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sexta-feira, 6 de julho de 2018

Carta aberta a Rui Patrício (@3295c_)

Novo texto do 3295C.



Rui,


Tal como tu esperaste pelo momento certo para te pronunciares sobre o teu pedido de rescisão, também eu esperei que o fizesses para te dizer o que fizeste aos Sócios do Clube que te criou e que te apoiou nos bons e nos maus momentos, desde que vieste, pequeno, de tua casa, e reforçado quando legítima e justamente assumiste a posição de guarda-redes naquele célebre jogo nos Barreiros, sobre o que nos aconteceu. Aos dois. A ti e aos Sportinguistas.

Na tua carreira de número 1, prometeste e cumpriste, com altos e baixos como qualquer ser humano que dizes ser e és, com a família leonina invariavelmente do teu lado. Nem sequer acredito que tenhas levado a mal a queda das tochas no relvado no jogo com o Benfica. Já vi uma imagem desse momento em que estás a sorrir, como quem sabe do que a casa gasta. Tantos anos estiveste sentado no trono da baliza Vítor Damas, que não seria desta vez que te caía mal. Se calhar caiu e não estarei a ser justo, mas mesmo que tenhas levado a mal esse episódio, tudo o que te tenho para dizer como adepto e Sócio do Sporting, minimizará essa situação.

Considerei a tua carta uma autêntica contradição do princípio ao fim. Numa versão mais suave, diria que te foi difícil fazer a distinção entre o coração que dizes ter de leão e o profissional que és do Sporting Clube de Portugal. Contratualmente, poderás ser da Sporting SAD, mas a última vez que consultei a composição accionista do teu patrão, o accionista maioritário ainda é o Sporting Clube de Portugal, o Clube que tu representas e onde dizes ter o teu coração.

Percebes bem o significado da expressão “onde se tem o coração”?

Dizes que explicaste tudo e bem na carta do teu pedido de rescisão. Gostei de ver a união de balneário em alguns elementos, por sentirem exactamente as mesmas coisas, das mesmas frias maneiras em linguagem quase jurídica. Não foi chato o que vos aconteceu. Foi uma tragédia cujas consequências não caíram em saco roto e sei que irás acompanhar o processo até ao fim, tal como eu, se realmente continuas a sentir-te leão. Até porque tu és um dos queixosos.

Vamos à decisão que tomaste, de livre vontade. A partir do momento que o fizeste, abandonaste precisamente o teu clubismo para pensar como o ser humano jogador profissional de futebol Rui Patrício. Decidiste perante um dilema que tinha surgido na tua vida.

Tu, Rui, que já levavas 20 anos de Sporting, que cresceste no Clube e passaste mais tempo na nossa casa do que na dos teus pais, como tu próprio disseste. Além disso, eras o capitão de equipa, Rui. O líder do balneário. E talvez não andes a fazer essas contas, mas com mais uma época e tornavas-te no jogador que mais vezes usou a Listada verde e branca. Ultrapassavas o grande senhor Hilário. Sabias? Como pudeste desperdiçar assim a eternidade que o Sporting te oferecia, aliado a outros nomes na posição que ocupaste, repito, com braçadeira, como Damas, Carlos Gomes, Carvalho…

Talvez tenha sido melhor assim. Se não aconteceu, foi porque eventualmente não o tivesses merecido.
És um profissional e eu aceito a tua decisão do ponto de vista laboral, mas não venhas depois dizer que continuarás a ser leão e que respeitas o Clube. Isso é não ter a noção do ridículo. Já percebeste que, do teu ponto de vista, tu queres sair do Sporting a custo zero, apagando precisamente os últimos 20 anos da tua vida como se o Sporting tivesse sido um mero instrumento de ascensão e aprendizagem na carreira? Considerarás que o Sporting merece ser assim castigado? Sabes muito bem do que vivem os clubes e a tua decisão como profissional de futebol prejudicou os interesses do Sporting Clube de Portugal em vários milhões de euros. No mínimo, é uma certa bipolaridade tua: o jogador profissional Rui Patrício tem toda a razão em querer uma rescisão com justa causa, mas o leão Rui Patrício reconhece o trajecto todo no Clube e leva-o no coração para sempre. Estás óptimo para Miss Universo. Querem sempre sol na eira e chuva no nabal para todo o Mundo.

Esperei de ti um capitão de equipa a liderar no momento certo, mas falhaste-me. Foste líder, mas dando um mau exemplo. E não compreendo como podes ter saído de Alvalade para um estádio com nome de batedeira e ainda por cima mal escrito. Inacreditável. O capitão de equipa do Sporting Clube de Portugal, campeão europeu de selecções, que julgaria poder sair, um dia, para um grande emblema europeu.

Tomaste a tua decisão e eu, como Sócio, tomei a minha. Adeus, Rui. Passaste a ser, simplesmente, um guarda-redes que fez a formação no Clube e saiu ao fim de 20 anos pela porta 5B.

Vais aprender no teu novo balneário a expressão ‘no hard feelings’. E recordas-te do dilema que referi atrás? Vai ver o que escreve Ortega Y Gasset sobre as circunstâncias serem o dilema perante o qual temos de nos decidir.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A rescisão de Rui Patrício

Rui Patrício decidiu rescindir unilateralmente o contrato que tinha com o Sporting. Acredito que não tenha sido uma decisão tomada de ânimo leve. Dei uma vista de olhos pelas justificações que apresentou e, pelo que me parece, baseiam-se na pressão que considera ter sofrido de Bruno de Carvalho (através de mensagens de texto e em conversas presenciais) e pelo que sucedeu na Academia.

Não me arrogo o direito de tecer quaisquer considerações atenuantes sobre aquilo que Rui Patrício e os jogadores viveram naqueles minutos de terror na terça-feira após a derrota na Madeira. Todas as pessoas são diferentes e cada um reagirá à sua maneira. Independentemente de ter sido um ato abominável que dificilmente se poderia prever, o clube falhou-lhe (a Rui Patrício e a todos os jogadores e técnicos) nesse dia. Foi o momento mais negro da centenária história do Sporting.

Agora, precisamente pelo facto de os acontecimentos da Academia terem sido uma situação excecional - a discussão pública tem andado à volta de um ato de terrorismo - e por ser uma decisão que penaliza sobretudo o clube e os seus sócios e adeptos (falo de uma forma genérica, obviamente não incluo os sócios e adeptos que não se sabem comportar de forma civilizada) - os mesmos sócios e adeptos que sempre o apoiaram mesmo quando o resto do país escarnecia dele -, não me peçam para ser compreensivo com uma decisão que acontece na sequência de uma negociação de transferência falhada e quando ainda havia três meses de mercado pela frente para definir o seu futuro. 

Suponho que, juridicamente, tudo se resuma à forma como forem apreciados os acontecimentos da Academia. A utilização dos SMS de Bruno de Carvalho como argumento para suportar as alegações de justa causa está ao nível daquilo que a SAD fez com o fato de treino de Marco Silva, ou seja, não é mais do que um adereço decorativo para tentar dar mais cor ao que realmente interessa. Já vivi, assisti, e conheci inúmeros casos de pressão tão ou mais intensa de superiores hierárquicos sobre subordinados. Incluindo algumas de situações que envolviam grandes riscos de saúde, e até de risco para a vida. Pressão todos temos de suportar nos nossos empregos, independentemente do nível de responsabilidade que recaem sobre os nossos ombros.

Não acredito que Rui Patrício volte com a palavra atrás, e acredito que pense que os motivos que tem são suficientes para invocar a rescisão por justa causa. Foi um grande atleta do clube. Capitão nem tanto, mas aí a culpa é mais de quem lhe deu a braçadeira. Assinou de livre vontade com o Sporting, que sempre o tratou como um símbolo do clube, mesmo quando as coisas não lhe corriam tão bem. Lamento imenso, como qualquer sportinguista, aquilo que lhe aconteceu na Academia, mas também lamento a decisão que hoje tomou. A única coisa que espero, daqui para a frente, é que o Sporting, independentemente da direção que estiver em funções, recorra a todos os meios que tiver ao seu dispor para proteger os interesses do clube. 

P.S.: Naquele maldito post pós-Madrid, Bruno de Carvalho criticou Gelson Martins por ter decidido rematar para a direita do guarda-redes em vez de rematar para a esquerda. Obviamente que apenas criticou o jogador por não ter sido golo. Se aquele mesmo remate para a direita do guarda-redes tivesse dado golo, certamente que o presidente não teria dirigido qualquer crítica a Gelson. Aliás, provavelmente até teria elogiado o jogador. A vida é mesmo assim. Muitas vezes é impossível ignorar o resultado de um conjunto de decisões no momento em que avaliamos o que foi feito. 

Neste caso, aquilo que vejo é a rescisão de um ativo com um valor de mercado. Acredito, conforme referiu Bruno de Carvalho, que Rui Patrício tenha sido influenciado por gente que quer afundar o Sporting. Mas todos sabemos que essas pessoas iriam tentar aproveitar qualquer abertura que tivessem, e, neste caso, boa parte da abertura foi-lhes proporcionada pelos atos absurdamente irrefletidos do presidente do clube - que culminaram com a suspensão de todo o plantel através das redes sociais. Nem imagino o que escreveria o BdC-adepto na sua conta de Facebook sobre o papel que o presidente teve neste desfecho.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: GRs e Defesas


Rui Patrício: *** 
2016/17: **
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***


Melhor época de sempre. Não seria tarefa fácil compilar os melhores momentos de Rui Patrício ao longo deste ano, tantas foram as ocasiões em que impediu golos que pareciam inevitáveis. Imperial entre os postes e no 1 contra 1, conseguiu desenvolver suficientemente o seu jogo de pés e a saída aos cruzamentos para os deixarmos de ver como fraquezas. O único ponto fraco do seu jogo que resta é o controlo da profundidade, mas isso não invalida que seja neste momento um enorme guarda-redes. A infelicidade na Madeira que acabou com as ténues esperanças que ainda existiam para acabar em segundo lugar e a desoladora saída em lágrimas no Jamor foram um final tremendamente injusto face à quantidade de vezes que nos salvou ao longo da época. É possível que a sua história no Sporting tenha chegado ao fim, o que torna tudo ainda mais amargo - não só pela forma como tudo acabou, mas também porque o segundo jogador mais utilizado na história do Sporting merecia sair com um campeonato no palmarés. Que seja feliz e que consiga conquistar aquilo que não conquistou connosco. Merece o melhor.


Salin: -

360 minutos de utilização distribuídos equitativamente entre confrontos de exigência reduzida na Taça de Portugal e na Taça da Liga são demasiado escassos para podermos avaliar se Salin é a pessoa certa para o papel de segundo guarda-redes. Se tivesse que arriscar, diria que não -  caso contrário, Jesus ter-lhe-ia confiado a baliza em bastantes mais ocasiões. Uma coisa é certa: nunca senti o mesmo conforto que sentia quando havia Beto no banco.


Cristiano Piccini: **

O mundo sportinguista - incluindo yours truly - torceu o nariz quando viu Piccini ser apresentado em Alvalade. Apesar de ser um desconhecido para a maior parte dos adeptos, o italiano foi rotulado de flop no dia da sua apresentação por causa da sua fraca estatística de cruzamentos - qualidade que todos julgavam ser prioritária havendo Dost para servir. E, de facto, nesse sentido, os receios eram fundados, pois Piccini não convenceu do ponto de vista ofensivo. Mas é justo dizer que não tardou a demonstrar ser um exímio defensor, com uma fantástica capacidade de posicionamento e antecipação. É um jogador talhado para os grandes jogos. Depois há a outra face da moeda: as suas insuficiências ofensivas fazem com que perca grande parte da sua utilidade contra adversários que se fecham na defesa - ou seja, estaremos a falar de 70% dos jogos das competições nacionais. Não sendo o lateral ideal para o campeonato português, é um lateral que interessa ter no plantel.


Stefan Ristovski: **

De início parecia a antítese de Piccini: de vocação bem mais ofensiva e sempre disponível para explorar o espaço no seu corredor, mas com alguns problemas para controlar os extremos adversários em tarefas defensivas. Ainda assim, as suas primeiras exibições foram prometedoras a ponto de se estranhar a falta de oportunidades concedidas por Jesus. Passou depois por um período de menor fulgor, parcialmente justificável por ser utilizado de forma muito esporádica, mas conseguiu acabar a época em bom plano, mostrando melhorias ao nível do posicionamento defensivo e confirmando capacidade para criar desequilíbrios no ataque.



Fábio Coentrão: ** 

A chegada por empréstimo de Coentrão levantou muitas dúvidas nos sportinguistas por causa dos conhecidos problemas físicos, psicológicos e (para alguns, nos quais não me incluo) do passado no Benfica e as juras de amor feitas ao rival. Os primeiros jogos foram algo angustiantes por causa da evidente falta de confiança que tinha na sua condição física - quando Coentrão caía no relvado, o estádio inteiro sustinha a respiração com medo do pior. Mas com o tempo foi recuperando a confiança e acabou por conquistar das bancadas com a sua garra e vontade de vencer. O Coentrão que tivemos está longe do lateral explosivo de há muitos anos, mas não deixa de ser um jogador que sabe sempre o que fazer em campo. A meio gás, foi, confortavelmente, o melhor lateral esquerdo que tivemos em muitos, muitos anos.


Jonathan Silva: *
2015/16: *
2014/15: *

Conforme se esperava, voltou da Argentina sendo o mesmo jogador que era quando saiu de Portugal. Acumulou bastantes minutos no primeiro terço da temporada devido à gestão física / lesões de Coentrão, e deu para ver que manteve as qualidades que tinha e, sobretudo, os defeitos. A raça sul-americana não consegue disfarçar as gritantes insuficiências defensivas. Não surpreendentemente, foi dado como dispensável. Surpreendentemente, a Roma veio buscá-lo. Não surpreendentemente, pouco jogou e na próxima temporada cá o teremos de volta, provavelmente por pouco tempo.


Lumor Agbenyenu: -

Reforço de inverno, não poderia ter tido pior receção do que aquela que Jesus lhe dispensou, pois o primeiro comentário do treinador não podia ter sido mais humilhante. Acabou por ir a jogo mais vezes do que se esperaria, mas apenas numa ocasião jogou mais do que 25 minutos. Nas oportunidades que teve, não se destacou (o que era difícil) nem comprometeu (o que já não é mau). Ou seja, estamos na mesma em relação a janeiro: continua a dúvida sobre se poderá ser uma boa solução para o lugar.


Sebastián Coates: **
2016/17: ***
2015/16: ***

Depois de uma época em que foi uma espécie de pronto-socorro de uma defesa demasiado instável, Coates teve, finalmente, a possibilidade de jogar ao lado de um central de créditos firmados e de laterais que sabem o que fazer no momento defensivo. Estranhamente, esta acabou por ser a época mais irregular do uruguaio desde que chegou ao Sporting: protagonizou demasiadas situações de desconcentração ou excesso de confiança em relação ao que nos tinha habituado. Ainda assim, a época foi globalmente positiva - convém relembrar que foi dos jogadores mais utilizados (54 jogos) e que teve influência decisiva em alguns deles (como nas meias-finais da Taça, em Tondela ou em Vila da Feira).


Jérémy Mathieu: ***

Chegou como um central velho, lento, propenso a lesões e, ainda por cima, fumador - apesar de haver dados suficientes para desmentir a parte do lentidão e das lesões -, mas precisou apenas de dois jogos para conquistar Alvalade, quando, contra o Setúbal, com o jogo empatado a 0 e o tempo a aproximar-se do fim, decidiu fazer duas arrancadas como se de um extremo esquerdo se tratasse para abanar os companheiros da apatia em que tinham caído. Classe imensa, velocidade, espírito vencedor. Ah, e também sabe bater livres. Mais uma época destas, se faz favor.


André Pinto: **

Cumpriu muito bem o papel de terceiro central. André Pinto teve o primeiro teste a sério da época em Vila do Conde quando teve que substituir o lesionado Mathieu à passagem da meia-hora e a defesa não se ressentiu. Continuou a estar globalmente num bom nível nos vários jogos de dificuldade elevada que se seguiram (Juventus, Braga e Olympiakos). Considerando a utilização irregular que teve (já que Coates e Mathieu tiveram épocas muito consistentes), creio que não seria justo exigir-se mais a André Pinto.


Tobias Figueiredo: -
2015/16: *


2014/15: **

Foi com alguma surpresa que ficou no plantel, acabando por participar em apenas quatro jogos. Pode ter sido pouco tempo, mas foi suficiente para perceber que a confiança não abundava - de Tobias em si próprio e da própria equipa e público em Tobias. A sua saída para Inglaterra acabou por ser um desfecho natural.

domingo, 6 de maio de 2018

Oportunidade perdida

Seguindo a regra que se tem observado esta época, o Sporting voltou a demonstrar dificuldades pouco compreensíveis na partida de ontem contra o Benfica. Em sete jogos já realizados em 2017/18 contra Porto e Benfica, não fomos claramente superiores em nenhum deles. É verdade que em alguns desses jogos conseguimos cumprir objetivos importantes (apuramento para as finais das duas taças), mas, do ponto de vista exibicional, fomos quase sempre uma equipa incapaz de controlar as operações, demasiado encolhida e com evidentes dificuldades de encostar o adversário às cordas quando a situação assim o impunha.

O resultado do dérbi de ontem acaba por ser simpático face ao que se verificou em campo. O Benfica teve as melhores oportunidades para marcar e só não perdemos graças a (mais) uma portentosa exibição de Rui Patrício. Não me lembro de o Sporting forçar Varela a qualquer defesa apertada. Oportunidades para marcar, do nosso lado, recordo-me de duas: aquela em que Dost prefere passar a Gelson - com a baliza e Varela à mercê - em vez de tentar marcar um golo que ficaria na memória coletiva sportinguista durante as próximas décadas pela magnífica roleta marselhesa que o deixou naquela posição privilegiada para finalizar; e um cabeceamento de Bryan Ruiz, na sequência de um canto, que saiu por cima da barra.

Em relação à arbitragem, Rui Vitória merece o Nobel do Descaramento pelas palavras que disse no final sobre o trabalho de Carlos Xistra. Não há penálti de Patrício sobre Rafa (que embate em Patrício após rematar), há penálti claro de Rúben Dias sobre Mathieu, o caso de bola no braço de William na área é apenas isso - bola no braço e não o inverso -, Rúben Dias faz penálti sobre Bas Dost, Rúben Dias (que já não deveria estar em campo) agride Gelson com o cotovelo, Bruno Fernandes também deveria ter visto vermelho em vez de amarelo, e não houve golo anulado a Jimenez porque o árbitro já tinha apitado há muito. No total, dois penáltis por assinalar a favor do Sporting e uma expulsão poupada para cada lado - sendo que o Benfica ficaria primeiro a jogar em inferioridade numérica, com todas as implicações que isso traria para o decurso da partida. Mais uma vez, foi o Benfica que foi salvo pelas arbitragens e não o inverso. Rui Vitória devia ter vergonha na cara, ainda mais quando se sabe a forma como conquistou os dois campeonatos anteriores.

O empate a zero adia a decisão do 2º lugar para a última jornada, estando o Sporting dependente apenas de si próprio para conseguir alcançar esse objetivo. No entanto, apesar de o resultado de ontem ter sido melhor do que a exibição, não podemos ficar satisfeitos com isso. Tivemos uma oportunidade para fechar em nossa casa a questão do apuramento para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, e falhámos. Não há desculpas. Temos de ganhar na Madeira, dê por onde der.

P.S.: Parabéns aos portistas pela conquista do campeonato. Sendo o campeonato uma prova de regularidade e tendo sido o Porto a melhor equipa durante a maior parte da época, foram um justo vencedor. Um destaque particular para Sérgio Conceição, que sem poder reforçar a equipa "a seu gosto", soube construir um modelo de jogo muito eficaz para consumo interno com o material que tinha para trabalhar.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Paixão por Bruno

Sabendo da derrota do Benfica no clássico, o Sporting foi a jogo (que começou atrasado 13 minutos por demora dos jogadores do Belenenses em subir ao túnel de acesso - gostava de saber o que se terá passado) com o conhecimento de que dependia apenas de si para conseguir chegar ao 2º lugar. Esse importante pressuposto para o que resta da época impunha, obviamente, que a equipa saísse do Restelo com os três pontos no bolso.

Nesse sentido, o jogo não podia ter começado de pior forma: Bruno Paixão decide penalizar o Sporting com (mais) um penálti que não se assinalaria contra nenhum outro candidato ao título. A perder desde cedo, o Sporting reage categoricamente com um vendaval de futebol proveniente dos pés de Bruno Fernandes e vira o resultado, e levando dois golos de vantagem para o intervalo. Tentou adormecer o jogo na segunda parte, mas nem o Belenenses nem Bruno Paixão foram na cantiga: grande jogada pela esquerda na origem do 2-3 e novo penálti que ninguém assinalaria a Benfica ou Porto para o 3-3.

Valeu-nos a jurisprudência criada por Bruno Paixão na decisão do primeiro penálti para assinalar um penálti a favor do Sporting, que resolveria o jogo. Houve muito Bruno (Paixão), mas, felizmente, acabou por haver muito mais Brunão.




Brunão - mais uma exibição portentosa. O passe para o golo de Dost é de uma categoria assombrosa: tenso e com uma precisão milimétrica para facilitar a receção orientada do holandês. Assistência para Gelson. Participação na jogada do terceiro golo. E não tremeu na marcação do penálti. Para além de outras iniciativas de ataque deliciosas. Só não esteve perfeito num par de ocasiões de remate de que dispôs na área do Belenenses. Está com números estratoféricos que só surpreenderão quem não o vê jogar. Não deve haver sportinguista que não sinta uma arrebatadora paixão pelo Brunão.

A reação ao primeiro golo - depois de mais um penálti que só se marca contra o Sporting, a equipa não podia ter tido melhor reação. Não tardou a conseguir o empate e dispôs de variadíssimas oportunidades até alcançar a vantagem com que foi para o intervalo. Uma resposta que deve ser valorizada se considerarmos as dificuldades que o Belenenses causou recentemente a Benfica e Porto.

Bryan a 8 - não tendo estado ligado de forma tão direta aos golos, é justo que se refira o excelente jogo que fez. Enquanto 8, tem sido capaz de dar a ligação entre setores de que a equipa precisa e de dar os equilíbrios defensivos necessários, pelo menos enquanto não rebenta fisicamente. Está em muito boa forma.

A defesa de Patrício a segurar a vitória - Florent tentou cruzar, mas a bola seguiu caprichosamente para o canto superior oposto da baliza do Sporting. Entraria, não fosse a extraordinária defesa de Rui Patrício a desviar o esférico para a barra. Valeu dois pontos.



A arbitragem - felizmente, o Sporting ganhou, pelo que não me poderão acusar de estar a culpar a arbitragem para esconder um insucesso da equipa. Já vi este filme demasiadas vezes para achar que isto são apenas coincidências. Patrício bate com a mão em Yazalde no lance do primeiro penálti. É um facto, mas quantas vezes é que um guarda-redes, ao embater num adversário sem tocar na bola na pequena área num lance dividido, deram direito a penálti? Nomeadamente contra Benfica ou Porto? Ao contrário teria marcado? Nem pensar. Há duas semanas, em Braga, Matheus arriscou-se a partir a perna a Dost num lance idêntico e o árbitro mandou seguir. Vejo o penálti de Acuña sobre Licá e apenas me lembro do penálti que Artur Soares Dias não assinalou sobre Doumbia no Dragão. Disse que a UEFA o matava se assinalasse uma lance daqueles, que foi bem mais evidente do que este. É assim o futebol português, os protocolos vão sendo "construídos" em função do tipo de lances que vão acontecendo a determinados clubes. Outro exemplo ainda: o amarelo mostrado a André Pinto logo aos dez minutos: quantas vezes é que os árbitros toleram faltas para amarelo quando são cometidas no início? Nos jogos do Sporting é a regra... quando a primeira falta para amarelo é cometida por um adversário do Sporting. Em relação ao penálti sobre Dost, obviamente que Paixão não teve alternativa senão assinalá-lo, depois do que tinha decidido no penálti de Patrício - a cotovelada de Yebda foi bem mais ostensiva. Outra situação: Bruno Paixão não podia ter impedido Dost de ficar em campo após ter sido assistido nesse mesmo lance... porque foi assistido por causa de uma lesão provocada por um adversário que viu um amarelo por essa falta. Ou seja, Dost viu um amarelo injustificado por ter permanecido em campo após a assistência (quando na realidade não precisava de ter saído) e não pôde bater o penálti graças a esta absurda decisão de Bruno Paixão, que o manteve fora de campo. Felizmente, Bruno Fernandes marcou com sucesso o penálti, caso contrário estaria armado mais um caso gravíssimo.

Fonte: O Jogo

Há ainda a mão (indiscutível) de Ristovski no lance do terceiro golo. Quando o golo de Doumbia mal anulado contra o Feirense, o CA divulgou um pormenor importante em relação ao momento em que o VAR pode recuar na jogada:


Ora, já depois da mão de Ristovski, Bruno Fernandes pára a progressão para pensar o que vai fazer, e Dost lateraliza para Ristovski. São dois momentos em que a jogada não prossegue rapidamente na direção da baliza adversária. Não sei até que ponto é que isso constitui ou não o início de uma nova fase de ataque. Admito que não, e que o VAR deveria ter recuado até ao controlo de bola de Ristovski, mas fica a dúvida. O que tenho certeza é que não justificava tamanha revolta por parte do narrador do jogo (ver mais abaixo).

Incapacidade de gerir vantagens - a reação ao golo do Belenenses foi fabulosa. A vantagem de 3-1 ao intervalo era confortável, mas a verdade é que, mais uma vez, o Sporting deixou o adversário reentrar no jogo e chegar ao empate. Já tinha acontecido, por exemplo, em Vila da Feira: em poucos minutos o Feirense recuperou de 0-2 para 2-2. Abdicámos de atacar e convidámos o adversário a acampar no nosso meio-campo. Percebo a ideia de abrandar o ritmo, considerando o desgaste do jogo com o Atlético e o desafio da próxima quarta-feira com o Porto, mas não se pode cair no exagero - já devíamos estar mais que avisados para este tipo de situações.

A inenarrável narração da Sport TV - não me lembro de ver comentários tão facciosos num canal supostamente isento. Estive a investigar e constou-me que Rui Pedro Rocha tinha acabado de comer uns burritos estragados minutos antes de começar a emissão do Belenenses - Sporting, o que talvez explique tamanha azia. Tentou desesperadamente chamar a atenção para a falta de Patrício naquele que seria o primeiro penálti da noite; tentou lançar a dúvida sobre a falta de Yebda naquele que seria o único penálti a favor do Sporting; sugeriu que Patrício poderia ver o vermelho no primeiro penálti ("vamos ver que cartão vai mostrar a Patrício", disse ansiosamente), mas mais tarde sugeriria que Yebda poderia não ter visto amarelo no terceiro penálti ("ser penálti não é obrigatoriamente amarelo", disse desanimado); e sobretudo, pelas inúmeras vezes que chamou a atenção para uma mão de Ristovski no terceiro golo do Sporting. Enquanto não perdia uma oportunidade para relembrar esse lance, conseguiu não reparar que a decisão de manter Dost fora de campo no penálti batido por Bruno Fernandes é ilegal. Eu ainda sou do tempo em que os comentadores da Sport TV evitavam falar de arbitragem para não desvalorizar o produto. Burritos estragados à tarde, e pastéis de Belém estragados à noite. Não foi fácil o dia de Rui Pedro Rocha.



Jogo de loucos que nos permitiu aproveitar os pontos perdidos pelo Benfica. Neste momento, apenas dependemos de nós para chegar ao 2º lugar. Não sendo "o" objetivo, não deixa de ser um objetivo importante para o Sporting por causa do acesso à Champions.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Fechando o ciclo em alta

Não se poderia desejar melhor forma de terminar um ciclo absolutamente infernal. Menos de 72 horas após ter disputado uma eliminatória da Liga Europa com direito a desgaste suplementar de um prolongamento, era natural que se temesse complicações adicionais de um adversário que sabe jogar, mas a realidade acabou por ser bem diferente: o Sporting fez uma excelente exibição e venceu de forma incontestável. A partida acabou por ser relativamente tranquila porque a equipa soube adaptar-se ao que o jogo ofereceu, e qualquer incerteza que tenha havido em relação ao resultado deveu-se, única e exclusivamente, à infelicidade no momento da finalização.




A exibição - pressão alta, velocidade de execução mais elevada do que tem sido norma e maior insistência na verticalização e no aproveitamento de toda a largura do campo para desmontar a defesa adversária. Tudo isto resultou uma das melhores exibições da época, com futebol agradável em largos períodos de tempo e na criação de um elevado número de ocasiões para marcar, ao mesmo tempo que se controlou quase sempre bem as iniciativas ofensivas adversárias.

Gelson - O (excelente) golo e a assistência para Dost foram, obviamente, os momentos altos da exibição de Gelson, mas não se limitou a isso. Para além da habitual disponibilidade defensiva, esteve também na origem de várias outras situações iminentes de golo, como a combinação com Coentrão na jogada em que o lateral rematou (intencionalmente) ao poste. O melhor em campo.

Dost de volta aos golos - regressou aos golos depois do jogo menos feliz realizado em Plzen, e assistiu Gelson com um amortecimento de bola açucarado. No entanto, há que dizer que não começou bem o jogo do ponto de vista da finalização, permitindo defesas a Cássio em duas situações em que, isolado, poderia e deveria ter feito melhor.

O Patrício é para as ocasiões - a única oportunidade do Rio Ave em todo o jogo surgiu no final da primeira parte, com um remate que embateu em Mathieu e, traiçoeiramente, mudou de trajetoria na direção da baliza junto ao poste. Remate que ia com selo de golo e que apenas não o foi devido a uma extraordinária parada da luva direita de Rui Patrício. Que. Época.

Outras menções honrosas - Piccini e Coentrão consistentes na defesa e atrevidos no apoio ao ataque; trabalho de Coates no segundo golo; muito William na segunda parte; mais uma boa exibição de Rúben Ribeiro; Bruno Fernandes a ser Bruno Fernandes; e, claro, a participação do apanha-bolas no primeiro golo.

Estatística interessante - há uma volta em que o Sporting não sofre golos em casa para o campeonato. A última equipa a marcar golos ao Sporting em Alvalade foi o Braga, o nosso próximo adversário.




Ferros e Cássio - mais uma vez, foi a finalização que não nos permitiu acabar mais cedo com as dúvidas no resultado, mas há que dizer que, desta vez, não houve muitos falhanços escandalosos. Muito mérito para Cássio, com várias defesas de grande categoria, e o excesso de pontaria aos ferros: quatro, divididas entre Fábio Coentrão e Bruno Fernandes.

Acuña a menos - entrou complicativo e poucas coisas lhe correram bem. O Sporting acabou por perder com a sua entrada, já que Rúben Ribeiro estava a fazer um bom jogo.



MVP: Gelson Martins

Nota artística: 4

Arbitragem: Rui Costa não tem jeito para isto. Um penálti por assinalar sobre Bruno Fernandes - há um toque subtil no seu pé, igual a muitos outros toques subtis noutras zonas do campo em que o árbitro marcou falta -, e várias faltas mal assinaladas. Nada que não se esperasse, infelizmente.



Finalmente, uma pausa na competição. É certo que metade do plantel vai estar ao serviço das seleções, mas mesmo esses interrompem a sequência ininterrupta de jogos de 3 em 3 dias. Um ritmo competitivo que causou mossas mas que não nos retirou de nenhuma das competições. Em abril há mais.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Uma equipa nos cuidados paliativos

As condicionantes eram várias, umas já expectáveis, outras nem tanto. Já todos sabemos que o Sporting é uma equipa que está fisicamente de rastos, resultado de andar há dois meses a jogar ininterruptamente, que mais uma vez teve de entrar em campo com a ausência de vários titulares, uma defesa remendada e um banco que teve de recorrer à equipa B, ao que se somou ainda um relvado absolutamente impraticável sobre o qual a bola saltava mais do que rolava, que, obviamente, contribuiu para minimizar a diferença entre as duas equipas ao nível técnico. Mas nada disto pode ser usado para justificar uma exibição tenebrosa, que por pouco não terminou num desastre europeu ao nível do que se passou em Salzburgo.

Durante 90 minutos, tudo pareceu correr mal - começando pelo golo madrugador sofrido em fora-de-jogo, prosseguindo pela incapacidade de dominar o adversário, pelas escassíssimas oportunidades de golo criadas, pela forma escandalosa como desperdiçámos as poucas (mas enormes) ocasiões de golo que tivemos, e terminando num penálti falhado que nos poderia ter poupado a mais 30 minutos adicionais de sofrimento e desgaste físico. Felizmente que o prolongamento nos reservaria a pontinha de felicidade necessária (ou de falta de infelicidade extrema, considerando os golos falhados anteriormente) para seguir em frente.





A qualificação - no final do dia, o que conta é que estaremos hoje no sorteio dos quartos-de-final. Acabaram-se os brindes, mas existem algumas equipas contra as quais teremos condições para discutir a eliminatória de igual para igual - partindo do princípio que esta pobreza exibicional é resolvida até lá; se voltarmos a jogar desta forma, seja lá contra quem for que nos calhe no sorteio, só com um milagre é que poderemos passar às meias-finais. Mas enquanto há vida, há esperança.

A defesa de Rui Patrício após o golo de Battaglia - a abrir a segunda parte do prolongamento, Rui Patrício fez uma defesa monumental com a ponta dos dedos, que permitiu gerir os últimos quinze minutos com outro nível de tranquilidade.

A estrelinha nos descontos - na primeira mão, Montero abriu o marcador nos descontos da primeira parte. Ontem, Battaglia marcou nos descontos dos descontos da primeira parte do prolongamento. Isto é que é aproveitar todos os segundinhos que o jogo nos dá...



Exibição paupérrima - não é novidade nenhuma, como sabemos. Os últimos jogos têm sido, do ponto de vista exibicional, de uma pobreza franciscana. Já dei os meus dois centavos sobre o que me parecem ser os motivos, pelo que não vale a pena estar a repeti-los. Compreendo que será difícil inverter a situação enquanto o calendário não afrouxar um pouco, mas a verdade é que, neste momento, a equipa não oferece grande confiança. Ainda assim, reconheça-se que se têm mantido na luta em todas as frentes.

Desperdícios de arrancar os cabelos - facto: considerando a diferença de qualidade teórica entre as duas equipas, produzimos futebol a menos e criámos oportunidades em quantidade demasiado escassa; outro facto: as poucas oportunidades que tivemos e falhámos foram ENORMES oportunidades: um penálti (Dost), de baliza aberta (Acuña), com o guarda-redes no chão (Bruno Fernandes) ou em que apenas era necessário escolher o lado para onde meter a bola nas redes (Acuña, Bryan 2x). Não sei se foi displicência, incompetência, nervosismo ou masoquismo. O que sei é que é inadmissível falhar tantos golos feitos.



Arsenal, Atlético Madrid, CSKA, Lazio, Leipzig, Marselha, Salzburgo são os papelinhos que nos poderão calhar no sorteio. Se o nosso Nhaga continuar a fazer o bom trabalho que tem feito nos nossos sorteios desta época, conseguirá afastar do nosso caminho os ingleses ou os espanhóis. Se o nosso Nhaga quiser caprichar, tira logo um Arsenal - Atlético Madrid para abrir o sorteio e deixa o nosso papelinho para último para podermos jogar em casa a segunda mão.

Daqui a três dias há mais, num espaço inferior às 72 horas regulamentares - por causa dos compromissos da seleção. Ou seja, mais um jogo que promete sofrimento. A verdade é que a equipa está nos cuidados paliativos há várias semanas, mas de uma forma ou outra, lá se tem conseguindo manter agarrada à vida. E enquanto há vida...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Martins vs Martins


Primeira parte. Rui Patrício pontapeia uma bola para o meio campo. Um jogador do Moreirense salta com Doumbia e amortece-a de cabeça, colocando-a, no entanto, ao alcance de Gelson, que se antecipa a Rúben Lima e passa por ele em velocidade. É derrubado em falta, que corta um lance em que o Sporting ficaria numa situação de 2x1. Jogada de grande perigo cortada de forma dura. O que faz Tiago Martins? Avisa o jogador Rúben Lima que para a próxima leva amarelo. Compare-se isto com o que aconteceu nos lances dos dois amarelos mostrados a Petrovic: uma falta na primeira parte em que derruba um adversário com a coxa no meio-campo do Moreirense, sem que houvesse qualquer perigo ou jogada comprometedora - amarelo forçadíssimo - e uma intervenção sem falta que lhe valeu o segundo amarelo. Pior: mesmo que tivesse havido falta, não era motivo para ver amarelo, pelo que a decisão é duplamente escandalosa.

Semana após semana, vamos assistindo situações em que os rivais vão tendo jogadores sistematicamente poupados de cartões mais que óbvios. Ainda em Paços de Ferreira, viu-se Rúben Dias a ter, com a bola parada, várias ações passíveis da amostragem de cartão, escapando a todas elas de forma olímpica. No Sporting, não há abébias. Tem valido de tudo, incluindo contornar as regras para nos anularem golos limpos. Estando o jogo em aberto, a ordem é para amarelar e expulsar, como já se tinha visto na semana passada com Mathieu. Ontem, estivemos mais meia-hora a jogar em inferioridade numérica e com a obrigação de correr atrás do golo, e, mais uma vez, a vitória a surgir no último suspiro, desta vez pelos pés de Gelson Martins. O outro Martins (Tiago) e o seu quarto árbitro não mereciam tamanha desfeita.




Estrelinha - mais uma vitória a surgir nos descontos através de um golo marcado com um ressalto, em desvantagem numérica, após uma segunda parte exibicionalmente paupérrima, que nos permite ir ao Dragão a depender apenas de nós próprios para reentrarmos na discussão pelo primeiro lugar. Ainda assim, convém relembrar que o Sporting fez o suficiente para ganhar o jogo na primeira parte, com três oportunidades de golo flagrantíssimas desperdiçadas por André Pinto, Bryan Ruiz e Bruno Fernandes.

Leão decisivo - não entrou bem, mas teve uma participação decisiva no segundo golo: recuperação de bola em carrinho, levantando-se e arrancando em direção à área adversária com um drible e aguentando duas cargas de adversários antes de fazer a assistência para Gelson Martins.

Não esquecer São Patrício - é fácil esquecer depois de todas as incidências, mas Rui Patrício fez (mais) uma defesa monumental que manteve o resultado a zeros. Grande época.



A arbitragem - para além da expulsão de Petrovic, para além da dualidade de critérios, para além de uma quantidade considerável de faltas que deixou por assinalar, Tiago Martins ainda conseguiu a proeza de dar apenas 4 minutos de compensação num jogo que teve muitas paragens. Uma prestação inenarrável que esteve muito perto de ter influência no resultado. De positivo, apenas a decisão de anular (bem) o golo do Moreirense, após controlo de bola com o braço por parte de Bilel.  

Qualidade exibicional - mesmo na primeira parte, em que dispusemos de boas oportunidades, para marcar, não se pode dizer que a exibição tenha sido positiva - fio de jogo inexistente e incapacidade para dominar efetivamente a partida, prevalecendo quase sempre o esforço sobre a organização. A segunda parte foi para esquecer, principalmente a partir do momento em que ficámos a jogar com dez. Montero mais uma vez inexistiu, Doumbia foi a imagem da equipa, conseguindo desequilibrar somente em esforço, Bryan Ruiz passou ao lado do jogo (com exceção de uma brilhante assistência para Bryan Ruiz). Com tanta desinspiração na frente, fica muito mais complicado ganhar jogos.

A expulsão de Gelson - compreendo que apenas queria dar força a um grande amigo que passa por um momento muito complicado na sua vida, mas... havia tantas outras formas de o fazer... Atitude irresponsável que nos impede de nos apresentemos na máxima força no Dragão, que será um jogo absolutamente decisivo. De qualquer forma, não merece que coloquem em causa o seu profissionalismo: Gelson Martins tem feito uma época a jogar sempre no limite, sem nunca se poupar ou fugir ao choque - basta lembrar que viu o primeiro amarelo por ter feito de pronto-socorro defensivo no flanco oposto ao seu...



Condicionantes sem fim - há motivos para ficarmos preocupados com as dificuldades recentes em ganhar jogos? Sim, com certeza, são demasiados jogos consecutivos a não conseguirmos assegurar a vitória a tempo e horas. No entanto, convém haver consciência das condicionantes que este grupo de trabalho tem enfrentado: sobrecarga de jogos (10 partidas nos últimos 33 dias); lesões de jogadores importantes (Dost e Gelson); arbitragens constantemente desfavoráveis (que têm ido do simples inclinar de campo até a roubos de igreja - Europa incluído); e, no caso do jogo de ontem, uma síndrome gripal que atacou vários jogadores do plantel, fazendo com que apenas quatro dos habituais titulares (Patrício, Coates, Bruno Fernandes e Gelson) tenham jogado na sua posição normal. É preocupante que o banco tarde a dar a resposta necessária em determinados lugares-chave, mas ontem não havia mesmo condições para a equipa se apresentar com um rendimento próximo do desejável. 

Nota artística: 2

MVP: Gelson Martins



Não consegui festejar a vitória, tal era a revolta por mais uma arbitragem degradante e a preocupação por uma exibição fraquíssima. Mas no final, o que conta, são mesmo os pontos conquistados. Que, neste caso, foram três, e nos mantêm na luta. Veremos durante quanto tempo.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Bom proveito da carne colocada na grelha

Demasiada carne no assador. Foi assim que encarei o onze escolhido por Jorge Jesus para o jogo desta tarde contra o Astana. Não vejo a Liga Europa como uma prioridade, havia a questão do relvado sintético, e, para além disso, sendo uma eliminatória a duas mãos, podíamos perfeitamente gerir esta primeira parte - que antecede uma deslocação complicada a Tondela - para depois resolvermos na segunda - em nossa casa, num jogo que antecede uma receção teoricamente mais fácil ao Moreirense.

A meu ver, fazia mais sentido: poupar neste, carne toda no assador em Tondela, carne necessária no assador na segunda mão, e gerir o jogo do Moreirense em função do desgaste entretanto acumulado e os riscos de suspensão para a partida seguinte, no Dragão.

Não foi isto que Jesus decidiu, pelo que, ao menos, ficasse a eliminatória já resolvida ou bem encaminhada. Mas as coisas não começaram bem: de pouco serve pôr a carne toda no assador se o aparelho não estiver a ser operado com a temperatura adequada. A intensidade colocada na primeira parte esteve abaixo das exigências, e foi preciso algum tempo de adaptação ao terreno e ao adversário até o Sporting entrar no ritmo necessário para fazer valer a diferença de nível em relação ao adversário.




Dez minutos para matar - Acuña acordou de uma primeira parte apática, e juntou-se a Gelson e Bruno Fernandes na criação de desequilíbrios, conseguindo uma entrada arrasadora na segunda parte que se traduziu em três golos que mataram o jogo e deixaram a eliminatória na nossa mão.  

À terceira foi de vez - no espaço de quatro dias, Doumbia viu-lhe serem anulados dois golos limpos, o que é um golpe profundo num ponta-de-lança que está a seco há demasiado tempo. Felizmente à terceira foi de vez. Foi só encostar, e lá voltou a meter o seu nome na lista de marcadores. Merecia. Para além disso, esteve envolvido na jogada que deu origem ao penálti.

Magia de Acuña no segundo golo - é só isto.


O aniversariante - em dia de 30º aniversário, Rui Patrício merece uma referência, quanto mais não seja por causa da excelente intervenção a dois tempos que impediu o Astana de aumentar o resultado para 2-0.



A entrada no jogo - considerando a aposta num onze muito próximo do melhor que temos para apresentar, esperava-se muito mais da primeira parte do Sporting. O início de jogo foi demasiado mau, com o meio-campo a jogar com défice de agressividade e com a defesa à deriva. Sofrer um golo absurdo em que praticamente toda a equipa foi apanhada a dormir numa reposição de bola junto à área adversária é a melhor ilustração possível para o desleixo com que a equipa entrou em campo.

O golo anulado a Doumbia - decisão escandalosa do fiscal-de-linha, já . O futebol sem VAR parece cada vez mais uma aberração.

Bryan - Foi menos um na primeira parte, mas não foi o único. Mais confusão me fez a sua segunda parte: com mais espaço, voltou a demonstrar aquela exasperante aversão à baliza adversária. Pior do que o remate ao lado, foram as oportunidades em que pareceu fazer questão de não rematar.

Gestão dos amarelos - tínhamos quatro jogadores em risco de exclusão: Coentrão, Gelson, Acuña e Bruno Fernandes. Com o resultado em 3-1, a eliminatória estava suficientemente bem encaminhada para aproveitar para limpar esses amarelos na 2ª mão. No entanto, nem um jogador o fez. Esperava um pouco de mais atenção a este tipo de pormenores por parte da estrutura e da equipa técnica.



Não houve lesões e eliminatória muito bem encaminhada. Ou seja, tirou-se o devido proveito de toda a carne posta na grelha.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Agarra que é ladrão

Um roubo. Não há outra forma de designar aquilo que ontem se passou em Alvalade. O golo anulado a Doumbia é um escândalo, porque o árbitro responsável pelo VAR - Manuel Oliveira - decidiu fazer tábua rasa do que diz o protocolo que rege a atuação do videoárbitro. Por desconhecimento? Impossível, qualquer adepto minimamente informado sabe que o lance pode ser revisto apenas até ao momento em que a equipa que marcou o golo recuperou a bola. Por distração? Impossível, pois ao recuar as imagens até ao momento da falta (que nem sequer me parece clara) de Bruno Fernandes não pode ter deixado de reparar que o Feirense tinha tido, entretanto, a bola em seu poder. Não podendo ser por desconhecimento ou distração, sobra a explicação evidente: a anulação do golo sustenta-se exclusivamente na vontade de Manuel Oliveira em manter o resultado em 0-0.



O Sporting acabou por ganhar o jogo, mas não é por isso que deveremos deixar de apontar a gravidade do sucedido. Em primeiro lugar, porque não é admissível que um árbitro interfira de forma consciente no decurso de um jogo. Em segundo lugar, porque já houve vários casos em jogos de rivais em que o VAR passou por cima de faltas claras que antecederam golos seus. É certo que erros não devem ser compensados com outros erros, mas o que é facto é que este acumular de "enganos" no mesmo sentido acaba por representar uma penalização dupla para o Sporting, e que poderá ter um peso decisivo num campeonato disputado ponto a ponto. E em terceiro lugar, porque não se pode menosprezar o efeito que uma ocorrência destas poderia ter numa equipa a atravessar uma fase complicada e que estava proibida de perder mais pontos, e - já agora - no público presente no estádio. Falando por mim, não fui capaz de festejar nenhum dos golos que foram marcados posteriormente, porque não conseguia deixar de pensar que poderia ter havido algum jogador do Sporting a espirrar três ou quatro minutos antes, o que seria, certamente, motivo suficiente para Manuel Oliveira anular os lances.

Quanto ao jogo em si, em vez de se ver em vantagem aos 20' e poder gerir o jogo e o esforço de outra forma, o Sporting foi obrigado a continuar à procura do golo. E se não os alcançou mais cedo, não foi por falta de oportunidades. À semelhança do que já tinha acontecido em alguns momentos contra o Estoril, a equipa teve períodos de excelente futebol, mas parecia voltar a fazer questão de desperdiçar as situações de golo feito que ia construindo. Felizmente, a persistência da equipa em chegar à vitória acabou por dar frutos e permitiu a conquista de três pontos inteiramente merecidos, contra tudo e contra todos.




Nota artística - ao contrário de outras ocasiões, a equipa não ficou à espera que o jogo se resolvesse sozinho, e foi à procura do golo desde o primeiro minuto. À vontade de desbloquear o resultado o mais rapidamente possível, juntou-se a capacidade de impor um futebol dinâmico, veloz e agressivo, que se traduziu numa enorme quantidade de oportunidades flagrantes para marcar. O golo foi-se adiando, seja por incapacidade própria na finalização, seja por excelentes intervenções do guarda-redes Caio Secco, seja pela vontade de Manuel Oliveira. Mérito para a generalidade dos jogadores, com Gelson, Montero e William Carvalho num patamar acima dos restantes.

A mão que segurou o resultado - não me refiro à mãozinha marota de Manuel Oliveira a rodar o botão do feed no sentido contrário aos ponteiros do relógio para recuar as imagens à procura de um motivo para anular golos, mas sim à de Rui Patrício: duas defesas fabulosas, uma em cada parte, numa altura em que o marcador ainda estava em branco.

As estreias - Rafael Leão estreou-se para o campeonato, e a sua entrada fez-se sentir de imediato. Primeiro com um remate para defesa difícil de Caio, depois com uma assistência para golo (irregular) de Gelson. Velocidade, técnica, agressividade e olhos colocados na baliza adversária. Promete. Lumor também entrou bem, integrando-se bem no ataque, revelando velocidade e voluntarismo, para além de ter feito um bom cruzamento. Perdeu, no entanto, um lance de cabeça num cruzamento para a área do Sporting em que nem sequer tirou os pés do chão, a fazer lembrar Jonathan Silva. Ainda assim, no global, teve uma estreia positiva.



A arbitragem - VAR à parte, a arbitragem foi fraca. Não que não estivessemos avisados desde cedo do que se iria passar: aos cinco minutos de jogo, Gelson já tinha sido alvo de duas faltas duras - numa delas nem sequer marcou falta - e Montero de outra. Cartões é que nem vê-los. Pouco depois do golo anulado a Doumbia, há um possível lance de mão na bola na área do Feirense, mas não houve VAR nem Luís Ferreira que desse uma apreciação cuidada à jogada. Dois exemplos do critério disciplinar errático que exerceu: mostrou um amarelo a William por fazer falta a meio do meio-campo do Sporting sobre um adversário que estava marcado também por Mathieu, poucos minutos depois de ter poupado Kakuba numa falta ostensiva sobre Gelson junto à área do Feirense, quando o extremo se preparava para ganhar a linha de fundo; e o amarelo para Patrício após a segunda reposição de bola lenta (depois do 1-0), quando foram precisas cinco ou seis reposições lentas de Caio Secco para ver cartão. Junte-se a isso várias situações em que impediu o Sporting de marcar livres de forma rápida e a eternidade que demorava a tomar nota dos cartões que mostrava. Luís Ferreira pode não ter jeito para a arbitragem, mas deve ser dono de uma caligrafia irrepreensível.

Doumbia - teve a infelicidade de lhe ter sido anulado um golo após excelente iniciativa individual, mas esse foi, provavelmente, o único bom momento dos muitos em que lhe deram oportunidade para brilhar. Começou logo nos minutos iniciais quando William o solicitou em profundidade e dominou mal a bola - problema que viria a demonstrar mais vezes enquanto esteve em campo. No total, teve pelo menos quatro oportunidades que desperdiçou de forma escandalosa. Infelizmente, não está a ser o ponta-de-lança de que necessitamos para render Dost. Provavelmente terá a sua última grande oportunidade na quinta-feira no Cazaquistão, espero que não a desperdice.



MVP: Fredy Montero

Nota artística: 4



Lado positivo do que se passou? Acredito que a equipa tenha saído mais forte após ter superado este nível de adversidade, juntando-se à sequência da melhoria da qualidade do futebol praticado que já se tinha visto na Amoreira (apesar da derrota). Lado negativo? É mais uma arbitragem de campo inclinado, que tem sido frequente nos últimos tempos. Os padres estão a sentir a fragilidade e querem acabar o servicinho.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Tudo em aberto

Enquanto via a primeira parte do clássico de ontem fui tendo a sensação de estar perante uma espécie de filme já visto. O Sporting realizou uma exibição sofrível durante os primeiros 35 minutos, encostado atrás na maior parte do tempo, com grandes dificuldades em sair a jogar e incapaz de circular a bola no meio-campo adversário. No fundo, uma reprise daquilo que já tinham sido os dois jogos anteriores com o Porto. Nem no resultado ao intervalo havia qualquer inovação. Nulo.

A segunda parte acabou por ser razoável. Aquilo que já tínhamos ameaçado nos últimos 10 minutos da primeira parte teve sequência na segunda. Mantivemos o jogo mais afastado da nossa área, conseguimos passar a circular a bola de forma mais segura. Infelizmente, revelámos (mais uma vez) pouco sentido prático nessa circulação quando nos aproximávamos da baliza de Casillas e, ironicamente, acabaríamos por sofrer um golo contra o que estava a ser a corrente do jogo nesse momento.




O regresso de Gelson - o melhor jogador do Sporting, o único que conseguiu, por si só, criar desequilíbrios. Não fez mais porque jogou muito isolado - Doumbia pouco ou nada acrescentou na construção, e Bruno Fernandes estava a jogar demasiado recuado -, mas nota-se perfeitamente a diferença quando o 77 está em campo.

A segurança de Rui Patrício - defendeu tudo o que tinha para defender - entre os postes e no um contra um. Era humanamente impossível impedir o golo de Soares.

Os últimos 10 minutos de cada parte - foram os únicos momentos do jogo em que o Sporting esteve nitidamente por cima no jogo, e que acabam por deixar um travo amargo no resultado alcançado. É verdade que o Porto teve mais oportunidades ao longo de toda a partida, mas a forma como terminámos a primeira e a segunda parte deixaram a sensação de que poderíamos, com um pouco de felicidade, ter saído do Dragão com um resultado favorável para a segunda mão (o que não quer dizer que fosse justo).



Falta audácia - não tem a ver com a opção de jogar com três centrais. Tem a ver com a aquela que é a atual ideia de jogo do Sporting: metemos poucos jogadores na área e imediações quando a bola está no último terço, metemos pouquíssimos jogadores a subir no terreno para aproveitar situações de contra-ataque. Ou seja, na generalidade do tempo andamos a jogar satisfeitos com o 0-0, sempre com mais receio de sofrer um golo do que com vontade de o marcar. Também ajudava se rematássemos mais à baliza quando estamos em condições aceitáveis de o fazer, em vez de optarmos quase sempre pela demanda obsessiva pela posição perfeita de finalização. Ao 4º jogo da época contra Benfica ou Porto, continuamos sem ter conseguido ser a equipa a apresentar melhor futebol. Ainda assim, este foi o menos mau de todos.

A arbitragem - campo completamente inclinado pelo árbitro João Pinheiro. Critério disciplinar aberrante, poupando vários cartões a jogadores do Porto em lances semelhantes que valeram amarelos a jogadores do Sporting, e uma enorme quantidade de faltas claras perto da área do Porto que decidiu não assinalar a nosso favor - e também fiquei com muitas dúvidas sobre se não terá havido falta de Corona sobre Bruno Fernandes no início do lance do golo do Porto. Começou logo mal quando decidiu dar amarelo a Coentrão e a Felipe, quando o primeiro nada fez para o merecer e o segundo lhe enfiou um dedo no olho enquanto lhe dava um sermão sabe-se lá sobre o quê. Nada a dizer na expulsão de Acuña.



Creio que o facto de a segunda mão apenas se disputar daqui a dois meses joga a nosso favor. Estou mais preocupado com a qualidade do nosso futebol do que com o resultado de ontem. Se a decisão fosse já para a semana, tenho muitas dúvidas de que a equipa fosse capaz de inverter o resultado da eliminatória e apurar-se para a final. Mas considerando tudo o que pode acontecer até lá, considerando o preenchido calendário que entretanto terá de ser cumprido, dois meses é quase uma eternidade. Estamos em desvantagem na eliminatória, é certo, mas o jogo decisivo será no nosso estádio. Está tudo em aberto.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Combate contra o karma

A Taça da Liga continua a ser a menor das competições oficiais que o Sporting disputa. Não tenho nenhum desejo especial de vencer a Taça da Liga, pelo que não ficaria particularmente aborrecido se tivessemos sido eliminados ontem. No entanto, não se pode menosprezar a importância desta vitória (mesmo que em penáltis): uma eliminação - ainda mais na ressaca daquele empate em Setúbal - poderia ter um impacto psicológico profundo no plantel e nos adeptos numa fase em que se joga grande parte do sucesso da época. 

A exibição esteve longe de ser brilhante - o Sporting só esteve claramente por cima do jogo nos primeiros vinte minutos -, mas nunca senti que o adversário alguma vez nos tenha conseguido encostar atrás como aconteceu na Luz contra o Benfica ou em Alvalade contra o mesmo Porto. Ou seja, houve algum controlo dos acontecimentos por parte do Sporting, suponho que em parte por se saber que, indo a decisão para penáltis, teríamos melhores hipóteses do que o Porto para nos qualificarmos para a final. Uma vez nos penáltis, lá apareceu Rui Patrício a fazer o que costuma fazer...




O suspeito do costume - Rui Patrício não teve grande trabalho durante os 90 minutos regulamentares, mas quando a decisão foi para os penáltis, o Sporting parte quase sempre em vantagem tendo o guarda-redes que tem. São Patrício é um especialista nestas séries, e ontem voltou a prová-lo. Uma referência do clube a quem apenas falta o campeonato para subir ao estatuto de lenda.

Combate contra o karma - encarámos o karma de olhos nos olhos com as opções tomadas para bater os penáltis. Perdemos o primeiro round quando William falhou. Com enorme determinação (ou loucura?), fomos para um double or nothing com Bryan Ruiz... e ganhámos! Excelente para o clube, e excelente também para um jogador que não merece a etiqueta que lhe foi colocada por causa do golo que falhou há dois anos. E por falar em karma...


O "milagre" de Coentrão - se dúvidas existissem, nossas e do próprio jogador, em relação à capacidade física de Fábio Coentrão, ontem elas terão ficado definitivamente dissipadas. Não quer dizer que não possa haver um azar já no próprio jogo - knock on wood - mas o lateral tem ultrapassado com distinção a sequência de jogos consecutivos que tem realizado, sem nunca deixar de colocar tudo o que tem em lances divididos, e independentemente do adversário direto que lhe apareça pela frente. Ontem foi Marega, que, não sendo o mais jeitoso dos jogadores, é difícil de controlar pela sua força e rapidez, mas Coentrão voltou a fazer um grande jogo. Mérito do jogador, obviamente, e também do departamento médico de excelência que o Sporting tem à sua disposição.



Nota artística - a vitória foi saborosa, como é óbvio, mesmo que a exibição não tenha sido brilhante, de parte a parte. O Sporting rematou pouco à baliza de Casillas, dispondo de apenas duas verdadeiras oportunidades para marcar - cabeceamento de Coates ao poste e remate de Bruno Fernandes bloqueado por Telles -, mas o Porto, rematando mais em virtude de uma abordagem muito mais direta, conseguiu, na minha opinião, criar apenas duas grandes situações de golo - remate frouxo de Ricardo Pereira após boa jogada individual e a oferta de Mathieu a Aboubakar. Jogo tão transpirado como desinspirado, de parte a parte.

A arbitragem - a decisão de não assinalar penálti de Danilo sobre Dost é absurda. Dost está um pé adiantado no momento em que o cruzamento é feito, mas está a ser agarrado e abraçado muito antes de conseguir ter parte ativa no lance. Nestes casos, a lei diz que o penálti tem precedência sobre a posição de fora-de-jogo. A decisão de anular o golo a Soares é boa, porque o brasileiro parece efetivamente adiantado, mas não ficaria escandalizado se o VAR tivesse optado por validar o golo. De resto, a arbitragem foi fraquíssima, com um critério disciplinar enviesado que permitiu excesso de agressividade aos jogadores do Porto - como é possível, por exemplo, que Filipe não tenha sido expulso por aquela entrada bárbara sobre Rúben Ribeiro, que Oliver não tenha visto cartão ao acertar na cara de Battaglia, ou que William tenha visto o primeiro amarelo do jogo quando, minutos antes, Soares tinha sido poupado por agarrar Rúben Ribeiro quando este ia entrar na área? - mas excessivamente rigoroso na gestão das faltas e faltinhas - muitas assinaladas desnecessariamente, outras que foram erros óbvios, principalmente ao apitar várias faltas ofensivas de jogadores do Sporting que não existiram. Se o jogo foi fraco, em parte também se deveu à má condução de jogo de Nuno Almeida. 

A lesão de Gelson - já andava a ameaçar, ontem quebrou. Esperemos que não seja grave.

As opções para a marcação dos penáltis - nunca atacarei William por ter avançado para marcar o quinto penálti - é um jogador que nunca se esconde nestes momentos -, mas, que raio, já sabemos que está longe de ser um especialista no momento do remate à baliza. A decisão foi incompreensível e deve ter deixado o universo sportinguista à beira de um ataque de nervos, principalmente quando Montero e Bryan estavam disponíveis. 



Ao fim do terceiro clássico/dérbi da época, o Sporting continua invicto nas competições nacionais. O raciocínio sobre o que se evitou ao não perder também se pode inverter, ou seja, um sucesso sobre um adversário direto ajuda sempre a ganhar confiança, e creio que isso permitirá libertar algum vapor da muita tensão que existe nos adeptos e na equipa. Agora, convém que ninguém se esqueça que a vitória de ontem não servirá de nada se não vencermos a final, pelo que é preciso abordar o jogo de sábado com níveis máximos de concentração e sem qualquer displicência. 

Sendo a Taça da Liga uma competição em que nos tem acontecido de tudo - a forma inesperada como perdemos a nossa primeira final, o escândalo da Taça Lucílio Baptista, o episódio do dolo sem intenção, etc.), continuaremos o combate contra o karma defrontando a mesma equipa que nos derrotou na final da primeira edição da prova. Acredito que haja muita vontade nos jogadores em "vingar" o empate de sexta-feira passada, e, se assim for, ficaremos muito mais próximos de conquistar a Taça da Liga pela primeira vez no nosso historial.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Admissão de Rúben no clube dos abraços

Numa partida em que Jesus decidiu dar uso imediato a uma das prendinhas que lhe foram oferecidas, dando a titularidade a Rúben Ribeiro, o Sporting conseguiu uma vitória tranquila sobre o Aves, mas não isenta de arrepios. Apesar de um domínio territorial constante do Sporting ao longo dos 90 minutos, o jogo dividiu-se por uma primeira parte em que as oportunidades de golo se equipararam para ambos os lados, e por uma segunda parte em que o Aves pareceu rebentar fisicamente - não terá ajudado o prolongamento disputado em Vila do Conde a meio da semana - e que o Sporting dominou por completo. No geral, uma exibição assim-assim em que a equipa soube gerir de forma competente o resultado, com maior destaque para duas figuras: Rúben Ribeiro, pelo papel fundamental no golo que desbloqueou o resultado em noite de estreia, e Dost, pelos motivos do costume.



Mais três - à 18ª jornada, Bas Dost já leva 19 golos marcados e ameaça bater o seu - já de si incrível - registo da época passada. Excluindo o penálti, teve três oportunidades para marcar e converteu duas, conseguindo uma taxa de aproveitamento acima dos 50% da praxe. Em relação ao penálti - e olhando para as últimas grandes penalidades que converteu -, dá a sensação que espera para ver para que lado vai cair o guarda-redes e só depois decide para onde atirar, normalmente sem grande força. Uma outra nota: convém relembrar que, há uns meses, havia sportinguistas que diziam que jogar com Dost era jogar com um a menos. Quando as coisas correm mal, há a tendência de muita gente em disparar em todas as direções. Por aqui se vê que convém dar tempo ao tempo, e isto devia servir de lição para quando acontecer o próximo desaire no campeonato.

A estreia de Rúben Ribeiro - considerando as declarações de Jorge Jesus sobre a contratação Rúben Ribeiro a meio da semana, estava à espera que o ex-vilacondense fizesse parte dos convocados e que fosse a jogo em caso de necessidade, mas nunca imaginei que fosse imediatamente lançado como titular. Justificou-se a confiança do treinador no jogador, graças, sobretudo, à forma como inventou, sozinho, o espaço para um cruzamento perfeito para o primeiro golo de Dost. Ao fim de trinta minutos em campo com a nova camisola, estava feita a admissão de Rúben no clube dos abraços do matador holandês. De resto, teve uma exibição positiva, revelando excelente toque de bola e boa leitura de jogo, ainda que se tenha notado que, em determinados momentos, não estava completamente sintonizado com os colegas. Considerando que chegou há apenas dois dias ao clube, era impossível pedir-lhe mais.

Novamente Patrício - duas intervenções complicadas na primeira parte que permitiram ir para o intervalo em vantagem no marcador, que ajudam a reforçar a excelente época que está a fazer.

A confiança de Piccini - o italiano recuperou a titularidade e fez, provavelmente, a exibição de maior balanceamento ofensivo desde que chegou ao Sporting, acabando por ser premiado com a assistência para o terceiro golo. Defensivamente, teve apenas um erro (que é como quem diz "um erro mais do que é normal"), quando não conseguiu acompanhar Amilton na única oportunidade que o Aves teve pelo seu lado.


Facilitismos na primeira parte - apesar de o domínio territorial ter sido evidente durante toda a partida, há que reconhecer que o Aves dispôs de mais oportunidades para marcar do que seria desejável. Em duas delas foi Patrício a resolver, na outra foi a barra a salvar. Nas duas ocasiões que surgiram pelo nosso lado esquerdo da defesa, não havia qualquer apoio dos médios. Some-se a isso alguns momentos de desconcentração dos centrais, que, felizmente, acabaram por não causar problemas de maior. Tudo isto aconteceu na primeira parte. Na segunda parte o panorama mudou completamente, e o Aves não conseguiu criar qualquer perigo.



Não foi um jogo brilhante, mas o importante é que omeçámos a segunda volta da mesma forma que começámos a primeira: vencendo confortavelmente um adversário que é mais complicado do que aquilo que a classificação deixa antever, e recuperando provisoriamente o primeiro lugar. Sexta-feira há mais, com a deslocação a Setúbal.