabeça. Agora é aproveitar a pausa para as seleções para começar a integrar os recém-chegados, com aquela tranquilidade de alma que só uma liderança isolada consegue dar.

domingo, 21 de agosto de 2016

À falta de nota artística, saber sofrer é uma enorme virtude

Numa partida que se adivinhava difícil, o Sporting apresentou-se na Mata Real com Slimani na frente, mas sem João Mário no apoio.

Gelson foi o jogador escolhido por Jorge Jesus para ocupar a ala direita, mas o corredor direito foi menos dinâmico do que é habitual e a maior parte dos lances de perigo acabou por surgir pelo lado oposto. Mas estranho seria se não se notasse a falta de um enorme jogador que foi titular do Sporting nos últimos dois anos, e logo contra um adversário complicado no seu estádio. Essa falta irá continuar a sentir-se, naturalmente, mas a expetativa é que a equipa vá encontrando, gradualmente, novas soluções em função das características dos jogadores que ficam. E, justiça seja feita, Gelson acabou por ser um dos jogadores decisivos na partida de ontem.

A primeira parte foi de domínio quase absoluto do Sporting, mas sem que isso se traduzisse numa grande quantidade de oportunidades para marcar. Alan Ruiz e Slimani obrigaram Defendi a aplicar-se por três vezes, mas as redes acabaram por ser agitadas perto do intervalo, quando o Sporting desenhou uma jogada perfeita: Slimani recupera na linha de fundo uma bola que parecia perdida, metendo-a em Bruno César, que cruzou para o segundo poste onde estava Gelson. O extremo amorteceu para Adrien, que concluiu a jogada à meia-volta com um remate de belo efeito.

A segunda parte recomeçou com o Sporting a carregar na tentativa de obter o golo da tranquilidade. O esférico andou muito próximo da baliza do Paços, mas o domínio registado voltou a não se traduzir em grande chances de golo. Carlos Pinto conseguiu virar o sentido da partida colocando Ivo Rodrigues e Cícero, e nos últimos 15 minutos já se viu muito mais bola junto à área do Sporting, culminando numa ocasião em que Cícero apareceu isolado perante Rui Patrício, mas que Coates limpou de forma imperial. De resto, apesar das tentativas pacenses, não existiu qualquer outro lance que causasse calafrios aos inúmeros sportinguistas presentes. 

Não houve nota artística elevada, mas no último quarto de hora viu-se uma outra coisa que, na falta disso, e em situações de vantagens mínimas, dá tanto ou mais jeito: saber sofrer.



O melhor Adrien - já se sabe que o CM é o CM, mas suponho que a exibição de ontem tenha convencido aqueles quem possam ter ficado na dúvida sobre se existe alguma veracidade na notícia da capa de sábado, que dizia que o capitão quer sair do Sporting. Adrien está feliz no Sporting, e voltou, à semelhança do fim-de-semana passado, a ser o melhor em campo. Batalhador, com várias iniciativas individuais a empurrar a equipa para a frente (sobretudo na primeira parte) e um golo que valeu três pontos.

Dupla de betão - fica mal falar de betão para descrever algo sólido na capital do móvel, mas tivemos uma exibição de grande nível dos dois centrais. Imperiais no jogo aéreo e muito eficientes no controlo das investidas dos adversários, não deixaram que o Paços dispusesse de uma única oportunidade que fosse dentro da área (com exceção de uma em que houve um fora-de-jogo não assinalado, e que obrigou Patrício a jogar-se aos pés de um adversário para agarrar a bola). Na única vez em que a dupla não matou o perigo à nascença, Cícero conseguiu desmarcar-se de Coates no limite do fora-de-jogo, mas o uruguaio recuperou em tempo útil e fez um enorme corte na hora H.

Segunda assistência de Gelson - ainda não está no ponto em termos de capacidade de decidir o que fazer com a bola no momento certo, mas, à semelhança do que aconteceu com o Marítimo, foi crescendo no jogo à medida que o tempo foi passando e fez uma assistência para golo.

A Onda Verde - invadiu Paços de Ferreira, praticamente esgotando a lotação do estádio. Jogando em casa, a tarefa fica muito mais fácil para os nossos rapazes.

O estádio do Paços - numa liga em que ainda abundam relvados de má qualidade, é de louvar o esforço feito pelo Paços de Ferreira em melhorar as condições do seu estádio. Novas torres de iluminação, nova bancada em construção e um excelente relvado. Fosse sempre assim.




Inteligência na gestão dos últimos minutos - o Sporting é uma equipa mais madura neste aspeto do jogo do que há dois anos, mas ontem poderia ter feito um melhor trabalho. Lembro-me, particularmente, de Bruno Paulista ter decidido fazer um cruzamento para Slimani, aos 90'+1, onde estavam 4 defesas do Paços contra 2 avançados nossos, e sem que houvesse alguém à entrada da área para disputar uma segunda bola. Resultado: o cruzamento saiu curto e oferecemos uma bola ao adversário, em vez de manter a posse e deixar correr o tempo para esgotar os dois minutos que faltavam.

Uma tendência que já se via na época passada - todos sabem que Hugo Miguel é um árbitro permissivo. Não surpreende que nunca tenha agido disciplinarmente perante a sucessão de entradas duras de jogadores do Paços. E também não surpreende ninguém que, à primeira oportunidade, tenha mostrado um amarelo a William por uma suposta interrupção de ataque prometedor, quando, na realidade, William nem sequer tocou no adversário. Ou seja, ficámos com o médio defensivo condicionado durante mais de metade do jogo. Regressou aquela tendência que andou muito na moda na época anterior: os árbitros vão mantendo os amarelos no bolso, mas só até ao momento em que um jogador do Sporting faça uma falta merecedora de cartão.



Patrício entre os centrais - já tinha acontecido contra o Marítimo, mas ontem foi mais frequente ver Rui Patrício avançar para o meio dos centrais no início de construção. Já todos nos tínhamos apercebido que existe um maior à-vontade do guarda-redes em jogar com os pés, e Jesus parece querer tirar partido disso. Dispensando William dessas funções, é mais uma linha de passe potencial que se abre nas saídas para o ataque. Vamos ver se é para continuar.



Vitória difícil, como é típico em Paços de Ferreira, mas importantíssima em vésperas de clássico. Fica o desejo de que os dossiers de João Mário e Campbell se resolvam rapidamente para não condicionarem a preparação do jogo com o Porto.

domingo, 5 de junho de 2016

Holidays

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os melhores momentos do Braga - Sporting

A despedida do campeonato foi selada com mais uma enorme exibição. Ruiz, William, Gelson, Slimani e João Mário abriram o livro, bem secundados pelo resto da equipa. Aqui ficam alguns dos melhores momentos do jogo de ontem.


Gostava de destacar, no entanto, o lance do segundo golo. Nasce de uma jogada em que participaram todos os jogadores do Sporting, com exceção de Rui Patrício: 

João Mário (1) - Semedo (2) - Paulo Oliveira (3) - Semedo - João Mário - Ruiz (4) - Bruno César (5) - Ruiz - João Mário - Teo (6) - William (7) - Gelson (8) - Schelotto (9) - William - Slimani (10) - Semedo - Ruiz - Bruno César - Slimani

42 pacientes segundos de trocas de bola, no meio-campo do Braga, até se encontrar o ponto certo por onde perfurar a defesa adversária. Uma maravilha.



Nunca mais é agosto.

domingo, 8 de maio de 2016

O melhor bocado foi mesmo guardado para o fim

Foi com mais uma grande exibição e num ambiente de plena comunhão entre equipa e bancadas, que o público de Alvalade se despediu, por esta época, do melhor futebol a que já teve oportunidade de assistir desde que o novo estádio foi construído. O Sporting até pode nem vir a ser campeão - que, aliás, é o cenário mais provável -, mas não há adepto que dê por mal empregado o tempo que passa a ver esta equipa jogar. 

A partida acabou em goleada. Foram cinco, mas facilmente poderiam ter sido sete ou oito. Um recital de futebol sufocante, imprevisível e arrasador de uma equipa que chega a maio, após nove meses de competição, na melhor forma da época.



Positivo 

Bryan Ruiz - marcou dois golos em lances de bola parada (o primeiro dos quais em delicioso lance de laboratório - ver a movimentação do costa-riquenho no vídeo abaixo) e uma brilhante assistência para o primeiro golo de Gelson, em mais uma grande exibição.



Gelson a bisar - conseguiu fazer esquecer a ausência de João Mário com os seus golos, em particular o primeiro, quando finalizou com um chapéu de classe uma fantástica jogada de Slimani e Ruiz. Jogo bastante positivo, que quebra uma sequência já algo longa de partidas menos conseguidas. Excelente para o moral do miúdo.

A dupla de centrais - pode parecer um contrassenso em função da ausência de oportunidades do V. Setúbal para marcar, mas a realidade é que isso se deveu, em boa parte, à eficiência com que Coates e Rúben Semedo limparam tudo o que havia para limpar. Velocidade, poder de antecipação, impecável leitura de jogo, saber sair a jogar. Uma dupla altamente improvável, inventada na cabeça de Jesus, com os resultados que todos podem ver. E Coates ainda ia marcando num canto, com a bola a ser aliviada em cima da linha de golo.

William e Adrien nos golos - de uma forma ou outra, estiveram nos cinco golos do Sporting. William iniciou a jogada do 1º golo com o passe vertical para Slimani, e fez a assistência para Teo no 2º golo. Adrien assistiu Gelson no 3º golo, tocou a bola para Bruno César no 4º e sofreu a falta que deu origem ao 5º.


Negativo

A encomenda - Tiago Martins não conseguiu entregar de bandeja o campeonato ao Benfica, mas há que louvar-lhe o esforço: adiou o mais que pôde o golo do Sporting, fechando os olhos a um penálti claro sobre Slimani cometido mesmo à sua frente. Alcançou os objetivos mínimos da sua nomeação ao mostrar de forma errada um cartão a Adrien, que o afasta da próxima jornada. E ainda tentou arranjar um pretexto para mostrar um amarelo a Slimani, que também estava em risco de exclusão. Não há outra explicação para lhe fazer aquele sermão após uma falta que o argelino fez... ao escorregar, ao qual, felizmente, Slimani não reagiu. O aviso estava dado, e já se estava mesmo a ver que o amarelo saltaria na oportunidade seguinte. Quem reagiu, e bem, foi Jesus, tirando-o de campo, antes que fosse tarde demais.



Último jogo oficial em Alvalade e já sinto saudades. Mas para já ainda há um campeonato para ganhar.